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Janeiro 29, 2010

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Parte interna no prédio da FAU-USP, por Nilton Suenaga
Parte interna no prédio da FAU-USP. Foto: Nilton Suenaga.

Demorei bastante para entender o poder que as bibliotecas exercem sobre nós. Aquela imagem clichê (geralmente também associada aos museus) de muito pó, almoxarifado e de nem poder se movimentar direito sem ouvir um “shiu!” ficou por muito tempo em minha mente. Acho que a paixão por um livro, depois outro, e mais um… acabou fazendo com que uma biblioteca passasse a ser para mim um paraíso.

Em São Paulo existem muitas bibliotecas, e por isso pensei em fazer um roteiro com bibliotecas que são abertas a todos, mas não há muita divulgação sobre sua existência e seu conteúdo. Então, resolvi listar cinco bibliotecas da USP: quatro que já existem e uma que ainda não foi inaugurada: FFLCH, ECA, FAU, Brasiliana e do Museu Paulista.

FFLCH: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
É a maior delas. Seu acervo é gigante e muito denso. É difícil não encontrar algum livro de humanas ali. São três andares de livros, teses, revistas científicas, mapas etc. Destas bibliotecas, talvez seja menos agradável de passar algum tempo lá lendo devido à “iluminação de escritório”. Sítio.

ECA: Escola de Comunicações e Artes
Além de muitos livros sobre Comunicações, há um bom acervo de peças de teatro, e uma sessão de multimeios, com filmes difíceis de encontrar e ótimos CDs de música. Se estiver em um grupo pequeno, é possível assistir os filmes em uma pequena sala escura. Durante o ano letivo, não é aconselhável ler ali às quintas-feiras à noite, pois os alunos realizam semanalmente a tradicional “Quinta i Breja” próxima à biblioteca, e o som pode atrapalhar um pouco a concentração. Sítio.

FAU: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
A mais charmosa de todas. Só pelo fato de estar no prédio tombado de Artigas e seu acervo ser focado em arquitetura já bastaria para chamar a atenção. Tem iluminação muito aconchegante e suas mesas (com luminárias individuais) estão bem dispostas entre as estantes e sua parede de vidro, que dá vista para a parte interna do edifício. Ah, barulho não é privilégio de outras bibliotecas, afinal isso faz parte do cotidiano estudantil. Pode ser que alguma festa organizada pelos alunos, ou um evento no auditório, esteja acontecendo e cause incômodo. Sítio.

Brasiliana
Sua construção ainda acontece no Campi Cidade Universitária, mas já desperta desejos entre os fãs de livros sobre o Brasil. Foi uma doação do famoso bibliófilo José Mindlin, ex-aluno da USP que resolveu doar o acervo à universidade. Está sendo erguido um prédio só para ela, que é recheada de raridades. Para ir matando essa vontade e, principalmente, para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo ter mais possibilidade de acessar seu conteúdo, livros raros estão sendo digitalizados e colocados na internet. Sítio.

Museu Paulista da USP (ou popularmente conhecido como “Museu do Ipiranga”)
Longe da Cidade Universitária, no meio do Parque da Independência, o que não falta é tranqüilidade à centenária biblioteca, que é bem arejada tem ambiente muito agradável. Seu foco é História, tendo muitas obras sobre o Brasil e especificamente sobre São Paulo. Sítio.

Espero que aproveite o roteiro que pode ser feito em um dia, mas também durar uma vida inteira.

Boas descobertas!

Olé

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Janeiro 27, 2010

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Cartaz do filme "Hanami - Cerejeiras em flor"

Talvez restem apenas dois dias para você, ao terminar de ler este texto, levantar, ir a uma das poucas salas de cinema que ainda exibem Hanami – Cerejeiras em Flor (2008) e ficar paralisado após o fim do filme. Literalmente sem ação. Fiquei assim. Eu e mais de 85% das pessoas que lotavam a sala do cinema. Explicação? Talvez.

O filme fala da cegueira nas relações. Entes queridos, da família ou não, acabam sendo deixados de lado por nós. Mergulhamos em uma vida cada vez mais egoísta. Acabamos não sabendo os sonhos, os desejos, as aflições de quem está ali tão perto. E a relação com aqueles que estão longe fica pior ainda. Pronto, vários anos se passaram, as rugas apareceram e, ao olhar para trás perguntando se tudo valeu, a resposta pode estar longe de ser: “sim, vivemos tudo intensamente”.

Essa cegueira é tão profunda, tão enraizada que muitas vezes é necessário um baque muito forte para perceber o tempo perdido. E geralmente significa a morte ou a iminência dela acontecer. Aí bate a vontade de fazer tudo aquilo que não foi feito, falar tudo o que não foi falado, mudar prioridades…

E estes mesmos dramas que as personagens vivem são trabalhados de uma forma mais ampla pela diretora, simbolizados entra a cultura japonesa e alemã. O desdém inicial do olhar da cultura alemã para a japonesa vai diminuindo conforme se descobre esta outra cultura. Os olhos vão se abrindo, vão notando a beleza das cerejeiras em flor e acabam descobrindo a si mesmos.

E aquele estereótipo de cultura fria, simbolizada por uma pronúncia pouco harmoniosa cai por terra. O final, que até poderia ser previsível, transmite toda a força poética alemã, traz as profundas revelações do amor e rompe qualquer fronteira, seja ela cultural, geográfica, espiritual e até mesmo aquela entre platéia e história.

Definitivamente, é um filme de muitas descobertas. Talvez ainda dê tempo de você fazer as suas.

Olé

PS: mais detalhes do filme podem ser vistos neste artigo da Mostra de São Paulo. Leia depois de assisti-lo.

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Dezembro 27, 2009

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Oito oportunidades para conhecer um pouco mais do “samba  paulista”, samba vivo feito por [oito] comunidades de São Paulo.

Elas acontecerão em janeiro, na Choperia do SESC Pompéia e compõem o projeto Comunas do Samba, o qual consiste em dar palco ao samba local, que tem todas as suas particularidades: a união, a comunhão e a confraternização das comunidades. Enfim, muitas descobertas.

Os pequenos textos abaixo são de autoria da assessoria de imprensa do SESC Pompéia. Apresentam as comunidades e a data do respectivo show.

Bons shows!

Olé

Projeto Samba Autêntico (Rua do Samba) – part. de Virgínia Rosa
Dia 08/01 (sexta), às 21h.

Realizado todo ultimo sábado do mês – desde o ano de 2002 no Largo General Osório, no bairro da Luz, o Projeto Samba Autêntico atualmente se apresenta provisoriamente no Vale do Anhangabaú, no centro da cidade. O objetivo é o resgate, a promoção, a divulgação e a preservação do samba paulista, por meio do reconhecimento e da homenagem a todos aqueles que lutaram, lutam e continuarão lutando pelo samba. Outro viés da iniciativa está na contribuição para revitalizar essa região da Luz, conhecida como “cracolândia”. Constitui-se com um terreiro de lazer e congraçamento da população afrodescendente, pelas suas heranças e referências culturais e pela afirmação de sua singularidade, identidade, inclusão social e construção de cidadania.

Tias Baianas Paulistas – participação de D. Inah
Dia 09/01 (sábado), às 21h.

O grupo das Tias Baianas Paulistas foi idealizado e fundado por Valter Cardoso, o Valtinho das Baianas, entre os anos de 1994 e 1995. A banda começou com sua esposa, Dona Nadir, sua cunhada e algumas amigas das alas das baianas de diversas escolas de samba, entre elas Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco e Vai-Vai. Por chefiar essa ala nos desfiles, Valter acompanhava de perto o cotidiano das integrantes e os descuidos enfrentados por essas antigas sambistas. Isso o levou a fundar um grupo de valorização da história e do papel da baiana nos desfiles e nas agremiações. Simultaneamente, Valtinho possibilitou a esse grupo o desenvolvimento de uma atividade paralela à atuação nas escolas de samba. Assim elas puderam mostrar suas habilidades pessoais, aprender mais sobre sua função no carnaval, discutir sobre as condições de desfile e promover apresentações, como um grupo vocal e símbolo do samba, inclusive com a formalização em 1997 como a Associação Cultural Claridade Tias Baianas Paulistas. Desde maio de 2007 participam da Praça do Samba, evento mensal realizado pelo Kolombolo dia Piratininga na Praça Aprendiz das Letras, na Vila Madalena. Em 2008 foram tema do documentário “Tias Baianas Paulistas”. Este ano lançaram seu primeiro CD “Tias Baianas Paulistas” na Coleção Memória do Samba Paulista.

