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Dezembro 2008

Dezembro 01, 2008

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Postado por Sady Carlos

56ª Reunião Anual da SBPC - Cuiabá, MT

 
 Sady Carlos de Souza Junior
[O arquivo não existe]
 
INTRODUÇÃO: A importância da cinematografia brasileira cresceu nos últimos anos por sua técnica, ingerência dos novos recursos digitais, escolha de bons roteiros, e os interesses ligados a uma abordagem de recortes culturais nos quais subjazem os mesmos planos básicos ideológicos também de outras expressões contemporâneas. Em específico, Cidade de Deus, filme lançado em 2002, adaptação do romance de Paulo Lins, dirigido por Fernando Meirelles, obteve boa acolhida, inclusive internacionalmente, o que nos objetivou levantar elementos de sua estrutura profunda, além do apresentado na sintaxe linear fílmica de superfície
 
METODOLOGIA: Servimo-nos do quadrado semiótico greimasiano – base paradigmática dos atuais estudos lingüísticos, para elaborar as relações aléticas e dialéticas, entre os metatermos Ser, Parecer, Não Ser, e Não Parecer, e suas correspondências dinâmicas frente aos programas narrativos principal e secundários, instaurando diferenciais possíveis de enfoque, e oportunizando distinguir os traços de dubiedade que poderão reconduzir ao desvelamento, através desta semiose, do pensamento dominante.
 
RESULTADOS: O filme retrata a coexistência do homem entre polos opostos que se sobressaem, desde já, tanto no lexical do título, quanto no conteúdo manifesto de contextualização de sua história, por exemplo: Deus (título) versus o Homem ou a condição humana (um subúrbio do Rio de Janeiro - ‘‘Cidade de Deus’’). Alí, Violência e Morte são lugar comum da narrativa: nos envolvimentos e uso da droga, na marginalização infantil, nos grupos organizados à margem do sistema, nos significantes dos anos 60, etc. Aqui, no tema, a morte já não é mais morte e o aporte religioso é suplantado pelo fluir da vida irregular. Semioticamente, a Morte e a Vida, por sua vez, ora uma, ora outra, a todo momento, deixam de ‘Ser’, para ‘Não Ser’. O Medo ganha uma dimensão maior nas relações sociais, pois ela se reveste de um poder de Autoridade. Os personagens actantes da Autoridade, só o são, através do Medo que incutem; e assim, reciprocamente, a Violência dá grau de status. O pretenso juízo lógico e justiceiro, acima da lei, instaura o poder paralelo, visto a falência da ordem e a desorganização social.
 
CONCLUSÕES: A linearidade da narrativa fílmica adverte sobre uma visão de mundo contemporânea que prima pelo efêmero das relações, nada parece prevalecer como “Ser” (metatermo), ou tem uma importância perene, conquanto, semioticamente, sobressaem elementos da relatividade, embora a forma discursiva proposta no plano do conteúdo/expressão do filme, reitera alguns valores do sistema. Os elementos aglutinadores desta película são parte de um universo de discurso, que se impõe sobre a sociedade como produto de um contexto, que requer dele, uma crítica ao lugar que ocupamos, e ao discurso que realizamos. Um traço marcante da montagem do filme, além da história pretender ensejar a aparência do real (conflituando o Ser/Parecer) do cotidiano, é que ele traz, no substrato de cada performance, uma mescla contrastiva com o frágil e ingênuo da gestualidade humana.
 
 
 
 
 
 

Palavras-chave: análise de discurso, CIDADE DE DEUS, filme, sbpc, Semiótica

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Dezembro 15, 2008

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Postado por Sady Carlos

Sady Carlos de Souza Júnior.

 

 (Introdução) Este estudo pretende reunir dados apreendidos do elemento simbólico na semiótica da cultura, no qual, a forma pictórica e dinâmica do “radial”, sobressai, na sua simples expressão, investidas nas mais diversas ações humanas. Se pelos sentidos decodificamos o fenômeno sígnico, o perceber estético nos é dado fenomenologicamente. O signo “radial” consideraríamos um arquissemema de linguagem e sua forma subjacente se define pela sua manifestação, quando se atualiza, expressando os movimentos cinéticos-culturais básicos de enunciação em processo sêmico.

(Metodologia) Aplicamos um levantamento básico de amostra no sentido de colher, quantativamente, sua participação: nós o encontramos em símbolos civis e pátrios (bandeiras, brasões, etc...), relatos da história (as várias causas de um mesmo efeito), funções matemáticas e lingüísticas (os vários elementos de um mesmo conjunto; os diversos sintagmas de um mesmo paradigma), em contextos da arte plástica (a cruz cristã; as auréolas de personagens sacras, as perspectivas), em adornos (o colar, a coroa/cocares, leques em movimento, guarda-chuvas;), na semiótica complexa de expressão fílmica (a gestualidade discursiva da aproximacao do observador ao eixo central da imagem; a gestualidade figurativa de “Moisés”em “Os Dez Mandamentos”, e cenas iniciais de “A Noviça Rebelde”, etc...), na natureza (sol, flores, aranha e sua teia, o brilho, pingo caído no chão, copa de arvores, raízes, estrela do mar, ouriço do mar, etc...), esquemas construídos (átomo, sistemas planetários, explosão, movimento da dama no jogo do Xadrez, um túnel, um catavento, um carrocel, pontos cardiais, etc...), no corpo humano (aparelho circulatório, desenho do “homem de Vitrúvio”, os cílios, os cabelos, as mãos, etc). Enfim, constatamos sua manifestação em várias instâncias.

(Resultados) Tende, o seu signo difusor, causar um direcionamento dêitico apontando como foco, primeiramente, ao próprio irradiador, que se expande ao todo. Como um ícone em movimento, encontramo-lo tanto no ponto de partida (“individuo”/origem) como no de chegada (“todo”/pontos de chegada), ao contrário de outros símbolos considerados presos a uma linha limítrofe da imagem. Podemos classificar semioticamente, um sema “radial”, como antigo e básico: sua manifestação “contínua”, atualiza a imaginação do “sem limite definido” no tempo e/ou espaço. Sua concepção encontra-se interna às coisas expandidas. Poder-se-ia, inclusive, abstraí-lo idealmente de determinadas figuras narrativas: de um cubo, um círculo, numa estrela, entretanto, sem, propriamente, enunciá-los diretamente.

(Conclusão) O aspecto a considerar de nossa atenção, quanto ao fenômeno do radial transposto a qualquer elemento em sua percepção mais básica, é que ele, desde já, admite que os modos de reconhecê-lo nos objetos na Natureza e Cultura, sob qualquer ponto de vista, se manifesta, no discurso, como signo a apreciar-se em todas as dimensões.

Palavras-chave: radial, sbpc, semiologia, semiótica

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