Stoa :: Redefor :: Blog

fevereiro 11, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Google Buzz agrega e re-distribui a sua atividade para sua rede de contatos, com interface dentro do gmail. Acabo de implementar uma gambiarra no Stoa que permite publicar no Google Buzz os seus posts no seu blog no Stoa (e atividade geral também, se não me engano). Para isto

 

1. edite o seu perfil / aba "Contato" coloca no campo "Conta do Google" o seu nome de usuário do Google (o nome que aparece em http://www.google.com/profiles/suaconta)

2. Agora siga as instruções aqui: inclua stoa.usp.br/suacontanostoa/weblog/ no seu perfil do Google "Adicionar links personalizados ao meu perfil" (não esqueça clicar "Essa é uma página de perfil sobre mim." (E acho que deve salvar as mudanças...

3. Navegue para https://sgapi-recrawl.appspot.com/ e força um re-crawl. Em Gmail/Buzz, se tudo deu certo, o seu blog deve aparecer entre os "connected sites".

Deixe um comentário se conseguiu...

 

Palavras-chave: buzz, feeds, gbuzz, real-time web, stoa

Este post é Domínio Público.

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fevereiro 07, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Cada desenvolvedor que interage com a linha de comando deve conhecer screen. Este programa, que vem com qualquer distribuição linux, permite rodar várias shells dentro de um único terminal. Mas o maior vantagem é que screen permite o desenvolvedor / administrador se desconectar do servidor sem parar os seus processos. 

Se não estiver usando screen ainda, pare tudo que está fazendo e procure um tutorial. Aqui dou somente as dicas mínimas necessários para começar. 

O uso típico é assim: entre no seu servidor via ssh e roda screen. Abre N "abas" ou shells com Ctlr-a-c. Mude entre eles com Ctlr-a-p / Ctrl-a-n ou Ctrl-a-0, Ctrl-a-1, etc. O seu ambiente de trabalho ficará mais ou menos assim:

sessão de screen

Note a visualização dos shells abertos na parte de baixo da tela. Coloque o seguinte no arquivo .screenrc no seu diretório home para obter este efeito:

caption     always        "%{+b rk}%H%{gk} |%c %{yk}%d.%m.%Y | %72=Load: %l %{wk}"
hardstatus alwayslastline "%?%{yk}%-Lw%?%{wb}%n*%f %t%?(%u)%?%?%{yk}%+Lw%?"

Se precisar se deslogar mas não quer perder o seu trabalho, "tire" (detach) a sessão com Ctrl-a-d. A próxima vez que entre, use screen -r para voltar. Use screen -list para uma lista de sessões abertas.

Levei um tempo para sacar a utilidade do screen. Achei que podia muito bem simplesmente entrar no servidor vários vezes, usando vários xterms. Mas a vantagem de screen não é o multiplexador do terminal. A grande vantagem é que pode retomar a sua sessão após ser deslogado (voluntariamente ou não) do seu servidor. Quantas vezes já não perdi a conexão de rede enquanto estava fazendo algo num servidor. Usando screen, é só uma questão de entrar de novo e recuperar toda sessão com screen -r

 

Palavras-chave: desenvolvimento, screen

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janeiro 28, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Louis Menand:

[Academia] is a self-governing and largely closed community of practitioners who have an almost absolute power to determine the standards for entry, promotion, and dismissal in their fields. The discipline relies on the principle of disinterestedness, according to which the production of new knowledge is regulated by measuring it against existing scholarship through a process of peer review, rather than by the extent to which it meets the needs of interests external to the field. The history department does not ask the mayor or the alumni or the physics department who is qualified to be a history professor. The academic credential is non-transferable (as every Ph.D. looking for work outside the academy quickly learns). And disciplines encourage—in fact, they more or less require—a high degree of specialization. The return to the disciplines for this method of organizing themselves is social authority: the product is guaranteed by the expertise the system is designed to create. Incompetent practitioners are not admitted to practice, and incompetent scholarship is not disseminated.

Since it is the system that ratifies the product—ipso facto, no one outside the community of experts is qualified to rate the value of the work produced within it—the most important function of the system is not the production of knowledge. It is the reproduction of the system. To put it another way, the most important function of the system, both for purposes of its continued survival and for purposes of controlling the market for its products, is the production of the producers.

(Ênfase minha.)

Liberdade acadêmica é uma coisa boa. Desde que Humboldt no início do século 19 fundou a Universidade de Berlin é aceito que não interferir no trabalho de cientistas é uma maneira eficaz de obter resultados beneficiando a sociedade. Mas como Menand diz, a ciência é análogo à burocracia, no sentido de ser necessária para uma sociedade moderna mas sempre tendo um aspecto parasítico e tendendo a crescer descontroladamente. 

A sociedade não pode determinar o que é relevante cientificamente, mas cientistas têm justamente por isso uma responsabilidade ainda maior levar em conta a relevância do seu trabalho para a sociedade.

Palavras-chave: academia

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novembro 29, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Via Neil Fraser:

O que tem errado com a seguinte imagem e você compraria um telescópio de uma empresa que a usa no seu site?

telescópio FAIL

 

Palavras-chave: #hahaha

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novembro 08, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Assim como no Moodle do Stoa, agora é possivel usar o visualizador de moléculas Jmol no seu espaço de arquivos ou num post no seu blog. 

Para usar, é preciso ter um arquivo em um dos formatos que Jmol interpreta: cif, mol, cml, xyz ou pdb. Por exemplo, baixe o arquivo que descreve a proteína Calmodulin do Protein Data Bank

Agora, suba o arquivo para o seu espaço no Stoa. Se quiser, crie primeiro uma pasta do tipo "Galeria Jmol":


Agora suba o seu arquivo no seu espaço de arquivos:

E o resultado deve ser:

Para usar a molécula num post do seu blog, por agora é preciso usar o botão "Adicionar Arquivo" e escolher o arquivo em questão. Assim é gerado o código {{file:xxxx}} que é convertido para o applet Jmol.

Calmodulin

Se o seu navegador entende Java, o resultado deve ser uma moléculadentro do seu post.

Somente  testado em FireFox / Linux : deixe um comentário se não funciona para você.

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novembro 05, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Veja embaixo um boleto fraudulento que acabo de receber. Mas não consigo entender como funciona: a cobrança indevida está atrelada numa conta bancária, suponho de alguma laranja. Mas como os bandidos conseguem tirar o dinheiro de lá sem ser pegos imediatamente? Para mensagens de phishing que chegam via email acho que entendo: os bandidos regristram ou roubam um domínio e conseguem colher senhas durante alguns dias que o ISP leva para atuar após a denúncia. Mas no mundo real, com contas bancárias, como funciona?

boleto fraudulento

Palavras-chave: fraude, phishing, registro.br

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outubro 28, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Isto é impressionante: http://thru-you.com/#/videos

Mais sobre Kutiman, faça você mesmo.

(via techdirt)

Palavras-chave: Cultura Livre, Kutiman

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outubro 26, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

No dia 27 de outubro dei uma apresentação para seminário do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino de Ciências. Veja a apresentação em baixo (não tem nada de novo para quem viu alguma das minhas apresentações nos últimos meses).

