Como alguém disse, se ela não conseguiu um artigo na Cell, conseguiu um hit no YouTube, são mais de 3 milhões de pessoas que viram!
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How people in science see each other (created by @biomatushiq)
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Recomendo, o livro e o evento!
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1. Ele só tem uma publicação;
2. Esta publicação não foi escrita em inglês, e sim em hebraico;
3. A referida publicação não contém referências bibliográficas;
4. Não tem publicações em revistas indexadas, ou com comissão editorial, ou ainda com pareceristas;
5. Há quem duvide que sua publicação tenha sido escrita por ele mesmo. Em um exame rápido, nota-se a mão de, pelo menos, 11 colaboradores;
6. Talvez tenha criado o mundo. Mas o que tem feito, ou publicado, desde então?
7. Dedicou pouco tempo ao trabalho (apenas 6 dias seguidos);
8. Poucos colaboradores Seus são conhecidos;
9. A comunidade científica tem muita dificuldade em reproduzir Seus resultados;
10. Seu principal colaborador caiu em desgraça ao desejar iniciar uma linha de pesquisa própria;
11. Nunca pediu autorização aos Comitês de Ética para trabalhar com seres humanos;
12. Quando os Seus resultados não foram satisfatórios, afogou a população;
13. Se alguém não se comporta como havia predito, elimina-o da amostra;
14. Dá poucas aulas e o aluno, para ser aprovado, tem que ler apenas o Seu livro, caracterizando endogenia de idéias;
15. Segundo parece, Seu filho é que ministra Suas aulas;
16. Atua com nepotismo, fazendo com que tratem Seu Filho como se fora Ele mesmo;
17. Ainda que Seu programa básico de curso tenha apenas dez pontos, a maior parte dos Seus alunos é reprovada;
18. Além das Suas horas de orientação serem pouco freqüentes, atende Seus alunos apenas no cume de uma montanha;
19. Expulsou os Seus dois primeiros orientandos por aprenderem muito;
20. Não teve aulas e nem fez mestrado com PhDeuses;
21. Não defendeu tese de Doutorado ou Livre Docência;
22. Não se submeteu a uma banca de doutores titulares;
23. Não fez proficiência em inglês;
24. Não existe comprovação de participação Sua em bancas examinadoras e de publicação de artigos no exterior …
Palavras-chave: Humor, vida acadêmica
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Li a declaração abaixo do cineasta Karim Ainouz no blog do Jean Claude Bernandet.
Estruturamos o projeto da Petrobrás em cima do Canclini, de questões mais teóricas sobre temporalidade, isolamento, culturas híbridas, de que maneira aquele lugar negociou com a ausência de industrialização. Essas reflexões nos ajudaram de a organizar o material filmado, elas eram mais próximas de uma certa antropologia visual do que de uma dramaturgia narrativa.
Num primeiro momento, achei estranha esse ideia de PRIMEIRO a teoria e depois o filme. De maneira geral, acho que a arte coloca questões para a teoria, numa outra abordagem, numa outra perspectiva, numa outra visão do mundo, diferente da racionalidade teórica.
É há muita obra que "se defende" por um discurso teórico que, ao fim e ao cabo, numa obra específica, resulta esteticamente nulo.
Porém, lembrei daquele clássico ensaio do Geertz (a teoria...) sobre os "blurred genres" e sua importância num certo momento da própria teorização social.
Ainda não vi Viajo porque preciso, volto porque te amo, mas quando isso ocorrer, espero que a minha desconfiança da teoria (na obra de arte) não se justifique.
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Recebi, via uma lista, o texto abaixo da filósofa Olgária Mattos. É uma reflexão interessante, sob uma perspectiva crítica, a propósito de certos aspectos que caracterizam a "cultura universitária" atual. É ao mesmo tempo um sintoma quanto à divisão que marca que o debate na e sobre a Universidade, em particular a USP.
Não queria discutir o mérito geral do texto, mas sim do detalhe que, ao criticar a UNIVESP, a autora dá a entender que toda a EAD - ou os processos educativos baseados em mediações técnicas - funda-se no fim de valores ligados à sociabilidade.
Tenho a convicção que a EAD entrou na história como a grama naquele ditado: "Quando dois elefantes brigam, quem sofre é a grama".
Em resumo, cursos sérios que se estruturam tendo uma maior carga horário fora do modelo tradicional (presencial) procuram desenvolver vínculos entre os participantes e se nota, com frequencia, a produção de uma sociabilidade bastante viva.
Ao contrário de um curso presencial onde um professor pode nunca se dirigir especificamente a um aluno, é muito difícil que isso ocorra em processos de educação virtual.
É claro, o discurso ufanista sobre as potencialidades da EAD é tolo. Ela, paradoxalmente, é mais exigente que a educação presencial, em muitos sentidos (exigência de autodisciplina, efetiva participação do estudante etc.). Sua ampla massificação apresenta muitos entraves.
Porém, chega a ser conservadora a postura de descartar toda a inovação no campo educativo. Inovação que deve ser avaliada e compreendida com rigor, mas sem preconceito.
Lembro, ao fim, que num textos de Adorno - um filósofo com o qual Olgário Mattos dialoga - que discute a educação, ele num dado momento sugere o uso da TV (há cerca de 50 anos).
Hoje, por que não utilizar também o computador e suas possibilidades multimídia?
*
O mal-estar na Universidade
O abandono da Universidade Cultural e sua substituição pela “Universidade da Excelência” ou do “Conhecimento” dizem respeito à dissolução do papel filosófico e existencial da cultura. Constrangido à pressa e ao atarefamento diário, o ócio necessário à reflexão e à pesquisa é proscrito como inatividade, os improdutivos comprometendo o princípio de rendimento geral.
Olgária Mattos
A militarização do campus universitário da USP e a solução de conflitos através da força atestam o “esquecimento da política”, substituída pela ideologia da competência, entendida segundo o modelo da gestão empresarial, com seu culto da eficiência e otimização de resultados. Também a proposta mais recente da reforma da carreira docente e do projeto da implantação da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo), respondem, cada qual à sua maneira, à “produtividade” , os acréscimos salariais dos professores subordinando- se ao número de publicações e a seu estatuto— se livro, capítulo de livro, ensaio em revistas, se estas se ajustam ao “selo de qualidade” das agências de financiamento; número de congressos; soma de palestras; orientações de teses e dissertações e, sobretudo, se estas obedecem ao prazo preconizado, tanto mais exíguos quanto mais os estudantes chegam à Universidade desprovidos de pré-requisitos à pesquisa, como um conhecimento adequado do português para fins de leitura e escrita universitária, (guardadas as exceções de praxe), bem como acesso a línguas estrangeiras. De fato, a Universidade se adapta às circunstâncias do ensino médio, e o mestrado pretende contornar as deficiências da formação no ensino médio (e fundamental também), que incidem nos anos de graduação, convertida em extensão do segundo grau.
Professores e estudantes cedem precocemente a publicações, sem que haja nelas nada de relevante, e, ao mesmo tempo, devem freqüentar cursos ou prepará-los, realizar trabalhos correspondentes, desenvolver suas teses - uma vez que a quantidade consagra pontuações para futuras bolsas de iniciação científica ou aprovação de auxílios acadêmicos. Quanto aos docentes, estes se ocupam cada vez mais com tarefas de secretaria, como preenchimento de planilhas, elaboração de relatórios, propostas de inovação em cursos não obstante ainda em vias de implantação, acompanhamento de iniciação científica, organização desses congressos, participação em atividades de iniciativa discente, preenchimento de pareceres on line de um número crescente de bolsistas, e por aí vai. No que diz respeito ao ensino à distância, ele não responde à democratização da Universidade mas a sua massificação.
