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agosto 19, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

A instalação de um ambiente de trabalho mínimo para análise de dados usando ferramentas python, a partir de uma instalação nova de Ubuntu 12.04:

sudo apt-get install matplotlib build-essential python-dev libzmq-dev 
sudo apt-get install python-pip
sudo pip install ipython
sudo pip install pandas
sudo pip install tornado
sudo pip install pyzmq

A instalação com pip ao vez de apt-get é para ter acesso à versões mais novas das pacotes. Inicialmente, tinha feito a instalação de matplotlib usando pip e esta parou várias vezes, com erros do tipo

src/_png.cpp:10:20: fatal error: png.h: No such file or directory

Neste casos, uma busca no Google leva ao Stackoverflow que geralmente indica o pacote Debian/Ubuntu que está faltando, neste caso, libpng-devel. Consegui instalar, mas ao rodar ipython, estava usando o Agg backendo ao vez de TkAgg. Depois disto, resolvi instalar numpy e matplotlib via apt-get. Para pandas e ipython, porém, acho que vale a pena usar as últimas versões.

Para ver se tudo está funcionando, fiz

ipython notebook --pylab inline

e isto levante um FireFox com interface notebook do ipython.

Palavras-chave: dados, dataviz, ipython, matplotlib, pandas, python

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março 01, 2012

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Postado por Ewout ter Haar

Palavras-chave: pró-aluno, stoa, uspnet

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outubro 26, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Era mesmo um absurdo (veja aqui e aqui). Agora o Royal Society faz a única coisa que faz sentido: liberar tudo mais antigo que 70 anos. O Oldenburg pode descansar em paz...

Aaron Swartz FTW!

Palavras-chave: acesso aberto, oldenburg, open access, rea, royal society

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agosto 15, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

O jornalista Ricardo Bomfim do Jornal do Campos me procurou para fazer uma matéria sobre o Stoa (e, espero, o novo Stoa). Veja algumas perguntas que ele fez depois via email e as minhas respostas.


2011/8/13 Ricardo Bomfim <xxxxxx@gmail.com>

Existe alhum balanço de quantas pessoas entraram no Stoa por ano desde que ele foi criado em 2006? Se ele existe o senhor poderia me fornecer este balanço?

Fiz um gráfico rapido. O gráfico começa em maio de 2008 quando tivemos aprox. 5000 usuários. Depois que começamos oferecer o moodle do stoa, o número de usuários cresceu rapidamente, como está vendo, com aprox. 5000 usuários novos por semestre.

stoa cadastros 2008-2011

2011/8/15 Ricardo Bomfim <xxxxx@gmail.com>

[...] se possível o senhor poderia explicar exatamente quais seriam as vantagens de incluir no Stoa a possibilidade de trazer usuários de fora da comunidade?
 

Há uma demanda por parte dos usuários do Stoa e o Moodle do Stoa para incluir "visitantes" nestes sistemas.

No Moodle do Stoa (o ambiente virtual de aprendizagem) a demanda é sobretudo de professores, querendo oferecer cursos para pessoas de fora da comunidade USP. É o caso por exemplo da Faculdade de Educação e ajudamos eles criar ambientes em apoio do cursos para professores da rede pública: http://moodle.stoa.usp.br/course/category.php?id=131

No Stoa (a rede social) as razões devem ser parecidas: criando a possibilidade de interagir online com pessoas que não são da comunidade USP.

Vamos resolver isto por meio de várias estratégias:
 1. Já é possível, agora mesmo, para qualquer ex-membro da comunidade USP (qualquer um com número USP) se cadastrrar

 2. Já é possível, agora mesmo, cadastrar pessoas de fora, mas é um processo manual. Vamos implementar software que permite qualquer membro da comunidade USP "convidar" (e assim, se responsabilizar) pessoas de fora.

3. Mas no médio prazo, avaliamos que a solução é "Federação" de redes sociais. Os sistemas da USP e, digamos, UNICAMP, o PUC ou o Mackenzie deveriam falar uma língua comum, que permite membros do sistema da USP interagir com membros do sistema da Unicamp. Com a sua "identidade digital" da USP poderia participar de eventos na Unicamp.

Num sistema federada uma pessoa pode usar a sua identidade "acadêmica" em determinados contextos e ao mesmo tempo manter outras identidades ou "personagens" em outras redes sociais com Facebook ou Orkut. Assim asseguramos que a nossa vida online não fica somente determinado pelas condições de contorno dado por empresas e corporações com interesses diferentes do que instituições de ensino, por exemplo.

Palavras-chave: stoa

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julho 21, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

(Atualizado no dia seguinte, veja embaixo)

Referente a este problema, agora tem uma solução. Estou baixando os 32GB de artigos do Philosophical Transactions, todos já no domínio público. Porém, o JSTOR afirma os seus direitos "autorais" pelo trabalho de digitalização (veja outra discussão sobre este assunto [1]).

Mas como a USP paga para ter acesso a estes material (termos), nada mais razoável do que ter acesso rápido no meu próprio computador. Claro que não pretendo publicar este material.

Tem várias complicações, uma delas é a dificuldade de usar software P2P na rede do IFUSP. Mas assinei o termo de responsabilidade e espero que o sistema de monitoração não bloqueia o meu IP.

Outra complicação é que aparentemente pode pegar até 35 anos de cadeia nos EUA para fazer download de arquivos automatizado do JSTOR, mesmo tendo direito a acesso a eles e mesmo se não publicou eles. Swartz, que com 23 anos de idade já fez muito mais para o bem comum do que a grande maioria de nós, merece nosso apoio.

[1] A questão é: apos escanear e digitalizar obras no domínio público, qual direitos posso cobrar por este esforço? A Brasiliana cobre uma licença bastante generoso (efetivamente CC-BY-NC), muito mais generoso que o JSTOR faz (todos os direitos reservados). Mesmo assim, pode se debater se a Brasiliana deve usar uma licença ainda mais generoso ou não.

Atualização dia 22:

Não consegui baixar os pdfs dos acervos. O IFUSP bloqueiou o meu IP. Agora tenho que justificar os meus atos e uso da rede do IFUSP com um pouco mais de cuidado. Vamos lá.

Para começar, dois pontos sobre o modelo de negócio do JSTOR.