  1. Boa tarde, sou Ewout ter Haar e agradeço a oportunidade de falar sobre o meu trabalho na área de tecnologia educacional
  2. Antes de mais nada, quero distinguir "Tecnologia Educacional" de um lado de "EaD" no sentido de massificação e industrialização da educação e pelo outro lado de um utopismo tecnológico ingêneo. Trabalho para trazer tecnologias de rede modernas para dentro da instituição. Vejo o sucesso inegável da Web em fornecer acesso a conhecimento sem precedentes em escala planetária e me pergunto: 1. como usar esta tecnologia para as funções duais da Universidade: disseminação e construção do conhecimente e 2. como aprender da Web: porque teve tanto sucesso e como podemos abstrair as razões deste sucesso e aplicar aos nossos objetivos.
  3. Estudos quantitativos mostram que tecnologia edacional é eficaz, sobretudo quando aplicado de forma complementar e quando usado para a criação de ambientes educacionais mais complexas e ricas.
  4. O estudo em questão é uma meta-análise de 50 estudos feito após 2000.
  5. Mesmo reconhecendo os limites deste tipo de estudo quantitativo ("só pode melhorar o que mede" mas isto significa que somente melhora o que mede e o que pode medir pode não ser o que realmente interesse), mesmo assim, é interessante refletir que aparentemente uma intervenção simples (aplicar tecnologia educacional) é equivalente a 1-2 anos de ensino superior!
  6. A Web é revolucionária, vai mudar (está mudando) a sociedade profundamente e Educação em particular. Vejo a Web, o espaço global de informação mais bem sucedido na história da humanidade, que deu acesso sem precedentes à conhecimento e me pergunto: quais foram as características da Web que deixaram isto possível e como usar isto para alcançar os nossos objetivos?
  7. Cada nova tecnologia é capaz de transformar a sociedade. Veja o exemplo numa única área: a língua escrita
  8. O Orígenes foi o primeiro usar a invenção da página que possibilita o uso crítico de textos (em vez de meramente como meio de preservação) porque agora pode apontar para um determinado lugar num texto.
  9. O Cervantes é tido como o inventor da novela: ficção agora é possível porque a imprensa (Gutenberg) permite a distribuição relativamente barata de livros.
  10. De forma análago, estamos com a internet e a Web no incunábulo, um período de transição e estamos inventando neste instante o que pode ser feito com as possibilidades novas.
  11. Uma coisa que é possível agora, com o custo marginal quase zero de distribuir e fazer cópias de material digital, é dar acesso a material didático para todo mundo, grátis. O conceito de Recursos Educacionais Abertas é um pouco mais complexo, incluindo novas formas de re-usar e re-combinar pedaços de conteúdo, necessitando novas normas e leis acerca de atribuição e direitos do autor
  12. Nós no CEPA também estamos envolvidos nesta área, usando a Web para disseminação de material didático. O nosso diferencial é que sabemos usar a Web e seus formatos e linguagens nativos de tal forma que os nossos recursos se integram bem com a Web e as suas habitantes (usando hiptertexto, se dar bem com Google, etc.)
  13. Mas a Web é mais do que um mero espaço de disseminar informação.
  14. As redes modernas conseguem combinar disseminação de informação, com comunicação entre pares e criação de ambientes colaborativas, juntando num meio só o que antigamente vários meios (radio-difusão, telefone, etc) separadas tinham que fazer. Segundo Benkler, a facilidade de coordenação entre grupos ad hoc faz com que uma terceira via (além de mercados e organizações hierárquicas) se abre para construir, em particular,  bem comuns. 
  15. Como esta mágica funciona? O segredo do sucesso da internet e da Web é que são plataformas abertas, neutras e distribuidas, levando a uma baixa barreira de entrada para idéias, que competem entre si (mas sem necessariamente usar o mecanismo de preço, com em mercados) para as melhores aplicações e inovações sobreviveram.
  16. No caso da Web, isto levou a um acesso à conhecimento sem precedentes na história da humanidade.
  17. Para ter uma idéia o que uma baixa barreira de participação significa, em 2008 foram "produzidos" 45 GB por pessoa na planeta, na Web. 
  18. Resumindo: a lição da Web e da internet é que para criar plataformas onde inovação pode ocorrer, é preciso criar plataformas abertas, neutras e distribuidas, seguindo o chamado princípio end to end. Veja também "neutralidade da rede"
  19. No contexto da Educação, vejo a Web, a internet e sua arquitectura distribuída e me pergunto: será que não precisamos de-centralizar? Decentralizar, dar poder nas mãos dos atores mais próximos aos alunos, não significa necessariamente ser escravo da lógica do mercado. Benkler e outros mostram que decentralização pode muito bem ser não baseado em transações financeiras.
  20. Uma tentativa de replicar o sucesso da Web e tentar fazer a mesma coisa com pessoas (redes de pessoas, em vez de documentos).
  21. Mas por agora temos um "Web Social" dominado por empresas e organizações tradicionais. Como aplicar as lições da Web neste espaço?
  22. A Web moderna é participativa: é muito fácil contribuir e participar
  23. centenas de fotos digitais são compartilhadas por segundo . É óbvio que isto tem aplicações na Educação, onde o sonho de cada educador é deixar os seus alunos participar ativamente no seu processo de aprendizagem
  24. E não importa que tem muito conteúdo de baixa qualidade, na verdade é uma ótima oportunidade para mostrar como conhecimento é construído, negociado, etc. Wikipédia serve para "olhar na cozinha" da construção de consenso (em contraste com conteúdo "de qualidade", feito por editores, onde nunca sabe quais os conflitos de interesse são).
  25. Moodle é uma maneira de usar toda esta tecnologia moderna da Web em apoio à Educação. Implementamos uma integração com Júpiter/Fênix (baixa barreira de entrada para professores e alunos). O conceito central no Moodle ainda é a disciplina e o professor, que está no centro das atenções no sistema. Por isto  talvez "entre na cabeça" dos docentes da USP, por ser um sistema análogo a uma sala de aula tradicional. Está acontecendo coisas muito interessante nesta plataforma, mas são iniciaivas pontuais, sem visibilidade para outros professores aprender (a grande vantagem de REA e Educação Aberta), não há comunidade e projeto educativo conjunto. Não se valha de toda potencial “disruptivo” e inovador de redes abertas e distribuídas.
  26. Por isso, tentamos, com o Stoa, uma coisa diferente. Motivado pelos resultados de uma experiência mostrando que as nossas turmas não são muito coesas...
  27. montamos um sistema onde o conceito central é o indivíduo. O Stoa é um ambiente de aprendizagem, mas distribuída (até um certo ponto) e sobretudo útil para apoiar aprendizagem informal.
  28. Tem um espaço de arquivos
  29. Um blog
  30. Um perfil
  31. Formação de grupos, fóruns, etc.
  32. Espaços colaborativos
  33. Há 'bastante" atividade (mas não sei direito com o que comparar).
  34. Tem usuários mais jovens do que a população típico da USP.
  35. Muito conteúdo está sendo produzido, visível pelo Google, levando a muitos visitantes
  36. 6 mil visitantes únicas por dia, 3 milhões em 2 anos
  37. Entre o top 10 do abril, tinha atualidades (um relato de um assalto), extensão (uma médica explicando tireoide) e o fórum de uma disciplina
  38. Mas toda esta anarquia não suja o nome da USP?
  39. Como inserir um sistema em forma de rede (com gestão "horizontal", pelo consenso) num instituição como a USP que é organizado de forma tradicional, hierarquicamente?
  40. Finalmente, uma outra preocupação é a desigualdade de participação.A primeira vista, houve um crescimento saudável de um critério agregado (número de posts no segundo ano do Stoa. Mas a distribuição sobre os participantes, mostra-se preocupante: é uma distribuição extremamente desigual, do tipo distribuição de rende ou tamanhos de cidades onde o mais rico tem muitas ordens de grandeza mais do que a média ou mediana. Estas distribuições com "caudas pesadas" são típicos em sistemas onde ocorrem fenômenos do tipo "mais pelas mesmas".
  41. Verifique-se estas desigualdades de participação (10% dos usuários é responsável por 60% do conteúdo) em outras métricas de participação também. Se o objetivo é criar ambientes educacionais, estas desigualdades devem preocupar. Mostra que precisamos não somente focar na questão de "acesso à informação" ou acesso a recursos mas também na questão de letramento digital (todo mundo tem condições de participar?).