O abandono da Universidade Cultural e sua substituição pela “Universidade da Excelência” ou do “Conhecimento” dizem respeito à dissolução do papel filosófico e existencial da cultura. Constrangido à pressa e ao atarefamento diário, o ócio necessário à reflexão e à pesquisa é proscrito como inatividade, os improdutivos comprometendo o princípio de rendimento geral. Este encontra-se na base da transformação do intelectual em especialista e da docência como vocação em docência como profissão. O saber técnico é o do expert que transmite conhecimentos sem experiência, cujo sentido intelectual e histórico lhe escapa. Assim como no processo produtivo a proletarização é perda dos objetos produzidos pelos produtores e perda do sentido da produção, a especialização pelo know how é proletarização do saber. Por isso o especialista moderno se comunica por fórmulas, gráficos, estatísticas e modelos matemáticos. Foucault reconhece seu primeiro representante em Oppenheimer que enunciou o projeto Mannhathan - que levou à bomba-atômica - em termos simpaticamente técnicos.
A “Universidade do Conhecimento” perverte pesquisa em produção. Quanto à educação à distância, ela não significa um apoio ao conhecimento e seu acesso a regiões distantes, mas sim o fim de toda uma civilização baseada nos valores da convivência, da sociabilidade e da felicidade do conhecimento.
Olgária Mattos é filósofa, professora titular da Universidade de São Paulo
Palavras-chave: EAD, Universidade
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Há tanto tempo que não entrava no Stoa que esquecera a senha!!!!
Lembrei.
E o post é só pra colocar um texto (do Wanderley Guilherme dos Santos) que achei nos guardados (ou perdidos?) de um back-up de computador.
Eu gosto em particular da última pergunta
Vestígios de clonagem espiritual
Autor: Wanderley Guilherme dos Santos
Artigo publicado no caderno Idéias, Jornal do Brasil, edição de 6 de novembro de 2004, pág. 5
(assunto – o ambiente intelectual na universidade )
Tenho dúvidas se mais de três ou quatro universitários, ou mesmo estudantes de pós-graduação, tenham ouvido falar de Nikos Poulantzas. Há um quarto de século não havia escrito humanista que não o mencionasse. Pois em verdade vos digo que assim como o totêmico Habermas serve hoje de senha para ingresso no círculo da anunciação, o pobre do Poulantzas não escapava de ser chamado a sacramentar toda espécie de sandice publicada em revistas e jornais, toda espécie de tolice transmitida em salas de sala de aula e em conferências. Era um neo virus, à época, e quase ninguém escapou. Vírus mutante de antigos exemplares positivistas, despejados aos montes em bares e anfiteatros. Não o li. Mas li Althusser, bastantes, antes de que “os aparelhos ideológicos do Estado” se transformassem na indulgência universal dos paraplégicos mentais. Folhear livros e artigos de autores nacionais ainda não retirados do mercado me leva a meditar sobre o que eu próprio teria escrito caso contaminado por aqueles vírus. Aliás, viruses, todos mutantes.
A lista do que não li é vergonhosa. Fosse só o pobre do Poulantzas e, acho, seria perdoável. Mas devo acrescentar, francamente, Marta Heinecker, da mesma linhagem. Passei os olhos em Roger Garaudy, admito, mas não assimilei nada – o que, talvez, me tenha preservado de algumas doidas autocríticas, particularmente depois que se converteu a não sei exatamente qual religião.
A muitos de então esses nomes não causarão incômodo. Mortos e enterrados, seus por uma vez discípulos disfarçam com tácito mutismo o pecadilho comum de juventude. Mas minha lista é um tanto longa e chega ao presente próximo. Não estudei, sequer li, Jacques Lacan, cujas primeiras páginas dos livros de que me aproximei deixaram-me absolutamente perplexo. Não faço a mais mínima idéia do que este filósofo, ou psicanalista, tentava dizer. Outro, Marcuse, não mês espantou, nem me impressionou. Sei que não foi Eros e civilização o que li, arroz de festa das notas de pé-de-página da época, mas, seja o que tenha sido, deixei de lado, sem arrependimento. Sem remissão, com ou sem arrependimento ( sem ), foi haver adiado Foucault até não ser mais necessário segui-lo em suas paranóicas buscas da microfísica do poder. Alguns poucos, descompensados, ainda o fazem. Para encerrar com os mortos, na suposição de que os vindouros estão vivos, não cheguei a tempo de Roland Barthes, estacionando na instrutiva leitura de Kate Hambúrguer, George Steiner e Vladimir Prop.
Para ser inteiramente franco, a coisa vai mais longe. Não faz muito digeri um longo ensaio de Habermas e não desejo voltar a ser testemunha de tanta autoflagelação espiritual e tortura de raciocínio. Imagino que viva em permanente estado depressivo, ou, muitas vezes a enfermidade aparece sob forma de inversão carnavalesca, usufruindo de descomunal euforia de que só ele participa. Há, entre seus seguidores nativos, quem já tenha, com efeito, atingido o estágio de pleno autismo intelectual. Bastam-se, com seus botões. E ainda bem, porque o que escrevem, interpretando o mestre, requer cada vez mais outros e especializados intérpretes, seus juniores, para traduzi-los juntos aos noviços, e assim sucessivamente.
A bem da verdade, toda a Escola de Frankfurt, de que Habermas descende, não é para principiantes. A Dialética negativa de Adorno , por exemplo , faz as vezes do Ulisses , de Joyce, adaptado para o estudo das sociedades complexas. Pela mesma razão de ignorância, estou impedido de conversar sobre Walter Benjamin. Um colega, inigualável como íntimo dos autores famosos, do passado, presente e futuro, costuma se referir a eles pelo primeiro nome: Walter, Michel, Gilberto. Disserta como se fora o testamenteiro oficialmente designado pelo espólio de cada um.
Privilégio, contestado, evidentemente, por outros hermeneutas. Recordo, mutatis mutantis, meus anos de estudante de filosofia, quando me pediam que lesse as obras de fulano e beltrano sobre Descartes, ou Locke, ou Heráclito. Raramente exigiam que lesse os próprios Descartes, Locke ou Heráclito. Era Èmile Bréhier pra cá, Martial Guérault pra lá, Crombie acolá, e, os que quiserem, ficaram nisso durante quatro anos. Qual não foi o meu espanto ao ser informado, recentemente, de uma tese de doutorado, na França, sobre o pensamento filosófico de Bréhier ? Mas qual pensamento filosófico ? A bacterial concepção brasileira de filósofo ( a ) começa a infiltrar-se na cultura francesa.
No Brasil contemporâneo chama-se de teoria social a exposição da teoria social de outros autores. Obviamente, seguida de devastadora crítica ao autor justo apresentado. E chama-se de filosofia qualquer comentário sobre o pensamento filosófico alheio. Não conheço nenhum historiador das teorias sociais que tenha proposto alguma que lhe seja própria, não obstante a expectativa, já um tanto velhusca, em relação à produção prometida, esplêndido rebento das críticas aos demais autores do mundo. Excetuando, claro, Habermas e parentes. E nunca li ou ouvi um filósofo brasileiro, mas talvez seja pela mesma razão que desconheci Poulantzas, se é que me entendem. Se não, aqui vai: é que um dia desaparecem sem deixar vestígio.
