Moda em tempos de Crise Econômica.
Ainda sobre o assunto do Encontrinho com Gloria Kalil na
Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, Gloria estabeleceu algumas
diferenças muito importantes:
- Elegância é diferente de ostentação – não precisa nem de
regras, é só bater o olho para sacar o que é ostensivo e o que é elegante. Na
minha opinião, tudo o que subentende um certo preconceito em relação ao outro
ou que busca valorizar demais o “ter” em detrimento do “ser” é deselegante.
- Elegância não tem nada a ver com dinheiro, com marca, com
preço – elegância tem sim a ver com o conjunto educação, civilidade (o que ela
sempre insiste em suas regras de etiqueta – afinal, etiqueta não é uma questão
de frescura, mas sim de civilidade e respeito ao próximo), informação e olho.
Ela afirma que conhece muita gente cheia da grana e vazia da educação e da
elegância, e muita gente sem dinheiro que é muito elegante.
- As noções básicas de moda (simetria, proporção, combinação
de cores) são válidas mas não são mais regras absolutas. Antigamente, a moda
era muito relacionada a status, uma vez que o código de roupas era
representação de uma sociedade – a burguesia, no caso, que se vestia toda da
mesma forma e que ditava os padrões de bom gosto. A partir dos anos 60, a moda
começou a distinguir cultura de contra-cultura, e nos anos 90 a moda passou a
ser a representação da individualidade. As pessoas hoje se vestem em brechós,
em mercados de pulgas, em fontes muito mais variadas do que costumava ser
antigamente. Portanto, não há regras claras – o que manda é a lei da
observação: é ela que vai mostrar o que é melhor para cada um, não somente em
aspectos físicos (proporções), mas também de estilo de vida e personalidade.
Importante: estudar-se no espelho, não somente de frente
mas, muito importante, de costas. Afinal, moramos no Brasil e não saímos à rua
com o nosso derrière imune de olhares.
Gloria, assim como nós, mortais, acha um absurdo uma blusinha
de algodão custar 300 reais. O preço da moda no Brasil é muito caro – é um
mercado ainda muito caro, mas que tende a mudar com a chegada de certas lojas
de departamento, como Zara, Top Shop e H&M, que são super atualizadas e têm
o preço bastante em conta.
Além disso, pesquisando nas lojas de departamento mais
famosas, como C&A, Renner, Riachuelo, Gloria descobriu que é possível achar
peças bastante atualizadas nestas lojas. Tudo bem que, nestas lojas, as peças
podem perder um pouco no corte, de forma que ela recomenda o estilo Hi-Lo
nestes tempos de crise: investir mais em peças que têm mais chances de serem usadas
em mais de uma estação (paletós, calças, jeans, por exemplo), e gastar mais
barato em pecinhas de estação (acessórios, blusinhas, por exemplo).
Outra dica interessante: No Bom Retiro, que hoje é dominado
pelos coreanos, é possível encontrar muita novidade com uns dois meses de
antecedência. O motivo: a maioria das grandes marcas produz na Coréia, com um
ano de antecedência, de modo que eles já ficam sabendo muito antes o que virá
nas próximas estações. Então, uns dois meses antes de sair a moda, é possível
já encontrá-la em uma pesquisa nas ruas Professor Lombroso, Silva Pinto e José
Paulino, em um preço muito mais em conta do que se verá nas grandes lojas da
cidade.
Enfim, é possível continuar expressando-se através da moda
sem jogar dinheiro janela afora, se preservando nestes tempos de incerteza
econômica mundial. Afinal, ser elegante não significa ser alienado.