Folheando o jornal Valor do dia 04/Set/2008, fiquei impressionado com a notícia (de meia página) de que a Microsoft venderá licenças Windows (e mais alguns apetrechos) por US$7,00!
Eu, como um bom usuário do GNU/Linux, o que pensei na hora? MARAVILHOSO!!!
Não, não estou sendo sarcástico: acho, realmente, uma iniciativa maravilhosa da Microsoft vender licenças Windows a um preço irrisório desses!
O objetivo da Microsoft, com esse programa - batizado de Windows Educação - , é alcançar os estudantes e instituições de ensino do país (sim, um programa especial para o Brasil!), dado o fracasso do projeto Microsoft Student Innovation Suite no Brasil devido ao cancelamento dos ultra low cost PC's (ULPCs) educacionais pelo Governo Brasileiro. Também, claro, aumentar participação nessa fatia de mercado que, hoje, é dominado por aplicações FOSS.
A atitude da Microsoft é realmente invejável! Sim, como uma corporação do mundo capitalista a mesma visa lucro e ganho na parcela do seu market share, mas essa atitude é classificável como ganha-ganha (vide "Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes", de Stephen Covey). E, para mim, é muito mais nobre do que a postura do Maddog, pedindo boicotes a Universidades que usam produtos comerciais.
Acho que a Microsoft deixou de ser a empresa do mal há muito tempo. Concordo que o CEO (Steve Ballmer) seja "um pouco radical" e tome muitas atitudes de FUD, mas a comunidade FOSS ainda estigmatiza demais a empresa que tirou os computadores das grandes corporações e possibilitou que chegassem a nossa casa! (Ai: comprei uma briga feia, agora! HA! HA! HA!)
Referências
- http://e-educador.com/index.php/mundo-high-tech-mainmenu-99/2
- http://www.microsoft.com/unlimitedpotential/transformingeducatio
- http://www.microsoft.com/unlimitedpotential/pt-br/default.mspx
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Comentários
Luiz Armesto escreveu:
Hugo Baraúna (hugo.) escreveu:
"mas a comunidade FOSS ainda estigmatiza demais a empresa que tirou os computadores das grandes corporações e possibilitou que chegassem a nossa casa! (Ai: comprei uma briga feia, agora! HA! HA! HA!)"
Comprou briga mesmo, mas não com os "freetards" e sim com os "appletards" =)
Acontece que quem começou essa revolução de trazer o computador para a vida de uma pessoa comum, ou seja, o advento do personal computer, foi a Apple. No entanto, quem acabou ganhando esse crédito para o resto do mundo foi a Microsoft. E eles conseguiram isso com muita luta e muita ("cof") cópia ("cof") de Macintosh.
Lucas Martins de Marchi escreveu:
Não concordo com o seu ponto de vista. Se tem uma coisa que a Microsoft sabe fazer muito bem é eliminar os seus concorrentes e geralmente não tem méritos técnicos para isso. Ainda: se não consegue eliminar, ela compra a empresa e pronto (vide casos de Hotmail, tentativa de compra do Yahoo, Outlook, Visio etc).
Acontece que contra o software livre isso não tem como ser feito. O que ela faz então? Se coloca como a boazinha da história (já que é "amiga da escola"), vende o seu produto a um preço muito abaixo do seu custo (dado o seu modelo de negócio de sustento via venda de licenças) e convence aqueles que adotam free software só por causa do custo (aqui se encaixaria mais como open source software) a voltar a usar o seu sistema, já que ele agora é praticamente de graça. Acontece que as pessoas não param pra pensar na dependencia tecnologica que estão tendo de 1 empresa e seus padrões (IE e seu "padrão" html, wmf, OOXML??): somente os seus produtos implementam perfeitamente os seus padrões e assim ela consegue matar seus concorrentes. E esse método funciona contra FOSS.
Um dos grandes problemas aqui é a confusão que se faz com free software, open source software e freeware. E a diferença entre eles é grande.
Tom escreveu:
Mais usuários de Internet Explorer e seus maravilhosos padrões (os desenvolvedores de aplitivos Web adoram!). Mais sites com padrões de vídeo e som proprietários, como por exemplo, <http://iptv.usp.br> (esse site da USP só usa wmv). Mais obstáculos para tentativas como essa do uso de Linux na USP, Projeto Sócrates : uma Experiência de Informatização do Aprendizado no Instituto de Física. Mais emails chegando, formulários para preencher, documentos para ler com arquivos nos formatos DOC, XSL e PPT. Mais emails .eml que não posso ler e as pessoas nem têm idéia do porquê. Mais estudantes, mesmo aqueles que vão se especializar em áreas relacionadas a informática e computação, vendo o PC como uma TV.
