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setembro 11, 2009

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Melhor notícia entre todas aquelas relacionadas às eleições ;)

fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/chico-de-oliveira-e-lan

Chico de Oliveira é lançado (anti) candidato a reitor da USP

Ideia é discutir a democratização da universidade como um todo, incluindo eleições diretas para reitor; professor afirma à Rede Brasil Atual que reitora Suely Vilela não sabe da importância da instituição que administra

Por: João Peres

Publicado em 09/09/2009

Conhecido por suas opiniões contundentes a respeito da política brasileira, o professor Chico de Oliveira teve lançada nesta quarta-feira (9) sua (anti) candidatura a reitor da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar do apoio do Sindicato dos Professores da USP e do Diretório Central de Estudantes, o docente não tem pretensões de chegar à administração central da maior universidade brasileira. A Associação dos Docentes da USP (Adusp) tem como política não apoiar candidatos enquanto não for alterado o atual sistema.

O professor tem algumas razões. Primeiro porque já foi "vítima" da aposentadoria compulsória, que atinge os que têm mais de 70 anos no serviço público. e também porque, diz o professor, jamais concordaria em sentar-se na cadeira de reitor com a atual estrutura ostentada pela USP.

Entrevista

Chico de Oliveira

Cientista político e professor aposentado da USP

Sua candidatura, além de protesto à ausência de eleições diretas para reitor, pretende colocar em discussão a convocação de uma Estatuinte que promova uma redemocratização da universidade.

Em entrevista à Rede Brasil Atual, ele afirma que a atual reitora, Suely Vilela, não tem ideia da importância da instituição que comanda e culpa o governo paulista – liderado há uma década e meia pelo PSDB – pelo processo de “privatizar pelas bordas” o ensino universitário do estado.

O autor de “Crítica à razão dualista” afirma que o sistema universitário público brasileiro é uma façanha por estar presente em todos os estados, mas lembra que a USP tem vários aspectos de seu célebre estudo “O ornitorrinco”.

Resumido de forma simplista, o estudo de Chico de Oliveira mostra que o Brasil está na metade do caminho evolutivo, com características conflitantes entre o desenvolvimento e a mais absoluta desigualdade – daí o ornitorrinco, que não é nem mamífero, nem anfíbio.

RBA – O principal de sua candidatura é chamar atenção para as eleições diretas?

É chamar atenção para o processo de democratização mais ampla da USP. Eleição direta pode ser um elemento para isso, mas nossa intenção é abrir uma discussão sobre a universidade, que está muito relegada pela própria sociedade e se debate sozinha dentro dela. Evidentemente, as forças que têm mais poder controlam o processo.

RBA – Por que a USP não conseguiu caminhar no sentido da democratização, não só de eleições diretas para reitor, mas da estrutura como um todo?

O paradoxo é que a USP é muito poderosa. Primeiro, tem um orçamento muito importante, que talvez seja maior que o de parte dos estados brasileiros. Ela não é pouca coisa. Depois, é a principal universidade brasileira na produção de conhecimento. Isso é muito bom para os cursos que controlam a universidade. É uma grife muito poderosa e é isso que as fundações privadas estão fazendo dentro da USP: com um trabalho barato de pesquisadores, funcionários e até mesmo estudantes. Essa estrutura de poder é muito interessante para eles todos.

RBA– Que avaliação o senhor faz da gestão da reitora Suely Vilela?

Desde o princípio, é muito desastrosa. Eu participei na greve de 2007 de uma comissão de professores que quase se autonomeou. Não havia mais diálogo. A Adusp estava “escanteada” do processo e a reitora não recebia os funcionários. Então, nós nos autonomeamos e fomos ao gabinete dela. É impressionante como ela não conhece a universidade da qual é reitora. E este ano foi pior. Ela não impediu a polícia de entrar. 

Não sabe da grandiloquência da USP para o Brasil. A USP forma docentes, pesquisadores, professores para todo o país, não só para São Paulo. Há estudantes que vêm aqui com bolsa para fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado. Já nem se precisa ir ao exterior fazer um pós-doutorado. Essa é a importância que a reitora não percebe.

RBA – Quando a Polícia Militar invadiu o campus, em junho, houve rapidamente uma mobilização contra a atitude. Mas vieram as férias e aparentemente houve uma perda para a discussão. Esse é um reflexo da sociedade dentro da USP?

O refluxo é natural pelas férias, que desmobilizam mesmo. Depois, para remobilizar sem o calor da hora é muito difícil. Mesmo assim, os estudantes estão parcialmente mobilizados e os funcionários estão muito mobilizados. O movimento é menor entre os docentes.