Antes de passar à crítica construtiva, deixem-me enriquecer a lista, a ser em algum momento retomada, com os dispensáveis pluralismo aguado de Norberto Bobbio e a micro-história de coisa alguma. Suavemente, o árduo trabalho de investigação e análises inovadoras vai dando lugar à frenética procura de uma quinquilharia curiosa, um pormenor sem conseqüência, cartas de amor sem inspiração ou atrativo estilístico, mais inéditas. Quando não, repetir hipóteses divulgadas há décadas, por meio de outro código de linguagem e, ora viva !, contra o autor original. Não sou especialista em história das idéias, mas creio que essa técnica é novidadeira: criticar um autor utilizando suas próprias idéias, como se não fossem do autor, mas do crítico. Fernando Henrique Cardoso é inimitável no uso da técnica em argumentação política. Pode dar uma tese, de mestrado ao menos, investigar a ousada técnica em sua obra sociológica.
Fui um tanto hiperbólico, por certo, e, construtivamente, quero deixar claro que sem os autores clássicos internacionais e nacionais, assim como sem vários dos contemporâneos, eu não estaria aqui abrindo a boca. O que sugiro aos leitores é perguntar aos textos que lêem e suas citações de grife: as referências às autoridades do momento serviram para alguma coisa ?
Palavras-chave: autores, Universidade
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Também estarei nesse lançamento, já que tenho um capítulo no volume de Projetos de Intervenção. Em suma, é um resultado do curso Gestão da Comunicação. Um lato sensu em que atuo com bastante interesse e empenho.Gosto dos projetos que são elaborados e da articulação entre o meio acadêmico e problemáticas da vida prática, que dão sentido à comunicação no mundo atual, promovidos pelo curso.
Para ver em tamanho maior, é só clicar na imagem.
Palavras-chave: Gestão da Comunicação, lançamento, Livro
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Estarei lá. Há um capítulo meu e de outra professora, sobre os Grupos de Pesquisa em Comunicação na base do CNPq.
Um trecho de resenha do livro (inserida no mesmo), do prof. Isaac Epstein:
Este livro traz o resultado do trabalho de mais de 40 pesquisadores inclusive da Espanha, destacando a rede como uma forma de metáfora da sociedade atual tendo na Internet sua expressão mais característica com a perspectiva de que "a ciência constitui um programa coletivo de busca do conhecimento, uma atividade social na qual indivíduos, grupos e indivíduos estabelecem conexões, através da troca de informações, colaboração, debates e polêmicas" (Maria Immacolata Vassallo de Lopes - autora do cap. 17).
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Grupo 1 – Identidade dos leitores de quadrinhos no século XXI / Identidades culturais juvenis do século XXI
Gabriela
Ana Beatriz
Cássio (coord.)
Nayara Prado
Michel Borges Gmeiner
André Lobo
Carolina Vasconcelos (noite – talvez não fique no grupo)
Alejandra Ayestas
Gabriel Guerra
Grupo 2 – Identidade dos estudantes intercambistas da ECA
André Gomes (coord.)
André Celotti
Larissa Landim
Ligia Ungaretti Jesus
Tamara Águas
Grupo 3 – Futebol
Daniel Henrique (coordenador)
Aline Suelen Martins Farias
Carolina Yong Lee
Soraya de Araujo Franco
Victor Faroh Brahim
Lucia Nogues Mourad
Sandra Cardoso
Grupo 4 – Identidade da mulher na propaganda televisiva brasileira no séc. XXI
Renata Scarellis (coord.)
Camilla Ramalho
Carla Birche
Bruna Bastos
Eduardo Santiago
Grupo 5 - A atuação dos meios de comunicação na consolidação da identidade cultural dos vegetarianos de São Paulo
Aline Souza
Ana Luiza Candido
Bárbara Prince
Beatriz Dinis
Daniel Argento
Júlia Tomie
Luciana Soga
Grupo 6 – Estilo e identidade na cultura de massa: o “adultescente”
Marina Constantino de Freitas
Mariana Padoan de Sá Godinho
Raquel Midori Nakasone
Bóris Fatigati da Silva
Isadora Helena Prospero
Grupo 7 – Identidade da mulher no ambiente universitário
Emiliana Pomarico Ribeiro
Otavio Nunhez da Silva
Felipe Daniel Pereira
Andressa Ferolla Cardoso
Bruna S. A. M. Vieira
Bárbara Marciano
Juliana Maximiano Fernandes
Kelly Hellen Bastos
Grupo 8 – Sexualidade contemporânea
Carolina Locci Lopez
Bruna Gallo
Natália Neves Chaves
Mariana Bolognani
Paulo Zorello
Mirella Rampazo
Grupo 9 – Identidade Cultural dos pais no século XXI
Bruno Borghi (Cord.)
Bárbara Doro Zachi
Thamara Silva Araújo
Michelle Yumi Kato
Ana Paula Gilsogamo
Grupo 10 – Identidade da criança pré-adolescente no séc. XXI
José Luiz Gomes Júnior (coord.)
André Minoru Nakasone
Leonardo Amgarten Ribeiro
Marcus Vinícius Pesavento
Rafael Lopez
Palavras-chave: comunicação social, Graduação, pesquisa
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O II Seminário Brasileiro Livro e História Editorial (ou II Seminário Lihed) é um evento acadêmico internacional que se insere no encerramento das comemorações do bicentenário da criação da Impressão Régia do Rio de Janeiro com o “Colóquio: 200 anos de livros brasileiros” e, ao mesmo tempo, na abertura do Ano da França no Brasil, com o Colóquio Internacional “Diálogo Brasil-França: Livros e Leituras, Teorias e Práticas”, com o apoio da Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines (Centre d’histoire culturelle des sociétés contemporaines), parte 4 dos “Diálogos Brasil-França: Ler, escrever e narrar, ontem e hoje”, incluído na sua programação oficial.
O evento inclui ainda o Colóquio Internacional “Arquivos, Memória Editorial e História da Vida Literária” e a Exposição “Francisco Alves, o Rei do Livro”, realizados com apoio do Programa Petrobras Cultural, no âmbito da Lei Rouanet, e da Faperj, voltado para difundir o conhecimento e a conscientização da importância da preservação da documentação editorial, para o cultivo da memória das “gentes do livro”, valorizando sua contribuição para a formação da cultura brasileira e para a história da vida literária em nosso país."Evento muito interessante - mais detalhes no site: http://www.livroehistoriaeditorial.pro.br/segundoseminario/ - e com chamada para trabalhos até o dia 30 de março.
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Howard S. Becker (in: Métodos de Pesquisa em Ciências Sociais, p. 132-133)
O relatório publicado de um estudo observacional pode ser usado, seja por membros do grupo ou por pessoas de fora, para envergonhar ou mesmo pôr em perigo a organização ou comunidade estudada, ou pelo menos seus líderes. Todo grupo preserva ficções sobre si mesmo -- elas podem talvez ser necessárias para a continuação da existência do grupo --, que o apresentam como melhor em alguns sentidos do que a pesquisa sem preconceitos revelará que é. Uma cidade pode achar que seu governo é mais amplamente representativo do que é; um hospital pode pensar que seu tratamento de pacientes tem mais êxito do que de fato têm. Um estudo de caso está fadado a revelar a discrepância entre a realidade operacional e a imagem que seus membros acreditam, e que apresentam para o resto do mundo. Quando os resultados do estudo são publicados, a discrepância fica publicamente atestada de uma maneira que os membros do grupo não podem ignorar. Seus inimigos podem fazer uso da oportunidade para envergonhá-los ou atacá-los. Os membros podem pedir que os resultados sejam retidos ou podem tentar coagir o pesquisador a suprimi-los.
