Stoa :: Sady Carlos :: Blog :: ANÁLISE SEMIÓTICA SOBRE O FILME “LIXO EXTRAORDINÁRIO” E UMA CONTRIBUIÇÃO PEDAGÓGICA

julho 19, 2011

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Postado por Sady Carlos

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(INTRODUÇÃO) Apresentamos, através da análise semiótica, o uso de elementos da cinematografia ou vídeo para aproximar a interdisciplinaridade entre as várias disciplinas do Ensino Médio, no sentido de que este aproveitamento idealizado possa absorver o máximo possível de situações pedagógicas e reflexões críticas a partir de um mesmo referencial/recurso. O filme “Lixo Extraordinário” é um documentário anglo-brasileiro recente, produzido em 2009, dirigido por Lucy Walker, sobre o artista plástico brasileiro chamado Vik Muniz, e os vários populares catadores de lixo reciclável que trabalharam na confecção das imagens elaboradas pelo artista. Alguns deles foram Fabio Ghivelder, Isis Rodrigues Garros, José Carlos da Silva Baia Lopes (Zumbi), entre outros.  
Traremos aqui, através de uma ligeira condução semiótico-comparativa, alguns apontamentos deste filme que reconduzirão a um modelo de modo a despertar novas facetas das relações metalingüísticas da significação do objeto, enquanto crítica de uma produção cinematográfica levada à Escola para efeito de economia e interação acadêmica do colegiado docente de uma mesma turma ou classe.

 

 

(METODOLOGIA) O agendamento do filme na Escola ao coletivo de professores e alunos seria umas das providencia a se tomar inicialmente. A primeira apreciação seria naturalmente em sua “estrutura de superfície”, ou seja, na narrativa discursiva linear de como procederam os acontecimentos. No conteúdo mais implícito, depois, apareceriam outros elementos de congruências significativas para contextualização. Tentamos dissociar relações interdisciplinares de modo que cada docente pudesse enfocar em sala de aula uma visão respectiva a sua área pedagógica aproveitando o máximo das situações arroladas com inteligência e reflexão para condução de um debate profícuo. Para tanto, fizemos um levantamento de alguns significantes culturais comparativos para que através dessa amostra pudéssemos estabelecer um discurso homogêneo das coordenadas coexistentes às várias isotopias.

 

(RESULTADOS) Vejamos alguns tópicos auferidos para as diversas disciplinas: 1) Localização do aterro sanitário do Jd. Gramacho – disciplina de Geografia; 2) O aterro sanitário como alvo da reciclagem, e suas propriedades materiais – Química; 3) A reciclagem como proteção da natureza ou meio ambiente – Biologia; 4) A quantidade do lixo do particular e o lixo coletivo, a estatística do mal uso que a população faz do que consome. – Matemática; 5) As relações de trabalho dos recicladores, o sofrimento a que se submetem: roubos, doenças, etc - Sociologia; 6)  Como se constroem as relações familiares e de amizade – Psicologia; 7) O artista plástico fala o português e o inglês fluentemente. A descoberta da outra língua e cultura – Inglês; 8) O pintor francês Jacques-Louis David na História da Arte e o uso técnico de materiais de lixo na formação de imagens – Ed. Artística; 9) A metalinguagem e a intertextualidade das obras de arte (ex: “A Morte de Marat", 1793, de David) reatualizadas – Língua Portuguesa; 10) A obra pictórica principal argumenta sobre um revolucionário da Rev. Francesa – Marat, e outras citações – História; 11) A consciência do homem a partir do local que vive tentando ser universal, os filósofos citados no filme e a familiarização dos personagens aos livros/conhecimento – disciplina de Filosofia. Estes são alguns tópicos.

 

(CONCLUSÃO) Expusemos uma semiose da percepção do objeto que nos trouxesse a significatividade destas relações. O homem reciclador guarda similitudes com o lixo. Ele é o lixo! O lixo que, primeiramente, é algo desprezível na sociedade, porquanto descartável, depois se torna desejável e até arte. Vimos, por alguns momentos, o homem tornar-se objeto sagrado da contemplação. O filme explora um conflito interpretativo da definição do que é “belo” na arte. A obra “uma farmácia”, de Hirst, com “drogas”, exposta no Museu inglês frente à obra “saco de lixo” em bronze de Turk, ou a obra de Basquiat, se identificam à natureza técnica da tela de Vik Muniz ao resgatar elementos abjetos como representação estética, ou re-elaboração do que normalmente se expurga. Em Psicanálise as fezes infantis – produto pessoal da fase anal, significam criatividade, e retê-las, ou reciclar/acumular o lixo, pode significar a conservação da vida ou medo de perdê-la. Expurgar o lixo seria, contraditoriamente, o banheira higiênica que o quadro de David, aponta. Jean Marat morrendo ao banhar-se, semioticamente, seria o homem, em água batismal, se livrando do mundo dos dejetos humanos, em busca do verdadeiro paraíso perdido, ou mesmo, da felicidade.

 

 

Palavras-chave: Análise Semiótica, Lixo Extraordinário, pedagogia crítica

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos

Comentários

  1. BADI escreveu:

    Interessantissimo o desenvolvimento dessa proposta. Estou passando adiante para alguns colegas, que poderão colocar em pratica.

    Parabens

    BADIBADI ‒ terça, 02 agosto 2011, 22:05 BRT # Link |

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