(esqueceu?)

Stoa :: Alexandre Simionato Bueno :: Blog

março 15, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Redes sociais na Web são objetos interessantes de estudo, na interface entre sociologia e ciência de computação. A primeira coisa que vem à mente é estudar as propriedades estruturais: quem está ligado com quem? Veja um exemplo do crescimento do Stoa, por exemplo

Mas é claro que na realidade as ligações entre pessoas não sáo binários, sim ou não. Algumas ligações são mais fracas do que outros. Granovetter ("The Strength of Weak Ties", American Journal of Sociology, Vol. 78, Issue 6, May 1973, pp. 1360-1380.) foi um dos primeiros de conceituar ligações fracos e fortes entre pessoas (mostrando que para achar um novo emprego era importante ter conexões sociais "fracas" porque via estas conexões é possível  achar oportunidades mais diversas.)

Embaixo incorporei uma palestra interessante de Karrie Karahalios que relatou os resultados de trabalho que fez com Erich Gilbert quantificando o grau de intensidade das conexões entre pessoas no Facebook. Na apresentação e no paper é mostrado como um modelo simples, usando dados como número de palavras trocados em mensagens, distância geográfica, número de vezes que aparece em fotos, número de contatos mútuos, etc. etc. pode prever com quase 90% de precisão a intensidade da conexão (como relatado numa entrevista feito em laboratório). 

Não está no paper (que é do início de 2009),  mas fizeram algo muito mais interessante: tendo o modelo em mãos, transferiram o para Twitter e aplicaram nos contatos lá. O resultado é We Meddle, um serviço que tente agrupar os seus contatos no Twitter baseado na suposta intensidade da conexão. 

E funciona até razoavelmente bem! Primeiro, o programa agrupa os seus contatos em grupos: 

(pode fazer ajustes manuais). Mas o interessante mesmo é o cliente de Twitter que fizeram. Este cliente mostre os Tweets dos seus contatos maior ou menos baseado na intensidade da conexão: pode mostrar sobretudo Tweets das suas conexões mais próximos, por exemplo. 

É claro que é só um começo, mas achei muito interessante a ideia de um cliente Twitter (ou outra plataforma de streaming) que faz mais do que simplesmente mostrar tudo em ordem de chegada. De fato, há um monte de coisas legais que pode ser feito com as informações agora disponível da Web Social.

Fique com a apresentação, vale a pena.

Palavras-chave: conexões, web, web social

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março 13, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Para fazer desenvolvimento de software é preciso usar uma plataforma. Antigamente, só tinha plataformas proprietárias, controladas por uma única entidade, como por exemplo Microsoft ou IBM. Este tipo de software roda no seu desktop (ou, no caso de computação móvel, no seu handset), usando as bibliotecas fornecidos pelo sistema operacional. 

Recentemente ficou viável fazer aplicativos "da Web". Um dos exemplos mais impressionantes, para a época, era gmail, que mostrou que aplicativos da Web podiam competir em pé de igualdade com aplicativos "nativos" do ponto de vista do usuário.

Para o usuário, o que importa é somente funcionalidade. Mas para desenvolvedores e do ponto de vista de diversidade e "generatividade" o que importa é quem controla a plataforma. Nenhuma única entidade ou organização controla a Web. Por bem ou por mal, é um conjunto de acordos entre fornecedores de navegadores, desenvolvedores Web, fornecedores de servidores Web, provedores de serviço de internet, etc. etc. 

E isto leva a uma baixa barreira de entrada de novas idéias (ninguém precisa pedir permissão para começar implementar uma nova idéia) e assim uma grande quantidade de inovação. Por outro lado, levar a própria plataforma para frente é mais difícil, justamente por não ser controlado por uma única entidade. 

Estamos numa fase de proliferação de plataformas. O domínio de Windows acabou. Também, a distinção clara entre aplicativos no desktop e aplicativos da Web na verdade não é tão claro: Adobe AIR por exemplo é um espécie de intermediário, um chamada plataforma para fazer "Rich Internet Apllications", aplicativos que rodam no desktop, mas ao mesmo tempo desenvolvedores podem usar técnologia da Web (css, javascript). 

Supostamente, para aplicativos nativos ou do tipo Adobe AIR a experiência do usuário é melhor, porque podem usar as funcionalidades mais avançadas da plataforma. Veja então a minha surpresa com a minha experiência de usuário quando instalei TweetDeck, um cliente para Twitter escrito com AIR. A instalação era tranquila (embora que sempre fico nervoso ter que dar acesso ao meu computador, aplicativos Web são muito mais seguros neste sentido). Mas olha o que acontece quando roda o programa pela primeira vez:

 Notem:

 

  1. um diálogo modal avisando que o aplicativo está fazendo uma conexão com servidor não confiável  (até olhei o certificado, porque acho que entendo de certificados e criptografia na internet, mas não tinha nenhuma informação que podia me ajudar tomar uma decisão racional).
  2. um diálogo de atualização da própria plataforma
  3. um tweet, solto no meio da tela
  4. um diálogo de introdução do aplicativo
  5. no fundo, mais um monte de ruído visual
Dizem que plataformas proprietários fazem interfaces de usuários melhores, mas obviamente não é verdade. Na Web, as interfaces são mais simples, mas razoavelmente bem padronizadas (e assim viram "intuitivo", por hábito). 

Não gosto de AIR. Para desenvolvedores, não acredito que vale a pena correr o risco de ficar dependendo de uma única controladora, no caso Adobe, que pode de repente tirar o tapete. Para usuários, não vale a pena se submeter aos idiosincracias de mais uma plataforma. A Web faz tudo que precisa e de forma muito melhor e segura.