 

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outubro 22, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

[Alguns anos atrás desenhei uma experiência didática para alunos de uma disciplina de Física experimental para biólogos. A ideia era mostrar a interação entre experimento e modelo teórico e como um influencia o outro. Começando com um modelo simples, achado pelos próprios alunos, estes iriam modificar este modelo ao passo que as medidas experimentais estavam sendo obtidas. Acho que não funcionou:  a experiência é simples demais para prender a atenção e os conceitos por trás complexo demais para estes alunos. Adaptado do texto originalmente publicado em abril 2004 aqui]

Metodologias e apresentações científicas

A visão do Francis Bacon (1561 — 1626) [1] a respeito do progresso da ciência era que observamos a natureza, ou fazemos experiências e depois as teorias se apresentam como óbvios aos nossos mentes. Nem esta visão ingênua (método indutivo), nem outros possibilidades simplistas (por exemplo o esquema hipótese, verificação/refutação, hipótese, etc) descrevam o real processo de criação de cientistas reais. Mas, para os fins de exposição e apresentação dos resultados, muitas vezes um esquema padronizado é usado.

Na física por exemplo, muitas vezes uma apresentação (artigo, palestra etc.) começa com uma estrutura teórica ou até previsões detalhadas para os resultados experimentais. Depois vem os resultados, apresentados e analisados de tal maneira que apóiem ou desmintam a teoria. Ou seja, a apresentação pelo menos, segue um padrão dedutivo. Na biologia, a convenção de apresentação em geral é indutiva (introdução, resultados apresentados supostamente sem preconceitos, discussão).

Mas veja o que Peter Medawar diz, no paper “Is the Scientific paper a fraud?” [2]

The inductive format of the scientific paper should be abandoned. The discussion […] should surely come at the beginning. The scientific facts and scientific acts should follow the discussion, and scientists should not be ashamed to admit, as many of them apparently are ashamed to admit, that hypotheses appear in their minds along uncharted byways of thought; that they are imaginative and inspirational in character; that they are indeed adventures of the mind.

Independente do que o seria a melhor maneira de apresentação, deve saber qual é a convenção usada na sua área. Geralmente é conveniente se conformar, se quiser que o seu público alvo te entende (e depois que ganhou um prêmio Nobel, pode fazer o que quer).

Num relatório de Física usualmente usamos o formato dedutivo (teoria, dados, discussão). A ideia da experiência descrita a seguir é de mostrar como um modelo teórico deve se adaptar ao passo que as medidas são obtidas. É preciso ser consciente da diferença entre a maneira que os resultados são apresentados e como foi de fato o processo inteiro da construção e adequação do modelo teórico.

Experiência

Num laboratório didático, os alunos geralmente acabam verificando um modelo ou estrutura teórica proposta pelo professor. A idéia da experiência do pêndulo era fugir deste esquema, e introduzir um problema simples para que os alunos podem construir e verificar eles mesmos um modelo a ser testado. Idealmente, os alunos podem sentir a interação contínua entre modelo e experimento.

Pêndulo interrompido, concebido por Galileu. Figura original do 'Discorsi'.

Em Duas Novas Ciências [3] Galileu discute um pêndulo interrompido por um pino ou prego (ponto E). O objetivo dele era demonstrar conservação de energia: solto do ponto C no lado direito, a bolinha chega no outro lado até as mesmas alturas nos pontos D, G e I, independente da posição do prego e a trajetória da bolinha. Mas ele observa:

Se, enfim, o prego fosse fixado tão baixo, que a parte do fio que ultrapasse o prego não chegasse a alcançar a linha CD (o que aconteceria se o prego estivesse mais perto do ponto B do que da intersecção de AB com a horizontal CD), então o fio se chocaria com o prego, enrolando-se neste.

Ou seja, Galileu afirma que quando o pino está numa altura que é a metade daquela que a bolinha foi solta, a bolinha se não consegue subir suficiente, se choca com o pino e enrola neste. Nos termos da apostila: a altura crítica hc da onde precisamos soltar a bolinha (para deixar a bolinho se chocar com o pino) é o dobro da altura do pino: h_c = 2h_p.

O raciocínio parece simples: solta de uma determinada altura, a bolinha “quer” chegar na mesma altura no outro lado. Mas não pode subir mais do que duas vezes a altura do pino, h_p, porque depois do fio se deparar com o pino, a bolinha descreve uma trajetória com raio h_p. Veja a figura a seguir:

O pêndulo interrompido por um pino. A bolinha é solta de uma altura menor do que hc, chegando na mesma altura no outro lado Quando a bolinha é solta de uma altura maior do que hc, o fio se enrosca em volta do pino

Este é o modelo que a maioria dos grupos testaram. Alguns grupos já viram antes de fazer as medidas que hc devia ser o dobro de h_p, outros grupos descobriram o raciocínio enquanto faziam as medidas. Mas há um pegadinho: este modelo ingêneo não leva em conta que o fio pode se dobrar.

Resultados e Discussão

O movimento presuposto pelo modelo ingênuo — primeiro um circulo com raio L, depois um círculo com raio hp — não é exatamente o que acontece. Há alguns refinamentos do modelo que podemos fazer:

a trajetória da bolinha é circular até o fio fazer um ângulo de 35 graus. Depois o fio se dobra, e a bolinha descreve uma parábolo de queda livre

  1. Não é difícil de mostrar [4] que o movimento da bolinha depois do fio se chocar com o pino somente é circular se altura da onde soltamos a bolinha h é maior do que 2,5h_p. Se h = 2h_p, o fio se dobra numa certa altura, e a bolinha segue uma parábola de queda livre (veja a figura acima). Pode se mostrar que isto diminui a altura crítica (para a bolinha bater no pino) para h_c = 1,87h_p.
  2. Mas qualquer perda de energia mecânica (por resistência do ar ou durante o choque do fio com o pino) vai aumentar a altura crítica, porque é preciso mais energia mecânica para superar estes perdas.
  3. O efeito do raio finito do pino (0,6 cm) deve ser pequeno para alturas suficientemente grandes.

altura crítica contra altura do pino. O melhor ajuste é -1,3 + 1.97h_p

Na figura acima, plotei os resultados dos grupos. O ajuste linear dá um coeficiente de (1.97±0.01). O resultado das minhas medidas deu um resultado muito parecido: (1.95±0.01). Explico a diferença com a previsão do modelo mais sofisticado (1,87) por perdas de energia mecânica (atrito, resistência do ar).

É engraçado que as perdas levam o coeficiente de volta à nossa primeira expectativa, o fator 2 que Galileu também previu. Confesso que depois de ter feito a conta que levava ao fator 1,87, achava que Galileu certamente não tinha feita a experiência, porque seria fácil de observar um diferença de 7% e porque Galileu faz em outros lugaras uso de vários "experiências de pensamento". O papel de experiências na ciência em geral e para Galileu em particular continua sendo investigado [5].

Notas e Referências

Palavras-chave: Galileu

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setembro 30, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Em novembro do ano passado usei uma imagem licenciada sob uma das licenças do Creative Commons na comunidade OERworkshop, aqui no Stoa. Descobri agora que esta imagem não é mais livre. Aparentemente a autora decidiu comercializar a sua imagem. Mas na época eu tinha o direito de re-distribuir (usar no meu espaço, fazer cópias) desta imagens. Este direito não é revogável.

Veja a tradução do FAQ do Creative Commons:

"As licenças do Creative Commons não são revogáveis. Isto significa que você não pode impedir alguém, que tenha obtido seu trabalho sob uma licença Creative Commons, de usar o trabalho em concordância à licença. Você pode parar de distribuir seu trabalho sob uma licença Creative Commons a qualquer momento se quiser; mas isso não retirará nenhuma cópia do seu trabalho de circulação que já venha a existir sob a licença Creative Commons, sejam essas cópias textuais, cópias inclusas em trabalhos coletivos e/ou adaptações do seu trabalho. Portanto você tem que pensar cuidadosamente quando escolher uma licença Creative Commons para assegurar-se que você deixa que as pessoas usem seu trabalho de forma compatível com os termos da licença, mesmo se você depois deixar de distribuir o seu trabalho. "

O  interface do flickr.com (e do Stoa também) facilita atribuir uma licença do tipo Creative Commons ao seu trabalho. É possível mudar a licença de todas as suas fotos com alguns cliques. Mas é importantíssimo entender que não pode revogar os direitos que deu ao seu público na passado.

