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Dezembro 15, 2008

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Postado por Sady Carlos

Sady Carlos de Souza Júnior.

 

 (Introdução) Este estudo pretende reunir dados apreendidos do elemento simbólico na semiótica da cultura, no qual, a forma pictórica e dinâmica do “radial”, sobressai, na sua simples expressão, investidas nas mais diversas ações humanas. Se pelos sentidos decodificamos o fenômeno sígnico, o perceber estético nos é dado fenomenologicamente. O signo “radial” consideraríamos um arquissemema de linguagem e sua forma subjacente se define pela sua manifestação, quando se atualiza, expressando os movimentos cinéticos-culturais básicos de enunciação em processo sêmico.

(Metodologia) Aplicamos um levantamento básico de amostra no sentido de colher, quantativamente, sua participação: nós o encontramos em símbolos civis e pátrios (bandeiras, brasões, etc...), relatos da história (as várias causas de um mesmo efeito), funções matemáticas e lingüísticas (os vários elementos de um mesmo conjunto; os diversos sintagmas de um mesmo paradigma), em contextos da arte plástica (a cruz cristã; as auréolas de personagens sacras, as perspectivas), em adornos (o colar, a coroa/cocares, leques em movimento, guarda-chuvas;), na semiótica complexa de expressão fílmica (a gestualidade discursiva da aproximacao do observador ao eixo central da imagem; a gestualidade figurativa de “Moisés”em “Os Dez Mandamentos”, e cenas iniciais de “A Noviça Rebelde”, etc...), na natureza (sol, flores, aranha e sua teia, o brilho, pingo caído no chão, copa de arvores, raízes, estrela do mar, ouriço do mar, etc...), esquemas construídos (átomo, sistemas planetários, explosão, movimento da dama no jogo do Xadrez, um túnel, um catavento, um carrocel, pontos cardiais, etc...), no corpo humano (aparelho circulatório, desenho do “homem de Vitrúvio”, os cílios, os cabelos, as mãos, etc). Enfim, constatamos sua manifestação em várias instâncias.

(Resultados) Tende, o seu signo difusor, causar um direcionamento dêitico apontando como foco, primeiramente, ao próprio irradiador, que se expande ao todo. Como um ícone em movimento, encontramo-lo tanto no ponto de partida (“individuo”/origem) como no de chegada (“todo”/pontos de chegada), ao contrário de outros símbolos considerados presos a uma linha limítrofe da imagem. Podemos classificar semioticamente, um sema “radial”, como antigo e básico: sua manifestação “contínua”, atualiza a imaginação do “sem limite definido” no tempo e/ou espaço. Sua concepção encontra-se interna às coisas expandidas. Poder-se-ia, inclusive, abstraí-lo idealmente de determinadas figuras narrativas: de um cubo, um círculo, numa estrela, entretanto, sem, propriamente, enunciá-los diretamente.

(Conclusão) O aspecto a considerar de nossa atenção, quanto ao fenômeno do radial transposto a qualquer elemento em sua percepção mais básica, é que ele, desde já, admite que os modos de reconhecê-lo nos objetos na Natureza e Cultura, sob qualquer ponto de vista, se manifesta, no discurso, como signo a apreciar-se em todas as dimensões.

Palavras-chave: radial, sbpc, semiologia, semiótica

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Dezembro 01, 2008

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Postado por Sady Carlos

56ª Reunião Anual da SBPC - Cuiabá, MT

 
 Sady Carlos de Souza Junior
[O arquivo não existe]
 
INTRODUÇÃO: A importância da cinematografia brasileira cresceu nos últimos anos por sua técnica, ingerência dos novos recursos digitais, escolha de bons roteiros, e os interesses ligados a uma abordagem de recortes culturais nos quais subjazem os mesmos planos básicos ideológicos também de outras expressões contemporâneas. Em específico, Cidade de Deus, filme lançado em 2002, adaptação do romance de Paulo Lins, dirigido por Fernando Meirelles, obteve boa acolhida, inclusive internacionalmente, o que nos objetivou levantar elementos de sua estrutura profunda, além do apresentado na sintaxe linear fílmica de superfície
 
METODOLOGIA: Servimo-nos do quadrado semiótico greimasiano – base paradigmática dos atuais estudos lingüísticos, para elaborar as relações aléticas e dialéticas, entre os metatermos Ser, Parecer, Não Ser, e Não Parecer, e suas correspondências dinâmicas frente aos programas narrativos principal e secundários, instaurando diferenciais possíveis de enfoque, e oportunizando distinguir os traços de dubiedade que poderão reconduzir ao desvelamento, através desta semiose, do pensamento dominante.
 
