Stoa :: Pedro Henrique Quitete Barreto :: Blog

agosto 19, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

A instalação de um ambiente de trabalho mínimo para análise de dados usando ferramentas python, a partir de uma instalação nova de Ubuntu 12.04:

sudo apt-get install matplotlib build-essential python-dev libzmq-dev 
sudo apt-get install python-pip
sudo pip install ipython
sudo pip install pandas
sudo pip install tornado
sudo pip install pyzmq

A instalação com pip ao vez de apt-get é para ter acesso à versões mais novas das pacotes. Inicialmente, tinha feito a instalação de matplotlib usando pip e esta parou várias vezes, com erros do tipo

src/_png.cpp:10:20: fatal error: png.h: No such file or directory

Neste casos, uma busca no Google leva ao Stackoverflow que geralmente indica o pacote Debian/Ubuntu que está faltando, neste caso, libpng-devel. Consegui instalar, mas ao rodar ipython, estava usando o Agg backendo ao vez de TkAgg. Depois disto, resolvi instalar numpy e matplotlib via apt-get. Para pandas e ipython, porém, acho que vale a pena usar as últimas versões.

Para ver se tudo está funcionando, fiz

ipython notebook --pylab inline

e isto levante um FireFox com interface notebook do ipython.

Palavras-chave: dados, dataviz, ipython, matplotlib, pandas, python

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março 01, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

Palavras-chave: pró-aluno, stoa, uspnet

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outubro 26, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Era mesmo um absurdo (veja aqui e aqui). Agora o Royal Society faz a única coisa que faz sentido: liberar tudo mais antigo que 70 anos. O Oldenburg pode descansar em paz...

Aaron Swartz FTW!

Palavras-chave: acesso aberto, oldenburg, open access, rea, royal society

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agosto 15, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

O jornalista Ricardo Bomfim do Jornal do Campos me procurou para fazer uma matéria sobre o Stoa (e, espero, o novo Stoa). Veja algumas perguntas que ele fez depois via email e as minhas respostas.


2011/8/13 Ricardo Bomfim <xxxxxx@gmail.com>

Existe alhum balanço de quantas pessoas entraram no Stoa por ano desde que ele foi criado em 2006? Se ele existe o senhor poderia me fornecer este balanço?

Fiz um gráfico rapido. O gráfico começa em maio de 2008 quando tivemos aprox. 5000 usuários. Depois que começamos oferecer o moodle do stoa, o número de usuários cresceu rapidamente, como está vendo, com aprox. 5000 usuários novos por semestre.

stoa cadastros 2008-2011

2011/8/15 Ricardo Bomfim <xxxxx@gmail.com>

[...] se possível o senhor poderia explicar exatamente quais seriam as vantagens de incluir no Stoa a possibilidade de trazer usuários de fora da comunidade?
 

Há uma demanda por parte dos usuários do Stoa e o Moodle do Stoa para incluir "visitantes" nestes sistemas.

No Moodle do Stoa (o ambiente virtual de aprendizagem) a demanda é sobretudo de professores, querendo oferecer cursos para pessoas de fora da comunidade USP. É o caso por exemplo da Faculdade de Educação e ajudamos eles criar ambientes em apoio do cursos para professores da rede pública: http://moodle.stoa.usp.br/course/category.php?id=131

No Stoa (a rede social) as razões devem ser parecidas: criando a possibilidade de interagir online com pessoas que não são da comunidade USP.

Vamos resolver isto por meio de várias estratégias:
 1. Já é possível, agora mesmo, para qualquer ex-membro da comunidade USP (qualquer um com número USP) se cadastrrar

 2. Já é possível, agora mesmo, cadastrar pessoas de fora, mas é um processo manual. Vamos implementar software que permite qualquer membro da comunidade USP "convidar" (e assim, se responsabilizar) pessoas de fora.

3. Mas no médio prazo, avaliamos que a solução é "Federação" de redes sociais. Os sistemas da USP e, digamos, UNICAMP, o PUC ou o Mackenzie deveriam falar uma língua comum, que permite membros do sistema da USP interagir com membros do sistema da Unicamp. Com a sua "identidade digital" da USP poderia participar de eventos na Unicamp.

Num sistema federada uma pessoa pode usar a sua identidade "acadêmica" em determinados contextos e ao mesmo tempo manter outras identidades ou "personagens" em outras redes sociais com Facebook ou Orkut. Assim asseguramos que a nossa vida online não fica somente determinado pelas condições de contorno dado por empresas e corporações com interesses diferentes do que instituições de ensino, por exemplo.

Palavras-chave: stoa

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julho 21, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

(Atualizado no dia seguinte, veja embaixo)

Referente a este problema, agora tem uma solução. Estou baixando os 32GB de artigos do Philosophical Transactions, todos já no domínio público. Porém, o JSTOR afirma os seus direitos "autorais" pelo trabalho de digitalização (veja outra discussão sobre este assunto [1]).

Mas como a USP paga para ter acesso a estes material (termos), nada mais razoável do que ter acesso rápido no meu próprio computador. Claro que não pretendo publicar este material.

Tem várias complicações, uma delas é a dificuldade de usar software P2P na rede do IFUSP. Mas assinei o termo de responsabilidade e espero que o sistema de monitoração não bloqueia o meu IP.

Outra complicação é que aparentemente pode pegar até 35 anos de cadeia nos EUA para fazer download de arquivos automatizado do JSTOR, mesmo tendo direito a acesso a eles e mesmo se não publicou eles. Swartz, que com 23 anos de idade já fez muito mais para o bem comum do que a grande maioria de nós, merece nosso apoio.

[1] A questão é: apos escanear e digitalizar obras no domínio público, qual direitos posso cobrar por este esforço? A Brasiliana cobre uma licença bastante generoso (efetivamente CC-BY-NC), muito mais generoso que o JSTOR faz (todos os direitos reservados). Mesmo assim, pode se debater se a Brasiliana deve usar uma licença ainda mais generoso ou não.

Atualização dia 22:

Não consegui baixar os pdfs dos acervos. O IFUSP bloqueiou o meu IP. Agora tenho que justificar os meus atos e uso da rede do IFUSP com um pouco mais de cuidado. Vamos lá.

Para começar, dois pontos sobre o modelo de negócio do JSTOR.

1. Não nego a legalidade do JSTOR restringir o acesso aos scans deles, mesmo sendo scans de conteúdo em domínio público. As ideias são de todos nós e pertencem a humanidade, mas eles fizeram o trabalho de escanear tudo e coloclar na rede. Reconheço que a sociedade usa monopólios artificiais como direito autoral para incentivar a criação e disseminação de ideias.

