Boa parte das pessoas que vêm para a USP sabem do que eu estou falando, hoje abarrotado como sempre:
1. O cobrador pede a um rapaz que deixe uma moça que já ia descer passar a catraca.
2. O rapaz responde que está difícil, não tem espaço e de forma displicente dificulta a passagem da mulher. Depois quando resolvo falar com ele, "se todos fizerem um esforço e forem mais para trás do ônibus verão que tem espaço, assim as pessoas que também precisam ir para a USP, podem entrar e o ônibus seguir em frente".
3. O rapaz, provavelmente aluno da USP, fala, enfaticamente, "é função do cobrador pedir para as pessoas irem mais para trás, organizar os passageiros, blá blá blá".
4. Eu respondo "é mas se cada um fizer a sua parte, já ajudaria bastante".
Colocar a culpa no cobrador, no sistema de transporte, no trânsito, no Prefeito, Governador, Presidente, em todo mundo, é mais fácil, é compreensível também, mas não adianta muita coisa. Temos uma realidade a nossa frente e precisamos aprender a viver com ela, aceitar para poder buscar mudanças. Acreditar que a culpa é sempre do outro, nos mantém alienados e impotentes em relação às mudanças.
Todos os dias eu dependo desse ônibus para chegar ao trabalho, assim como eu, muitos outros, alunos que tem uma prova importante, funcionários que batem cartão e podem ser descontados no salário, pacientes do HU, entre outros. Todos têm o mesmo direito de chegar ao seu destino, o que eu estou falando vale para mim também, quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra, mas por experiência própria, minha opinião é:
Se cada um fizer a sua parte, será melhor para todos.
Todos os dias faço um grande esforço para conseguir entrar no nosso querido BUTANTÃ USP, todos os dias vejo as dificuldades dos passageiros, os desaforos que o cobrador tem que aguentar e a paciência de elefante que o motorista precisa ter. Todos os dias faço um esforço para passar a catraca e ir até a parte de trás do ônibus, assim como eu já fiquei para fora do ônibus, tento colaborar para que isso não aconteça com outras pessoas, bom, o mais importante, é a grande surpresa, sempre tem lugar na parte de trás do ônibus e na maioria das vezes eu até vou sentada. Enquanto isso, muitos outros ficam se espremendo na parte da frente ou perto da porta.
Então, caros companheiros de ônibus, vamos fazer um esforço, tentar colaborar, será que alguém precisa ficar falando o que temos que fazer, não podemos por conta própria cooperar com os nossos iguais, por que ali, durante aquele trajeto, estamos todos na mesma.
Outras sugestões, alternativas, grandes idéias, serão bem-vindas!!!
Quanto a mim, só não vou trabalhar de bicicleta pq tenho medo de ser atropelada!! rsrs
Palavras-chave: Butantã, cooperação, ônibus, transporte público


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Comentários
Altavolt escreveu:
Cara Yuna, parabéns por este post tão lúcido sobre o que passamos no 702U, diariamente. Também sou usuário assíduo da linha e várias vezes já escrevi sobre as ridículas situações vivenciadas nesse coletivo do caos.
Como vc escreveu, estão faltando noções básicas de cidadania aos usuários dessa e de outras linhas de ônibus.
As pessoas entrarem no ônibus e estacionarem na porta é uma coisa corriqueira. Nem se lembram que mais gente vai precisar entrar por ali.
Outro absurdo são os passageiros que esperam o último segundo para se levantar ou começar a se mover em direção à porta de saída, já com o ônibus praticamente parado no ponto. Aí, é claro que não dá tempo de chegar à porta... e tome "Vais descer, motorista" aos berros no nosso ouvido. E os pobres motoristas e cobradores têm de conviver diariamente com toda essa imbecilidade humana!
Ceder o lugar aos passageiros que estão em condições de dificuldade então, nem pensar, todo mundo se finge de morto!
E as malditas mochilas nas costas? Putz, não existe nada mais tão sem-noção do que isso. Por onde passa, o mochileiro inconsequente vai arrastando e causando mal-estares nos outros passageiros!