O investigador consequentemente enfrenta um dilema ético. A ciência exige relatos francos e irrestritos, e as questões das quais os membros do grupo se queixam podem ser aspectos importantes do funcionamento do grupo, cuja supressão enfraqueceria o relato e o privaria de importância científica. Por outro lado, o investigador tem alguma obrigação de não causar danos àqueles que permitiram que ele o estudasse; ele pode, de fato, ter prometido a eles que não seriam prejudicados. Ao fazer a promessa, ele pode ter querido dizer meramente que não exporia nenhum indivíduo ao ridículo ou à retaliação -- a maioria dos sociológicos encara isso como um princípio ético fixo --, mas agora descobre que dele se está exigindo respeitar os mesmos escrúpulos no caso de um grupo.
A solução para o dilema depende em parte dos próprios compromissos éticos do investigador. Todavia, ele pode evitar alguma das dificuldades inerentes ao relacionamento de pesquisa, fazendo um acordo claro com aqueles que estuda antes de começar o trabalho, tomando o cuidado de alertá-los quanto a toda gama de possibilidades desagradáveis a que podem estar se expondo. Ele pode tentar também educar aqueles com maior probabilidade de se ofenderem com o relatório final, explicando a eles, à medida que o estudo prossegue, quais provavelmente serão as suas consequências e ajudando-os a encontrar uma forma viável de conviver com o estudo publicado.
* * *
Tenho interesse em compor uma bibliografia com textos que discutam aspectos éticos na investigação em ciências sociais. Textos que sejam mais ou menos como o de Becker, acima, ou de teor mais abstrato.
Em português, aparentemente haverá pouca coisa -- mas conto com a colaboração de quem passar por aqui e conhecer algo, que pode informar nos comentários, o que agradeço. Porém, em inglês, acabei de ver que outro texto, bem antigo, de Becker que discute questões como essa está on-line. Trata-se de "Whose side are we on?" (aqui). Procurando na rede por outro texto mencionado por ele ("Problems in the publications of field studies"), cheguei a uma interessante bibliografia sobre a ética na pesquisa em ciências sociais e educação (aqui).
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Recebi pelo
correio, no dia 24 último, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de graduação
em Jornalismo de Lygia Barsotti, recém formada pela Cásper Líbero, Jornalistas e historiadores: diferenças de linguagem
(Como e por que jornalistas passaram a escrever livros sobre História). Foi
um bom presente de Natal, que ganhei da autora por ter dado uma entrevista para
este trabalho. Bem escrito e editado, o TCC é uma grande reportagem que está
paginada como um livro sobre a temática exposta no título.
Ao ler,
fiquei também contente por duas outras razões principais: em primeiro lugar,
estou ao lado de historiadores e jornalistas (Carlos Guilherme Mota, Mary Del
Priore, Heródoto Barbeiro, Laurentino Gomes, entre outros) bem escolhidos para
as entrevistas por Lygia: todos tinham algo a dizer. De outro lado, de tudo que
disse na entrevista, aquilo (evidentemente muito menos) que foi aproveitado
corresponde, mesmo com a edição, de fato, a minhas opiniões. Embora haja um
único senão – talvez eu tenha parecido, no trabalho, mais crítico aos
jornalistas, em termos da questão apresentada, do que penso ser. Na verdade,
creio que há uma falta de sentido ou formação histórica de maneira geral, no
Brasil, e isso se reflete nos jornalistas. Então, ainda que eles façam, no meu
entender, menos do que poderiam para suprir essa deficiência, o problema é mais
amplo, e os afeta, enquanto indivíduos e profissionais. Se a sociedade demanda
pouco ou nada, e com baixa criticidade, a respeito de certo tipo de informação,
esta tende a ser deficiente ou escassa.
Seja como
for, a circunstância da entrevista é descrita com vivacidade e humor por Lygia
(assim como no caso de algumas dos outros entrevistados). Não pude deixar de
rir ao perceber-me retratado como uma espécie de professor Pardal. Faz parte do
gênero.
E é
justamente nesse eixo – o gênero, o elemento discursivo que, entretanto, se
engata a circunstâncias sociais bem específicas – que faço a leitura crítica do
texto e de seus argumentos principais.
Devo
notar, porém, que as observações que seguem não têm ímpeto destrutivo ou
malévolo. Creio que, nos limites de um TCC, o resultado é muito bom e
interessante. Até por isso mesmo é que pode ensejar reflexões como as que farei.
Contudo, antes disso, é útil expor a estrutura do trabalho de Lygia Barsotti,
para contextualizar a discussão.
A estrutura do trabalho
O TCC tem
uma introdução e cinco capítulos curtos, sendo que o primeiro destes (“Uma nova
História”) apresenta a idéia de que a História, a partir da perspectiva aberta
pela Escola dos Annales, passou a apresentar certa similaridade com o jornalismo.
Isso ocorreria pelo interesse no nível microssocial, por meio da construção de
enredos e por “um tratamento mais humano dispensado aos personagens” (p. 22).
No
capítulo seguinte (“Jornalistas e Historiadores: diferenças de linguagem”), a
autora identifica o que entende como preconceitos de parte a parte na relação
entre jornalistas e historiadores, e critica os historiadores por produzirem um
saber voltado sobretudo para seus pares. Isso se relaciona principalmente à
adoção de uma linguagem que seria de “leitura indigesta” pela população de
maneira geral. Nesse sentido, para “comprovar o argumento dos jornalistas” (p.
31), é feita uma comparação sobre o modo de escrita de eventos (a mudança da
corte portuguesa para o Brasil e o relato de Pero Vaz de Caminha sobre o novo
mundo) por historiadores (Oliveira Lima, Maria Odila Leite da Silva Dias e
outros) e jornalistas (Laurentino Gomes e Eduardo Bueno). Nesta parte, várias
ponderações interessantes de historiadores e jornalistas sobre o tema são
feitas, como as de Heródoto Barbeiro e Carlos Guilherme Mota, encaminhando um
questionamento a propósito dos procedimentos de pesquisa (metodologia) que
poderiam diferenciar, mais além da própria linguagem, os trabalhos de
historiadores e jornalistas.
Assim, no
terceiro capítulo, “Pesquisa e metodologia (ou ausência dela)”, esse aspecto é
explorado, porém com respeito basicamente ao confronto documental e entre
versões, quer dizer, pendendo para o lado jornalístico do tema. Há, portanto,
uma redução do papel teórico que conforma uma metodologia (inexistente, no
caso). Em outras palavras, as interpretações e a própria construção do
relato/objeto (por que ele é importante e merece ser analisado?) advém de
supostos teóricos, assumidos e explicitados com maior ou menor rigor no campo
da história. Isso passa por desnecessário nos trabalhos jornalísticos, incluindo
os de divulgação histórica
(categoria, afinal, onde se enquadra a história elaborada por jornalistas, que
interessa a autora, infelizmente não discutida). Essa é uma diferença de
“paradigma” importante, entre historiadores e jornalistas, ponto ao qual
retornarei.
Continuando
na descrição do TCC de Lygia, o quarto capítulo (“Popularização da História”) defende
o trabalho dos jornalistas em prol de uma “popularização” da história,
principalmente no caso dos livros elaborados por eles e que alcançam boas
vendagens, conforme fica implícito (o trabalho de Laurentino Gomes sobre o “1808” e os livros de Eduardo
Bueno, abordados no texto, são mesmo significativos de uma tendência como essa).
Também implícito é que há aumento nessa tentativa (feita parcialmente também
por historiadores), mas isso é algo que – como discorro adiante – é igualmente um
tanto problemático.