Ah, é mesmo, vou poder comprar o windows com pouco mais de R$ 10 e resolver meus problemas. Maravilhoso!
Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:
Eu, particularmente, acho que vocês estão levando tudo a ferro e fogo, uma atitude comum nos usuários de FOSS.
Conheço muitas pessoas que usam Microsoft Windows (MSW) como sistema operacional, mas optam por Opera ou Mozilla Firefox como navegador. Muitas pessoas que usam o MSW mas usam o MPlayer como player padrão.
E muitas pessoas que usam GNU/Linux e nem sabe o porquê usam!
O sistema operacional não é um fato imbecilizante. As pessoas podem usar o MSW e FOSS juntamente: eu mesmo faço isso! Uso MSW com Mozilla Firefox, OpenOffice.org, Pidgin e outros FOSS.
Quanto aos padrões, em particular o OOXML, o problema é a ISO, acima de tudo. Ela tinha todo o direito de negar o pedido ECMA, mas foi fraca. A discussão, portanto, é outra. E o navegador IE vem perdendo espaço para o Mozilla Firefox e, agora, com o Google Chrome.
Falando em Google, essa empresa toda "a mesma postura" da Microsoft, adquirindo seus concorrentes e tentando "controlar" todo o mundo da Computação. Mas, ainda, não se tornou uma empresa do mal.
Acho que inclusão no mundo da Computação é muito mais importante do que o sistema operacional X ou Y: o direito da escolha é, no fim, o melhor!
Eu escolhi GNU/Linux para o meu dia-a-dia. Muitos amigos MS Windows. Outros, Mac OS X. A escolha é essencial e necessária: a Natureza nos mostra isso com a diversidade das espécies.
Assim, continuo a defender: parabéns à Microsoft pela iniciativa!
Tom escreveu:
"Em julho deste ano, o Firefox ficou com 8,2% dos acessos no Brasil, índice que era de 6,1% em janeiro. Já o Internet Explorer passou de 93% no primeiro mês do ano para 90,7% em julho. Outros navegadores tiveram em julho 1,03% dos acessos"
Fonte: Acesso ao Firefox cresce 34% no Brasil; Internet Explorer cai
Duvido que nos próximos anos vai mudar muita coisa...
Se todo mundo passar a usar um padrão proprietário, com todos os problemas que você deve conhecer, o que é quase o caso, terei direito de escolha?
Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:
Eu acho que o direito a escolha é algo primordial. Se a pessoa escolher um padrão comercial, é uma opção da mesma. Empurrar o FOSS "goela abaixo" é que não é certo!
Como eu havia dito, meu computador veio com Microsoft Windows (MSW) e, no entanto, escolhi instalar uma distribuição GNU/Linux. O mesmo fez minha Mãe. E muitos colegas meus. O GNU/Linux surgiu como uma opção num ecossistema de diversos sistemas operacionais: as pessoas podem escolher GNU/Linux, GNU/Hurd, (Net/Free/Open)BSD, Plan9, Mac OS X, AIX, OpenSolaris e/ou Microsoft Windows. O importante é ter a opção de escolha!
Eu não uso MSW com freqüência porque acho um sistema com falhas de segurança inadmissíveis (em certas ocasiões) para mim, além de não ter a mesma "flexibilidade" para controle do sistema operacional que gosto de explorar no GNU/Linux. E acredito que o FOSS deva ganhar espaço dessa maneira, e não levando uma empresa à falência (no caso a Microsoft).
A questão de "padrões proprietários" será alterado com o tempo: se forem realmente bons, têm mais que dominar mesmo. Se forem ruins (ou inferior a padrões abertos), cairão no "ostracismo". Já vimos isso uma vez na indústria de hardware, porque não poderíamos esperar o mesmo na indústria de software?
Se o mundo FOSS depende da falência da Microsoft para que tenha sucesso, então o mesmo está condenado ao fim. Contudo, como perdurou até hoje (desde a década de 80), acredito que não seja problema e que essa postura da Microsoft, de alguma maneira, traga benefícios ao FOSS e a todo o mundo do software.
Por ora, é isso. Mas fico devendo um post de como a Microsoft vem beneficiar o mundo FOSS.
Lucas Martins de Marchi escreveu:
Elefante, me diga porque até hoje o SVG não é usado na internet, sendo que é mantido pela W3C, é um padrão aberto desde 1999 e tecnicamente superior ao equivalente WMF da MS (parece que agora ela criou um outro pra substituir esse formato, mas não estou muito por dentro disso)? O fato é que nem sempre o melhor padrão técnico prevalece e a MS sempre se mostrou mestre em ter a maior parte do mercado mesmo com produtos/padrões inferiores.