Ainda tem um problema técnico/jurídico: como eu comprovaria que na época a imagem tinha uma determinada licença? Se a autora da imagem que mencionei vem me cobrar, não saberia o que fazer.

Palavras-chave: creative commons, fap0459, Licença Creative Commons

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agosto 20, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

A USP deve ou não deve participar do ENADE (antigo Provão)? Pode-se fazer argumentos pro e contra, mas independentemente desta questão, vale a pena pensar sobre os resultados das avaliações feitas até agora. São surpreendentes, e parecem mostrar ou a ineficácia dos nossos instituições de ensino superior ou a inabilidade da Enade de medir algo relevante. [ O texto ficou longo e pomposo demais, mas não consigo encurtar agora. Pelo menos dá uma olhada nos gráficos e o intermezzo]

Introdução

Imagine que precisamos desenhar uma política pública que melhora o nosso sistema educacional. Há urgência, porque há uma clara correlação entre habilidades coginitivas e desenvolvimento (econômico por exemplo), tanto para indivíduos como para sociedades inteiras.

O que não deve fazer, segundo o estudioso Eric Hanushek, é simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro investido no sistema escolar. Por exemplo, pelo menos nos EUA não há evidências para correlações claras entre tamanhos dos classes e desempenho educacional. Na verdade, é surpreendentemente difícil achar, na atual situação nos EUA (e em outros paises, inclusive os em desenvolvimento) qualquer correlação entre recursos gastos e desempenho dos estudantes. Mas isto não quer dizer que dinheiro ou outros incentivos não podem melhorar a educação. Simplesmente quer dizer que não é conhecido em quais circunstâncias mais recursos fazem uma diferença ou como aplicar estes recursos. Por exemplo, é conhecido que bons professores e boas escolas influenciam significativamente os resultados dos seus alunos. O problema é identificar os bons professores e escolar e incentivar seja o que for que eles fazem que leve aos resultados desejados.

Temos aqui um clássico problema de alocação de recursos. Tradicionalmente o "mercado" é usado para resolver o problema de integrar os milhões de pequenas indicadores e fontes de informações, para chegar numa alocação "eficiente" em algum sentido.  Um mercado de agentes (alunos, professores, instituições) competindo por recursos seria uma possibilidade, mas desde o próprio Adam Smith sabemos que o mercado nem sempre leva ao resultado desejado, em particular no que diz respeito valores básicas de justiça e igualdade de direitos básicos de cidadãos. Especialmente na área de educação quase todos as sociedades optam por um sistema altamente regulado pelo poder público.

Avaliações

Seja para identificar as melhores escolas, seja para fins de credenciamento, vamos precisar de mecanismos de avaliação feito por um órgão externo aos alunos, professores e instituições, um órgão geralmente centralizado (em oposição ao "mercado") que impõe as normas e regras. É uma verdade óbvia que não pode melhorar o que não é medida e este é a justificativa das avaliações geralmente dada. Neste cenário é óbvio que é de extrema importância o que é medida e qual a correlação com um suposto "valor intrínseco" do sujeito sob estudo.

Não precisamos entrar em considerações epistemologicas sobre o perigo de essencialismo e outras tentativas de classificar elementos de realidade em hierarquias ou classes eternos. É claro que valor intrínseco depende de contexto e que avaliar é necessariamente um processo subjetivo.

Mais do que isso: muitas vezes (quando tem gente involvido) avaliar implica num comprometimento moral do avaliador com o avaliado. Em vez disso, muitas vezes temos avaliações numéricas, uni-dimensionais e usadas para fins de ranqueamento por burocratas preguiçosos e covardes (porque não querendo se comprometer com uma avaliação real do valor intrínsico do sujeito, se escondem atrás de um número supostamente objetivo que refletiria o valor intrínseco do sujeito).

Infelizmente, desde algumas décadas, instituiu-se um clima intelectual (consenso?) que avaliações somente deviam ser feitas de uma maneira quantitativa e "objetiva", em particular, por meio de testes padronizadas. Um exemplo é o movimento para "evidence based medicine", que na sua forma radical diz que a única forma válida de fazer medicina é baseado em estudos clínicas controlados, double blind, grupos de controle, etc. Parece uma posição óbvia - quem não quer se basear em evidências bem testadas - mas negar a validade de qualquer outra maneira de fazer ciência (estudos de caso, pesquisa qualitativa) é um equivoco muito grande acerca de o que é evidência e como a ciência progride.

Um outro exemplo é na educação. No início deste século o Bush instituiu nos EUA o programa No Child Left Behind, uma lei que atrela financiamento das escolas aos resultados em testes padronizados. No âmbito das políticas públicas (talvez nem tanto na academia), institui-se novamente um clima intelectual em que somente determinadas metodologias são aceitas: What Works, é o slogan.

Para uma outra visão crítica acerca de avaliações no âmbito da educação, veja alguns posts do Andre: A meritocracia educacional - Estudante vs Professor e A meritocracia educacional - A atividade do professor

Enade

No Brasil, a Enade (antigo Provão) é um dos ingredientes do sistema de avaliação da educação superior, o SINAES, que visa avaliar as instituições, os cursos e o desempenho dos estudantes. A avaliação dos cursos dos IES (Instituições de Ensino Superior) é feito por meio de testes padronizadas aplicados aos ingressantes e concluintes dos cursos (a Enade) mas também 

"pelas comissões de avaliadores designadas pelo Inep [que se caracterizam] pela visita in loco aos cursos e instituições públicas e privadas e se destinam a verificar as condições de ensino, em especial aquelas relativas ao perfil do corpo docente, as instalações físicas e a organização didático-pedagógica."

De uma forma geral, as instituições públicas são em favor de avaliações mais amplas e abrangentes e as instituições particulares são em favor das avaliações numéricas que a Enade faz. Sem entrar ainda discussão do mérito do Enade ou o que mede e qual a relação com a qualidade de cursos, é interessante ver alguns resultados.

Resultados do Enade

A prova é aplicado a uma amostragem (calculado para dar incertezas adequadas) de ingressantes e concluintes de um determinado curso. Tem 7 até 10 questões sobre conhecimentos gerais (2 ou 3 discursivas) e 20 ou 30 questões sobre conhecimentos específicos do curso.

Veja os resultados das parte conhecimentos gerais de 2007 para Agronomia (escolhido arbitrariamente, veja todos os relatórios de 2007). A média de notas se deslocou de 49 para 56, ou 0.4 desvio padrão [Veja embaixo com interpretar este deslocamento].

Me parece um ganho extremamente pequeno para 4 anos de estudos. Pelo menos para os conhecimentos específicos as diferenças são maiores: a média foi de 38 para 54 ou 1 desvio padrão. Mesmo assim, um desvio padrão! É só isto que quatro anos de educação faz?

Estas distribuições são das notas sobre todos os alunos do pais inteiro. É uma possibilidade que existem instituições de ensino que elevam desempenho dos seus alunos muito mais do que outros. Felizmente, a Enade disponibiliza alguns dos dados brutos. Em particular, temos as médias das notas de cada instituição de ensino. Veja a distribuição das diferenças entre as médias dos concluintes e ingressantes, dividido pelo desvio padrão da distribuição de todos os alunos (16 pontos).

De fato, a distribuição é ou pouco larga (média 1.1, desvio padrão 0.4), mas o fato permanece que a grande maioria das instituições não conseguem elevar o desempenho dos seus alunos mais do que um desvio padrão.

