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Março 2010

Março 29, 2010

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Postado por Sady Carlos

 

 

Quando se procede a uma análise científica de algo, de qualquer coisa, esta análise está irremediavelmente ligada a uma área epistêmica com estudo de objeto próprio, ainda mais se há uma metodologia a ser usada para captação dos resultados. Os estudos da hipótese científica da reencarnação estão se acelerando nos meios da hipnologia, até hoje negada como procedimento, ou recurso satisfatório de resolução dos problemas psíquicos. Mas a reencarnação está sendo objeto de análise científica da psicologia? Poderíamos até concordar com isso, porque os estudos estão cada vez mais nos certificando dessa veracidade através de um afunilamento de resultados propensos a confirmá-los. Mais do que procurar a confirmação da existência concreta da vida após a morte, este uso está se fortalecendo como terapia dos problemas individuais que são sanados através de “lembranças” de uma realidade que os causou, sem importar se esta realidade for uma existência “fictícia” na mente. Esta relação da realidade com a ficção é o que mais tenta a ordem estabelecida pelos estudos ortodoxos ou “oficiais”. Não poderá ser fictício algo que pode ser constatado fisica ou historicamente. Se levarmos em conta as teorias que se debruçam nas histórias das percepções extra-cerebrais, então somos seres estranhos a nós mesmos, com capacidades de atender às coisas que não nos dizem respeito, às coisas sem propósitos ou objetivos, à gratuidade, à negação do próprio comportamento ético, e contra a razão de que alguma coisa possua algum sentido próprio. Neste sentido, os resultados obtidos pela regressão extra-cerebral para explicação da reencarnação deveriam ser logicamente estudados, pois no mínimo temos estes resultados e não poderíamos negá-los. A descrença na reencarnação confirmaria um despropósito da própria existência, que se ilude a si mesma sem motivo, porque o homem apenas acredita nos resultados como produto dele mesmo. Qualquer ação inteligente fora da margem de sua ação é rejeitada. E a imortalidade da alma e seu renascimento não são produtos do homem. Do contrário, a reencarnação seria a melhor hipótese de justificação das coisas e como elas se dão. Não há ainda uma ciência com este objeto de pesquisa. O que temos são hipnotizadores que fazem da hipnose o método inconsciente para encontrar os pontos elementares do tratamento psíquico. E para ser hipnotizador não é necessário ter curso de psicologia. Claro, o conteúdo da psicologia facilita o manejo desta tecnologia de diagnóstico. No entanto temos visto muitos hipnotizadores excelentes sem necessariamente terem tido curso de nível superior em Psicologia. Afinal de contas também para ser um psicanalista não é necessário um curso de graduação de nível superior. A cura através de uma sessão de hipnose não se dá devido ao nível de inteligência ou tática especial. Da mesma forma que um curandeiro indígena, aborígene ... pode fazer sua cura através de uma sugestão bem conduzida, e por outro lado, um psicólogo pode não ter os resultados que esperava através de sua prática científica - metodologicamente corroborada.

A quem podemos conferir como dono desta técnica de tamanho empreendimento psíquico? A maioria dos pesquisadores que estudam e tratam desta terapia são os que professam a doutrina espírita, portanto são aqueles que desde já acreditam no processo reencarnatório como possível explicação da origem do distúrbio ou motivação de um fato. Vimos assim a aparente exclusividade da busca do eu, da explicação da personalidade, da catarse fenomênica, da cura do sofrimento espiritual, etc, nas mãos dos defensores desta filosofia, e especialistas do comportamento intuitivo, numa ética espiritista, e também da hipnologia.

Há, contudo, manifestações importantes de psicólogos (e psiquiatras) aderindo a este novo recurso terapêutico surgido no século passado. Por outro lado, sabemos que o controle do procedimento de alcançar o fenômeno hipnótico foge das mãos dos ortodoxos terapeutas espíritas e psicólogos que reforçam em apresentar problemas a quem mais puder usar do recurso, monopolizando o dado hipnoterápico - como se o inconsciente das pessoas não fossem delas mesmas, mas de uma teoria terapêutica. Vimos que eles têm a urgência de salvaguardar para si a possibilidade única de recuperar as mais diversas patologias da mente nas relações humanas - como se elas não mais se recuperassem sozinhas à base de uma orientação. Ou seja, o fenômeno da regressão hipnótica induzida não deveria ser feita por ninguém que não fosse graduado nas ciências psíquicas! Não podemos rebater a importância desta nota como tese. Porém o elemento crucial aqui parece confinar-se mais ao diploma de papel do que a prática do fenômeno alcançado.

O recurso da hipnoterapia de modo algum está reservado apenas à psicólogos e psiquiatras. E o fato de não se fundamentar a reencarnação nestas ciências não se pode, simplesmente por isso, concluir a inexistência da reencarnação ou a ineficácia da prática. Além de que precisamos separar o fenômeno prático num consultório das teorias desenvolvidas sobre ele.

Também não se pode deter ou impedir que se use de tal tratamento – que no fundo é mais espiritual (portanto religioso) do que psíquico, aqueles que não estiverem capacitado a ele. O que é estar capacitado na sugestão? Quem não consegue fazer uso da hipnose desde já será incapacitado. Não há charlatanismo quando se obtém resultados dos procedimentos ou quando se constate um resultado suficiente

Palavras-chave: comprovação científica, hipnose, psicologia, reencarnação, regresão de memória, Terapia de vidas passadas

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