<?xml-stylesheet type="text/xsl" href="http://stoa.usp.br/psicoevo/rss/rssstyles.xsl"?>
<rss version='2.0'   xmlns:dc='http://purl.org/dc/elements/1.1/'>
    <channel xml:base='http://stoa.usp.br/psicoevo/'>
        <title><![CDATA[Psicologia Evolucionista : Atividade]]></title>
        <description><![CDATA[Atividade de Psicologia Evolucionista, no Stoa.]]></description>
        <generator>Elgg</generator>
        <link>http://stoa.usp.br/psicoevo/</link>        
        <item>
            <title><![CDATA[Camilo Gomes Jr.: Sexo, amor… e a natureza humana]]></title>
            <link>http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/104156.html</link>
            <guid isPermaLink="true">http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/104156.html</guid>
            <pubDate>Tue, 13 Mar 2012 22:45:18 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[cultura]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[genética]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[infifelidade]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[monogamia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[natureza humana]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[poligamia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[psicologia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[seleção natural]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[sexo]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Evolução. psicologia evolucionista]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<p><span>
<div>
<div>
<h2>Sexo, amor… e a natureza humana.</h2>
<p>18/12/2009 por <a href="http://avozdaespecie.wordpress.com/author/camilojr/"  target="_blank"  title="Posts de Camilo Gomes Jr.">Camilo Gomes Jr.</a> </p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Quando escrevi o meu conto
“Instinto” (publicado aqui neste blog), a primeira pessoa
que o leu foi minha esposa. E, ciente do que já estudei a
respeito do tema comportamental a que o conto alude em seu
subtexto, não teve dificuldade em notar que eu, agora,
colocava na ficção aquilo que já havia discutido num longo
artigo, escrito há mais de um ano. Uma vez que resolvi
discutir os assuntos abordados neste espaço sempre a partir
de uma perspectiva darwinista, senti a necessidade de
transpor para cá aquele meu antigo texto sobre o
comportamento sexual humano, a fim de fornecer material que
possibilitasse uma leitura mais profunda do que subjazia à
minha narrativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que poucos escritores fazem
isso, de revelar as bases que sustentam seu processo
criativo. Mas não sou o Dalton Trevisan. Não gosto de fazer
mistério sobre a minha vida nem sobre aquilo que penso ou
que utilizo para me inspirar a escrever. Logo, segue abaixo
o artigo que tinha em mente, quando resolvi trabalhar um
texto ficcional e escrevi meu conto. Aos que se interessarem
pela leitura, espero que encontrem aqui alguma informação
nova e interessante sobre essa coisa complexa e fascinante
que é o comportamento de homens e mulheres em face de seus
instintos mais primitivos.</p>
<p><span></span></p>
<p style="text-align: justify;">De fato, chegou a hora de eu
discutir dois temas inegavelmente relacionados (ainda que
não necessariamente na medida em que muitos o supõe) e um
tanto controversos sobre nossa natureza: o <em>sexo</em> e
o <em>amor</em>. Todavia, visto que concisão nunca foi o meu
forte, justamente agora, na hora de falar de sexo e de amor,
dedicar alguns poucos parágrafos ao tema seria mesmo de uma
inutilidade risível, uma vez que nossa espécie já habita o
planeta há mais de uma centena de milhares de anos e, até
hoje, ainda não conseguimos chegar a uma conclusão
consensual sobre esses dois tópicos. E não foi por falta de
discussão, hein?</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, aos leitores mais
preguiçosos, que nem se deram ainda ao trabalho de mover a
barra de rolagem para baixo, um aviso: este é o maior texto
que já postei aqui, até o momento! E o motivo, como já
comecei a justificar, deve-se muito ao fato de que o ser
humano não está no mundo desde ontem apenas. Portanto, se
quisermos entender um pouco o longo percurso que nos trouxe
até aqui, não dá para pegar o livro pelo epílogo, como os
mandriões e ignorantes gostam de fazer. Temos que partir do
prólogo, da “aurora do homem”, como a tornaram clássica
Arthur C. Clark e Stanley Kubrick (lembram-se do ato inicial
de <em>2001: Uma Odisseia no Espaço</em>?). E o prólogo,
sobretudo para aqueles que estão sintonizados com os estudos
científicos atuais, significa retroceder algumas boas
centenas de milhares de anos na história natural deste
planeta.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/401833902241159503232684120277908123091.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/401833902241159503232684120277908123091.jpg?w=197&amp;h=300"  border="0"  width="197"  height="300" /></a>
<p>
"O Gene Egoísta", de Richard Dawkins: um clássico sobre a
evolução das espécies.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Para introduzir o assunto, é
importante se ter em conta que falar em seres vivos já há um
bom tempo significa focar-se no tema dos genes. Afinal, são
eles a receita da vida e é em torno deles que ela gira, pelo
menos no sentido de que a vida persiste e evolui à medida
que o processo autocopiador dos genes de um organismo
consegue ser bem-sucedido. E é por esse prisma que devemos
entender o que Richard Dawkins quer dizer, em seu famoso
livro de 1976, ao falar em <em>gene egoísta</em>, isto é,
como uma metáfora inteligente, mas, ainda assim, uma figura
de linguagem. (De fato, apesar de ele mesmo ter escrito
inúmeros artigos posteriores enfatizando bem esse detalhe —
de que o gene não é <em>denotativamente </em>egoísta —,
ainda há gente que se finge de desentendida, no intento
ridículo de tentar encontrar algum problema na teoria. Um
esforço patético e inútil, no entanto, uma vez que a teoria
está muito bem amparada em pesquisas posteriores, mais de 30
anos depois do lançamento da obra.)</p>
<p style="text-align: justify;">E quanto à ideia, não há nada
muito complexo, em princípio: os genes de todos os seres
viventes apresentam um <em>modus operandi</em><em> </em>“egoísta”
— tal como um programa de computador (um vírus eletrônico,
por exemplo), eles executam continuamente a programação
escrita dentro deles (no caso, em seu DNA), que simplesmente
objetiva levar o gene a fazer infinitas cópias de si mesmo e
garantir sua dispersão pelo ambiente natural. Se um gene
obtém sucesso reprodutivo, é óbvio que cada efeito ou
estrutura orgânica que produziu, bem como toda atividade
comportamental que desencadeou, são preservados, já que
garantiram seu sucesso reprodutivo. Por outro lado, qualquer
efeito negativo produzido por um dado gene, que comprometa o
processo de autocópia gênica, acaba por levar à extinção o
organismo de que faz parte, isto é, aquele que o gene
utiliza como veículo e instrumento para sua reprodução e
disseminação. A lâmina afiada regulando o que se preserva e
o que se extingue é a nossa velha conhecida<em> seleção
natural</em>, descoberta no século 19 pela mente genial de
Charles Darwin.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, então, a partir do
surgimento das primeiras estruturas orgânicas
autocopiadoras, há milhões e milhões de anos, eis que
adentramos a era dos genes! E, de seu sucesso reprodutivo,
chegamos, muito posteriormente, à era dos primeiros
primatas, um dos quais tomaria um curso evolutivo que
resultaria, no futuro, num seu descendente sentado diante de
um computador, digitando estas linhas em que lhe faço uma
breve menção. (Afinal, em vez da repulsa com que muita gente
ignorante ainda se recusa a admitir a evolução, eu preciso
ser grato ao “macaco” que foi meu tataravô — sem ele, eu não
estaria aqui!)</p>
<p style="text-align: justify;">Em todo caso, se é neste ponto,
no surgimento ancestral dos primatas, que começa a história
humana, é onde devemos abrir o livro e começar nossa leitura
atenciosa.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O ambiente ancestral</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, atentemos para o
cenário: um mundo selvagem, desprovido do conforto (tanto
quanto do desconforto) da sociedade moderna, onde nossos
cérebros em desenvolvimento, numa era muito anterior ao
advento das pílulas anticoncepcionais e das camisinhas,
obedeciam muito mais passivamente ao impulso instintivo para
a procriação que hoje reconhecemos facilmente nos animais,
mas temos uma tendência a fingir que inexiste em nós. Ou
melhor, para nós ele existe sob outra forma: os animais têm
cio, têm instinto para a procriação; nós temos desejo, temos
libido, temos vontade de sexo! Tudo bem! Em termos
relativos, podemos até admitir que isso seja mesmo verdade,
mas não necessariamente uma verdade excludente da realidade
anterior, que está na base dos modernos circuitos que
subjazem à nossa psicologia comportamental. O “disco” sobre
o qual o novo programa foi inscrito é o mesmo de antes de
nossos mais remotos ancestrais hominídeos terem vindo
habitar as escuras cavernas do Paleolítico.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, é hora de nos determos um
tempo avaliando o comportamento sexual de nossos parentes de
longa data, a fim de buscar compreender um pouco como eram
nossos antigos “eus-primatas”. Para isso, tomemos as três
espécies mais aparentadas conosco hoje em dia: os <em>chimpanzés</em>
(com os quais, para citar apenas uma das evidências de
parentesco, compartilhamos todos os 146 animoácidos
presentes na cadeia beta da hemoglobina); os <em>gorilas</em>
(que diferem de nós em apenas 1 aminoácido nessa mesma
cadeia), e os <em>gibões</em> (em cuja hemoglobina a
diferença em relação a nós é de apenas 2 aminoácidos na
referida cadeia).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Chimpanzés</strong></p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/chimpanze_1.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/chimpanze_1.jpg?w=300&amp;h=210"  border="0"  width="300"  height="210" /></a>
<p>
Chimpanzés: sexo e traição.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Dentre estes, os machos vivem
em combate. Lutam para galgar uma hierarquia masculina que é
longa e cujo topo não é muito fácil de alcançar, e aquele
que ali consegue chegar torna-se o macho dominante ou <em>alfa</em>,
como é mais normalmente conhecido entre os estudiosos.