Uma última análise, o histograma das médias das instituições da prova de conhecimentos gerais:

Vemos que o desvio padrão da média das médias não é de longe menor por um fator raiz de 20 ou 30 do que o desvio padrão da população inteiro. Acho que isto quer dizer que, como esperado, os alunos não se distribuim aleatoriamente sobre as instituições do país. Os melhores alunos devem se agregar em determinadas instituições enquanto os piores alunos se agregam também, levando a esta larga distribuição das médias das instituições.

Finalmente, veja o caso da Licenciatura em Física, 2005 (todos relatórios de 2005). O deslocamento da média foi de 23 até 29 ou 0.4 desvio padrão. Estes dados precisam ser tomados com cuidados, porque nesta prova houve muitos alunos que entregaram a prova em branco. Mesmo assim, entre os que fizeram uma tentativa, novamente é muito pequeno a diferença entre ingressantes e concluintes.

Intermezzo: interpretações do tamanho de efeito

Para quem está acostumado com distribuições de valores é útil expressar o resultado de uma intervenção experimental em termos de quantos desvios padrão a média do grupo tratado difere da média do grupo de controle. Mas para o resto de nos, é necessário interpretar estes valores em termos mais familiares.

A primeira observação importante é que ao ouvir afirmações do tipo "uso de tecnologia de rede melhora os resultados educacionais e o tamanho do efeito é 0.34" devemos evitar as nossas tendências  essencialistas. A afirmação não quer dizer que todos os alunos do grupo "tratado" se beneficiaram. Somente quer dizer que pegamos aleatoriamente 2 alunos de cada grupo, há um chance de 60% que o aluno do grupo tratado fez melhor do que o aluno do grupo não tratado (se não houver efeito, as chances seriam 50%). Para um tamanho do efeito de um desvio padrão, as chances seriam 76%. [Estas contas dependem da normalidade das distribuições.]

Uma outra maneira de criar intuição sobre tamanhos de efeito é comparar eles com efeitos familiares: um efeito de 0.2 desvio padrão é a diferença entre a altura de meninas de 15 e 16 anos (provavelmente imperceptível: conseguira distinguir um grupo de meninas de 15 anos de um de 16 anos?). A diferença de altura entre meninas de 13 e 18 anos é 0.8 desvio padrão. Estudos sobre intervenções educacionais raramente relatam efeitos de mais do que 1 desvio padrão e é muito mais comum encontrar valores menor do que 0.5.

Discussão

O que quer dizer o fato que há tão pouca diferença entre ingressantes do ensino superior e os concluintes? Me parece ter duas principais explicações

  1. O nosso ensino superior de fato é muito ineficaz, o modelo de "transferência" de conhecimento e aulas expositivas é falido, os professores e instituições fingem que ensinam e os alunos fazem de conta de aprendem, já que somente estão interessados na função credenciamento da instituição, não na aprendizagem em si.
  2. As provas da Enade não medem direito o que alunos aprenderam e o real valor agregado das instituições de ensino.

Um ponto positivo é que se é verdade que incorporar um pouco de tecnologia de informaçao e comunicação nas suas aulas pode dar uma melhora de 0.34 desvios padrão nos resultados, então estas medidas muito simples e baratas podem melhorar o nosso ensino o equivalente de 1 ou 2 de estudos!

Finalmente, a USP deve participar do Enada? A USP e Unicamp alegam que não precisam participar da Enade porque fazem parte do sistema educacional do Estado e devem ser avaliados pelo Estado. Mas isto obviamente é um argumento meramente formal. O que impede realmente a USP participar? O fato óbvio é que não é do interesse de ninguém que está no topo (ainda que seja só na percepção) de participar numa avaliação: só pode perder! Por outro lado, a USP não faz parte do Brasil? Porque aplicariam regras diferente?

Argumentos a favor: a USP não está acima da Lei, uma avaliação dos cursos da USP pode levantar dados interessantes. Também, a USP deve participar justamente para pressionar as faculdades particulares se adequar em termos de números de doutores, equipamentos etc.

Acho que o argumento mais sério contra a participação da USP da Enade é que se acreditamos que a Enade é uma avaliação fundamentalmente equivocada, então a participação da USP não deveria conferir crédito e valor neste exame. Neste argumento, a USP deve usar o seu poder de barganha e posição no cenário intelectual para pressionar para um exame melhor. Se de fato, a minha segunda interpretação é válida - a prova não mede o que importa - então esta seria uma posição razoável.

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agosto 16, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Este é uma palestra recente de Sokal (habilmente resumida aqui). É 38 minutos, o Sokal fala bem e com clareza, vale a pena assistir.

Não fiquei muito impressionado. A afirmação básica que o Sokal faz é: existe um Weltanschauung (visão do mundo, assim que wikipedia traduz worldview, fazer o que?) científico que inclui sobretudo respeito por fatos, evidências e observações. Os inimigos desta visão do mundo estão causando grandes prejuízos (veja por exemplo as negações de Bush de aquecimento global e a desastrosa política ambiental resultante).

Mas abrindo quase qualquer livro de Feyerabend traz evidências abundantes que não existe uma única visão "científica" do mundo. Sokal admite que cada ciência (note: não "a" ciência") tem os seus próprios métodos e critérios de validade (que não são fixos) mas ainda assim acha que existe uma "essência" de que é ciência, como conseguir resultados ou pensar "direito". Mas estou com Feyerabend neste ponto: a ciência e o processo de fazer ciência é diverso demais para ser capturado numa única metodologia ou "filosofia de ciência". Os exemplos na história da ciência de "visões de mundo" completamente incompatíveis um com o outro (entre ciências e dentro de uma ciência ao longo da história) são abundantes demais.

Claro que concordo com os ataques de Sokal a relativistas pós-modernas, defensores de homeopatia e outros impostores intelectualmente vazios. Mas ele vai longe demais ao querer substituir uma visão cínicamente relativista da ciência por uma visão rígida e normativa demais.

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julho 31, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Comentário feito neste post, http://blogs.nature.com/wp/nascent/2009/07/lies_damn_lies_and_d , aguardando moderação.

Bit of a strawman argument you are making here. It's not just download stats, the issue is a move to include usage-data, as wel as citation data, in the measures for "impact" that we use. The inadequacy of journal impact factors for just about any purpose is well known, now we must convince funding agencies and review boards to consider better proxies for quality. Web based publishing mean that these better proxies can include usage-data.

See http://www.plosone.org/article/info:doi/10.1371/journal.pone.0006022 for an analysis of lots of citation and usage based impact measures.

 

Palavras-chave: nascent, nature

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julho 28, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Segundo o UOL,

A três universidades estaduais paulistas, USP (Universidade São Paulo), Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), decidiram, nesta terça-feira (28), adiar o retorno às aulas do segundo semestre para o dia 17 de agosto, seguindo orientação da Secretaria Estadual de Saúde para combater a gripe suína. A informação é da assessoria de imprensa da Unicamp.

Porque ficamos sabendo disto via o UOL? Não recebi email da reitoria, não tem noticias no portal principal. #falhadecomunicação

[atualizado 19h] Comunicado da ReitoriaUSP Online

Palavras-chave: Gripe Suina, usp

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julho 24, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Ser contra liberdade de expressão é como não gostar de filhotes de gato, praticamente impossível. Assim, argumentos e posicionamentos que usam as expressões "liberdade de expressão" ou "censura" tendem a ser vazios intelectualmente. Sim, em debates precisamos de slogans e metáforas para abreviar argumentos longos, resumir conceitos complexos e para indicar o nosso referencial. Sim, a língua é uma plataforma e em cima dos slogans e metáforas do passado construímos novos conceitos e idéias, progredindo, sem precisar perder tempo e ficar explicando sempre as mesmas coisas. Mas isto pre-supõe entendimentos e significados compartilhados e parece que há quem acha que liberdade de expressão significa "o direito de expressar qualquer coisa em qualquer circunstância em qualquer lugar e a constituição me garante este direito". Um minuto de reflexão mostraria que a verdade é muito mais complexo e interessante (para certos valores de interessante).