Próximo episódio: porque não deveriam desenvolver para Apple. 

 

 

Palavras-chave: Adobe AIR, AIR, desenvolvimento, plataformas, software, web

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março 05, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Muito estranho a "Nota da SBF sobre cooperação nuclear Brasil - Irã" que a entidade distribuiu antes de ontem via email entre os sócios e ontem colocou no site. 

Como discutido exaustivamente nos comentários no espaço de Luis Nassif, o Irã obviamente é signatário do tratado de nãoproliferação nuclear, como uma rápida visita a Wikipedia poderia ter confirmado.

O resultado do erro são especulações infrutíferas sobre eventuais motivos políticas. É claro que a SBF pode e deve ter posições sobre política, mas sempre no sentido da palavra como na expressão "políticas públicas" e não no sentido "política partidária".

Veja aqui para uma análise inteligente da política internacional brasileira neste assunto. (via Paulo Roberto de Almeida)

Atualizado 10/3/2010: Nota de Esclarecimento da Diretoria

 

Palavras-chave: sbf, wtf

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fevereiro 22, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

A sua presença na rede determina grande parte da sua imagem pública. É importante, portanto, controlar esta presença. Em particular, é cada vez mais importante ter o seu próprio domínio na Internet. Mas, no Brasil, ainda é complicado demais. Segue uma explicação do problema e uma proposta solução.

O que aconteceu? 

Faço parte de um grupo de pessoas liderado (efetivamente) por uma pessoa muito inteligente e de alta instrução. Apesar destas duas características, ela não conseguiu completar o processo de comprar um domínio e começar montar um site simples.

Veja ao lado o formulário de cadastro de um domínio novo. Vai tudo bem até os campos "Delegações DNS". Como uma pessoa normal vai saber como proceder?

O que fazer?

Qualquer pessoa deve poder criar o seu site (no seu próprio domínio) com alguns cliques. Ou, se esta pessoa assim deseja, deve ser fácil redirecionar o seu próprio domínio para o seu provedor de identidade de preferência (um perfil no Facebook ou Google por exemplo). É possível comprar um domínio no Uolhosts, Locaweb ou provedores de serviços do gênero. Mas estes soluções criados pela iniciativa privada não atendem as necessidades do público em geral. A criação do seu próprio domínio devia ser um serviço público.

Estou propondo então, que o registro.br extende os seus serviços para efetivamente virar um provedor de serviço público. Este serviço deve

  1. Melhorar o interface de usuário do registro.br (ou criar outro interface voltado para usuários não-especialistas). Usuários não devem precisar entender conceitos como "delegação" ou DNS para comprar o seu domínio.
  2. Fornecer um painel de controle de domínio que permite o dono do domínio escolher fácilmente o provedor de hospedagem do seu site, mudar records DNS (em particular o CNAME) e até configurar um redirecionamento em nível de HTTP.

Ao criar o seu domínio, poderia ser oferecido um cardápio de opções: a mais simples permite o usuário configurar um HTTP 301 para um URL da sua escolha, outras opções incluem escolher provedores de hospedagem e delegações de DNS.

Deste modo, indivíduos poderiam escolher o seu provedor de hospedagem (do tipo uolhosts, locaweb, etc. etc.) ou gestores de conteúdo (do tipo Wordpress.com, Google Apps, Yola, Weebly Uolhosts, etc. etc.) sem ficar dependentes dos mesmos. Mudar de provedor seria só uma questão de entrar no interface do registro.br e apontar o domínio para um outro provedor.

O primeiro ponto é relativamente faćil de implementar por um desenvolvedor versado em RoR, Django ou uma ferramenta do gênero. É uma questão de vontade.

O segundo ponto representa uma mudança fundamental.  Agora, o registro.br não fornece serviços de DNS. Um indivíduo pode comprar e controlar o seu domínio por intermediação de um chamado provedor de serviços ou usar o interface extremamente restrito do próprio registro.br.

É justamente isto o argumento sendo feito aqui: o registro.br deve, como serviço público, oferecer um serviço DNS  público. Este serviço será restrito a cadastro de domínios, gerenciamento do seu domínio e no máximo oferecer um "webhop" (HHTP 301). Controlar o seu domínio é um direito de todos e é o dever do poder público de habilitar esta liberdade efetivamente.

Justificativa

Parece que tecnologia de rede alterna arquiteturas distribuídas (p2p, redes horizontais, princípio "end to end", etc.) com arquiteturas hierárquicas e centralizadas. Em cima da internet (TCP/IP) construiu-se DNS, em cima da Web construiu-se Google. Estamos num momento em que serviços centralizadores como provedores de rede sociais (Facebook, Twitter, etc.) ficam cada vez mais importante na nossa sociedade.

É preciso que o pêndulo volta na direção de de-centralização. Padrões emergentes como Webfinger, Activitystreams, XRD, OAuth etc. vão viabilizar esta nova fase de descentralização na Web. Mas para isto poder acontecer é essencial que seja possível para uma pessoa comum controlar a sua presença na rede.

Este liberdade fundamental não pode ficar restrito a especialistas. É um objetivo declarado do cgi.br de democratizar o acesso à rede. Da mesma maneira, controlar o seu domínio devia ser um direito de todos.

Objeções?

