Antes de trucar a renovação da frota dos ônibus em São Paulo, Kassab deveria refletir melhor sobre a questão.
Bom, inicio esse texto já desqualificando-o. Não sei afirmar com certeza qual é o tamanho do subsídio do transporte em São Paulo. Também não tenho a menor idéia se ele equivale ao montante liberado em outras grande capitais da Europa, como Londres, Paris e Berlin. O que posso afirmar é que somos a única na lista que não possui uma malha de metro condizente com o tamanho da cidade, tampouco uma integração inteligente dos meios de transporte. O fato é que o Bilhete Único veio, viu e venceu e de resto nenhuma grande revolução no transporte público na cidade de São Paulo foi feita neste sentido. A não ser a integração entre o bilhete único e o metrô, mas para quem conhece os pacotes oferecidos pelas "SPTrans" mundo afora, chega a ser risível.
Hoje, escutando a rádio Joven Pan fui informado que o prefeito Kassab cortará a renovação da frota de ônibus em São Paulo, reduzindo a compra dos mesmos para apenas 170 unidades. A alegação é que a prefeitura não quer subir o preço das passagens (proposta demagógica de campanha, diga-se), tampouco aumentar o subsídio já conferido às empresas que operam o sistena. Direto ao ponto: foi a medida mais idiota adotada desde o início da crise. E por que?
Bom, ônibus novos poluem menos, têm rendimento superior e, dependendo da quantidade de unidades articuladas e bi articuladas, podem dar mais conforto aos usuários e retirar alguns carros da rua. Ajuda bastante no sentido de não complicar mais o transito em São Paulo e confere um conforto a mais às pessoas que já pagam R$2,30 na catraca mais subsídios.
Outra questão que me chamou a atenção nesta "brilhante" decisão, foi a completa falta de visâo de estado de nosso prefeito. Na ânsia de agradar a classe média, compradora da idéia de que o governo deveria evaporar - mesmo depois de tudo que tem ocorrido no mundo - Kassab não exitou em fazer uma demagogia para mostrar austeridade. Mas para mim, austeridade seria abrir a planilha das empresas, tornar públicos os dados e tentar aumentar a eficiência do sistema via redução de custos de O&M e outros, afinal de contas ele é azeitado com dinheiro público. Se não houvesse tal possibilidade, ele poderia mexer por dois ou tres anos na na rentabilidade das empresas obrigando-as a analisar os custos gerenciáveis e otimizá-los.
Kassab ainda poderia encomendar um estudo à SPTrans analisando o montante de investimentos e bater em duas portas: A do BNDES afim de obter uma linha de financiamento (lembremos que com o advento do bilhete único, o caixa do setor de transportes ficou mais previsível, o que facilitaria a obtenção de uma linha de financiamento com menor custo financeiro).
Além disso, poderia chamar os fabricantes de ônibus e negociar bons descontos na aquisição dos veículos. Lembrem-se que VW, Mercedes e outras montadoras estão salivando por conta da queda das vendas e seguramente reduziriam seus preços.
Para concluir, se tais medidas fossem ao menos pensadas iriam manter o mercado automobilístico aquecido com suas fábricas de automóveis, fornecedores de matérias primas e toda cadeia produtiva, além de assegurar um bom punhado de empregos "salvos."
Se Lula é populista com "os de baixo", Kassab consegue ser populista com "os do meio". Essa doutrina dominou a economia brasileira por um bom número de anos e, pelos números do PIB e de desempregados, sabe-se bem no que ela deu. Estou indignado!
Palavras-chave: Bilhete único, Gilberto Kassab, SPtrans, Transporte público
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Comentários
Brenno (brenno.) escreveu:
Alê,
A alternativa de financimento via BNDES é um caminho tortuoso. Com a Lei de Responsabilidade Fiscal, os empréstimos ao Setor Público possuem uma série de restrições.
Além da aprovação de uma lei referendando a contratação do empréstimo, o município é obrigado a pleitear uma autorização da STN - Secretaria do Tesouro Nacional, que por sua vez faz a verificação se as contas do município estão adequadas aos parâmetros da LRF. Até pouco tempo atrás, SP não estava enquadrado, mas não sei a posição atual.
Outro ponto a ser considerado é o fator político nessa questão. Além da citada STN, o BNDES também está nas mãos dos petistas. E o nosso prefeito "queer" é do DEM. Não preciso falar mais nada!
Aproveito também para elogiar seu blog e dizer que sou fã!!
abraços
Brenno Mastroianni