RESULTADOS: O filme retrata a coexistência do homem entre polos opostos que se sobressaem, desde já, tanto no lexical do título, quanto no conteúdo manifesto de contextualização de sua história, por exemplo: Deus (título) versus o Homem ou a condição humana (um subúrbio do Rio de Janeiro - ‘‘Cidade de Deus’’). Alí, Violência e Morte são lugar comum da narrativa: nos envolvimentos e uso da droga, na marginalização infantil, nos grupos organizados à margem do sistema, nos significantes dos anos 60, etc. Aqui, no tema, a morte já não é mais morte e o aporte religioso é suplantado pelo fluir da vida irregular. Semioticamente, a Morte e a Vida, por sua vez, ora uma, ora outra, a todo momento, deixam de ‘Ser’, para ‘Não Ser’. O Medo ganha uma dimensão maior nas relações sociais, pois ela se reveste de um poder de Autoridade. Os personagens actantes da Autoridade, só o são, através do Medo que incutem; e assim, reciprocamente, a Violência dá grau de status. O pretenso juízo lógico e justiceiro, acima da lei, instaura o poder paralelo, visto a falência da ordem e a desorganização social.
 
CONCLUSÕES: A linearidade da narrativa fílmica adverte sobre uma visão de mundo contemporânea que prima pelo efêmero das relações, nada parece prevalecer como “Ser” (metatermo), ou tem uma importância perene, conquanto, semioticamente, sobressaem elementos da relatividade, embora a forma discursiva proposta no plano do conteúdo/expressão do filme, reitera alguns valores do sistema. Os elementos aglutinadores desta película são parte de um universo de discurso, que se impõe sobre a sociedade como produto de um contexto, que requer dele, uma crítica ao lugar que ocupamos, e ao discurso que realizamos. Um traço marcante da montagem do filme, além da história pretender ensejar a aparência do real (conflituando o Ser/Parecer) do cotidiano, é que ele traz, no substrato de cada performance, uma mescla contrastiva com o frágil e ingênuo da gestualidade humana.
 
 
 
 
 
 

Palavras-chave: análise de discurso, CIDADE DE DEUS, filme, sbpc, Semiótica

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Novembro 21, 2008

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Postado por Sady Carlos
57ª Reunião Anual da SBPC - Fortaleza
 
 
                                            [O arquivo não existe]
 
INTRODUÇÃO:
Objetivamos aplicar a metodologia da transferência do discurso freudiano numa análise semiótica do discurso do programa narrativo da estátua “Moisés”, de Michelangelo. A Disciplina MICHELANGELO, PINTOR, ESCULTOR E ARQUITETO, ministrada pelo Prof. Dr. Luciano Migliaccio, na Pós-Graduação da FAUUSP, no primeiro semestre de 2004 sucitou alguns apontamentos e instigações que aproveitamos reconduzi-la a uma sucinta análise semiótica de modo a despertar sob a isotópica freudiana uma outra faceta das relações metalingüísticas da significação do objeto, mais precisamente, da projeção e/ou transferência que o objeto valor refletiria na imagem do próprio sujeito enunciador.
 
METODOLOGIA:
Um novo investimento semântico, de conteúdo analítico, no desenvolvimento do discurso extralingüístico, possibilitou ratificar hipóteses subjacentes da motivação do autor da estátua através do tema que a fez insurgir, ou seja, indagou-se o momento histórico de Moisés a qual Michelangelo se reportara, as relações entre a idéia da concepção da estátua e a percepção mítica greco-romana; a relação que faz Freud entre Michelangelo e a sua concepção, bem como a transferência que recupera Freud como debreagem judaizante para compreendê-lo no enfoque proposto da projeção do sujeito. Levantamos a hipótese de que a projeção do escultor sobre sua obra estatiza o momento supremo em que, surpreso, frente ao objeto “invisível” ao qual se depara (o bezerro de ouro), se reproduza em si mesmo; ex.: os chifres de Moisés. Portanto, inferimos a metodologia dedutiva (do geral para o particular), para a concepção hipotética, semiológica, corroborada nas atualizações narrativo-discursivas do objeto. Assim, levantamos pontos referenciais ao movimento, à gestualidade, a interpretação estética/funcional do uso como símbolo (religioso/mitológico, no sentido de adicionar-lhe a caracterização do fauno).
 