2. Mas pode-se questionar a legitimidade (moral) de restringir o acesso aos scans da forma que o JSTOR faz. Sim, é razoável o JSTOR recuperar os custos do escaneamento. Mas com probabilidade grande isto foi feito com dinheiro público. O custo marginal de distribuir o conteúdo de forma livre é desprezível (via bittorrent, no WikiSource, etc.). No caso de conteúdo em domínio público e de valor histórico como os acervos do Philosophical Transaction simplesmente não é razoável restringir o acesso a um público tão pequeno.

Assim, vejo duas maneira de justificar o meu download dos scans:

1. Simplesmente como ter acesso mais fácil e conveniente a arquivos a qual já tinha acesso via a assinatura da USP no JSTOR. Ficaria muito mais fácil fazer data-mining e não dependo mais de acesso à rede (útil quando sua instituição bloqueia seu IP!).

2. Como ato de hacktivismo. É no interesse público ter os scans em mais servidores do que somente aqueles controlados por uma única entidade.

Finalmente, uma coisa que aprendi hoje é que já existia um projeto de disponibilizar os acervos da Philosophical Transactions no WikiSource. Não entendo onde eles obtêm, legalmente, os scans.

Palavras-chave: jstor

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junho 02, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Deixei um comentário no post do Cristiano, mas ele apagou. Repito no meu próprio espaço então.Tinha escrito mais ou menos o seguinte:

Oi Cristiano, foi vc que escreveu este texto ou o tal do Reinaldo Azevedo? Neste último caso, ele te deu permissão de re-distribuir o texto, e ainda sob as condições de uma licença CC-BY-SA?

Obviamente a resposta é não. Pessoalmente, não entendo porque reproduzir um texto de outra pessoa literalmente no seu blog. É para mostrar que concorda, para mostrar os seus amigos? Mas temos twitter e facebook para isto. E agora "Like" do Facebook e o "Mais-1" do Google.

Ainda entenderia se teria algum perigo do texto original sumir. Ou para fins de fazer algum comentário crítico e permitir o seu leitor fácil acesso ao texto em discussão. Mas geralmente não é o caso, as pessoas só copiam o texto. Que sentido tem?

Enfim, não sei...

 

Palavras-chave: copiar, creative commons

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Postado por Ewout ter Haar | 9 comentários

abril 21, 2011

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Essa não esperava ! Pra quem não sabe, na radio USP em 1994 e 1995 passava um programa de histórias fantásticas chamado "Labirinto". Todas as tardes as 12:00 h cravado eu estava com o rádio mais próximo disponível ouvindo o programa.

E não é que a net me retorna um site onde os autores do programa disponibilizaram as histórias nesse blog:

 

Prisioneiros da imaginação

pra mina felicidade e nostalgia.

Quem puder dar uma força ao pessoal com comentários e avaliação, quem sabe eles tenham ânimo pra lançarem um podcast com mais histórias ?

 

 

Palavras-chave: diversão, fantasia, podcast, radio, site

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

fevereiro 26, 2011

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Apologética prática: geralmente alguns me taxam de ‘criacionista’ (o que não sou), e quando são cristãos me taxam de liberal (o que também não sou), sou liberal no sentido mais ou menos político. Agora na minha vida ninguém me taxou de homofóbico, porque eu não sou, e tenho diversos colegas que são homossexuais, e eu os respeito.

A minha questão aqui é: alguns cristãos, ou teístas de forma geral, achar que nós queremos acabar com o homossexualismo, nós não queremos isso. Se algumas pessoas querem ser homossexuais podem ser, eu os respeito por isso, e não vou descriminá-los. Eles não devem ser descriminados.

Agora me perguntem, o que então eu defendo, e tenho defendido? O que defendo é que não podem tirar o meu direito de dizer para meu filho que “não concordamos com as práticas homossexuais”. Eu não descrimino, mas posso discordar (isso acontece com a maioria das pessoas, em relação aos mais diversos assuntos). Pois, me perdoe, mas ser homossexual não é a mesma coisa que ser branco ou negro, é realmente mudar seu ritmo e estilo de vida sexual, você vai “trocar” as coisas, que habitualmente acreditamos não precisar trocar, ou para alguns, que é absurdo esta “troca”.

Para a mesma coisa, a suposta guerra Ciência vs Religião – esta guerra, de fato, não existe (o que existe são entendimentos fracos e ruins, de ambos os lados: ateus e teístas). E, se existe, se deve à alguns cristãos um tanto quando, me perdoe o termo, “burros”. E, porque? Bem, depois da reforma o nível teológico de certa maneira diminuiu, quer dizer, o crescimento teológico diminuiu. Mas, depois de um tempo, tanto nos reformados quanto no catolicismo voltou-se as velhas e boas práticas teológicas – o que os quatro cavaleiros chamam de ‘teologia sofisticada’.

Entretanto, depois de um tempo, saiu de dentro da reforma algumas coisas bizarras, como o pentecostalismo-físico (acredita-se que Deus se manifesta e obriga a pessoa a fazer movimentos estranhos).

E com essas práticas, acreditavam que não precisavam da teologia, mas só do Espírito Santo para ler as escrituras. E, vou afirmar, é absurdo dizer isso, sem método histórico, hermenêutico, e exegético, não há como fazer uma boa interpretação bíblica. Ou seja, antes de afirmar qualquer inspiração do Espirito Santo, use o intelecto – use o método.

Dessa forma, em certa medida, tanto ateus, como teístas, tem responsabilidades intelectuais, e devo admitir, talvez pelo nível econômico e social das pessoas, elas não estão tão preocupadas com os assuntos e a *vida do espírito.

Ora, em relação ao homossexualismo a posição dos cristãos devem ficar clara  - política, e questão de liberdade de expressão e opinião; ou seja, devemos ser também contra a homofobia, no sentido, mais razoável da palavra. Em relação a vida do espírito também – nós cristãos temos responsabilidades, porque já passou da hora, de darmos a “razão de nossa fé” (ou seja, razão, não apenas o lado que nos “comove” a isso).

E, por apologética prática quero dizer, que em certos casos pastores acreditam que devem chegar e “evangelizar” (naquele sentido mais fraco teologicamente), e não se **COMPORTAR como alguém decente e racional. No dia a dia, há determinados momentos que são cruciais, não para para “ganhar alguém”, mas para simplesmente dizer e MOSTRAR “nós não somos como a maioria pensa”.

 

*Por vida do espírito, quero dizer apenas, e somente apenas, o estudo e a contemplação da verdade e do conhecimento, no sentido de mediação entre nós seres humanos, e a infinitude.

**Por comportar quero dizer no sentido de simplesmente se portar bem diante de pessoas que possuí um vida intelectual melhor, e não chegar, desde já, já falando asneiras e besteiras em nome de algo que, talvez, tal, não conheça direito. O conhecimento acaba sendo indispensável para aqueles que dizem serem “representantes”; ou seja, devem conhecer bem aquilo que representam. E, não é só o Espírito Santo que dá isso – a responsabilidade é nossa não da parte de Deus.

