Eis um post de meu blog antigo, datado de meu ano de calouro, o qual preciso desenvolver melhor.
Interessante que ainda mantenho a mesma opinião, sempre me intriguei com a supremacia da razão e da democracia. De fato, meu projeto de tese de láurea (monografia de conclusão de curso) questiona o caráter racional do Direito.
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Quarta-feira, Outubro 27, 2004
contestando o incontestável
Existem duas coisas na nossa sociedade que são, inconscientemente, consideradas como dogmas irrefutáveis, que nós muitas vezes aceitamos sem sequer pensar sobre elas.
E a primeira tem justamente a ver com pensar. No nosso mundo, a única verdade é aquela que pode ser provada racionalmente, reduzida a um raciocínio lógico-matemático, tudo mais é falso. Tudo que não é racional não importa, tudo o que quebra a lógica é, sem dúvida, falso. Mas por que damos tanto crédito à Razão é à Lógica? Será que os métodos da razão são mesmo corretos, que a Razão é o intrumento da verdade? Acreditar nisso, ironicamente, é irracional, é uma crença dogmática. Estranho isso...
Bem sabemos que há muitas coisas além da razão, coisas que não podem ser explicadas por um simples raciocínio lógico-matemático. A primeira e mais importante delas é o Amor, e todos os sentimentos que dele derivam (Amizade, Simpatia, Confiança, etc...).
O segundo dogma, menos filosófico e mais política, é a crença que a democracia é o governo mais justo e perfeito que existe. Essa é uma mentira das mais grossas! É notório que nosso sistema democrático não funciona, que as pessoas votam influenciadas pela propaganda e pelo carisma, quando não vendem seus votos... E assim, não escolhem os melhores representantes e governantes.
Porém, se você critica a democracia, todos olham com olhos tortos, todos desconfiam que você é um déspota, um tirano em potencial, um anti-democrata, e por isso, um desrespeitador de todos os direitos humanos mais básicos, pois as pessoas têm o direito de escolher seus governantes. Ridículo! As pessoas têm sim esse "direito", mas será que elas são capazes de exercê-lo? É mais ou menos como a criança, que, mesmo tendo os mesmos direitos de um adulto, não pode exercer muitos deles, por não ter discernimento. A grande massa das pessoas é assim. Por favor, não me taxem de absolutista, de aristocrata ou de elitista, mas isso é uma contastação objetiva. A democracia verdadeira demandaria uma enorme conscientização dos cidadãos (assim como uma sociedade socialista, comunista ou anarquista)... Ou, como disse Rousseau, "a democracia é um governo que convém mais aos anjos que aos homens".
Mas qual seria a alternativa para a democracia? Uma tecnocracia, onde os governantes seriam esoclhidos por critérios objetivos de capacidade? Uma aristocracia, onde os "melhores" governariam a massa? Uma despotismo esclarecido com um "rei filósofo", provedor do "bem social"?
Ainda não sei. Sei que do jeito que as coisas estão não dá pra continuar. Ainda pensarei bastante sobre isso...