  1. Já temos provedores de serviço. Sim, mas não provêem um serviço adequado para a nova realidade na Web, onde domínios cada vez mais precisam ser controlados por indivíduos. O mercado ainda pense em prover serviços para pequenos empresas. Geralmente são empresas de hospedagem com fortes incentivos de manter os seus clientes "presos".

    É necessário desvincular hospedagem de serviços de DNS, justamente para dar liberdade para o cliente escolher a solução de hospedagem ou "provedor de identidade".  É perfeitamente aceitável que hospedagem seja um serviço provido pelo mercado e que haja competição baseado em funcionalidade, portabilidade dos dados, etc. Domínios e "identidade" na internet, por outro lado, são um bem importante demais para deixar a mercê do mercado.

  2. Vai ser o fim da anonimato na internet. Não proponho que controlar o seu domínio seja obrigatório. Sou absolutamente contra tentativas de vigiar e controlar o que acontece na internet. A proposta é só no sentido de democratizar e popularizar o sistema de domínios no Brasil. E sim, DNS é uma hierarquia, com uma cadeia de responsabilidades. Se quiser usar um domínio, vai ter que se identificar.

Palavras-chave: DNS, domínio, registro.br

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fevereiro 18, 2010

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Este link leva a um trabalho que levantou dados sobre produção científica no mundo nos últimos 30 anos. Há um destaque para o crescimento notável da produção científica em alguns países como China e Irã (também explorados em reportagens da New Scientist: Get ready for China's domination of science e Iran showing fastest scientific growth of any country). O mapa abaixo também ilustra o crescimento acima da média alcançado por vários países da América Latina, incluindo o Brasil. Estão representados no mapa o declínio da ex-URSS e a estagnação dos EUA e boa parte da Europa.

No gráfico abaixo é evidenciado o crescimento exponencial da produção científica chinesa e brasileira,também comparando com a evolução da produção estadounidense e ex-soviética.

Palavras-chave: ciência, desenvolvimento científico

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 0 comentário

fevereiro 11, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Google Buzz agrega e re-distribui a sua atividade para sua rede de contatos, com interface dentro do gmail. Acabo de implementar uma gambiarra no Stoa que permite publicar no Google Buzz os seus posts no seu blog no Stoa (e atividade geral também, se não me engano). Para isto

 

1. edite o seu perfil / aba "Contato" coloca no campo "Conta do Google" o seu nome de usuário do Google (o nome que aparece em http://www.google.com/profiles/suaconta)

2. Agora siga as instruções aqui: inclua stoa.usp.br/suacontanostoa/weblog/ no seu perfil do Google "Adicionar links personalizados ao meu perfil" (não esqueça clicar "Essa é uma página de perfil sobre mim." (E acho que deve salvar as mudanças...

3. Navegue para https://sgapi-recrawl.appspot.com/ e força um re-crawl. Em Gmail/Buzz, se tudo deu certo, o seu blog deve aparecer entre os "connected sites".

Deixe um comentário se conseguiu...

 

Palavras-chave: buzz, feeds, gbuzz, real-time web, stoa

Este post é Domínio Público.

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fevereiro 07, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Cada desenvolvedor que interage com a linha de comando deve conhecer screen. Este programa, que vem com qualquer distribuição linux, permite rodar várias shells dentro de um único terminal. Mas o maior vantagem é que screen permite o desenvolvedor / administrador se desconectar do servidor sem parar os seus processos. 

Se não estiver usando screen ainda, pare tudo que está fazendo e procure um tutorial. Aqui dou somente as dicas mínimas necessários para começar. 

O uso típico é assim: entre no seu servidor via ssh e roda screen. Abre N "abas" ou shells com Ctlr-a-c. Mude entre eles com Ctlr-a-p / Ctrl-a-n ou Ctrl-a-0, Ctrl-a-1, etc. O seu ambiente de trabalho ficará mais ou menos assim:

sessão de screen

Note a visualização dos shells abertos na parte de baixo da tela. Coloque o seguinte no arquivo .screenrc no seu diretório home para obter este efeito:

caption     always        "%{+b rk}%H%{gk} |%c %{yk}%d.%m.%Y | %72=Load: %l %{wk}"
hardstatus alwayslastline "%?%{yk}%-Lw%?%{wb}%n*%f %t%?(%u)%?%?%{yk}%+Lw%?"

Se precisar se deslogar mas não quer perder o seu trabalho, "tire" (detach) a sessão com Ctrl-a-d. A próxima vez que entre, use screen -r para voltar. Use screen -list para uma lista de sessões abertas.

Levei um tempo para sacar a utilidade do screen. Achei que podia muito bem simplesmente entrar no servidor vários vezes, usando vários xterms. Mas a vantagem de screen não é o multiplexador do terminal. A grande vantagem é que pode retomar a sua sessão após ser deslogado (voluntariamente ou não) do seu servidor. Quantas vezes já não perdi a conexão de rede enquanto estava fazendo algo num servidor. Usando screen, é só uma questão de entrar de novo e recuperar toda sessão com screen -r

 

Palavras-chave: desenvolvimento, screen

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janeiro 28, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Louis Menand:

[Academia] is a self-governing and largely closed community of practitioners who have an almost absolute power to determine the standards for entry, promotion, and dismissal in their fields. The discipline relies on the principle of disinterestedness, according to which the production of new knowledge is regulated by measuring it against existing scholarship through a process of peer review, rather than by the extent to which it meets the needs of interests external to the field. The history department does not ask the mayor or the alumni or the physics department who is qualified to be a history professor. The academic credential is non-transferable (as every Ph.D. looking for work outside the academy quickly learns). And disciplines encourage—in fact, they more or less require—a high degree of specialization. The return to the disciplines for this method of organizing themselves is social authority: the product is guaranteed by the expertise the system is designed to create. Incompetent practitioners are not admitted to practice, and incompetent scholarship is not disseminated.