1. Não nego a legalidade do JSTOR restringir o acesso aos scans deles, mesmo sendo scans de conteúdo em domínio público. As ideias são de todos nós e pertencem a humanidade, mas eles fizeram o trabalho de escanear tudo e coloclar na rede. Reconheço que a sociedade usa monopólios artificiais como direito autoral para incentivar a criação e disseminação de ideias.

2. Mas pode-se questionar a legitimidade (moral) de restringir o acesso aos scans da forma que o JSTOR faz. Sim, é razoável o JSTOR recuperar os custos do escaneamento. Mas com probabilidade grande isto foi feito com dinheiro público. O custo marginal de distribuir o conteúdo de forma livre é desprezível (via bittorrent, no WikiSource, etc.). No caso de conteúdo em domínio público e de valor histórico como os acervos do Philosophical Transaction simplesmente não é razoável restringir o acesso a um público tão pequeno.

Assim, vejo duas maneira de justificar o meu download dos scans:

1. Simplesmente como ter acesso mais fácil e conveniente a arquivos a qual já tinha acesso via a assinatura da USP no JSTOR. Ficaria muito mais fácil fazer data-mining e não dependo mais de acesso à rede (útil quando sua instituição bloqueia seu IP!).

2. Como ato de hacktivismo. É no interesse público ter os scans em mais servidores do que somente aqueles controlados por uma única entidade.

Finalmente, uma coisa que aprendi hoje é que já existia um projeto de disponibilizar os acervos da Philosophical Transactions no WikiSource. Não entendo onde eles obtêm, legalmente, os scans.

Palavras-chave: jstor

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junho 02, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Deixei um comentário no post do Cristiano, mas ele apagou. Repito no meu próprio espaço então.Tinha escrito mais ou menos o seguinte:

Oi Cristiano, foi vc que escreveu este texto ou o tal do Reinaldo Azevedo? Neste último caso, ele te deu permissão de re-distribuir o texto, e ainda sob as condições de uma licença CC-BY-SA?

Obviamente a resposta é não. Pessoalmente, não entendo porque reproduzir um texto de outra pessoa literalmente no seu blog. É para mostrar que concorda, para mostrar os seus amigos? Mas temos twitter e facebook para isto. E agora "Like" do Facebook e o "Mais-1" do Google.

Ainda entenderia se teria algum perigo do texto original sumir. Ou para fins de fazer algum comentário crítico e permitir o seu leitor fácil acesso ao texto em discussão. Mas geralmente não é o caso, as pessoas só copiam o texto. Que sentido tem?

Enfim, não sei...

 

Palavras-chave: copiar, creative commons

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fevereiro 22, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

Em resumo, grupos são coleções, entidades juntados em algum espaço fechado. Redes são coleções de entidades autônomos com ligações entre si. Sistemas e softwares educacionais tradicionalmente suportam grupos melhor. Estamos aprendendo como melhor dar apoio à redes.

Leitura recomendada: Terry Anderson, Networks Versus Groups in Higher education e Three Generations of Distance Education Pedagogy

O tipo de sistema que suporta grupos no ensino é chamado de "Ambiente Virtuais de Aprendizagem" Apesar do nome abrangente,  AVAs na verdade são sistemas bastante restritos na sua finalidade. São desenhados para ser estritamente análogos a sala de aulas. Assim como salas de aula, AVAs são espaços onde um grupo de pessoas se reúne. Os grupos (classes, turmas) são previamente formados. Sempre tem apoio a diferentes funções ou papeis: o docente, o tutor e o aluno tem permissões diferentes. Grupos existem dentro de muro que distingue os dentro dos de fora e portanto requerem controles de acesso.

A USP tem muitas AVAs: o Moodle da IME, o Moodle da Rede Aluno, tem o sistema COL, o Tidia-ae. Modéstia não me impede recomendar o Moodle do Stoa, o AVA mais bem administrada da USP...

Sistemas em apoio a Redes Socais são qualitativamente diferentes. Numa rede existem ligações entre entidades autônomos. Uma característica de redes é que não têm centro. No Stoa, no Orkut, no Facebook o conceito central do sistema é o perfil, o espaço de um indivíduo. Claro, existem ferramentas de formação de grupos, mas não são previamente formados, não refletem necessariamente a estrutura pre-existente da instituição. Um blog geralmente é de uma pessoa, não do grupo. 

A diferença entre a Rede Social Stoa (stoa.usp.br) e o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) o Moodle do Stoa (moodle.stoa.usp.br) é a diferença entre redes e grupos

Indo um pouco mais a fundo, é interessante considerar três teorias (melhor: concepcões) de aprendizagem e as suas consequências para o design de ambientes educacionais. 

 

  1. "Behavioural" / Cognitivo.  É um modelo onde o instructor e o conteúdo está no centro das atencões, transferindo conteúdo / conhecimento. "Content is King". O AVA se adequa muito bem a este modelo. 
  2. Construtivismo (Social). Desde Dewey, Freire, etc. há críticas no modelo "transferência de informacão". Conhecimento é construído, em grupos, e é altamente dependente do contexto social. Uma metodologia alternativa ou complementar reconhece que aprendemos fazendo. As metodologias pedagógicas são mais centradas no aluno ou pequenos grupos. Exemplo: Problem based learning. O AVA, com seus espaços para grupos e ferramentas colaborativas se adequa muito bem a este modelo.
  3. Connectivismo. Inspirado em redes, aprendizagem é tido como um processo de fazer ligações (entre idéias, fatos, pessoas, conceitos). Sistemas que permitem estudantes criar o seu próprio espaço são mais adequados a este tipo de aprendizagem. São sistemas abertos, com formação de grupos ad-hoc, sem "centro" e organizado pelos participantes, sem imposições "de cima".

Palavras-chave: AVA, col, educação, grupos, moodle, redes, redes sociais, stoa, tidia

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fevereiro 11, 2011

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Postado por Ewout ter Haar

O que o Henry Oldenburg, fundador e primeira secretário do Royal Society, revolucionário de comunicação científico, primeiro editor das Philosophical Transactions, diria sobre os seus sucessores?

O primeiro artigo científico na primeira revista científica, agora disponível para todo mundo com uma conexão na internet... atrás de um pedágio!

[via Michael Nielsen:

 

Oh, this is just absolutely fantastic --- it's the _very first_ article in the very first journal ever, by Henry Oldenburg. 1665. And, guess what? It's behind a #?@!)%$ paywall. Well done, folks.