Todavia, se por um lado o macho-alfa goza de prioridade
sexual perante as fêmeas, algo de que desfruta com notável
vigor quando elas estão ovulando, por outro lado vê-se numa
vida sem descanso, em que tem de proteger seu posto o tempo
todo, por meio de ataques físicos, de intimidação e de muita
astúcia. Detalhe relevante: se o macho-alfa pode possuir
qualquer fêmea que queira, isso não quer dizer que ela tenha
preferência por ele, mas sim que ele espanta os rivais,
mantendo-os à distância. E cito isso porque, embora os
machos demonstrem um apetite sexual compulsivo (mui
compreensível, em termos biológicos), as fêmeas, por sua
vez, mesmo não fazendo tanto esforço quanto eles na busca de
sexo, não ficam muito atrás.</p>
<p style="text-align: justify;">Elas adoram sexo e, em alguns
momentos, podem até ser aquelas que tomam a iniciativa para
começar o ato. Nesse sentindo, as fêmeas também demonstram
ser de uma promiscuidade espantosa, sendo muito facilmente
atraídas para uma vida sexual desregrada, com variados
parceiros — na verdade, o que acontece é que elas costumam
passar a perna no macho-alfa de vez em quando, “traindo-o”
com outro chimpanzé que espertamente ficou por ali, ao
redor, buscando atraí-la sem que o macho dominante notasse.
E esse tipo de escapadinhas das fêmeas acontece com notável
frequência. Dessa maneira, o que temos no fim é, de um lado,
machos sexomaníacos, que fazem o diabo a quatro, muitas
vezes botando o pescoço em risco (inclusive aqueles que não
são alfa e arriscam-se como “sedutores” nos domínios do
outro), para conseguirem sexo, e, de outro lado, as fêmeas:
em geral sexualmente “comprometidas” com o macho-alfa,
apreciadoras de sexo (e dando suas puladinhas de cerca com
considerável frequência), tendo de investir menos na busca
deste, uma vez que os machos já fazem o trabalho pesado,
vindo até elas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Gorilas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/485047-2820-it2.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/485047-2820-it2.jpg?w=268&amp;h=300"  border="0"  width="268"  height="300" /></a>
<p>
Gorila: o senhor do harém.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Entre os gorilas, a coisa é um
pouco diferente. Via de regra, eles se organizam em bandos
que vivem isoladamente. E a estrutura do bando é normalmente
a seguinte: um macho dominante rodeado de várias fêmeas
adultas, além dos filhos destas e, muitas vezes mas não
sempre, uns poucos machos jovens. No entanto, a situação é
clara: no reino dos gorilas, apenas o macho dominante tem
acesso sexual a todas as fêmeas. O possíveis machos jovens
que venham se integrar ao bando sabem se comportar
direitinho e obedecem a regra — ainda que, na velhice do
gorila dominante, quando seu vigor começa a declinar, este
aceite compartilhar algumas fêmeas com os mais jovens, como
moeda de troca para garantir apoio contra a invasão de seu
bando por gorilas intrusos, que tentam vir roubar suas
fêmeas. Quando o líder morre, os mais jovens vão disputar a
liderança — e assim que ficar firmado o novo dominante, os
demais passam a respeitar sua posição no bando. Logo, um
detalhe é importante ressaltar: os gorilas vivem numa
espécie de regime polígamo, com várias fêmeas limitando-se a
relações sexuais com um único macho dominante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Obs.: </strong>Embora
tal poligamia, ou mais precisamente <em>poliginia</em> (um
macho com várias fêmeas), seja a regra, isso não impede que
uma fêmea, no evento de um macho invasor trocar ameaças ou
travar uma luta com o líder de seu bando, fique tão
impressionada pelo desafiador que acabe decidindo ir embora
com ele. Isso acontece, embora não com tanta frequência. Em
todo caso, o nível de promiscuidade feminina é menor entre
esses primatas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Gibões</strong></p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/g11319badbf292272e052744c66fdd038a99a6d5270d3fa.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/g11319badbf292272e052744c66fdd038a99a6d5270d3fa.jpg?w=201&amp;h=300"  border="0"  width="201"  height="300" /></a>
<p>
Gibões: fidelidade e cantoria! </p>
</div>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Caso um tanto curioso é o dos
gibões, espécie cujos ancestrais separam-se dos nossos na
árvore evolutiva há 20 milhões de anos. Em algum estágio de
sua evolução a partir desse ponto, as circunstâncias em
tornos dos gibões levaram-nos, por meio da seleção natural,
a desenvolver um comportamento sexual monógamo, fiel e
devotado à prole, de um jeito jamais visto nas demais
espécies primatas. O macho normalmente permanece junto da
fêmea com que teve filhos e ajuda-lhe a tratar deles e a
protegê-los, investindo fortemente nestes. Numa espécie de
gibões, os machos chegam a ficar carregando os filhotes nas
costas de um lado para o outro, coisa que simplesmente não
se verifica entre outros macacos machos. E um fato
interessante por si só é que os casais de gibões costumam
ficar cantando em voz alta um longo dueto, toda manhã, só
para deixar claro aos possíveis “sedutores, destruidores de
lares” que estão muito bem em sua harmonia conjugal,
mantendo sua estabilidade familiar. (Já posso até imaginar
alguns leitores sussurrando: “Ah, que inveja desses
bichinhos!”)</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;">Bem… Uma vez que discutimos por
alto o comportamento sexual dessas três espécies tão
aparentadas conosco, resta fazer uma observação e uma
indagação.</p>
<p style="text-align: justify;">A observação é que, tanto entre
as fêmeas quanto (mais comumente ainda) entre os machos de
todas as três espécies acima, não são raros, muito menos
inexistentes, os atos homossexuais. De fato, já foram
observados os seguintes comportamentos dessa natureza nessas
espécies, principalmente entre os machos: macho sendo
montado por outro (chimpanzés); monta com penetração anal
levando à ejaculação (gorilas); masturbação recíproca
podendo levar à ejaculação (gibões). Isso, além de algumas
carícias genitais mútuas praticadas por suas fêmeas. No fim,
o fato certamente se deve, como eu discuti no mencionado
texto, a um provável componente genético na definição da
orientação sexual dos seres vivos, em especial na criatura
de sexualidade mais complexa de todas: nós, humanos, os
únicos que têm um comportamento sexual submetido a um
cérebro equipado com um aparato mental de moralidade
desenvolvida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em todo caso, a pergunta que
devemos fazer agora é: com qual das três supracitadas
espécies de primatas aparentados a nós temos maior
identificação, em termos de nossa própria natureza
comportamental em relação ao sexo? Para pensarmos na
resposta, precisamos observar mais detidamente os seres
humanos, em termos biológicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje sabemos que todos os
organismos, inclusive nós, são simplesmente veículos para a
transmissão dos genes que os desenvolveram. Em virtude
disso, as características físicas e comportamentais de um
organismo apresentam-se atualmente como um conjunto de
elementos bem-sucedidos neste propósito, haja vista terem
sobrevivido à inexorabilidade da afiada lâmina da seleção
natural. Assim, não há dúvida de que favoreceu nossa
reprodução genética o sucesso de genes que, por exemplo,
resultaram, por meio de gradações lentas ao longo das
gerações, no efeito cumulativo que fez evoluir em nós nossos
admiravelmente complexos olhos, inegavelmente úteis e
vitais. Do mesmo modo, os genes que atuam fazendo
desenvolverem-se características no âmbito de nossa
sexualidade obviamente obedecem a uma programação básica
equivalente: como somos seres de reprodução sexuada, somos
programados para gostar de sexo e correr atrás dele. Mas
como essa programação se deu de fato no ambiente ancestral?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>O sexo e o <em>Homo
sapiens</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, pensemos no seguinte:
quantas mulheres um único homem poderia engravidar por ano,
caso não houvesse nada que o impedisse de transar com
qualquer uma que visse à sua frente? Bem, considerando que
ele poderia transar com mais de uma por dia (conheço um cara
que, em nosso tempo e com todas os empecilhos existentes,
transou com quatro mulheres num só dia), além do fato de que
o papel do homem na fecundação termina na ejaculação, não
seria nenhum exagero apostar num número ainda acima dos 365
dias que constituem um ano. Potencialmente falando, não
seria impossível que <em>um</em> homem engravidasse <em>mil</em>
mulheres no prazo de um ano. É óbvio que este é um cálculo
em termos estritamente potenciais.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de prosseguir, deixe-me
abrir um parêntese para uma nota importante: como já disse,
a programação básica de nossos genes visam à reprodução
genética. Nossos genes não têm consciência; eles têm, sim,
um conjunto de comandos programados para executar, cujo
objetivo é promover a autorreplicação do programa original e
sua disseminação no meio genético. É claro que a linguagem
computacional aqui é metafórica, mas ela serve para nos dar
uma ideia de que nossos genes <em><span style="text-decoration: underline;">não</span></em> são
bichinhos amiguinhos, felizes e saltitantes dentro de nós.