Por fim,
no último capítulo do texto (“No mesmo barco”) são enfatizadas as semelhanças
entre o jornalismo e a história, o que permitiria que muitos, para a autora,
acabassem “cruzando fronteiras e se infiltrando no ‘campo inimigo’” (p. 59). De
fato, o passado (assim com qualquer tempo social) pertence a todos. É ridículo
que qualquer grupo tente monopolizar o saber sobre este. Mas qual saber? Em outras
palavras, concordo com as similaridades, possíveis diálogos e
complementaridades, porém, como notam historiadores entrevistados, como Tânia
de Luca, existe uma diferença de identidade, a propósito das práticas e do
conhecimento elaborado. As preocupações e motivações do jornalista e do
historiador ao olhar passado são – como me parece natural e válido – diferentes,
em muitos aspectos, e às vezes estes pontos são fundamentais. Assim, prefiro a
metáfora da “pista de corrida”, ao invés do “barco” – ou seja, jornalistas e
historiadores percorrem muitas vezes o mesmo “espaço”, porém seu ritmo, tempo, escopo
de trabalho e perspectiva de horizonte são diferentes, pois se situam em “raias”
diversas. Estas podem estar – naqueles poucos trabalhos de efetiva fronteira,
tanto na “história imediata” quanto na mais tradicional história voltada ao
passado mais longínquo – bastante próximas. Mas isso é a exceção na prática da
produção simbólica nos dias de hoje.
Vou
iniciar minha crítica ao trabalho de Lygia a partir deste ponto, pois creio que
ele é relevante, de maneira geral, em termos das conclusões apresentadas pelo TCC
da autora.
Campos simbólicos e regimes discursivos
É
possível dizer que o TCC parte de uma premissa discutível (ou pelo menos pouco
problematizada), que seria a maior aproximação, nos tempos recentes, entre a
história e o jornalismo. Tendo a pensar (no mínimo como uma boa hipótese) que,
ao contrário, mais hoje do que em outros tempos as duas áreas estão afastadas. E
isso não é necessariamente negativo. Recupero aqui – a partir de Bourdieu – a
idéia de que os campos simbólicos tendem, conforme seu amadurecimento, à
autonomização. Assim, é coerente pensar que houve um distanciamento entre o
jornalismo e a história, enquanto práticas discursivas e regimes de compreensão
do mundo.
O
desenvolvimento de uma vida universitária fez com que, progressivamente, a
história desenvolvesse no Brasil, assim como em outros países (e, por vezes, em
diálogo com estes), um tipo de argumentação ou raciocínio específico, ligado a
certo conjunto de teorias e metodologias científicas, aceitas e reguladas pelo
grupo que produz o discurso historiográfico. Ou seja, um campo simbólico erudito
destila um conjunto de regras com respeito ao que considera válido em seus
domínios. O jornalismo, por outro lado, embora seja uma prática discursiva bastante
diversificada (com âmbitos mais sofisticados que outros), associa-se sobretudo
aos imperativos da indústria cultural, no sentido de que tem requerimentos quanto
ao sucesso comercial – ainda, como se sugeriu, que este “sucesso” tenha
diferentes dimensões. Publicar em Caros Amigos tem um peso simbólico (e uma
expectativa de público) diferente do que escrever para Caras. Escrever um livro-reportagem difere de publicar uma crônica
etc. Seja como for, embora com menos constrangimentos (ou melhor, constrangimentos
diferentes, mais difusos) do que os do campo científico, o campo jornalístico instaura
também suas regras: clareza, certa idéia de “objetividade” padrões narrativos
como o lide, o gancho etc. Regras que os partícipes desse campo compartilham, mesmo
tacitamente.
Por outro
lado, em situações menos desenvolvidas do campo cultural, os produtos e campos simbólicos
tendem a ser pouco diferenciados. Assim, uma constatação empírica do quanto o
jornalismo e a história provavelmente estiveram na prática – isto é, em termos
da produção efetiva sobre história – mais próximos, no caso do Brasil, poderia
se dar pela análise de alguma coleção duradoura (talvez “Retratos do Brasil” ou
outra similar mais voltada à história). Observando a atuação profissional e
áreas de formação dos autores, creio que talvez fosse obtida maior concretude a
respeito dessa impressão, com um número significativo de autores de livros de
história com alguma passagem pelo jornalismo profissional. Esta hipótese,
claro, é baseada numa teoria (a dos campos simbólicos, de Bourdieu), mas também
em certa produção hoje menos lida: por exemplo, o livro do cartunista (e
jornalista) Belmonte sobre os bandeirantes, a produção sobre personagens
históricos e sobre a história, particularmente de São Paulo (por vezes em
trabalhos de tom memorialístico) de jornalistas (entre outras coisas) como
Raimundo de Menezes e Jacob Penteado. Essa seria uma investigação interessante
sobre a confluência entre a história e o jornalismo no Brasil, no passado, que
– salvo engano – resta por fazer.
Mas o que
interessa notar é que o panorama atual é diverso, o desenvolvimento da
história, abrigada institucionalmente nas universidades, tornou o conhecimento
historiográfico mais complexo e especializado. É possível dizer que os
“paradigmas” – para usar, como uma analogia, a noção de Kuhn com respeito a
visões de mundo compartilhadas por determinados grupos – dos domínios da
história e do jornalismo passaram a ser mais diferentes. Disso decorrem modalidades
de apreensão do objeto a partir de perspectivas (e expectativas, inclusive
lingüísticas) próprias a cada campo. Ainda que este objeto, em seu teor
empírico, seja o mesmo: as ações humanas num passado mais ou menos próximo.
Existem
autores que conseguem, como Carlo Ginzburg – citado no trabalho, aliás – realizar
uma produção de alta qualidade do ponto de vista historiográfico, alcançando
tanto requisitos acadêmicos quanto reconhecimento público. Porém, ainda que a
Escola dos Annales e sua sucedânea História Cultural abordem temas mais
propícios para isso (práticas cotidianas, a bruxaria etc.), por vezes com uma
elaboração textual (como no caso de Ginzburg) preocupada com um leitor comum,
não consta que o sucesso público dessa história possa ser comparado, pelo menos
no Brasil, ao trabalho dos jornalistas que fazem divulgação histórica.
Vou
retomar esta categoria, pois ela é importante. O trabalho histórico intenta
produzir algo novo, original, do ponto de vista do conhecimento, seja a partir
da utilização das fontes e dados (novos ou revistos), seja quanto às
interpretações sobre o passado já feitas. Nesse sentido, as sistematizações do
conhecimento já produzido e a elaboração de novas narrações a partir do mesmo,
dificilmente (sobretudo quanto não se tem uma visão teórica que alicerce com
rigor a montagem de um novo quadro explicativo) irão constituir um trabalho
histórico stricto sensu. Isso não é, sempre,
um demérito. Sínteses acessíveis e bem elaboradas possuem um potencial importante
de divulgar o conhecimento histórico – são relevantes nos seus próprios limites,
que quantitativamente vão além da academia e do campo historiográfico. É isso
que tentam fazer os jornalistas atualmente, me parece. Se eles são bem
sucedidos (de um ponto de vista qualitativo), é difícil avaliar sem uma leitura
crítica do que é feito, além do conhecimento sobre os temas abordados por eles.
Porém, o
risco da simplificação, para atingir o público, é evidente. E contra isso
muitos historiadores (e outros intelectuais de bom senso) têm reservas. Alguns
acreditam que é melhor algum conhecimento do que nenhum. Mas mesmo um
conhecimento errado ou simplificador? Não digo que isso ocorra nos trabalhos
comentados no TCC (pois, como disse, não os conheço em profundidade), mas
insisto no risco, que tem faces diversas: tanto a banalização e simplificação
históricas, quanto o retrocesso a um modelo historiográfico positivista.