É claro que a USP reflete muito o que se passa fora dela. Há um certo refluxo geral dos movimentos sociais do qual a universidade dificilmente escaparia.

RBA – Essa baixa mobilização docente, ainda que não seja novidade, a que se atribui?

O clássico aforismo de Kennedy: “a vitória tem muitos pais. Só a derrota que é órfã”. O que há, na verdade, é um sucesso do ponto de vista profissional. Esse sucesso do ponto de vista profissional desmobiliza para dentro da universidade. As grandes unidades da USP são unidades de êxito. A Faculdade de Medicina está entre as mais importantes do país. A Faculdade de Direito forma os advogados mais caros do Brasil. Há a Politécnica, que é uma grande escola, de pesquisa técnica muito interessante. E há as unidades menores, que são menos interessantes do ponto de vista do que se chama mercado.

Então, essas grandes unidades já não se mobilizam porque são unidades de muito êxito profissional. As unidades menores e menos prestigiadas são importantes, mas ninguém presta atenção a elas. A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) é uma espécie de matriz da universidade. Hoje ela é muito fraca do ponto de vista dos recursos que tem, do poder dentro da USP. Eu sou professor, aposentado, da unidade de Ciências Sociais. Essa unidade não tem um auditório digno do nome. Todas as salas de aulas péssimas, no geral, porque aquele prédio foi feito por alguém que não gosta nem de estudante, nem de professor nem de funcionário. É muito desigual a distribuição de poder dentro da universidade e o prestígio que a sociedade confere a cada unidade.

RBA – Se levarmos em conta o estudo do senhor “O ornitorrinco”, quais os aspectos mais evidentes dentro da USP?

Esse, por exemplo, das desigualdades dentro da universidade. Ela é muito segmentada. Você tem o Conselho Universitário, que é onde os professores têm todo o poder, e estudantes e funcionários têm uma representação apenas simbólica. Esse é um caso de ornitorrinco.

O Brasil construiu um sistema universitário público que é quase único no mundo. Você tem universidade pública do Amazonas ao Rio Grande do Sul varando todos os estados. Isso foi feito num país que saiu do escravismo e que foi o único das Américas a criar sua universidade só no século XX. Apesar desse esforço, agora queremos entregar barato essa enorme façanha. É uma façanha ter um sistema vigoroso. Queremos privatizar, e privatizar pelas bordas, de forma bastante perversa.

RBAO governo estadual, que vai completar 16 anos, tem qual papel nessa privatização?

Tem um papel muito importante – e negativo. Esse senhor governador tem uma atitude perante à universidade que é bastante negativa. Ele não cita constantemente, nem é citado constantemente, mas é professor da Unicamp. Deve fazer 30 anos que não dá uma aula, mas é professor. Foi acolhido e deram a ele esse posto. Não parece.

O senhor Paulo Renato (atual secretário de Educação de São Paulo), que foi ministro da Educação, foi reitor da Unicamp. Fernando Henrique Cardoso é formado pela USP no tempo da mítica Maria Antônia. Parece que eles odeiam a universidade onde eles estudaram. Foi onde se alçaram para a vida pública e agora parece que odeiam. Eu confesso que não entendo qual é essa birra que têm com a universidade pública. Deveriam se orgulhar dessa façanha.

A universidade é o patamar a partir do qual o país pode fazer sua independência técnica e científica. A prioridade que se dá à universidade é lastimável.

Palavras-chave: 2009, anticandidato, candidato, candidatura, chico de oliveira, eleições, eleições para reitor, entrevista, reitor, reitoria, usp

Postado por gabriel fernandes em Universidade de São Paulo - USP | 1 usuário votou. 1 voto

Comentários

  1. escreveu:

