Stoa :: Walter Tsuyoshi Sano :: Blog :: 004. Da aparência e da beleza

outubro 08, 2008

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Quando me perguntam se considero tal ou qual pessoa bonita, duas respostas possíveis: no que tange à aparência, costumo não muito fugir ao que ora se estabelece como 'bonito' -- tenho cá meus gostos e minhas predileções, mas nada que do comum difira; no que concerne à beleza, diverso talvez seja o modo de pensar.

·a aparência seria o que com olhos vemos, com ouvidos escutamos, com mãos tocamos -- tudo quanto se possa registrar ou perceber por meios outros que não os da empatia e da intelecção;
·a beleza é o que admiramos, o que vislumbramos além do externo -- aquilo que sem palavras apreendemos.

·a aparência seria o doce que com formas e cores, odores e sabores, nos convida, nos atrai, nos seduz -- e, efêmero, vai-se;
·a beleza seria o que sabemos nos nutrir, o que sobrevive àqueles breves instantes de degustação -- e subsiste.

·a aparência, nós a observamos dia após dia, tornando em comum o incomum;
·a beleza, cada um de nós em seu íntimo saberá quando a tiver encontrado.

·a aparência gera sensações, valendo-se de opiniões e adulações;
·a beleza traz à tona o que de melhor temos, mostrando-nos quão melhores podemos ser.

·a aparência apela para o que há de primitivo em nós, incitando-nos a desejar sempre mais;
·a beleza perscruta nossa essência, inspirando-nos a almejar sempre mais.

·a aparência agrada, apraz, acalma ânimos;
·a beleza cria, desperta e favorece gáudias horas, instantes jamais lamentados, mormente não olvidando poder quiçá ruir, subitamente, toda uma vida.

Na efemeridade de cada existência, a elaborada aparência na fugacidade do tempo perece, enquanto a beleza, simples, permanece. Findo o dia presente, teremos em conta inumeráveis aparências de que nos lembrarmos; a seu próprio passo, afortunado quem, ao fim da vida, não puder contar em ambas as mãos as pessoas de real beleza.

A aparência pode carecer de um cerne que a verdadeiramente sustente, mas suplanta quaisquer figuras a beleza verdadeira.

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Nem em todas as quimeras jamais imaginadas, nem mesmo em todos os devaneios jamais sonhados, nem sequer na mais sublime arte jamais criada, forma alguma elaborou-se que moldasse amálgama de aparência e beleza. Ainda assim, ela existe.

Ainda que imaginar nada me custe, a sonhar prefiro a realidade que no cotidiano enfrento, pois criação alguma poderá jamais se comparar ao sorriso que me cativa, à voz que me encanta, à existência que me anima. Que exponham escultores as mais áureas formas. Que escrevam poetas os mais inspirados versos. Que cultive a Natureza as mais vicejantes rosas. Nada se lhe compara.

-originalmente postado alhures em 2004.11.03

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Postado por Walter Tsuyoshi Sano

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