Quanto a
esse ponto, cabe uma explicação (que, se não me engano, tentei fazer na
entrevista com a autora): o modelo narrativo baseado em ”personagens” não é uma
novidade dos Annales ou da História Cultural, ainda que nesta a adoção de
personagens até então não abordados pela história (trabalhadores, marginalizados
etc.) seja, de fato, algo inovador. É preciso lembrar que a história
positivista sempre teve apreço pelos “grandes homens” (Napoleão, D. João etc.),
elevados, muitas vezes, a personagens/agentes principais da história. É uma
história psicologicamente motivada e na qual as estruturas sociais são
desconsideradas, de maneira geral. O que permite, evidentemente, um tipo de
narrativa mais atrativa ao leitor, por se aproximar da biografia ou do romance.
Esse
modelo é criticado pelos Annales, nesse sentido, dizer que a história se abre
ao jornalismo a partir desse grupo não é, no todo, uma afirmação inequívoca.
Então, e também pelos motivos apresentados antes, a articulação entre história
e jornalismo é mais complexa do que o trabalho dá a entender.
É pertinente
notar, ainda sobre a linguagem, que esta não é, em essência, o grande diferencial entre jornalistas e historiadores.
Isto é (ignorando o fato de que existe certo número de trabalhos em história
escritos por redatores pouco competentes), a
linguagem é o reflexo de uma diferença mais profunda, com respeito ao que
corresponde à expectativa sobre um trabalho adequado em cada um dos campos –
histórico/universitário e jornalístico.
De outro
lado, a comparação entre estilos da escrita da história do passado e de hoje é
um tanto complicada, o que prejudica as conclusões feitas pelo trabalho neste
quesito, por dois fatores: o envelhecimento natural da linguagem – daqui a cem
anos, a escrita “esperta” de Eduardo Bueno também parecerá menos usual e,
talvez, até rebuscada –; e o fato de que as expectativas de público variaram
bastante, em função do desenvolvimento da indústria cultural, no plano
editorial, e mesmo felizmente quanto ao aumento da média educacional da
população. Há poucas décadas, o número de possíveis interessados e capazes de
comprar livros sobre história (não didáticos) era bastante reduzido, o que limitava
as expectativas de leitores dos trabalhos historiográficos de modo severo. Este
aspecto, aliado à existência padrão de um público crítico e exigente interno, fazia
com que o “leitor implícito” dos trabalhos fosse, antes de qualquer um, o
acadêmico ou o leitor mais culto que a média. Ou seja, os autores dirigiam-se a
um leitor menos preocupado com uma fruição no ato da leitura sob os parâmetros
do “divertimento”.
Nem
sempre a suposta seriedade lingüística está aliada ao rigor e um trabalho pode
combinar alta capacidade de comunicação e inteligência crítica, é claro. Contudo,
essa “capacidade comunicativa” é variável conforme o universo para o qual se
pensa em dirigir um trabalho e, de fato, combinar um público amplo e a produção
de um conhecimento especializado não é uma tarefa fácil.
Popularização da história e contexto social
Um
aspecto final sobre o qual gostaria de discutir o TCC de Lygia é com respeito a
seu subtítulo, que me parece interessante: Como
e por que jornalistas passaram a escrever livros sobre História. Já notei
que acredito que mais do que um aumento da produção histórica feita por
jornalistas ocorre, nos tempos recentes, um aumento de vendagem. E, em seu o
trabalho, a autora trata o “por que” em termos do desejo dos jornalistas em
popularizar os temas históricos. Esse “por que”, que paira no universo das boas
intenções, engata-se debilmente ao “como” (relativo a certa modalidade
narracional, mais próxima do estilo jornalístico). Isso acontece, pois faltou
ao trabalho uma consideração mais ampla ao contexto social da produção cultural.
Nessa direção, arriscaria que um “por que” mais relevante está relacionado a
aspectos não manejados no texto, como o desenvolvimento da indústria cultural
(que remunera, agora, suficientemente bem a jornalistas para que façam
trabalhos do tipo exposto) e o aumento do número de leitores, via o aumento dos
níveis educacionais e a partir também de um relativo barateamento dos livros.
Ora, deste ponto de vista, o “como”, do mesmo modo, se torna mais conseqüente:
a visualização de um nicho de mercado de conhecimento histórico limitado e
provavelmente dotado de uma cultura média, em termos gerais, faz com que o
estilo simplificado do jornalista se imponha, nesse tipo de abordagem da
história, imaginando-se mesmo como um “padrão” da narrativa de divulgação
histórica.
Outro ponto significativo, para a compreensão da boa aceitação desta história dos jornalistas, embora mais polêmico, exigindo uma mirada interdisciplinar de investigação, é a questão da “crise” ou cisão entre a ficção moderna/contemporânea e os leitores. É possível pensar que estes, em busca de textos aos quais se sintam mais afeitos, recorram hoje a gêneros não-literários mas que buscam emular certos procedimentos da literatura, principalmente os que estão relacionados a uma narração realista e linear (que a prosa do campo literário erudito tende a subestimar, hoje). Daí, portanto, parte da boa aceitação de trabalhos como o de Laurentino e Bueno. E, assim, também o risco do trabalho historiográfico ou de divulgação histórica, quando voltado a um largo público, pender para um discurso histórico pouco crítico (com um retrocesso ao positivismo), num padrão narrativo cujos modelos são a novela e o romance do século XIX (e a atual telenovela), com a valorização do enredo e da intriga ao extremo, desse modo, com um caráter pouco interpretativo ou explicativo em termos macrossociais.
PS: após receber o TCC de Lygia escrevi para ela, para agradecer. Porém – artes do destino – o e-mail voltou, acusando problema no servidor. Só fui ler o trabalho depois e, então, decidi continuar nosso diálogo com o texto acima. Espero que Lygia saiba, caso um dia chegue nesta página por algum acaso, que procurei dar a seu texto aquilo que penso que todo trabalho honesto merece: uma crítica honesta, ainda que com possíveis imperfeições.
Palavras-chave: História, Jornalismo, TCC
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Somente agora li, no blog de Simon Schartzman, a entrevista (aqui) dada pela antropóloga Eunice Durham à revista Veja (edição de 26/11/2008). Pelo que noto, rendeu forte polêmica.
Não é para menos, apesar da obviedade de certas afirmações (como o mau estado do ensino), elas são feitas de modo duro. Outras questões correlatas são formuladas com viés polêmico, como a crítica às faculdades de pedagogia (o que não é difícil fazer, aliás). Além disso, a autora defende outras posições que rendem discussão: a contrariedade quanto à expansão da educação superior no Brasil a partir do modelo universitário (que articula ensino e pesquisa), a crítica à "universidade pública como a antítese de uma empresa bem montada" etc.
À parte essa tendência polêmica, é interessante pensar no que os dados da pesquisa feita por Durham embasam certas conclusões ao qual ela chega. Por isso, fiquei curioso para conhecer esta investigação da autora sobre os cursos de pedagogia. Durham tinha um blog que, aparentemente, saiu do ar, se não me engano. Se alguém souber onde encontrar a pesquisa em questão, favor informar.