]

 

 

Palavras-chave: acesso aberto, oldenberg, open access, royal society

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setembro 19, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Everything will be on the test. And the test will be everything. But fear not; for in the end, everyone of us will be tested. And everyone of us wil be found... wanting.

(Treme, temporada 1, episódio 9 )

 

Palavras-chave: educação, existencialismo, treme, vai cair na prova?

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maio 11, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

[Fiz uma apresentação para um grupo de trabalho que está pensando sobre Design Instrucional no contexto de projetos de Educação apoiado pelas tecnologias novas de informação e de comunicação.]

Intro: A Web Moderna é fundamentalmente diferente de mídia de massa. Permite consumidores passivos se tornarem produtores ativos. As novas tecnologias de rede e a Web participativa em particular têm aplicacões óbvias ao desenho dos nossos ambientes educacionais. Vou mostrar alguns resultados, acertos e erros do projeto Stoa e mostrar algumas possibilidades de ferramentas da Web para a construcão do ambiente online do curso de licenciatura em ciências. 

Três teorias (melhor: concepcões) de aprendizagem ou pedogagias e as suas consequências para o design de ambientes educacionais. 

  1. "Behavioural" / Cognitivo.  É um modelo onde o instructor e o conteúdo está no centro das atencões, transferindo conteúdo / conhecimento. "Content is King". 
  2. Construtivismo. Desde Dewey, Freire, etc. há críticas no modelo "transferência de informacão". Conhecimento é construído, em grupos, e é altamente dependente do contexto social. Uma metodologia alternativa ou complementar reconhece que aprendemos fazendo. As metodologias pedagógicas são mais centradas no aluno ou pequenos grupos. Exemplo: Problem based learning. 
  3. Connectivismo. Inspirado em "Redes". A característica de redes é que não tem centro: não existe uma única entidade que controla o andamento das coisas. 

Experiências com Stoa

  - Proposta vs usos reais (mero espaco de arquivos e blog, mas se é só isso, porque não usar plataformas genéricos: uso de espaco institucional tem que ter algum valor agregado)

  - Número de cadastros, aumento enorme quando Docentes comecam usar Moodle

  - Tensão entre "plataforma aberta" e hiearquias tradicionais da Universidade. 

Proposta concreta

 - Moodle. Mais: usar Buddypress para dar "um espaco na Web" para alunos, tutores e docentes. Ferramentas de criacão de grupos (Fóruns). Portal que agrega atividades. Outras ferramentas: Wiki, Web-Conferência (DimDim), email e lista de email, Chat. Ferramentas "Web2.0" de terceiros.  

 - Precisamos planejar / pensar sobre

  + como incentivar o uso destes espacos (usar tutores e docentes)

  + como evitar que os participantes se sentam perdidas no espaco virtual: organizacão vs autonomia

  + até onde deixar "aberto" as contribuicões 

  + é mesmo uma boa ideia mesclar formal - informal e pessoal - institucional?

  + qual métricas / indicadores acompanhar?

  + qual servicos "de terceiros" podemos usar? Google Apps, outros servicos Web2.0. 

Referências:

 - "Lost in social space: Information retrieval issues in Web 1.5" http://journals.tdl.org/jodi/article/viewArticle/443/280 

 - "The Theory and Practice of Online Learning, second edition" http://www.aupress.ca/index.php/books/120146

Palavras-chave: educação, TIC, web, web social

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Postado por Ewout ter Haar

Um jornalista me pediu opiniões sobre "o uso da redes sociais na internet". Isto não acontece muito mas dar opiniões e palpites todo mundo gosta. Veja o que respondi

2010/5/11 Gladson Angeli Donadia :

>
> Qual é a principal função das redes sociais na internet atualmente? São
> voltadas para o lazer ou usada também como ferramenta de trabalho?

Primeiro, gostaria ampliar e generalizar o conceito de "rede social"
para incluir tecnologia da Web que permite indivíduos *participar* e
*contribuir* ao vez de ser meros  consumidores de conteúdo. Desde o
seu início (anos 70 e 80) a Internet possibilitou estas novas
tecnologias "participativas" (pense usenet, ICQ, IRC, email, etc.) mas
foi somente com a Web nos anos 90 e 00 o seu uso ficou realmente
massificado (pense blogs, sites de compartilhamento (de fotos e
vídeos) e também redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter).

Voltando a pergunta: acredito que estas ferramentas de expressão
individual inicialmente eram ignorados pelas corporações e
instituições tradicionais (como empresas, universidades e governos).
Assim, inovações na Web como weblogs, fóruns e redes sociais eram
inicialmente voltados para atividades informais. Mas logo as
instituições se deram conta do potencial das novas ferramentas e agora
estão tentando usá-las para os seus fins.

No caso de Educação,  as novas tecnologias de rede e a Web
participativa em particular têm aplicações *óbvias* ao desenho dos
nossos ambientes educacionais. Desde a massificação e universalização
da Educação há críticas (Dewey, Paulo Freire, etc.) do modelo
"transferência de informacão" onde o alunos assiste passivamente aulas
e procure-se criar modelos pedagógicas que permitem e incentivam
posturas mais ativas por parte dos alunos. Tecnologia de redes socais
se encaixa muito bem nesta busca por modelos pedagógicas novas.

> O senhor acredita que as redes na internet podem substituir as redes de
> contatos fora do mundo virtual?

Não gosto muito da expressão "mundo virtual", porque dá a impressão
que tecnologia de rede, a Internet ou a Web seria de alguma forma
"irreal". Na verdade, são meios de comunicação e plataformas de
expressão, tão real quanto qualquer outro meio de comunicação como
telefone ou plataforma de expressão como livros.

Então, acredito que seria melhor perguntar de que forma as novas
tecnologias de rede podem contribuir para os nossos objetivos na vida.
Certamente acredito que eles tem muito a contribuir.

> O senhor acredita que o número de redes sociais tende a crescer?

O uso das novas tecnologias de rede vai crescer cada vez mais, sem
dúvida. Uma pergunta interessante é se vai ter *concentração* de
mercado, da mesma maneira que alguns grandes conglomerados de mídia
detém o controle de uma fração cada vez maior do mercado de
comunicações. Certamente há o perigo que grandes empresas como Google
e Facebook monopolizam cada vez mais a Web, mas sou otimista que as
forças de-centralizadores conseguem manter um equilíbrio neste
sentido.

