(esqueceu?)

Stoa :: DISCURSO e PSICANÁLISE :: Blog

Outubro 26, 2009

user icon

Por que poderíamos acreditar que alguma contravenção à lei seja um sinônimo inconsciente de um prazer ao sofrimento tal qual se apresenta classificado nos anais psicanalíticos - o masoquismo?

Palavras-chave: defeitos morais, masoquismo

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 0 comentário

Outubro 05, 2009

user icon

Há um livro paradidático que foi distribuido às escolas da rede pública do Estado de São Paulo sobre diversidade/gênero sexual e nele está expresso que a homossexualidade é algo que não se escolhe, mas é determinada geneticamente!

Ou seja, por causa desta fatalidade acho que tem muita gente falsa por aí - brincadeirinha! A nossa sociedade já é assim gratuitamente!

De modo que se a homossexualidade é determinada, ela já estaria constituida no temperamento do indivíduo? Como poderíamos considerar este pressuposto na psicanálise?

 

Palavras-chave: diversidade sexual, psicanalise

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 9 comentários

Setembro 28, 2009

user icon

O Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Grupo de Trabalho de Filosofia e Psicanálise da Associação Nacional de Filosofia (ANPOF)
 
PROMOVEM
 
VII Congresso Nacional de Filosofia Contemporânea da PUCPR e III Congresso Internacional de Filosofia da Psicanálise
 
Data: 10 a 13 de novembro de 2009
Local: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Campus Curitiba


PRORROGADO PRAZO DE INSCRIÇÕES PARA COMUNICAÇÕES ATÉ 10/10/2009 PARA O ENVIO DE RESUMO


Obs.: Para maiores informações e inscrições, acesse o site:

http://www.pucpr.br/eventos/congressofilosofia/2009/

Palavras-chave: Congresso, Filosofia da Psicanálise

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 0 comentário

Agosto 12, 2009

user icon

Parece uma pergunta para se demarcar uma data histórica como se usualmente se investiga. Não se trata disso!!!!!!!!

Mas qual é a origem (antropológica?) do ato de beijar e qual é trama psíquica que está por trás deste ato?

Esta é uma da questões que podem nos auxiliar a descobrir, em nós mesmos, alguns elementos a mais sobre a afetividade humana.

O que se tem por aí divulgado cientificamente sobre isto?

O seu valor psicanalítico?

O que temos a dizer pessoalmente sobre nossas experiências do beijar?

Palavras-chave: beijo, psicanalise

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 2 comentários

Agosto 04, 2009

user icon

Há como desvendar o uso atual do movimento chamado piercing?

Uma forma de mostrar aos outros uma imagem diversa, principalmente ao masculino, e mais ainda, ao homem civilizado!

O que é que poderia estar por trás do uso do piercing?

Que psicologia subliminar se encontra nesta atitude de se sujeitar primeiramente à demonstração de dor de uma perfuração do corpo por um metal?

Qual o sentimento que nos desperta esta atitude?

Palavras-chave: piercing, psicanálise

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 19 comentários

Junho 24, 2009

user icon
Lacan estaria justificado em dizer “não cedas de teu desejo”?

Porto Alegre, 14 e 15 de agosto de 2009.
Auditório Mondercil Paulo de Moraes, sede do Ministério Público
Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, 80, 3º andar - Praia de Belas

Responsáveis:

Charles Melman, William J. Richardson, Martine Lerude, Rosane de Abreu
e Silva, Mario Fleig, Susana Rocca


Laboratório de Filosofia e Psicanálise, do PPG-Filosofia da Unisinos
Instituto Humanitas Unisinos - IHU
Association Lacanienne Internationale - ALI
Escola de Estudos Psicanalíticos - EEP
GT Filosofia e Psicanálise, Região Sul, ANPOF
Laboratório de Psicopatologia Fundamental - Faculdade de Direito
-Fundação Escola Superior do Ministério Público - ESMP