Nossos genes visam executar um programa inscrito em seu DNA
de forma eficiente; portanto, isso equivale a dizer que eles
não estão nem aí para a felicidade pessoal do organismo que
os carrega. Em outras palavras: nossos genes não se importam
se estamos sorrindo ou não; sua única meta é nos ver
procriando, isto é, passando adiante nossos genes!</p>
<p style="text-align: justify;">Feita essa observação que julgo
ser de extrema relevância aqui, continuemos a pensar na
programação básica do homem. Não é difícil concluir que,
levando-se em conta o interesse dos genes e a potencialidade
do macho para fertilizar inúmeras fêmeas, seria muito
condizente com o interesse genético masculino que ele
tivesse um comportamento tanto promíscuo quanto pouco
seletivo — afinal, quanto mais mulheres um único deles
conseguir engravidar, tanto maior será seu legado genético
sobre a terra. E podemos de fato constatar ainda hoje os
resquícios de tal programação primordial, quando vemos
homens não raro bem dispostos a transarem com qualquer
mulher (gorda ou magra, feia ou bonita, alta ou baixa, velha
ou jovem, etc.), quando ficam excitados. Isso é ocorrência
comum principalmente em festas ou boates, quando já está
tarde da noite e o sujeito ainda não conseguiu “pegar
ninguém”. Um ditado jocoso, naturalmente aceito entre os
homens em suas conversas em mesa de bar, pois é descritivo
de um comportamento normal entre eles, é: <em>“Depois da
meia-noite, meu chapa, a gente chama até urubu de meu
louro!”</em> E o pior é que chama mesmo!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas e a mulher? Como são as
coisas em relação à ela?</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, é conveniente adotarmos um
critério parecido para começar a avaliar o comportamento
sexual feminino e sua programação original. Logo, a pergunta
se volta agora para ela: quantas vezes uma mulher pode
engravidar ao longo de um ano? Resposta indiscutível: <em>uma</em>
vez!</p>
<p style="text-align: justify;">Pesados os fatos, fica óbvio o
ônus muito maior que a natureza depositou por sobre os
ombros da mulher em seu papel reprodutivo. Enquanto o homem
vem, transa, goza e parte para outra, cabe a ela enfrentar
nove longos e penosos meses de gestação — para não falar do
fato de que dá à luz uma criança que nasce a mais frágil
dentre todos os filhos de primatas, em virtude de ser
expelida precocemente por força de nosso recém-ajustado
posicionamento ereto na natureza, que tornou a anatomia
feminina mais complicada para a saída de um bebê com o
grande volume craniano que os humanos adquirem já no
primeiro ano de vida (aliás, é por isso que nossos nenéns
têm uma cabecinha tão frágil quando nascem: ela ainda não
estava no ponto ideal para sair de dentro da mãe; mas, por
outro lado, mataria esta no parto caso a gestação aguardasse
uma melhor formação do filho). Além disso, fica para a mãe a
incumbência natural de amamentar o filho recém-nascido e de
lhe prover os cuidados necessários para sua sobrevivência,
sobretudo nos primeiros anos de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">No passado de nossa espécie, se
a mãe fazia tudo isso de forma bem-sucedida, a criança
crescia, chegava à fase fértil e reproduzia-se. Sucesso
genético garantido: missão cumprida!</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, os genes, bem
como sua dinâmica interativa com o ambiente sociocultural —
considerados todos os papéis supracitados, desempenhados
pelas mulheres no processo reprodutivo — parece ter feito
desenvolver na mulher um comportamento sexual um tanto
diferente da atitude do tipo qualquer-buraco-me-serve, que
muitas vezes guia o instinto sexual masculino. Aparentemente
a mulher desenvolveu uma sensibilidade muito mais seletiva
para com seus possíveis parceiros sexuais. E de fato, se por
um lado um homem de razoável beleza muito possivelmente
transaria sem hesitar com aquela mesma mulher que ele chamou
de “baranga” assim que chegou à festa, tão-somente porque
mais tarde não lhe restaram alternativas, por outro lado eu,
se fosse aquele velho, careca e barrigudo, com cara de
pobre, com um copo de cerveja na mão, não me encheria tão
facilmente de esperanças de “papar” a loira vistosa, de
semblante entediado, que sobrou na festa, e está num canto
apenas esperando a amiga com quem veio. Ela pode ter saído
de casa com o intento de transar aquela noite, mas acredite,
meu chapa: entre “dar” para você e voltar para casa no zero
a zero, ela, pelo menos na maioria dos casos, não vacila nem
por um segundo em optar pela segunda alternativa.</p>
<p style="text-align: justify;">Verdade é que, como o
investimento que a natureza cobra da mulher na reprodução é
muito maior do que aquele que exige do homem, é a ela que é
dado um certo poder de seletividade sexual quanto aos
parceiros com quem deseja gerar um filho — embora a precisa
dimensão desse <em>poder de escolha </em>da mulher seja
debatido entre os especialistas. (Em todo caso, creio que
seja um tanto oportuno lembrar que, embora eu fique
remetendo intermitentemente a exemplos hodiernos de
resquício comportamental condicionado por nossa programação
genética original, é sempre válido enfatizar: nossos
cérebros foram programados para incitarem comportamentos
sexuais viáveis e vitais num ambiente natural completamente
distinto das sociedades que construímos ao longo dos últimos
poucos milhares de anos — ou seja, nosso comportamento
sexual original não foi projetado para o mundo civilizado
que edificamos e em que vivemos hoje, mas sim para um
ambiente muito mais parecido com o de algumas tribos de
caçadores-coletores que vivem num mundo quase primitivo, em
algumas regiões do planeta, principalmente no continente
africano.)</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu comportamento seletivo,
a mulher <em>normalmente</em> se pauta por dois critérios,
com que avalia, não necessariamente de forma consciente, um
possível parceiro: <strong>1)</strong> uma carga genética
promissora, e <strong>2)</strong> seu potencial de
investimento em benefício dos filhos gerados. É normalmente
assim, mas nem <em>sempre</em>; o que leva mesmo alguns
darwinistas a discutirem o quanto é realmente <em>natural</em>
esse padrão avaliativo feminino e o quanto ele é moldado
pela cultura patriarcal em que nos desenvolvemos, quase que
via de regra. Seja como for, numa frequência notadamente
regular, com esses cálculos em mente, que a mulher não
precisa fazer, pois a seleção natural já teria feito por
ela, e que portanto ela só precisa seguir em sua “intuição”
— seu impulso subconsciente para fazer o que seus genes
querem — é possível racionalizar a coisa da seguinte
maneira: é óbvio que, se meu filho tiver bons genes, suas
chances de crescer e reproduzir serão maiores.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo, um parceiro que me
transmita (visualmente) a impressão de ter genes saudáveis e
de elevado potencial reprodutivo me interessam mais do que
aquele outro que me passe justamente uma impressão oposta.
Ao mesmo tempo, uma vez que me cabe o imenso ônus de gerar,
parir e criar os filhos, é importante levar em conta um
parceiro que me passe segurança no sentido de investir na
prole, bem como no de prover certa segurança material que
favorecerá a sobrevivência dos filhos. Se ele passar
segurança, no sentido de fidelidade e devoção aos filhos,
tanto melhor ainda. Este marcaria pontos elevadíssimos! Mas,
se esperar por isso já for contar com sorte demais, que pelo
menos me passe segurança material no sentido de garantir que
não me vá faltar o básico, enquanto ele irresponsavelmente
me deixa cuidando dos filhos que tivemos e cai na farra. Ou
simplesmente cai fora! (Bem, não custa enfatizar novamente
que o quanto desse tipo de comportamento é inato e o quanto
é influência da cultura patriarcal ainda é debatido.)</p>
<p style="text-align: justify;">Todos esses cálculos seriam,
mais ou menos inconscientemente, levados em conta pelo
complexo maquinário instalado no cérebro feminino. Como eu
disse, não quero dizer que isso seja a base do comportamento
atual, mas sim o que parece ter estado na programação
original, quando nossos órgãos mentais foram desenhados, em
nossas sociedades primitivas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/henri_castelli.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/henri_castelli.jpg?w=200&amp;h=300"  border="0"  width="200"  height="300" /></a>
<p>
Henri Castelli: o que diabos tantas mulheres veem nele?</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, os ecos disso ainda
são fortemente audíveis hoje. Afinal, para citar um exemplo,
se o galã de novelas, Henri Castelli, ao declarar o seu amor
pela mulher grávida num programa de televisão, com emoção
estampada na face, faz você suspirar no sofá da sala,
enquanto pensa <em>“Esse é o homem que eu queria para mim!”</em>,
a verdade reside um pouco abaixo da camada linguística
mentalmente manifesta. E nem é tão difícil traduzi-la: <em>“Esse
é o homem” </em>(bonitão e de físico em forma = impressão
visível de genes saudáveis que poderiam gerar
características que aumentassem o potencial reprodutivo dos
filhos que tivéssemos); <em>“o homem que eu queria”</em>
(que sabidamente goza de confortável situação financeira =
podendo garantir meu lado em termos materiais, enquanto eu
crio nossas crianças potenciais, mesmo que ele me deixe um
dia; afinal, a pensão não seria nenhum prêmio da Mega Sena,
mas tampouco seria das piores), e <em>“para mim”</em>
(porque é notavelmente carinhoso e explicitamente devotado à
mulher = ótimo sinal de possível futuro investimento
afetuoso em mim e nos filhos, aliviando meus receios de
acabar sozinha, criando a prole).</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras: sim, o
Henri Castelli (assim, como o David Beckham ou qualquer
outro bonitão de boa situação financeira e carinhoso para
com a mulher) parece mesmo um <em>perfeito</em> exemplo de
macho para acasalamento para uma mente feminina que segue os
impulsos de seu desenho original! Agora, confessem: ele não
faz o seu tipo? Tenho certeza de que ele não é uma
unanimidade — daí, a recorrente discussão sobre o grau de
determinação genética na seletividade feminina. Mas, por
outro lado, pode-se apostar que a maioria das mulheres
acharia que sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma vez: dizer que as
mulheres podem ter sido projetadas ao longo da evolução para
terem esse tipo de comportamento inconsciente diante de um
exemplar de características tão positivas do ponto de vista
dos interesses genéticos <em>não</em> é o mesmo que dizer
que é assim que <em>todas</em> agirão e reagirão! Como eu
insisto em enfatizar: nossa programação original remonta a
um tempo em que não havíamos desenvolvido o senso de
moralidade de que dispomos hoje e com que emitimos
julgamentos morais sobre nossa própria conduta, e em que os
fatores ambientais influentes sobre nós eram bem distintos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltemos a pensar nos
homens e mulheres daquele mundo ancestral em que nossos
cérebros modernos foram projetados.</p>
<p style="text-align: justify;">Os homens, já falamos,
apresentam um comando genético original que manda o tempo
todo: <em>“Transe com o maior número possível de mulheres!
Se as mulheres forem lindas e de corpo exuberante, tanto
melhor! Mas, se não forem, não importa — melhor várias
feias reproduzindo seus genes do que nenhuma beldade
grávida de você, enquanto espera e o tempo passa.”</em>
Transcrevi a ideia dessa forma não apenas pelo fato de que é
assim mesmo que a coisa funciona (ou funcionava, no ambiente
ancestral), mas também porque ela não deixa dúvidas de que o
comando de nossa natureza sexual não está nem um pouco
interessado em nossa felicidade plena e duradoura. Nossa
natureza quer transar; ela não quer saber se você acaba
feliz ou desolado ao longo do processo. Tudo que importa é
transar. E, com isso, aumentar as chances de engravidar mais
uma. Assim, não restam dúvidas: na origem do homem, eis uma
besta promíscua por natureza!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas e a mulher? Será que também
é naturalmente promíscua?</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, a Biologia não é uma
ciência fascinante por acaso. Na verdade,
seus avanços recentes têm nos colocado em face de uma
compreensão atordoante de nossas raízes, daquilo que fomos e
somos, enquanto refletimos, com base nesse conhecimento,
acerca daquilo que podemos vir a ser pelo bem maior da
espécie — ainda que o bem maior da espécie não passe de uma
autoilusão que alimenta nosso senso moral, fazendo as coisas
terem um ajustamento positivo. Afinal, promover o bem
coletivo da espécie beneficia-me individualmente dentro do
grupo, o que é meu interesse primário. Seja como for,
verdade é que a Biologia nos conta uma história interessante
sobre a evolução do comportamento sexual da mulher. Uma
história que, por mais estranho que isso possa parecer, pode
ser lida nos testículos de um homem.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, um dado curioso que
hoje sabemos é que chimpanzés e outras espécies primatas,
cujos testículos apresentam um peso relativamente elevado
(no que diz respeito à proporção entre o peso médio dos
testículos destes animais e o peso de seus próprios corpos),
são encontrados em ambientes reprodutivos onde as fêmeas
copulam com vários machos, numa alta taxa de promiscuidade.