> O senhor acredita que seja vantajoso aderir a várias redes sociais, ou o
> internauta deve focar em uma que seja voltada para o público de específico
> de sua área de atuação?

Acrdito que é perfeitamente natural criar vários "personagens" na rede
e na Web e tentar manter eles separados. Poderia criar uma identidade
profissional por exemplo e manter um blog sobre assuntos
profissionais, criar um perfil na linkedin ou na rede social da sua
empresa ou escola, etc. E ao mesmo criar um outro blog, outros perfis
em outros redes para manter uma personagem informal.

Me parece importante ter este flexibilidade.

> O senhor tem alguma dica de atitude correta e de comportamento inadequado
> dentro de uma rede social na internet?

http://pt.wikipedia.org/wiki/Netiqueta e obedecer as regras de boa
educação que aprendeu na sua casa e sua escola.

> De que forma o uso das redes sociais na internet podem ser prejudiciais?
>

Da mesma forma que outras interações sociais podem ser prejudiciais ou
beneficiais. As características de pessoas não mudam porque usam uma
determinada tecnologia de comunicação. Agora, é verdade que pessoas
tendem a ser menos educadas quando a comunicação é feito a distância,
parece que se esqueçam que tem uma pessoa real no outro lado. Aí pode
ter um papel para a escola: devem ensinar e socializar as crianças
para lidar bem com estas novas tecnologias.

> Gladson Angeli
> Repórter
> RPC – Gazeta do Povo
WWW.RPC.COM.BR
Espero que ajudou, entre em contato se precisar algo a mais, Atenciosamente, Ewout ter Haar - CEPA - IFUSP F. 30916696

Palavras-chave: educação, redes sociais, web

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abril 16, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Foi bem interessante (e muito bem organizado pela Rosa e outros do FMVZ) o evento sobre Acesso Aberto, Políticas Institucionais de Informação e Repositórios Digitais que ocorreu hoje no FMVZ. Espero que em breve teremos vídeo disponível. 

Infelizmente não pude participar na parte de manhã, mas assisti a palestra do Prof. Eloy da Universidade de Mino em Portugal, que explicou com muita clareza todos os conceitos de Acesso Aberto e os resultados obtidos no repositório dele. É conhecido, mas vale a pena lembrar sempre, que o que resolve é um mandato. O Eloy (se não me engano, ele não falou sobre isto durante a sua palestra) recorreu a iniciativas como prêmios financeiros para incentivar os autores a colocar o seu trabalho no seu repositório. Mas não adianta: no mundo inteiro, somente um mandato faz com que mais do que 10-15% dos autores submetem o seu trabalho. O aval e incentivo da administração é necessário para um repositório institucional dar certo.

Depois houve uma mesa redonda onde pudemos re-lembrar três iniciativas muito interessantes (além do esforço de implementar um repositório e política de informação institucional na USP liderado pela Profa. Sueli)

O Scielo, já faz alguns anos, mantém o seu  repositório de artigos, dando toda vantagem do método Scielo aos seus autores (isto é uma iniciativa distinto do Scielo, o conjunto de revistas de acesso aberto). 

O Tycho é um dos sistemas corporativos da USP que faz a integração de dados de várias fontes (Lattes, dados em outros sistemas corporativos da USP, dados de projetos de pesquisa, etc.) e gera relatórios. Os grafos de colaboração são um barato, mas vale a pena se cadastrar e olhar os dados não-públicos (vai ter acesso a relatórios da sua Unidade). 

O nome Tycho vem do astrônomo Tycho Brahe, que observou por muitos anos e com grande precisão as planetas, Júpiter, Marte, etc. (sacou?). É uma metáfora muito apropriado porque como é sabido, o próprio Tycho Brahe interpretou mal os seus dados e chegou a conclusões completamente erradas. Foi o seu assistente, o Kepler, que usou os dados para revolucionar a astronomia. Dar acesso a seus dados a terceiros, tornar os seus dados públicos é essencial, isto é a lição.

O sistema de teses e dissertações da USP começou por volta de 2000 e conseguiu se renovar tecnicamente todos estes anos. A grande virada (de acessos e submissões) veio em 2007 quando a USP obrigou todo mundo depositar a sua tese. Marcante foi a observação que quando um pró-reitor exigiu que antes de baixar um pdf com a tese seria mostrado uma tela do tipo "este material é da USP e concordo com este e aquela condição", os acessos ao site caíram drasticamente. A razão: Google não indexa mais os pdfs, diminuindo muito a visibilidade das teses.

Palavras-chave: acesso aberto, scielo, teses, tycho

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abril 13, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Nesta quinta, dia 15 de abril das 9h até 18h ocorrerá um seminário sobre Acesso Aberto (à produção intelectual) na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia na USP Capital (Anfiteatro Altino Antunes). 

De manhã participarão representantes do Arquivo Público do Estado de São Paulo (Lauro Ávila Pereira), do Acervo da Biblioteca Nacional (Ângela Bittencourt), e do projeto da USP Brasiliana Digital (Edson S. Gomi). 

A tarde os três diretores Prof. Dr. Mauro Wilton de Sousa (ECA), Prof. José Antonio Visintin (FVMZ) e Prof. José Jorge Boueri Filho. (EACH) discutirão Política Institucional de Informação e Prof. Dr. Eloy Rodrigues da Universidade do Minho, Portugal falará sobre "Repositórios e políticas institucionais de Open Access ao serviço das universidades e dos pesquisadores". 

O evento será transmitido ao vivo pelo sistema IPTV da USP. Acesse a transmissão por este URL: www.acessoaberto.usp.br/evento-fmvz

Inscrições e mais informações: bibfmvz @ usp.br (mas para assistir às palestras não é preciso se inscrever). 

[Se estiver interessado nesta temática, veja também o  Simpósio Internacional de Políticas Públicas para Acervos Digitais acontecerá de 26 a 29 de abril no Auditório Jaraguá do Novotel Jaraguá, em São Paulo]

Veja a programação completa:

Palavras-chave: acesso aberto, evento, fmvz, iptv, seminário

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abril 09, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Está em discussão o "Marco Regulatório Civil da Internet Brasileira", um texto que - se entendi bem - deve orientar outros trabalhos jurídicos relacionados com a regulamentação da internet no Brasil.