Existiria uma ética específica da psicanálise? Caso exista, o que
poderia servir de medida de julgamento do ato do psicanalista? O
julgamento sobre a ação era tradicionalmente, senão universalmente,
constitutivo da ética. Então, como pode se justificar que a pretensão de
um julgamento ético, formulado na particularidade do desejo de cada um,
possa ter um valor de máxima moral e até mesmo de imperativo ético? A
pergunta radical que Lacan propõe: “Agistes conforme o desejo que te
habita?” poderia ser interpretada como contendo a máxima universal que
definiria a ética da psicanálise: “age conforme o desejo que te
habita”? E quanto à culpabilidade, ela então dependeria apenas de ter
cedido do próprio desejo, ou seja, de ter “contemporizado” com o
mesmo? E não haveria outro bem senão aquele que poderia servir para
pagar o preço do acesso ao desejo?
Poderíamos então aceitar o enunciado: “a ética da psicanálise é não
ceder de seu desejo”? (Em outros termos, não contemporizar com o
desejo próprio da gente, desistir dele?)
A contraposição de Lacan à moral tradicional (especialmente a ética de
Aristóteles) e o reconhecimento da contribuição de Kant e Sade, para
situar o ponto pivô da articulação “do impossível em que reconhecemos
a topologia de nosso desejo”, coloca problemas delicados. O
impossível, segundo a indicação freudiana, é o Das Ding (Freud) o
l’achose (Lacan), que é mantida à distância por meio do bem e do
belo.
Contudo, haveria uma diferença mínima entre a ética kantiana do puro
dever, a posição sadeana de incitar a gozo a qualquer preço (gozo da
destruição, a virtude própria do crime, nas formulações de Saint-Font em
l'Histoire de Juliette: Deus como o Ser supremo em maldade e o sistema
do papa Pio VI) e a ética do psicanalista?
A proposta lacaniana de uma ética do desejo ancorada na enunciação de
cada sujeito não induziria a uma justificação de um gozo sem limite? O
que determina que a prática do psicanalista se abstenha de erigir o gozo
como imperativo (fantasma sadeano) e possa produzir efeitos de ato
psicanalítico? Qual é o lugar da responsabilidade na ética da
psicanálise proposta por Lacan? Quais as virtudes que seriam próprias
da ética do psicanalista nesta perspectiva? Que lugar e posição poderia
ocupar o analista na cultura de nossos dias?

PROGRAMA

Sexta-feira, 14 de agosto de 2009

8h30min - Abertura

9h às 11h - Mesa 1

A depressão é uma questão ética?
Martine Lerude

Sou responsável, mesmo que não soubesse
Mario Fleig

Debatedora - Alayde Martins
Coordenação: Rosane de Abreu e Silva

11h30min às 13h - Mesa 2

Uma prática: Freud perito
Jean-Louis Chassaing

Debatedor - Luiz Fernando Calil de Freitas
Coordenação: Andréa Ferrari

15h às 17h - Mesa 3

E a lei continua
Aurélio de Souza

O lugar do desejo no discurso capitalista, suas consequências éticas
para o sujeito e seus efeitos na prática analítica
José Zuberman

Debatedores: Eduardo Verano e Martha Brizio
Coordenação: Margareth Kuhn Martta


17h30min às 19h - Mesa 4

O que significa ‘não cedas de teu desejo’?
Ernildo Stein

Debatedora - Leda Fischer Bernardino
Coordenação: Izabel Dal Pont


Sábado, 15 de agosto de 2009

8h30min - Mesa 5

Etnocentrismo e heterologia
 Ivan Corrêa
 
O desejo na subversão lacaniana do sujeito
Isabelle Dohnte-Médan;

Debatedoras: Angela Valore, Maria Lúcia de Queiroz Santos
Coordenação: Maria Marta Heinz

10h30min - Intervalo

11h às 12h30min - Mesa 6

O questionamento das aporias da ética
Hubert Ricard

Debatedor - José Luiz Caon
Coordenação: Maria Cristina Hein Fogaça


14h30min às 16h - Mesa 7

Desejo e lei moral
Paul Valadier 

Debatedor - Álvaro Valls
Coordenação: Susana Rocca

16h - Mesa 8

Como tratar o desejo em 1 lição?
Charles Melman

Coordenação: Conceição Beltrão Fleig




Participações confirmadas:
 