Por exemplo, nos EUA a constituição somente garante o direito ao cidadão de dizer em espaços públicos o que quer sem ter medo de retaliações do governo (pode dizer quase tudo, as exceções como calúnia, etc. são interessantes de investigar também). É uma proteção do cidadão contra o poder público. No Brasil não deve ser muito diferente, embora que, como se diz em internetês lá em ciber-gringolândia, IANAL, TINLA.  Mas isto não quer dizer que posso entrar na redação da Folha, digamos, sentar numa mesa e usar os computadores dele para que a minha opinião saia no jornal no dia seguinte. Visitantes da minha casa não tem o direito de falar qualquer coisa lá dentro. Tenho o direito de investir dezenas de milhões para começar um jornal e distribuir as minhas opiniões. Ou posso ficar na praça do Sé e tentar se comunicar lá com os interessados em minhas ideias.

Ou seja, a liberdade de expressão é limitado por vários fatores. Veja como Lawrence Lessig visualiza a interação entre restrições e proteções dos nossos direitos:

As nossas liberdades e direitos são garantidos e protegidos (veja o anél protetora ) mas também restritos não somente pela Lei, mas também por outros elementos do ambiente em que vivemos: as normas sociais, as realidades econômicos do mercado e a própria arquitetura, a maneira que o ambiente em que vivemos é desenhado. A pergunta é: como estes direitos, liberdades, proteções e restrições mudam na Internet?

A análise do Lessig é mais sofisticado daquele que fiz aqui, onde analisei somente três esferas onde um indivíduo pode (ou não pode) se expressar: na esfera pública, numa organização ou num ambiente social. Cada um destes meios limitam e liberam as nossas expressões de alguma forma. Afirmei que a Internet e a possibilidade de qualquer um controlar o seu próprio domínio mudava sobretudo a liberdade de expressão no âmbito organizacional. Quem controla ou é responsável pelo domínio, determina o que pode ser dito neste domínio (procure aqui), completamente análogo a uma organização, onde o editor/dono/direitor/chefe/reitor/presidente em última instância controlem o que pode ser dito no âmbito desta organização. A diferença é que qualquer um com R$30  pode ter a sua "organização" (mas veja embaixo para uma ressalva empírica).

O Lessig vai além. Ele não é nenhum tecno-anarco-utopista-hippie típico dos anos 90, na verdade gasta maior parte do livro avisando que a arquitetura técnica original da internet, distribuída, p2p, etc. pode ser desvirtuada pelos restrições impostos por políticos. Mesmo assim, avalie que a arquitetura, a forma, das novas tecnologia de rede influenciam profundamente, na direção de mais liberação, todos as condições de contorno que restringem a liberdade de expressão.

Não tenho muito certeza: vejo que quando pessoas se viram forçados deixar o Stoa pelas restrições impostos aqui, não foram para o seu próprio domínio (apesar das minhas explicações tão lúcidas e um custo de somente R$30 + o trabalho de achar um hospedagem grátis em algum lugar). Em vez disso, migraram para outras plataformas de blogs, talvez com políticas mais transparentes, mas ainda controlados por empresas ou outros indivíduos e por isso, não fundamentalmente diferente do ponto de vista de liberdade individual. Isto mostra que há ainda outros dificuldades, técnicos ou sociais, que impedem indivíduos de alguma forma usufruir das liberdades que tem.

Um destas dificuldades deve ser o inegável valor de participar de uma comunidade ou rede. O efeito de rede - quanto mais pesoas participam, quanto mais útil a rede é - leva também a concentração e uniformização. Usamos Twitter, porque os nossos amigos estão lá. Mais ao participar de uma comunidade gerida por outros troca-se controle por influência e relevância. É a velha escolha entre redes hierárquicas com controle centralizado, redes federadas e redes distribuídas. O problema de hierarquias é o gargalo de processamento de informação dos nós superiores mas a vantagem é controle de qualidade e a agilidade do controle sobre a organização inteira. O problema de redes distribuídas é achar informação e ação coordenada, mas a vantagem é a autonomia dos nós e o resultante poder de inovação.

Parece que para cada arquitetura distribuida bem sucedida é criado um sistema centralizado.  Em cima da arquitetura distribuída e peer to peer da internet onde todos os servidores eram iguais, foi construído o sistema de nomes para domínios DNS, hiearquico e centralizado. Em cima desta plataforma foi construído a Web, uma arquitetura distribuída onde cada documento vive em liberdade, igualdade e fraternidade com os outros, até dinâmica de rede e serviços de busca como Google novamente centralizam e concentram. A arquitetura federada e aberta de email (qualquer servidor, inclusive exércitos de PC zombies, que falem o protocolo SMTP pode participar) fez necessário ação coordenado e centralizado contra spam.

Liberdade de expressão é um direito vazio se ninguém te escuta. Numa rede distribuída onde informação se perda e a sua relevância vai com 1/N não é melhor do que uma ditadura. No mundo real e em regimes democráticas se usa representantes, votações e outros métodos de governança para implementar os direitos dos cidadãos. É engraçado que  em ambientes virtuais raramente se encontra elementos democráticos. Geralmente há longos períodos de anarquia interrompidos por episódios ditatoriais (isto lembra alguma coisa?). Um problema é que democracia requer trabalho, participação e comprometimento por parte dos usuários...

Agora, voltando a liberdade de expressão, a questão até que ponto uma universidade pública é um espaço público é interessante. Defendi plataformas abertas no contexto da universidade pública, filtros na saída em vez de editores na entrada, etc. etc. Mas é difícil defender lixo. Cada vez que um crackpot se manifesta aqui ou mais alguém copia e cola conteúdo sem atribuição no seu espaço ou mais um pequeno empresario faz propaganda do seu negocio aqui me pergunto, vale a pena? Porque não adotar uma linha editorial? 

Seja como for, esta decisão certamente não tem nada  ver com "liberdade de expressão" no sentido da Lei. É uma discussão a ser feita no contexto da instituição.

Crédito da foto da gatinha:  Ryan Forsythe

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julho 02, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Agora que ensino a distância e Univesp viraram assunto político, fica cada vez mais difícil discutir tecnologia educacional de forma racional. E isto é uma pena, porque políticas públicas e gestão universitário devem se basear em debates e argumentações ricas em detalhes, ressalvas, incertezas e não em slogans e idéias uni-dimensionais.

Assim, a apresentação recente de um relatório sobre ensino em rede (online) vem numa hora boa. O estudo "Evaluation of Evidence-Based Practices in Online Learning: A Meta-Analysis and Review of Online Learning Studies" faz parte de uma grande quantidade de relatórios publicados pelo ministério de educação dos EUA e é uma ótima introdução para quem se interessa discutir o uso de tecnologia de rede no ensino.

Para mim, uma das contribuições do relatório mais úteis é a estrutura conceitual apresentada para situar vários tipos de ensino apoiado por tecnologia de rede. Nesta estrutura conceitual o uso de uma determinada tecnologia pode se situar num espaço definido por três eixos:

  1. Completamente a distância versus complementar ao ensino presencial. Um exemplo do primeiro seria um curso dado por meio de vídeo-aulas e um exemplo do segundo a disponibilização via Web de notas de aulas de um curso presencial.
  2. Ensino expositivo versus aprendizagem ativa versus colaborativa. Como é o processo pedagógico? Informação pode ser transferido a um aluno passivo (por meio de um vídeo-aula, um livro, um professor), ou o aluno pode aprender algo ativamente interagindo com algum artefato digital (uma animação interativa) ou uma rede de alunos podem construir conhecimento colaborativamente (tecnologia de rede que facilita interações entre alunos e professores).
  3. Síncrone versus a-síncrone. As interações entre educadores e alunos pode ocorrer em tempo real (simultaneamente) ou após um intervalo de tempo, controlado pelo aluno. Vale lembrar que com a multitude de meios de comunicação modernas (email, chat, twitter, voip, video-conferência, etc.) isto é um verdadeiro espéctro contínuo hoje em dia.