    20 TESES QUE FAZEM A USP DIFERENTE

    Atento aos debates sobre a eleição para a Reitoria da Universidade de São Paulo, usufruo do preceito constitucional da liberdade de expressão para me manifestar sobre a concepção de universidade que defendo para a USP, consubstanciada em 20 Teses abaixo relacionadas.
    Não pleiteio adesões nem consensos, pois se trata única e exclusivamente da livre manifestação do pensamento de um professor para suscitar o debate.
    1. Reorientação da finalidade institucional da USP para atender exclusivamente as demandas do setor público, seja ele brasileiro, paulista, paulistano ou estrangeiro;
    2. Vestibular para acesso ao ensino superior exclusivamente para alunos oriundos dos sistemas públicos de ensino, nacional ou estrangeiro;
    3. reestruturação da carreira docente com fim dos privilégios dos professores titulares para os cargos de direção superior das unidades e da USP como um todo;
    4. Gradual transformação de todos os cargos de professores em Regime de Dedicação Exclusiva ao ensino, à Docência e à Pesquisa;
    5. Plano de Cargos e Salários para os funcionários respeitando os critérios de tempo de serviço e titulação, com unificação da nomenclatura dos cargos;
    6. Mobilidade docente, discente e funcional em todos os campus da USP, acabando com a vinculação departamental;
    7. criação de um escritório de representação da USP na comunidade africana e outro na América Latina;
    8. mudança no Vestibular para que o ingresso seja na USP e não em um curso específico, cuja escolha deveria ser depois de pelo menos um ano de permanência na USP;
    9. recuperação do poder político da USP frente às políticas públicas, especialmente pela ocupação de espaços nos conselhos municipal, estadual e nacional de Educação, assim como nos demais conselhos setoriais;
    10. estrito enquadramento da USP aos marcos constitucionais, acabando com os abusos e distorções da Autonomia Universitária, especialmente com a Lei de Responsabilidade Fiscal, publicidade dos atos e legislação trabalhista;
    11. recuperação do patrimônio da USP alocado às fundações de apoio;
    12. incorporação das fundações à estrutura da Cultura e Extensão, com liberdade para aquelas que quiserem se tornar autonômas, porém, sem qualquer vínculo com a USP e sem utilização do nome e dos recursos humanos da USP;
    13. Plano de Cultura e Extensão integrado e orientado para o enfrentamento de problemas crônicos da socidade brasileira e paulista;
    14. criação do Centro de Formação de Professores para concentração das licenciaturas, com gestão interunidades com consequente realocação de professores e recursos físicos e humanos;
    15. reorientação do Curso de Pedagogia para formação dos especialistas em Educação, especialmente para as redes públicas de ensino;
    16. integração do Curso de Pedagogia e das licenciaturas com os sistemas estadual e municipais de ensino nos municípios sede de campus da USP;
    17. estabelecer representação proporcional dos três segmentos nos colegiados superiores da USP, especialmente no conselho Universitário;
    18. instituição da obrigação de prestação de serviços públicos por tempo determinado para alunos formados pela USP para aqueles que não tem vínculo com o Serviço Público;
    19. reorientação da pós-graduação para formação de quadros do serviço público estadual e municipais, com restrição de acesso para alunos que não tenham vínculos com os serviços públicos;
    20. gestões junto à Unicamp, Unesp e Centro Paula Souza para configuração do Sistema Estadual de Ensino Superior, estendendo a mobilidade docente, discente e funcional a todo o Estado de São Paulo.

    Saudações acadêmicas
    Prof. Roberto da Silva (FE)

    default user icon ‒ domingo, 04 outubro 2009, 15:09 -03 # Link |

  2. Felipe Pait escreveu:

    Pois é, lendo e ouvindo os candidatos poderíamos até imaginar o Chico Miraglia da Adusp ganhando e virando reitor. Todos dizem que ele é de longe o mais articulado dos candidatos, o menos enrolador, o que pensa a universidade e não as burocracias. Pode-se discordar dele, mas ele diz alguma coisa, e mostra seus argumentos. Seria muito saudável o sindicato dos professores ter que administrar a universidade: Viria um choque de realidade? Viriam os professores para o século 21? Para o Brasil?

    Não se preocupem! Percebendo o perigo da possibilidade, mesmo que remota, de ter que se mudar para o mundo real, eis que os bolchevistas lançam a anticandidatura de Chico de Oliveira, com o objetivo de dividir os eventuais votos e eliminar qualquer risco de ter um membro da associação sindical na reitoria. 

    Felipe PaitFelipe Pait ‒ quinta, 08 outubro 2009, 10:56 -03 # Link |

  3. Visitante escreveu:

    Chico Oliveria seria um nome excelente para a Universidade de São Paulo. Talvez, ele tenha mais gabarito para entender o papel de uma Universidade pública no processo de desenvolvimento de um país. Com ele na reitoria, acho que realmente temas como a democratização do ensino e a inclusão social podem ser realmente pensadas por aí. Estou fazendo pós graduação, nos sábados, e fiquei chocada ao ver que depois das 14 hs não entra ônibus na cidade universitária. Alunos e funcionários andam quilômetros para voltar às suas casas e isso, além de ser excludente, fere gravemente o direito básico de ir e vir. Se uma universidade pública - em nome da segurança - adota medidas tão antipáticas e anti-democráticas, é preciso que venha alguém com um pensamento um pouco mais humanitário e analítico para repensar qual o papel de uma Universidade pública na sociedade...

    Ana Beatriz Saraiva

    default user iconVisitante ‒ terça, 23 fevereiro 2010, 09:35 -03 # Link |

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