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Março 16, 2010

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Postado por Yuna Ribeiro

Uma tentativa de realizar a lição de casa que o Prof. Barco me passou.

O texto a seguir é baseado no poema "As crianças aprendem o que vivenciam" de Dorothy Law Nolte, tentando adaptar os versos à realidade que vivemos na Cocesp.

Se os trabalhadores convivem com a mediocridade, aprendem a lastimar.

Se os trabalhadores vivenciam a mesquinharia, aprendem a se privar.

Se os trabalhadores vivem com a ameaça, aprendem a ter medo.

Se os trabalhadores convivem com a severidade, aprendem a transgredir.

Se os trabalhadores convivem com a ignorância, aprendem a cultivar intrigas.

Se os trabalhadores convivem com a injustiça, aprendem a calar.

Se os trabalhadores vivem com a tirania/ crueldade do poder, aprendem a tornar-se invisíveis.

Se os trabalhadores convivem com o investimento/ incentivo no ser humano, aprendem a confiar em sua capacidade e na instituição.

Se vivenciam a gratidão, aprendem a reconhecer o outro.

Se convivem com o comprometimento, aprendem a participar.

Se vivenciam a alegria, aprendem a ter vontade de realizar.

Se convivem com a informação, aprendem a entender suas responsabilidades.

Se vivenciam o apreço e a consideração, aprendem a valorizar as pessoas e seu trabalho.

Se convivem com a educação, aprendem a buscar o seu desenvolvimento.

Se os trabalhadores convivem com a liberdade de expressão, aprendem a criar e inovar.

Se os trabalhadores vivem com equilíbrio e harmonia, aprendem o que é sustentabilidade.

Se os trabalhadores vivenciam um ambiente de trabalho saudável, aprendem a gostar do que fazem.

Se vivenciam a compreensão, aprendem a ouvir, enxergar e respeitar.

Palavras-chave: aprender, educação, valorização do ser humano

Postado por Yuna Ribeiro | 0 comentário

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Postado por Marcus Oestmann

1. Uma célula humana contém 75 MB de informação genética.

2. Um espermatozóide tem metade disso, ou seja, 37,5 MB.

3. 1 ml de sémen saudável tem aproximadamente 100 milhões de espermatozóides.

4. Uma ejaculação média dura 5 segundos e contém 2,24 ml de sêmen.

5. Ou seja, a velocidade da conexão ou through put médio de um homem saudável é de: ( 37,5 MB x 100.000.000 x 2,24 ) / 5 = 1.761.607.680.000.000 bytes / segundo = 1,76 Terabytes / segundo.

Conclusão: O óvulo feminino suporta um ataque de DDoS (Distributed Denial of Service) de 1,76 TB/s e só permite a passagem de 1 pacote durante sua conexão, fazendo dele o MELHOR FIREWALL DO MUNDO!

Palavras-chave: estatística

Este post é Domínio Público.

Postado por Marcus Oestmann | 1 usuário votou. 1 voto | 2 comentários

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Caros:

Meu primeiro post nesta página tem a finalidade de sugerir e compartilhar um assunto muito importante: LIDERANÇA. E para ser mais precisa refiro-me ao livro do autor James C. Hunter - “O Monge e o Executivo“. É importante realçar que este livro se tornou um dos maiores best sellers da atualidade, com mais de 3 milhões de cópias vendidas no Brasil.

E não pára por aí: Este livro foi adaptado para Peça Teatral. A peça foi exibida no dia 15/março (ontem), no teatro Jucas Chaves. O autor do livro esteve presente; permaneceu até o final da peça e deu um show de carisma e elegância.

Por entender que este tema é de suma importância no mundo corporativo decidi divulgá-lo. É uma boa dica. Pode apostar! Sensacional; vale a pena conferir! (http://www.omongeeoexecutivo.com.br/si/site)

“A base da liderança não é o poder e sim a autoridade conquistada com amor, dedicação e sacrifício”   (James C. Hunter).

 Abraços culturais.

Postado por Marcia Santos Galeno | 2 comentários

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Atividades lúdicas para famílias no sábado, dia 20/03/2010, das 15 às 17 horas, no MAC Ibirapuera.

Mais informações:

<http://www.macvirtual.usp.br/mac/arquivo/convites/interarte_200310.html>

Palavras-chave: atividade educativo-cultural, Interar-te, MAC-USP

Postado por Beatriz Cavalcanti de Arruda | 0 comentário

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Postado por Monique Oliveira

“A realidade continua a me decepcionar. Hoje acordei cedo – ainda não havia escurecido – e fui à padaria, onde as broas pareciam 2D e o mundo não chegava nem perto dos gráficos do Crysis.”

“Engenhocas melífluas estão todas ligadas, por meio benjamins contíguos, nas tomadas de um ùnico estabilizador furreca – quando aciono tudo ao mesmo tempo, Furnas emite um comunicado declarando estado de emergência.”

Da “Piauí” de março.

Postado por Monique Oliveira | 0 comentário

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Postado por Fabio Wakisaka

Fiquei comovido com a mobilização no Twitter, dias atrás, em defesa das baleias no Japão. Muito comovente mesmo.

http://twitter.com/#search?q=baleias%20japao

Nunca tive o prazer de comer tal carne. Tenho ascendência oriental, o que de alguma forma poderia levar a crer, aos mais apressados, que defendo a matança. Mas não defendo. Apesar de minha ascendência, apesar de gostar muito de sashimi, não dou a mínima para o estardalhaço que fazem, ou deixam de fazer.

Tive já, no entanto, que ver algumas reportagens, sobre certos ativistas, com seus shows pirotécnicos. Vi como quem vê só as manchetes: passando os olhos. Da mesma forma como vejo a forma das nuvens, num dia qualquer. Gravo como informação irrelevante. A eles (aos ativistas) não daria bom dia.

 

 

Quantos ocidentais (como eu) gostam de sashimi? Muitos, acredito eu. É notório, consenso entre amigos, que alguém não oriental gosta da comida japonesa. Um amigo seu gosta, ele vai fazer um comentário sobre wasabi. Você pode gostar. Eu mesmo gosto muito. Da mesma forma como gosto muito de outros pratos...

Faço assim o link óbvio: se podem matar uma baleia, a ser servida como prato fino, qual a linha tênue que nos cega os olhos, fazendo-nos esquecer que um leitão, à pururuca... um dia já foi vivo?

Indo mais além... um leitão, talvez um animal sagrado num país remoto, não mereceria o mesmo triste fim das baleias? Imagine a cena improvável: trending topics no Twitter, "#save the pigs"... com origem remota na China, Índia, onde um certo capítulo da novela (da Globo) acabou de mostrar felizes personagens... em uma churrascaria!

Bom, continuo dando a mínima para as baleias, para os leitões, e para os Trending Topics. Considero o assunto boçal, a analogia infame, e misturo sashimi com panceta sem remorso. A picanha mesmo, só gosto mugindo.

Fico, no entanto, comovido com a futilidade das pessoas, dando tanta importância a isso. Feitas as devidas ressalvas, relevando a sustentabilidade, mundo melhor para nossos filhos, e outras amenidades, me pergunto: quão importante é a morte de uma baleia pra você?

Só lembrando que, não tão longe, em nosso país mesmo:

 - pessoas vivem abaixo da linha da pobreza;

 - juízes absolvem pedófilos;

 - enquanto você lia esse post, alguém foi assassinado.

 

 

Postado por Fabio Wakisaka | 0 comentário

Março 15, 2010

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Postado por Osvaldo de Souza

Objectividade

A investigação realizada nesta dissertação é caracteristicamente qualitativa e este tipo de abordagem nos diz algo sobre o conceito de objectividade adoptado no trabalho. Como já disse antes o autor esteve inserido no terreno por mais de um período lectivo e não apenas em observação, participando activamente (pelas descrições) das actividades da escola, esta interacção não é unilateral e é sentida pelo próprio autor. Desta forma seus critérios de objectividade devem levar em conta essa relação dialéctica entre observador e observado. Podemos perceber isso em suas palavras:

A pesquisa empírica deste trabalho se fundamenta numa abordagem qualitativa pois se entende que os critérios de verdade, do trabalho científico, relevância dos resultados de pesquisa e a questão da objectividade do conhecimento devem passar pela relação pesquisador-pesquisado e pelo modo de inserção/envolvimento de um universo pelo outro (ANDRE, 1992).

Desta forma tanto a inclusão dos discursos informais (estranhezas), como o fato de observador(a) e observado(a) (neste caso ele chega a citar uma outra vertente que é a do leitor, que poderá generalizar ou não as conclusões lidas) dividirem o mesmo espaço (campo de força), como a possibilidade de aumentar o campo de estudos, a própria investigação para analisar esse ruído de fundo nos remetem para a Objectividade Forte e para as ideias de Sandra Harding e Donna Haraway.

Fazendo um conexão dessas ideias como a analise do autor do trabalho podemos perceber que ele se mostra imbricado, na definição epistemológica de currículo, na crítica a teoria crítica e aderindo ao pensamento pós-crítico do currículo, num trecho relevante para esta análise, citando Silva (1995), é que um elemento importante para esta análise pós-crítica do currículo consiste em não se prender nas relações entre classes sociais e abarcar também outras relações de poder, nomeadamente, género, etnia, raça e sexualidade como também envolvidas nestas relações de poder. Lembrando das autoras citadas acima, elas defendem que as relações que devem ser aproximadas para a discussão estão para além das questões feministas mas são da ordem da diversidade. Ou seja, que os grupos menos favorecidos (nas relações de poder citadas anteriormente ou nos campos de força da Haraway) sejam incluídos no discurso. O pensamento pós-crítico do currículo que o autor apresenta vem trazer essa vertente.

No entanto podemos perceber em algumas frases do autor que ele não adere totalmente a esse discurso da teoria pós-crítica do currículo, dissertando sobre um possível engessamento das ideias ajudando pouco em sua compreensão, mais ou menos no que referi acima com relação ao pós-moderno.


Referências Bibliográficas

BOURDIEU, Pierre (1991) Estruturas sociais e estruturas mentais. In Teoria & Educação, 3, 113-119.
CHALMERS, A. (1993) O que é ciência afinal? Brasília: Editora Brasiliense.
FERNANDES, Uirá (2007) O currículo na encruzilhada pós-moderna – um estudo de caso de uma escola pública paulistana. Mestrado. Universidade de São Paulo.
HARAWAY, Donna (1988) Situated Knowledge: The Science Question in Feminism as a Site of Discourse on the Privilege of Partial Perspective. Feminist Studies 14.3, 575-99.
KUHN, T (2007) A estrutura das revoluções científicas. Série Debates. Editora Perspectiva.
MATTOS, Cristiano R. (sem ano) O ABC da ciência. Universidade de São Paulo – Instituto de Física.
NUNES, Adério Sedas (1984) Questões preliminares sobre as ciências sociais. Lisboa: Editorial Presença, 35-43.
SANTOS, Boaventura S. (1989) Introdução à uma ciência pós-moderna. Porto: Edições Afrontamento, 17-32
SILVA, Tomaz Tadeu da. (1995) O projeto educacional moderno: identidade terminal?. In: VEIGA-NETO, Alfredo. (org.) Crítica pós-estruturalista e educação. Porto Alegre: Sulina, p.245-260.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição, Não-Comercial.

Postado por Osvaldo de Souza | 0 comentário

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Consegui passar na seleção do curso de fotografia da FAU (meio de penetra). Vai ser bacana ter acesso ao laboratório. Processar filmes em labs profissionais custa muito CARO.

Minha primeira graduação foi focada demais pro meu gosto. A única coisa mais diferente que estudei em seis anos de faculdade foi lingüística—que nem é tão diferente assim de computação. Desta vez vou me vingar. É meu terceiro mês de USP e já tenho alguma relação com Letras, com o IME e com o FOTOFAU. Depois ainda quero fazer umas eletivas de História e Filosofia e eventualmente até pegar umas matérias mais nada-a-ver ainda (física? botânica? história da arte?). Especialização é para insetos.

Palavras-chave: eletivas, fotofau, optativas, universidade

Este post é Domínio Público.