Por outro lado, espécies cujos pesos dos testículos são
relativamente baixos são ou monogâmicas (como os gibões, por
exemplo) ou poligâmicas (como os gorilas).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao que tudo indica, quando as
fêmeas normalmente copulam com variados machos, os genes
masculinos podem se sair melhor se houver uma produção
consideravelmente maior de sêmen que os transporte. Afinal
de contas, num ambiente reprodutivo desses (altamente
competitivo, em termos de fecundação), o sucesso de um macho
em fazer seu DNA ganhar a corrida pelo óvulo pode muito bem
depender de uma simples questão de volume de esperma
ejaculado, enquanto exércitos de espermatozóides rivais são
postos para travar uma verdadeira batalha dentro do corpo da
fêmea. Eis o porquê de os gorilas não precisarem de produzir
tanto sêmen (o macho vive num ambiente de <em>poliginia</em>
reinante, lembra-se?) e, consequentemente, seus testículos
são bem mais leves do que deveríamos esperar, em vista de
seu imenso porte físico.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, os testículos dos
machos de uma espécie apresentam-se como um tipo de registro
das aventuras sexuais de suas fêmeas, ao longo da evolução:
testículos de peso médio baixo nos machos de espécies com
baixa taxa de promiscuidade feminina (gorilas e gibões, por
exemplo) e de peso médio alto nas espécies de hábitos
sexuais mais desregrados entre as fêmeas (tais como os
chimpanzés). Curiosamente, o peso médio dos testículos do
homem está em algum ponto entre o dos chimpanzés e o dos
gorilas, o que indica que as mulheres, no passado, mesmo não
sendo tão promíscuas quanto as chimpanzés-fêmeas, mantiveram
um comportamento sexual um tanto aventureiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é de surpreender, portanto,
o outro dado interessante que um estudo trouxe à tona.</p>
<p style="text-align: justify;">Embora se possa facilmente
supor que o número de espermatozóides encontráveis no sêmen
de um homem casado comum dependerá apenas do tempo passado
desde a última vez em que fez sexo com a esposa (ou seja, a
quantidade de espermatozóides deverá ser maior quanto mais
tempo levar entre uma transa e outra), a verdade é bem
diferente. O que se descobriu foi que a quantidade de
espermatozóides produzida depende apenas do tempo em que a
mulher ficou longe do alcance de suas vistas. Quanto mais
tempo o marido passa longe da mulher (o que significa mais
tempo não-monitorado para que ela possa ter dado uma
escapadinha e transado com outro cara), mais seu corpo
produz novos espermatozóides para reforçarem as tropas. Se a
mulher, por outro lado, permanece por perto, a produção
segue um ritmo normal, sem a necessidade de reforços para um
possível confronto.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é difícil perceber o que
tudo isso quer dizer: o fato de que a seleção natural fez
desenvolver no homem uma arma tão inteligente torna evidente
que havia um inimigo real a ser combatido com a utilização
dela, ao longo de nossa história reprodutiva. Está claro que
as mulheres apresentam em sua natureza um nível de
promiscuidade que não pode ser (e não foi) desconsiderado
pela evolução humana, sobretudo nas defesas masculinas
desenvolvidas contra ela, ao longo da corrida armamentista
que a seleção natural fomenta, em benefício primordial da
reprodução genética. Para reforçar a teoria, é relevante
comentar o que uma outra pesquisa constatou: mulheres que
traíam seus maridos com uma elevada frequência sentiam-se
excitadas e tentadas a fazê-lo em determinados dias mais do
que em outros — e, como se verificou, sem que elas tivessem
ideia disso, esses períodos de repentino tesão
manifestavam-se precisamente quando estavam ovulando.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, a mulher também
apresenta sua taxa de promiscuidade sexual. E se a do homem
serve aos interesses egoístas de seus genes, não devemos
supor que a das mulheres tenha surgido por um motivo mais
nobre — os genes não são feministas, sinto em lhes dizer! Na
verdade, não é difícil nem mesmo suspeitar os motivos que
levaram ao desenvolvimento de tal comportamento entre as
fêmeas hominídeas ancestrais. Simples questão matemática:
procura-se um macho com melhor maquinário genético (que
tenha maior chance de gerar descendentes mais eficientes, em
termos reprodutivos), bem como procura-se um macho com
potencial de investimento na prole. O problema é que a
idealização espera que 1 + 1 seja igual a 1, neste caso,
isto é, que ambas as qualificações possam ser encontradas
num único parceiro. Mas a realidade não é tão generosa.</p>
<p style="text-align: justify;">O macho atraente, que parece
ter os genes mais desejáveis para se transmitir a um filho,
pode ser um inconsequente que não esteja nem aí para o fato
de deixar uma fêmea de barriga cheia, que dirá ter alguma
responsabilidade para com a criação do filho. E como a
evolução equipou <em>alguns</em> homens com uma curiosa dose
de disposição para investir nos cuidados para com os filhos,
ainda que num nível de devoção não tão elevado quanto o dos
gibões (embora seja importante destacar que algumas fêmeas,
mesmo nesta espécie tão “fiel”, costumam dar suas puladinhas
de cerca), e podendo ser que, em muitos casos, estes não são
os melhores candidatos a pais biológicos do ponto de vista
do interesse por melhores genes, não foram raras as vezes em
que a soma teve de seguir a lógica matemática, onde 1 + 1 =
2.</p>
<p style="text-align: justify;">Resultado disso, não foram
(como hoje não são) raras a vezes em que o pai dedicado
devotou-se a criar um filho que não era biologicamente seu.
As fêmeas tiveram de desenvolver a tática da malandragem, a
mesma que vemos vários animais perpetuando ainda em nossos
dias — o que não quer dizer que as mulheres atuais a tenham
abolido; muito pelo contrário. Muitas fêmeas até hoje ficam
grávidas do macho escolhido, mas, em seguida, fazem outro,
com um maior potencial de investimento paterno ou material,
acreditar que era o pai, garantindo assim o sucesso
reprodutivo nas duas vias: a do melhor pai do ponto de vista
genético e a do melhor pai do ponto de vista do investimento
no filho ao longo da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Analisadas as programações
originais para o comportamento sexual de homens e mulheres,
parece ser o momento de se fazer uma pergunta importuna.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A sociedade monogâmica
ocidental é apropriada para nós?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em vista do que já analisamos
até aqui, a resposta não parece tão difícil: de um lado,
homens promíscuos, que são programados para transarem com
várias mulheres; de outro, mulheres seletivas, mas nem por
isso muito menos afins de curtir suas transas variadas. Uma
sociedade poligâmica aparentemente seria o ideal — embora,
neste caso, ideal mesmo talvez fosse a <em>poliginia</em>
para os homens e a <em>poliandria</em> para as mulheres,
isto é, os homens achariam o máximo ter várias mulheres para
um só, ao passo que as mulheres não veriam com piores olhos
a possibilidade de ter vários homens para uma só. É…
Pensando bem: já teríamos um primeiro problema aí para
enfrentar!</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/17ane02.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/17ane02.jpg?w=500"  border="0" /></a>
<p>
Regina Navarro: a defensora do "poliamor". Será que isso
dá certo?</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">Mas e o <em>poliamor</em>? Essa
palavra encantadora, que tenta nos convencer de que sua
proposta não é algo voltado a ter muitos parceiros sexuais —
não, imagina! Quem pensaria num absurdo desses com relação
aos sempre tão apaixonados seres humanos, não é mesmo? A
nova proposta se apresenta como algo saudável e de uma
filosofia superior. Por isso, acho válido até mesmo citar as
palavras da psicanalista e sexóloga, Regina Navarro, numa
entrevista que deu ao jornal mineiro <em>Hoje em Dia</em>,
publicada na edição de 16 de setembro de 2007:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color:#003300;">
</span><em><span style="color:#003300;">O amor romântico é
calcado na idealização do outro e traz a ideia de que
você tem que procurar alguém que o complete: sua alma
gêmea. Propõe que os dois vão se transformar num só.
Entretanto, a busca da individualidade caracteriza a
época em que vivemos. A grande viagem do ser humano é
para dentro de si mesmo. Cada um quer saber quais são
suas possibilidades, desenvolver seu potencial. O amor
romântico propõe o oposto disso, na medida em que
prega a fusão de duas pessoas. Portanto, ele começa a
deixar de ser sedutor. Um amor baseado na amizade e no
companheirismo está surgindo. Não haverá mais
idealização do outro e você vai poder se relacionar
com a pessoa do jeito que ela é. Sem a ideia de
encontrar alguém que o complete, abre-se um espaço
para outros tipos de relacionamento, com a
possibilidade de se amar mais de uma pessoa ao mesmo
tempo. O amor romântico está saindo de cena e levando
com ele a exigência de exclusividade.</span></em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Bem, aí temos uma boa ideia do
que a tal filosofia de vida do <em>poliamor</em> está
propondo. E posso dizer que de fato concordo, pessoalmente
falando, com algumas das afirmações e leituras sociais
feitas acima, mas, por outro lado, tenho bem fundamentados
motivos para não simpatizar muito com esse tal de <em>poliamor</em>.
E direi por quê. Apenas precisarei fazer mais uma digressão
antes disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos à reflexão sobre a
questão apresentada mais acima.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendendo a natureza sexual
dos homens (de uma forma geral e ignorando-se algumas
particularidades que serão discutidas num pós-escrito a este
texto), concluímos que eles adorariam curtir uma sociedade
polígina, onde um gostosão poderia se esbaldar com todas as
mulheres que tivesse condições de trazer para debaixo de seu
teto e comer um prato variado a cada dia, certo? Pois bem!