RESULTADOS:
Pudemos atualizar alguns pontos importantes na tensão dialética entre os contrários dos metatermos no quadrado semiótico de Greimas: Ser e Não Ser, Parecer e Não Parecer, ao ressaltar as variáveis dinâmicas de Moisés, em Michelangelo, e através de Freud, ex: 1) o movimento da escultura como impulso à ação em Michelangelo, versus, o contraditório - o instante de recuo, que preconiza Freud, ao estado reprimido; 2) há a intensão de quebrar o bezerro de ouro – ação; e a introversão da frustração - posterior, de haver quebrado as tábuas – contenção; 3) a dicotomia entre o referente invisível (bezerro de ouro) versus o referente visível (estátua de mármore). O referente semiótico invisível é dado pelo gesto do olhar que imprimiria Moisés ao bezerro de ouro, e o signo visível é dado pelo observador, o nosso olhar, ao próprio objeto construído. O Ser/Moisés refunde-se no Não Ser/Bezerro, como fusão do objeto observado no próprio sujeito, ou seja, os chifres do bezerro aparecem em Moisés como ato transferencial inverso, 4) o personagem como resultado dinâmico deste discurso identitário com o seu anti-sujeito equivalente, aproximado pela inveja/ciúme despertadas em Moisés, tenham sentido ao divisar outro deus, a troca do espiritual, pelo deus material; 5) a identificação da estátua com um “sátiro/fauno” pela caraterização de Moisés com chifres. Neste sentido, seus dedos tocam a flauta “de Pan” entre as longas barbas onduladas que remetem a frequência do som; o retorcimento do tornozelo, a pata de um bezerro; e o panejamento nas pernas, a pelugem do fauno.
 
CONCLUSÕES:
As articulações semióticas, ao nosso ver, corroboram a possibilidade identitária psicanalítica da resolução do suposto conflito da figura do personagem representado. A cristalização em mármore de uma situação histórica a qual nos debruçamos sob o enfoque semiótico, depois de uma apreciação estético/freudiana propõe uma semiose da percepção do objeto que, dialeticamente, pode trazer outros significados a partir destas relações. Os vários elementos lingüísticos atestam que os dados significativos retirados ou produzidos pelo escultor, e reatualizados pela psicanálise, conferem a possibilidade de, através deles, reconhecermos - sempre amparados pelos conhecimentos que subjazem a motivação do observador -, indícios potenciais de novos recortes culturais, aperfeiçoando nossa visão de mundo na produção do objeto, bem como sobre sua metodologia e análise.
 
 

Palavras-chave: arte, Moisés de Michelangelo, Psicanálise, sbpc, semiótica

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Novembro 20, 2008

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Postado por Sady Carlos
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO:
Objetivamos conferir a incidência de elementos psicológicos subtraídos de uma análise semiótica de discurso gestual apresentado no filme “Falstaff – O Toque da Meia Noite”, de Orson Welles, no que concerne a um recorte psicanalítico admissível no plano do quadro semiótico greimasiano. O filme Falstaff reúne fragmentos de diversas obras de Shakespeare, tais como Ricardo III, Henrique V e As Alegres Comadres de Windsor em torno de Sir John Falstaff. Este, um  “anti-herói”, retrata a realidade como ilusão de um ideal construído através do engano e da mentira – enredo principal da comédia shakespeareana. Temos um drama em segundo plano que resgata a história de Henrique IV e V (pai e filho), personagens dicotômicos e adversos. Propomos aqui averiguar o conteúdo manifesto numa cena que consideramos antológica da obra, tenha embora a aparência de simples casualidade gestual.
 