Postado por Leonardo Ferreira da Silva Boiko | 0 comentário

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Mainframes são supercomputadores desenhados para processar uma quantidade gigantesca de dados em um período curto de tempo. Um dos grandes diferenciais é a habilidade de manipular arquivos, destrinchando os dados e atualizando a base com alta confiabilidade. Estas maquinas são usadas em instituições financeiras do mundo todo, por suportar uma linguagem de programação 100% comercial.

Pois bem, quando é que um ser mortal que nem você terá a chance de conhecer o sistema por traz disso, as ferramentas e tudo mais? Antes de conhecer o site abaixo, sempre pensei que apenas profissionais restritos a tecnologia de Alta Plataforma e empregado por uma grande empresa (ou naqueles concursos da IBM) poderiam ter em mãos o acesso a este mundo visto por trás de um emulador (pois para programar nestas máquinas não necessariamente você deve estar na frente dela, na verdade acho que chegar perto de um Mainframe é mais difícil do que aprender a usá-lo).

 

http://www.efglobe.com/cgi-bin/mainframe/mainuser

 

O primeiro passo é se cadastrar, assim você terá uma chave de acesso ao TSO (Time Sharing Option) que é seu "desktop" no Mainframe. Após logado esqueça o mouse! Interface gráfica são para os fracos. Depois de cadastrado você receberá um e-mail com as informações básicas do ambiente e dos dados para configurar o seu emulador.

Emulador... WTF? É um software que é instalado no PC (ou MAC) que faz interface com o Mainframe, possibilitando o acesso remoto ao TSO e as aplicações. O link para download de um de vários disponíveis é este: http://www.tombrennansoftware.com/download.html mas nada como uma busca no Google para encontrar mais para outros sistemas operacionais.

 

Alguns sites ligados ao tema:

- http://www.mainframebrasil.com.br/

- http://www.ibm.com/br/systems/z/

- http://www.ibm.com/br/systems/z/concursomainframe/index.ph

- http://www.cadcobol.com/

Palavras-chave: mainframe, servidor

Este post é Domínio Público.

Postado por Afranio Maia da Silva | 0 comentário

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Mensagem recebida do Avaaz

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Caros amigos,



Estamos um passo mais próximos de vencer a corrupção -- depois de uma enxurrada de emails, o Congresso irá votar o Projeto de Lei "Ficha Limpa" este mês -- vamos ganhar a votação com 2 milhões de asinaturas de todo o Brasil!


Assine a 
petição!

 

É incrível, com a ajuda das 15.506 mensagens que enviamos, vencemos a primeira batalha contra a corrupção no Brasil! Os deputados responsáveis por encaminhar o Projeto de Lei "Ficha Limpa" concordaram em levá-lo para votação!

Esta lei proibirá a candidatura de políticos condenados por crimes como corrupção e desvio de verbas públicas nas eleições. É incrível que eles concordaram, nós não teríamos conseguido sem a nossa mobilização massiva e pressão popular!

Porém, a etapa final ainda está por vir. Nós os convencemos a apresentar a lei, agora nós precisamos que os deputados votem "SIM". Vamos juntar 2 milhões de nomes para deixar claro que caso eles não votem na lei da Ficha Limpa, nós não votaremos neles em outubro! Assine agora:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?vl

O congresso poderia ter facilmente ignorado essa lei até depois das eleições de 2010 ou até por anos, mas a nossa constante pressão conseguiu fazer com que a lei seguisse adiante. Como disse um dos membros do congresso: “Esse movimento já provou que tem base. Além das assinaturas, temos recebido tantos e-mails que às vezes passamos por até por constrangimentos certamente não desejados pela Campanha Ficha Limpa”.

A campanha já percorreu um longo caminho para conseguir 1,5 milhão de assinaturas para apresentar a proposta de lei de iniciativa popular, e o anúncio que a lei será levada para votação ainda este mês é uma grande vitória.

Mas ainda precisamos passar esta lei no Congresso para garantir que os corruptos sejam suspensos das eleições. Vamos gerar a maior mobilização anti-corrupção que o Brasil já viu para que eles não tenham dúvida de que tem o dever de votar a favor da "Ficha Limpa" - assine abaixo e divulgue para todos os seus amigos:

http://www.avaaz.org/po/brasil_ficha_limpa/?vl

Temos pouco tempo para conseguir 2 milhões de assinaturas antes da votação. Essa lei mudará não só a política brasileira, mas mostrará ao mundo que unidos, cidadãos podem superar até os governos mais corruptos, lutando por um governo digno e honesto. Vamos espalhar este alerta pelos quatro cantos do Brasil - encaminhe esse alerta para todos que você conhece.

Com esperança,

Alice, Paul, Graziela, Ricken, Luis, Iain, Pascal, Milena, Ben, Paula, Benjamin e toda a equipe Avaaz

Mais informações:

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral:
http://www.mcce.org.br/

Grupo de trabalho analisará projeto 'ficha limpa' – O Globo:
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/02/09/grupo-de-trabalho-analisara-projeto-ficha-limpa-915821446.asp

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral consegue assinaturas necessárias para levar Projeto Ficha limpa ao Congresso – Correio Brasiliense:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/09/17/politica,i=142687/MOVIMENTO+DE+COMBATE+A+CORRUPCAO+ELEITORAL+CONSEGUE+ASSINATURAS+NECESSARIAS+PARA+LEVAR+PROJETO+FICHA+LIMPA+AO+CONGRESSO.shtml

 

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Postado por Priscila Frohmut Fonseca | 1 usuário votou. 1 voto | 2 comentários

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Postado por Claudete Mira

 

Tecnologia
| Farmácia
Menor e mais eficiente
Nova formulação de fármaco contra Aids pode facilitar o tratamento para crianças e idosos
© Maria Helena Andrade Santana/Unicamp
Grânulos formados por aglomerados de microesferas de quitosana contendo o fármaco didanosina

No lugar de um comprimido grande e difícil de engolir, alguns grânulos bem menores contendo o mesmo fármaco encapsulado em microesferas. Essa foi a saída tecnológica de um grupo de pesquisadores da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A solução poderá tornar mais eficiente o tratamento de Aids no país, principalmente entre pacientes idosos e crianças. Trata-se de uma formulação farmacêutica inédita do fármaco didanosina (DDI), largamente usado no combate à doença. O novo produto ainda em estágio experimental é formado por bolinhas de um milímetro (mm) de diâmetro com capacidade de aderir à mucosa do intestino. Elas são compostas de um aglomerado com centenas de microesferas de quitosana, um polímero natural obtido a partir do esqueleto de crustáceos como camarão, caranguejo e lagosta. Dentro dessas microesferas encontra-se encapsulado o fármaco antirretroviral didanosina.

A nova forma farmacêutica e o seu processo de produção já renderam ao grupo de pesquisadores um pedido de patente, depositado em 2007 no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) com validade no exterior via Tratado para Cooperação em Patentes (PCT na sigla em inglês). A próxima etapa do estudo, de acordo com a engenheira química Maria Helena Andrade Santana, professora que coordenou os trabalhos, deverá ser a realização de testes em humanos, última etapa antes de o produto estar pronto para ser comercializado.  A didanosina, um fármaco fabricado por laboratórios farmacêuticos nacionais, faz parte do coquetel antirretroviral administrado a pacientes com infecção em estágio avançado pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Sua função é inibir a replicação do HIV. Tomado por via oral, na forma de comprimidos distribuídos pelo SUS, o medicamento apresenta o inconveniente de ser grande demais, em torno de um centímetro, o que dificulta a ingestão por crianças e idosos, prejudicando a adesão ao tratamento.  A fim de prevenir que seja degradado quando exposto ao pH ácido do estômago, o fármaco é administrado em comprimidos tamponados, que contêm substâncias, como o hidróxido de magnésio, que lhe conferem essa proteção. O uso do tampão aumenta expressivamente seu tamanho, tornando difícil sua deglutição. Quebrar o comprimido, por sua vez, pode causar a desativação do fármaco, que deve chegar intacto ao intestino, onde será absorvido pelo organismo.

As principais vantagens do produto desenvolvido no Laboratório de Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos da FEQ-Unicamp são a redução do tamanho do medicamento, a adesão à parede do intestino e a liberação gradativa do fármaco. “O medicamento que nosso grupo desenvolveu é um grânulo que, em vez de ser composto pelas moléculas livres dos ingredientes, contém embutidos na sua matriz esferas micrométricas (dois micrômetros) de quitosana com a didanosina encapsulada no seu interior”, explica Maria Helena. “O nosso produto é fácil de deglutir e, para que o paciente ajuste a dose, no lugar de quebrá-lo, basta contar o número de grânulos a serem ingeridos. Isso facilita a terapia para crianças e idosos.” Segundo ela, já existe um antirretroviral à base de didanosina revestido com polímero gastrorresistente que assegura a proteção do fármaco. Acontece que ele não pode ser partido – por exemplo, para fracionar a dose do remédio – porque quando isso ocorre as arestas criadas ficam desprotegidas. “Esses grânulos são caros e importados e são distribuídos restritamente na rede pública para pacientes com HIV-Aids.”

Uma vantagem adicional da nova formulação, cuja pesquisa integrou o doutorado do engenheiro químico Classius Ferreira da Silva, e o mestrado da farmacêutica Patrícia Severino, ambos na FEQ, é a liberação gradual e controlada da didanosina, o que aumenta a eficiência de absorção do fármaco pela mucosa do intestino e torna o tratamento mais eficaz. “Nossos grânulos são capazes de encapsular e liberar de modo mais lento e controlado o composto ativo do medicamento”, diz Maria Helena. Resultados experimentais a partir de ensaios com cachorros mostraram que a liberação da didanosina ocorreu num período longo, de 36 horas, e que a quantidade de fármaco absorvida pelo organismo neste tempo é o dobro quando comparado com os comprimidos convencionais e grânulos comerciais. Os autores do estudo destacam, ainda, que os grânulos de quitosana podem ser revestidos com polímeros gastrorresistentes, de forma a protegerem a atividade de compostos ativos sensíveis ao pH do estômago.

Outro diferencial da patente é o processo de fabricação da formulação. Durante os estudos em laboratório, a produção avançou em relação às suas variáveis operacionais, tornando-a passível de escalonamento e de aplicação no setor industrial. O processo envolve tanto a produção das micropartículas que encapsulam o fármaco como os grânulos mucoadesivos. Inicialmente, o composto ativo é encapsulado em micropartículas de quitosana, em dispersão aquosa. Em seguida, essas partículas são separadas por centrifugação e removido o meio aquoso. As partículas úmidas são secas e a própria quitosana é adicionada à massa para produção dos grânulos.

Liberação gradual – Um estudo de farmacocinética, que é o tempo de permanência da droga na corrente sanguínea, desses grânulos foi realizado durante o mestrado de Patrícia Severino com apoio da professora Teresa Dalla Costa, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e mostrou a superioridade dos grânulos em relação ao comprimido revestido comercial. “Com isso será possível reduzir a frequência de administração do fármaco e, provavelmente, a dose”, diz Maria Helena. Segundo a pesquisado­ra, em função da associação de suas três propriedades – proteção do fármaco ou ingrediente ativo, liberação gradual e direcionamento específico para a mucosa intestinal –, esses grânulos poderão ser usados para outras aplicações nas áreas farmacêutica, médica e veterinária, além da produção do medicamento antirretroviral.

A etapa final de desenvolvimento do novo medicamento, essencial para sua comercialização, depende do estabelecimento de uma parceria com uma indústria farmacêutica que se encarregue da realização dos ensaios clínicos em humanos, complexos e principalmente caros para serem realizados no âmbito da universidade. “Repassar a tecnologia para uma empresa interessada é a nossa ideia, mas ainda não temos negociações em andamento”, diz Maria Helena.

> Artigo científico

 

Da Silva, Classius Ferreira; Severino, Patrícia; Martins, Fernanda; Chaud, Marco Vinicius; Santana, Maria Helena Andrade. The intestinal permeation of  didanosine from granules containing microspheres using the everted gut sac model. Journal of Microencapsulation.  v. 26, p. 523-28. 2009. 


O projeto

 

Caracterização do revestimento polimérico e farmacocinética in vivo de grânulos contendo micropartículas de quitosana incorporando didanosina 

Modalidade

Auxílio Regular a Projeto  de Pesquisa

Co­or­denadora

Maria Helena Andrade Santana – Unicamp

Investimento

R$ 57.632,50 (FAPESP)

Postado por Claudete Mira | 0 comentário

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

quarta-feira, 10 de março de 2010

DOSSIE VOLTAIRE SCHILLING VII - QUANDO TUDO COMEÇOU..