NOTA: sei que haverá católicos que talvez critiquem o meu texto, mas, talvez eu esteja interessado não exatamente em católicos ou reformados, mas em pessoas que possuem determinado comportamento caracterizado por irracionalidade.

Autor\Editor: Paulo J. de Oliveira

 

Fonte: Apologética prática | teismo.net

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 4 comentários

fevereiro 22, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Em resumo, grupos são coleções, entidades juntados em algum espaço fechado. Redes são coleções de entidades autônomos com ligações entre si. Sistemas e softwares educacionais tradicionalmente suportam grupos melhor. Estamos aprendendo como melhor dar apoio à redes.

Leitura recomendada: Terry Anderson, Networks Versus Groups in Higher education e Three Generations of Distance Education Pedagogy

O tipo de sistema que suporta grupos no ensino é chamado de "Ambiente Virtuais de Aprendizagem" Apesar do nome abrangente,  AVAs na verdade são sistemas bastante restritos na sua finalidade. São desenhados para ser estritamente análogos a sala de aulas. Assim como salas de aula, AVAs são espaços onde um grupo de pessoas se reúne. Os grupos (classes, turmas) são previamente formados. Sempre tem apoio a diferentes funções ou papeis: o docente, o tutor e o aluno tem permissões diferentes. Grupos existem dentro de muro que distingue os dentro dos de fora e portanto requerem controles de acesso.

A USP tem muitas AVAs: o Moodle da IME, o Moodle da Rede Aluno, tem o sistema COL, o Tidia-ae. Modéstia não me impede recomendar o Moodle do Stoa, o AVA mais bem administrada da USP...

Sistemas em apoio a Redes Socais são qualitativamente diferentes. Numa rede existem ligações entre entidades autônomos. Uma característica de redes é que não têm centro. No Stoa, no Orkut, no Facebook o conceito central do sistema é o perfil, o espaço de um indivíduo. Claro, existem ferramentas de formação de grupos, mas não são previamente formados, não refletem necessariamente a estrutura pre-existente da instituição. Um blog geralmente é de uma pessoa, não do grupo. 

A diferença entre a Rede Social Stoa (stoa.usp.br) e o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) o Moodle do Stoa (moodle.stoa.usp.br) é a diferença entre redes e grupos

Indo um pouco mais a fundo, é interessante considerar três teorias (melhor: concepcões) de aprendizagem e as suas consequências para o design de ambientes educacionais. 

 

  1. "Behavioural" / Cognitivo.  É um modelo onde o instructor e o conteúdo está no centro das atencões, transferindo conteúdo / conhecimento. "Content is King". O AVA se adequa muito bem a este modelo. 
  2. Construtivismo (Social). Desde Dewey, Freire, etc. há críticas no modelo "transferência de informacão". Conhecimento é construído, em grupos, e é altamente dependente do contexto social. Uma metodologia alternativa ou complementar reconhece que aprendemos fazendo. As metodologias pedagógicas são mais centradas no aluno ou pequenos grupos. Exemplo: Problem based learning. O AVA, com seus espaços para grupos e ferramentas colaborativas se adequa muito bem a este modelo.
  3. Connectivismo. Inspirado em redes, aprendizagem é tido como um processo de fazer ligações (entre idéias, fatos, pessoas, conceitos). Sistemas que permitem estudantes criar o seu próprio espaço são mais adequados a este tipo de aprendizagem. São sistemas abertos, com formação de grupos ad-hoc, sem "centro" e organizado pelos participantes, sem imposições "de cima".

Palavras-chave: AVA, col, educação, grupos, moodle, redes, redes sociais, stoa, tidia

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fevereiro 11, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

O que o Henry Oldenburg, fundador e primeira secretário do Royal Society, revolucionário de comunicação científico, primeiro editor das Philosophical Transactions, diria sobre os seus sucessores?

O primeiro artigo científico na primeira revista científica, agora disponível para todo mundo com uma conexão na internet... atrás de um pedágio!

[via Michael Nielsen:

 

Oh, this is just absolutely fantastic --- it's the _very first_ article in the very first journal ever, by Henry Oldenburg. 1665. And, guess what? It's behind a #?@!)%$ paywall. Well done, folks.

]

 

 

Palavras-chave: acesso aberto, oldenberg, open access, royal society

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fevereiro 07, 2011

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Slogan da campanha

 

Lemaitre

 

Gregor Mendel

 

Ronald Fisher

 

Blaise Pascal

 

Francis Collins

 

Lembrando que a idéia aqui, não é causar proselitismo religioso, mas sim, mostrar que a criação científica não é afetada pelas crenças do cientista e vice-versa.

De fato, o atraso científico só pode ser causado pela falta de pragmatismo de uma época ou grupo, mas que não pode ser aplicado a indivíduos como regra.

 

Fonte: "Ciência não é contra religião"

Palavras-chave: ciência, religião

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novembro 20, 2010

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Abaixo está o manifesto da Universidade Mackenzie tratando dos ataques feitos pelos gayzistas contra a liberdade de expressão e de consciência religiosa. Vários blogs já publicaram este manifesto, que reproduzo aqui:

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

Palavras-chave: democracia, justica, lei, liberdade

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes em Jesus Cristo | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

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Abaixo está o manifesto da Universidade Mackenzie tratando dos ataques feitos pelos gayzistas contra a liberdade de expressão e de consciência religiosa. Vários blogs já publicaram este manifesto, que reproduzo aqui:

A Universidade Presbiteriana Mackenzie vem recebendo ataques e críticas por um texto alegadamente “homofóbico” veiculado em seu site desde 2007. Nós, de várias denominações cristãs, vimos prestar solidariedade à instituição. Nós nos levantamos contra o uso indiscriminado do termo “homofobia”, que pretende aplicar-se tanto a assassinos, agressores e discriminadores de homossexuais quanto a líderes religiosos cristãos que, à luz da Escritura Sagrada, consideram a homossexualidade um pecado. Ora, nossa liberdade de consciência e de expressão não nos pode ser negada, nem confundida com violência. Consideramos que mencionar pecados para chamar os homens a um arrependimento voluntário é parte integrante do anúncio do Evangelho de Jesus Cristo. Nenhum discurso de ódio pode se calcar na pregação do amor e da graça de Deus.