Não é preciso ser nenhum especialista em História das
Civilizações para saber que todas as sociedades humanas
construídas até aqui, tiveram suas leis e seus códigos
morais (que regem o comportamento social admissível em cada
contexto) estabelecidos exclusivamente por homens. Os
legisladores e chefes do poder, ao longo da história, foram
quase invariavelmente homens. Eles determinavam tudo! Não
admira, portanto, que as leis sempre fossem menos favoráveis
às mulheres, inclusive as leis religiosas (já que a religião
é outra criação humana e, na imensa maioria dos casos,
masculina — até Deus é homem!).</p>
<p style="text-align: justify;">Diante disso, parece estarmos
contemplando um paradoxo: afinal de contas, por que diabos
os homens, que sempre detiveram o poder e as leis em suas
mãos, não criaram aqui, ali e acolá apenas sociedades
políginas? Ou pelo menos, acho que tais sociedades deveriam
ser aquelas que encontraríamos em maior número, sendo as
monogâmicas, poliândricas e outras apenas variações
atípicas, exemplos isolados.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que os homens, tendo todo o
poder, escolheriam na maior parte do planeta construir
sociedades regidas por uma moral monogâmica que vai de
encontro a sua própria natureza sexual promíscua? Se a
pergunta lhe parece um enigma agora, talvez seja hora de
voltarmos a nos concentrar nos nossos primos primatas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sabemos que as mulheres, em sua
história evolutiva, ao contrário das fêmeas gorilas e mais
ainda das fêmeas de gibões, não tiveram exatamente o que se
poderia chamar de um comportamento recatado e virginal! Elas
apreciavam e cultivavam uma “puladinha de cerca”, vez e
outra (normalmente quando estavam ovulando, é bom lembrar!).
Ao mesmo tempo, elas aparentemente têm uma tendência maior a
selecionar os parceiros com quem estão dispostas a fazer
sexo, pautando-se, ainda que inconscientemente, num duplo
critério de <em>portador de melhores genes</em> / <em>maior
potencial aparente de investimento paternal</em>, neste
segundo caso, visando a garantir tanto a sua segurança
material quanto à dos filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Juntemos a isso alguns dados
coletados por estudos de psicologia evolutiva. O psicólogo
estadunidense, David Buss, por exemplo, publicou, em 1989,
um estudo pioneiro sobre as preferências matrimoniais em 37
diferentes sociedades do mundo. O resultado que impressionou
o mundo acadêmico, e que continua não refutado até hoje, é
de que as mulheres em geral davam muito mais importância às
perspectivas financeiras de um parceiro em potencial do que
os homens em relação a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/anna.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/anna.jpg?w=300&amp;h=300"  border="0"  width="300"  height="300" /></a>
<p>
É o amor (?): A modelo e atriz erótica Anna Nicole Smith
(morta em 2007), que aos 26 anos casou-se com o bilionário
J. Howard Marshall II, então com 89 anos. Menos de um ano
depois do casamento dos "pombinhos apaixonados", já era a
viúva do bilionário, brigando com o filho do marido pela
herança, na justiça.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">É claro que isso não quer dizer
que as mulheres primitivas, naquelas ancestrais tribos de
caçadores-coletores que fomos, começaram a escolher
parceiros ricos, de preferência. Mas o fato é que, numa
sociedade onde todos têm mais ou menos as mesmas condições
materiais, como era o caso então, verdade é que a posição
social do homem não raro se traduzia em poder — como, por
exemplo, a influência sobre a divisão dos recursos
conseguidos, tais como a carne a ser partilhada após uma
grande caçada. E outro fator inegável é que, nas modernas
sociedades humanas, riqueza, posição social e poder são
coisas que andam lado a lado; daí, a possível explicação do
ajuste adaptativo do cérebro feminino, desenvolvendo uma
forte atração pela riqueza.</p>
<p style="text-align: justify;">Compare-se a isso o fato de que
o mesmo estudo, nas mesmas sociedades, comprovou que há uma
predileção geral dos homens pelos traços de beleza nas
mulheres para investimento a longo prazo, o que não
surpreende ninguém, tenho certeza. Eles podem ser menos
seletivos do que as mulheres mas, na hora de explicitarem o
tipo de mulher com quem poderiam aceitar passar um longo
tempo se relacionando, ocupa o topo da lista de requisitos o
item <em>beleza física</em>. Dado curioso, a mulher de
“beleza ideal” tem olhos grandes e nariz pequeno, na
preferência da maioria. E por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, os olhos de uma mulher
tornam-se aparentemente menores sob o efeito do
envelhecimento facial, assim como o nariz tende a parecer
ligeiramente maior, ao longo dos anos. Portanto, a “beleza
ideal” desejada pelos homens traduz-se na forma de uma
mulher jovem, ou, em outras palavras, uma mulher com <em>elevado
potencial de fertilidade</em> — que, ainda que apenas
inconscientemente, significa uma forte candidata a me dar
vários filhos (lembrando que nossa programação ancestral não
contava com nossas engenhosas invenções contraceptivas
atuais, e, por isso mesmo, incita-nos a algo em nível
inconsciente, no nível do instinto, que nossa mente
consciente sabe não ser realizável). Este segundo dado,
sobre os homens, indica-nos o quanto nosso comportamento
atual, tanto de homens quanto de mulheres, desenvolve-se por
sobre a programação ancestral que tivemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa que demonstra o
outro lado da situação é que, se o homem quer uma mulher
fértil, de preferência uma beldade, principalmente para um
investimento a longo prazo, a mulher faz uma opção
semelhante, não necessariamente pelo mesmo motivo, como já
discutimos aqui. Mas a verdade é que ninguém pode negar um
dado óbvio em praticamente todas as sociedades, sobretudo
ocidentais: os homens mais bonitões encontram mais parceiras
sexuais do que os homens de aparência comum. E estudos
confirmaram que, diferente do que ocorre com os homens, as
mulheres costumam dar muito mais importância à beleza física
do parceiro sexual quando sabem que é uma relação passageira
ou casual do que quando têm segurança de que o
relacionamento pode ser mais duradouro. (Já mencionamos aqui
que os homens costumam fazer o oposto e transarem
casualmente com mulheres não muito rigorosamente
selecionadas.)</p>
<p style="text-align: justify;">Diante de todas essas
diferenças, o que estudos têm comprovado é que, ao contrário
do que muita gente poderia acreditar (principalmente as
feministas radicais e os machistas ingênuos), é que uma
sociedade polígina acabaria não sendo um negócio de todo
ruim para as mulheres, ao passo que poderia ser um desastre
para os homens. Por quê?</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, como Robert Wright bem
apontou em seu livro <em>O Animal Moral</em> (onde
desenvolve a maior parte dos tópicos que já discuti até
aqui), há várias razões concebíveis contando a favor da
monogamia nas sociedades humanas, mesmo que ela, em
princípio, pareça ir de encontro aos instintos humanos
primordiais.</p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/43246_910.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/43246_910.jpg?w=216&amp;h=300"  border="0"  width="216"  height="300" /></a>
<p>
"O Animal Moral", de Robert Wright: um olhar darwinista
sobre o comportamento humano.</p>
</div>
<p style="text-align: justify;">A alternativa irônica, que
Wright cita, é que no nosso modelo atual de sociedade
estamos menos sujeitos aos ataques ensandecidos de
feministas filosóficas (com pouco ou nenhum conhecimento de
Biologia ou de Psicologia Evolutiva), que simplesmente não
se convencerão jamais de que a poliginia poderia liberar
muitas mulheres de uma situação de miséria opressora.
Afinal, algo que pode até surpreender algumas pessoas, mas
não a muitos homens à procura de uma futura esposa, alguns
estudos confirmaram que um grande número de mulheres pobres
preferiria ser a décima esposa de um homem rico, numa
sociedade poligâmica, gozando de seu quinhão de riqueza e
segurança material (sem falar de investimento nos cuidados
aos filhos) igual ao de todas as demais esposas, a ser a
única esposa de um homem pobre, numa sociedade monogâmica,
sofrendo todas as privações materiais que tal vida
acarretaria, tendo de criar os filhos com dificuldade e
muita luta diária.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, a monogamia é o
único sistema que, justamente por conta da realidade exposta
no parágrafo anterior, pode garantir que praticamente todo
homem acabe encontrando uma mulher. Haja vista o fato de
que, se na sociedade polígina mesmo as mulheres mais pobres
poderiam encontrar um homem relativamente mais rico que
aceitasse tomá-las por segunda ou décima esposa, e assim
conseguiriam melhorar sua própria condição financeira, por
outro lado, os homens mais pobres não teriam sorte
semelhante: acabariam sozinhos, rejeitados como potenciais
parceiros sexuais pela maioria das mulheres, que teriam mais
vantagens sendo mais uma esposa de um homem relativamente
mais rico do que sendo a única mulher de um homem sem muitas
condições materiais — ainda que estivessem sendo apenas
instintivamente movidas a agir assim. O contingente de
homens sozinhos na sociedade seria enorme, muito
provavelmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Todavia, o motivo que parece
ser o mais forte a pesar em prol da sociedade monogâmica é
aquele que nos indica que deixar um monte de homens sem
esposa nenhuma nem filho algum não é só algo terrivelmente
desigual: na verdade, considerada a programação genética
original do homem e o que ela instintivamente exige que ele
faça (“procrie, procrie, procrie, procrie…”), é bem provável
que tal situação se revelasse <em>perigosa</em> e <em>destrutiva</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam bem: desde sempre, na
história evolutiva humana, os homens vêm competindo de forma
acirrada e muitas vezes violenta para ter acesso às mulheres
e aos recursos sexuais que ela representam. Qual o preço a
ser pago no caso de perder essa luta? Simplesmente seu
apagamento genético da história terrestre — o que,
convenhamos, é um preço alto demais! Não é à toa, portanto,
que a seleção natural fez com que essa competição entre os
machos se desse de forma tão feroz.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer aluno de escola
secundária que preste atenção às aulas de História sabe
aquilo que muitos estudos ainda se dão ao trabalho de
confirmar: em todas as culturas do planeta, são os homens, e
não as mulheres, os autores da imensa maioria dos atos de
violência, inclusive assassinatos. Mesmo naquelas situações
em que a violência praticada não parece ter tido uma
motivação relacionável a essa primitiva disputa entre rivais
sexuais, basta uma observação mais atenta para logo se ver o
que se ignorou antes: dois caras que começam a discutir
sobre política trocam socos e pontapés, até que um saca de
uma faca e mata brutalmente o oponente — por trás de tamanha
bestialidade, jaz o impulso para salvar as aparências,
manter a honra máscula (algo que, pessoalmente falando,
minha racionalidade moral julga como uma extrema idiotice,
mas que, no ambiente ancestral, era uma atitude que poderia
ter levado a conquistar o respeito na tribo e elevado a
posição social, aumentando as chances de se obter mais
recompensas sexuais).</p>
<p style="text-align: justify;">Para a sorte geral de todos e
pelo bem da civilização atual, há circunstâncias que
conseguem aplacar essa primitiva violência masculina, essa
fúria assassina do macaco dentro de cada homem moderno. Uma
delas é uma parceira. Verdade é que a visão darwinista da
natureza humana prevê que homens solitários competiriam com
particular ferocidade por alguma mulher. E tanto os estudos
a esse respeito quanto os noticiários estão aí para nos
mostrar repetidamente que, quando isso acontece, eles de
fato competem assim. Se precisamos de dados: hoje, um homem
entre 24 e 25 anos tem três vezes mais probabilidade de
matar outro homem do que um sujeito casado de mesma idade.