De outro lado, um contraponto interessante à entrevista e opiniões da autora está num texto do filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. (íntegra aqui). Um trecho, no qual Eunice é colocada no campo da "direita", evidencia um fato também óbvio - o desprestígio do ensino, que influencia tudo que vemos hoje na educação:
Todavia, o que a direita não percebe é que não é isso que ocorre, não há “teorização” nos cursos de formação de professores. Ao contrário, o que ocorre nesses cursos é exatamente o que a direita sugere que deva ocorrer. Há uma formação centrada em psicologia da aprendizagem, didática e metodologias de ensino; e isso é ministrado da maneira a mais rasteira possível. Quem faz o curso sabe disso. A direita política não sabe. Essa formação dada é ruim e estreita. E é mal feita mesmo. Mas não é pela sua tese, ou seja, em princípio, que não funciona. Não funciona porque nada funciona em um curso em que a clientela é a raspa de tacho do vestibular, e não funciona porque as faculdades que possuem o curso de licenciatura há anos foram colocadas como faculdades “de segunda” – pela sociedade, governo, empresários e pelas próprias reitorias de universidades. Foi isso que o professor Florestan Fernandes disse e insistiu no passado: no trem universitário a faculdade de filosofia, letras e ciências humanas foi posta como vagão de classe A, e a faculdade de educação ficou junto com vagões de carga, lá no fim do comboio. Esse modelo, o da USP reformada pelo regime militar, se reproduziu no Brasil; e o pior ocorreu: fora dela as próprias “faculdades de filosofia, ciências e letras” municipais desapareceram ou se descaracterizaram.
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Fim de ano, na vida do professor, é sempre a mesma coisa: correria para corrigir trabalhos, provas, não simplesmente "dar" mas "lançar" (agora esse é o termo) notas, participar de bancas etc.
O cotidiano de quem trabalha nas faculdades ou universidades particulares é, geralmente, pior, pois o volume de trabalho se multiplica. Não é difícil que um professor possa passar de 500 alunos, no todo de suas turmas...
Vale a pena? Provavelmente se a pessoa gosta sim, embora certas situações possam balançar qualquer um.
Acabei de ler dois TCC (depois de uma dezena). Um deles, realmente com muitos problemas, me lembrou aquele dito espirituoso de Ferreira Gullar: "A crase não foi feita para humilhar ninguém". A frase é boa, mas é uma meia verdade; um trabalho cheio de crases bizarras humilha involuntariamente seu autor.
De fato, nesse caso, a própria redatora falava de sua penosa progressão nos estudos, numa trajetória cheia de dificuldades que se reflete, sem dúvida, no trabalho. Mesmo assim (ou por isso mesmo), o trabalho tem dignidade. O valor de algo que acrescentou certa organização e conhecimento ao sujeito.
Acho que se o português (e a elaboração textual de modo amplo) da estudante não é brilhante agora, era pior antes da experiência de redigir o TCC. Então, é fato que a pessoa tem esse mérito, e se merecerá criticas, estas têm sobretudo o sentido de aperfeiçoamento cognitivo e não moral do indivíduo.
Falo no caráter "moral" pela experiência do outro TCC. Uma excelente revisão de literatura, muito bem redigida que contrastava com uma parte inicial bem mais simples. O que isso pode e geralmente quer dizer? Plágio.
O texto era uma coletânea de falsas paráfrases e plágios (referências não creditadas). Depois de certo ponto, anotando com ajuda do Google os textos apropriados e não mencionados, parei de ler. Essa não era minha obrigação. Sou educador e não policial
É claro, devolvi o trabalho e, provavelmente, o grupo (o trabalho era coletivo) alterará a redação.
O paradoxal dessa situação, é que aparentemente deu bastante trabalho, para esse grupo, organizar as citações utilizadas. E elas formavam, globalmente, um todo até interessante. Porém, da forma que estava era impossível saber se o trabalho correspondia a uma plena apropriação dos conteúdos.
Se diz que "in dubio pro reu", mas considero que o plágio não tem dupla interpretação: ou é plágio ou não.
Já tive a oportunidade de refletir e escrever sobre esse tema do plágio estudantil (aqui), e acredito que às vezes é difícil mesmo saber o alcance real da má fé (pois pode ser apenas falha grave de formação).
Mas isso nunca deixa de ser uma reflexão um tanto deprimente: tanto a falta de caráter quanto a falta de cultura assustam.
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A Folha de S. Paulo publicou dia 23 último um artigo do reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho. O centro da discussão me pareceu interessante: a idéia de que a Universidade deve desenvolver novos modelos de formação pós-graduada, como o mestrado profissionalizante.
No entanto, me pareceu que o texto peca ao, tendo em mente uma coisa, criticar outra, um tanto injustificadamente.
Penso que se há um setor da educação brasileira que merece reconhecimento é a PG, que consolidou um modelo de avaliação e constitui - enquanto sistema de ensino/aprendizagem/construção do conhecimento - uma oportunidade de aprofundamento intelectual (mais até do que só de ingresso na carreira acadêmica) para muitos. Sem falar na pesquisa e seus desdobramentos de significativo impacto na sociedade.
Assim, cada coisa em seu lugar: novos modelos não precisam necessariamente corresponder a uma "destruição" do que existe. Não penso que, em última instância, foi esse o sentido da reflexão de Naomar (abaixo). No entanto, a começar pelo título ("O fim do mestrado..."), fica-se um pouco em dúvida quanto a isso.
O que me preocupa mais é que o sentido da PG no Brasil, e em particular do mestrado, tem peculiaridades que tornam a idéia de "acertamos o passo" com outros países complicada. Recomendo, nessa linha, a leitura de uma excelente reflexão, de 1999 (quando já se falava na diminuição da importância do mestrado ou mesmo seu fim), de Renato Mezan (aqui).
Como o texto é longo e o link está acima, não vou transcrevê-lo, mas não resisto a citar uma passagem:
Pouco importa qual é a tendência nos Estados Unidos e na Europa, que contam com sistemas educacionais muitíssimos melhores do que o nosso. Talvez lá seja útil apressar o mestrado, ou quem sabe eliminá-lo. Não tenho informações exatas sobre isto, e não vejo o que se ganharia em copiar uma decisão baseada numa realidade muito diferente daquela com a qual convivemos aqui. Esta, como se sabe, é calamitosa. A destruição do ensino primário e secundário no Brasil assume proporções alarmantes, e se reflete na degradação do ensino universitário, em boa parte oferecido por instituições cujo desempenho precário é por demais conhecido para que seja necessário estender-me sobre o assunto. Esta triste situação, aliás, foi um dos fatores que conduziram à institucionalização da Pós-Graduação.
O fim do mestrado
Naomar de Almeida Filho...Tal como
introduzido no Brasil, durante a ditadura militar, [o fim do mestrado]
parece próximo. Na atualidade, praticamente todos os países com maior
desenvolvimento econômico e social têm mestrado como formação
profissional.
Entre nós, o grau universitário chamado mestrado foi
instituído em 1965 pelo famoso Parecer Sucupira, que definiu diretrizes
para a pós-graduação brasileira. Nesse contexto, o título foi criado como
habilitação à docência em nível superior.
Quarenta anos depois, tal
definição só existe no Brasil e, em menor escala, em alguns países
latino-americanos. Quais são os antecedentes dessa invenção da burocracia
acadêmica brasileira? A que fins serviu? Servirá no futuro?
O termo
"master", "meister" (daí o tratamento plebeu -"mister"- na língua
inglesa), "maître", mestre, em português, tem raízes profissionais. Na
Europa medieval, designava o artesão experiente que dominava seu ofício e,
autorizado pelas corporações, estava apto a formar aprendizes.