Como cristãos, temos o mandato bíblico de oferecer o Evangelho da salvação a todas as pessoas. Jesus Cristo morreu para salvar e reconciliar o ser humano com Deus. Cremos, de acordo com as Escrituras, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Somos pecadores, todos nós. Não existe uma divisão entre “pecadores” e “não-pecadores”. A Bíblia apresenta longas listas de pecado e informa que sem o perdão de Deus o homem está perdido e condenado. Sabemos que são pecado: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, rivalidades, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias” (Gálatas 5.19). Em sua interpretação tradicional e histórica, as Escrituras judaico-cristãs tratam da conduta homossexual como um pecado, como demonstram os textos de Levítico 18.22, 1Coríntios 6.9-10, Romanos 1.18-32, entre outros. Se queremos o arrependimento e a conversão do perdido, precisamos nomear também esse pecado. Não desejamos mudança de comportamento por força de lei, mas sim, a conversão do coração. E a conversão do coração não passa por pressão externa, mas pela ação graciosa e persuasiva do Espírito Santo de Deus, que, como ensinou o Senhor Jesus Cristo, convence “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8).

Queremos assim nos certificar de que a eventual aprovação de leis chamadas anti-homofobia não nos impedirá de estender esse convite livremente a todos, um convite que também pode ser recusado. Não somos a favor de nenhum tipo de lei que proíba a conduta homossexual da mesma forma, somos contrários a qualquer lei que atente contra um princípio caro à sociedade brasileira: a liberdade de consciência. A Constituição Federal (artigo 5º) assegura que “todos são iguais perante a lei”, “estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença” e “estipula que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política”. Também nos opomos a qualquer força exterior – intimidação, ameaças, agressões verbais e físicas – que vise à mudança de mentalidades. Não aceitamos que a criminalização da opinião seja um instrumento válido para transformações sociais, pois, além de inconstitucional, fomenta uma indesejável onda de autoritarismo, ferindo as bases da democracia. Assim como não buscamos reprimir a conduta homossexual por esses meios coercivos, não queremos que os mesmos meios sejam utilizados para que deixemos de pregar o que cremos. Queremos manter nossa liberdade de anunciar o arrependimento e o perdão de Deus publicamente. Queremos sustentar nosso direito de abrir instituições de ensino confessionais, que reflitam a cosmovisão cristã. Queremos garantir que a comunidade religiosa possa exprimir-se sobre todos os assuntos importantes para a sociedade.

Manifestamos, portanto, nosso total apoio ao pronunciamento da Igreja Presbiteriana do Brasil publicado no ano de 2007 e reproduzido parcialmente, também em 2007, no site da Universidade Presbiteriana Mackenzie, por seu chanceler, Reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes. Se ativistas homossexuais pretendem criminalizar a postura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, devem se preparar para confrontar igualmente a Igreja Presbiteriana do Brasil, as igrejas evangélicas de todo o país, a Igreja Católica Apostólica Romana, a Congregação Judaica do Brasil e, em última instância, censurar as próprias Escrituras judaico-cristãs. Indivíduos, grupos religiosos e instituições têm o direito garantido por lei de expressar sua confessionalidade e sua consciência sujeitas à Palavra de Deus. Postamo-nos firmemente para que essa liberdade não nos seja tirada.

Este manifesto é uma criação coletiva com vistas a representar o pensamento cristão brasileiro. Para ampla divulgação.

Palavras-chave: democracia, justiça, lei, liberdade, manifesto

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 1 usuário votou. 1 voto | 11 comentários

outubro 26, 2010

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Acaba de ser lançado, ainda em formato digital, o meu novo livro de contos intitulado 'Saca-Rolhas'. A capa é do premiado Elder Galvão e o prefácio, de Ivan Angelo - duas vezes agraciado com o prêmio Jabuti. O livro está disponível, nessa versão, no Gato Sabido/Submarino: https://www.gatosabido.com.br/submarino/ebook-download/112201/sacarol Segue o prefácio: "Dez textos compõem este livro. Curiosamente, não há entre eles um que se chame Saca-Rolhas e não há referências a esse objeto nas suas histórias e não-histórias. Há claramente uma metáfora: os textos são instrumentos que o autor usa para desobstruir seus próprios gargalos, existentes ou imaginados, de rolhas da emoção ou da expressão. A escrita é fluida, a prosa corre bem. Há contos tradicionais, como o bem-realizado “A Sinhá”, primeiro da coletânea: há uma crônica bem-humorada, como “Malandros”, sobre flanelinhas e sua atividade inútil-oportunista; há momentos de emoção bem-medida, como em “Quando eu me perdi”; há um criativo conto safado, “A mão de Clarice”; há uma longa digressão, felizmente divertida, sobre regionalidades brasileiras, principalmente a brasiliense; há uma perambulação em torno do pequeno drama dos 30 anos, em “Homem aos 30”; há busca de efeitos, tratamento do texto, autoexplorações – e o que dá unidade ao conjunto é que tudo parece fazer parte do mundo de um mesmo personagem, tanto as inquietações à moda de artigo quanto as peripécias vividas por ele." (Ivan Angelo, duas vezes agraciado com o Prêmio Jabuti)

Postado por Roberto Domingos Taufick em Academia de Letras da Faculdade de Direito de São Paulo | 0 comentário

setembro 19, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Everything will be on the test. And the test will be everything. But fear not; for in the end, everyone of us will be tested. And everyone of us wil be found... wanting.

(Treme, temporada 1, episódio 9 )

 

Palavras-chave: educação, existencialismo, treme, vai cair na prova?

Postado por Ewout ter Haar | 1 comentário

setembro 02, 2010

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William Daniels Phillips é um físico, ganhador do prêmio Nobel de Física de 1997 juntamente com Steven Chu e Claude Cohen-Tannoudji¹ 

William Phillips

Doutor em Física pelo MIT ( Instituto de Tecnologia da Califórnia ), foi laureado pelo Nobel de Física pela pequisa em resfriamento e aprisionamento de átomos por lasers.

Em 2008 apresentou um seminário sobre ciência e religião na Igreja Luterana da cidade de Mclean, no estado de Virgínia nos Estados Unidos, onde declarou: 

"Para mim, da minha crença religiosa e o desejo de explorar as coisas de investigação científica e para explorar as coisas, há muitas semelhanças entre eles. Como um cientista e um cristão, eu me sinto muito confortável."

 

Referências

  1. "Nobel Prize Winner 'Says God and Science Can Coexist' " - associatedcontent.com
  2. Nobel Prize of 1997 - Phillips
  3. Wikipédia - William Daniel Phillips
¹ Cohen-Tannoudji escreveu um livro didático sobre quântica bem conhecido, "Quantum Mechanics".

 

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Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 0 comentário

julho 13, 2010

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"Estou procurando mostrar que não há incompatibilidade entre a verdade científica e a revelação: são duas coisas que tratam de espaços diferentes. Uma trata da realidade da vida, a outra trata do transcendental.

E a Bíblia, que é um livro muito interessante de ser lido (principalmente Isaías), não procura ensinar à gente nada de ciência, e sim uma ordem moral. ... a Bíblia não quer ensinar como é que se fez o céu, mas quer ensinar como é que se vai ao céu.

Trata-se de um preceito teológico muito importante, relativo à questão de graça: a pessoa acredita ou não.

