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Janeiro 23, 2008

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Postado por Rafael Prince

Embora sejam a terceira maior etnia do país (após árabes e curdos), com cerca de 3 milhões de pessoas, os turcomenos do Iraque são uma minoria perseguida por outro minoria (os curdos). Foram marginalizados no processo constituinte iraquiano, e o texto constitucional menciona que "a população do país é constituída de árabes e curdos".

Vivendo no norte do Iraque, no território do atual Curdistão Iraquiano, sofrem cotidianamente o assédio das milícias curdas (pashmargas), que os expulsam de suas terras, promovendo a "curdificação" de locais historicamente habitados pelos turcomenos, como a importante cidade de Kirkuk, pólo petrolífero. Além disso, sabotam sua imprensa, a infra-estrutura de suas cidades.

O Ocidente fecha os olhos aos dramas das minorias étnicas do Iraque (como turcomenos e assírios) que sofrem com a violência curda em seu projeto política de controle territorial.

 

Fonte e mais informações: Unrepresented Peoples and Nations Organization (UNPO), http://www.unpo.org

e the Iraqi Turkmen Human Rights Foundation http://www.turkmen.nl/

Palavras-chave: Direitos Humanos, pensamentos, política, Turcomenos do Iraque

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Postado por Rafael Prince

Eis um post de meu blog antigo, datado de meu ano de calouro, o qual preciso desenvolver melhor.

Interessante que ainda mantenho a mesma opinião, sempre me intriguei com a supremacia da razão e da democracia. De fato, meu projeto de tese de láurea (monografia de conclusão de curso) questiona o caráter racional do Direito.

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Quarta-feira, Outubro 27, 2004

contestando o incontestável

Existem duas coisas na nossa sociedade que são, inconscientemente, consideradas como dogmas irrefutáveis, que nós muitas vezes aceitamos sem sequer pensar sobre elas.

E a primeira tem justamente a ver com pensar. No nosso mundo, a única verdade é aquela que pode ser provada racionalmente, reduzida a um raciocínio lógico-matemático, tudo mais é falso. Tudo que não é racional não importa, tudo o que quebra a lógica é, sem dúvida, falso. Mas por que damos tanto crédito à Razão é à Lógica? Será que os métodos da razão são mesmo corretos, que a Razão é o intrumento da verdade? Acreditar nisso, ironicamente, é irracional, é uma crença dogmática. Estranho isso...

Bem sabemos que há muitas coisas além da razão, coisas que não podem ser explicadas por um simples raciocínio lógico-matemático. A primeira e mais importante delas é o Amor, e todos os sentimentos que dele derivam (Amizade, Simpatia, Confiança, etc...).

O segundo dogma, menos filosófico e mais política, é a crença que a democracia é o governo mais justo e perfeito que existe. Essa é uma mentira das mais grossas! É notório que nosso sistema democrático não funciona, que as pessoas votam influenciadas pela propaganda e pelo carisma, quando não vendem seus votos... E assim, não escolhem os melhores representantes e governantes.
Porém, se você critica a democracia, todos olham com olhos tortos, todos desconfiam que você é um déspota, um tirano em potencial, um anti-democrata, e por isso, um desrespeitador de todos os direitos humanos mais básicos, pois as pessoas têm o direito de escolher seus governantes. Ridículo! As pessoas têm sim esse "direito", mas será que elas são capazes de exercê-lo? É mais ou menos como a criança, que, mesmo tendo os mesmos direitos de um adulto, não pode exercer muitos deles, por não ter discernimento. A grande massa das pessoas é assim. Por favor, não me taxem de absolutista, de aristocrata ou de elitista, mas isso é uma contastação objetiva. A democracia verdadeira demandaria uma enorme conscientização dos cidadãos (assim como uma sociedade socialista, comunista ou anarquista)... Ou, como disse Rousseau, "a democracia é um governo que convém mais aos anjos que aos homens".
Mas qual seria a alternativa para a democracia? Uma tecnocracia, onde os governantes seriam esoclhidos por critérios objetivos de capacidade? Uma aristocracia, onde os "melhores" governariam a massa? Uma despotismo esclarecido com um "rei filósofo", provedor do "bem social"?
Ainda não sei. Sei que do jeito que as coisas estão não dá pra continuar. Ainda pensarei bastante sobre isso...

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Outubro 11, 2007

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Postado por Rafael Prince

Fim de março, começo de abril. A calmaria de nossas marés já não é a mesma. Aos poucos, uma certa agitação, movimentos de correntes marítimas subaquáticas, fazem-se perceber na superfície, aquecendo as águas, que começam a apresentar uma estranha alteração cromática.