Rigotto empossa Voltaire Schilling como novo diretor do Memorial do RS
2005
Memorial do RS O governador Germano Rigotto deu posse, hoje (16), ao novo diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, Voltaire Schilling, e a oito novos integrantes do Conselho Estadual de Cultura. O historiador adiantou a orientação que vai adotar na sua e gestão e destacou o trabalho realizado por José Bacchieri Duarte, que esteve à frente do espaço cultural até fevereiro deste ano, quando faleceu. "Encontrei uma casa muito organizada, recebi uma herança bendita. Não haverá ruptura", elogiou Schilling, durante ato realizado. "Bacchieri respirava e vivia o Memorial desde que o convidamos para o cargo. Fez com que a instituição saísse destas paredes para levar um pouco da história do Rio Grande do Sul às escolas", afirmou Rigotto. Segundo o novo diretor, a gestão terá como referência para os projetos pontos cardeais. "O Sul serão os interesses de Porto Alegre e do RS, ao Norte tudo o que disser respeito ao Estado em termos de Brasil. O Oeste ficaria com os assuntos internacionais relacionados com a história local, e o Leste, um contato maior com o Mercosul e seus produtores culturais", definiu. "Nossa ênfase também será em publicações, especialmente para alcançá-las aos professores, como material de auxílio a ser utilizado em sala de aula", completou. Rigotto destacou a trajetória de Voltaire Schilling, autor de mais de 60 trabalhos, e a qualificação da Cultura no RS. "É um historiador que dispensa comentários por sua história e sua bagagem. Um Estado com atividade cultural forte tem a capacidade de definir seus caminhos no futuro", disse o governador. "O Rio Grande do Sul e Porto Alegre vão ter muitos equipamentos voltados para cultura. A atividade cultural que caracteriza o Estado, vai ser ainda mais forte", salientou, ao citar, entre os novos projetos, o Multipalco do Theatro São Pedro.Conselho de CulturaO governador também empossou no Conselho Estadual de Cultura Cláudio Britto (titular) e Décio Magalhães Duarte (suplente); Gervásio Neves (titular) e Fatimarlei Lunardelli (suplente); Ivo Ladislau (titular) e Glênio Reis (suplente); Heloísa Beckmann Morgado (titular) e Magda Schneider (suplente); José Henrique Pires (titular) e Paulo Roberto de Fraga Cirne (suplente). Permanecem no Conselho Tailor Diniz Neto (titular) com Luiz Coronel (suplente); Nelson Muratore Hoffmann (titular) com Cleudes Piazza (suplente); Walter Galvani (titular) com Regina Escosteguy Flores da Cunha (suplente). O órgão tem, entre suas atribuições, julgar projetos artísticos e culturais que se candidatam a receber apoio pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC). "O conselho tem desempenhado papel fantástico para o desenvolvimento da Cultura no Estado", afirmou o secretário da Cultura, Roque Jacoby. Também participaram do ato o chefe da Casa Civil, Alberto Oliveira, o coordenador da Assessoria de Comunicação Social do Governo do Estado, Celito De Grandi, o coordenador do Conselho Estadual de Cultura, Jorge Campos, Luiz Alberto Gusmão - que interinamente vinha desempenhando a função de diretor - o secretário municipal da Cultura, Sérgius Gonzaga, e o reitor da Uergs, Nelson Boeira. O porto-alegrense Voltaire Schilling, nascido em 1944, é professor de História e colunista do jornal Zero Hora, além de autor de diversas obras, entre elas: A revolução chinesa: colonialismo, maoísmo, revisionismo (1984), O nazismo: breve história ilustrada (1988), Momentos da história: a função da história na conjuntura social (1988), Estados Unidos versus América Latina: as etapas da dominação (1991), Tempos da História (1995), O conflito das idéias (1999).

Dossie Voltaire Shlling VI - Entrevista de Voltaire recoloca a questão da arte

Arte 05/12/2009 05h10min
Arte na berlinda: Zero Hora entrevista Voltaire Schiling
Artigo do historiador gerou polêmica sobre arte na Capital
O artigo
A capital das monstruosidades, do historiador Voltaire Schiling, publicado em Zero Hora no dia 25 de outubro deste ano, foi o estopim de uma polêmica sobre a arte na Capital gaúcha. Os jornalistas Eduardo Veras e Luiz Antônio Araujo conversaram com Schiling sobre o assunto, na casa do historiador, no Morro Santa Teresa. Confira a íntegra da entrevista.

Zero Hora — O senhor esperava que seu artigo fosse ponto de partida para uma polêmica sobre arte em Porto Alegre?

Voltaire Schilling — Não. Minha percepção era apenas reclamar contra o que eu considero o conjunto de horrores estéticos que nos cercam. Para mim, o ponto de deflagração foi a "casa monstro" (a obra Tapume, de Henrique Oliveira). Acho que não contribui para a cidade. Sou um cidadão de Porto Alegre descontente com o tipo de monumento e estatuária que existe por aí. Pelo menos com aquelas elencadas. Repare que não é uma declaração universal de horror a toda a estatuária da cidade. Depois soube que o mesmo escultor (Tenius) que fez o monumento ao ditador (a obra Monumento a Castello Branco, no Parcão) é o dos Açorianos, que acho um trabalho muito interessante.

ZH — As soluções formais do Monumento a Castello Branco e do Monumento aos Açorianos são muito próximas, se não as mesmas, não?

Schilling — Bom, isso é difícil, não gostaria de me ater. Existem obras de arte moderna e contemporânea excelentes e outras que não o são. Da mesma maneira que um pintor tem o seu mau dia, que um cineasta faz filmes maravilhosos e, de repente, faz um abacaxi ou um extraordinário teatrólogo faz uma peça que não funciona.

ZH — O monumento do Parcão é mal-resolvido?

Schilling — Não, só estou dando uma impressão. Não é uma questão de estudo acurado e profundo. O que acho estranho nessa área das artes plásticas é que, na literatura, o sujeito pode escrever um livro ruim, e a crítica em geral pode manifestar sua hostilidade. A mesma coisa acontece com o teatro, com o cinema. Mas parece que as artes plásticas resolveram reservar a si uma posição de não aceitar e imediatamente cair no pentágono da desqualificação: quem critica é nazista, stalinista, reacionário, ignorante e burro. Sabia que, se houvesse algum tipo de contestação (ao artigo), entraria em uma dessas categorias. Curiosamente, não me chamaram de veado ainda. É praxe isso.

ZH — O senhor foi chamado desses qualificativos?

Schilling — A todo momento. Em e-mails e coisas de tudo que é tipo. Um dos epítetos foi "machista", porque eu estranhava que apesar de a cidade ser simpática, a população ser afável e as mulheres serem as mais bonitas do Estado, não inspirasse os artistas a fazer alguma coisa esteticamente relevante. Mas isso é praxe. Quem usou "nazista" foi o meu querido amigo Paulo Amaral (citando): "Ah, te lembra que os nazistas...". Bom, Rockefeller (John D. Rockefeller Jr., dono da Standard Oil e proprietário do Rockefeller Center) mandou repintar um mural de Diego Rivera (pintor mexicano). O primeiro sujeito que usou essa palavra associada à monstruosidade foi Walter Rathenau, judeu ilustrado, morador de Berlim, riquíssimo. Ele escreveu um ensaio no final do século 19 no qual chamava Berlim de "a cidade mais bonita do mundo" e dizia: "Nossa capital é a principal acolhedora da feiúra moderna". Antes dos nazistas, essa estética da feiura já provocava estranhamento.

ZH — No texto o senhor usa termos como "monstruosidade", "flagelo", "medonhice", "perversidade" em relação às obras que rejeita, num sentido não irônico. O senhor ficou surpreso com a reação a esses qualificativos?

Schilling — Não. O texto também procurou ser divertido. É evidente que tem ironia. Se tu olhares o Monumento a Castello Branco, ele pode ser entendido como desembarque de um extraterrestre, por que não? Aquela outra, o "timão" (Estrela Guia, de Gustavo Nackle), parecia realmente ser feita de estrume, de esterco. Teve um sujeito que me falou que buscava a mulher aqui na Febem e toda vez que passava em frente (à obra) se sentia mal do estômago. O cara tinha engulhos ao passar por aquilo. Se tu perguntares para as pessoas da Zona Sul o que eles acham daquilo... Faz um levantamento. É claro que eu procurei fazer ironicamente a coisa. Não sou a favor de que as massas se reúnam e destruam as obras de arte. Fiz uma ironia. Apesar de que tu sabes que hoje em dia há instalações em que as pessoas chegam, e o artista entrega um martelo para o cara destruir.

ZH — Ou seja, de fato o senhor acha que Porto Alegre não tem de se livrar dessas obras?

Schilling — Não. Não. Não. É o seguinte: doravante, doravante... Eu acho difícil porque existe de certa forma no circuito dos artistas plásticos uma tirania que acovarda as pessoas. Fica todo mundo apavorado. Ninguém gosta, mas ninguém ousa dizer que o rei está nu e que isso é uma porcaria. No Brasil inteiro, tu tens Affonso Romano de Sant'Anna (poeta), Ferreira Gullar (poeta e crítico)... Por quê? Porque tu pagas um ônus. Ninguém gosta de ter seu nome associado ao nazismo. E é a primeira coisa que tu vais encontrar. Pega o artigo do Paulo Amaral: "Ah, os nazistas...". Então as pessoas se acovardam. Outra coisa: "Tu és burro, tu não entendes, tu tens de ter uma formação etc e tal". Me lembro até que saiu uma mineira dizendo assim: "Para fazer uma crítica à arte, as pessoas têm de estudar". Mais ou menos assim como se tivesse que fazer um pós-graduação para, aí sim, ousar fazer algum tipo de ilação negativa. E mesmo se fizer não há garantia nenhuma de que não vão te chamar de nazista ou stalinista. Então, tens de ter coragem, tu entendes? Milhares de pessoas estão se manifestando: "Pô, mas é isso mesmo, eu estava me achando burro...". E não é gente ignorante. Um amigo meu, ex-diretor da Faculdade de Medicina, disse: "Pô, eu também estava achando isso". Só que as pessoas estavam inibidas, porque há uma tirania e tu não podes ser contra.

ZH — Qual deve ser a atitude diante das obras expostas ao público em museus e praças, na medida em que uma parcela desse público não goste do que está sendo exibido?

Schilling — Isso é uma situação difícil de resolver. Arte não se resolve por plebiscito, por levantamentos ou por vontade geral da nação. Isso não funciona com a arte. É um setor que tem de ser tratado com carinho, com certa atenção, não pode ser submetido a plebiscitos. Mas, por outro lado, também não podemos cair na tolerância completa, o que acaba acontecendo em grande parte do mundo com a arte conceitual. Se caiu num vale-tudo. Me diz o que é um charlatão e o que é um artista autêntico. Há controvérsias. Robert Hughes (crítico australiano) considera aquele sujeito que empalhou um tubarão e vendeu por não sei quantos milhões de dólares um charlatão. Outros não o consideram. Qual é o critério de que um fogareiro aceso com uma serpentina em cima é uma obra de um grande artista e não obra de um picareta?

ZH — Quem define os critérios?

Schilling — Nós fomos tão tolerantes que as pessoas passaram a ter medo de exercer qualquer tipo de crítica. Tudo é bonito, tudo é válido, tudo é sensacional. Se tu não entendes a coisa, é porque és burro, idiota, reacionário, não percebes a magnitude dessa mensagem que daqui a alguns anos vai ser consagrada. Essa é a retórica de sempre: "Ah, lembrem os impressionistas..." Bem, vamos lembrar os impressionistas. Praticamente todos morreram bem. Estive na casa de Monet (Claude Monet, pintor impressionista) na França. Ele devia ganhar US$ 10 mil por mês para manter aquilo. Degas morreu bem. Picasso morreu multimilionário. Agora vão me dizer...

ZH — Quando jovens eles foram rejeitados. Há quem diga que o impressionismo foi mais rejeitado do que a arte de hoje.

Schilling — Tudo bem, mas não morreram mal.

