Stoa :: Samantha Martins :: Blog :: Halos - parte II

julho 26, 2011

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Postado por Samantha Martins

E como toda produção milionária de Hollywood, meu post sobre halos rendeu uma segunda parte. A primeira parte pode ser vista aqui.

Na primeira parte, expliquei como os halos de 46° e de 22° são formados e isso vai depender da região do cristal de gelo em que o raio solar vai incidir. Dependendo da região em que ele incidir, a refração (Lei de Snell-Descartes) vai ocorrer de maneira diferente, de podo que pode gerar dois desvios diferentes na saída do raio solar.

Em outras palavras, o cristal de gelo funciona como um prisma.

Na parte II, eu pretendo mostrar imagens dos Halos de 22° e 46°. Ao longo da semana, vou escrever outros 'capítulos', nos quais pretendo mostrar mais informações sobre este fenômeno.

 

Halo de 22°

Mais uma vez vou recorrer a imagens feitas pela minha querida colega, Taluana. É muito difícil conseguir fotografar um halo inteiramente, visto que ocupa uma grande área no céu. Por isso os convido a visitar toda a galeria de fotos, de um halo que ocorreu no dia 29/08/2008 (coincidência: mesmo Halo fotografado por Edvaldo Gomes e que foi a capa deste boletim de 2008):

O Ewout também fez uma bela imagem de um halo de 22° no Peru (direto do Flickr dele, onde você pode ver outras fotos também muito interessantes):

Essa foto possui alguns direitos reservados {x}

Halo de 46°

As imagens de Halos de 46° são mais difíceis de serem encontradas. Como eu havia comentado no post anterior, eles são mais raros, uma vez que os raios solares precisam entrar ou sair pela seção transversal do cristal de gelo (que é em formato de coluna, lápis hexagonal). A área da seção transversal é menor do que a área lateral, o que explicaria a raridade deste fenômeno.

Halos de 46° normalmente são encontrados em conjunto com halos de 22° e ocorrem quando o Sol/Lua está em uma elevação menor. Nunca registramos halos de 46° aqui na Estação Meteorológica do IAG-USP, mas halos de 22° são vistos com uma pequena frequência (assunto para outro post).

Essa imagem foi retirada daqui. Aliás, a idéia deste link é bastante interessante: trata-se de um glossário sobre meteorologia. Reparem que na imagem, temos dois anéis: um menor, no centro, que corresponde ao halo de 22° e um maior, correspondendo ao halo de 46° (que está mais tênue e aparece muito pouco na fotografia). Encontrei outra imagem:

Encontrei esta imagem nesta galeria. Repare o arco de 46° maior com relação ao de 22°. Essa foto também é muito interessante pois mostra um recurso muito utilizado por quem deseja registrar esse fenômeno: é necessário encobrir o disco solar com alguma coisa, para que os anéis fiquem bastante contrastados. Caso o disco solar não seja encoberto, o halo pode não aparecer.

Apenas relembrando aquela imagem bem didática das notas de aula do Prof. Cristopher M. Godfrey, que você pode ver aqui. Inseri essa imagem no post anterior, e ela é bem didática no sentido de que é possível ver um esquema ilustrativo da formação dos dois halos, como nas duas fotos anteriores.

 

Para finalizar, no alto de meu conhecimento em artes gráficas (cof cof cof), fiz uma imagem bobinha e sem nenhuma perspectiva (praticamente uma pintura rupestre) para ilustrar um halo de 22°, que pode analogamente nos ajudar compreender o halo de 46°.

Ou seja: o resultado da 'soma' de inúmeros cristais de gelo refratando a luz solar nos dá um halo com uma abertura x (que na minha bela obra de arte é 22°, mas poderia ser um halo de 46° também).

Bom, por enquanto é isso. Preciso dar continuidade as minhas demais atividades na Estação Meteorológica do IAG-USP. Siga no Twitter e no Facebook.

Ao longo da semana, continuarei escrevendo sobre este assunto. Obrigada pelos comentários.

 

Postado por Samantha Martins

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