Agora, como eu respeito as pessoas que não crêem, quero também que elas respeitem a sinceridade de minha fé."

- Carlos Chagas Filho (1910-2000), médico, membro da Acadameia Brasileira de Ciências

 

Este post é Domínio Público.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

julho 09, 2010

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Numa dessas andanças pela rede, encontrei uma página onde um Químico da Universidade da Georgia, Dr. Schaefer, faz uma analise sobre alguns cientistas que eram cristãos.

Eu achei legal porque ele discorre sobre a separação que o cientista cristão faz da ciência e da fé, além falar sobre alguns cientistas que também eram cristão, e bem conhecidos de quem é da área.

Site: http://acct.tamu.edu/smith/science.htm

Na verdade, creio que esse é o pensamento unânime de quem tem uma crença e estuda ciências, essa separação do que é espirito e do que é matéria.

Na verdade, nunca estudei física procurando indicios de Deus nela, sempre vi a física como física "per sí", pra mim, se há Deus nisso, é tão somente na criação da natureza, e por conseguinte, das leis naturais.

Essa história de provar que Deus existe através da ciência só devia do verdadeiro propósito de Deus que é o espírito. Logo, eu não procuro resolver meus problemas espirituais com a ciência, e nem a ciência com coisas espirituais. Claro, essa é minha opinião, mas não creio que seja diferente do que Plank, Maxwell e outros achavam também.

E vocês , o que acham ?

 

Este post é Domínio Público.

Postado por Albert Richerd Carnier Guedes em Jesus Cristo | 6 comentários

julho 02, 2010

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O pensamento ateu vem sofrendo, desde a renascença, grandes alterações. Primeiro, alegou a impossibilidade da assimilação racional da fé (David Hume), depois, a impossibilidade foi substituída pela inutilidade da fé (Sartre), e já que nenhum desses posicionamentos conferiu a extinção da fé, temos atualmente a mais insensata postura incrédula, que julga haver nocividade no exercício da crença religiosa (Dawkins). Mas todos esses argumentos são realmente ineficientes, uma vez que a fé continua a ser bem assimilada por pessoas dos mais diversos níveis sociais e intelectuais. Por parte dos teístas, tentativas de impor a impossibilidade da recusa à fé, bem como inutilidade e nocividade à incredulidade religiosa também já existiram, mas sempre caracterizadas por inferências ineficientes a um convencimento sobre a existência de Deus. De fato, indivíduos ateus existem, e muitas vezes de comportamento ético bastante exemplar, o que faz da alegação da nocividade social do ateísmo uma afirmação gratuita. A postura afirmativa referente ao cristianismo deve se fundamentar em seus verdadeiros alicerces: primeiro, tratando-se duma fé, provas estão de antemão desqualificadas; segundo, Cristo convida os homens a viverem sob a perspectiva divina, e se há algum argumento válido na exposição da fé cristã a partir de um critério racional, deve ser o argumento baseado na avaliação dessa nova perspectiva de vida que Cristo propõe a seus fiéis. Como a súmula da vida cristã é a fé, a esperança e o amor, e sendo o amor o maior dentre os três, decorre que o argumento do evangelho é o amor. Nenhuma filosofia religiosa ou politicamente isenta, nem mesmo a mais acurada e universal apreensão ética pode substituir ou convencer de modo mais seguro e eficaz que esse poderoso argumento. A nova lei do amor (aos amigos e inimigos), a regra de ouro – fazer pelo próximo aquilo que desejamos que façam por nós – não são formulações exclusivas do cristianismo, mas correspondem aos caracteres centrais dessa doutrina. Nesse sentido, a fé cristã detém o argumento do amor, atestado e praticado pela sua própria divindade (o que causou surpresa no próprio adversário de Deus, que num de seus porta-vozes (Nietzsche) conferiu loucura à piedade divina, que culminou no Calvário: como pode o Todo Poderoso permitir-se morrer por amor?). A prática dessa moral custa caro ao egoísmo humano, e decorre desse alto preço de renúncia pessoal toda aversão característica à fé. Avaliando profundamente, a grande máscara do ateísmo consiste na camuflagem da resignação ao apelo de Cristo, de cada um tomar sua cruz e seguir-lhe. Somente esse argumento, o argumento do amor (não teorizado apenas, mas vivido), tem a eficiência de transformar pessoas antes descrentes em fervorosos adeptos da fé.

Palavras-chave: amor, ateísmo, evangelho

Postado por Andre de Souza Freitas em Jesus Cristo | 4 comentários

junho 28, 2010

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O problema do mal é uma das questões existênciais no tocante a teologia.

Quem nunca se perguntou o do porque existe tanto sofrimento no mundo, e mais ainda, se Deus existe, porque ele não faz nada no tocante a isso ?

Eu mesmo em minha indagações já me deparei com estas e outras dúvidas que estão no centro de uma interpretação de mundo com um Deus consciente.

Navegando na rede me deparei com este texto de autoria do Sr. Jaime Quintas no site "Crítica na rede" onde este aborda o problema do mal , e onde veremos a que conclusão ele chega.

"

O Problema do mal

O mundo em que vivemos está repleto de coisas más.

Dor, fome, pobreza, tristeza, guerras, catástrofes e muitas outras coisas.

Faz-nos pensar: "Se eu fosse Deus, acabaria com tudo isso e faria um mundo melhor !"

Dizem que Deus é criador, bom, omnipotente e omnisciente.

Se assim fosse, o mal não existiria; um ser bom e com poderes ilimitados não criaria um mundo mau — criaria um mundo perfeito.

Ao olharmos para o mundo e para os seus habitantes somos levados a concluir que o deus descrito atrás não existe.

Este é o problema do mal. Como podemos compatibilizar um mundo repleto de sofrimento com a existência de Deus? Dificilmente.

O problema do mal pode ser encarado de duas perspectivas distintas: por um lado temos os crentes, para quem o problema do mal é mais um desafio à fé que professam, talvez um Mistério da Fé; por outro, os não crentes, que encaram este problema como um argumento contra a existência de Deus.

Neste texto, irei abordar o problema do mal do ponto de vista do não crente e tentarei demonstrar que, contrariamente ao que o argumento nos diz, o mundo que conhecemos é compatível com Deus.


Deus

O argumento do mal contra a existência de Deus só se coloca quando se discute a existência de Deus tal como é defendida pelos teístas.

Deus sabe tudo, pode fazer tudo, é infinitamente bom e criou o universo.

Por saber tudo, sabe da existência do mal; por poder fazer tudo, pode eliminar o mal; por ser bom, quererá eliminar o mal; e por ter criado o universo é responsável pelo que fez.

Se discutimos a existência de um deus que não reúna qualquer uma destas quatro características fundamentais, o problema do mal deixa de se colocar.