ZH — Essa é a dinâmica do sistema das artes. Schilling — É. Vamos dizer o seguinte: é uma necessidade...

ZH — O senhor acha que a obra dos impressionistas acabou se impondo?

Schilling — Vamos supor o seguinte: há um exagero cultivado por eles mesmos. Porque isso fazia parte da demonização do artista: aquela ideia de que "nós, no passado, fomos rejeitados". Isso foi superexagerado no sentido de valorizar aquele martírio que eles passaram. No final, ninguém foi preso, ninguém foi detido. Perto do que aconteceu depois, no século 20, do que os artistas passaram na mão de Stalin e de Hitler... Nada aconteceu disso com os impressionistas. E se houve alguma utilidade nisso... E provavelmente muitas outras escolas artísticas ao longo da história de artistas que começam e são rejeitados. Quem é que disse que o Michelangelo saiu já... ZH — Van Gogh morreu pobre, Modigliani morreu pobre. Schilling — É, sim, mas aí, querido, me desculpe: alcoolismo, né? Aí é alcoolismo, né? Dois casos de coma alcoólica. Morreram por alcoolismo, por loucura alcoólica. E além do mais, até por temperamento. Modigliani foi negociar com um milionário americano e bateu a porta do hotel, xingou o cara. São idiossincrasias da personalidade. ZH — O senhor quer dizer que quem é bom vai ser reconhecido ainda em vida? Schilling — Não, não necessariamente. Mas esse tem sido o grande argumento para tu aceitares tudo. Tem a arte que agora não está sendo entendida. Bom, não está sendo entendida porque tu és burro, reacionário, e mais tarde vai haver a consagração. ZH — Voltando ao tema dos critérios de apreciação da arte: no seu entender, quem deve estabelecer os critérios? Como? Baseado em quê? Schilling — Bom, hoje em dia é fácil se identificar. Há, ao lado dos artistas plásticos, o que eu chamo de sacerdotes sibilinos, que são os críticos de cultura e de arte, que ficam interpretando o que é aquilo: "Ah, essa chapa, essa chapa de ferro, isso aí é a perplexidade do mundo perante as hostilidades etc e tal." Pronto. Do lado, tem o crítico, é ele que interpreta. Ele é o sacerdote sibilino. ZH — E como o senhor acha que seria o ideal? Schillling — Não sei. Eu não sei. Eu não sou artista. Sou um observador e um estudioso. ZH — O senhor é um intelectual. Schilling — Eu fui professor, eu comecei minha vida como professor de História da Arte. Não sou um amador. Eu li pelo menos os principais clássicos, os principais livros de História da Arte, tenho intimidade com esse assunto, não é uma coisa estranha a mim, mas não cabe a mim saber quais são as possibilidades... O que existe hoje é o seguinte: existe uma quantidade enorme de objetos que passam por obras artísticas, instalações etc, e do lado existem os críticos de arte e donos de galeria, que são, digamos assim, os apoiadores desse processo. E o crítico existe, a função dele é de sacerdotisa sibilina, quer dizer, ninguém entende nada daquilo, mas aí vem o crítico e explica, quase como uma espécie de bula de remédio o que é : "Aquilo significa isso, isso e isso". E, apesar das explicações, as pessoas não têm se convencido, né? Então, eu vejo até com preocupação, até é uma preocupação dolorosa com a arte. Eu sou admirador da arte. Eu fico preocupado com o destino da arte. Com esse abismo que está se abrindo, tu entendes? Em vez de haver uma espécie de conciliação hegeliana entre o mundo artístico e o grande público, nós estamos abrindo um abismo cada vez maior onde as pessoas mostram a sua perplexidade, a sua indiferença. Não é bom isso, não é bom isso para ninguém, não é? Eu ainda sou um, digamos assim, um seguidor da ideia iluminista de que a estética tem uma função de melhorar todos nós. A estética faz bem para nós. Agora, em parte, eu te diria que essa fome estética que a humanidade sente ela está sendo desviada para a tecnologia. Por exemplo, as pessoas vão num salão do automóvel e saem absolutamente embevecidas. Coisa que tu não vês quando as pessoas saem de uma Bienal — não é a nossa, qualquer uma. Tu não vês esse empolgamento das pessoas. ZH — O senhor foi à Bienal este ano? Schilling — Sim. ZH — Aonde o senhor foi? Schilling — Ah, fui ali, aquela ali do... Aliás, hoje eu estou com vontade ainda de ... Tenho um compromisso lá e vou, quero ver se faço um arremate final. ZH — Ali no Margs? Schilling — É. No Margs eu fui, claro, é do meu lado (Voltaire é diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, situado no antigo prédio dos Correios, vizinho do Margs, na Praça da Alfândega). Foi a que tem sido mais visitada, inclusive... ZH — E o que o senhor achou? Schilling — Olha, eu achei que tem trabalhos escolares, né? Tem coisas assim de trabalho de ginasiano, colagenzinha de ginasiano, né? ZH — O senhor não acha que o fato de a Bienal estar na sétima edição, de ter tido um crescimento de público sustentado, de ter atraído não só o público adulto, que frequenta museus, mas de ter se tornado um ponto de referência para escolas, de alguma maneira indica que a disposição do público não é exatamente a que o senhor tem? Schilling — Olha, duas coisas. Primeiro, eu não sou contra a Bienal. Acho que a Bienal é ótima para a cidade. Acho muito bom. Pelo menos de dois em dois anos, há um encontro, uma confraternização das propostas dos artistas com o público, que é uma coisa boa para a cidade. Como é que eu vou ser contra a arte? Em segundo lugar, mesmo com o aumento de público, eu não encontrei empolgação. Não tem. Eu estou numa posição estratégica, já é a terceira Bienal (à qual assiste como diretor do Memorial do Rio Grande do Sul). Nunca, nunca nenhuma pessoa demonstrou na minha frente, para amigos meus, para pessoas próximas a mim, empolgação: "Vi tal coisa maravilhosa". Nenhuma vez. Ao contrário: decepção. A palavra é decepção. Sempre decepção. As pessoas vão com toda a boa vontade e saem decepcionadas. Muitas pessoas dizem: "Mas essa é a função da arte hoje. Criar esse tipo de embaraçamento etc e tal". ZH — Nenhum trabalho lhe empolgou ali no Margs? Schilling — (Pausa.) Não. (Mais baixo.) Não, não. Os meus, digamos assim, os meus ídolos, as pessoas que eu admiro, são os impressionistas... mesmo os cubistas e os futuristas... Eu sou, digamos assim, defensor da arte pré-contemporânea, da primeira arte moderna, pré-contemporânea. Isso aí (da Bienal) pouco diz para mim. Então a primeira questão que eu levanto é isso: por que um grupo reduzido de artistas plásticos, de críticos culturais e de donos de galeria atingiu um patamar que se coloca acima da crítica e reage ferozmente quando criticado? Essa que eu acho que é a questão interessante. É um grupo muito pequeno se tu somares os artistas plásticos e os críticos culturais etc e tal que aterrorizam a população. Tanto é que as pessoas não gostam mas não têm coragem de dizer. Esse é um sentimento. Vocês não percebem isso? ZH — Será que essa reação não foi à maneira como o senhor se posicionou? O senhor chamou as obras de arte de "flagelo", disse que elas "atormentam", disse que uma parecia "estrume", chamou de "monstruosidades". O senhor juntou obras modernas e contemporâneas, obras selecionadas por concurso e obras temporárias. Será que não foi isso que incomodou? Schilling — Não. ZH — Chamar de "flagelo", "monstruosidade"... Schilling — Não. Não. Não. ZH — Não foi isso? Schilling — Não. ZH — O senhor acha que os termos foram... Schilling — Mas são sempre os mesmos. Olhem: se eu fosse o mais suave possível, a reação seria a mesma: nazista, stalinista, reacionário, ignorante e burro. Tenta fazer um artigo. Tenta fazer um nessa linha... ZH — Eu fiz um artigo. Schilling — Não, tudo bem, mas tenta fazer um no sentido crítico. ZH — Eu fiz um artigo crítico sobre a Bienal. Schilling — Vê se não vai desabar sobre ti. ZH — Eu fiz um artigo crítico sobre a Bienal. Schilling — Eu já sei. ZH — Para eu entender, professor: o senhor acha que os seus termos foram adequados, corretos e equilibrados e a reação é que foi desproporcional? Schilling — Não, eu não estou incomodado com a reação... Tu achas que eu estou incomodado com a reação a essa altura da minha...? Eu só tô dizendo que isso é a praxe. Essa é a praxe. Tu acha que isso me surpreende? ZH — Eu acho que se o senhor foi chamado de nazista tem de se surpreender. Schilling — Não, não, ao contrário, querido. Tu acha que a essa altura da minha vida, com tudo que eu já vi, com tudo que eu já passei, com ditadura que eu enfrentei, eu vou me assustar porque um sujeito lá escreveu que eu sou nazista? ZH — Mas o senhor, como intelectual, tem uma posição pública. Se alguém lhe chama de nazista num debate público, essa pessoa tem de sustentar aquilo que está dizendo. Estou lhe perguntando se houve extrapolação da parte dos que lhe responderam. Schilling — Não. Não houve. É praxe. É praxe. Em toda discussão que envolve crítica às artes plásticas contemporâneas, tu és taxado de nazista ou de stalinista. Toda. Mesmo que eu fosse suave, mesmo que eu usasse uma adjetivação mansa, a resposta seria essa. ZH — Como é que o senhor qualifica essa adjetivação que o senhor usou? Schilling — Digamos assim, fruto da indignação de um cidadão de Porto Alegre. É um texto de uma pessoa indignada. Eu não acho que a nossa cidade mereça isso. Acho que a nossa cidade merece uma escultuária melhor. Não sei qual. Não sou artista. Né? ZH — O senhor disse que, em matéria de arte, gosta dos impressionistas e da arte moderna. Schilling — Certo. ZH — Pré-arte contemporânea. Schilling — Ou arte conceitual. Que é um gosto. ZH — Digamos que nós sejamos vizinhos, e eu goste da arte renascentista. Como é que nós podemos chegar a um entendimento sobre o tipo de arte que tem de ser exposta na cidade? Schilling — É, isso é uma questão difícil, mas observa que tanto o impressionismo quanto a Renascença estão mais ou menos dentro de um enquadramento comum: pintam figuras humanas, pintam paisagens. Tu pegas uma tela impressionista, tu pegas um Monet e pega um Fra Angelico, tem denominações comuns: são figurativas, são paisagens. Claro que um está mais marcado pela presença da vida santificada e outro pela vida laica, por assim dizer, mas existem certas identificações. Agora, de repente, o sujeito cria um tarugo de ferro e diz que isso é a chegada de Deus na Terra, ali ele rompe, tu entende? Esse nosso alinhamento — você simpático ao Renascimento e eu ao impressionismo —, nós temos algo em comum. ZH — Mas o senhor conhece História da Arte e sabe que do Renascimento ao impressionismo e à arte moderna há uma ruptura muito grande. A arte moderna teve de abrir caminho frente a críticos muito mais, digamos, indignados do que o senhor. Schilling — Eu só quero te dizer que ainda entre o impressionismo e a Renascença existem pontos, denominadores comuns que agora não existem mais. Bom, inclusive não existe mais pintura. Não existe mais escultura. Foram abolidos, né? ZH — O senhor está reconciliando a arte renascentista com o impressionismo e a arte moderna. Para o senhor, isso tudo é parte de um mesmo movimento e de um mesmo entendimento, pode ser reconciliado e se chegar a um acordo. Mas eu posso achar que não. Posso achar que é só a arte renascentista que tem sentido. Schilling — Tudo bem. Não vou te chamar de nazista pelo que tu estás dizendo. Não vou te chamar de reacionário nem de homossexual porque tu pensas assim. ZH — Mas já que nós estamos falando de espaços públicos, como chegar a uma definição? O senhor diz: "Porto Alegre, cidade aprazível, povoada por gente simpática, habitada pelas mulheres mais belas do país". Como é que nós, os porto-alegrenses, mesmo aqueles que não são tão bonitos nem tão simpáticos, vamos chegar a um entendimento sobre que arte tem de ser exibida? Schilling — A prefeitura tem órgãos, tem possibilidade de criar comissões, de aprovar ou não. Mas eu sou cético quanto a isso. Eu sou cético em relação a isso. Eu não acredito que isso aí vá funcionar. Porque a imposição desse pequeno grupo é tamanha que vamos supor que uma comissão rejeite. Desaba: "Vocês são nazistas, reacionários, burros, retrógrados". ZH — Num concurso uns vão ser excluídos e outros selecionados. Schilling — Sim, mas seja o que for, mas a adjetivação é terrível. A pergunta que eu faço é: como esse pequeno grupo, numa democracia, aterroriza milhares de pessoas? Milhares de pessoas. Não gostam e não podem dizer que não gostam. E se ousarem dizer que não gostam, são submetidas a uma avalanche de ofensas aterrorizadoras. Não é só eu. Qualquer um. ZH — Algumas das obras que o senhor rejeitou no artigo foram aprovadas em concursos públicos inclusive com a presença de artistas consagrados que o senhor cita. Por exemplo, a obra de Gustavo Nackle foi aprovada num concurso que tinha, na comissão julgadora, Xico Stockinger. Schilling — É, deve ter. Deve ser. Porque até é solidariedade de classe. Corporativo. Espírito corporativo. Ninguém quer brigar nessa área. Ninguém quer brigar. Ninguém quer levantar celeuma. O princípio é: "Ah, é genial". Tudo é genial. É criativo, o que tu vais dizer? Tu que não entendeste". Isso aqui (indica uma garrafa térmica sobre a mesa) é o ready made. Se eu boto isso aqui numa exposição não vale nada, mas vamos supor que um artista plástico ponha isso aqui: "Ah, é uma obra maravilhosa. Viram a genialidade do sujeito?". Não é? Eu não posso colocar isso porque não sou artista. Então existe todo um espírito de confraria, é natural que seja assim, um procura ajudar os outros, ninguém critica. Eu nunca vi uma crítica. ZH — O senhor conhece algum caso de artista que tenha tido a sua obra rejeitada com base na alegação de que "isso não é arte" por alguma dessas comissões? Schilling — Não sei. Eu não tenho intimidade com esse tipo de coisa. Nunca participei de nenhuma comissão desse tipo. Nunca soube disso. Pode ser, se é isso que tu estás levantando. Tu tens um espaço público só, deve ter 10 candidatos, nove são rejeitados. ZH — Mas com base nesse critério de que não se trata de arte. Schilling — Mas eu não sei. Não sei. Não