Sendo um texto que orienta a confecção de outras leis, é apropriado que trata de princípios ao vez de detalhar. O texto fala de princípios como liberdade de expressão, direitos como privacidade e acesso etc. A maioria dos itens são vagos e não específicos como por exemplo o conceito de "neutralidade da rede" ou formulações como "Os sítios e portais de entes do Poder Público devem buscar: [...]  fortalecimento da democracia participativa.".

Remoção de conteúdo

Mas há uma exceção: a questão da remoção de conteúdo, que é detalhado com grande precisão na Seção IV, artigos 20-25. Veja este artigo muito bom no Valor Online (reproduzido no blog do Luis Nassif, não disponibilizam o artigo online para mim...).

Em questão está a responsibilidade de um provedor de hospedagem ou conteúdo como youtube ou um fórum online. Há uma tensão entre a necessidade de permitir anonimidade por um lado (essencial numa democracia, para permitir expressões que seriam reprimidos por medo de represálias) e por outro lado a necessidade de poder reprimir certos expressões que firam os direitos dos outros (calúnia, direitos autorais, etc.). Como destaca o Valor, é a solução proposta é inovadora no mundo.

A ideia é que ocorre uma pequena dança entre os três partes, o ofendido, o provedor e o responsável por disponibilizar o conteúdo. O objetivo é estabelecer quem é o responsável legal pelo conteúdo em questão. Qualquer um pode notificar o provedor, que então é obrigado remover o conteúdo imediatamente (!). O provedor notifica o usuário responsável pela publicação. Este então pode contra-notificar, assumindo a responsabilidade legal. Só então o provedor fica livre de responsabilidade legal.

Basicamente é um "lazy evaluation": somente se houver um problema o responsável legal é determinado. Certamente é muito melhor do que exigir a identificação (nome, RG, endereço etc.) prévia se quiser contribuir algo na internet.

Uma primeira objeção seria que este protocolo inviabiliza a publicação de qualquer material controversial anonimamente: qualquer um pode tirar o material do ar fazendo um simples notificação. Mas a proposta prevê que neste caso qualquer pessoa pode assumir a responsabilidade pelo conteúdo, amenizando este perigo.

Mesmo assim, me parece que do jeito que a proposta está, fica muito fácil fazer notificações sem base legal. Por isso, é importantíssimo que o artigo 24, que diz que abusos serão punidos, fica muito bem formulado.

A grande maioria dos publicadores na Web são semi-anônimos e para estes casos acredito que a solução proposta pode funcionar bem, protegendo os provedores. Porém, talvez seria bom introduzir de alguma forma o caso que os publicadores são efetivamente identificáveis desde o ínicio. Neste caso, a Lei não devia exigir a remoção do conteúdo e simplesmente reconhecer que a responsabilidade legal é o publicador, enquanto o provedor fica isento. 

Aplicação ao Stoa?

Conceitos que se aplicam a sociedades não se aplicam diretamente a instituições e muito menos a aplicações dentro de instituições (basicamente porque pode escolher de não participar de uma instituição, mas não pode sair da sua sociedade [Rawls 2001]). Mesmo assim, podemos se inspirar e como administrador do Stoa gosto muito da ideia de não ser responsabilizado pelo conteúdo que membros da USP colocam nos seus espaços.

Mas não acredito que o texto ou ideias deste marco civil se aplica diretamente na USP ou no Stoa. Acho que todo mundo concorda em linhas gerais com os princípios expostos, mas tudo depende das detalhes de implementação. Qual o objetivo do Stoa ou da USP? (certamente tem outros objetivos do que uma sociedade democrática). Como conflitos são resolvidos?  Por exemplo, na sociedade com um todo deve ser possível ofender alguém (dentro de certos limites, claro, mas me parece que ofender). Por outro lado, na USP podemos muito bem tentar reprimir ofensas pessoais e incentivar normas de conduto acadêmico.

 

Espero que ideias da rede como mero duto de pacotes (princípio end to end), a manutenção da privacidade das comunicações etc. etc. sejam aplicados dentro da rede da USP também, mas simplesmente porque mostraram ser princípios eficazes: estimulam participação e inovação. Da mesma maneira, espero que fica cada vez mais claro que plataformas abertas e com baixa barreira de participação são úteis para atingir os objetivos da USP. Espero que um dia teremos o nosso próprio marco civil, especializado para instituições acadêmicas.

Palavras-chave: internet, marcocivil

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abril 01, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Privacidade e Autenticidade da Comunicação

Um professor que coloca as notas no Júpiter ou alguém que usa o webmail da USP se identificam com as suas senhas ao servidor remoto. É importante manter estas senhas secretas, por razões óbivas. Mas além das limitações do cérebro humano, que não consegue lembrar senhas complexas, tem dois outros problemas.

Primeiro: o usuário entre a senha no seu navegador (Internet Explores, FireFox, Chrome, etc.), que então manda para o servidor remoto. Qualquer um que consegue interceptar a comunicação entre o navegador e os servidores na USP pode capturar estas senhas. E não é difícil interceptar tráfego na rede. 

Segundo: como o professor ou usuário do webmail.usp.br (por exemplo) sabem que de fato estão falando com o servidor certo? Podem estar sendo enganado por um esquema de phishing.

A solução para ambas os problemas é criptografia, que consegue assegurar a privacidade, a integridade da comunicação e da autenticidade da identidade de quem está no outro lado do canal de comunicação. Se ambos os lados, o navegador e o servidor remoto, compartilham um segredo (uma senha ou chave secreto), podem construir um canal seguro de comunicação.

 

[MAS! Como falei no post anterior, encriptar sem autenticar não tem valor. Se você não sabe com quem está se comunicando, é melhor nem tentar encriptar as suas mensagens porque a sua segurança é ilusório.]

A pergunta é: como distribuir estas novas senhas/chaves secretas? Não é viável para todos os usuários do webmail.usp.br ir fisicamente no CCE para trocar um segredo. É um problema do tipo ovo e galinha: é preciso compartilhar um segredo antes de comunicação, para que o usuário possa usar a sua senha de identificação de maneira segura, mas como é possível mandar um segredo sobre um canal não-seguro?