Importa detalhar um pouco o que se entende por um ser omnipotente e bom.

Enquanto, neste contexto, a omnisciência de Deus não levanta grandes questões — Deus sabe do mal que existe no mundo — já a omnipotência e a bondade poderão originar alguns equívocos.

Por omnipotência entende-se a capacidade de fazer tudo o que é logicamente possível.

Assim, Deus poderá criar e destruir mundos, mas não poderá fazer um círculo quadrado ou um objecto demasiado pesado para Ele próprio levantar, dado que isto são impossibilidades lógicas.

Quando dizemos que Deus é infinitamente bom, queremos dizer que Ele quererá fazer o melhor mundo possível, de acordo com critérios humanos.

Uma das maneiras de contornar o problema do mal seria afirmar que o conceito de bondade aplicado a Deus é diferente do aplicado aos seres humanos, pelo que, segundo os padrões de Deus, este seria o melhor mundo possível; o problema está em que, segundo este critério, não podemos afirmar que Deus é bom, uma vez que este conceito perde o seu significado.


Respostas possíveis

Assim, sendo Deus omnipotente, omnisciente, infinitamente bom e criador, como conseguimos compatibilizar o mundo que conhecemos, repleto de mal e sofrimento, com a Sua existência?

Há diversos caminhos para responder a esta questão.

Podemos justificar a existência do mal com base em bens maiores, proporcionados por esse mal.

Temos assim o argumento do livre-arbítrio, que defende ser o sofrimento no mundo originado pela completa liberdade dos seres humanos — é um bem maior que origina o mal no mundo; temos também o argumento dos Santos e dos Heróis, que defende que o mal foi colocado no mundo para permitir a ocorrência de grandes feitos e actos de fé — é o mal que origina um bem maior.

Em qualquer uma destas explicações, e noutras da mesma natureza, faz-se uma tentativa de justificar e explicar todo o mal e todo o sofrimento do mundo.

Ao justificar esse mal com recurso a um bem maior, deixa de ser contraditória a existência de Deus com o mundo que conhecemos.

Este tipo de argumento tem, quanto a mim, um problema de raiz: baseia-se numa análise dos propósitos e intenções de Deus.

Como tal, apenas fará sentido depois de pressuposta uma determinada crença, não sendo possível contrariar a perplexidade dos não crentes perante o mal no mundo.

Existem no mundo inúmeros factores que provocam quantidades exageradas de sofrimento — desde terramotos e outras catástrofes naturais a guerras e acções de extermínio provocado pelos seres humanos.

Será que existe algum tipo de bem que justifique estes males ?

Qual é a justificação para a ocorrência de um terramoto que provoca milhares de mortes ?

Não seria possível para um ser omnipotente proporcionar esses alegados bens sem ter de recorrer a um terramoto ?

Estas e outras perguntas colocam sérios obstáculos aos argumentos de justificação do mal pela criação de bens maiores.

O argumento do mal é extremamente simples e, talvez por isso, muito forte; eventualmente mais forte do que qualquer justificação ou explicação do mal que consigamos arranjar.

Se começamos por tentar explicar ou justificar a existência do sofrimento antes de conseguirmos demonstrar a sua compatibilidade com Deus, nunca conseguiremos ultrapassar o argumento do mal; a nossa argumentação ficará apoiada numa base muito fraca, de nada servindo contra a solidez do problema do mal.

O que eu defendo neste texto é que só conseguiremos ultrapassar o problema do mal, mesmo para aqueles que não crêem em Deus, se conseguirmos provar que a existência de um mundo sem mal é uma impossibilidade lógica.

Se tal for conseguido, segue-se que nem a omnipotência nem a bondade de Deus são postas em causa pela existência do mal no mundo.


O argumento

Quando afirmamos que a quantidade de mal existente no mundo é incompatível com a existência de Deus estamos a afirmar duas coisas simultaneamente:

1) Há demasiado mal no mundo; 

2) É possível a existência de um mundo melhor.

Caso 2 seja falsa, Deus, mesmo sendo omnipotente, terá criado o melhor dos mundos, pelo que o argumento do mal perde a sua força.

Não vou contestar 1, uma vez que me parece óbvia, mas irei desenvolver um pouco mais 2 com vista a provar a sua falsidade.

Quando dizemos que existe demasiado mal no mundo, estamos a basear-nos nas nossas próprias observações.

É o ser humano, o ser que sofre, que diz que o mundo tem demasiado sofrimento; não poderia nunca ser de outro modo.

O sofrimento, quando se trata de abordar o problema do mal, será sempre avaliado pelos humanos.

Assim, as proposições 1 e 2 serão equivalentes, respectivamente, a:

1') Quanto a nós, habitantes do mundo, existe demasiado mal no mundo;

2') É possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

O que eu defendo é que 2' é uma impossibilidade lógica, ou seja, que por muito pouco que seja o sofrimento ou mal existente num determinado mundo, este será sempre considerado exagerado pelos seus habitantes.

Assim, o facto de nós considerarmos que o nosso mundo tem demasiado sofrimento não implica que seja um mundo mau; mesmo que o sofrimento existente fosse apenas uma ínfima parte do que agora conhecemos, continuaríamos a achar, com a mesma convicção, que o mundo era demasiado mau.

Verifica-se assim, se 2' for falsa, que o mundo em que vivermos pode ser o melhor mundo possível, independentemente de nós concordarmos ou não.

Note-se que esta afirmação é diferente de dizer que o conceito de bondade de Deus é diferente do conceito de bondade dos homens; o que se diz aqui é que os seres humanos não são observadores isentos e imparciais no que respeita a avaliar o mal do mundo.


A defesa do argumento

Vou agora apresentar argumentos que defendem que 2' é falsa — que não é possível que exista um mundo que os seus habitantes considerem suficientemente bom.

Analisemos antes de mais nada aquilo a que chamamos "sofrimento".

Quanto a mim, todo o sofrimento resulta de uma Necessidade por satisfazer.

Temos as necessidades físicas, que são necessidades no verdadeiro sentido da palavra — se não forem satisfeitas resultarão em sofrimento físico e eventualmente em morte.

Temos as necessidades psicológicas, que habitualmente designamos por "desejos" — aquilo que queremos; se não conseguirmos ter aquilo que queremos, sofremos.

Note-se que o termo "necessidade" é utilizado com dois significados distintos: aquilo que precisamos e aquilo que queremos.

Ao longo do texto utilizarei "Necessidade" para designar o conjunto daquilo que precisamos e daquilo que queremos e "necessidade" para designar apenas aquilo que precisamos.

Conseguimos enquadrar na fórmula das Necessidades por satisfazer todo o tipo de sofrimento: dor (necessidade de bem-estar), fome (necessidade de alimento), doença (necessidade de saúde e bem estar), saudade (necessidade de alguém de que gostamos), tristeza (necessidade de algo/alguém que não temos), etc.