sei. Não sei qual é o critério usado. Não tenho a mínima ideia. Só que é isso, quer dizer, tu vês que a cidade começa a ficar tomada por objetos absolutamente estranhos, que não dizem nada a ninguém a não ser aos críticos de arte. "Ah", num deslumbramento, "você não entendeu, você é uma pessoa reacionária, você é um assassino de judeus, não entende a profunda magnitude dessa obra". Entende? Então as pessoas ficam apavoradas. Essa é que é a verdade. ZH — O que me intriga é que o senhor fala sempre de uma maneira generalista: "Ninguém sai da Bienal entusiasmado". Eu já vi até crianças entusiasmadas. Uma coisa é a crítica a priori que rejeita. Outra coisa é ir lá, olhar e pensar. Schilling — Mas a minha crítica não foi à Bienal. Tanto assim que grande parte das estátuas que estão aí não eram de pessoas da Bienal. Esse desse uruguaio, aí, essa estrela... Eu só não queria aquele que parece um tarugo. Que um sujeito que está com esse negócio aí sem ter o que fazer, não vendeu ele, então deixa de doação ao município. Nesse caso... ZH — Ele criou especialmente para aquele lugar. Schilling — Bom, só para te falar. O Robert Hughes exatamente diz isso: a arte conceitual virou brincadeira de criança. Entrar num tubo, sair não sei o quê. Eu acho que as crianças se divertem. Mas elas também se divertem num playground. Elas se divertem num carrossel. Tu não leste a entrevista do Robert Hughes? ZH — Acho que não. Schilling — É, a famosa entrevista da Veja. Eu reproduzo. Basicamente, o que ele diz... O que me espanta é que isso passe em Porto Alegre por novidade. Essa entrevista já foi feita há mais de dois anos. ZH — A da Veja? Sim, eu li. Schilling — Ele é tido como um dos maiores críticos de arte contemporâneos. E ele diz: "Olha, eu parei de escrever porque isso virou uma comercialização, um vale-tudo, nada mais significa nada e eu me nego a entrar nesse negócio". Pronto. Entende? Porque às vezes ele fazia menção a respeito de uma determinada peça qualquer de arte e aquilo disparava no mercado. E ele disse: "Eu não vou colaborar com isso. Me nego". Se negou a escrever. Podia continuar a escrever. Está com 68 anos. Por que que o maior crítico de arte, não é da Holanda, é dos Estados Unidos, ele é australiano de origem, mas... né? Peguem a entrevista dele. Eu não disse nada de mais. Essas críticas que eu fiz ao Duchamp ele também fez. Ele disse: não, o Duchamp de um lado liberou os artistas, de outro lado foi uma catástrofe. Eu acho que foi uma catástrofe. Não é Voltaire Schilling só que está dizendo. ZH — O senhor acha que Duchamp foi referência, por exemplo, para o Monumento a Castello Branco? Schilling — Não sei. Não sei. ZH — Mas é só olhar. Schilling — Vem cá, num artigo de jornal... ZH — É só olhar para ver. Schilling — Bom, não é essa questão. A questão é a seguinte, as pessoas cobram... ZH — O senhor escreveu que era. Schilling — As pessoas me cobram: "Por que tu não botaste tal coisa?". Outro quer: "Mas tu tinha que por a monstruosidade na arquitetura". Vem cá, mas eu estou num texto limitado. Nem sei se... ZH — Mas esta entrevista é justamente para o senhor entrar nesses detalhes. Schilling — "Porque tem monstruosidades na arquitetura. Porque tem não sei o quê..." É... é... Bom, não era a minha preocupação, tu entende? A minha preocupação é apenas isso, tu entende... ZH — Mas tem uma diferença entre o senhor e Robert Hughes. Schilling — Tem, claro. Primeiro uma diferença financeira. (Risos.) ZH — Digo, uma diferença em relação à atitude diante da obra. Ele não está propondo empacotar o Duchamp e mandar embora. Schilling — Eu, olha, eu não sei, quer dizer, eu pelo menos tenho uma, é um tipo de reação, a reação dele foi outra, foi se refugiar numa, digamos assim, numa vida mais solitária. Talvez seja diferença de temperamentos. Eu não quero desmantelar o que existe aí. Isso aí não vai acontecer. É que há... ZH — Mas o senhor não quer porque não vai acontecer ou porque é preciso haver uma outra resposta? Schilling — Não, não é isso. Digamos assim: doravante, a minha expectativa é que as pessoas encarregadas disso tenham mais cuidado, só isso. Doravante, pensem um pouco: "Pô, mas será que isso realmente é uma coisa meritória para nossa cidade? Ela merece isso?" ZH — Ter cuidado é um conselho bastante amplo. Do ponto de vista de quem julga a obra de arte, quais seriam as principais diretrizes que consubstanciariam esse cuidado? Schilling — Não tenho condições (de responder) porque eu não sou artista. Eu só reajo: isto aqui não está bom, não está bom, não está bom. Minha reação é essa. Não é a questão nem só da feiura, é o mau gosto, tu entende? É o mau gosto. É o mau gosto. E se por trás de mim não tem ninguém, se é um ato absolutamente isolado da minha personalidade, não sei por que vocês então dão valor para isso. ZH — Nós damos valor mesmo que seja um ato isolado. Schilling — Sim, pois é, eu não estou entendendo... ZH — Nós não estamos lhe entrevistando como um deputado ou como um representante de um partido político. Schilling — Eu participei de um debate em que 80% das pessoas concordavam com a minha posição. Se nós chegássemos a uma avaliação, nós vamos ver que Porto Alegre está povoada de 800 mil nazistas, reacionários, burros e ignorantes, o que é um dado absolutamente alarmante sobre a nossa população. Pega os critérios tradicionais de defesa do que eu chamo de talibã estético que nós estamos vivendo. 80% da população de Porto Alegre é isso aí. ZH — Mas me parece que quando lhe chamaram dessa maneira, não era seu gosto que estava em discussão, mas o fato de o senhor pedir que as obras fossem despachadas. Schilling — Não. Não. Não. Não é isso. É sempre a mesma coisa. Mesmo que eu não quisesse tirar, eu te passo "n" críticas onde é sempre a mesma coisa: "o nazista, o nazista, o nazista". É a mesma coisa sempre. É o argumento de praxe. Tu invalida, tu entende? "Isso é coisa do nazismo." Eu estava dizendo: bom, então a campanha antitabagista deve ser suspensa porque foi apoiada por Hitler. Ele não gostava que fumassem. Ele queria desencadear na Alemanha uma campanha antitabagista. ZH — Mas existe uma diferença entre fumar ou não fumar e dizer que obras têm de ser despachadas. Schilling — Não, eu só quero dizer assim... ZH — O senhor disse: "Nós temos sido excessivamente tolerantes". Quando o senhor diz "nós"... Schilling — Os 80%. ZH — A palavra "tolerância" pode ser aplicada à relação entre etnias e nacionalidades. Foi muito usada ao longo do século 20. No que toca à arte, é pouco usada porque em geral artistas e críticos concordam que uma manifestação artística pode ser válida ou não, boa ou ruim, bela ou feia. Mas aquilo que está além da tolerância tem de ser descartado. Também no século 20, o que estava "além da tolerância" foi descartado, e sabemos que isso está sempre associado a experiências bastante ruins na história. Schilling — Sim, sim, sim. ZH — Essa é uma palavra sua. Eu não estou colocando na sua boca. O senhor usou "tolerância". Schilling — Sim, sim. O que eu digo "tolerância" é a ausência de crítica. Então, como não há crítica, tu vais, tu entendes, tu deixas, digamos assim, hoje a arte corresponde ao que o artista acha que é arte, a sua subjetividade. ZH — E não tem de ser assim? Schilling — Bom, agora é assim, mais do que nunca: "Eu decido o que é arte". Tu conheces o caso daquele que vendeu fezes, né? Aliás, só um italiano poderia fazer um negócio desses. O cara vendeu fezes. ZH — Era uma provocação. Schilling — Seja o que for. Andy Warhol pedia que alguns amigos dele urinassem em cima de certas telas que ele deixava no chão. Entende? Esse tipo de coisa. Então, se tu não fazes... Digo "tolerância" no sentido de ausência de crítica. Então de repente tu tens aberrações. É algo assim tipo a criança traquinas: vai fazendo, vai fazendo arte, de repente ela incendeia a casa? Por quê? Porque tu és excessivamente tolerante e conivente. Então talvez se nós exercêssemos sobre a arte conceitual... ZH — O senhor acha que os nossos artistas estão a ponto de incendiar a casa? Schilling — Não, metaforicamente, né? A partir do momento em que você não exerce nenhum tipo de crítica, você abriu a torneira da tolerância por uma série de razões, você termina de certa forma contribuindo para essa situação. De certa forma foi a contribuição que os intelectuais e os críticos fizeram: esse enorme abismo que existe entre as pessoas e a arte hoje em dia. Como é que tu explicas esse fenômeno? Todo mundo é burro, então? Todo mundo é burro? Ninguém entende, todo mundo é burro. Reacionários, canalhas, homossexuais... ZH — É o entendimento que está em jogo? Tem de entender a arte? Será que as pessoas entendem a Mona Lisa, por exemplo? Schilling — Digamos assim, ela não requer a necessidade de um enorme ensaio ou de uma bula. ZH — Mas há enormes ensaios sobre a Mona Lisa. Schilling — Sim, tudo bem, mas isso não é necessário. Não é necessário da parte do espectador que ele se informe de uma enorme literatura para se entusiasmar com a Mona Lisa. ZH — Por que o senhor acha que as grandes obras de arte suscitam permanentemente releituras, se não é necessário? Schilling — Releituras em que sentido? ZH — Releituras, estudos, interpretações. Schilling — Isso mostra a capacidade de transcendência e perenidade da arte. Essa notável capacidade que alguns grandes artistas têm de se perpetuar pelo tempo. Esse é um problema que a arte conceitual abdicou. Quando um Fídias, um Praxíteles esculpia alguma coisa, ou um Leonardo da Vinci, o cara imaginava que isso aí era uma maneira de perpetuar a ele e a sua obra. Hoje em dia não, você faz uma montagem, desmonta, vai embora... ZH — Isso é uma das maneiras de um artista rejeitar o mercado. Era o que estava na pauta dos artistas conceituais: criar uma obra efêmera. Schilling — Ao contrário, ele criou um bem de consumo descartável. ZH — Mas a obra dele não é vendida. Schilling — Bom, isso é um outro problema. Eu acho que se essa obra dele fosse comprada, dificilmente ele rejeitaria um bom par de dólares. Eu não acredito que nenhum artista profissional hoje faça algum tipo de coisa sem querer um dinheiro em troca. Não é possível. ZH — Mas os artistas conceituais que o senhor citou, nos anos 60, queriam fazer isso. Schilling — Bom, tem gente bizarra em todas as áreas. Vocês escrevem no jornal esperando salário. Eu dou minhas aulas esperando salário. E é justo. Agora, o que aconteceu nesse aspecto, voltando à questão da tolerância, foi exatamente a ausência de crítica, tu entende? Então a coisa foi indo, foi indo, e o resultado concreto é que existe um enorme abismo entre o mundo artístico de hoje, especificamente das artes plásticas, e o público em geral. Em qualquer lugar do mundo, não é aqui. ZH — O senhor usou a palavra "tolerância" e agora disse que estava se referindo à crítica. Em vez de "excesso de tolerância", teria havido "ausência de crítica". Me parece que existe uma considerável obra crítica em relação a todos os temas da nossa discussão. A própria estatuária de Porto Alegre tem estudos e livros. O que é preciso fazer, no seu entender, para que essa crítica encontre o seu ponto? Schilling — Vocês supõem a crítica no sentido como a filosofia idealista tentou, no sentido de colaborar, esclarecer. A palavra "crítica" que estou dizendo é em outro sentido. É de denúncia. É uma empulhação, tu tens de denunciar a empulhação. ZH — Tudo é empulhação? Schilling — Não, não, não é isso. Mas tem de denunciar quando é empulhação. ZH — Aquelas obras que o senhor cita são empulhação? Schilling — Eu não sei, eu não estou preocupado com isso. A minha preocupação não é essa. A minha preocupação é de ordem estética. ZH — Mas o senhor acabou de dizer que têm de ser denunciadas. Schilling — Eu não estou dizendo que essas obras são empulhação. Eu não disse isso. São simplesmente cafonas, feias, não correspondem a, digamos assim, ao que eu imagino que seja um lugar gostoso de passar e ver um bom monumento. Necessariamente não precisa ser de beleza, que tenha de ser uma Vênus de Milo, um Apolo, não é isso. Mas que de alguma forma ele tenha uma expressão estética interesssante, aceitável por todos. Ou pelo menos pela maioria. Agora eu volto a te dizer, eu sou cético. Eu acho que nós somos governados por uma tribo esotérica, que domina os jornais, que domina as revistas, que se associa a galerias, que se associa ao marketing, que se associa aos leilões estapafúrdios, e isso aí, e além do mais às coleções dos milionários. Que arte de transgressão é essa em que as principais obras de transgressão são compradas pelos milionários? As pessoas mais conservadoras do Ocidente têm seu dinheiro empregado nisso aí. E obviamente que elas não querem que alguém diga lá: "Olha, o rei está nu. O senhor comprou uma caixa de sabão Omo, não um ready made". Elas não querem saber disso. Agora, volto a insistir nessa questão: como, de que maneira, quais as condições históricas que permitiram que um grupo, essa tribo esotérica domine o universo das artes plásticas, se imponha perante a população e aterrorize a população. As pessoas se sentem aterrorizadas, com medo de comentar qualquer coisa. Elas saem de uma exposição, não gostam e não têm coragem de dizer que não gostam. Lembra um pouco, tu entende, o filme na minha época de geração, a nouvelle vague. A gente ia ao cinema e não entendia. Então tinha em Porto Alegre uns quatro ou cinco especialistas que entendiam o filme. Então aquelas pessoas eram os sacerdotes sibilinos da nossa época. Eles explicavam: "Olha, o (Jean-Luc) Godard quis dizer tal coisa". As pessoas não entendiam e ficavam absolutamente envergonhadas porque não entendiam os filmes. Então tinha que ter um especialista, um crítico de arte, um crítico de cinema que explicava ao vulgo o que aquilo queria dizer. É mais ou menos essa situação que hoje tu encontra nas artes plásticas. ZH — A nouvelle vague era uma empulhação? Schilling — Não, não estou dizendo, estou dizendo que era um tipo