Charles Melman, psicanalista, psiquiatra, ALI, Paris
Martine Lerude, psicanalista, psiquiatra, ALI, Paris
Luiz Fernando Calil de Freitas, Procurador de Justiça e Presidente da
ESMP, Porto Alegre
Jean-Louis Chassaing, psicanalista, psiquiatra, ALI, Clermont-Ferrand
Isabelle Dohnte-Médan, teóloga, historiadora, psicanalista, ALI, Lille
Hubert Ricard, filósofo, psicanalista, ALI, Paris
Aurélio de Souza, psicanalista, psiquiatra, Espaço Moebius, Salvador
Ivan Corrêa, psicanalista, CEF, Recife
Paul Valadier, filósofo, teólogo, Centre Sèvres - Facultés de Jésuites,
Paris
Ernildo Stein, filósofo, PUC-RS, Porto Alegre
José Luiz Caon, psicanalista, UFRGS, Porto Alegre
José Zuberman, psicanalista, psiquiatra, EFBA, Buenos Aires
Álvaro Valls, filósofo, UNISINOS, São Leopoldo
Rosane de Abreu e Silva, psicanalista, EEP; ESMP, Porto Alegre
Mario Fleig, filósofo, psicanalista, EEP; ALI; UNISINOS, São Leopoldo
Martha Brizio, psicanalista, UFRGS, EEP, Porto Alegre
Conceição Beltrão Fleig, psicanalista, EEP, Porto Alegre
Izabel Dal Pont, psicanalista, EEP, Caxias do Sul
Margareth Kuhn Martta, psicanalista, EEP, UCS, APPOA, Caxias do Sul
Angela Valore, psicanalista, LETRA, ALI, Curitiba
Alayde Martins, psicanalista, Escola de Psicanálise do Maranhão, São
Luís
Leda Fischer Bernardino, psicanalista, ALI, Associação Psicanalítica de
Curitiba, PUC-PR, Curitiba
Maria Cristina Hein Fogaça, psicanalista, EEP, Porto Alegre
Maria Marta Heinz, psicanalista, EEP, Porto Alegre
Maria Lúcia de Queiroz Santos, psicanalista, CEF-Recife
Eduardo Verano, psicanalista, psiquiatra, Fazenda Freudiana, Goiânia.
Andréa Ferrari, psicanalista, EEP, Porto Alegre

Inscrições e informações:

Escola de Estudos Psicanalíticos (www.freudlacan.com.br)
- Depósito bancário identificado
Banco Itaú - ag. 3003, c. c. 14482-5 (em nome de Martha Brizio)
- Confirmar o depósito via email (eepsicanalíticos @terra.com.br)
enviando nome, endereço e telefone para contato.

Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS - secretaria
Rua São Manoel, esquina Av. Protásio Alves - Porto Alegre
tel. 51 - 3333 7025

Central de Relacionamento Unisinos - CRU (www.unisinos.br/ihu)
Linha direta Unisinos - Fone 51 35911122
Email: humanitas@unisinos.br Fone: 51 35908223

Valores:


Até 01.06.09 a 31.07.09
Profissionais - R$300,00
Estudantes - R$ 150,00

A partir de 01.08.09
Profissionais - R$350,00
Estudantes - R$ 175,00


Hotéis Sugeridos:

Hotel Embaixador****
R. Jerônimo Coelho 354 - Centro. 51 3215 6600
reservas@embaixador.com.br ( C/ Evelise)

Mercure Manhattan (Flat)****
R. Miguel Tostes 30 - Moinhos de Vento. 51 3024 3030
reservas.mercuremanhattan@accor.br (C/ Viviane)

Sheraton Porto Alegre Hotel *****
R, Olavo Barreto Viana 18 - Moinhos de Vento. 51 2121 6000
Reservas.poa@sheraton.com  (C/ Nicole ou Bárbara)

Palavras-chave: Colóquio, ética, psicanálise

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 0 comentário

Abril 08, 2009

user icon

Quando nos emocionamos, seja qual for o motivo, num livro de ficção. tipo romance ou biográfico, ou mesmo um filme ao qual nos identificamos... na verdade essa emoção não está exatamente na película nem no texto discursivo.

O motivo desta emoção está nesta reconstrução psíquica profunda. É nós mesmos nos encontrando conosco nos arcabouços psicanalíticos onde o virtual tende a se identificar e se tornar real equilibrando emoções reprimidas. 

São emoções construídas a partir de um material psíquico e pelo desejo existente na alma de cada um que aos poucos se atualiza através do suporte filmico, ou estético-literário.