Since it is the system that ratifies the product—ipso facto, no one outside the community of experts is qualified to rate the value of the work produced within it—the most important function of the system is not the production of knowledge. It is the reproduction of the system. To put it another way, the most important function of the system, both for purposes of its continued survival and for purposes of controlling the market for its products, is the production of the producers.

(Ênfase minha.)

Liberdade acadêmica é uma coisa boa. Desde que Humboldt no início do século 19 fundou a Universidade de Berlin é aceito que não interferir no trabalho de cientistas é uma maneira eficaz de obter resultados beneficiando a sociedade. Mas como Menand diz, a ciência é análogo à burocracia, no sentido de ser necessária para uma sociedade moderna mas sempre tendo um aspecto parasítico e tendendo a crescer descontroladamente. 

A sociedade não pode determinar o que é relevante cientificamente, mas cientistas têm justamente por isso uma responsabilidade ainda maior levar em conta a relevância do seu trabalho para a sociedade.

Palavras-chave: academia

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janeiro 13, 2010

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O terremoto que atingiu a pouco o Haiti teve efeitos devastadores sobre este país já castigado por mazelas enormes. O Brasil certamente ajudará o país por meios governamentais já que temos uma presença importante na Força de Paz Internacional lá presente. Entretanto quem quiser contribuir individualmente pode fazê-lo através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), instituição seríssima e de longo histórico de ajuda humanitária. No site do CICV há uma página de doação (selecione Haiti no campo Programa) que permite que contribuições financeiras sejam feitas de forma fácil e segura com qualquer cartão de crédito internacional.

Palavras-chave: ajuda humanitária, desastre, Haiti, solidariedade, terremoto

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 6 comentários

novembro 29, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Via Neil Fraser:

O que tem errado com a seguinte imagem e você compraria um telescópio de uma empresa que a usa no seu site?

telescópio FAIL

 

Palavras-chave: #hahaha

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novembro 19, 2009

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divulgando email recebido...

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Luta pela Internet Livre avança

Amigos e Amigas,

Cresce nossa mobilização contra o Projeto de Lei do Senador Eduardo Azeredo, que criminaliza práticas comuns na Internet no Brasil, como a troca de arquivos P2P e o anonimato na rede.

Em 2008 o projeto foi aprovado pelo Senado Federal e encaminhado à Câmara dos Deputados para nova tramitação.

Com sua ajuda, ao assinar a petição online contra esse AI-5 Digital, e com dezenas de atos públicos por todo o Brasil, conseguimos emperrar a votação do Projeto de Lei, mas ele ainda é uma ameaça à nossa liberdade e privacidade.

Conseguimos também fazer com que o Ministério da Justiça lançasse uma consulta pública para que o Brasil tenha um Marco Regulatório Civil na Internet. (Leia mais)

Precisamos agora que todos os que defendem a Internet Livre entrem no blog www.culturadigital.br/marcocivil ou no twitter www.twitter.com/marcocivil e exijam das autoridades nossos direitos!


Propomos que sejam considerados direitos dos cidadãos os seguintes pontos:

  • Todos os brasileiros têm o direito ao acesso à Internet sem distinção de renda, classe, credo, raça, cor, opção sexual, sem discriminação física ou cultural
  • Todos internautas têm o direito à acessibilidade plena, independente das dificuldades físicas ou cognitivas que possam ter.
  • Todos cidadãos brasileiros têm o direito de abrir suas redes e compartilhar o seu sinal de internet, com ou sem fio.
  • Todos os cidadãos têm o direito à comunicação não-vigiada.
  • Todo internauta tem o direito à navegação livre, anônima, sem interferência e sem que seu rastro digital seja identificado e armazenado pelas corporações, pelos governos ou por outras pessoas, sem a sua autorização.
  • Todo interagente tem o direito de compartilhar arquivos pelas redes P2P sem que nenhuma corporação filtre ou defina o que ele deve ou não comunicar.
  • Todo cidadão tem o direito que seu computador não seja invadido, nem que seus dados sejam violados por crackers, corporações ou por mecanismos de DRM.
  • Todo brasileiro tem direito a cópia de arquivos na rede para seu uso justo e não-comercial.
  • Todo cidadão tem direito de acessar informações públicas em sites da Internet sem discriminação de sistema operacional, navegador ou plataforma computacional utilizada.
  • Toda pessoa tem o direito a escrever em blogs e participar de redes sociais com seu nome, com codinome ou anonimamente.
  • Todo blogueiro tem o direito de aceitar ou não comentários anônimos, não sendo responsável pelo seu teor.



Sugiro uma lista de pessoas que estão no twitter
que estão acompanhando de perto a questão:


@caribe
@cassino
@Luiz_F_Moncau
@marcelobranco
@marcocivil
@pauloteixeira13
@rodrigosavazoni
@samadeu
@trezentos

Ou pelos sites:

www.trezentos.blog.br
meganao.wordpress.com

Ou ainda pela tag #marcovil no Twitter, e nos principais agregadores e indexadores de blogs.

 

Assinam esse e-mail:

 

Coletivo Ciberativismo

Mega Não

Projeto Software Livre Brasil

Palavras-chave: direitos cibernéticos, direitos individuais, internet, lei Azeredo, liberdade

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 2 comentários

novembro 10, 2009

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Ontem a Alemanha e o mundo comemoraram 20 anos da queda do Muro de Berlim.