de proposta cinematográfica que exigia esse tipo de coisa. Tinha porcaria também. Tinha porcaria. Nem tudo que o Godard fez... Tanto é que se tu contares ao todo tem quatro ou cinco filmes do Godard que são relevantes, e o resto caiu na poeira da história. Quem é que disse que isso que está aqui em Porto Alegre é o supra-sumo, é a maravilha? Por que não se pode aventar a hipótese de que é ruim? Em nenhum momento ninguém pode pensar que a coisa não funcionou, que foi um momento de infelicidade estética da cidade. Por que não pode ser? Por que 800 mil pessoas estão erradas? ZH — Pessoalmente, posso não gostar da escultura do Gustavo Nackle, mas não acho que, por eu não gostar dela, ela tenha que ser despachada para fora da cidade. Ela pode nos dar algum ensinamento. Schilling — Ah, mas tu tens de entender a ironia, a brincadeira, a ironia... ZH — É brincadeira? Schilling — Não, não é... Bom, quem chamou de brincadeira, não sei o quê, foi o... o... ZH — O senhor chamou agora. O senhor disse que era uma brincadeira. Schilling — Eu estou dizendo... É o tom. O tom irônico, né? Tu vês que é o tom irônico. Tu achas que eu vou chefiar brigadas e... ZH — Mas o leitor desta entrevista tem de levar em consideração os termos que o senhor usa. O senhor diz que estamos sendo "aterrorizados". Meu filho de cinco anos foi à Bienal e não voltou — pelo menos perceptivelmente — aterrorizado, voltou falando das coisas que viu lá. Nosso papel nesta entrevista é permitir que o senhor esclareça, detalhe e disseque sua forma de pensar. Qual seria a maneira de essa população — "aterrorizada", para usar sua expressão — lidar com essas obras? Schilling — Em primeiro lugar, não acredito que essa obras vão desaparecer. As circunstâncias históricas em que elas foram gestadas e o apoio que os Estados Unidos dão a isso dificilmente vão fazer com que esse tipo de arte vá desaparecer. Em parte, o que aconteceu é fruto da Guerra Fria. Essa ausência de crítica aconteceu num contexto muito interessante da Guerra Fria. Não é só da Guerra Fria, já era antes, dos anos 30. Os americanos queriam fazer uma confrontação com o que estava acontecendo na Europa, especialmente na União Soviética. Tu observa que o MoMA (Museu de Arte Moderno de Nova York) é inaugurado nos anos 30 exatamente quando Hitler chega ao poder e decreta o fim da arte expressionista na Alemanha. Em 1934, Stalin decreta com seu ministro da Cultura, Zhdanov (Andrei Zhdanov só foi encarregado da política cultural na União Soviética em 1946), o realismo socialista. Essa tolerância que surgiu nos Estados Unidos com a criação artística — faça o que quiser, imagine qualquer tipo de possibilidade criativa — estava estreitamente vinculada ao combate da Guerra Fria — ao nazismo e, depois, ao comunismo. Tanto é que a CIA organizou expedições artísticas ao largo da Europa para exatamente fazerem isso: "Reparem como os artistas americanos têm absoluta liberdade enquanto os soviéticos estão submetidos ao dirigismo, às exigências de um Estado totalitário". Então essa é a origem histórica e sociológica dessa história toda. ZH — O senhor está se referindo ao expressionismo abstrato. Schilling — Isso, e tudo que veio depois. A arte conceitual é derivada do Marcel Duchamp. ZH — Mas o exemplo que o senhor estava dando era claramente o do expressionismo abstrato americano. O crítico era Greenberg, os artistas eram Pollock, De Kooning e outros. Isso faz com que se tenha de rejeitar todos os artistas expressionistas abstratos? Schilling — Não. As qualidades do Pollock são inquestionáveis. Eu nem teria qualificação para desqualificar aquilo que é quase uma unanimidade dentro da arte moderna que é a arte do Pollock. Só estou dizendo de onde vem a tolerância. A tolerância vem exatamente disso: a posição que os Estados Unidos marcaram no sentido de dizer que "a nossa terra é a terra da liberdade, os nossos artistas fazem o que quiserem, não há tipo de censura nenhuma". Esse tipo de arte foi apoiado pelos magnatas americanos. O MoMA foi fundado pela família Rockefeller. Há um claro interesse de que esse tipo de arte corresponda aos anseios de liberdade defendidos pelo Ocidente no seu enfrentamento com o mundo comunista. ZH — Mas, no mundo comunista, os artistas que tentavam fazer alguma coisa parecida estavam a serviço de quem? Foram ferozmente reprimidos e mandados para campos de concentração. Schilling — Não. Não. Não. Não é bem isso. Não digo que eles tenham sido... Até aqueles que pintavam de maneira equivocada no realismo socialista também foram perseguidos. Mas agora tu tens de ver que há uma interpenetração da arte. Agora, por exemplo, há instalações na Rússia... ZH — Mas o senhor atribui a origem desse momento da arte contemporânea a um objetivo político da elite americana. Na União Soviética, o único país comunista nos anos 30, havia artistas em todos os campos que faziam um outro tipo de arte. Maiakovski, que se suicidou em 1930 por razões também estéticas, tinha algum tipo de associação com os magnatas de Nova York? Schilling — Não, não. É que de alguma forma há uma interpenetração. A própria arte dos anos 30 também foi influenciada no Ocidente pelo realismo socialista, em geral com pintores comunistas. Na Alemanha, tu tens a Kathe Köllwitz, uma figura significativa. Os muralistas mexicanos eram todos integrantes de variantes do Partido Comunista. Há uma interpenetração. O que eu quero te dizer é qual pode ser a provável origem dessa excessiva tolerância. Era uma posição claramente ideológica. O nosso artista, nos Estados Unidos, faz o que lhe vem na telha e ninguém tem de se opor. ZH — O senhor não acha isso positivo? Não é positivo que os artistas possam fazer aquilo que lhes dá na telha? Schilling — É. Isso. Agora vem um outro problema... ZH — Hoje, por exemplo, em Cuba, no Vietnã, na Coreia do Norte, na China, entre outros países, os artistas não podem fazer aquilo que lhes dá na telha. Schilling — É. Isso. Bom. Vamos ver agora outra questão. Por que se gerou esse universo enorme de coisas sem sentido? Aí vem um outro problema, que é o descolamento dos artistas daquilo que se chamava grande arte. Se tu olhares ao longo dos 3 ou 4 mil anos da cultura ocidental, o artista exercia o seu metier em função de alguma grandeza. O Partenon, por exemplo, tinha a função de exaltar a cidade e a deusa da cidade. O artista não está criando por si, ele simplesmente está a serviço de uma força maior. E assim você vai ver que os artistas sempre estavam a serviço ou do Estado, ou da Igreja. E depois também a existência de uma nobreza refinada na Europa. Então tu tens realmente uma sustentação. O artista era chamado, o mecenas dizia: "Tu vais fazer isto, isto e isto". Ele usava a criatividade dele em função da visão grandiosa que o mecenas passava para ele. A Eneida do Virgílio foi um projeto feito pelo próprio mecenas, a mando do Augusto: você tem de criar alguma coisa grande do nosso passado romano que não seja "nós, filhos da loba". Por exemplo, Versalhes: é um palácio maravilhoso, uma decoração fantástica. De onde saiu aquilo? Da exigência da monarquia absolutista de Luís XIV. Agora você vê hoje em dia o que está acontecendo. Não existem mais essas forças, foram dissolvidas na era moderna. Não existe mais o Estado absolutista, não existe mais a Igreja com o poder que exerceu na Idade Média, e não existe mais a nobreza, que foi substituída pelo empresariado, pela burguesia, pela classe média. Tu tens hoje o artista isolado — ele, entregue a sua própria subjetividade. Ele já não representa grandeza nenhuma, ele representa apenas a sua subjetividade. ZH — Isso é ruim? Schilling — Não, não estou dizendo que é ruim ou não. Mas o que interessa a subjetividade dessas pessoas? ZH — Não interessa? Schilling — Não. A quem interessa e por que interessa? ZH — E o senhor, o que representa se não a sua subjetividade? Schilling — Olha, de alguma maneira... Tu estás fazendo referência ao meu artigo? ZH — Não, me refiro ao seu papel como intelectual. Schilling — Olha, de alguma maneira, eu, eu, digamos, fui no meu artigo o intérprete dessa insatisfação que existe na nossa cidade. Não sei em outras. Mas aqui, pela repercussão que teve, eu fui intérprete involuntário disso. Então, nesse caso específico, a minha subjetividade se articulou com o mal-estar coletivo das pessoas em relação ao que se passa na nossa cidade especificamente — não estou falando da Bienal — especificamente a estatuária e a escultuária de nossa cidade, especificamente aqueles que foram citados por mim. Só isso. Então eu fui intérprete. Isso pode acontecer. Às vezes você escreve alguma coisa e provoca... ZH — Então a subjetividade de alguém pode interessar aos outros. Schilling — Pode, sim. Pode. Mas isso não é... Agora também é o seguinte: pode não provocar nada. Pode também provocar desinteresse. ZH — Mas pode provocar interesse. Schilling — Pode. Pode. ZH — Quando Rilke escreve, é a subjetividade dele que está em questão. Schilling — Isso. Tudo bem. Tem coisas que tu consegues transformar a tua subjetividade em uma grande arte. Mas isso cabe aos grandes artistas, e não a todos, né? Não são todos os poetas que colocam a sua subjetividade e conseguem a consagração. ZH — Mas o poeta tem o direito de buscar a conexão com o gosto e com o público. Schilling — Não tem dúvida. Não tem dúvida. Ele tem o direito de fazer o que quiser. A priori, todos nós temos o direito de fazermos o que quisermos. Só que eu digo: grande parte dessa subjetividade, na verdade, fracassa. Como grande parte da poesia e da novelística não se sustenta ao longo da história. ZH — Mas o tempo vai selecionando. Schilling — É. Isso mesmo. ZH — Na época de Leonardo e Michelangelo havia outros pintores. Schilling — É. Agora o grande problema... Agora aí vem esse tipo de argumento: sou obrigado, sob o ponto de partida de que eu não estou entendendo as coisas agora, a aceitar tudo que vem porque todos eles se consagrarão. ZH — Há artistas ruins. E há renascentistas ruins. Schilling — Pois é. E por que não se aceita que Porto Alegre tenha cinco ou seis monumentos ruins, feios? Qual é o problema? Por que tem de fazer uma tragédia disso? Tem que doutores escreverem, chamarem de nazista, porque tem cinco ou seis monumentos na cidade que são feios? Porque eu acho aquela casa monstro um pavor? Então pode ter sido a subjetividade daquele artista. Que, para mim, fracassou. Para mim e para muita gente. E para os 800 mil neonazistas que esta cidade abriga. ZH — Para algumas pessoas deu certo. Schilling — Pode ser. Para os 20%. ZH — Zero Hora entrevistou um sargento da Brigada que presta serviço de guarda na entrada do Comando Geral bem em frente a essa obra. Ele fica todos os dias olhando para aquilo, seis horas por dia. Ele gostou da obra e diz que as pessoas que passam por lá param, tiram fotografias, comentam e admiram... Schilling — Tudo bem. Há gosto por bizarrice. As pessoas não vão ver a mulher barbada no circo? Tem tudo, tem de tudo. A bizarrice atrai. Um corpo de um atropelado na rua junta gente para olhar. Põem velinha, põem jornal. É a bizarrice humana. Não tem nada a ver com arte. ZH — Mas a arte sempre namorou o grotesco. Schilling — Sim. E tem coisas do grotesco que são extraordinárias. Esteticamente extremamente relevantes. Não existem, de fato, assim, regras definitivas. Eu posso pintar uma megera e ter um impacto estético extraordinário. Posso pintar uma mulher belíssima e ser um fracasso estético. Mas eu posso pintar até uma cena... Cenas de batalha, por exemplo, as pessoas morrendo. Tem uma tela do Gros famosa, o Napoleão lá em cima, os soldados morrendo. É uma coisa impressionante, os soldados ali, estraçalhados pelas bombas, é uma cena horrível. Mas esteticamente impressionante. Então não é um regra assim tão estreita, que eu só tenha de pintar o belo. Não é bem assim. A coisa é bem mais complicada. Então não significa necessariamente um retorno ao realismo socialista ou coisa desse gênero. Agora, volto a te dizer: acho que enquanto existir essa posição dos Estados Unidos, não haverá alterações, isso aí vai continuar existindo. A força da tribo esotérica é poderosíssima. Ela se encontra na imprensa, na mídia, nas galerias. É formada pelos grandes bancos, pelas grandes fortunas, pelos grandes colecionadores. Só havendo um outro momento histórico, daqui a cem, 150 anos, aí talvez mude. Não sei para que lado. Como tudo muda, né? Mas no momento não há a mínima perspectiva de que possa haver alguma alteração. Quando fizermos de novo outra Bienal aqui ou a de São Paulo, vai ser a mesma coisa: a estética do vazio, mesma coisa. Porque a situação histórica não se alterou. Os Estados Unidos continuam como potência dominante. O individualismo é extremamente enfatizado pelo neoliberalismo. Essas coisas vão continuar existindo. Não vai desaparecer. Vai continuar. Não tem a mínima possibilidade de surgir um regime tirânico, que vai impor censura. Nada disso assinala no horizonte. É uma onda que começou especialmente na II Guerra Mundial e vai indo, vai se espalhando, até haver alguma reação. Não sei que tipo de reação futura. Provavelmente nem vai ter mais pintores nem escultores, porque não precisa mais. Por outro lado há de fato, sim, um certo lamento da minha parte. ZH — E uma nostalgia, não? Schilling — No seguinte sentido: o enorme acervo técnico de qualificação de pintores e escultores vai ser posto fora. Há quantos mil anos o Ocidente começou a fazer escultura? Tudo isso está se perdendo. Um sujeito escreveu para nós assim: "Olha, eu recebi encomenda de fazer cinco caixotes de madeira. Depois eu soube com surpresa que estavam ali empilhados no Cais do Porto como obra de arte". Esses ambientes artísticos estão sendo substituídos por marceneiros, por pedreiros. Não por artistas. Há uma nostalgia? Há, sim.ZERO HORA
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Comentários
Robertson Frizero -
frizero@gmail.com Denuncie este comentário 08/12/2009 09:58