Esta estrutura, por mais simplificado que seja, é uma melhoria imensa a dicotomia simplória "educação a distância" vs "ensino presencial". Em debates sobre "ensino a distância" é preciso deixar claro do o que estamos criticando ou apoiando.

Agora podemos formular uma pergunta, dentro do contexto desta estrutura conceitual: dado um determinado uso de tecnologia educacional (digamos, um curso completamente dado a distância, usando vídeo somente de forma expositiva e a-síncrone), então como os resultados educacionais se comparem com um grupo de controle que é submetido a um ensino tradicional?

Vejam as dificuldades extremas deste tipo de pesquisa: é difícil manter a condição ceteris paribus no grupo de controle, tem as dificuldades das avaliações quantitativas: como medir um eventual melhora de "resultado educacional", os efeitos estudados tem que ser forte suficiente para se destacar em cima das variações normais entre alunos, os grupos tem que ser grandes suficientes para ter estatística razoável, etc. etc.

O relatório faz uma meta-análise de 99 estudos quantitativas, a maioria feitos após 2004. Se limita a estudos  que avaliaram os efeitos de tecnologia educacional de rede (baseada na Web, na sua grande maioria). Foram extraídos dos estudos os resultados de dois tipos de comparação: primeiro, entre ensino preseencial e online e segundo, entre ensino presencial e blended learning (incorporando elementos online, de forma complementar). 

Resumindo os resultados: na primeira categoria, um melhora muito pequeno, quase imperceptível foi observado (effect size de 0.14), na segunda categoria, observou-se uma melhora (effect size de em média 0.34) pequena. Ou seja, segundo estes estudos, ensino incorporando componentes de tecnologia de rede não piora e até melhora um pouco o desempenho acadêmico dos grupos estudados.

Uma ressalva que o relatório deixa muito claro é que não podemos concluir que "a Web" ou a mídia em que o proceso pedagógico ocorre foi a causa dos pequenos melhorias (ou até mesmo está correlacionado com elas), porque o tempo de estudo e outras oportunidades não foi mantido igual nos grupos estudados. Na verdade, é sugerido que as classes onde tecnologia educacional era empregado também variavam nas outros dimensões da estrutura conceitual discutido acima, em particular o processo pedagógico e o tempo de estudo: os alunos podem ter sido simplesmente mais bem motivado ou ter estudado por mais tempo ou de formas alternativas.

Finalmente, é impressionante, para quem não está acostumado com este tipo de pesquisas (como eu), como os efeitos observados são pequenos. Um "effect size" de 0.34 quer dizer que a média dos resultados do segundo grupo é deslocado 0.34 desvio padrão para cima comparado com a média do primeiro grupo. Para visualizar isto, veja estas duas gaussianas:

Isto significa que um aluno aleatório do segundo grupo tem uma chance de uns 60 em 100 de fazer melhor do que um aluno aleatório do primeiro grupo. É um pouco melhor do que 50 em 100, mais não muito. O fato, óbvio na verdade, é que não existe uma maneira mágica de melhorar o ensino magicamente por um fato 2 ou 3. Tem tanto inércia, tantos fatores envolvidos, que é irrealista esperar por grandes efeitos.

Mas estudos deste tipo pelo menos apontam a direção em que precisamos ir, mesmo com passos pequenos. Seria irresponsável não introduzir o uso de tecnologia de rede nas nossas salas de aula.

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junho 24, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Sempre é bom ver as novas tecnologias de rede e ferramentas de colaboração em ação. Veja a votação sobre a greve na USP, organizado pelo Anderson. Usando tecnologia "off the shelve", conseguiu montar uma votação e atraindo milhares de participantes. Porém, não podemos levar a sério o resultado, por motivos interessantes. Há um problema fundamental de confiança.

Não duvido a honestidade do Anderson e aparentemente está fazendo um bom trabalho filtrando votos duplicados e inválidos. Gostaria saber como está validando números USP e emails, mas suponhamos que isto está tudo certo. Uma coisa muito interessante é que ele disponibiliza os dados brutos (anomizados), o que de fato é essencial para transparência. Por exemplo, isto permite comparar a frequencia de ocorrência de letras dos nomes dos votantes (usei somente os votantes designado "válido") com as frequencias no Stoa e na USP, e aparentemente não há problema nenhum (me inspirei neste post sobre as eleções iranianas para fazer este análise).

 

Mas tudo isto não importa: o problema fundamental é que o Anderson é declarademente contra a greve. E isto é um problema gravíssimo, porque fundamentalmente, precisamos confiar no Anderson para relator o resultado corretamente, não mudar votos, etc. etc. Não importa o que Anderson de fato faz! Não importa o fato que podemos checar ("auditar") os resultados. Há um problema de percepção. Acredito que ele é nada senão perfeitamente honesto. Mas a mera existência da possibilidade de fraude, a mera desconfiança de parcialidade, já invalida o processo inteiro, porque quem é a favor da greve não há nada a ganhar votar a favor. A mera percepção que é uma votação feito por alguém "do outro lado" vai inevitavelmente afastar os potencais votantes. E isto vai fazer com que os anti-grevistas serão representados desproporcionalmente.

Votação é um problema grave. Em vários sentidos, técnicos e sociais. Comunidades como Wikipedia ou o IETF tentam ativamente evitar votações, em favor da busca de consenso, usando votação somente em última instância

We reject: kings, presidents and voting.
We believe in: rough consensus and running code.

Democracia direta parece uma coisa obviamente boa, mas não é a toa que a maioria das democracias do mundo usam alguma forma de um sistema de representantes. Retoricamente, poderia falar que obviamente não queremos votar para decisões técnicas como que tipo de cimento usar para uma ponte. O ponto é: 

Agora, na USP nem democracia comum tem, seria um choque muito grande implementar qualquer tipo de democracia direta. Mas obviamente não nego que em alguns casos seria interessante usar as possibilidades tecnologias nova. No caso do DCE, Sintusp Adusp etc., a questão de representativade é de fato questionável e algum sistema de consulta a comunidade seria muito útil.

Mas como falei: isto deve ser feito de uma maneira séria para ter credibilidade. Existe uma literatura grande sobre votações eletrônicas (a maioria apontando justamente as dificuldades e questões de segurança). Concordo que se seria legal fazer na USP, mas tem que ser feito por um grupo de pessoas isentos e tecnicamente competente. Dizer que é "simples", que qualquer um faz com ferramentas livremente disponível na Internet, etc. etc. é errado. Geralmente sou o primeiro a dizer que iniciativas inovadores na area de ICT devem ser implementados com mais agilidade, mas neste caso, estou com aqueles que pisam no freio. Votar, democracia e decisões da ordem política (no sentido de polis, políticas públicas etc.) devem ser tratados com o devido cuidado.

[Em tempo : instalei o sofware limesurvey no nosso servidor de desenvolvimento. É um software complicado de usar, mas um das funcionalidades é de fazer pesquisas anônimas mas fechados para um determindado público alvo. Não soluciona o problemas acima de credibilidade, mas se alguém quiser experimentar, entre em contato que dou uma conta de administador e podemos pensar como integrar isto ao Stoa.]

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maio 27, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Este é o endereço na Web para a apresentação sobre o projeto Stoa que dei no dia 27 de maio de 2009, no simpósio do FEP, o meu departamento do IFUSP.