Samba da Laje – participação Serginho Meriti
Dia 15 (sexta), às 21h.

A Comunidade do Samba da Laje anima a região da Vila Santa Catarina todo último domingo do mês, sempre com um convidado especial em cada edição. Desde julho de 1997, as feijoadas com roda de samba são promovidas com a intenção de proporcionar um dia de alegria e descontração à comunidade, assim como divulgar o tradicional samba de roda. O repertório é variado e vai de Noel Rosa a Zeca Pagodinho. A maioria dos músicos está na faixa etária de 15 anos, jovens que respeitam e preservam o samba raiz, e as pastoras que marcam presença com suas vozes agudas.

Pagode do Cafofo – participação Maurílio de Oliveira
Dia 16 (sábado), às 21h.

A Comunidade do Pagode do Cafofo foi criada em novembro em 2002, para difundir a autenticidade do samba e valorizar os compositores locais. Os encontros são realizados na comunidade a cada primeiro e terceiro domingos do mês.

Roda de Samba Ouro Verde – participação Nelson Sargento
Dia 22 (sexta), às 21h.

Há mais de 25 anos as rodas de samba Ouro Verde, em Santos, são os lugares ideais para levar a família e escutar um bom samba de raiz nas noites da maior cidade do litoral paulista. Lá, o gingado do gênero envolve tanto os mais idosos quanto os mais jovens. Quase todos os integrantes do Samba Ouro Verde se conhecem desde a infância. Foi nessa fase que aprenderam a gostar desse tipo de música ouvindo seus pais, tios ou avós tocarem juntos nos fundos dos quintais. Aos poucos, outros músicos foram convidados para participar do movimento em prol da boa música. Desde o início, os participantes usam a quadra do Ouro Verde Futebol Clube. Com o tempo, os moradores do bairro Marapé passaram a frequentar o clube e, assim, o público cresceu e se tornou cada vez mais fiel.

Núcleo de Samba Cupinzeiro – participação Amélia Rabelo
Dia 23/01 (sábado), às 21h.

Criado em 2001, o Núcleo de Samba Cupinzeiro pesquisa, compõe e realiza atividades em torno do samba. O trabalho do núcleo tem recebido muitos elogios dos críticos e do público e agrega diversas frentes de trabalho: espetáculos, seminários, oficinas, rodas, textos publicados, gravações e documentários. Já produziu vários eventos ligados ao samba na cidade de Campinas, como o Ciclo do Samba, a Oficina de Samba Paulista, o Dia do Samba e o Bloco do Cupinzeiro, além de acompanhar músicos como Wilson Moreira, Tia Surica, Walter Alfaiate e Diogo Nogueira, entre outros.

Kolombolo Diá Piratininga – participação Thobias da Vai-Vai
Dia 29/01 (sexta), às 21h.

O Kolombolo Diá Piratininga surgiu em 2002 com a ideia de ser grêmio recreativo nos moldes dos antigos cordões. Atualmente, o grupo realiza pesquisas, oficinas culturais, encontros, produções de CDs e de shows para trazer ao conhecimento do público a história do samba paulista. O Kolombolo realiza entrevistas, registros fotográficos e audiovisuais e faz levantamentos biográficos e bibliográficos sobre o samba e a cultura popular do Estado de São Paulo. Dentro do selo Kolombolo foi lançada a série de 12 CDs da Coleção Memória do Samba Paulista, entre outros trabalhos. No último domingo de cada mês é realizada a Praça do Samba, com a reunião de sambistas, amantes do samba e comunidade.

Passado de Glória – participação Wilson Moreira
Dia 30/01 (sábado), às 21h.

A comunidade do Samba Passado de Glória, desde 2007, se volta ao resgate do samba da velha guarda e de seus mestres e sambistas e compositores esquecidos. Além de exaltar o gênero musical, o Passado da Glória contribui com algumas entidades e associações de assistência que ajudam comunidades carentes.

Serviço: Projeto “Comunas do Samba”
SESC Pompéia (São Paulo)
Rua Clélia, 93
Dias 8, 9, 15, 16, 22, 23, 29 e 30 de janeiro de 2010. Sextas e sábados, às 21h.
Choperia. Não é permitida a entrada de menores de 18 anos.
Ingressos: R$ 4,00 a R$ 16,00
Telefone para informações: (11) 3871-7700
Acesso para deficientes.
Não há estacionamento.

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Dezembro 01, 2009

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Como fazer sete anos de filmagens virarem um documentário de quase duas horas? Entre a Luz e a Sombra é a resposta de Luciana Burlamaqui para esta questão. E não é qualquer resposta. É uma resposta em forma de muitas perguntas. Trabalho tão profundo que está ao lado de outros grandes do cinema nacional, como Cidade de Deus, Ônibus 174, Estação Carandiru e Tropa de Elite, que tratam da mesma temática e mostram a urgência da reflexão que negamos a fazer todos os dias.

Há três histórias entrelaçadas que conduzem o enredo: a de Sophia Bisilliat, a da dupla de rap 509-E e a do juiz Octávio de Barros Filho.

Sophia é atriz e quis levar arte aos detentos do Carandiru. Em vinte anos de trabalho, criou o projeto “Talentos Aprisionados”, o qual tentava dar alguma luz para destacados artistas da cadeia. Assim, ela conhece a promissora dupla Dexter e Afro-X. Conseguiu a gravação de um CD e a autorização para que eles pudessem fazer shows de divulgação fora da penitenciária. Após  muitas saídas, um convite para um debate uma das emissoras mais vistas no Brasil seria uma grande oportunidade para mostrar suas idéias, sua recuperação, seu talento. Chega o momento chave do filme: a aparição no programa Altas Horas, da TV Globo. Seria debatendo a pena de morte. A discussão rumou para a pena de morte não-oficial, aquela que acontece por aí, nas ruas, nas sombras, feita por quem tem licença para matar. O adversário do debate era ninguém menos que o deputado estadual Conte Lopes, que em 98 foi o segundo deputado mais votado e em 2006 foi reeleito com 207 mil votos paulistas. O clima esquentou tanto que a conversa teve de ser interrompida. Coincidência ou não, após isso a dupla passou a ter uma dificuldade monstruosa para sair da cadeia. E o gênio e juiz que acredita na reabilitação, começa a ser colocado de lado, perde força e também fica às escuras.

Entre a luz e a sombra - Afro-X e Dexter - Carandiru

Por quê? O que querem esconder? Que há salvação. A idéia a passar: quem comete um crime nunca mais será o mesmo; não há regeneração. A escola formadora deste tipo de visão chama-se ditadura. Parece clichê, mas basta olhar a biografia do deputado e ver em quais anos ele cursou a academia de polícia. Ele é uma peça formada pelo “sistema” para manter tudo na mais santa ordem e progresso. Mas como? Quais seriam os métodos? Com o diálogo? Respeitando os Direitos Humanos? Claro que não! Tanto que o livro lançado por Conte Lopes tem o seguinte título: Matar ou Morrer.

Esse é o mesmo “sistema” que, em 1992, através da suposta ordem do Governador de São Paulo à época, Luiz Antônio Fleury Filho, matou 111 detentos no Carandiru. Tal episódio inspirou artistas e foi fundamental para a criação do PCC (leia o que seria o estatuto do “partido”). Lembrando o sábio Raul Seixas, “(…)você mata uma / E vem outra em meu lugar(…)”.

Por enquanto acreditamos na farsa do “sistema”, na farsa da repressão. É incrível como esse sentimento está ligado à desigualdade social, ao medo que foi imposto às pessoas. Medo de dividir seus bens. Medo esse que quem realmente deveria ter eram os grandes poderosos, donos de muito dinheiro. Assim fica fácil entender o status quo que estamos mergulhados e permaneceremos por muito tempo, afinal esta visão está enraizada em muito mais do que 207 mil pessoas. É a mesma visão que dita o linchamento de uma pessoa fora dos padrões de vestimenta.

Entre a Luz e a Sombra - Carandiru - Rebeliao em 2001

Como um excelente documentário, não apenas nos ajuda a responder questões, mas faz outras que estão muito longe de serem respondidas, como “por que manter uma pessoa presa se ela não representa perigo para a sociedade e está regenerada?”, ou “como definir quem está regenerado e quem não está?”, ou “se alguém ficar 30 anos preso estará necessariamente regenerado após a liberdade?”,, ou “o que é representar perigo para a sociedade?”, ou “o gás é a única diferença entre o holocausto promovido na Alemanha Nazista e o holocausto nos presídios brasileiros?”…

Para arrumar a bagunça, é preciso consertar a lâmpada.