Tem outro passageiro nó-cego, que é aquele que fica bloqueando o caminho para a saída do ônibus, sem ao menos se dar conta de que as pessoas que estão atrás dele podem estar precisando passar, ou, achando que ele está prestes a descer.
É duro, cara Yuna, mas fico muito feliz de ver que posso compartilhar minhas opiniões com mais alguém. Às vezes, tenho a impressão de que só eu estou vendo comportamentos pouco civilizados nos coletivos. Chego a me perguntar se sou muito chato. Posso até ser, mas que as pessoas precisam ter mais noção de cidadania e coletividade, isso precisam mesmo! E olha que grande parte dos passageiros do 702U são estudantes da USP, tidos como a nata da cultura paulista!
Abraço.
Francisco M Neto escreveu:
Você está nadando na razão, Yuna.
O mais impressionante é a falta de noção das pessoas. Fica todo mundo se acotovelando pra ficar perto da porta, atrapalhando o ônibus inteiro, enquanto tem espaço na parte de trás do ônibus. Não só isso, mas várias vezes já vi um assento vazio e um monte de gente de pé, não só ignorando o fato de que se sentar poderia facilitar a vida das pessoas (um conceito que hoje em dia parece ter perdido o sentido para a maioria das pessoas) mas também ficando empacadas bem na frente do banco, impedindo que outras pessoas se sentem.
Dá pra falar também no egoísmo das pessoas. Por exemplo, dia desses estava fazendo muito frio, e o ônibus pra variar estava lotado. Uma fulana que estava agasalhada até as orelhas ficou brigando com todo mundo dentro do ônibus porque queria deixar a janela escancarada, deixando aquele vento frio entrar com tudo na cara dos outros. Tudo isso porque ela estava "com calor".
Daria pra ficar reclamando o dia inteiro aqui, porque problemas não faltam no transporte coletivo em geral na cidade de São Paulo. Como se não bastasse um sistema mal planejado, caro e ineficiente, as pessoas ainda por cima usam o "estresse de viver na cidade grande" como desculpa para serem escrotas.
É nessas horas que eu penso em mudar pro meio do mato.
Daniela Prado escreveu:
Yuna, achei seu texto ótimo! Normalmente sou uma passageira educada, procuro fazer tudo direitinho: não ficar na porta de saíde, não esbarrar com a mochila nos outros, ceder o assento aos que precisam mais que eu e tal. Mas acho legal que vc tenha postado. Têm coisas que parecem óbvias, mas nem sempre são.
E quanto ao rapaz que disse que a obrigação de organizar o ônibus era do cobrador e não sua, só tenho uma coisa a dizer: que cara MALA SEM ALÇA E SEM RODINHA!
Como diz um ditado: muito ajuda quem não atrapalha.
abs!
dani
Daniela Prado escreveu:
yuna, hoje peguei ônibus e me lembrei de comentar outra coisa importante: os folgados que sentam ao lado da gente no mesmo banco e abrem a perna ocupando metade do nosso assento. me dá uma raiva tão grande que quase já pedi pra pessoa chegar pra lá.Fabiana Rodrigues Arantes escreveu:
hum...
acho que não concordo com tudo o que está escrito nos comentários e no post. Ônibus lotado é um problema, mas não dá pra ficar dizendo que certos comportamentos são errados sem pensar nas inúmeras razões que levam as pessoas a tomarem aquela atitude.
Se a pessoa nunca pegou uma determinada linha, é natural que ela fique perto da porta, é o que eu faço pelo menos, ainda mais se dependo do cobrador pra me avisar quando aparecer o ponto, e pelo que vejo isso é bem comum com outras pessoas também. Ou então se o ônibus tá lotado e seu ponto está perto, claro que é natural vc não querer ir para o final. Na USP então, onde metade do ponto desce na FFLCH, que é um dos primeiros pontos, nem se fala.
A questão da mochila então é até mais delicada... é uma tática comum, principalmente pelas garotas, ficar com a mochila nas costas para evitar certos caras mais atrevidos que passam próximos demais. E quem pega ônibus sabe que isso é comum.