Embora uma parte desses dados sirva para nos dar uma ideia
de quem é o tipo de homem que acaba se casando e mantendo um
casamento em comparação com o tipo que não para com mulher
nenhuma, não se pode negar que um percentual considerável
dessas criaturas de índole menos violenta encontra-se sob o
“efeito pacificador do casamento”, como o chamaram Martin
Daly e Margo Wilson, num seu trabalho a respeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa: os dados apontam
que um homem solitário e “inquieto” tem maior probabilidade
de roubar (muito provavelmente para melhorar sua situação e
conseguir atrair melhor as mulheres), estuprar (e o objetivo
explícito do ato dispensa explicações), e, num efeito em
cadeia, seu cotidiano pode acabar se tornando uma vida
criminosa, o que, por sua vez, acaba levando não raro ao
abuso de álcool e drogas, que pode enfim piorar a situação,
diminuindo suas chances de ganhar dinheiro e aumentar sua
atratividade em relação às mulheres. O resultado desse
dominó desastroso, não precisava nem dizer, não promete ser
o de uma sociedade muito bela e feliz, como está na cara!</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, o argumento mais
persuasivo em favor da sociedade monogâmica, tal como os
homens a construíram na maior parte do mundo, provavelmente
intuitivamente movidos pelos efeitos positivos que causava,
no somatório geral, é o de que a desigualdade entre os
machos (nos termos expostos acima) é socialmente mais
destrutiva — de uma forma que causa danos tanto aos homens
quanto às mulheres e às crianças, no final das contas — do
que a desigualdade entre as mulheres.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras: uma nação
polígina, em que as mulheres acabem preferindo migrar para a
companhia de homens mais abastados, ainda que na condição de
apenas mais uma de suas esposas, deixando um bando de homens
pobres sem nenhuma companheira muito possivelmente, a médio
e longo prazos, não seria a Disneylândia sexual que muita
gente tem imaginado. E duvido que seria o tipo de país onde
a maioria de nós gostaria de estar vivendo, pode apostar
nisso!</p>
<p style="text-align: justify;">Em todo caso, há que se chamar
a atenção ainda para a avaliação crítica da antropóloga
evolucionista e feminista, Sarah B. Hrdy, quanto às
dimensões exatas desses dados concernentes à decisão de
ingresso da maioria das mulheres em relações políginas, caso
a sociedade as tornasse possíveis, visto que as evidências
colhidas geralmente se apoiam nos modelos patriarcais de
sociedade que ploriferaram mundo afora, ao longo da
história.</p>
<div><a href="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/sarah_hrdyshanika_jayasuriyaw180xh263.jpg"  target="_blank"><img src="http://avozdaespecie.files.wordpress.com/2009/12/sarah_hrdyshanika_jayasuriyaw180xh263.jpg?w=500"  border="0" /></a>
<p>
A antropóloga Sarah B. Hrdy: Não de deve ter tanta certeza
de que já sabemos qual é “a natureza inata ou ‘universal’
dos critérios femininos na escolha de parceiros”.</p>
</div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em><span style="color:#003300;">As mulheres (e sua prole) não
apenas dependem de que os maridos tratem delas, mas
como é típico em sociedades patriarcais, o status de
uma mulher é definido de acordo com o fato de ser ou
não casada e de com quem o é. Apenas se essa situação
mudasse, seria possível esperar que os critérios para
a escolha de parceiro gradualmente mudassem também. </span></em><span style="color:#003300;">(Traduzido de: HRDY, Sarah B.
“Raising Darwin’s Consciousness”. In: </span><em><span style="color:#003300;">Human Nature</span></em><span style="color:#003300;">, Vol. 8, Nº. 01, 1997, pág. 30.)
</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">E, na opinião de Hrdy,
justamente por conta dessa situação, não se deveria afirmar
com tanta segurança <em>“que sabemos qual é de fato a
natureza inata ou ‘universal’ dos critérios femininos na
escolha de parceiros”</em> (<em>ibidem</em>).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Agora, quanto ao
poliamor…</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu retomo a visão oba-oba de
Regina Navarro sobre um possível advento de uma sociedade
poliamorosa e ponho-me a refletir sobre ela. E, para
começar, sejamos sinceros. Quando Regina diz <em>“abre-se um
espaço para outros tipos de relacionamento, com a
possibilidade de se amar mais de uma pessoa ao mesmo
tempo”</em>, o texto tem de ser mais franco para com as
pessoas: não estamos falando de <em>amor</em> aqui, estamos
falando sobretudo de <em>sexo</em>. Ou será que me enganei?
Por acaso o que ela está querendo dizer aqui é que viveremos
relacionamentos inocentes e pueris, onde poderemos sair com
outras pessoas, fazer um lanche na padaria da esquina, bater
um papo, ir ao cinema e comer pipoca, e depois seguir cada
um para sua casa, para enfim deitar na cama e suspirar que
nem pré-adolescentes platonicamente apaixonados? Claro que
não! Ora, faça-me um favor: se é para criticar o romantismo
que não seja então com esse discurso de tom
ingênuo-romântico (e maquiavelicamente enganador) de
múltiplos amores transbordando em nossos corações. E despeja
amor para cá, despeja amor para lá! Se é para discutir o
tema com seriedade, que não o venha defender com essa
mistura ridícula de <em>Sex and The City</em> com roteiro de
novela das seis!</p>
<p style="text-align: justify;">O chamado <em>poliamor</em>,
tirando-se o besteirol, não passa de <em>polisexo</em> bem
convenientemente maquiado, como o George Bush passando pó na
cara, antes de aparecer na televisão para anunciar que
derrubaram as torres gêmeas e agora o mundo estava ferrado
com eles! Então, sejamos claros quanto à afirmação acima:
abre-se um espaço para outros tipos de relacionamento, com o
objetivo claro de conseguir transar com mais de uma pessoa
ao mesmo tempo, gozando de outros benefícios extras de
caráter não-sexual no processo aventureiro (isso sim podemos
admitir). Fim de papo! A falta de franqueza na hora de
defender os interesses individualistas que a bandeira do
poliamor tenta esconder é facilmente compreendida por um
psicólogo evolucionista, que entende o mecanismo da
autoilusão funcionando a pleno vapor ali.</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, chega a ser risível que
uma psicanalista — principalmente porque Freud foi o
primeiro a detectar espertos propósitos escondidos em nosso
inconsciente por debaixo do manto de nossos atos mais
aparentemente inocentes — acabe nos fornecendo um perfeito
exemplo da autoilusão num esforço patente de convencer. E
com respeito a isso, talvez seja relevante dizer que as
ciências evolucionistas têm descoberto dados que favorecem
princípios preciosos na teoria freudiana, embora também
tenham acabado de enterrar de vez outros aspectos da
psicanálise que as psicologias comportamentais já haviam
abalado faz tempo, mas que agora, com as descobertas das
bases genéticas de nossa natureza, podemos descartar por
completo como puro lixo especulativo e sem base de
sustentação científica; para citar um exemplo: mulheres
atormentadas por uma inveja inconsciente do pênis é pura
viagem na maionese!</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, voltando à Drª. Regina
Navarro, quando esta define o termo citado acima, a coisa
chega a soar como se ela estivesse tendo uma viagem
alucinógena, de tão fantasioso que é o quadro pintado: nas
palavras dela, poliamor é uma nova perspectiva de sociedade
onde <em>“uma pessoa pode amar seu parceiro fixo e também
as pessoas com quem tem relacionamentos extraconjugais ou
até mesmo ter relacionamentos amorosos múltiplos em que há
sentimento de amor recíproco entre todas as partes
envolvidas”</em>. E haja tanto amor, hein!</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez seja importante
salientar que a visão de Regina Navarro apoia-se em uma
abordagem ainda muito em voga nas ciências sociais, e não
numa consideração das perspectivas atuais nas ciências
biológicas e naturais. Ela tende a compartilhar da mais do
que refutada visão mítica de Jean-Jacques Rousseau, de que o
homem é um <em>bom selvagem</em>, que nasce puro sendo a
sociedade que o corrompe posteriormente. Assim, como ela
mesma vai defender na citada entrevista, os sentimentos
humanos, quaisquer]]></description>
        </item>
                
        <item>
            <title><![CDATA[Love, according to Jocax]]></title>
            <link>http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/92505.html</link>
            <guid isPermaLink="true">http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/92505.html</guid>
            <pubDate>Sat, 11 Jun 2011 23:00:20 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[Love]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[psychology]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[evolution Darwin]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<p>
</p>
<p class="MsoNormal"  style="text-align: center;"  align="center"><span style="font-size: 18pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;; color: #548dd4;">Love, according to Jocax</span><span style="font-size: 10pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
by: Jocax (Feb. 16, 2001) <br />
Translated by Debora Policastro<br />
New version: May 2006</span><span style="font-size: 18pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;; color: #548dd4;"></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
<strong>"Love is an instinct, programmed
into us by our genes in order to do the <span style="color:red;">Quality Control</span>
of the person who may be the parent of our children."</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
From this we conclude that:</span></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
1-Love is an instinct.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Love is an instinct. This means that love is not directly controlled by our
conscious will. I must emphasize that instinct (the way I herein talk about it)
means desires, impulses or reflections, in short, mental algorithms, which are
molded into our brains by a prescription encoded <span style="text-decoration: underline;">in</span> our genes. An
instinct may sometimes be molded by the environment, that is, its action also
depends on the circumstances in which the organism is inserted. They are known
as epigenetic rules. Anyway, instincts are beyond our conscious control; we
cannot choose what we feel, when we feel or for whom we feel.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Love being an instinct, that implies it is also hereditary. But it does not
mean that the object of love is determined exclusively by genetics. As I said
before, mental algorithms can be modulated by the environment, that is local
culture may fix some values ​​that will influence mental algorithms in
determining the beloved object. I believe, however, that most of the traits that
influence love are genetically determined. Some traits are always appreciated,
regardless of culture or time, for example, beauty, intelligence, character,
health will always have a strong influence on the degree of love, but the
proportion of each trait necessary to trigger the instinct - and make the
person love - varies from person to person and must be determined genetically.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
 2-Love is an instinct for <strong>quality
control</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Many still believe that the "goal" of living beings is to perpetuate
the species. It is not. The goal of every living being is to perpetuate genes,
its own genes.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
To perpetuate means surviving through time, across generations. That means the
quality of the bearer of genes is essential. Our genes will combine to the ones
of the opposite sex and form another being. If the genes that will combine to
ours in our children do not have "quality" enough, our genes will not
survive the time and that means not surviving to competition with other
individuals, or not attracting sexual partners to have children or even not
having good partners. Thus, quality control is necessary for the genes to
maintain their "intent" of immortality.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Moreover, the quality of the offspring is not only due to the partner’s genes.