Criptografia de chaves públicas

Criptografia de chaves públicas (ou assimétrica) parece resolver esta questão. Por incrível que pareça, é possível estabelecer um canal seguro de comunicação com alguém só sabendo um número, que pode ser público (!). Pode encriptar a sua mensagem com este número público e somente o outro lado (o dono de um número secreto correspondendo a o número público) pode decriptar. Por exemplo, se te dou este número

30 81 89 02 81 81 00 BD 0D D6 B5 20 8A 6C A2 40
E7 1C 1E 31 26 C9 97 69 B3 A7 4B FD 8E DB CE 38
79 51 F9 19 67 7B 6F D6 D5 54 6B DF 4E E0 2F 4B
A4 67 14 1B 85 A3 34 18 E5 C2 28 FF 74 7E 5B 82
6D A7 7C 91 4C EF C1 18 99 70 FF 57 AD 0B CF 6D
96 26 C2 3E 06 F0 B6 11 0E 04 9A 0E 65 FC 51 5B
7F DE 8C 20 56 09 3E 2F 1E 6E 44 56 11 33 C5 40
BE 25 9D A7 FD CE F7 17 10 DD 84 AB F5 D6 03 16
41 FA 44 86 7C DE 99 02 03 01 00 01

você pode se comunicar de forma segura com o servidor por trás do stoa.usp.br. Só o servidor do Stoa vai poder entender o que está mandando. Resolve as nossas problemas?

Não! Como você sabe que de fato este número pertence ou está associado a o domínio stoa.usp.br? Novamente, há o problema do ovo e a galinha: um impostor podia muito bem apresentar uma chave pública qualquer a um navegador desavisado. Só porque eu falei que este é a chave pública do domínio stoa.usp.br não quer dizer nada! (Como você sabe que eu sou quem estou dizendo, estamos falando de comunicação a distância).

É preciso um mecanismo que associa chaves públicas com domínios como o stoa.usp.br (ou, em geral, com nomes ou alguma outra forma de identificação). 

Certificados

Public key infrastructure seria uma solução. Neste sistema, "Autoridades Certificadores" (CA) em que todos confiam "assinam" um certificado, dizendo basicamente que esta chave pública de fato pertence a este domínio. Se visitar um site usando https (note o "s" de segura), o seu navegador e o servidor fazem uma pequena dança.

O servidor diz, "este é a minha chave pública, pode usar para encriptar (por exemplo) a sua senha". O navegador diz "ah é? como sei que é você?". O servidor mostra o seu certificado, "está vendo? este certificado diz que esta chave público pertence ao domínio "exemplo.com". O navegador pensa "hmmpf, qualquer um pode fazer um certificado fake". Mas o navegador pode checar a autenticidade do certificado pela assinatura da entidade em que todos confiam (Thawte, na imagem em baixo).

Se tudo der certo, cores tranquilizantes como azul ou verde e ícones de cadeados aparecem na barra de endereços do seu navegador.

Repare um problema: qual são as entidades que todos confiam? O governo? Uma empresa nos EUA? É o ovo e a galinha de novo! Mas aí entram os vendedores / fornecedores de navegadores e sistemas operacionais: eles dizem efetivamente qual "Autoridades Certificadores" são confiáveis. Se o chamado "certificado raiz" do CA que assinou o certificado do stoa.usp.brestá instalado no seu navegador, e

Em Windows, é o Microsoft que determina que é ou não é confiável. No FireFox, é a fundação Mozilla. [Veja este post do Ed Felten para alguns problemas deste modelo.] 

Seja como for, é esta a tecnologia que temos. Mas o que acontece se o site apresenta um certificado que não é assinado por uma entidade aprovado pelos fabricantes de navegadores? Veja o que o meu navegador faz quando um site me apresenta um certificado que não é assinado por uma entidade em que confia:

De fato, é o interface de usuário aterrorizante é correto, porque um certificado assinado por uma entidade desconhecida é indistinguível de um ataque "Man in the Middle", onde o atacante intercepta e de-codifica todo tráfego. Novamente, sem saber com quem está falando, encriptar o tráfego é completamente inútil.

Certificados auto-assinados

Na minha opinião, certificados que não são assinados por CAs já pre-instalados nos navegadores de usuários comuns, são piores do que inúteis. Existe, em princípio, a possibilidade de instalar o certificado raiz de um CA qualquer no seu navegador. Mas usuários comuns não conseguem fazer isto e de qualquer maneira, como este certificado raiz vai chegar neles de forma segura. 

Se usar certificados auto-assinados (ou atrelados a CAs não-instalados por padrão em IE ou FF) você na verdade está treinando os seu usuários a abrir exceções e não prestar mais atenção nos ícones de cadeia, etc. 

A única situação onde faz sentido usar certificados assinados é onde o administrador controla todos os computadores e navegadores que os seus usuários vão usar. Isto faz sentido num ambiente corporativo. Mas para serviços, "de consumidor", voltado para o público, é essencial que o certificado já está instalado. 

Porque na USP não se usa TLS?

Bom, alguns sites usam. Os sistemas Júpiter ou MarteWeb, do DI, usam. Mas sites importantes como o webmail.usp.br ou os webmails das unidades não usam. [O webmail da IME use um certificado auto-assinado].

Ao meu ver, a razão é que certificados são difíceis de comprar se não tiver cartão de crédito internacional, inviabilizando o uso em projetos pequenas. [Recentemente fiquei sabendo que talvez não é tão difícil: parece que pode comprar via a imprensa oficial].

Iniciei uma conversa na lista de sysadmins da USP que vou resumir num outro post.

Porque o Stoa não usa TLS?

Na verdade, usamos o ano passado, com um certificado que comprei com o meu próprio dinheiro. Agora o CCE gentilmente comprou certificados do Thawte para os domínios stoa.usp.br e moodle.usp.br. Vou configurar o Stoa em breve para que pelo menos as senhas trafegam seguramente. 

Palavras-chave: criptografia, segurança, senhas, ssl, sysadmin, tls, web

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Postado por Ewout ter Haar | 3 comentários

março 15, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Redes sociais na Web são objetos interessantes de estudo, na interface entre sociologia e ciência de computação. A primeira coisa que vem à mente é estudar as propriedades estruturais: quem está ligado com quem? Veja um exemplo do crescimento do Stoa, por exemplo

Mas é claro que na realidade as ligações entre pessoas não sáo binários, sim ou não. Algumas ligações são mais fracas do que outros. Granovetter ("The Strength of Weak Ties", American Journal of Sociology, Vol. 78, Issue 6, May 1973, pp. 1360-1380.) foi um dos primeiros de conceituar ligações fracos e fortes entre pessoas (mostrando que para achar um novo emprego era importante ter conexões sociais "fracas" porque via estas conexões é possível  achar oportunidades mais diversas.)