Se pensarmos bem nos vários tipos de sofrimento que conhecemos, verificamos que todos se enquadram neste conceito.

Verificamos também que a maioria dos sofrimentos que consideramos mais graves, aqueles que dizemos incompatíveis com Deus, dão-se quando a Necessidade por satisfazer é do tipo desejo — falta-nos aquilo que queremos, não aquilo que precisamos.

No topo da escala está a morte.

Considero que a morte é sofrimento na medida em que queremos viver, não que precisamos de viver, pelo que será um sofrimento psicológico; a dor eventualmente associada à morte é que será um sofrimento físico.

Em suma: temos necessidades e vontades que, quando não são satisfeitas, resultam em sofrimento.

Para demonstrar que, independentemente da quantidade de mal existente num dado mundo, este será sempre considerado demasiado mau pelos seus habitantes temos que provar os seguintes pontos:

3) Um mundo sem qualquer tipo de mal não é um mundo bom;

4) Um mundo com menos mal do que o nosso, por muito pouco que seja, será considerado demasiado mau pelos seus habitantes.

Imaginemos um mundo sem sofrimento.

Um mundo sem sofrimento é um mundo em que os seus habitantes não têm Necessidades por satisfazer.

Isto pode ser conseguido de duas formas: ou não têm Necessidades ou todas elas estão satisfeitas.

Num mundo sem mal estas duas situações são equivalentes.

Se todas as Necessidades estão satisfeitas, é o mesmo que não haver Necessidades.

Poder-se-á dizer que nós, no nosso mundo, precisamos de água para beber, mas que por vezes essa Necessidade está satisfeita.

No entanto, num mundo sem mal, essa Necessidade nunca esteve ou estará por satisfazer, pelo que os seus habitantes nunca tomaram consciência dela; para eles, será como se não tivessem Necessidade alguma.

Um mundo sem qualquer tipo de Necessidade é um mundo sem emoções, sem sentimentos, sem movimento.

Se não queremos nada nem precisamos de nada, por que razão fazer seja o que for ?

Se pensarmos cuidadosamente verificamos que um mundo sem qualquer tipo de Necessidade por satisfazer não é um mundo bom; com efeito, é um mundo que dificilmente conseguimos conceber.

Muito bem, diremos nós, um mundo sem mal não é um mundo bom.

De qualquer modo, o sofrimento existente no nosso mundo é manifestamente exagerado.

Podemos perfeitamente admitir um mundo em que possa haver sede, fome, alguns desejos não realizados e outras coisas mais, mas daí às guerras, terramotos e sabe-se lá mais o quê, vai um grande salto.

Não temos dúvidas em afirmar que o sofrimento existente no nosso mundo é excessivo, sendo incompatível com a existência de Deus.

Isto leva-nos a 4, que diz que se existe sofrimento num determinado mundo, por muito pouco que seja, este será considerado demasiado pelos seus habitantes.

Um mundo com menos sofrimento do que o nosso, mas mesmo assim com algum sofrimento, será um mundo em que existem algumas, eventualmente poucas, Necessidades por satisfazer, que originam sofrimento.

Quanto a mim, cada indivíduo tem uma escala pessoal de sofrimento, que está relacionada com uma escala pessoal de Necessidades: uns resistem melhor à dor, outros são mais sensíveis, uns são mais fortes emocionalmente, outros choram por tudo e por nada.

Situações semelhantes provocam em cada um de nós emoções diferentes e, se for o caso, sofrimentos diferentes.

Isto deve-se a cada um de nós ter uma escala pessoal de Necessidades, dando uns mais valor a umas coisas do que a outras, precisando uns mais de umas coisas do que de outras.

Todos precisamos ou desejamos diferentes coisas; e mesmo quando Necessitamos das mesmas coisas, a intensidade dessa Necessidade varia.

Podemos classificar as Necessidades da seguinte forma:

Necessidades latentes: São aquelas que ainda não foram consciencializadas por nós.

Há coisas que queremos ou que precisamos mas que ainda não sabemos.

Quando nascemos não sabemos que o ar nos faz falta. A necessidade do ar, nessa fase, é uma Necessidade latente.

À medida que vamos crescendo o número de Necessidades latentes vai diminuindo, apesar de nunca desaparecerem por completo.

Uma Necessidade latente deixa de o ser no momento em que se torna uma Necessidade por satisfazer, passando a ser uma Necessidade activa.

Necessidades activa: São aquelas que já conhecemos e que estão presentes no nosso pensamento.

Uma Necessidade pode estar satisfeita, mas ser uma Necessidade activa. É o caso da necessidade do ar que respiramos — podemos não estar a sofrer com falta de ar, mas sabemos constantemente que nos é imprescindível.

Uma Necessidade activa pode passar a Necessidade adormecida quando se afasta demasiado do nosso consciente.

Todas as Necessidades por satisfazer são Necessidades activas.

Necessidades adormecidas: São aquelas que já conhecemos mas que, de momento, estão longe do nosso pensamento.

Uma Necessidade adormecida é, basicamente, uma Necessidade activa que se foi afastando do nosso consciente.

Se partimos uma perna, vivemos uma Necessidade por satisfazer aguda — a Necessidade que a perna fique boa.

Mesmo depois de curar a perna conhecemos uma Necessidade activa, apesar de não estar por satisfazer, que a perna se mantenha boa.

Ao fim de alguns meses ou anos deixamos de sentir essa Necessidade, passando esta a ser uma Necessidade adormecida — não pensamos mais na perna partida, será apenas uma vaga recordação.

A escala pessoal de Necessidades de cada um de nós, que está intimamente ligada com uma escala pessoal de sofrimento, é determinada pelo conjunto de Necessidades activas que vivemos no momento.

Essa escala não é constante, varia ao longo do tempo em função dos inúmeros factores que determinam as nossas Necessidades.

Quando vivemos uma situação de Necessidade por satisfazer, o sofrimento por ela provocado será função da posição dessa Necessidade na nossa escala pessoal.

Se a Necessidade não satisfeita está no topo da escala, sofremos muito, se está na base, sofremos pouco.

Se me telefonam a meio da noite a dizer que alguém que me é querido teve um acidente e faleceu, sofrerei imenso.

No momento em que recebo o telefonema estou longe de imaginar que tal vai acontecer — a Necessidade que tenho dessa pessoa é uma Necessidade adormecida ou então activa mas distante da minha consciência.

Como tal, a situação que estou a viver é de uma Necessidade por satisfazer elevadíssima, nesse momento é o topo da minha escala, não estou consciente de mais Necessidades que possam surgir naquele momento.

Sofro imenso.

Por outro lado, imaginemos que houve um terramoto, com milhares de vítimas, num lugar onde diversas pessoas que me são queridas estão a passar férias; as notícias que tenho apontam para que ninguém tenha sobrevivido.