Boas perguntas!

Olé

Exibição: Em São Paulo e Minas Gerais a partir de 27/11. Rio de Janeiro, 04/12.

São Paulo (SP):
Unibanco Arteplex Frei Caneca / Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – 3º piso - Bela Vista

Cine Bombril
Av. Paulista, 2073 - Consolação

Santos (SP):
Espaço Unibanco Miramar
Av. Marechal Floriano Peixoto, 44 - Gonzaga

Belo Horizonte (MG):
Usina Unibanco de Cinema
Rua Aimorés, 2424 – Santo Agostinho

Rio de Janeiro (RJ):
Unibanco Arteplex
Praia de Botafogo, 316 – Botafogo

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Novembro 14, 2009

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Na segunda parte deste post sobre a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, deixo minhas impressões pessoais sobre os filmes que assisti, dos quais alguns já estão em cartaz. Lembro que são opiniões sensoriais experienciadas por mim, intransferíveis e intangíveis. Portanto, não devem ser consideradas como críticas, mas sugestões e relatos sobre os filmes que assisti, e recomendo como um mero espectador, com toda a subjetividade possível inerente aos comentários.

Aproveito para deixar este espaço aberto aos leitores que discordarem da minha visão sobre as películas, para que sejam incitadas discussões acerca das obras abaixo comentadas.

(500) DIAS COM ELA [(500) days of Summer]
EUA, 2009 – Marc Webb

500 dias com elaÉ uma delícia. Para se assistir acompanhado com sérios riscos de ser acometido por uma paixão arrebatadora. É leve, têm ótimas sacadas, referências indie, desenvolvimento não linear – que deixa a história muito mais interessante – e uma estética para ser saboreada (de preferência a dois). A história de um não amor que tem data pra acabar (como diz o próprio título), mas ganha seu público por ser simples e bem feito.
(trailer)


ACONTECEU EM WOODSTOCK [Taking Woodstock]
EUA, 2009 – Ang Lee

Aconteceu em WoodstockFilme que foi feito para ser gostado. Não é nenhum clássico instantâneo, mas sem dúvida alguma cumpre rigorosamente o que se propõe: divertir. Causa um arrependimento em seus espectadores por não poderem ter comparecido ao famoso Festival Hippie que marcou uma geração. Os atores estão impecáveis – sem exceção – e a fotografia aparece surpreendentemente bela. Um filme que vale a pena, e conta até com alguns tons de genialidade de Ang Lee, acompanhando em seu começo, meio e fim a execução do festival de música mais famoso do mundo, focando na história de vida de um personagem, que foi mudada com o desenvolver do evento. Assista.
(trailer)

ALÔ, ALÔ, TEREZINHA [Alô, Alô, Terezinha]
Brasil, 2009 – Nelson Hoineff

Alô, Alô, TerezinhaUma verdadeira perda de tempo. Tenta alavancar o apresentador Abelardo Barbosa – o famoso Chacrinha – a um posto que ele não merece estar: o de gênio da televisão brasileira. É irritante, cansativo e deprimente. É a tentativa frustrada de trazer elementos do gosto popular a um nível elevado de aceitação cultural. Conta com vídeos da época em péssimo estado, o que o torna ainda pior. Não é divertido, não é bem montado, não é inteligente. Não mostra a que veio.
(trailer)

A VIDA EM BLOCO [Bloques]
Venezuela, 2008 – Alfredo Hueck e Carlos Caridad

Vida em BlocoO filme Venezuelano não pode ser considerado um destaque. Não tem nada de espetacular nas duas histórias dirigidas por diferentes diretores, mas é interessante. Um filme pra passar a tarde quando não se tem nada pra fazer. Nenhuma grande surpresa, nenhuma grande decepção. Debate a velha temática de que a vida na metrópole às vezes não deixa perceber que vivemos tão perto e ao mesmo tempo tão longe uns dos outros. Morno.
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COLIN [Colin]
Reino Unido, 2009 – Marc Price

ColinEste filme foi bastante comentado e teve salas cheias nas exibições da Mostra. Fui assistir com uma expectativa mediana, já que sabia que era uma produção de baixo custo. Contudo, já vi muitas produções de baixo custo muito bem feitas e esta, lhes digo, não é uma delas. O roteiro é fraco demais, e deveria certamente se limitar a um curta metragem. O filme se arrasta por mais de 90 minutos como os zumbis que o protagonizam. A grande revolução que “Colin” propõe é contar a mesma história de uma epidemia, só que na visão do zumbi, e não do mocinho. Não acho tão genial assim a ponto de compensar cenas toscas, ridicularizadas justamente pela falta de aporte financeiro. É bastante despropositado e, pra mim, um péssimo resultado para o investimento de 129 dólares.
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DEIXA ELA ENTRAR [Låt Den Rätte Komma In]
Suécia, 2009 – Tomas Alfredson

Deixa ela entrarO filme, que já figurava nos telões da capital antes mesmo da Mostra acontecer, vale o investimento. Este sim conta a mesma história – a dos vampiros – de um jeito diferente. Além da fotografia linda que Alfredson entrega, o enredo envolve, alternando entre tensões e alegrias, descobertas e constatações, decepções e sinceridades. A atuação dos jovens atores suecos chama a atenção, especialmente seu protagonista, um garoto andrógeno que é atormentado por colegas de escola e permanece numa vida solitária e tímida. Trama deliciosa, fotografia linda e atuações simplistas - mas bem feitas – fazem deste um filme que deve ser assistido.
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ERVAS DANINHAS [Les Herbes Folles]
França, 2009 – Alain Resnais

Ervas DaninhasResnais volta mais Resnais do que nunca. Em cartaz há dois anos com “Medo Privados em Lugares Públicos”, o diretor octogenário entrega no novo filme boa parte do seu jeito de lidar com conflitos psicológicos e montanhas-russas sentimentais. Em alguns momentos se torna um pouco cansativo, mas nunca deixa de ser emocionante e verdadeiro. Tem cara de clássico francês, tem jeito de clássico francês, tem atores clássicos franceses, música francesa, fotografia francesa e olhar de um diretor extremamente francês, tornando-se, por conseqüência, um verdadeiro clássico francês. (trailer)

O SOLISTA [The Soloist]
Reino Unido, EUA e França, 2009 – Joe Wright

O SolistaO diretor de “Orgulho e Preconceito” extraiu o máximo de Jamie Foxx. O ator/comediante/rapper considera este o grande papel de sua vida, encarnando o esquizofrênico músico que vive nas ruas de Los Angeles. Robert Downey Jr. fica em segundo plano, mas seu personagem tem uma grande importância ao tentar trazer o tempo todo este gênio esquecido para a realidade. Mas quem disse que estar livre dos problemas psiquiátricos é o ideal? Confronta seus próprios dilemas. O filme ganhou meu carinho, fã incondicional de música, pela forma tratando o universo musical como sendo um sublime ato de execução e apreciação, seja através da cabeça de um doente, seja através de uma mente contestavelmente sã. Delicioso, apesar de pecar no exagero aos temas sociais.
(trailer)

RICKY [Ricky]
França, 2009 – François Ozon

RickyO filme tenta, mas não consegue. Ozon, que tem uma filmografia de respeito, causa no público uma decepção natural, já que se espera muito de diretores consagrados, como ele. É um conto, e assim deve ser encarado para que se torne palatável. Nele, Fraçois Ozon se reinventa, fala de coisas que são paradoxais a temáticas abordadas anteriormente, prega a união da instituição familiar como salvação, e deixa um enorme ponto de interrogação na cabeça dos espectadores, além de atuações confusas e estética discutível. Vale assistir por dois motivos: Pra ter do que falar depois com amigos cinéfilos, e a oportunidade de criticar um filme do Ozon. Ah, e claro, se você gostar de perguntas sem respostas. (trailer)

Victor Gouvêa

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Novembro 13, 2009

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Hueck y Caridad, Ang Lee, Hoineff, Price, Alfredson, Resnais, Wright, Ozon e Webb. Foi tudo o que eu consegui assistir da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A programação sempre causa reações diversas em seu ávido público. Eu, por exemplo, entro em estado de ansiedade extrema quando tenho em mãos o schedule de datas e horários dos filmes. Sei que não vai ser possível assistir a todos que gostaria e inevitavelmente me vejo acometido pela dúvida: aproveito para assistir os mais comentados – e que provavelmente entrarão no circuito comercial mais cedo ou mais tarde -, ou arrisco assistir produções menos prestigiadas que possivelmente tenham na Mostra a oportunidade única de serem exibidas?