Palavras-chave: emoções, filme, livro, psicanálise, psiquismo

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 2 comentários

Março 27, 2009

user icon

Há sempre desavisados sobre a resposta desta pergunta que pode ser defendida positivamente até por gente gabaritada dentro da USP!

Mas a resposta é que a Psicanálise foi muito "perseguida" pelos psicólogos formalistas - os americanos tomam a dianteira, principalmente os behavioristas comportamentais, que são radicalmente contrários á Psicanálise como ciência, pela sua metodologia. Por outro lado, a Psicanálise nunca precisou ser estruturada como um Curso Superior, pois ela não depende do acúmulo de conhecimentos, precisamente, para seu exercício!

O grande poder explicativo da Psicanálise nunca precisou se valer fundamentalmente dos postulados da Psicologia, além de, o Pai da Psicanálise, Sigmundo Freud, não ter sido psicólogo nem procurado ser.

Palavras-chave: Ciência, Psicanálise, Psicologia

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 19 comentários

Janeiro 11, 2009

user icon

A psicanálise tende a acompanhar as pesquisas psíquicas em que se referem ao inconsciente humano em seus processo de significações manifestadas pelo comportamento.

 

A pele é a periferia de nosso temperamento, de nossa individualidade. Nossa pele é o que há de mais exterior do nosso ser, e por outro lado, o inconsciente, seria o que de mais interior e inalcançável teríamos sobre nossa personalidade.

 

No que se refere a vontade de tingir sua pele com uma imagem exterior e aplicado em determinado lugar no corpo, poderíamos induzir daí algum significado inconsciente?

 

Poderíamos procurar saber sobre o que o motiva e o por que alguns indivíduos assim se expressam! Inclusive o por quê da escolha da tatuagem incorrer sobre determinada imagem!

Palavras-chave: Inconsciente, pele, psicanálise, semiótica, significações, Tatuagem

Este post é Domínio Público.

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 23 comentários

Junho 08, 2008

user icon

No filme "O Exorcista" de 1973, dirigido por William Friedkin, dois complexos psicanalíticos se confundem na trama: o Complexo de Édipo e o Complexo de Electra.

Alguém já conseguiu identificá-los nesta história de terror diabólico?

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 1 comentário

Maio 22, 2008

user icon
Como podemos compreender, psicanaliticamente, a atividade sexual homossexual? É um meio ou um fim em si mesmo?

Palavras-chave: homossexualismo, psicanálise

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 7 comentários

Maio 16, 2008

user icon
O conto de Edgar Alan Poe "A Carta Roubada" do livro "Histórias Estraordinárias" foi decodificado por Jacques Lacan, e seu tema se encontra num dos capítulos do "11º Seminário".
Sua crítica nos ajuda a explicar a especificidade da psicanálise, em uma nova abordagem, os elementos freudianos.
Há também autores que partem deste conto de Poe para abordar o complexo de Édipo lacaniano!

Palavras-chave: complexo de edipo, Lacan, Poe

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 2 comentários

Maio 02, 2008

user icon
Em continunidade, para maior especificação de conteúdo, lanço este problema:  
Por muito tempo a Psicanálise e as suas proposições científicas foram combatidas, ou se não, impossibilitadas de uma carreira acadêmica regular como conhecimento estabelecido da Ciência oficial, pois nunca fora cátedra universitária.
Freud nunca fora psicólogo e não usou dos conhecimentos e técnicas da medicina psiquiátrica, postulando um novo saber diferenciado do que existiria ate´então, citando a existência de um ser - o inconsciente, objeto não observável e impossível da medição humana e racional.
Precisaríamos de uma nova Epsitemologia para fazermos a psicanálise obter status de ciência?