A maré vermelha é um fenômeno que intriga os cientistas de todo o mundo. O acúmulo de algas de coloração avermelhada altera a aparência do mar e gera turbulências atmosféricas, pelo excesso de gases tóxicos emitidos. Suas causas ainda são um mistério: enquanto alguns acusam o aquecimento global, outros culpam o imperialismo dos países desenvolvidos e a exploração dos países do Atlântico Sul.

Uma corrente de águas quentes, que surge no Mar do Caribe, passa pela costa norte da América do Sul e chega até o litoral brasileiro, gerando uma corrida desenfreada de banhistas às nossas praias. Por conta disso, é necessário mostrar os riscos à saúde causados pela maré vermelha. O mar agitado costuma derrubar os castelos de areia.

As algas que abundam nessa época são conhecidas por suas propriedades alucinógenas. Transtornos obsessivos, paranóia e regressão são alguns dos possíveis efeitos colaterais da ingestão dessa alga ou mesmo da exposição contínua às águas contaminadas.

Há uma certa seita cujos membros tomam chá dessa alga, e acreditam ser iluminados, numa experiência transcendental sem par. As populações praieiras também afirmam seus poderes afrodisíacos, e juram que ela é capaz de fazer maravilhas. Mas todos sabemos que isso é apenas uma história para seduzir os turistas e lhes vender o elixir miraculoso...

Outro grave problema ambiental decorrente da maré vermelha é a pesca predatória. Muitos pescadores lançam suas redes, pescando peixes que ainda não atingiram a idade de reprodução (parece que eles são atraídos quimicamente pelas algas), o que causa um grande desequilíbrio ecológico.

Embora seja um fenômeno constante, a maré vermelha apresenta dois ciclos de grande intensidade: o primeiro fluxo, de março a abril, e o refluxo, de outubro a novembro. Portanto, fique especialmente atento ao se banhar em nossas praias nessas épocas do ano. Não se deixe levar pela correnteza.

E não esqueça o protetor solar.

Rafael Prince – 4º NP (2007)

(texto originalmente descrevendo a primeira onda da maré vermelha, em março/abril, mas bem aplicável a seu refluxo, em outubro, às vésperas das eleições do XI)

Palavras-chave: Esquerdalha, pensamentos, política, Política Acadêmica, XI de Agosto

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Setembro 28, 2007

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Postado por Rafael Prince

Resenha cinematográfica a ser publicada no jornal "O Pátio", em outubro de 2007

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"A Queda" (Alemanha, 2004; título original: "Der Untergang", direção de Oliver Hirschbiegel) é um verdadeiro clássico moderno.

A um mês do fim da II Guerra Mundial, Hitler não deixa transparecer seu desespero. Sequer cogita a hipótese de capitular. A rendição não estava, absolutamente, em seus planos, por mais que muitos alemães a desejassem. Recusa-se a ouvir o que se passa poucos metros acima de sua cabeça: os tiros de artilharia pesada e os russos que se aproximam. Engendra teorias conspiratórias de golpistas e traidores, a quem atribui o seu próprio fracasso.

A face humana de Hitler contrasta com a frieza de sua consorte Eva Braun. Face à fraqueza do esposo, ela mantém a situação artificialmente sob controle, e continua a promover grandes bailes e orgias inebriantes.

Enquanto isso, a SS recruta todos que via pela frente. Os que se negavam à luta eram tachados de "reacionários" e "bolchevistas".

Memorável é a cena em que os batalhões populares, convocados pelo próprio Goebbels, insurgem-se, de mãos limpas, contra os fuzis dos soldados russos. É comovente porque eles, na verdade, eram os únicos que acreditavam nos ideais do Nacional-Socialismo (mesmo que devido à intensa propaganda e doutrinação), e não hesitaram em enfrentar os inimigos frente a frente, ao contrário de seus líderes, que, entrincheirados num porão (o famoso Führerbunker) tentavam negar a derrota iminente.

E é nessas últimas horas que Hitler, ao responder uma pergunta sobre o destino do povo alemão, pronuncia a frase cabal: "Pouco me importa que o povo agonize, se a guerra está perdida", sintetizando o ideal de seu Partido, que colocava a ideologia acima de qualquer interesse do povo.

Rafael Prince - 4NP

Palavras-chave: A Queda, cinema, meu peru não renuncia, O Pátio, pensamentos, política, XI de Agosto

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