Nesta mesma semana palestinos destruíram parte do Muro construído em seu território por Israel.

 

Palestinians Knock Down Part Of West Bank Wall Again

In the West Bank, Palestinian activists marked the Berlin Wall anniversary by knocking down part of the Israeli separation wall for the second time in a week.

Abdalla Abu Rahma, coordinator of the Popular Committee Against the Wall: “Today is the 20th anniversary of the destruction of the Berlin Wall. That’s why we in the Popular Committees campaigned all around Palestine for the destruction of this (West Bank) wall. Of course, the title is: "We are going to Jerusalem,” to arrive at Jerusalem, the holy city, which is important to the Palestinian people who are prevented from entering it. This is the beginning of the activities, which we do, to express our hold on our land, and our refusal to this wall–the wall of torture, the wall of humiliation."

http://www.democracynow.org/2009/11/10/headlines#6

 

Palavras-chave: Alemanha, apartheid, Berlim, Israel, muro, Palestina, segregação

Postado por Antonio C. C. Guimarães em História | 0 comentário

novembro 08, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Assim como no Moodle do Stoa, agora é possivel usar o visualizador de moléculas Jmol no seu espaço de arquivos ou num post no seu blog. 

Para usar, é preciso ter um arquivo em um dos formatos que Jmol interpreta: cif, mol, cml, xyz ou pdb. Por exemplo, baixe o arquivo que descreve a proteína Calmodulin do Protein Data Bank

Agora, suba o arquivo para o seu espaço no Stoa. Se quiser, crie primeiro uma pasta do tipo "Galeria Jmol":


Agora suba o seu arquivo no seu espaço de arquivos:

E o resultado deve ser:

Para usar a molécula num post do seu blog, por agora é preciso usar o botão "Adicionar Arquivo" e escolher o arquivo em questão. Assim é gerado o código {{file:xxxx}} que é convertido para o applet Jmol.

Calmodulin

Se o seu navegador entende Java, o resultado deve ser uma moléculadentro do seu post.

Somente  testado em FireFox / Linux : deixe um comentário se não funciona para você.

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Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

novembro 05, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Veja embaixo um boleto fraudulento que acabo de receber. Mas não consigo entender como funciona: a cobrança indevida está atrelada numa conta bancária, suponho de alguma laranja. Mas como os bandidos conseguem tirar o dinheiro de lá sem ser pegos imediatamente? Para mensagens de phishing que chegam via email acho que entendo: os bandidos regristram ou roubam um domínio e conseguem colher senhas durante alguns dias que o ISP leva para atuar após a denúncia. Mas no mundo real, com contas bancárias, como funciona?

boleto fraudulento

Palavras-chave: fraude, phishing, registro.br

Postado por Ewout ter Haar | 3 comentários

outubro 28, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Isto é impressionante: http://thru-you.com/#/videos

Mais sobre Kutiman, faça você mesmo.

(via techdirt)

Palavras-chave: Cultura Livre, Kutiman

Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

outubro 26, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

No dia 27 de outubro dei uma apresentação para seminário do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências. Veja a apresentação em baixo (não tem nada de novo para quem viu alguma das minhas apresentações nos últimos meses).