Simplesmente porque a MS não incluiu suporte em seu navegador e assim, os webmasters não usam pq cerca de 90% das pessoas não vão conseguir visualizar direito o site.
Pq a MS simplesmente não adotou o formato ODF como padrão ao invés de criar um outro formato que faz a mesma coisa, de uma forma muito menos elegante, com extensões "para preservar compatibilidade com versões antigas do SEU produto" que SÓ ELA sabe implementar corretamente? Pq assim vc fica sem escolhas, já que vc é obrigado a usar o produto dela. Cadê a liberdade que você tanto quer? Eu quero a liberdade de usar o programa que eu quiser e que o documento que eu enviar pra um amigo meu, que ele possa editar no programa que ele se adapta melhor. Não é questão de radicalismo... estou defendendo a mesma coisa que você: que tenham várias opções para as pessoas fazerem o que elas querem. Quanto mais opções, melhor. E isso não é possível com padrões proprietários. Culpa da ISO?? Lógico. Leia isso; E alguns desses.
O bom de ser FOSS, é que vc não tem essa dependência da empresa X criar suporte para um formato abertos. É da natureza de softwares quer open source quer livres suportarem esses padrões. E se a empresa que "controla" o desenvolvimento dele não quiser implementar, outras pessoas/empresas sempre podem fazê-lo e em último caso forks existem pra isso.
Abraço
Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:
Lulu,
O foco da discussão mudou, mas acho isso ótimo!
O OOXML foi, sim, uma tentativa da Microsoft de "abafar" o ODF e, ainda, tentar resolver o erro de lançar o .docx e outros na última versão do Microsoft Office. Bom, o que acabou por acontecer? Uma reviravolta no mundo dos padrões (com a famigerada discussão do OOXML como padrão ISO) e vários órgãos e países ao redor do mundo começaram a definir o ODF como padrão para seus documentos. Dada essa movimentação, qual foi a estratégia da Microsoft? Entrar no jogo, também!
A pressão do mercado é muita. Se a Microsoft não tivesse tomado essa postura, estaria perdendo espaço no mercado de Office Suite. O mundo capitalista funciona dessa maneira, é natural.
Agora, quanto ao SVG, a pressão já está começando... o próprio Tim Berners-Lee criticou explicitamente o Microsoft Internet Explorer por não suportar SVG. Não basta ele ser o pai da WWW, é diretor de padrões da W3C: é uma crítica com peso muito forte! Se não bastasse isso, o suporte a SVG que o plug-in da Adobe fornecia do IE vai acabar (ou acabou!) esse ano. O IE já implementa o VML (padrão Microsoft que foi precursor ao SVG)... logo vai ter que implementar o SVG! Parte dos problemas de incompatibilidade do IE com os padrões W3C já estão sendo resolvidos, e isso está caminhando para um navegador Microsoft tão bom quanto os que temos hoje.
A Microsoft, nos últimos anos, vem mudando o seu ponto-de-vista perante o FOSS e padrões abertos. Os exemplos mais explícitos são (provavelmente vou esquecer algum ótimo exemplo):
E como bônus, vai a notícia que um open source da Micrsoft está num "famoso" FOSS do momento: Windows Template Library no Google Chrome.
Eu sei que há a argumentação que open source não é FOSS, mas eu acho que essas iniciativas da Microsoft já são um grande passo! Ela não precisa se tornar uma empresa de FOSS, mas o fato de ter (e colaborar!) com projetos open source, para mim, já é incrível!
Outra argumentação possível é que "a Microsoft colaborou com projetos FOSS/Open Source que são do interesse dela". Ainda bem, não? Por que ela ajudaria projetos que não são do interesse dela? Afinal, o Google faz isso. A Red Hat também. A Novell, a Sun e a IBM também. Por que a Microsoft teria que ser diferente, ser a empresa altruísta do mercado de Computação?
Eu continuo a afirmar que a Microsoft está de parabéns - mas que ainda tem que melhorar. E, também, que a comunidade FOSS/OSS continua estigmatizando a Microsoft, sem dar o devido crédito a mesma.
E ainda fico devendo uma resposta pro Hugo Baraúna sobre a Apple.
Hugo Baraúna (hugo.) escreveu:
Acho que ao se preocupar com essas questão "antigas" da era do PC estamos esquecendo quem realmente é Evil agora, e se chama Google.
"Falando em Google, essa empresa toda "a mesma postura" da Microsoft, adquirindo seus concorrentes e tentando "controlar" todo o mundo da Computação. Mas, ainda, não se tornou uma empresa do mal."