Os entrevistadores nitidamente são contrários a Voltaire Schilling, e ler a entrevista na íntegra me faz pensar que o historiador não foi entrevistado, mas interrogado. No final, ficou-me a impressão de que os entrevistadores foram à casa de Schilling para se vingar, para tirar a desforra em nome de seus amigos da arte contemporânea contra o articulista que ousou falar mal da Bienal do Mercosul e de empulhações afins. A questão é saber se a população concorda com a dinheirama pública gasta ali.
Giovani Andreoli - Há momentos da entrevista onde se percebe claramente a hesitação de Schiling. Isso, ao meu ver, denota duas coisas: primeiro, que ele não estava preparado para um embate teórico neste assunto, e sim apenas expressando uma opinião muito pessoal, levando-o a assumir uma postura defensiva, por vezes confusa; segundo, que o entrevistador assumiu uma postura não de "eficiência", e sim de aberta agressão, recorrendo às vezes a argumentos (disfarçados de perguntas capiciosas) lineares, tautológicos.

Palavras-chave: Blog

Postado por Ana A. S. Cesar | 0 comentário

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1) Fariñas seguirá la huelga de hambre

By EFE

LA HABANA

http://www.elnuevoherald.com/2010/03/15/675599/farinas-seguira-la-huelga-de-hambre.html

 

2) Recordarán Damas de Blanco el séptimo aniversario de la Primavera Negra de Cuba

http://www.martinoticias.com/FullStory.aspx?ID=584D8213-03BD-4A77-B0FDD57E5C467061

 

3) RSF: gobierno de Cuba tiene arsenal jurídico particularmente represivo

http://www.martinoticias.com/FullStory.aspx?ID=3E1C7B3A-9E1A-4121-81D88E2528126FF6

 

4) Envía Fariñas mensaje de solidaridad a otro opositor en huelga de hambre

http://www.martinoticias.com/FullStory.aspx?ID=1B7A9F7C-59CD-4371-91250B17A6E2DEAC

 

5) De: Damas de Blanco A: Miguel Bose

http://www.cubalibredigital.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1523:de-damas-de-blanco-a-miguel-bose&catid=5:bomba&Itemid=21

 

6) Fariñas: "La Esencia del régimen Cubano es Criminal y Violenta"

http://lanuevacuba.com/main/201003151176/noticias/cuba-noticias/farinas-qla-esencia-del-regimen-cubano-es-criminal-y-violentaq.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=cuba

 

7) Declaración por el séptimo aniversario de la Primavera Negra de Cuba

http://orlandozapatatamayo.blogspot.com/

Este post é Domínio Público.

Postado por Juan López Linares | 0 comentário

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We may not obfuscate a person by some of its actions. If someone acts badly, it mustn’t overshadow the significance of its good actions. Similarly, positive attitudes may not affranchise anyone from criticism to all its others.
I can reliably tell I don’t know good or bad people, only good and bad behavior performed by people I know. Even so, my opinion is the result of a logic which varies according to my affairs and my level of understanding about what is at stake.


I can’t deny that huge imbalances of good and bad attitudes make me judge people; but focus on actions is believe in human complexity, and strive to analyze and communicate well is a demonstration of concern about individual and collective growth
.


I hope we success polishing our attitudes. And I take as “attitudes” choices, postures and various interferences in the world as by sabotage, by actions, by silence and by speech. Each of these movements produces chain reactions, and though we don’t control the chain as a whole, we may take responsibility for what we provoke directly.


But how to react when we are called to choose people to govern us, to assume functions, to provide services or establish a relationship?
Our subjectivity comes into play. If we understand the difference between persons and attitudes we will contribute much more when reacting to good or bad habits. But more than elect persons, it’s necessary that we constantly position ourselves in relation to what they cause.

Reclaim policies to our political leaders, propose adjustments to the work of employees, suggest and criticize provided services and show our feelings to those we relate to.

Otherwise we will always be victims of heroes and villains, that don’t actually exist.

 

Palavras-chave: actions, concepts, judgements, people

Postado por Luciana Ribeiro dos Santos | 1 comentário

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Postado por Benedito Ubiratã

O que se sugeria que nunca acontecesse, com o advento do Papa na melhor de sua fase Papa, reconhece uma surpresa para muitos Católicos e não Católicos, e a todos que se esconderam com a proteção da Igreja.

Neste artigo em que Charles J. Scicluna, promotor de justiça da Congregação Vaticana para a Doutrina da Fé, publicado pelo jornal El País. Em que Ministros de Deus, se aproveitam do Poder concedido para se esconderem num dos mais bestiais de todos os atos de crime a Inocência Humana.

O procurador reconheceu o Vaticano por pedofilia 3.000 casos em oito anos

O Vaticano lança entrevista multilingue com Charles J. Scicluna






Nome Completo
Joseph Ratzinger
Data e local do nascimento:
16-04-1927 (Marktl - Alemanha)
Nacionalidade:

Alemão
Profissão:
Pontífice
Habilitações:
Doutor em Teologia pela Universidade de Munique


Dentro da Cronologia de matérias publicadas pelo El País, se pode ver o que se refere diretamente ao atual Papa. e dismistifica a acusação que lhe referem.

Um caso de pedofilia quando o papa era o bispo de Munique

Joseph Ratzinger se mudou para a sua comunidade um padre com um histórico de abuso sexual .- Lombardi admite que o episódio existiu e que foi um erro .- O Vaticano promete dura e transparência contra a pedofilia



Abraços a todos. E talvez esta semana, eu ainda publique algumas figuras para aqueles que ainda não conseguem ler.

 

Abraços e boa semana.