Embaixo incorporei uma palestra interessante de Karrie Karahalios que relatou os resultados de trabalho que fez com Erich Gilbert quantificando o grau de intensidade das conexões entre pessoas no Facebook. Na apresentação e no paper é mostrado como um modelo simples, usando dados como número de palavras trocados em mensagens, distância geográfica, número de vezes que aparece em fotos, número de contatos mútuos, etc. etc. pode prever com quase 90% de precisão a intensidade da conexão (como relatado numa entrevista feito em laboratório). 

Não está no paper (que é do início de 2009),  mas fizeram algo muito mais interessante: tendo o modelo em mãos, transferiram o para Twitter e aplicaram nos contatos lá. O resultado é We Meddle, um serviço que tente agrupar os seus contatos no Twitter baseado na suposta intensidade da conexão. 

E funciona até razoavelmente bem! Primeiro, o programa agrupa os seus contatos em grupos: 

(pode fazer ajustes manuais). Mas o interessante mesmo é o cliente de Twitter que fizeram. Este cliente mostre os Tweets dos seus contatos maior ou menos baseado na intensidade da conexão: pode mostrar sobretudo Tweets das suas conexões mais próximos, por exemplo. 

É claro que é só um começo, mas achei muito interessante a ideia de um cliente Twitter (ou outra plataforma de streaming) que faz mais do que simplesmente mostrar tudo em ordem de chegada. De fato, há um monte de coisas legais que pode ser feito com as informações agora disponível da Web Social.

Fique com a apresentação, vale a pena.

Palavras-chave: conexões, web, web social

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março 13, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Para fazer desenvolvimento de software é preciso usar uma plataforma. Antigamente, só tinha plataformas proprietárias, controladas por uma única entidade, como por exemplo Microsoft ou IBM. Este tipo de software roda no seu desktop (ou, no caso de computação móvel, no seu handset), usando as bibliotecas fornecidos pelo sistema operacional. 

Recentemente ficou viável fazer aplicativos "da Web". Um dos exemplos mais impressionantes, para a época, era gmail, que mostrou que aplicativos da Web podiam competir em pé de igualdade com aplicativos "nativos" do ponto de vista do usuário.

Para o usuário, o que importa é somente funcionalidade. Mas para desenvolvedores e do ponto de vista de diversidade e "generatividade" o que importa é quem controla a plataforma. Nenhuma única entidade ou organização controla a Web. Por bem ou por mal, é um conjunto de acordos entre fornecedores de navegadores, desenvolvedores Web, fornecedores de servidores Web, provedores de serviço de internet, etc. etc. 

E isto leva a uma baixa barreira de entrada de novas idéias (ninguém precisa pedir permissão para começar implementar uma nova idéia) e assim uma grande quantidade de inovação. Por outro lado, levar a própria plataforma para frente é mais difícil, justamente por não ser controlado por uma única entidade. 

Estamos numa fase de proliferação de plataformas. O domínio de Windows acabou. Também, a distinção clara entre aplicativos no desktop e aplicativos da Web na verdade não é tão claro: Adobe AIR por exemplo é um espécie de intermediário, um chamada plataforma para fazer "Rich Internet Apllications", aplicativos que rodam no desktop, mas ao mesmo tempo desenvolvedores podem usar técnologia da Web (css, javascript). 

Supostamente, para aplicativos nativos ou do tipo Adobe AIR a experiência do usuário é melhor, porque podem usar as funcionalidades mais avançadas da plataforma. Veja então a minha surpresa com a minha experiência de usuário quando instalei TweetDeck, um cliente para Twitter escrito com AIR. A instalação era tranquila (embora que sempre fico nervoso ter que dar acesso ao meu computador, aplicativos Web são muito mais seguros neste sentido). Mas olha o que acontece quando roda o programa pela primeira vez:

 Notem:

 

  1. um diálogo modal avisando que o aplicativo está fazendo uma conexão com servidor não confiável  (até olhei o certificado, porque acho que entendo de certificados e criptografia na internet, mas não tinha nenhuma informação que podia me ajudar tomar uma decisão racional).
  2. um diálogo de atualização da própria plataforma
  3. um tweet, solto no meio da tela
  4. um diálogo de introdução do aplicativo
  5. no fundo, mais um monte de ruído visual
Dizem que plataformas proprietários fazem interfaces de usuários melhores, mas obviamente não é verdade. Na Web, as interfaces são mais simples, mas razoavelmente bem padronizadas (e assim viram "intuitivo", por hábito). 

Não gosto de AIR. Para desenvolvedores, não acredito que vale a pena correr o risco de ficar dependendo de uma única controladora, no caso Adobe, que pode de repente tirar o tapete. Para usuários, não vale a pena se submeter aos idiosincracias de mais uma plataforma. A Web faz tudo que precisa e de forma muito melhor e segura.

Próximo episódio: porque não deveriam desenvolver para Apple. 

 

 

Palavras-chave: Adobe AIR, AIR, desenvolvimento, plataformas, software, web

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março 05, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Muito estranho a "Nota da SBF sobre cooperação nuclear Brasil - Irã" que a entidade distribuiu antes de ontem via email entre os sócios e ontem colocou no site. 

Como discutido exaustivamente nos comentários no espaço de Luis Nassif, o Irã obviamente é signatário do tratado de nãoproliferação nuclear, como uma rápida visita a Wikipedia poderia ter confirmado.

O resultado do erro são especulações infrutíferas sobre eventuais motivos políticas. É claro que a SBF pode e deve ter posições sobre política, mas sempre no sentido da palavra como na expressão "políticas públicas" e não no sentido "política partidária".

Veja aqui para uma análise inteligente da política internacional brasileira neste assunto. (via Paulo Roberto de Almeida)

Atualizado 10/3/2010: Nota de Esclarecimento da Diretoria

 

Palavras-chave: sbf, wtf

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Postado por Ewout ter Haar | 3 comentários

fevereiro 22, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

A sua presença na rede determina grande parte da sua imagem pública. É importante, portanto, controlar esta presença. Em particular, é cada vez mais importante ter o seu próprio domínio na Internet. Mas, no Brasil, ainda é complicado demais. Segue uma explicação do problema e uma proposta solução.