METODOLOGIA:
A historiografia inglesa, ao longo dos registros documentais, tem explorado a biografia de Henrique V atestando duas personalidades diversas: uma antes e outra após sua coroação. Nesta contraposição encontramos os metatermos semióticos do Ser, Parecer, Não-Ser, e Não-Parecer a movimentarem-se dialéticamente na tensão de contrários e contraditórios. Um investimento semântico, de conteúdo analítico, sugere o desenvolvimento discursivo extralingüístico devido a fala parecer quase sempre inverossímil comparando-a a cada comportamento atualizado. Passamos, portanto, a inferir, como metodologia, para os fatos tematizáveis, a formalização metodológica paradigmática e dedutiva (do geral para o particular), ou seja, a partir da concepção freudiana veremos no programa narrativo do filme o significante/forma necessário para atualização semântica. Senão vejamos: em cena, o Rei ao dormir, doente, depõe a coroa real ao seu lado, no lugar da rainha ausente, mãe de Henrique V. Este gesto febril fora interpretado pelo filho, recém chegado ao reino, como sinal de morte, tomando, então, para si, a coroa - objeto de desejo. A ambição em possuir a coroa transmuda-se em remorso, ao perceber o Rei acordado a procurá-la desesperadamente, para encontrá-la esquecida em sua cabeça. A surpresa aflitiva expressada por reter a coroa antes do tempo, e a conseqüente advertência paternal, aparecerá desde já numa emancipação do ideal materno para ascender à figura masculina do poder na sua final reconciliação com o Pai moribundo. A justificação sígnica edipiniana entende aqui a morte do Pai como requisito de acesso ao poder/falo, frente ao outro.
 
RESULTADOS:
Constatamos diferentes pontos de referências aplicativas ambigüas no discurso - sempre articuladas ao Ser inconstante. O gesto de retirar a coroa da almofada (lugar da Mãe) à direita de seu Pai enseja-nos uma oportunidade sígnica não desprezível, frente ao conjunto de entornos semióticos nos quais se reveste o caso, a ponto deste momento, onde cruzariam actantes contrários do programa narrativo, poder ser considerado o climax da história e onde se resolveriam as questões da ambigüidade inexpugnável das questões da afetividade. Desse modo, por exemplo, percebemos pontos inerentes às duas personalidades adversas em Henrique V: no tempo - diacronicamente (antes e depois da coroação)  e as adversidades psíquicas em relação ao seu Pai/Mãe - sincronicamente, que estão representados pelo comportamento dicotômico vacilante entre a justificativa de uma “anormalidade moral” - pela dor da ausência da mãe, e sua rivalidade intransigente ao pai - pela oposição a um caráter excessivamente dominador.
 
CONCLUSÕES:
As articulações semióticas corroboram a possibilidade identitária psicanalítica na resolução do suposto conflito edipiniano da figura de “Henrique V”. A atuação de um nobre Rei que na juventude comportava-se diversamente da “boa moral” (freqüentava tabernas, bordéis, convivia com salteadores e falsários), passou a se impor à história como detentor moral de um dos maiores líderes ingleses, contrariamente ao que temia seu Pai. Através dos meta-termos semióticos deônticos do Ser, apresentados no universo deste discurso dramatúrgico, foi-nos possível restaurar a mobilidade do conceito explicativo do homem, aparentemente ambíguo, nesta trajetória narrativa da gestualidade.
 
 
 
 

Palavras-chave: análise de discurso, gestualidade, psicanálise, sbpc, semiótica

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Postado por Sady Carlos
59ª Reunião Anual da SBPC

INTRODUÇÃO:
O romance "O Estrangeiro" de Alberto Camus (escritor contemporâneo francês) narra a história de um personagem – Mersault, que recebe a notícia da morte de sua mãe ocorrida em outra cidade. Ao se deslocar ao féretro, é insensível diante do corpo inerte, mas termina por relacionar-se com outra mulher, e mais tarde, ao retornar ao seu lugar mata um homem no caminho. É preso, julgado e condenado. Esta rápida exposição do romance guarda certa correspondência narratológica identificada com a tragédia clássica de Sófocles "Édipo Rei", já que o personagem Édipo, por sua vez também mata Laio, um viajante no caminho (que descobre ser seu pai) e depois se enamora e casa com Jocasta, que seria sua mãe. Nosso estudo aqui  tem por objetivo central estabelecer subsídios convincentes que corroborem esta relação auferida da correspondência semiótica do discurso comparado.