  1. Boa tarde, sou Ewout ter Haar e agradeço a oportunidade de falar sobre o meu trabalho na área de tecnologia educacional
  2. Antes de mais nada, quero distinguir "Tecnologia Educacional" de um lado de "EaD" no sentido de massificação e industrialização da educação e pelo outro lado de um utopismo tecnológico ingêneo. Trabalho para trazer tecnologias de rede modernas para dentro da instituição. Vejo o sucesso inegável da Web em fornecer acesso a conhecimento sem precedentes em escala planetária e me pergunto: 1. como usar esta tecnologia para as funções duais da Universidade: disseminação e construção do conhecimente e 2. como aprender da Web: porque teve tanto sucesso e como podemos abstrair as razões deste sucesso e aplicar aos nossos objetivos.
  3. Estudos quantitativos mostram que tecnologia edacional é eficaz, sobretudo quando aplicado de forma complementar e quando usado para a criação de ambientes educacionais mais complexas e ricas.
  4. O estudo em questão é uma meta-análise de 50 estudos feito após 2000.
  5. Mesmo reconhecendo os limites deste tipo de estudo quantitativo ("só pode melhorar o que mede" mas isto significa que somente melhora o que mede e o que pode medir pode não ser o que realmente interesse), mesmo assim, é interessante refletir que aparentemente uma intervenção simples (aplicar tecnologia educacional) é equivalente a 1-2 anos de ensino superior!
  6. A Web é revolucionária, vai mudar (está mudando) a sociedade profundamente e Educação em particular. Vejo a Web, o espaço global de informação mais bem sucedido na história da humanidade, que deu acesso sem precedentes à conhecimento e me pergunto: quais foram as características da Web que deixaram isto possível e como usar isto para alcançar os nossos objetivos?
  7. Cada nova tecnologia é capaz de transformar a sociedade. Veja o exemplo numa única área: a língua escrita
  8. O Orígenes foi o primeiro usar a invenção da página que possibilita o uso crítico de textos (em vez de meramente como meio de preservação) porque agora pode apontar para um determinado lugar num texto.
  9. O Cervantes é tido como o inventor da novela: ficção agora é possível porque a imprensa (Gutenberg) permite a distribuição relativamente barata de livros.
  10. De forma análago, estamos com a internet e a Web no incunábulo, um período de transição e estamos inventando neste instante o que pode ser feito com as possibilidades novas.
  11. Uma coisa que é possível agora, com o custo marginal quase zero de distribuir e fazer cópias de material digital, é dar acesso a material didático para todo mundo, grátis. O conceito de Recursos Educacionais Abertas é um pouco mais complexo, incluindo novas formas de re-usar e re-combinar pedaços de conteúdo, necessitando novas normas e leis acerca de atribuição e direitos do autor
  12. Nós no CEPA também estamos envolvidos nesta área, usando a Web para disseminação de material didático. O nosso diferencial é que sabemos usar a Web e seus formatos e linguagens nativos de tal forma que os nossos recursos se integram bem com a Web e as suas habitantes (usando hiptertexto, se dar bem com Google, etc.)
  13. Mas a Web é mais do que um mero espaço de disseminar informação.
  14. As redes modernas conseguem combinar disseminação de informação, com comunicação entre pares e criação de ambientes colaborativas, juntando num meio só o que antigamente vários meios (radio-difusão, telefone, etc) separadas tinham que fazer. Segundo Benkler, a facilidade de coordenação entre grupos ad hoc faz com que uma terceira via (além de mercados e organizações hierárquicas) se abre para construir, em particular,  bem comuns. 
  15. Como esta mágica funciona? O segredo do sucesso da internet e da Web é que são plataformas abertas, neutras e distribuidas, levando a uma baixa barreira de entrada para idéias, que competem entre si (mas sem necessariamente usar o mecanismo de preço, com em mercados) para as melhores aplicações e inovações sobreviveram.
  16. No caso da Web, isto levou a um acesso à conhecimento sem precedentes na história da humanidade.
  17. Para ter uma idéia o que uma baixa barreira de participação significa, em 2008 foram "produzidos" 45 GB por pessoa na planeta, na Web. 
  18. Resumindo: a lição da Web e da internet é que para criar plataformas onde inovação pode ocorrer, é preciso criar plataformas abertas, neutras e distribuidas, seguindo o chamado princípio end to end. Veja também "neutralidade da rede"
  19. No contexto da Educação, vejo a Web, a internet e sua arquitectura distribuída e me pergunto: será que não precisamos de-centralizar? Decentralizar, dar poder nas mãos dos atores mais próximos aos alunos, não significa necessariamente ser escravo da lógica do mercado. Benkler e outros mostram que decentralização pode muito bem ser não baseado em transações financeiras.
  20. Uma tentativa de replicar o sucesso da Web e tentar fazer a mesma coisa com pessoas (redes de pessoas, em vez de documentos).
  21. Mas por agora temos um "Web Social" dominado por empresas e organizações tradicionais. Como aplicar as lições da Web neste espaço?
  22. A Web moderna é participativa: é muito fácil contribuir e participar
  23. centenas de fotos digitais são compartilhadas por segundo . É óbvio que isto tem aplicações na Educação, onde o sonho de cada educador é deixar os seus alunos participar ativamente no seu processo de aprendizagem
  24. E não importa que tem muito conteúdo de baixa qualidade, na verdade é uma ótima oportunidade para mostrar como conhecimento é construído, negociado, etc. Wikipédia serve para "olhar na cozinha" da construção de consenso (em contraste com conteúdo "de qualidade", feito por editores, onde nunca sabe quais os conflitos de interesse são).
  25. Moodle é uma maneira de usar toda esta tecnologia moderna da Web em apoio à Educação. Implementamos uma integração com Júpiter/Fênix (baixa barreira de entrada para professores e alunos). O conceito central no Moodle ainda é a disciplina e o professor, que está no centro das atenções no sistema. Por isto  talvez "entre na cabeça" dos docentes da USP, por ser um sistema análogo a uma sala de aula tradicional. Está acontecendo coisas muito interessante nesta plataforma, mas são iniciaivas pontuais, sem visibilidade para outros professores aprender (a grande vantagem de REA e Educação Aberta), não há comunidade e projeto educativo conjunto. Não se valha de toda potencial “disruptivo” e inovador de redes abertas e distribuídas.
  26. Por isso, tentamos, com o Stoa, uma coisa diferente. Motivado pelos resultados de uma experiência mostrando que as nossas turmas não são muito coesas...
  27. montamos um sistema onde o conceito central é o indivíduo. O Stoa é um ambiente de aprendizagem, mas distribuída (até um certo ponto) e sobretudo útil para apoiar aprendizagem informal.
  28. Tem um espaço de arquivos
  29. Um blog
  30. Um perfil
  31. Formação de grupos, fóruns, etc.
  32. Espaços colaborativos
  33. Há 'bastante" atividade (mas não sei direito com o que comparar).
  34. Tem usuários mais jovens do que a população típico da USP.
  35. Muito conteúdo está sendo produzido, visível pelo Google, levando a muitos visitantes
  36. 6 mil visitantes únicas por dia, 3 milhões em 2 anos
  37. Entre o top 10 do abril, tinha atualidades (um relato de um assalto), extensão (uma médica explicando tireoide) e o fórum de uma disciplina
  38. Mas toda esta anarquia não suja o nome da USP?
  39. Como inserir um sistema em forma de rede (com gestão "horizontal", pelo consenso) num instituição como a USP que é organizado de forma tradicional, hierarquicamente?
  40. Finalmente, uma outra preocupação é a desigualdade de participação.A primeira vista, houve um crescimento saudável de um critério agregado (número de posts no segundo ano do Stoa. Mas a distribuição sobre os participantes, mostra-se preocupante: é uma distribuição extremamente desigual, do tipo distribuição de rende ou tamanhos de cidades onde o mais rico tem muitas ordens de grandeza mais do que a média ou mediana. Estas distribuições com "caudas pesadas" são típicos em sistemas onde ocorrem fenômenos do tipo "mais pelas mesmas".
  41. Verifique-se estas desigualdades de participação (10% dos usuários é responsável por 60% do conteúdo) em outras métricas de participação também. Se o objetivo é criar ambientes educacionais, estas desigualdades devem preocupar. Mostra que precisamos não somente focar na questão de "acesso à informação" ou acesso a recursos mas também na questão de letramento digital (todo mundo tem condições de participar?).