Por fim, acabo sempre optando pelo possível. Assisto aos filmes que encaixem melhor na minha disponibilidade – que se desdobra em tempos de Mostra -, incluindo alguns prestigiados e outros menos conhecidos. Deixo, com um aperto no peito, muitos de fora, na esperança de encontrar, em poucos meses, seus cartazes expostos nos cinemas da Paulista.

Em uma tarde qualquer, estava no Conjunto Nacional quando fui pego de surpresa – como todos os que ali estavam – por um senhor que gritava insistentemente contra os preços abusivos dos filmes. Não concordo totalmente, apesar de achar que os ingressos poderiam ser mais baratos, já que o evento conta com muitos apoios e patrocínios de peso. Sabemos que é muito custoso o transporte de películas e uma infra-estrutura megalômana, como a que seus organizadores proporcionaram. Os preços poderiam ser mais baixos, mas definitivamente não podem ser considerados abusivos. Talvez tenha sido um protesto impensado, sem calcular, mesmo que superficialmente, os custos astronômicos de um evento deste porte.

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chegou a sua 33ª edição com um desafio: se reinventar. Antigamente, como foi destacado em um artigo da Folha de São Paulo, a Mostra tinha uma função quase bandeirante, trazendo – com muito suor – produções alternativas para o cenário cultural brasileiro, e vivenciando verdadeiras cruzadas para exibir filmes que dificilmente entrariam no circuito comercial. Apenas os grandes sucessos da Mostra chegavam às salas de cinema para o grande público. Hoje já não possui mais este viés. Uma parte significativa das produções apresentadas fatalmente entrará em exibição nas inúmeras salas da capital paulista, que tem como seu fiel público alguns apreciadores exigentes da sétima arte.

Mas há que se ponderar: a Mostra não perdeu sua importância. Assim como anos atrás revelava diretores que hoje são consagrados, traz à tona nomes não muito conhecidos, mas com carreiras promissoras, que provavelmente serão os gênios de amanhã. Tem a missão de revelar cuidadosamente algumas obras que figurarão nas listas de clássicos do futuro, e que no presente já disputam público, mídia, crítica e salas de cinema com monstros da película. Além disso, provoca uma deliciosa atmosfera na cidade, lembrando o público a todo instante que um marco da cultura filmográfica está se desenrolando, pela 33ª vez. E que, pelo bem do saber sinestésico que é o cinema, encontre solo fértil para muitas outras edições.

Victor Gouvêa

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Outubro 21, 2009

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Abrem-se as cortinas do mais novo teatro paulistano! Tudo cheira novo, tudo reflete moderno, todos olham admirados, há uma atmosfera de superioridade técnica e arquitetônica, e os presentes não conseguem evitar os comentários de surpresa ao adentrar no fresquíssimo “Teatro Bradesco”.

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Teatro Bradesco no Shopping Bourbon Pompéia, em São Paulo.

O Grand Openning acontece oficialmente apenas amanhã (22 de Outubro), mas o Teatro já teve suas primeiras apresentações. Tecnologias afiadas, espaço de sobra, inovações impensadas e comodidades mil, já o fazem ser considerado um dos mais modernos do país, e uma obra faraônica dentro do Shopping Bourbon Pompéia. Acompanhando a nova tendência da inserção de teatros em shopping centers – e, por que não dizer, colocando a mercadoria onde o consumidor está? – a casa abre as portas decepcionando. Claro, não há o que se dizer sobre a inegável qualidade física deste espaço. Seria um golpe nos milhões investidos, e um desrespeito às incontáveis salas mais simples da capital paulista.

O desapontamento vem de outra esfera. Contestando Confúcio, quando dizia que “A Cultura está acima da diferença social”, o primeiro show oficial que a casa sediará - dos argentinos do Café de los Maestros, incluindo o premiado Gustavo Santaolalla e a participação da deliciosa Marisa Monte – tem como seu valor mais baixo o preço do Balcão Nobre, custando R$200,00. Já o mais caro, os camarotes do “Andar Prime”, custam a bagatela de R$500,00.

Café de los Maestros.
Café de los Maestros.

Os artistas, que seguem protestando contra a pirataria, a despeito da falência das gravadoras que sabidamente chupavam feito sanguessugas os lucros da vendagem de CD’s e DVD’s, são coniventes com a fixação de preços despropositados em detrimento de lucros bombásticos, suscitando a elitização de seus trabalhos.

É inadmissível a cobrança de valores tão exorbitantes. É inaceitável que apresentações culturais sejam segregadoras ao ponto de tornarem-se inacessíveis. É chocante assistir à inauguração de um teatro que pretende pagar seus custos em tão pouco tempo. É lamentável imaginar que uma única apresentação de prováveis duas horas possa custar mais de um salário mínimo. É uma afronta que tenham coragem de sugerir estes valores.

É, mais uma vez, previsível que assim seja.

Victor Gouvêa

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Outubro 15, 2009

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peruada_1967_1

A Peruada seria outro carnaval fora de época? Mais ou menos. Mais porque tem pessoas bêbadas percorrendo um circuito atrás de um trio elétrico. Menos porque é sempre um protesto contra a conjuntura política do momento. Basicamente, uma grande e tradicional festa organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do Largo São Francisco da USP, cujo cenário sempre são as ruas do centro da cidade de São Paulo.

Tradicional sim. Há registros fotográficos da década de 30! Seus primórdios parecem estar no ritual de libertação dos calouros, que após o “calvário” passavam a ser “franciscanos” de verdade. Então, o nome pode ter vindo deste ato de embebedar os novatos e perambular com eles pelas ruas, o que seria parecido com o “hábito caboclo de dar pinga aos perus, deixando-os tontos antes de sacrificá-los”.

peruada_1967_2

Outra possibilidade é que o nome tenha se firmado em 1948, pois alguns alunos (entre eles o falecido Deputado Rogê Ferreira, então presidente do XI de Agosto - segundo o artigo de Maria Sabino, publicado pela OAB-SP) furtaram perus premiados (que pertenciam ao professor Mário Mazagão) e fizeram um banquete. E fizeram questão de convidar o dono das aves para saboreá-las. Isso rendeu no editorial do jornal O Estado de São Paulo o artigo: “Estudantada ou vandalismo?”

Talvez este episódio tenha sido o mais lembrado pela audácia de convidar o próprio dono e pelo objeto do furto ser peru. Porém, há relatos sobre estes furtos de animais, que eram comuns “para ´homenagear´ a figura do ladrão”, grande inspirador do estudo do Direito. Por exemplo, em 1945, o animal da vez foi um corvo e o destinatário, Getúlio Vargas.

Peruada de 2006. Foto: João Clara. Jornal O Globo.
Peruada de 2006. Foto: João Clara. Jornal O Globo.


Todos os anos, alunos da USP e de outras faculdades e universidades se fantasiam e dão vida para este grande bem imaterial da cidade. Uma simples sexta-feira do mês de outubro (sim, em horário comercial) pára e é uma grande mistura de gente de todo o tipo: alunos, comerciantes, mendigos, playboys, malucos, office-boys, camelôs, alienados, engajados.

Por Sérgio Novaes.
Foto: Sérgio Novaes.

O momento mais simbólico é a parada em frente à Câmara dos Vereadores de São Paulo. Aqui, o som também para e começa o desabafo direto. Sempre achei os discursos muito fracos: pouco embasamento, faltam umas músicas de protesto e idéias desorganizadas, que brotam espontaneamente na cabeça daquele que segura o microfone. Pode ser interpretado como o vizinho bêbado vindo reclamar de muitas coisas e que talvez não mereça a mínima atenção. E isso acaba sendo ruim, afinal esse é grande o diferencial da Peruada.

Faltam também pessoas que saibam cantar o Hino da Peruada. Uma só saber, não dá. Se ela fica sem voz, como já aconteceu, fica ridículo. Ao final deste parágrafo, o vídeo para aqueles que quiserem decorá-la. Antes, acho por bem dizer que é uma paródia da música “O Circo” e criada por Duda (Sanfran-USP), com participação de Tropeço (Turismo/ECA-USP), ela ganhou fama através dos jogadores do time de Rugby da Sanfran que “cantavam muito a música”, assim como o próprio Duda conta no começo do vídeo abaixo:

Letra:

Vai, vai, vai começar a brincadeira!
Tem cerveja de graça* a tarde inteira!
Vem soltar a lascívia acumulada!
Vai, vai, vai começar a Peruada!