Depois, recebo a notícia de que afinal apenas uma pessoa faleceu; o sofrimento que sinto será certamente elevado, mas inferior ao do exemplo anterior.

As notícias precedentes aumentaram consideravelmente a minha escala de Necessidades activas.

A morte de "apenas" uma pessoa já não está no topo da escala, passou a estar num nível mais abaixo.

Quantas vezes, ao viver uma situação de tristeza, não tentamos inconscientemente aumentar a nossa escala de Necessidades activa, para diminuir o sofrimento que sentimos.

Pensamos naqueles que estão pior do que nós, tentamos imaginar que poderia ser pior; em suma, tentamos alargar a nossa escala de Necessidades activas, de modo a que a Necessidade por satisfazer que causa o nosso sofrimento desça um pouco de nível, diminuindo com isso o sofrimento que sentimos.

Voltemos agora ao mundo ideal, com algum sofrimento mas em menor quantidade do que o nosso.

Para que este mundo tenha menos sofrimento temos duas hipóteses: ou existem menos Necessidades ou o seu grau de satisfação é maior.

Qualquer uma destas situações resulta numa escala de Necessidades activas de menor amplitude — a quantidade de Necessidades por satisfazer é menor.

No entanto, depois do que foi dito anteriormente, facilmente se verifica que qualquer criatura desse mundo que viva uma Necessidade por satisfazer do topo da sua escala, seja ela qual for, estará a sofrer intensamente.

Mesmo que esse sofrimento seja provocado por uma unha encravada, se for o topo da escala de Necessidades activas, será um sofrimento atroz.

Vemos situações destas todos os dias, especialmente com as crianças.

Uma criança que viva numa família estável, com um nível de vida médio ou elevado, vive num mundo semelhante ao mundo que dizemos ideal, com pouco sofrimento.

Com efeito, esta criança não conhece nenhum tipo de sofrimento que nós, adultos, dizemos ser elevado: não conhece a fome, a morte, a pobreza, a guerra nem nenhuma outra das desgraças do mundo.

No entanto não podemos dizer que essa criança não sofre; quando quer algo que não pode ter o seu sofrimento será extremamente elevado, essa Necessidade por satisfazer está no topo da sua escala pessoal.

Os pais dirão que é apenas uma birra, o sofrimento que o filho está a sentir não é nada comparado com o que existe à sua volta.

Na escala de Necessidades dos pais, que já conhecem muitos outros tipos de sofrimento, a falta desse brinquedo está no nível mais baixo, se é que chega a figurar nela.

Alternativamente, podemos imaginar um mundo em que a escala de Necessidades activas seja bastante alargada, mas em que os seus habitantes apenas vivam situações "a meio da escala".

O problema desta hipótese está em que para a escala das Necessidades activas ser alargada será necessária uma tomada de consciência das Necessidades que a compõem, caso contrário estas passarão a Necessidades adormecidas ou então nunca deixarão de ser Necessidades latentes.

Para uma Necessidade ser activa temos que tomar algum tipo de contacto com ela, seja porque foi uma Necessidade por satisfazer, mesmo que temporariamente, ou porque sabemos de alguém que a sofreu.

Se o conhecimento que temos dessa Necessidade é muito afastado, não será uma Necessidade activa.

Para qualquer um de nós, a necessidade que temos de um sistema solar estável é algo que está longe dos nossos pensamentos, é uma Necessidade latente muito reduzida; no entanto, se imaginarmos que o planeta Terra estará habitado pelos nossos descendentes daqui a alguns milhões de anos, quando se prevê que o Sol se expanda consumindo todo o sistema solar interior, esta Necessidade será fortíssima, estará certamente no topo da escala.

Eventualmente dirão: "Um terramoto ou uma guerra mundial até seria compatível com Deus, agora um conjunto de planetas consumido por uma bola de fogo ? Nunca !"

Em jeito de resumo podemos dizer que qualquer situação de Necessidade por satisfazer próxima do topo da escala de Necessidades activas será insuportável para quem a vive.

Por outro lado, a escala pessoal de Necessidades activas, que condiciona o sofrimento, é definida pelo sofrimento máximo que conhecemos.

Assim, num mundo em que haja sofrimento, por muito pouco que este seja, haverá necessariamente situações de sofrimento insuportável, do topo da escala do sofrimento, que serão consideradas por quem as vive como incompatíveis com Deus.


Conclusão

Prova-se assim que a existência de um mundo considerado bom pelos seus habitantes é logicamente impossível, pelo que um mundo considerado mau pelos seus habitantes não se torna incompatível com Deus.

O nosso mundo é considerado mau pelos seus habitantes; mas daí não se segue que é incompatível com Deus.

Faço notar, para finalizar, que o argumento que defendo apenas nos diz que o mundo que conhecemos é compatível com a existência de Deus.

Não podemos daqui inferir que Deus é bom, que Deus existe ou sequer que se Deus existisse, seria bom; não podemos a partir deste argumento justificar o mal que há no mundo, nem sequer concluir que o mundo é bom.

O argumento apenas nos diz que não podemos retirar do problema do mal, tal como enunciado no início, que Deus não existe.

A partir daqui podemos avançar para uma tentativa de justificar o sofrimento existente no mundo e, eventualmente, provar que este é o melhor mundo possível.

Este caminho será, mesmo com base no argumento exposto, extremamente difícil; apesar de termos demonstrado que o problema do mal não é conclusivo quanto à existência de Deus, este continua a ser extremamente forte.

Aquele que coloca o problema do mal poderá sempre dizer que, no mundo em que vivemos, as situações de sofrimento do topo da escala média dos humanos são muito mais frequentes do que o necessário.

Seria suficiente um terramoto de vinte em vinte anos para "alargar" a nossa escala de sofrimento, resultando isso num sofrimento médio mais reduzido.

Por outro lado, o crente poderá dizer que não é bem assim, que nos parece a nós que o sofrimento é todo do topo da escala porque, em face de situações de sofrimento elevado, temos tendência para esquecer o sofrimento mais reduzido.

Podemos agora dizer, seguramente, que um mundo com mal é compatível com Deus; mas será que podemos dizer que o nosso mundo, com o mal que nele existe, também o é?

Fica a pergunta, faltam as respostas.

"

Leituras:

  • Richard Swinburne - "Por que Razão Deus Permite o Mal" in "Será que Deus Existe ?", Cap. 6 (Gradiva, 1998)
  • Brian Davies - "God and Evil" in "An Introduction to the Philosophy of Religion", cap. 3 (Oxford University Press, 1993)
  • J.L. Mackie - "The Miracle of Theism" (Oxford, 1982)

Fonte: Crítica na rede | O problema do mal

 

Palavras-chave: deus, filosofia, problema do mal, religião

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