Não se tornou evil!?!? Fala isso para o pessoal da Overture que teve seu modelo de negócios (a là ad words) simplesmente roubado pelo Google. Fala isso para o Bill Gross, fundador da Overture. Isso foi simplesmente a mesma coisa que aconteceu quando a Microsoft fez sua "proposta irrecusável de poderoso chefão" para Netscape quando a MS destruiu a dona do Navigator. Isso se chama Monopólio.
A Microsoft não é mais tão relevante hoje como era antigamente. Estamos na era da Web. Acabou a era do PC. Vamos aprender com os erros anteriores e tentar consertar os problema de hoje e os que estão por vir logo.
Acho que a discussão FOSS x Software propietário é levada de modo sentimental demais pelos "freetards". Vamos pensar em coisas mais práticas e relevantes. Vamos pensar na verdade em ir contra o Monopólio. E o monopólio que preocupa hoje é o do Google.
obs.: não tenho nada contra FOSS, pelo contrário. Sou usuário do Ubuntu e todas as minhas ferramentas de trabalho assim como os componentes do produto da minha startup são baseados em software livre.
Tom escreveu:
Está aí um bom exemplo de liberdade de escolha.Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:
Tom,
Seu sarcasmo foi engraçado, e concordo que não houve liberdade alguma de escolha. Mas acho que a discussão que você fez referência não tem nada relacionado com a discussão de liberdade que falei nesse texto. Segue uma analogia para deixar mais claro meu ponto-de-vista:
"Tom, você quer vir no churrasco que está rolando aqui em casa? Só que tem uma condição: você só pode vir para o churrasco de veículo automotor da marca Romi, modelo Isetta, fabricado em 1955 ou depois."
Quem não está dando liberdade para você? A Máquinas Agrícolas Romi (Microsoft) ou o Ricardo (Revista FAPESP)?
Agora, imagine a seguinte situação:
"Sua namorada lhe dá uma camiseta do Palmeiras (Linux) para ir trabalhar (afinal ela tem bom gosto para times!). A camiseta é linda (claro que é: é do Palmeiras!), é dry fit ("absorve" suor) e bastante confortável. Contudo, você tem uma reunião com a diretoria da empresa e quer passar uma boa impressão (visual). O que você faz? Compra um terno! Mas ternos são caros... e por isso a Giorgio Armani (Microsoft) decidiu vender-lhe um terno (Microsoft Windows) por US$7,00! Agora, sim, você tem liberdade de vestir o que gosta (Linux) e, nas reuniões com a diretoria, usar o terno (Microsoft Windows)."
Enfim, não podemos confundir as atitudes das entidades e pessoas (como no caso da FAPESP), com a das fornecedoras de ferramentas (no caso, a Microsoft).
Seria o mesmo que processarmos a fabricante do automóvel todas as vezes que um motorista atropela um pedestre.
Rodrigo Rodrigues da Silva escreveu:
Estudantes são formadores de opinião. Estudantes serão trabalhadores. Se vc vende Windows a US$7 para os estudantes (ou dá, no caso da USP), seu cliente não precisará treiná-los daqui a 5 anos. E aí seus clientes vão comprar Windows porque é a única coisa em que seus trabalhadores sabem mexer.Uma jogada de marketing muito bem bolada, ou um uso mascarado do princípio muito usado também por narcotraficantes, especialmente para drogas que causam dependência rapidamente: "a primeira dose é de graça".Ricardo Henrique Gracini Guiraldelli escreveu:
Pitanga,
Comparar a Microsoft com "narcotraficantes" é um comentário totalmente desnecessário (para não dizer absurdo e fora de contexto). Se a Microsoft é "narcotraficante", a comunidade FOSS é "terrorista"? Richard Stallman é "Osama Bin Laden"? Não precisamos descer a esse nível.
Vou voltar a insistir na possibilidade de liberdade de escolha dessa iniciativa. Eu, como aluno, sou obrigado a usar um sistema operacional que tem 0.92% do mercado (GNU/Linux) ou posso ter a opção de comprar a baixo custo (e fazer "auto-treinamento") um sistema operacional que tem 90.29% do mercado (Microsoft Windows)? Ou, melhor, uma versão que detém 68.66% do mercado (Microsoft Windows XP)?
Gosto da postura da Microsoft de dar a opção ao usuário de escolher, assim como eu pude fazer com o GNU/Linux. Não acho que obrigar o usuário a usar um sistema livre vai fazê-lo efetivamente usar o sistema.
A Canonical me dá a opção de usar um sistema operacional "bom para o usuário final". A Microsoft também está me dando esse direito.