Bebe, bebe, vagabundo,
que é melhor não estar disperso (disperso),
pra se a velha chagar junto,
enfrentar de peito aberto.
Pois no meio da folia,
meio-dia, céu aberto,
uma neta que protesta
vitupera sua nona,
que veio só dar carona
e resolveu ficar na festa.

Refrão

Quem tem medo de dentista,
ou vê sangue e dá um salto,
tem chilique em lugar alto,
teme sapo de brinquedo,
em outubro vai ter medo,
no dia da Peruada,
pois o centro é infestado
de canhão, de bruxa e draga.
Tem até mulher barbada
neste circo disfarçado!

Refrão

Os vapores da cachaça
fazem mudar todo mundo.
O careta é maconheiro
e o nerd é vagabundo.
O juiz é sem juizo,
o alegre é moribundo
Mas não vale esse brocardo
pra quem joga do outro lado.
O Vitão lançou o grito
e não deixou de ser viado.

Refrão

De terno, gravata e meia,
franciscano quer a morte.
Ouve a turba, titubeia,
o extinto é mais forte.
Bem no meio do batente,
o estagiário some.
Seu chefe fica valente,
mas por dentro se consome.
Noutro tempo inconseqüente,
fora um ébrio de renome.

Refrão

Foi beijada a velha nona,
foi beijada a bailarina.
É beijada toda hora,
a safada da Marina.
Todo mundo se devora,
Pierrot e Colombina.
Quem zerou até agora,
mesmo assim não desanima.
Porque a festa só termina
quando o dia for embora.

Vai, vai, vai terminar a brincadeira!
Que a cerveja rolou a tarde inteira.
Morre o sol, faz-se sombra nas arcadas.
Vai, vai, vai terminar a Peruada!

*Antigamente a cerveja era de graça para os alunos. Quando o Centro Acadêmcio resolveu cobrar, mudaram o refrão para “gelada” (invés de “de graça”).

Em 2009, o mote é:

“Hoje tem marmelada? Tem sim senhor! E o palhaço quem é? É o povo
brasileiro, que entre imposto, taxa e penhor, sustenta, do Senador ao
Governador, mais de uma família inteira.

Meu peru, pobre coitado, só quer deixar o seu recado, e pede um pouco de
vossa atenção para, nas ruas de São Paulo, ensinar sua lição; Mas, coitado, é
julgado, dito culpado, por corrupção.

Aqui não tem ato secreto, é tudo mostrado e explicitado, pelo meu peru
indiscreto. Não há grampo, escuta ou editorial, gripe suína ou outro
mal, que impeça o peru de pular seu carnaval. Com os alunos da Velha
Academia há mais de um século comanda sua folia. Rir para corrigir os
costumes, eis o lema de sua alegria!

Mas agora aparecem com uma série de acusações, dizem que têm provas:
várias gravações. Mas para quem já viu ambulância sanguessuga, anões
do orçamento, falso pregador, o que tem demais um cargo pro meu
parente do interior?

E NEM assim ele se dá por vencido, meu peru agora é olímpico. Nessa
manifestação político-etilico-circence ele sabe que é o rei. Afinal, pro meu
peru não existe lei, ele é parente do Sarney
.” (via opportune-tempore)

Deixando as pequena críticas de lado, ela é imperdível!

Ainda dá tempo de improvisar uma fantasia e cair na folia. E lembre-se: quando você for chefe, perdoe eventuais faltas de seus estagiários, em uma certa sexta-feira do mês de outubro.

Boa Peruada!

Olé

PERUADA (Concentração):
SEXTA 16/08 às 9h30 da manhã
Informações no CA XI de Agosto: 3111-4082 / 3034-5496

Referências sobre a Peruada e o XI de Agosto no livro:

A Heróica Pancada - Centro Acadêmico Xi de Agosto: 100 Anos de Lutas. Schubsky, Cassio

Consulte também os sites:
Eu tenho uma amiga
Migalhas
XI de Agosro

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Setembro 14, 2009

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Show de Hermeto Pascoal. Foto: Marcelo Lyra.
Show de Hermeto Pascoal. Foto: Marcelo Lyra.

A receita não poderia dar errado. Tenha como sede uma cidade que é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade da Unesco, com suas ladeiras encantadoras, Igrejas seculares e todo o charme inerente aos deliciosos restaurantes, ateliês e pousadas que recheiam suas vielas. Adicione músicos de altíssimo nível, com apresentações impecáveis, extremamente minuciosos, além de misturas e apresentações inéditas no Brasil. Acrescente, por fim, uma pitada de brasilidade, e um público afoito por toda esta grande mistura cultural e artística. O resultado é a Mimo, Mostra Internacional de Música em Olinda, que aconteceu de 1 a 7 de setembro na cidade de Olinda, e também teve poucas apresentações em Recife e João Pessoa, sinalizando um início de expansão da Mostra para os próximos anos.

A cidade recebeu de braços abertos o evento que chega maduro à sua 6ª edição. Com patrocínio do BNDES e da Petrobrás, e apoios de peso como da Funarte e do Ministério da Cultura, entre outros, as ruas foram tomadas e o palco para as apresentações musicais foram – com a exceção do show dos cubanos do Buena Vista Social Club – as Igrejas. E este é, possivelmente, o único problema da Mostra. É absolutamente rica, multidisciplinar e bem estruturada, mas, ao mesmo tempo, extremamente restrita.

Show do Buena Vista Social Club Stars. Por Beto Figueiroa.
Show do Buena Vista Social Club Stars. Foto: Beto Figueiroa.

Desde a divulgação anterior ao evento percebe-se certa timidez em alcançar grandes públicos, e assim se mantém no decorrer da Mimo. Muitas pessoas em Recife, por exemplo, não sabiam que estava acontecendo o evento na cidade vizinha. Os ingressos para as apresentações dentro das Igrejas eram distribuídos duas horas antes, gratuitamente. Contudo, as enormes filas que se formavam, não eram totalmente contempladas com as entradas, especialmente para as apresentações mais concorridas.

A produção encontrou duas soluções para eufemismar esta sede do grande público: A primeira foi disponibilizar telões do lado de fora de onde ocorriam as apresentações, mas que, ainda assim, era voltado apenas para um público pequeno, o que causou algumas tensões com pessoas que não assistiram ao show apenas pelo fato do telão não estar virado para fora. A segunda foi sobrepor apresentações, fazendo com que a programação se chocasse em alguns momentos e, assim, obrigando o público a escolher entre, por exemplo, terminar de assistir ao concerto de uma pianista mineira aclamada pela crítica internacional, ou tomar desde o início a apresentação de um multi-instrumentista pernambucano. É uma decisão difícil e que não pode ser tomada sem uma ponta de arrependimento – ou por deixar de prestigiar a pianista até o fim, ou por perder o início da apresentação do pernambucano. Além disso, para quem não pudesse estar aqui em Olinda, a produção disponibilizou no site da Mostra um link ao vivo.

ST. PETERSBURG STRING QUARTET, no Mosteiro de Sao Bento. Foto: Beto Figueiroa.
St. Petersburg String Quartet, no Mosteiro de Sao Bento. Foto: Beto Figueiroa.

Ainda assim, é um verdadeiro desperdício que fiquem tão compactadas as apresentações, apesar de ser indescritível a sensação de experimentar na perfeita acústica eclesiástica ao lado de obras centenárias, apresentações musicais inesquecíveis, como a de Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, e do eterno mestre, Hermeto Pascoal. A solução? Se os palcos fossem externos com certeza a qualidade sonora não seria nem de longe tão boa, mas a proposta atingiria a um número muito maior de pessoas, já que o investimento para o evento é público. Além disso, diminui-se o risco de grandes concentrações dentro de patrimônios sensíveis, o grande motivo para a restrição popular. Mas dizer que a Mimo é totalmente excludente também é uma inverdade. Os ingressos eram, sim, distribuídos, além dos workshops e Master Classes desenvolvidas com alguns dos músicos participantes da Mostra, e o melhor: tudo gratuito.

Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, na Igreja da Sé. Foto: Marcelo Lyra.
Gonzalo Rubalcaba, David Linx e Sérgio Krakowski, na Igreja da Sé. Foto: Marcelo Lyra.

Há que se ser justo: a Mostra Internacional de Música em Olinda é digna de ser aplaudida de pé – como foram encerradas várias das cerca de 30 apresentações que passaram por aqui – incluindo também projeções de filmes ligados ao universo da música que estiveram nas principais salas de cinema do Brasil recentemente, e poucas apresentações teatrais. Seu maior trunfo é o primor pela qualidade da programação sem nenhuma preocupação comercial. A Mimo, sem dúvida alguma, deve entrar no calendário de eventos culturais anuais que são imperdíveis, meticulosamente bem feitos e vanguardistas e, se continuar exatamente assim, do jeito que está, já pode ser considerada um verdadeiro sucesso. Mas a  Mimo pode e deve ir mais longe.