E outra coisa, não é porque o banco está vazio que as pessoas teem obrigação de sentar. Senta quem quer, e se alguém quer sentar, é só pedir licença que consegue chegar até o banco vazio.
Enfim, acho que o problema é o ônibus ser lotado, e não o comportamento dos passageiros. Não dá pra ficar exigindo que todo mundo faça o que você quer. Existem pessoas mais bem humoradas, outras que acordam num mau dia, outra que pode está com a cabeça no mundo da lua. Acho que a única solução é tentar exigir uma melhora no transporte público para os governantes.
Agora o que eu concordo plenamente é que não é certo ficar culpando os cobradores e o motorista por nada. Aliás, eles são as pessoas mais bem educadas que vejo no trânsito de SP ultimamente.
Altavolt escreveu:
Fabiana,
Concordo plenamente que a maior parte da solução dos problemas relatados seja a substancial melhoria do nível do nosso transporte público. Porém, como disse a Yuna, aguardamos tais melhorias há séculos, e só falam delas nas campanhas eleitorais. Passadas as eleições, nós usuários continuamos na mesma.
O post da Yuna, com o qual concordo plenamente, quis apenas alertar que todos nós, coletivamente, podemos minimizar as agruras pelas quais estamos obrigados a passar. O poder público não ajuda em nada. Se nós não procurarmos nos disciplinar e corrigir alguns comportamentos "desligados" e "egoístas", a situação só fica pior, e em detrimento de nós mesmos, usuários. Os administradores do sistema estão se lixando para o povo, não são as mães e filhos deles, muito menos eles próprios, que pegam esses "busões" lotados todos os dias. E isso nós também precisamos nos mobilizar para mudar! Talvez a Reitoria da USP, com o peso político que tem, pudesse solicitar a real melhoria das linhas de ônibus que servem ao Campus. Nunca senti empenho nesse sentido, mas seria muito bem-vindo!
Abraço.
yuna escreveu:
Concordo plenamente Fabiana, num mundo ideal, com um sistema de transporte decente, com condições de vida melhores, etc., não precisaríamos nos esforçar tanto para não passar nervoso, sair xingando ou sentir seu espaço respeitado.
Quanto a mochila nas costas como forma de defesa, sim, já usei esse artifício. Quanto as pessoas que nunca pegaram o ônibus e vão descer logo, também é muito lógico, mas acredito que a maioria pega esse ônibus quase todos os dias.
Quanto a janela aberta no frio Francisco, é realmente difícil entrar em consenso, eu por exemplo, não acho que a janela deve ficar escancarada, mas uma frestinha para o ar entrar é sempre bem-vinda!!! as vezes sinto claustrofobia qdo está tudo fechado. Ah, tbm penso muuuito em mudar para o meio do mato!! rsrs
É verdade Daniela, alguns homens deveriam aprender um pouquinho sobre etiqueta, mais do que isso, a respeitar uma mulher, sem querer ser "corporativista", mas já sendo, as mulheres tem que aguentar cada coisa!!!
Altavolt em relação a mobilização da Reitoria pode ser um caminho, já fiquei sabendo de iniciativas da USP cobrando mais linhas à SPTrans, porém a resposta foi padrão: o nº de linhas é suficiente, atendemos dentro das possibilidades, ocasionalmente podemos aumentar quando for possível. É difícil!!
Abraços a todos!!