O que aconteceu? 

Faço parte de um grupo de pessoas liderado (efetivamente) por uma pessoa muito inteligente e de alta instrução. Apesar destas duas características, ela não conseguiu completar o processo de comprar um domínio e começar montar um site simples.

Veja ao lado o formulário de cadastro de um domínio novo. Vai tudo bem até os campos "Delegações DNS". Como uma pessoa normal vai saber como proceder?

O que fazer?

Qualquer pessoa deve poder criar o seu site (no seu próprio domínio) com alguns cliques. Ou, se esta pessoa assim deseja, deve ser fácil redirecionar o seu próprio domínio para o seu provedor de identidade de preferência (um perfil no Facebook ou Google por exemplo). É possível comprar um domínio no Uolhosts, Locaweb ou provedores de serviços do gênero. Mas estes soluções criados pela iniciativa privada não atendem as necessidades do público em geral. A criação do seu próprio domínio devia ser um serviço público.

Estou propondo então, que o registro.br extende os seus serviços para efetivamente virar um provedor de serviço público. Este serviço deve

  1. Melhorar o interface de usuário do registro.br (ou criar outro interface voltado para usuários não-especialistas). Usuários não devem precisar entender conceitos como "delegação" ou DNS para comprar o seu domínio.
  2. Fornecer um painel de controle de domínio que permite o dono do domínio escolher fácilmente o provedor de hospedagem do seu site, mudar records DNS (em particular o CNAME) e até configurar um redirecionamento em nível de HTTP.

Ao criar o seu domínio, poderia ser oferecido um cardápio de opções: a mais simples permite o usuário configurar um HTTP 301 para um URL da sua escolha, outras opções incluem escolher provedores de hospedagem e delegações de DNS.

Deste modo, indivíduos poderiam escolher o seu provedor de hospedagem (do tipo uolhosts, locaweb, etc. etc.) ou gestores de conteúdo (do tipo Wordpress.com, Google Apps, Yola, Weebly Uolhosts, etc. etc.) sem ficar dependentes dos mesmos. Mudar de provedor seria só uma questão de entrar no interface do registro.br e apontar o domínio para um outro provedor.

O primeiro ponto é relativamente faćil de implementar por um desenvolvedor versado em RoR, Django ou uma ferramenta do gênero. É uma questão de vontade.

O segundo ponto representa uma mudança fundamental.  Agora, o registro.br não fornece serviços de DNS. Um indivíduo pode comprar e controlar o seu domínio por intermediação de um chamado provedor de serviços ou usar o interface extremamente restrito do próprio registro.br.

É justamente isto o argumento sendo feito aqui: o registro.br deve, como serviço público, oferecer um serviço DNS  público. Este serviço será restrito a cadastro de domínios, gerenciamento do seu domínio e no máximo oferecer um "webhop" (HHTP 301). Controlar o seu domínio é um direito de todos e é o dever do poder público de habilitar esta liberdade efetivamente.

Justificativa

Parece que tecnologia de rede alterna arquiteturas distribuídas (p2p, redes horizontais, princípio "end to end", etc.) com arquiteturas hierárquicas e centralizadas. Em cima da internet (TCP/IP) construiu-se DNS, em cima da Web construiu-se Google. Estamos num momento em que serviços centralizadores como provedores de rede sociais (Facebook, Twitter, etc.) ficam cada vez mais importante na nossa sociedade.

É preciso que o pêndulo volta na direção de de-centralização. Padrões emergentes como Webfinger, Activitystreams, XRD, OAuth etc. vão viabilizar esta nova fase de descentralização na Web. Mas para isto poder acontecer é essencial que seja possível para uma pessoa comum controlar a sua presença na rede.

Este liberdade fundamental não pode ficar restrito a especialistas. É um objetivo declarado do cgi.br de democratizar o acesso à rede. Da mesma maneira, controlar o seu domínio devia ser um direito de todos.

Objeções?

  1. Já temos provedores de serviço. Sim, mas não provêem um serviço adequado para a nova realidade na Web, onde domínios cada vez mais precisam ser controlados por indivíduos. O mercado ainda pense em prover serviços para pequenos empresas. Geralmente são empresas de hospedagem com fortes incentivos de manter os seus clientes "presos".

    É necessário desvincular hospedagem de serviços de DNS, justamente para dar liberdade para o cliente escolher a solução de hospedagem ou "provedor de identidade".  É perfeitamente aceitável que hospedagem seja um serviço provido pelo mercado e que haja competição baseado em funcionalidade, portabilidade dos dados, etc. Domínios e "identidade" na internet, por outro lado, são um bem importante demais para deixar a mercê do mercado.

  2. Vai ser o fim da anonimato na internet. Não proponho que controlar o seu domínio seja obrigatório. Sou absolutamente contra tentativas de vigiar e controlar o que acontece na internet. A proposta é só no sentido de democratizar e popularizar o sistema de domínios no Brasil. E sim, DNS é uma hierarquia, com uma cadeia de responsabilidades. Se quiser usar um domínio, vai ter que se identificar.

Palavras-chave: DNS, domínio, registro.br

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fevereiro 11, 2010

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Postado por Ewout ter Haar

Google Buzz agrega e re-distribui a sua atividade para sua rede de contatos, com interface dentro do gmail. Acabo de implementar uma gambiarra no Stoa que permite publicar no Google Buzz os seus posts no seu blog no Stoa (e atividade geral também, se não me engano). Para isto

 

1. edite o seu perfil / aba "Contato" coloca no campo "Conta do Google" o seu nome de usuário do Google (o nome que aparece em http://www.google.com/profiles/suaconta)

2. Agora siga as instruções aqui: inclua stoa.usp.br/suacontanostoa/weblog/ no seu perfil do Google "Adicionar links personalizados ao meu perfil" (não esqueça clicar "Essa é uma página de perfil sobre mim." (E acho que deve salvar as mudanças...

3. Navegue para https://sgapi-recrawl.appspot.com/ e força um re-crawl. Em Gmail/Buzz, se tudo deu certo, o seu blog deve aparecer entre os "connected sites".

Deixe um comentário se conseguiu...

 

Palavras-chave: buzz, feeds, gbuzz, real-time web, stoa

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Postado por Ewout ter Haar | 0 comentário

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