Victor Gouvêa

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Agosto 11, 2009

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rafael_castro

Eu realmente me surpreendo com as novidades musicais que andam a meandrear pelas vias da internet. Recentemente, por indicação, pimba!, outra descoberta musical. Claro, sempre sob uma ótica pessoal. Rafael Castro é o nome do batuta que me caiu à porta nesses bate-papos de isso-vale-a-pena-escutar-agora-logo-já.

Invejável, todos os seus 8 discos (produções feitas de próprio punho e suor, às graças da disseminação da tecnologia e uma fonte surpreendente de criatividade) foram lançados em tempo notável, 3 anos, tempo recorde admirável para a Produção Independente.

Não bastasse, as músicas trazem sempre um quê de novidade e questionamento. Aos que me acompanhavam na audição, ele soava como Raul Seixas, com voz grave a la Arnaldo Antunes, sempre sagaz, com humor afinado, muita presença de palco e sentimento para a música. Eu enxerguei muito da música brega em suas composições, da crítica humorada do Língua de Trapo, da vontade de criar o novo e rever o mundo, dos Tropicalistas e Jards Macalé, talvez um neo-brega, sabe-se lá.

Difícil e injusto classificar. Em entrevista em Lençóis, para um jornal local, pedia para tirar foto consertando uma máquina de lavar. Por que não? Em “Vou te encher de Birinight”, “Fobia aguda de pessoas que batucam mal”, “Silvio Santos para presidente”, “Coração trouxa”, “Me chama pra dançar”, “Cerca”, “Amor Amor Amor” entre tantas outras, transitando diversos estilos musicais.

Só resta escutar e esperar por novidades. Quiçá um show por aí, na sua cidade?

Conheça Rafael Castro no Palco MP3 e no MySpace.

Bruno Incáo

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flip_2009_luminoso

A FLIP seduz desde o primeiro contato. A proposta por si só encanta: um acontecimento literário em uma cidade histórica. Já basta. Qualquer pessoa que goste de Literatura se empolga. E se esse for o mais expressivo evento literário no Brasil, acompanhá-lo se torna obrigatório, mesmo que de longe. Então, o sujeito começa no fim do ano anterior a acompanhar as notícias. Homenageado, convidados, novidades, tudo. É até difícil acreditar que isto possa acontecer num país onde ler está longe de ser prazer para a maioria da população.

Por mais que ela também tenha um foco na promoção e venda de livros (dos autores que ali estão), os horizontes dos leitores acabam abrindo mais. Os clássicos são vistos na escola (e muito mal), já os contemporâneos nem sempre. Como descobrir os olhares de autores chineses sobre o gigante asiático; ou conhecer a irlandesa que teve seus livros banidos de seu país; ou assistir ao primeiro encontro público depois do rompimento amoroso de dois artistas franceses…? São coisas que infelizmente poderiam ser curtidas muitos anos depois de acontecerem, quando já virarem clássicas. Guardadas as devidas proporções, é como viver em 1922 e perder a Semana de Arte Moderna. Àquela época seria perdoável, mas chega a ser inadmissível com a violenta comunicação destes tempos não saber o que está acontecendo (pelo menos!).

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Da mesma maneira, seria um crime fazer um evento destes sem o menor envolvimento com a comunidade, principalmente sem os pequenos. Apropriar-se da cidade por alguns dias, discutir cultura e não acrescentar nada? Por mais dinheiro que os turistas possam trazer, ainda sim seria hediondo. Por isso, a Flipinha, apesar de não ter os holofotes principais, é parte fundamental do evento. O trabalho acontece durante o ano todo com as crianças da cidade de Paraty e culminam na Flip. As crianças são incentivadas a ler, os professores participam de oficinas para trabalhar melhor os autores em sala de aula e há diálogo com outras artes.

flipinha_2009_porquinho_da_india

E como é natural que as crianças cresçam e não se interessem mais pelo conteúdo infantil, esse ano foi criado um espaço para os adolescentes aproximarem-se (e manterem-se próximos) da Literatura: a FlipZona. Assim como a Flipinha, ela tem programação independente, porém abordando assuntos que chamem mais atenção deles: mídias digitais, produção/criação de áudio e vídeo, fotografia, jornalismo, exibição de filmes enfim. E está programada para também ser um projeto continuado, que aconteça durante todo o ano envolvendo as escolas de Paraty.

A Fllipinha e a FlipiZona são o mínimo que se espera de um bom evento, aquilo que a Virada Cultural de São Paulo se esquece por exemplo.

flip_2009_tenda_do_telao

E como nem tudo são flores, os adolescentes continuarão crescendo e se tornarão adultos. O que restará para eles? A catraca, ora! Mesmo sendo patrocinado pelo conglomerado Itaú Unibanco (gigantesca instituição financeira; lucrou 2 bilhões só no primeiro trimestre de 2009), o evento é pouco gratuito. Há duas tendas: uma menor (tenda dos autores, R$30), onde ocorrem as chamadas “mesas”, que são as apresentações dos autores (é fechada) e uma maior (tenda do telão, R$10), onde há telões em que os pagantes podem entrar, sentar e assistir com um conforto mínimo. Para quem não paga (às vezes porque os ingressos acabaram após duas horas da abertura da venda pela internet), tem que se contentar com as beiradas da Tenda do Telão e torcer para não chover. Este é o maior problema do evento: o acesso. Sim, o Ministério da Cultura apóia a FLIP por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, porém falta ainda “descatracalizar” a festa. Há muitos espaços (internos e externos) na cidade que podem receber telões, democratizando um pouco mais.

flip_2009_tenda_do_telao04

Já que a parte de sugestões começou, faltam saraus, mesas menores de discussão onde o público possa participar (principalmente sobre o homenageado), exposições, música, teatro… E por outro lado, o número de pessoas já é bastante grande. Talvez fosse a hora de pensar em mudar a data, pois os fins de semana do mês de julho têm fluxos maiores devido às férias escolares. Ainda há muito trabalho a ser feito, mas a organização parece estar na trilha certa.

A energia que a cidade tem durante a festa é ótima. Inegável. As pessoas que se encontra lá são muito interessantes. Mesas são importantes, mas não tudo. Se elas fossem tão fundamentais, poderíamos ficar em casa e assistir tudo via internet. Quando for programar a sua Flip, escolha algumas mesas, veja muitos eventos da OFF Flip, separe tempo para sentar e conversar, tire fotos, encontre e conheça pessoas.

flipinha_2009_familia

Texto gigante. E não deve ser o último sobre a FLIP.

Olé

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Já falei muito aqui que o mais importante na FLIP são os encontros. Assisti a uns artistas de rua que faziam pequenos improvisos que eram interessantes.

Parece que também se encontraram pelo acaso da festa. Os homens já se conheciam. Pediram um ponto de energia, o restaurante empolgou-se e cedeu. E a terceira integrante veio de um universo paralelo agregar o espetáculo com suas poesias.

As apresentações eram simples, como experimentações ingênuas, despretenciosas, incertas. Tentei captar isso com a câmera e fiz os vídeos abaixo, mas acho que não consegui. Se usar a imaginação, talvez entenda o que tentei dizer.

Como é bom ser ingênuo!

Olé

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Um dos critérios para avaliar uma peça infantil é perceber o quanto as crianças avançam em direção ao palco no decorrer da apresentação. Manter a atenção dos pequenos é para poucos, mas a tarefa parecia muito simples para o grupo Coletivo Teatral Sala Preta, que apresentou a peça O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio, ao final da Flipinha 2009 (programação infantil da FLIP).

coletivo_sala_preta_douradinho_flip2009_6458O texto surgiu do livro (quase homônimo) Amiga lata, Amigo Rio, de Thiago Cascabulho. Tanto em um como em outro (claro!), a estrutura que dá vida aos rios é bem mastigada para que o público entenda bem como poluímos tanto o meio. Uma das questões mais importantes apontadas é que enquanto somos pequenos, somos críticos e repudiamos esse modo, mas quando crescemos esquecemos a maneira como pensávamos. Reflexão importante também para quem é novo na categoria “adulto”, já que a “sustentabilidade” entrou em pauta há pouco tempo na sociedade, tema pouco comum no currículo escolar dos mais velhos (esse histórico parece ser melhor discutido no livro Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores, de Fábio Cascino, 1999 e no capítulo 5 da tese de mestrado Pedra da Miraguaia: Tema gerador de atividades pedagógicas em Educação Ambiental de Ana Matilde da Silva, UNIVALI, 2006).

capa_amiga_lata_amigo_rio1Tudo isso já rendeu ações que saem do campo literal: o Projeto Douradinho, que além de levar a consciência ambiental com o trabalho da pedagoga Anésia Gilio, também estimula a leitura com a distribuição do  livro nas escolas.