It is not profitable to have many descendants if they do not survive a single
generation because they are not physically or culturally prepared. Therefore,
there is a compromise between quality and quantity. In general, the higher the
number, the lower is the quality. The inverse is also true: the fewer children,
the greater the care and investment "per capita" and therefore the
higher the quality of each, increasing the possibility for genes to go through
generations.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
In short: Love serves as a quality filter for us to make a good choice of the
partner you can mix your genes with through children.<br />
 <br />
3 - <strong>The goal of love is to generate
children</strong>.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
The aim of love is to generate children because it is through children that
genes jump from one generation to another in their "search" for
immortality. That explains the direct ratio between love and sexuality, libido,
between love and wanting one always near, jealousy. Jealousy is a form of
ensuring, and mainly keeping the beloved partner as a future provider of
gametes (eggs / sperm) that will unite to our genes. It is also the reason why
oldness is so feared by women: men will instinctively prefer younger women, at
reproductive age (even if they do not consciously want to have children), and
this is perceived by women who will desperately struggle "against"
oldness.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
That is why aging in men is not as tragic as it has psychologically been for
women: men have almost double the fertile period that a woman does, so they do
not suffer the same selective pressure by the opposite sex as women do.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
For this reason we do not fall in love with (at least apparently) high quality
people, as muses of great beauty or famous artists: although they seem to have
great genes, they would be far beyond our real possibilities and then the
instincts are not fooled by illusions that may not generate children.<br />
 <br />
2.0 - <strong>Passion according to Jocax</strong></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Passion is a form of love. Passion is the feeling of love in an extreme degree,
and almost always mixed with great imagination.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Passion is characterized by the obsessive desire for the beloved one. This
obsession often happens because, not knowing all the aspects of the beloved
one, those aspects are filled by the imagination of the person in love.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
That is why many times the passion fades away as suddenly as it came: when the
imagined aspects are replaced by the real ones, which not always correspond to
those previously imagined. That normally happens as the person gets to know for
real the beloved object.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Nevertheless (but rarely) the reverse can also happen when the characteristics
initially imagined are confirmed by the time: passion is then consolidated as
an enduring love.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
As a form of love, passion also seeks genetic perpetuation, and therefore it is
also a feeling connected to sexual desire. Like love, passion measures the
genetic quality of the beloved being; however the estimated quality is not
always true, because it is mixed with imaginary aspects.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Therefore, it is not impossible to replace a beloved one by another one, since
this other one may have more qualities than the first one, and therefore the
target of passion could switch its destination.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Passion is dangerous because, bringing along imaginary aspects, one is at risk
of taking wrong decisions. On the other hand, it might be the only way for
excessively shy people to have children.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Thus, I believe passion will be greater and more frequent according to how shy
the person is. This is due to the fact that if shyness is genetic, the only way
for the person to feel free and get involved would be through a more powerful
feeling.</span></p>
<div style="padding:0cm 0cm 1pt; border: medium medium 1pt none none solid -moz-use-text-color -moz-use-text-color windowtext;">
<p class="MsoNormal"  style="border:medium none; padding: 0cm;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;"><br />
Passion, as a type of love, is also related to the generation of children, and
because of that, old men very commonly fall in love with younger women at a
high fertility age: the man’s genes “notice” that there will be high
probabilities of perpetuating themselves. Passion then settles so that the body
can chase the gene-perpetuating target. Note, however, that there must be some
kind of reception by the young woman for that to happen, since if a woman does
not give any indication of receptivity to the man, the instincts notice a
"zero chance of copulation" and may give up "owning" the
body with passion. Therefore, cases of passion between old men and much younger
women are predictable and real, but for them to happen, as in all cases, the
woman must provide some indication of possibility of intercourse with the men.<br />
<br />
Portuguese version: <br />
<a href="http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2258774">http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2258774</a></span></p>
</div>]]></description>
        </item>
                
        <item>
            <title><![CDATA[Edward O. Wilson  e o Altruísmo]]></title>
            <link>http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/92198.html</link>
            <guid isPermaLink="true">http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/92198.html</guid>
            <pubDate>Thu, 26 May 2011 16:11:29 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[Altruísmo]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Comportamento]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Evolução]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Genes]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Sociobiologia]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[psicologia evolucionista]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Wilson]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<h1>Biólogo de Harvard quer alterar a teoria da evolução (de novo)</h1>
<h2>Edward O. Wilson está tentando derrubar um elemento central do processo evolutivo: a origem do altruísmo</h2>
<p> </p>
<div>
26/04/2011 <a title="Texto grande"><strong></strong></a>
</div>
<p>Em uma tarde recente, o ilustre biólogo de Harvard, Edward O. Wilson,
 estava em casa falando ao telefone sobre os golpes que vêm recebendo da
 comunidade científica e parafraseando Arthur Schopenhauer para explicar
 a indignação de seus colegas. “Todas as novas ideias passam por três 
fases”, dizia Wilson, com um certo tom de menino travesso. “Elas 
primeiro são ridicularizadas ou ignoradas. Depois, são tratadas com 
indignação. Finalmente, elas se tornam óbvias desde o princípio.</p>
<p>Wilson tem 81 anos, idade em que poderia ser perdoado por se isolar 
numa fazenda e escrever livros populares sobre ciência. No ano passado 
ele tentou escrever ficção, publicando um livro sobre formigas — sua 
especialidade científica — e até conseguiu emplacar um conto no<em> The New Yorker</em>.
 Mas ele também tem defendido uma ideia científica perturbadora, que, 
segundo o próprio Wilson,  está na fase dois da progressão de 
Schopenhauer: a indignação.</p>
<p>O que Wilson está tentando fazer no final de uma influente carreira é
 nada menos que derrubar um elemento central da teoria da evolução: a 
origem do altruísmo. Sua posição está provocando críticas ferozes de 
outros cientistas. No mês passado, a revista <em>Nature</em> publicou 
cinco cartas de renomados cientistas dizendo que Wilson não entendeu a 
teoria da evolução e não sabe do que está falando. Uma dessas cartas 
continha as assinaturas de 137 cientistas, incluindo dois colegas de 
Wilson em Harvard.</p>
<p>O novo argumento de Wilson equivale a um ataque frontal às ideias 
aceitas há anos sobre um dos grandes mistérios da evolução: por que uma 
criatura ajudaria outra às próprias custas?  A seleção natural significa
 que os mais aptos passam seus genes para a próxima geração, e cada 
organismo parece ter um incentivo enorme para sobreviver e se 
reproduzir. No entanto, estranhamente, o autossacrifício existe no mundo
 natural, mesmo quando ele parece colocar organismos individuais em uma 
desvantagem evolutiva: o esquilo que emite um som agudo para alertar 
outros esquilos sobre a presença de um predador está se colocando em 
risco. Como poderiam persistir, ao longo dos tempos, genes que levam a 
tais comportamentos? É uma questão que atormentava até mesmo Charles 
Darwin, que considerava o altruísmo um sério desafio à sua teoria da 
evolução.</p>
<p><strong>A natureza do bem</strong></p>
<p>O enigma do altruísmo é mais do que uma simples curiosidade técnica 
para os teóricos da evolução. Equivale a uma investigação de alto risco 
sobre a natureza do bem. Ao identificar os mecanismos através dos quais o
 altruísmo e outros comportamentos sociais avançados evoluíram em todos 
os tipos de seres vivos — como formigas, vespas, cupins e ratos-toupeira
 – estamos aumentando a nossa compreensão da raça humana e os processos 
evolutivos que nos ajudaram a desenvolver a capacidade de colaboração, 
lealdade, e até mesmo moralidade. Talvez seja esta a razão pela qual o 
debate um tanto esotérico entre Wilson e seus críticos tenha se tornado 
tão aquecido.</p>
<p><strong>Seleção por parentesco</strong></p>
<p>A explicação para o altruísmo se fundamenta na “teoria da seleção por
 parentesco”. De acordo com essa teoria, um organismo que busca passar 
seus genes para as gerações futuras pode fazê-lo indiretamente, ajudando
 um parente a sobreviver e procriar. Irmãos, por exemplo, compartilham 
aproximadamente metade de seus genes. E assim, pela lógica desapaixonada
 da evolução, ajudando um irmão a reproduzir é quase tão bom quanto 
reproduzir por si próprio. Assim, atuando de forma altruísta com alguém 
com quem você compartilha material genético não constitui 
 autossacrifício: é apenas uma maneira diferente de promover seus 
próprios interesses. Wilson foi um dos pais da teoria da seleção por 
parentesco, mas agora, 40 anos depois, ele está implorando seus colegas 
para que a desconsiderem.</p>
<p>“A seleção por parentesco está errada”, declara Wilson. “É isso. Está errada”.</p>
<p>Na década de ’70, Wilson transformou a teoria da seleção por 
parentesco na base do seu trabalho na área da sociobiologia, um campo em
 que foi pioneiro e que cimentou o seu status como um dos gênios da 
ciência moderna. Mas ao longo das décadas, Wilson se deparou com 
evidências que o fizeram duvidar da relação entre parentesco genético e 
altruísmo. Os investigadores estavam encontrando espécies de insetos, 
que compartilhavam um monte de material genético entre si, mas que não 
se comportavam de forma altruísta, e outras espécies que tinham muito 
pouco material genético em comum mas que agiam de maneira altruísta. 