 

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Postado por Ewout ter Haar | 1 comentário

outubro 22, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

[Alguns anos atrás desenhei uma experiência didática para alunos de uma disciplina de Física experimental para biólogos. A ideia era mostrar a interação entre experimento e modelo teórico e como um influencia o outro. Começando com um modelo simples, achado pelos próprios alunos, estes iriam modificar este modelo ao passo que as medidas experimentais estavam sendo obtidas. Acho que não funcionou:  a experiência é simples demais para prender a atenção e os conceitos por trás complexo demais para estes alunos. Adaptado do texto originalmente publicado em abril 2004 aqui]

Metodologias e apresentações científicas

A visão do Francis Bacon (1561 — 1626) [1] a respeito do progresso da ciência era que observamos a natureza, ou fazemos experiências e depois as teorias se apresentam como óbvios aos nossos mentes. Nem esta visão ingênua (método indutivo), nem outros possibilidades simplistas (por exemplo o esquema hipótese, verificação/refutação, hipótese, etc) descrevam o real processo de criação de cientistas reais. Mas, para os fins de exposição e apresentação dos resultados, muitas vezes um esquema padronizado é usado.

Na física por exemplo, muitas vezes uma apresentação (artigo, palestra etc.) começa com uma estrutura teórica ou até previsões detalhadas para os resultados experimentais. Depois vem os resultados, apresentados e analisados de tal maneira que apóiem ou desmintam a teoria. Ou seja, a apresentação pelo menos, segue um padrão dedutivo. Na biologia, a convenção de apresentação em geral é indutiva (introdução, resultados apresentados supostamente sem preconceitos, discussão).

Mas veja o que Peter Medawar diz, no paper “Is the Scientific paper a fraud?” [2]

The inductive format of the scientific paper should be abandoned. The discussion […] should surely come at the beginning. The scientific facts and scientific acts should follow the discussion, and scientists should not be ashamed to admit, as many of them apparently are ashamed to admit, that hypotheses appear in their minds along uncharted byways of thought; that they are imaginative and inspirational in character; that they are indeed adventures of the mind.

Independente do que o seria a melhor maneira de apresentação, deve saber qual é a convenção usada na sua área. Geralmente é conveniente se conformar, se quiser que o seu público alvo te entende (e depois que ganhou um prêmio Nobel, pode fazer o que quer).

Num relatório de Física usualmente usamos o formato dedutivo (teoria, dados, discussão). A ideia da experiência descrita a seguir é de mostrar como um modelo teórico deve se adaptar ao passo que as medidas são obtidas. É preciso ser consciente da diferença entre a maneira que os resultados são apresentados e como foi de fato o processo inteiro da construção e adequação do modelo teórico.

Experiência

Num laboratório didático, os alunos geralmente acabam verificando um modelo ou estrutura teórica proposta pelo professor. A idéia da experiência do pêndulo era fugir deste esquema, e introduzir um problema simples para que os alunos podem construir e verificar eles mesmos um modelo a ser testado. Idealmente, os alunos podem sentir a interação contínua entre modelo e experimento.

Pêndulo interrompido, concebido por Galileu. Figura original do 'Discorsi'.

Em Duas Novas Ciências [3] Galileu discute um pêndulo interrompido por um pino ou prego (ponto E). O objetivo dele era demonstrar conservação de energia: solto do ponto C no lado direito, a bolinha chega no outro lado até as mesmas alturas nos pontos D, G e I, independente da posição do prego e a trajetória da bolinha. Mas ele observa:

Se, enfim, o prego fosse fixado tão baixo, que a parte do fio que ultrapasse o prego não chegasse a alcançar a linha CD (o que aconteceria se o prego estivesse mais perto do ponto B do que da intersecção de AB com a horizontal CD), então o fio se chocaria com o prego, enrolando-se neste.

Ou seja, Galileu afirma que quando o pino está numa altura que é a metade daquela que a bolinha foi solta, a bolinha se não consegue subir suficiente, se choca com o pino e enrola neste. Nos termos da apostila: a altura crítica hc da onde precisamos soltar a bolinha (para deixar a bolinho se chocar com o pino) é o dobro da altura do pino: h_c = 2h_p.

O raciocínio parece simples: solta de uma determinada altura, a bolinha “quer” chegar na mesma altura no outro lado. Mas não pode subir mais do que duas vezes a altura do pino, h_p, porque depois do fio se deparar com o pino, a bolinha descreve uma trajetória com raio h_p. Veja a figura a seguir:

O pêndulo interrompido por um pino. A bolinha é solta de uma altura menor do que hc, chegando na mesma altura no outro lado Quando a bolinha é solta de uma altura maior do que hc, o fio se enrosca em volta do pino

Este é o modelo que a maioria dos grupos testaram. Alguns grupos já viram antes de fazer as medidas que hc devia ser o dobro de h_p, outros grupos descobriram o raciocínio enquanto faziam as medidas. Mas há um pegadinho: este modelo ingêneo não leva em conta que o fio pode se dobrar.