Quem quiser conhecer o livro, o projeto e o grupo de teatro acesse as respectivas páginas abaixo:

Livro e projeto pedagógico: Projeto Douradinho.
Coletivo Teatral Sala Preta: salapreta.wordpress.com
Thiago Cascabulho (autor do lvro): blog

coletivo_sala_preta_douradinho_flip2009_6441

Até mais!

Olé

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Além das concorridas mesas, acontecem alguns eventos paralelos durante a FLIP. Em grande parte, eles são da OFF FLIP, que é um circuito de acontecimentos culturais paralelo à programação oficial.

Um destes eventos aconteceu na igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios. Foi uma ótima apresentação do acordeonista Bruno Moritz tocando músicas eruditas e populares.

Infelizmente “Asa Branca” não foi gravada, mas seguem outros quatro registros:

Dança Húngara nº 5 , por Bruno Moritz

Moto perpetuo, por Bruno Moritz

Variações Paganinianas, por Bruno Moritz

Acompanhei-te Cavaquinho, por Bruno Moritz

Músico excelente. Quando soubermos de novas apresentações, divulgaremos em nosso twitter.

Até!

Olé

PS: mais sobre Bruno Moritz no sítio Clube do Acordeom.

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Julho 05, 2009

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Assim como a FLIP proporciona ótimos encontros pessoais (não estou falando das mesas, mas sim daqueles pessoais mesmo), três grupos de Maracatu se encontraram algumas vezes pelas ruas de Paraty e fizeram aquela contagiante festa democrática.

Abaixo, dois vídeos de uma destas festas proporcionadas pelos grupos Baque do Vale (Taubaté-SP), Caracrachá (São Paulo-SP) e Palmeira Imperial (Paraty-RJ).

Até!

Olé

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Julho 04, 2009

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Às vezes, os turistas não têm a mínima noção de onde pisam. Ocupam o espaço e acham natural que ali esteja reservado para eles.

Ontem à tarde, aqui em Paraty, por volta das 17h15, um grande grupo de pessoas quis chamar a atenção para sua realidade. Eram caiçaras, indígenas (Guaranis) e quilombolas que vieram mostrar que existe vida pra trás das correntes do Centro Histórico de Paraty (mais precisamente, entre o sul de Angra dos Reis e norte de Ubatuba) e que estão ali há várias gerações.

Assim como muitas coisas são de mão dupla, a abertura da Rodovia Rio-Santos (BR101) trouxe o turismo (também, dinheiro e destruição) a essas cidades do litoral norte paulista e sul fluminense. Mas tudo isso ainda não acabou. A especulação imobiliária ainda está lá.

Quem eram os donos dos casarões do Centro Histórico de Paraty lá pelo final do século XIX? Restaurantes, bares, lojas, pousadas? Creio que não. E hoje, os grandes condomínios à beira mar e resorts constróem em terras inexploradas?

Conheça mais sobre esse movimento que até Chico Buarque apoiou em sua participação na FLIP 2009, acompanhando o blog forumtradicionais.blogspot.com.

Até mais!

Olé

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Junho 30, 2009

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Aconteceu em São Paulo, de 18 a 28 de junho, a “Festa do Teatro”, iniciativa do Grupo Parlapatões que visava distribuir ingressos de peças de teatro que estão em cartaz na capital. Com objetivos duvidosos, os organizadores contaram com o apoio da Prefeitura de São Paulo, do Metrô, do SESC-SP, Ministério da Cultura e patrocínio exclusivo do Grupo CCR, administradora de concessionárias rodoviárias, distribuindo um total de 30 mil ingressos para filas intermináveis que se formaram nos postos de entrega.

2009_festa_teatro_sp

O evento teve algumas falhas bastante evidentes, como a distribuição de ingressos em dias úteis, a falta de controle nas filas, e assim por diante. Contudo, estes problemas logísticos devem ser facilmente corrigidos nas próximas edições, que decerto acontecerão. Mas, em minha opinião, esta “Festa do Teatro” teve um problema gravíssimo, que acaba sendo o cerne da questão da democratização da cultura, inclusão cultural, e todas estas temáticas insolúveis.

Quando surge uma proposta deste tipo, fico com um pé atrás. Não é novidade pra ninguém que distribuir ingressos gratuitamente não vai fazer com que as pessoas de baixo poder aquisitivo e baixo embasamento educacional retirem seus ingressos e participem de apresentações culturais. O buraco é muito mais embaixo! Estas pessoas não freqüentam estes lugares porque não pertencem a eles, e não sentem o mínimo vínculo com esta realidade. Um belo exemplo desta verdade crua pode ser visto no genial “Entre os muros da escola”, de Laurent Cantet. No filme, torna-se evidente que não existem demagogias capazes de minimizar a sensação de não-pertencimento, e principalmente o enorme abismo entre as classes desfavorecidas e a apreciação cultural.

Era nítido nas filas que as pessoas que estavam lá eram as mesmas que se interessam por cultura, arte, discussões rançosas e aparências alternativas, da qual a maioria de nós faz parte despreocupadamente. Apesar de ter sido patrocinado por uma empresa privada, acredito que os organizadores acabaram pensando mais em causa própria – com a garantia das casas lotadas por três finais de semana – do que na real democratização cultural, e viraram as costas para o gritante fato de que o acesso à cultura é de natureza excludente, se alicerçado nas mesmas estruturas. Com esta verba, acredito que seria possível a construção de propostas que efetivamente ligassem uma parte à outra, como a criação de grupos de teatro com atores de baixa renda, tendo-os como parte ativa do processo, a exemplo do grupo fluminense Nós do Morro, que faz um belíssimo trabalho na Favela do Vidigal desde 1986.

A concepção da democratização da cultura deve, antes de qualquer coisa, suprimir os interesses individuais em detrimento de um bem maior, para que, desta forma, não volte a ser apenas mais uma discussão em rodas intelectualóides.

Victor Gouvêa

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Junho 08, 2009

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paraty03

Em menos de um mês, acontecerá um dos mais esperados encontros literários: a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Não é como algum evento de inverno em Campos do Jordão aparenta ser: vazio, onde se tem a impressão de que muitas pessoas vão apenas para ostentar. Essa festa é uma ótima oportunidade para conhecer gente interessante, desde os autores e palestrantes até o público do evento.

Por que Paraty? Paraty tem um conjunto arquitetônico rico, foi um dos grandes portões de entrada do Brasil e viveu seu auge no período aurífero. Estagnou no tempo. O que trouxe a região (litoral Sul do RJ até o Litoral Norte de São Paulo) novamente para o mapa brasileiro foi a estrada Rio-Santos (anos de 1950). E isso ajudou Paraty a cultivar lendas e tradições em tal ambiente de outros tempos, com pouquíssima interferência desenvolvimentista dos grandes centros. Assim como na Biologia, é uma relação de protocooperação: ao mesmo tempo em que a FLIP traz aspectos de requinte intelectual à cidade, a cidade dá ambiência de séculos passados ao evento.paraty021

Então, não é nada inteligente ir para a FLIP sem o conhecimento razoável de Paraty. Não só a história oficial contada por séculos, mas também seus contos passados pela oralidade. Por isso, recomendo o livro Paraty - Encanto e Malassombras, de Thereza e Tom Maia.

Esta obra é resultado de pesquisa realizada entre os anos de 1973 e 2005. Pelo nome, pode dar a impressão de que tem muitas páginas com as “malassombras”, mas não. Ele é um “guia cultural” com a história da cidade, pequena descrição sobre as festas, bibliografia (boa lista de referências para outros estudos) e histórias contadas por moradores envolvendo alguns pontos da cidade. Estas últimas foram escolhidas por serem as mais repetidas “dentre as mais de sessenta fitas gravadas” em campo. Também há muitas coisas em inglês. Isso tudo dá corpo às 166 páginas do livro.

Farinha de Suruí
Aguardente de Parati,
Fumo de Baependi,
É só comê, bebê, pitá e caí.