Visitante escreveu:
Legal suas observações a cerca de nosso comportamento. Que por sua vez, determinam uma maior colaboratividade para com os outros que sofrem da mesma dor. Nesse aspecto, só posso dizer que sou um usuário muito velho dessa linha, e teve fases, e não sei pq. Teve fazes muito melhores do que essa. E qdo escrevo muito melhor, escrevo muito melhor. Talvez quem pode relatar isso, são os funcionários, que por motivo de carreira acabam ficando mais tempo na USP em anos, e alunos que se tornaram pós graduandos e depois professores. Porque trânsito ruim para chegar na USP sempre teve, e posso dizer com vontade e alegria, o tempo de chegada e saída era muito maior. Pois existiam entraves, os quais hj não existem mais, como o cruzamento da Vital Brasil (multi-cruzamento na época) e tantos outros.Só que o regime de colaboração é algo que só a Sociais e Psico pode ajudar a explicar. Não consigo entender, pois as coisas facilitaram, e em vez de melhorar, pioraram.Veja, amiga, que na minha época, aluno da USP não lia menos que agora, e nem lia mais. Porém biblioteca era o único recurso, pilhas de xerox também. No entanto, quem pegava onibus, não tinha dinheiro pra tirar xerox de tudo. Abarrotava a carteirinha da biblioteca mesmo. E no momento em que se pega um onibus, que vai para o Pq Dom Pedro que demora 30 minutos pra atravessar, a Vital e pegar a Eusébio, e depois pega todo o trânsito da REbouças para subir, pois não tinha corredor. Carregar o Vogels, Guidorizi, Solomon e tantos outros livros que parecem livros de bruxos de grandes, só restava o que estava sentado pedir para pegar e colocar no colo. Que as vezes, pasme, ficava lotado de livros, até o peito. Íamos conversando, dormindo, sonhando, chorando, mas íamos. Alguns policiais militares do trânsito diziam que dependendo do horário o 702U parecia onibus escolar. E não era?Hj com a internet, não se precisa pegar tantos livros, o corredor na Rebouças gera uma autonomia aos onibus que vemos pela janelinha o qto os carros ficaram estáticos, tem metro na Paulista, Ponte na Teodoro Sampaio, Semaforos inteligentes, CET inchada de funcionários. E nós paramos de ser "gente" uns com os outros, e o pior com uma proximidade física excepicional em relação a outras linahs, pois quase todos são da USP. E nunca paramos para pensar que somos suficientemente grandes em número e importância, para pedir uma unica solução: -- Um numero maior de carros, com um intervalo menor entre eles, pelo menos nos horários de Pico.Logo o seu receituário é um gigante passo para nós. Pois o que peço, demoraria muito pra conseguir, pois todos teriam que ser unidos , pra pelo menos fazer uma lista de assinaturas, ou uma passeatinha pequena sem muito reboliço na frente da reitoria pra Reitora interceder por nós alunos, funcionários e porque não, os coitados dos pacientes do HU, que geralmente são mães com nenês pequenos, e velhinhos. Logo, logo nós ainda resistimos ao movimento de não ceder lugares a estes coitados. Não sei até qdo. Porque em outras linhas, usuários fingem até estar dormindo.Visitante escreveu:
O seu texto é muito bem pensado e coerente. Fico feliz de saber que há ainda pessoas bacanas e bem educadas que se preocupam com o bem estar do próximo, característica essa que parece faltar ao brasileiro médio, que ignora o espaço do outro e preocupa-se só em sentar a própria bunda no busão, no metrô ou sei lá onde mais. Claro que o butantã usp é uma bosta, ninguém vai negar. Eu mesma, morando na Pça da Árvore, experimentava vir de metrô e pegar o busão na cardeal, na rebouças, na augusta... O primeiro demora que é um porre em horário de pico. O segundo, graças ao corredor, corre que é uma beleza. Mas o sujeito tem que viajar pendurado, com um cara encostando na sua bunda, segurando na mão a mochila de 30 quilos, porque ninguém se oferece para segurar... Na Augusta, até que rola. Mas o busão não passa. Demora. Demora. Demora.Eu, que já estou treinando aceitar a dura realidade, nem penso mais em aumentar o número de carros. O que podia ser feito, pelo menos, é incentivar a cortesia. Segurar a mochila do outro, dar licença para quem precisa passar, fechar as pernas quando está sentado do lado de alguém. Ah, e outras coisas que me incomodam muito no transporte: ninguém fica à direita nas escadas rolantes de corredores e metrôs. Gente, fiquem a direita e deixem quem tá com pressa passar. Eu também sou contra correria, mas quem tem horário tem horário, oras! E quando o ônibus chegar, passa-me o favor, ó caro fumante: Jogue a bituca no lixo ou arranje um porta-bituca. Que a rua já tá suja o suficiente.Marcela escreveu:
por isso eu pego o ponte orca =)