Resultados e Discussão

O movimento presuposto pelo modelo ingênuo — primeiro um circulo com raio L, depois um círculo com raio hp — não é exatamente o que acontece. Há alguns refinamentos do modelo que podemos fazer:

a trajetória da bolinha é circular até o fio fazer um ângulo de 35 graus. Depois o fio se dobra, e a bolinha descreve uma parábolo de queda livre

  1. Não é difícil de mostrar [4] que o movimento da bolinha depois do fio se chocar com o pino somente é circular se altura da onde soltamos a bolinha h é maior do que 2,5h_p. Se h = 2h_p, o fio se dobra numa certa altura, e a bolinha segue uma parábola de queda livre (veja a figura acima). Pode se mostrar que isto diminui a altura crítica (para a bolinha bater no pino) para h_c = 1,87h_p.
  2. Mas qualquer perda de energia mecânica (por resistência do ar ou durante o choque do fio com o pino) vai aumentar a altura crítica, porque é preciso mais energia mecânica para superar estes perdas.
  3. O efeito do raio finito do pino (0,6 cm) deve ser pequeno para alturas suficientemente grandes.

altura crítica contra altura do pino. O melhor ajuste é -1,3 + 1.97h_p

Na figura acima, plotei os resultados dos grupos. O ajuste linear dá um coeficiente de (1.97±0.01). O resultado das minhas medidas deu um resultado muito parecido: (1.95±0.01). Explico a diferença com a previsão do modelo mais sofisticado (1,87) por perdas de energia mecânica (atrito, resistência do ar).

É engraçado que as perdas levam o coeficiente de volta à nossa primeira expectativa, o fator 2 que Galileu também previu. Confesso que depois de ter feito a conta que levava ao fator 1,87, achava que Galileu certamente não tinha feita a experiência, porque seria fácil de observar um diferença de 7% e porque Galileu faz em outros lugaras uso de vários "experiências de pensamento". O papel de experiências na ciência em geral e para Galileu em particular continua sendo investigado [5].

Notas e Referências

Palavras-chave: Galileu

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Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

outubro 14, 2009

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A perda de direitos individuais nem sempre ocorre numa tacada só, como em golpes militares e Atos Institucionais de uma ditadura, mas, e pricipalmente nos tempos atuais de fachadismo democrático, esta perda ocorre aos poucos. As liberdades e direitos individuais vão sendo corroídos gradativamente pelo Estado e instituições, sem que isto desperte a atenção do público dormente.

O desejo compulsivo de governantes e autoridades em monitorar e controlar as pessoas precisa estar sempre sendo denunciado e combatido, sob pena de virarmos (ainda mais) peças desprovidas de humanidade.

 

Senado aprova criação de cadastro de usuários de LAN houses

Um projeto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado obriga os proprietários de LAN houses a manter um cadastro de usuários.

O banco de dados deverá ter o nome e o número do documento de identidade do usuário, assim como a identificação do computador e o período em que ele foi utilizado.

Palavras-chave: controle social, direitos individuais, internet, legislação, leis, liberdades individuais, privacidade, Senado

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 2 usuários votaram. 2 votos | 2 comentários

setembro 30, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Em novembro do ano passado usei uma imagem licenciada sob uma das licenças do Creative Commons na comunidade OERworkshop, aqui no Stoa. Descobri agora que esta imagem não é mais livre. Aparentemente a autora decidiu comercializar a sua imagem. Mas na época eu tinha o direito de re-distribuir (usar no meu espaço, fazer cópias) desta imagens. Este direito não é revogável.

Veja a tradução do FAQ do Creative Commons:

"As licenças do Creative Commons não são revogáveis. Isto significa que você não pode impedir alguém, que tenha obtido seu trabalho sob uma licença Creative Commons, de usar o trabalho em concordância à licença. Você pode parar de distribuir seu trabalho sob uma licença Creative Commons a qualquer momento se quiser; mas isso não retirará nenhuma cópia do seu trabalho de circulação que já venha a existir sob a licença Creative Commons, sejam essas cópias textuais, cópias inclusas em trabalhos coletivos e/ou adaptações do seu trabalho. Portanto você tem que pensar cuidadosamente quando escolher uma licença Creative Commons para assegurar-se que você deixa que as pessoas usem seu trabalho de forma compatível com os termos da licença, mesmo se você depois deixar de distribuir o seu trabalho. "

O  interface do flickr.com (e do Stoa também) facilita atribuir uma licença do tipo Creative Commons ao seu trabalho. É possível mudar a licença de todas as suas fotos com alguns cliques. Mas é importantíssimo entender que não pode revogar os direitos que deu ao seu público na passado.

Ainda tem um problema técnico/jurídico: como eu comprovaria que na época a imagem tinha uma determinada licença? Se a autora da imagem que mencionei vem me cobrar, não saberia o que fazer.

Palavras-chave: creative commons, fap0459, Licença Creative Commons

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Postado por Ewout ter Haar | 2 usuários votaram. 2 votos | 1 comentário

setembro 28, 2009

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A fábrica de armas nucleares de Israel

VANUNU'S PHOTOS OF DIMONA - 1985

História nuclear de Israel

Palavras-chave: armas nucleares, Dimona, Israel, NPT

Postado por Antonio C. C. Guimarães | 0 comentário

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