  1. A Web é o sistema de informação mais bem sucedida da história da humanidade. É preciso entender porque aconteceu isto e usar e apropriar estas tecnologias para os nossos fins. No CEPA temos vários projetos que trazem tecnologia inspirado na Web para dentro da Instituição.
  2. Cada nova tecnologia leva a novas formas de expressão humana. A última revolução é a Web (não pdf, que é um mero equivalente de tinta no papel)
  3. É como um novo bebê, cheio de novas possibilidades, mas de notória incompetência em vários aspectos. É preciso aprender com acertos e erros
  4. É preciso pensar sobre os princípios que permitiram o sucesso da Web. Um princípio de arquitetura importante é: plataformas abertas, distribuídas e sem controle centralizado. Por exemplo, a Internet conecta servidores por meio de um protocolo simples e aberto. Isto levou a inovações muito boas como email, IM, Bittorrent, etc.
  5. A Web conecta documentos e levou a acesso à informação sem precedentes
  6. O princípio é: uma arquitetura distribuída e deixar inovação acontecer nas bordas da rede
  7. A Web Social deve fazer isto com pessoas mas é preciso pesquisar a melhor forma de fazer isto (Facebook e Orkut são centralizados e não servem para nossos fins)
  8. A grande questão é: como aplicar estas tecnologias dentro da instituição e para a educação.
  9. A Web Moderna está possibilitando cada vez mais que todos contribuem
  10. A Web está ficando participativa, tornando consumidores passivos em produtores ativos, com óbvias aplicações em educação.
  11. O Stoa quer trazer estas tecnologias para dentro da instituição, um espaço informal de aprendizagem, equivalente a praças públicas e lanchonetes (complementar a salas de aula). Aprendizagem é um processo social, além de cognitivo.
  12. Temos ferramentas para compartilhamento de arquivos
  13. para compartilhamento de ideias: blogs e comentários
  14. um perfil,
  15. ferramentas para facilitar a formação de grupos
  16. um wiki
  17. Vou apresentar os resultados, bons e ruins de 2 anos de operação. Conseguimos 9000 usuários, dos quais 1000 "ativos", fizeram 8000 posts, etc.
  18. São usuários muito mais jovens do que um uspiano típico
  19. Somos o décimo sub-domínio mais acessado da usp, somos responsáveis por da ordem de 20% das páginas indexadas da USP. A maioria destas visitantes vêm via Google
  20. Ao longo dos 2 anos temos crescidos razoavelmente
  21. Agora, focando somente no mês de abril, temos no top 10 de acessos 3 exemplos bons de conteúdo gerado pelos usuários
  22. primeiro,um post de uma médica, fazendo divulgação do trabalho dela. Os visitantes chegam via google, buscando por nódulo na tireoide por exemplo
  23. um comunidade em apoio a uma disciplina regular da USP
  24. e um relato pessoal de um assalto perto da US, mostrando a função "ombudsman" da plataforma.
  25. Mas nem tudo é uma maravilha: primeiro, a questão da moderação distribuída e como evitar "conferir valor ao que não tem".
  26. É preciso discutir com a instituição como um todo como inserir uma plataforma com um modelo de gestão sem controle central na instituição
  27. Um outro problema é a desigualdade observada da participação: grande parte da atividade na plataforma é feito por relativamente poucos. Se o objetivo é gerar muito conteúdo, tudo bem, mas se o objetivo é ser uma plataforma de aprendizagem, o critério de avaliação é a própria igualdade da participação: todos tem que (ter a chance de) participar.
  28. Vimos que no Stoa original não atraiu muita participação por parte dos docentes. Por isso começamos recentemente oferecer o Moodle, para dar ferramentas mais voltados para os docentes.
  29. Também não falei sobre os outros projetos de disseminação de conteúdo na Web do CEPA como efisica, ecalculo e o repositório de objetos de aprendizagem
  30. Resumo
  31. Obrigado

Palavras-chave: stoa

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maio 09, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

Qualquer um que já deu aula sabe como é deprimente avaliar depois quanto os seus alunos efetivamente entenderam do que tentou passar. É uma realidade, sobretudo para quem dá aulas expositivas. Não dou muitas entrevistas para jornalistas, mas não me surpreende ver alguns erros e equívocos na matéria escrita no jornal do campus sobre os acontecimentos no Stoa. Felizmente, na era de mídia digital é fácil corrigir os erros. Vou pedir a jornalista Tatiane corrigir os seguintes erros para melhorar a matéria

  1. Segunda a matéria,"De acordo com o professor Haar, o Stoa surgiu como uma tentativa de utilizar todas as possibilidade provenientes da web 2.0 dentro da Universidade. Assim, blogs, wikis e fóruns serviriam para um contato acadêmicos entre os usuários, com pouca ou nenhuma moderação." (Grifo meu). Acho que a Tatiane se confundiu aqui porque nunca diria que o Stoa é uma plataforma de publicação sem moderação. O que eu quis dizer é melhor expresso trocando a parte grifado por "criando uma plataforma onde é fácil contribuir e compartilhar recursos, com baixa barreira de entrada". A questão de moderação distribuida, usando revisão por pares e a diminuição do papel de controle central requeria mais do que uma frase para explicar direito.
  2. Imagino que a Tatiane está atribuindo esta frase entre aspas a mim: "Esse foi o nosso primeiro erro, achar que seria possível dar toda essa liberdade para os usuários em um espaço institucional”. Mas uma vez, não consigo imaginar que falei isto. Lembro claramente de tentar deixar claro para ela que ao meu ver, o erro que cometemos (principalmente meu, sendo coordenador do projeto) foi não "encaixar" o projeto direito na instituição. Uma frase melhor seria portanto algo como "O nosso erro foi não ter inserido este tipo de plataforma melhor na organização tradicional da Universidade". Ao enraizar o Stoa melhor na instituição em que está inserido, esta saberá lidar com erros como o texto de 1o de abril melhor e assim evitaremos desentendimentos futuros.
  3. "Entre elas, os textos dos usuários não poderão mais aparecer na página inicial do site, como feito anteriormente." Este frase simplesmente tem que sair. Talvez a Tatiane se confundiu ao ouvir uma explicação sobre como o Stoa foi "congelada" durante alguns dias, não sei. De qualquer maneira, não está decidido nada sobre como a interface ou o sistema de moderação vai mudar.
  4. O meu sobrenome é "ter Haar" e acho estranho ver "Haar disse...". Acredito que "ter Haar disse" é melhor.

Mais algumas observações. Não gostei muito da expressão "plataforma virtual livre". Prefiro a expressão plataforma aberta, para focar na questão da baixa barreira de entrada para participação. Acho que liberdade é uma questão ortogonal.

É muito bom que o jornal do campos está na Web. Na minha opinião, o jornalismo impresso, usando tinta, está com os seus dias contados. Jornalismo e jornalistas, por outro lado é muito importante e espero que conseguem se adaptar ao seu novo ambiente, mantendo todos os virtudes que fazem do jornalismo uma força essencial numa democracia. Assim, é uma pena que a matéria não me permite fazer estes comentários diretamente na matéria.

E porque não tem links? Se a matéria está na Web, seria bom usar as possibilidades que esta plataforma fornece. Links ajudariam leitores (e Google) para fazer sentido da estória toda.

E uma outra coisa muito legal, seria não perder a história do artigo. Agora espero que a Tatiane vai corrigir os errinhos e que a versão final do artigo vai ser melhor. Mas em nome da transparência seria ótimo se todas as revisões do artigo pudessem se públicos, ao modo de um artigo no Wikipedia. [Este é uma coisa que seria interessante para blogs também. Mídia digital permite encarar um pedaço de conteúdo menos como objeto (fixo, verdade para sempre) e mais como algo em fluxo, sempre mudando e melhorando ou pelo menos acompanhando o seu ambiente.]

Palavras-chave: Jornal do Campus

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abril 20, 2009

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Postado por Ewout ter Haar

É impressão minha ou o nível das discussões sobre teoria das distribuições e a mídia brasileira está muito alto no Stoa hoje? 

Acho que o que está faltando é foto de gato. Plataforma de publicação na Web não pode ficar sem fotos de gato.

Chasing Shadows

Palavras-chave: gata

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