Stoa :: Olivia Rezende Franchini :: Blog :: do Virgínia Berlim, de Luiz Biajoni

janeiro 03, 2008

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acabei de ler o Virgínia Berlim, último livro do Biajoni. tinha também acabado de ler o que o Marcos VP falou sobre o livro (aliás, ele também falou sobre o meu, vai lá ler), e acabei encontrando em minha leitura muito o que o VP comentou. o Bia é um exagerado.

mas o livro é bom. vai comprar com o Sexo Anal e o que se encontra desse primeiro são os exageros -- que eu chamaria desnecessários --, mas essencialmente Virgínia Berlim é outra coisa. Virgínia Berlim tem uns momentos de poesia que são lindos. momentos em que o narrador sabe usar as palavras para provocar no leitor alguma reação à sua dor e às suas idéias. a forma que ele cria os diálogos ficou consistente com aquele narrador que parece sempre repetir as coisas dentro da cabeça, como que se experimentando a força das suas palavras. ao mesmo tempo, tem alguns momentos que estragam tudo, e a gente esquece um pouco que aquilo ali é literatura, e fica parecendo um pouco uma crônica sem-vergonha de um jornal de quinta em uma cidadezinha muito menor do que Limeira.

é mais ou menos assim: o narrador solta um "putz!" e logo você pensa "putz! estava indo tão bem!"

achei interessante também umas tentativas de não-linearidade, uns momentos quase James Joyce, ou aquele Pai Nosso entre parênteses, que só não funcionou lá tão bem porque ficou, buena, entre parênteses. graficamente, e também por estarem muito demarcadamente separados do resto da narrativa, esses momentos não se misturam muito bem ao resto do texto, e parecem mesmo uma tentativa, e não uma qualquer coisa que deu certo.

mas no geral, o que tenho a dizer é que o livro é bonito. o texto, na maior parte do tempo, é bonito. exagerado, sim, e muito inconstante, talvez mesmo até sem muita unidade (e o próprio Bia me disse isso). mas ganham os momentos em que as palavras ficam ecoando e a gente sente um pouco o narrador. e o livro é curto. não peca por se alongar no que não precisava de mais do que aquelas 44 páginas. o que há de ruim dura pouco, e sobra muito mais o que há de bom. quem leu Sexo Anal e achou que o Bia estava quase lá, vai achar que agora está ainda mais quase lá do que antes.

mas como disse o Marcos VP, quem disse que o Biajoni quer isso?

Palavras-chave: nnpp

Postado por Olivia Rezende Franchini

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