METODOLOGIA:

A princípio apresentamos a possibilidade de uma argumentação semântica contrastiva a fim de qualificar os dois programas narrativos em Camus e Sófocles. O uso do quadrado semiótico greimasiano esquematiza a apreensão significativa de elementos-chaves através do investimento sêmico de cada situação em meta-termos lógicos articulados entre si. O direcionamento indutivo e o dedutivo dos fatos, cada um ao seu tempo corroboraria na conclusão a que chegam determinados actantes da estruturação do sentido estático de cada ator, e dinâmico, no processo da cadeia interpretativa. No enfoque semiótico em que nos deparamos com o estudo dos signos, bifurcados em significante e significado, consideramos a existência de significantes com identidades circunscritas às duas possíveis leituras dos programas narrativos. Esta identificação justifica a metodologia indutivista, pois que a partir da constatação particular de alguns actantes locais do discurso, poderemos extrapolá-los a equivalentes generalizadores. Há que se lembrar que o método dedutivo, frente ao dado comparado, evidencia o fortalecimento da amostra colhida no discurso e instaura a possibilidade de explorarmos o jogo inclusive na interpretação psicanalítica freudiana, enquanto objeto da aproximação subliminar dos elementos psíquicos formadores do direcionamento objetal, como apropriação literária.



RESULTADOS:
O Mersault de Camus instaura o processo de busca a partir de uma insatisfação inicial que recai no signo da "morte" - de sua mãe. Desta insatisfação soergue um sinal da pulsão, da liberdade, da existência. Tal como a esfinge (em Édipo) ao ser demovida do seu papel inquiridor e guardiã de segredos (impossibilitando a passagem de qualquer transeunte), ela, destituída, faculta o prosseguimento, em Édipo, do caminhar, do descobrir. Isto acontece tanto na expressão como no conteúdo: vide o fato de Édipo desvelar da Esfinge um enigma sob a forma do caminhar humano (4 pernas quando criança, com 2 pernas, quando adulto, e com 3, quando velho). No transcorrer da narrativa observamos que, em Camus, existe dissociação no plano da expressão quando o personagem Mersault demonstra insensibilidade por sua mãe, e por outro lado expõe um relacionamento amoroso simultâneo, inesperado; já em Sófocles a contração marital de Édipo com Jocasta, esta se revelaria sua mãe quando simultaneamente era mulher. Distinguimos a inversão no plano da expressão também quando o personagem Mersault de Camus assassina um homem que atravessa-lhe o seu caminho, mas ao contrário do desvio dos pés (embaixo) ao não lhe dar passagem, é o sol (acima) o grande interventor que contribui para a deflagração do ato homicida. Outrossim, a narrativa linear de Sófocles se inverte em Camus: o confronto se dá posterior ao encontro com a mãe.

CONCLUSÕES:

O discurso de Camus deteve seu discurso reflexivo dos acontecimentos posteriores à morte da Esfinge edipiniana. Se diante do "desconhecido" Édipo é vencedor ao rivalizar com a Esfinge, torna-se vencido, quando do encontro com o jogo de um destino indecifrável. Em Camus isto teria o valor de enigma. Portanto, no quadro semiótico, o enigma da Esfinge estaria implicado no discurso do falso - Parece mas não É, porque, posteriormente, o desenvolvimento da narrativa suporá o percurso do segredo - É mas não Parece, que lhe valerá como o enigma desconhecido da vida. Esta comparação narrativa com Jocasta (amor/mãe/mulher) e Laio (ódio/pai/homem) nasce a distorção da estrutura profunda que não aparece como enigma na superfície (charada da Esfinge), que traz a simbologia do Ser livre, mas que em Sófocles - estaria situado, tragicamente. O "Estrangeiro" guarda uma relação estreita com a Esfinge que alimenta, que instiga a também relação Vida/Morte como tensão dialética que compartilha do desvelamento da própria condição humana. Seu texto começa com a morte e com a morte termina. O texto "Estrangeiro" é comparável ao "O Mito de Sísifo", um ensaio de Camus sobre o absurdo. Constata-se, deste modo, da preferência da apreensão, pelo autor, de materiais da antigüidade clássica grega, ensejando que as observações ora desenvolvidas neste arrazoado comparativo corrobore as ligações semióticas dos elementos contrastivos desta análise entre Édipo e Mersault. Em ambas as literaturas o processo narrativo coincide o ato volitivo do ser humano que se confunde na justificativa de sua existência, da deflagração de seus atos, sucumbindo diante de uma fatalidade do qual não pode se ausentar.





Palavras-chave:  Semiótica, Camus, Sófocles

Palavras-chave: análise de discurso, Camus, sbpc, semiótica, Sófocles

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