Os autores são o casal Thereza e Tom Maia, que se apaixonaram pela cidade desde a primeira visita em 1958. Junto com outras pessoas, também são responsáveis pela fundação do Instituto Histórico e Artístico de Paraty. Outra obra que parece ser bastante interessante deles (ainda não li) é Paraty – Religião e Folclore, premiada pelo MEC. Isso mostra o quanto se dedicaram pela memória material e imaterial da cidade.

foto de Gláucio Dutra Rocha
Foto de Gláucio Dutra Rocha

Caso não esteja com sono durante a madrugada, vale pegar o livro e dar uma volta pela cidade procurando “os seres da noite”. Com certeza a FLIP será outra depois de encontrar o “Coveiro Ladrão” ou talvez a carruagem de Dona Geralda…

Boa festa!

Olé

PS: Este documento pode ajudar, caso não encontre o livro até a FLIP.

Crédito da última foto: Gláucio Dutra Rocha.

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Maio 31, 2009

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Postado por Olegário (Olé!)

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Algumas amigas resolveram montar um grupo de leitura. Como todos temos vidas atarefadas, o ideal seria cadastrar as obras na internet para que pudéssemos trocá-las. Puro compartilhamento de estantes! Mas estávamos com uma grande dificuldade em fazer isso de maneira fácil e acabou ficando um pouco esquecido.

Mas nem tudo estava perdido! Uma delas, a Tauana, nos apresentou neste fim de semana o Skoob! É uma rede social de leituras. Nela você pode dizer quais livros leu, avaliá-los, dizer os que está lendo, resenhar, expor sua estante, dizer os que deseja, seus favoritos, os emprestados, os que quer trocar… Até diz se as pessoas têm um perfil de leitura parecido, tudo baseado nos cadastros de livros, avaliações etc.

Uma ótima ferramenta para fazer com que as pessoas leiam mais!

Pra mostrar como o Skoob está a todo vapor, alguns números extraídos do blog do serviço:

524.738 quantidade de livros lidos pelos usuários do Skoob.
18.337 quantidade de livros que estão sendo lidos.
109.119 quantidade de livros que ainda serão lidos.
1.381 quantidade de usuários relendo um livro.
9.114 quantidade de leituras abandonadas.

Top 3 dos livros mais lidos no momento:
1 - A menina que roubava livros (310 - leitores)
2 - A Cabana (207 - leitores)
3 - Eclipse (178 - leitores)

Top 3 dos livros mais abandonados:
1 - O Mundo de Sofia (290 - abandonos)
2 - A menina que roubava livros (115 - abandonos)
3 - O Código Da Vinci (105 - abandonos)

Top 3 dos livros que os usuários mais querem trocar:
1 - O Código Da Vinci (20 - querem trocar)
2 - O caçador de pipas (13 - querem trocar)
3 - O Monge e o Executivo (12 - querem trocar)

Os desenvolvedores já adiantaram através do twitter que mais novidades virão e tornarão ainda melhor a sua navegabilidade. Quem sabe se não adicionam links para livros raros  (ou de domínio público) que estejam em pdf. Uma parceria com a Brasiliana USP seria sensacional! (Assista a esta reportagem também).

Ah, o sítio é em português, mas permite o cadastro de obras em outras línguas.

Tenho certeza que irá pegar (pelo menos entre os que gostam de ler). E tem tudo para impulsionar quem não tem o costume. É a internet nos fazendo ficar cada vez mais offline.

Boas leituras!

Olé

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Postado por Olegário (Olé!) | 0 comentário

Maio 21, 2009

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Postado por Olegário (Olé!)

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auto-retrato_vick_muniz

Neste sábado fui à exposição do artista brasileiro Vik Muniz que está acontecendo no MASP, e tenho algumas observações a tecer sobre. Antes de ir, me muni de algumas críticas feitas por pessoas entendidas no assunto, para saber o que estavam pensando sobre o artista e a exposição. Sabe que eu não tive a melhor impressão do mundo?  Críticos metendo o pau no cara, principalmente referindo-se à arte dele como comercial. Confesso que adquiri um dilema. Para mim, outras formas de expressão artística são mais fáceis de identificar como sendo um trabalho comercial ou conceitual, pensado ou vendido, construído ou parido. Por exemplo, na música. É gritante a diferença de um trabalho do Harmonia do Samba, para um do Paulinho da Viola. No teatro, por exemplo, como citei anteriormente, do Teatro Oficina para as peças que acontecem no teatro da Gazeta. Que dirá, então, dos livros? Mas… e nas artes plásticas?

Pode até ser uma ignorância enorme da minha parte fazer uma comparação destas, mas, a partir deste raciocínio, poderíamos considerar algumas das mais famosas obras renascentistas como comerciais, afinal muitos quadros pintados por grandes mestres da pintura foram feitos sob encomenda de famílias aristocratas da época. E não é, por sua vez, comercial? O mérito destes pintores fica esvaziado em algum momento por terem realizado obras para pagar o pão de cada dia? Acho que é uma reflexão pertinente. O Brasil tem atualmente três grandes nomes de artistas plásticos que figuram em todo o mundo como ícones de uma contemporaneidade artística criativa: Romero Britto, Beatriz Milhazes e Vik Muniz. Curiosamente, todos eles são acusados pelos mais puritanos de fazerem arte comercial.

Quando eu estudei Artes, da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, recebi alguns ensinamentos de uma professora muito interessante. Profª Juce. Tentava insistentemente levar para nós todo o conceito de arte que estava embutido, desprovendo-nos de crítica no sentido negativo da palavra. Bem me lembro certa vez que nos trouxe a uma Bienal de Artes de São Paulo, e apresentou  algumas instalações-conceito. Muitos - inclusive eu - torcemos o nariz para obras que não se enquadravam naquele limiar de aceitação que estabelecemos para as artes plásticas, baseados em experiências prévias claramente impressionistas. Ela buscava inserir aquela obra dentro da nossa margem crítica para aprendermos, no mínimo, a respeitar o trabalho daquele artista. Desta forma, aprendi na prática a respeitar qualquer manifestação artística que me fosse sugerida, buscando sempre sua essência como forma de justificar sua existência.

Assim que entrei na exposição de Vik Muniz, já com alguns pré-conceitos formados como supra citei, e, tão logo li o release da exposição e do pensamento do artista, quebrei imediatamente todas as barreiras que foram criadas. Entendi que poderia esperar mais do que arte comercial daquele cara. É óbvio que às vezes ele esbarra mesmo no comercial. Mas acredito que isso não faz desmerecer tudo aquilo que ele faz de bom, e seria um reducionismo enorme e injusto. São as obras mais sinestésicas e efêmeras que eu já vi na minha vida. Vik faz releituras de grandes obras utilizando-se de materiais perecíveis, como calda de chocolate, geleia e pasta de amendoim, por exemplo. Não é possível passar por aquela exposição e não se sentir tocado por nada. Eu, por exemplo, fiquei extremamente comovido pela série que ele fez com açúcar, reproduzindo fotos de meninos que conheceu em uma viagem ao Caribe, e tinham seu destino traçado inevitavelmente para a colheita de cana-de-açúcar. É de uma ironia e perspicácia muito fina a sequência apresentada. Ou, ainda, a forma como acontece a comunicação do material utilizado com a obra, ou a incessante experimentação de novas técnicas. Talvez, ainda, como a percepção do material e da obra se desdobre em mais de uma vertente conforme a distância que se aprecia. Aliás, vale a dica de ir à exposição durante a semana, pois costuma encher nos finais de semana, o que impede que cada um experimente tranquilamente diferentes distanciamentos das obras, e suas sensações.

sugar_valencia

Concluo garantindo: Não perca esta exposição. Comercial ou não, Vik Muniz justifica seu reconhecimento internacional pela genialidade contida em pequenos detalhes. É preciso ter olhos de ver.

Victor Gouvea

Realização e coordenação: Aprazível Edições e Arte – Leonel Kaz e Nigge Loddi
Patrocínio: Bradesco Seguros e Previdência
Direção de montagem: Emílio Kalil
Programação visual: Jair de Souza
Vídeos: Fabio Ghivelder
Montagem: Arquiprom / Fernando Arouca
Exposição: de 24 de abril a 12 de julho de 2009
Horário de visitação: terça a domingo e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Ingresso:
Inteira – R$ 15,00
Estudantes - R$ 7,00
Menores de 10 anos e maiores de 60 anos – Gratuito
Às terças-feiras a entrada é gratuita
Local: Museu de Arte de São Paulo – MASP
Endereço: Av. Paulista, 1578
Telefone: (11) 3251 5644
Classificação etária: livre
Estacionamento pago no local
Acesso a deficientes

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