“Nada do que foi observado se encaixava na teoria da seleção por 
parentesco”, disse Wilson. “Eu sabia que algo estava errado”.</p>
<p>Em 2004, Wilson sugeriu uma teoria alternativa, defendendo que a 
origem do altruísmo e do trabalho em equipe não tem nada a ver com o 
grau de parentesco entre indivíduos. A chave, disse Wilson, está no 
próprio grupo.  <em>Em determinadas circunstâncias, os grupos de indivíduos 
que colaboram podem competir com grupos que não colaboram, <span style="text-decoration: underline;">garantindo 
assim que seus genes — incluindo os que predispõem à cooperação – sejam 
passados para as gerações futuras</span>.</em> Esta seleção por grupo, Wilson 
insiste, é o que forma a base evolucionária para uma variedade de 
comportamentos sociais avançados como o altruísmo e o trabalho em 
equipe.</p>
<p>Wilson não está argumentando que os membros de certas espécies não se
 sacrificam em benefício de seus parentes. Eles o fazem. Mas ele 
acredita que parentesco não é essencial para o desenvolvimento de 
avançados comportamentos sociais como o altruísmo. Para ele, a razão de 
tais comportamentos é que eles são vantajosos a nível do grupo.</p>
<p>O fato de que organismos socialmente avançados acabam favorecendo 
seus parentes é um subproduto da participação em um determinado grupo, 
não a causa, diz Wilson.</p>
<div>
      <span>
        <strong>Fontes:</strong> 
        <a href="http://www.boston.com/bostonglobe/ideas/articles/2011/04/17/where_does_good_come_from/?page=full"  target="_blank">The Boston Globe - Where does good come from</a> 
      </span>
    </div>
<p>
   
      
		
        <br /><a href="http://opiniaoenoticia.com.br/vida/ciencia/biologo-de-harvard-quer-alterar-a-teoria-da-evolucao-de-novo/"  target="_blank">http://opiniaoenoticia.com.br/vida/ciencia/biologo-de-harvard-quer-alterar-a-teoria-da-evolucao-de-novo/</a></p>]]></description>
        </item>
                
        <item>
            <title><![CDATA[Inclinação Política e Religiosidade]]></title>
            <link>http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/91328.html</link>
            <guid isPermaLink="true">http://stoa.usp.br/psicoevo/weblog/91328.html</guid>
            <pubDate>Tue, 19 Apr 2011 14:35:29 GMT</pubDate>
		<dc:subject><![CDATA[pressão Seletiva]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[seleção natural]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[esquerda]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[direita]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[darwinismo]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Religião]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Religiosidade]]></dc:subject>
		<dc:subject><![CDATA[Inclinação Política]]></dc:subject>
            <description><![CDATA[<p> </p>
<p class="MsoNormal"  style="text-align: center;"  align="center"><strong><span style="font-size: 16pt;">Inclinação Política e Religiosidade</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"  style="text-align: center;"  align="center"><br />
<strong>Por: Jocax, 19/04/2011</strong></p>
<p class="MsoNormal"  style="text-align: center;"  align="center"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong>Resumo</strong><em>: </em><em><span style="font-size: 11pt;">Uma observação estatística rápida e poderemos
verificar que pessoas que pendem para a direita política tendem a ser mais
religiosas do que as que pendem para a esquerda. Este ensaio pretende fornecer
uma possível relação causal desta aparente correlação</span></em>.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">A religião é um dos fenômenos culturais mais antigos que
existe. Acredita-se que a religiosidade pode ter influenciado a seleção
natural, via pressão seletiva [8], de modo que genes e religião co-evoluíssem na
historia humana. Por esta razão fala-se também em “genes da religiosidade” [1]
[2] [3] [4]: </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">“<em>Até 25 anos atrás, os
cientistas diziam que o comportamento religioso era produto da socialização ou
da criação da pessoa. Mas estudos recentes, incluindo este, realizado com
gêmeos adultos que foram criados separadamente, sugerem que os genes contribuem
em cerca de 40% na religiosidade de uma pessoa</em>.” [3]</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">A religiosidade e os genes podem contribuir favoravelmente
para uma co-evolução próspera de varias maneiras: </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">1<strong>-Cultos e
Cerimoniais <br />
<br />
</strong></p>
<p class="MsoNormal">Cultos religiosos tendem a unir as pessoas. Pessoas que, por
exemplo, não gostavam de tais cultos e, portanto, não participavam deles
poderiam ser consideradas anti-sociais, serem menos conhecidas, e terem sua
capacidade de conhecer e conquistar parceiros sexuais, diminuída em relação às
pessoas mais participativas de tais cultos.</p>
<p class="MsoNormal">Observamos assim um forte fator de pressão seletiva para que
indivíduos gostassem e participassem de cultos e cerimônias religiosas: Uma
maneira de encontrar parceiros para a reprodução.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong>2-Crentes tem mais filhos
</strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">A religião, atualmente, também favorece a natalidade: </p>
<p class="MsoNormal">“...<em>Rowthorn citou o
World Values Survey, que abrange 82 nações de 1981 a 2004, que<br />
descobriu que as pessoas que frequentavam os cultos religiosos mais de uma vez<br />
por semana tinham uma média de 2,5 filhos. Os adultos que frequentaram o culto<br />
uma vez por mês tinham dois, e aqueles que nunca frequentavam tinha 1,67 filhos<br />
em média</em>....” [6]</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong>3-A União faz a Força</strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">O homem sempre foi muito beligerante, conflitos e guerras
tribais existem desde mesmo antes do homem moderno existir. As tribos vencidas
e dominadas costumavam virar escravas ou mesmo serem canibalizadas:</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><em>“...Algumas tribos
eram canibais como, por exemplo, os tupinambás que habitavam o litoral da
região sudeste do <a href="http://www.suapesquisa.com/paises/brasil">Brasil</a>.
A antropofagia era praticada, pois acreditavam que ao comerem carne humana do
inimigo estariam incorporando a sabedoria, valentia e conhecimentos..</em>.” [5]</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Desta forma, existiu -e existe- uma pressão seletiva para
que a união das tribos (ou povos) em época de conflito ou guerra gere uma maior
probabilidade de vitória e, portanto também de sobrevivência. Neste caso, a
religiosidade pode ser um fator muito importante para a união destes povos em
momentos em que a dispersão ou desunião poderiam significar a morte. E o
potencial da união só surte efeito se houver uma ordem, e esta ordem precisa
ser dada por um líder, por uma hierarquia.<span> 
</span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong>4- Hierarquias</strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Mesmo em tempos de paz, uma sociedade organizada e ordeira
pode ser mais próspera que uma desorganizada e sem liderança. De forma que
existe e existiu uma pressão seletiva para que o povo seguisse uma liderança,
para que houvesse respeito a uma hierarquia estabelecida. </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Quando perguntado sobre as razões da Fé, o eminente E.
Wilson respondeu : </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">“<em>Em primeiro lugar,
precisamos concordar que não há nenhuma evidência da existência de uma vida
transcendental. Já os estudos sobre o comportamento humano indicam que nossa
inclinação para a religião pode ter evoluído do comportamento de submissão
animal. Explico: em bandos de macacos rhesus, por exemplo, o macho dominante do
grupo caminha firmemente com a cauda e a cabeça erguidas, enquanto os macacos
dominados mantêm a cabeça e a cauda baixa, em sinal de respeito ao líder do
bando. Estar subordinado a um líder dá a esses animais mais proteção contra os
inimigos e garante a eles maior acesso aos alimentos e ao abrigo. Qualquer
cientista comportamental que viesse de outro planeta estudar o homem perceberia
facilmente a semelhança entre esse comportamento de submissão e a tendência
humana de se submeter a um Deus.</em>” [1]</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong>Inclinação Política</strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">As palavras de Wilson são a chave para entendermos a
provável ligação da religiosidade e inclinação política: A propensão genética
para seguirmos líderes!</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Em todos os traços psicológicos ligados aos genes, existe
uma variabilidade no grau em que um traço se manifesta. Dessa forma, uma alta
propensão de seguir uma liderança, de gostar de uma hierarquia social e
respeitá-la, poderia estar ligada a esta variabilidade genética. Podemos
concluir que quanto maior a propensão em seguir uma liderança e respeitar uma
hierarquia, maior a probabilidade em seguir uma religião, que possui em Deus
seu líder máximo.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">A Direita política é caracterizada por uma rígida liderança,
pois os donos de empresas e dos grandes oligopólios, (que, em geral, forma os
líderes dos partidos de direita), por exemplo, são os senhores absolutos de
suas organizações com poderes totais para contratar e demitir, sem necessidade
de uma razão social, lógica ou mesmo racional. Da mesma forma querem que o
“mercado” seja “livre” isto é, que impere a “lei do mais forte”, rejeitando
qualquer controle estatal que visaria o bem social e não o lucro das grandes
empresas ou a vontade das forças que o controlam. Quem possui uma tendência maior
à religiosidade teria também uma tendência a acreditar e a aceitar pessoas poderosas
para liderar, não apenas as suas empresas e negócios, mas para dirigir o povo
de sua região ou nação. Pois, talvez acreditem que sejam lideres natos,
talhados para governar, pessoas tão necessárias a uma ordem social.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Por outro lado, a Esquerda política é caracterizada pelo
desejo de um controle estatal (social), onde a ordem deve ser dada por leis, e não necessariamente
por pessoas. E que o controle social deve estar ligado à própria sociedade e
não ao particular caráter da liderança do momento. </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">Desta forma os esquerdistas estão menos ligados a uma
hierarquia pessoal, crêem menos em uma liderança pessoal e, pelas mesmas razões
genéticas, estariam menos propensos a aceitar uma liderança religiosa tendo
Deus como seu líder absoluto.</p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 14pt;">Referências</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[1] Religião ligada aos genes?</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://www.genismo.com/psicologiatexto7.htm">http://www.genismo.com/psicologiatexto7.htm</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[2] A Fé está nos Genes?</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/1939">http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/1939</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[3] Genes contribuem com inclinação religiosa.</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/3721">http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/3721</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[4] Religião? A culpa é dos genes!</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/4642">http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/4642</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[5] Índios do Brasil<br />
<a href="http://www.suapesquisa.com/indios/">http://www.suapesquisa.com/indios/</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[6] Crentes tem mais filhos que não crentes<br />
<a href="http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/7736">http://groups.yahoo.com/group/Genismo/message/7736</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal">[8] Pressão Seletiva</p>
<p class="MsoNormal"><a href="http://www.genismo.com/geneticatexto23.htm">http://www.genismo.com/geneticatexto23.htm</a></p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"> </p>
<p class="MsoNormal"><span>            </span></p>
<p class="MsoNormal"> </p>]]></description>
        </item>
        
    </channel>
</rss>