Benedito Ubiratã

Palavras-chave: Charles Scliuna, El País, Joseph Ratzinger, Jurisprudência, La Domenica Avvenire, Medicina, Ministério Público

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Benedito Ubiratã | 0 comentário

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Postado por Ewout ter Haar

Redes sociais na Web são objetos interessantes de estudo, na interface entre sociologia e ciência de computação. A primeira coisa que vem à mente é estudar as propriedades estruturais: quem está ligado com quem? Veja um exemplo do crescimento do Stoa, por exemplo

Mas é claro que na realidade as ligações entre pessoas não sáo binários, sim ou não. Algumas ligações são mais fracas do que outros. Granovetter ("The Strength of Weak Ties", American Journal of Sociology, Vol. 78, Issue 6, May 1973, pp. 1360-1380.) foi um dos primeiros de conceituar ligações fracos e fortes entre pessoas (mostrando que para achar um novo emprego era importante ter conexões sociais "fracas" porque via estas conexões é possível  achar oportunidades mais diversas.)

Embaixo incorporei uma palestra interessante de Karrie Karahalios que relatou os resultados de trabalho que fez com Erich Gilbert quantificando o grau de intensidade das conexões entre pessoas no Facebook. Na apresentação e no paper é mostrado como um modelo simples, usando dados como número de palavras trocados em mensagens, distância geográfica, número de vezes que aparece em fotos, número de contatos mútuos, etc. etc. pode prever com quase 90% de precisão a intensidade da conexão (como relatado numa entrevista feito em laboratório). 

Não está no paper (que é do início de 2009),  mas fizeram algo muito mais interessante: tendo o modelo em mãos, transferiram o para Twitter e aplicaram nos contatos lá. O resultado é We Meddle, um serviço que tente agrupar os seus contatos no Twitter baseado na suposta intensidade da conexão. 

E funciona até razoavelmente bem! Primeiro, o programa agrupa os seus contatos em grupos: 

(pode fazer ajustes manuais). Mas o interessante mesmo é o cliente de Twitter que fizeram. Este cliente mostre os Tweets dos seus contatos maior ou menos baseado na intensidade da conexão: pode mostrar sobretudo Tweets das suas conexões mais próximos, por exemplo. 

É claro que é só um começo, mas achei muito interessante a ideia de um cliente Twitter (ou outra plataforma de streaming) que faz mais do que simplesmente mostrar tudo em ordem de chegada. De fato, há um monte de coisas legais que pode ser feito com as informações agora disponível da Web Social.

Fique com a apresentação, vale a pena.

Palavras-chave: conexões, web, web social

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Ewout ter Haar | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

Março 14, 2010

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Postado por Ana A. S. Cesar

 

 

Agenda
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Rubem Alves 15/03, segunda-feira, às 19h30 | Local: Palácio das Artes - Grande Teatro (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro)

O escritor Rubem Alves é o convidado para abrir a programação do Sempre Um Papo em 2010. Ele conversa com o público sobre a importância da leitura na educação e lança o livro infantil "Sobre Reis, Ratos, Urubus e Pássaros". Consagrado poeta e cronista, e com um extenso currículo que passa por ensaísta, pedagogo, teólogo e psicanalista, a expectativa do autor é lotar novamente o Grande Teatro do Palácio das Artes. A entrada é franca, mediante a doação de livros novos ou usados para o projeto Biblioteca Sempre Um Papo Ler Convivendo.

Em seu novo livro, Rubem Alves apresenta duas histórias infanto-juvenis cheias de fantasias e lições de vida. No conto "Os Reis e os Ratos", um rei que é apaixonado por queijo, faz de seu país famoso devido ao laticínio. Mas um grande problema está por vir, pois onde há queijo, há ratos. Em uma divertida tentativa para resolver esse problema, gatos, cachorros, leões e elefantes são utilizados como solução, mas acabam se tornando um problema para o país dos queijos.

No conto "Os Pássaros e os Urubus" o autor traz uma bela parábola ecumênica sobre as criações de DEUS, as diversidades e beleza dos pássaros e seus cantos, porém a raposa resolve provocar a vaidade dos urubus, o que vai gerar uma grande confusão na floresta.

Nascido em Boa Esperança, no Sul de Minas Gerais, Rubem Alves se mudou para o Rio de Janeiro em 1945. Considerado um dos intelectuais mais respeitados do país, o escritor é mestre em Teologia e lecionou durante 12 anos na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); em 1980, torna-se psicanalista. Mas foi na literatura e poesia que Alves se encontrou e, hoje, tem uma coleção invejável de obras, entre crônicas, biografia, livros de teologia, filosofia e infantis. Pela editora Planeta, além de “O Sapo que Queria ser Príncipe”, publicou “O Velho que Acordou Menino” e “Perguntaram-me se Acredito em Deus”.

O “Sempre Um Papo” é uma realização da Cemig, com o apoio cultural da Fundação Clóvis Salgado. Mais informações: (31) 3261-1501 e www.sempreumpapo.com.br.

Serviço: Sempre Um Papo com o escritor Rubem Alves 15/03/2010, segunda-feira, às 19h30 Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro) Informações para o público: www.sempreumpapo.com.br - 3261.1501

Informações para a imprensa: Coordenadora de comunicação - Jozane Faleiro - (31) 9204.6367 Jornalismo: Maisa Gontijo (31) 3261-1501 imprensa@sempreumpapo.com.br

Palavras-chave: Rubem Alves

Postado por Ana A. S. Cesar | 0 comentário

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1) Em greve de fome, dissidente cubano segue em estado grave

Da EFE

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1528393-5602,00-EM+GREVE+DE+FOME+DISSIDENTE+CUBANO+SEGUE+EM+ESTADO+GRAVE.html

2) Desde el hospital Fariñas continúa su protesta

http://www.martinoticias.com/FullStory.aspx?ID=6D8FDE9D-66DD-4AB8-B245F8BA27746E29

 

3) CUBA- IMPRESIONANTES FOTOS DEL CADAVER DE ORLANDO ZAPATA TAMAYO LLEGAN A LA LUZ

http://www.cubalibredigital.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1556:cuba-impresionantes-fotos-del-cadaver-de-orlando-zapata-tamayo-llegan-a-la-luz&catid=4:quaternaria&Itemid=21

 

4) Disidentes cubanos en campaña electoral

Fernando Ravsberg

La Habana

http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2010/03/100312_0021_cuba_disidentes_elecciones_gz.shtml

 

5) Pablo Milanés: hay que "condenar" a Castro si Fariñas muere

http://www.elnuevoherald.com/2010/03/13/674782/milanes-hay-que-condenar-a-castro.html

 

6) Fariñas sigue grave y continuará hospitalizado

Por EFE

La Habana

http://www.elnuevoherald.com/2010/03/13/674754/farinas-sigue-grave-y-continuara.html

 

7) ÓSCAR ARIAS

Los presos políticos no existen en las democracias

ÓSCAR ARIAS 13/03/2010

http://www.elpais.com/articulo/internacional/presos/politicos/existen/democracias/elpepuint/20100313elpepuint_2/Tes

 

8) Sindicalistas denuncian posición cómplice de Lula

By EFE

http://www.elnuevoherald.com/2010/03/13/674525/sindicalistas-denuncian-posicion.html

 

9) PEDRO CORZO: El calvario de las prisiones cubanas

By PEDRO CORZO

http://www.elnuevoherald.com/2010/03/13/v-fullstory/674331/pedro-corzo-el-calvario-de-las.html

 

10) Niegan a la madre certificado de defunción de Orlando Zapata

http://www.martinoticias.com/FullStory.aspx?ID=78BD91C0-23C3-465B-A0F0832D4E3E9B28

 

11) LA DICTADURA CUBANA INCREMENTÓ LA REPRESIÓN EN FEBRERO DUPLICANDO LAS DETENCIONES ARBITRARIAS DE OPOSITORES

http://www.cubalibredigital.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1550:la-dictadura-cubana-incremento-la-represion-en-febrero-duplinado-las-detenciones-arbitrarias&catid=1:principal&Itemid=21

 

12) Destitución del general Acevedo en Cuba está relacionada con abundantes pagos del nacotráfico

http://www.cubalibredigital.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1483:raul-sustituyo-otro-ministro-rogelio-acevedo&catid=4:quaternaria&Itemid=21

 

13) OMAR PERNET: Torturado 22 años en Cárceles de la Dictadura Cubana, compañero de Zapata

http://lanuevacuba.com/main/201003091130/noticias/cuba-noticias/omar-pernet-torturado-22-anos-en-carceles-de-la-dictadura-cubana-companero-de-zapata.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=cuba

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Postado por Juan López Linares | 0 comentário

Março 13, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Para fazer desenvolvimento de software é preciso usar uma plataforma. Antigamente, só tinha plataformas proprietárias, controladas por uma única entidade, como por exemplo Microsoft ou IBM. Este tipo de software roda no seu desktop (ou, no caso de computação móvel, no seu handset), usando as bibliotecas fornecidos pelo sistema operacional. 

Recentemente ficou viável fazer aplicativos "da Web". Um dos exemplos mais impressionantes, para a época, era gmail, que mostrou que aplicativos da Web podiam competir em pé de igualdade com aplicativos "nativos" do ponto de vista do usuário.

Para o usuário, o que importa é somente funcionalidade. Mas para desenvolvedores e do ponto de vista de diversidade e "generatividade" o que importa é quem controla a plataforma. Nenhuma única entidade ou organização controla a Web. Por bem ou por mal, é um conjunto de acordos entre fornecedores de navegadores, desenvolvedores Web, fornecedores de servidores Web, provedores de serviço de internet, etc. etc. 

E isto leva a uma baixa barreira de entrada de novas idéias (ninguém precisa pedir permissão para começar implementar uma nova idéia) e assim uma grande quantidade de inovação. Por outro lado, levar a própria plataforma para frente é mais difícil, justamente por não ser controlado por uma única entidade. 

Estamos numa fase de proliferação de plataformas. O domínio de Windows acabou. Também, a distinção clara entre aplicativos no desktop e aplicativos da Web na verdade não é tão claro: Adobe AIR por exemplo é um espécie de intermediário, um chamada plataforma para fazer "Rich Internet Apllications", aplicativos que rodam no desktop, mas ao mesmo tempo desenvolvedores podem usar técnologia da Web (css, javascript). 

Supostamente, para aplicativos nativos ou do tipo Adobe AIR a experiência do usuário é melhor, porque podem usar as funcionalidades mais avançadas da plataforma. Veja então a minha surpresa com a minha experiência de usuário quando instalei TweetDeck, um cliente para Twitter escrito com AIR. A instalação era tranquila (embora que sempre fico nervoso ter que dar acesso ao meu computador, aplicativos Web são muito mais seguros neste sentido). Mas olha o que acontece quando roda o programa pela primeira vez:

 Notem:

 

  1. um diálogo modal avisando que o aplicativo está fazendo uma conexão com servidor não confiável  (até olhei o certificado, porque acho que entendo de certificados e criptografia na internet, mas não tinha nenhuma informação que podia me ajudar tomar uma decisão racional).
  2. um diálogo de atualização da própria plataforma
  3. um tweet, solto no meio da tela
  4. um diálogo de introdução do aplicativo
  5. no fundo, mais um monte de ruído visual
Dizem que plataformas proprietários fazem interfaces de usuários melhores, mas obviamente não é verdade. Na Web, as interfaces são mais simples, mas razoavelmente bem padronizadas (e assim viram "intuitivo", por hábito). 

Não gosto de AIR. Para desenvolvedores, não acredito que vale a pena correr o risco de ficar dependendo de uma única controladora, no caso Adobe, que pode de repente tirar o tapete. Para usuários, não vale a pena se submeter aos idiosincracias de mais uma plataforma. A Web faz tudo que precisa e de forma muito melhor e segura.

Próximo episódio: porque não deveriam desenvolver para Apple. 

 

 

Palavras-chave: Adobe AIR, AIR, desenvolvimento, plataformas, software, web

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Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

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Agora nom estou mais sem teto!!!

tenhu pc, teto... so falta agora assinar tv e internet!!

longe de cas!a.. sim! mas na pascoa estou de volta!! uhu!!!

sore jya neh!

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Postado por Eduardo Hiroshi Tikazawa | 0 comentário

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