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 1 usuário votou. 1 voto | 3 comentários

Abril 30, 2008

user icon
É comum encontrar a expressão "energia psíquica" em textos que versam sobre a psique. Isto vem pelo menos desde Freud, que estipulou a existência de duas pulsões: a pulsão de vida (chamada libido) e a pulsão de morte. Resumidamente, segundo o mesmo, uma pulsão é uma energia. É possível argumentar que nessa primeira acepção, energia psíquica nada mais é do que uma metáfora para os processos biológicos que ocorrem num cérebro e que fazem com que a pessoa à qual corresponde o cérebro deseje. Dos tempos de Freud para cá, os discursos psicanáliticos foram apropriados de inúmeras maneiras. As psicanálises elas-mesmas se apropriaram de discursos alheios. Um dos cruzamentos mais comuns que modificaram as psicanálises, foram suas fertilizações por conceitos místicos. Um lugar privilegiado dos discursos das psicanálises nessa apropriação é a noção de energia. Podemos afirmar resumidamente que as psicanálises foram e continuam sendo discursos a respeito do espírito, mas que anteriormente "espírito" se referia à psique, enquanto que atualmente "espírito" se refere a "alma".

Mas afinal de contas o que é energia psíquica?

Existem duas respostas, e a adoção de uma delas determina seu posicionamento quanto aos estatutos científico e animista da psicanálise: a primeira resposta é que energia psíquica é uma metáfora para os processos biológicos cerebrais. Adotando tal concepção, uma psicanálise pode permanecer chã, mundana, empírica, realista e científica. Além disso, nessa conceção deve-se abolir toda noção de espiritualidade como sobrenaturalidade. A segunda resposta é que a energia psíquica é a "essência espiritual" da pessoa, é a "subtância da alma" ou qualquer outra expressão similar. Adotando tal ponto de vista, abre-se a porta para todo tipo de misticismo: deuses, fantasmas, anjos, demônios, dragões, elfos, etc. É claro que uma psicanálise deve dar conta da crença nesses entes, que algumas vezes é parte de uma condição patológica, mas ela não pode simultaneamente almejar ser científica e propor que existam seres sobrenaturais.

Infelizmente parece que a tendência entre as pessoas que cultivam uma forma ou outra de psicanálise é adotar implicitamente a segunda acepção de energia psíquica (o que é coerente com o fato de a maioria das pessoas acreditar em entes sobrenaturais). Essa adoção ser implícita é que é problemática: busca-se com muito afã nos discursos psicanalíticos um verniz científico, um reconhecimento de validade. Entretanto, basta se questionar alguns conceitos, como por exemplo o de energia, para que o autor do discurso recue para uma justificação sobrenatural.

Isto é incompatível com uma pretensão científica por um motivo muito simples: é característica de um discurso científico que se ele puder ser substituído por um outro discurso científico que explique os mesmos fenômenos com menor número de suposições, esse discurso deve ser substituído. No caso em questão, sempre podemos indicar que um fenômeno outorgado a um ente sobrenatural (ou seja, um discurso que pressupõe a existência de um ente espiritual) pode ser explicado como sendo a imaginação de um cérebro estritamente mecânico (discurso que não pressupõe a existência de um ente espiritual, e que explica o mesmo fenômeno). Então um discurso psicanalítico que proponha a existência de seres sobrenaturais, se pretender ser científico, deve simplificar-se em um discurso que exclua toda existência sobrenatural. Ergo, um discurso psicanalítico que pretenda ser científico deve estar livre de afirmações de que existem seres sobrenaturais.

Isto tudo implica que psicanalistas que dizem coisas como "podemos sentir a energia psíquica uns dos outros" são pura e simplesmente charlatões e devem ser evitados? Sim e não. Eles são charlatães no sentido de que aquilo que eles dizem não poderá ser científico, mas o que eles dizem é exatamente o que algumas pessoas precisam ouvir para que iniciem um processo de cura. Logo, a psicanálise "animista" tem seu lugar como placebo.

Palavras-chave: animismo, Energia psíquica, pulsão

Postado por Renato Callado Borges em DISCURSO e PSICANÁLISE | 3 usuários votaram. 3 votos | 20 comentários

Abril 26, 2008

user icon

Primeiro acesso ao tópico desta Comunidade!

Como Vcs podem ver na Abertura da Comunidade, esta tem por objetivo centralizar debates sobre as Psicanalise de modo a facilitar o acesso de todos, socializar conhecimentos sobre o evento, aproveitarmos, marcar encontros, confraternizarmos entre nós, enfim ensejar que possamos aproveitar esta comunidade para que contribuamos para nosso aperfeiçoamento profissional, educacional e científico da sociedade.

Bem vindos à nossa Comunidade!

Postado por Sady Carlos de Souza Jr. em DISCURSO e PSICANÁLISE | 0 comentário