A
universidade formava então apenas "doctors", senhores da "doctrina". Só na
era moderna começou a titular profissionais. A Reforma Humboldt,
instituidora da universidade de pesquisa em 1810, manteve o doutorado como
láurea acadêmica maior. Mas acolheu o mestrado como grau acadêmico
intermediário, em suplemento à láurea menor, o bacharelado.
A
partir do século 20, em toda a América do Norte e nos países da
"commonwealth" , o título de "master" tanto se refere à formação
pré-doutoral quanto implica designação direta da área
profissional.
O administrador recebe o título de MBA ["master of
business administration" ]; o pedagogo, M.Ed. ["master of education"]; o
sanitarista, M.P.H. ["master of public health"]; o psicólogo, M.Psychol.
["master in psychology"] ; e assim por diante. Exceções são algumas
profissões que seguem o padrão da medicina, em que graduação [M.D.
-"medical doctor"] é sempre doutorado. E, em muitas universidades, o curso
de direito concede grau de J.D. ["juris doctor"].
Na tradição
mediterrânea, raiz da universidade brasileira (através de Coimbra e depois
pela influência da Sorbonne e das "écoles polytechniques" ), o título
mestre nunca foi utilizado. Preferia-se licenciado (modelo francês e
espanhol) ou bacharel (modelo lusitano).
Com o Processo de Bolonha,
a partir de 1999, unifica-se o mestrado como diploma do segundo ciclo na
maioria das universidades européias. Em Portugal, Holanda e Suíça, por
exemplo, médico é agora mestre em medicina.
Na França, Alemanha e
Itália, cursos em complemento às láureas profissionais são igualmente
referidos como mestrado.
Neste contexto de crescente
internacionalizaçã o da universidade, vale a pena continuarmos sucupiranos?
Faz sentido manter no Brasil uma exótica licenciatura para ensino superior
chamada mestrado? Não seria interessante "masterizar" a formação
profissional, com soluções criativas para impasses e limites dos modelos
internacionais?
Respostas a essas questões podem ser dadas pelo
Reuni, pelo menos no âmbito da rede federal de ensino superior. No plano
nacional, a Andifes avança na construção do chamado "Reuni da pós", que
deve contemplar ampliação maciça de vagas e propostas de reestruturação
dos ciclos pós-profissionais. No plano local, várias universidades
desenvolvem modelos de pós-graduação compatíveis
internacionalmente.
Assim é que vimos implantando na UFBA o modelo
conhecido como Universidade Nova, que, além dos bacharelados
interdisciplinares, prevê expansão dos mestrados profissionais
(devidamente redesenhados) e equivalência entre essa modalidade e cursos
de especialização. No marco legal superado da pós-graduação brasileira,
mestres formados no exterior em graduação profissional têm sido
oficialmente credenciados por colegiados e câmaras como docentes de nível
superior. Haverá certamente reação às mudanças entre os que se
beneficiaram do equívoco regulatório.
Mas, para recriar a
pós-graduação brasileira, contamos enfim com os órgãos normativos e de
coordenação da educação superior. O Conselho Nacional de Educação poderia
rever o Parecer Sucupira, e todo o marco legal derivado, à luz das
mudanças em curso em praticamente todos os países do mundo
desenvolvido.
E a Capes, formada por representantes das comunidades
acadêmicas, poderia elaborar diretrizes específicas para os mestrados
profissionais, fomentando propostas capazes de tornar a universidade
brasileira mais integrada às redes internacionais de produção e circulação
de ciência, arte e cultura.
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O texto do professor José Luiz Braga comentado em aula foi o seguinte: Para começar um projeto de pesquisa. Ele está disponível aqui: http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/Comedu/article/view/5155/4783, e também pedi para que fosse deixado na copiadora.
É uma leitura interessante, principalmente quanto à questão do planejamento da pesquisa e a recomendação de estratégias para o desenvolvimento do problema de investigação. Infelizmente só vim a conhecer esse texto há pouco, pois se já o tivesse lido teria colocado-o no programa do curso, de modo a que tivéssemos abordado-o.
Creio que esse texto poderia render algumas discussões interessantes. Eu mesmo não concordo - no todo - com o argumento sobre o "empecilho" que a hipótese pode representar. Mas, daí - seguindo Immacolata - procuro insistir para que esta(s) seja(m) teoricamente informadas e reflexivas. Também não penso que negar uma hipótese, a partir do processo de investigação, seja pouco produtivo para o conhecimento.
E, de outro lado, o texto tende a concentrar-se na questão da pesquisa acadêmica, quando nós no Gestão temos forte preocupação com a intervenção social possibilitada pelo aumento de conhecimento sobre determinada situação (o que o texto sugere como possibilidade no 6o. parágrafo da página 292).
Mesmo assim, acho que o texto tem passagens muito proveitosas, tanto no tópico de "dicas" sobre a construção do problema, quanto naquele que nota a questão fundamental de refletir sobre a relação entre o problema elaborado e a prefigurada observação.
São questões de planejamento da pesquisa e metodologia muito importantes.
(Queria notar também que o professor Braga tem outro texto metodológico muito bom, que discute o uso do método do "estudo de caso" em Comunicação. Tem críticas e insights válidos. Outra leitura recomendável, sobretudo a quem pretende utilizar esse método. Este texto, publicado na revista Matrizes, da pós da ECA/USP, está disponível aqui.)
PS: agradeço ao colega do Stoa que informou o erro no primeiro link (que consertei).
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Coloquei outros dois cronogramas, na mesma apresentação do link, do mestrado e doutorado que fiz, respectivamente, pois neles as atividades exemplificam especificidades dos trabalhos. Interessante notar que o cronograma do doutorado é de uma pesquisa que já tinha bastante desenvolvimento, por isso ignora (já tinham sido feitas) muitas etapas convencionais e se concentra no que faltava.
De qualquer modo, um aspecto importante dos cronogramas é em termos do planejamento da pesquisa. Assim, é comum que continuamente o pesquisador refaça o seu cronograma (e/ou construa novos). Às vezes até em termos de dias.
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O Projeto de Pesquisa deve ser apresentado com linguagem clara, demonstrando domínio gramatical e conceitual. Deve ser estruturado na forma de tópicos, ocupando no máximo 20 (vinte) páginas digitadas em espaço duplo, incluindo as referências bibliográficas:
Capa
Deverá conter as seguintes informações:
1. Nome do Programa
2. Área de Concentração
3. Linha de Pesquisa
4. Título explicativo do projeto
5. Nível do projeto (Mestrado ou Doutorado)
Página 01
Título e Resumo do Projeto (Até 05 linhas, somente em português )
Projeto de Pesquisa
1. Introdução
- Pertinência e adequação do projeto ao Programa e à Linha de Pesquisa indicados
2. Objeto
- Assunto e problema de pesquisa
- Justificativa do estudo quanto à relevância e originalidade
3. Quadro Teórico de Referência
- Inserção do projeto dentro das pesquisas existentes e revisão da bibliografia fundamental
4. Objetivos
- Gerais e específicos; teóricos e práticos.
5. Procedimentos Metodológicos
- Explicitação dos métodos e técnicas de investigação; sua adequação ao projeto
6. Considerações Finais
7. Sumário de Pesquisa
- Esquematização do projeto em partes, capítulos, tópicos
8. Referências Bibliográficas
- Usar normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
- Máximo de 3 páginas
9. Cronograma das Atividades de Pesquisa
O Projeto de Doutorado em relação ao de Mestrado deverá apresentar:
- maior grau de elaboração teórica e metodológica;
- maior grau de profundidade e complexidade de objeto de pesquisa;
- ineditismo e originalidade da temática;
- obrigatoriedade de hipóteses na pesquisa.
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