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outubro 27, 2009

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Postado por USP Notícias

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abastecimento
Água das escolas de Ribeirão Preto é boa, aponta estudo da EERP
Apesar de ser essencial para a vida, a água pode trazer riscos à saúde humana, principalmente à saúde da criança, se houver comprometimento da sua qualidade. E é justamente o que revela uma pesquisa feita pela bióloga Janaína Castania, no mestrado defendido na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, em agosto passado. O estudo analisou a água de 20 instituições de ensino infantil da rede pública municipal de Ribeirão Preto, e concluiu que há escolas que necessitam de pequenas ações corretivas no fornecimento, mas no geral a água está boa para consumo.

Durante a pesquisa foram analisadas amostras provenientes de torneiras da entrada, de bebedouros e das cozinhas de 8 creches e 12 escolas de ensino infantil, um terço do total das escolas municipais infantis, que abrangem proporcionalmente as cinco regiões do município (norte, sul, leste, oeste e central). O estudo foi feito em duas fases no ano de 2008. A primeira amostra foi estudada de maio a julho e a segunda, de setembro a dezembro. Foram feitas análises físicas e químicas, para determinação dos teores de turbidez, que são as sujeiras encontradas na água como partículas de areia, pH, cloro, nitrato e flúor. Também foram feitas análises microbiológicas para determinação de coliformes totais e fecais. Todas tiveram como parâmetro a Portaria nº 518/04, do Ministério da Saúde, e a Resolução SS-65/05 para flúor, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

Entre os problemas encontrados, há uma preocupação maior com o cloro. O estudo concluiu que 15% das amostras, na primeira fase de coleta, e 1,66 % na segunda fase, apresentaram valores fora dos padrões estabelecidos pela legislação nacional que exige nível de cloro entre 0,2 mgL-¹ e 2 mgL-¹. Algumas amostras apresentaram-se acima e outras abaixo desses limites. “O cloro é um importante agente utilizado na desinfecção de água, pela destruição dos microorganismos patogênicos que podem vir a ocasionar doenças aos consumidores, como por exemplo, surtos de diarréia causados por bactérias presentes na água”, afirma a bióloga. Janaína diz, ainda, que quando os níveis de cloro estão abaixo do recomendado pela legislação é que podem causar danos à saúde.

Segundo a orientadora da pesquisa, a professora de Saúde Ambiental da EERP, Ângela Maria Magosso Takayanagui, a água com concentração de cloro abaixo do parâmetro pode estar contaminada principalmente por bactéria, do ponto de vista microbiológico. Com o consumo contínuo dessa água, a criança pode vir a apresentar problemas gastrointestinais. “Para o caso de consumo contínuo com concentração acima do estabelecido por lei, há estudos que indicam a possibilidade de desenvolvimento de câncer”, afirma.

Outro dado preocupante que a pesquisa revelou foi em relação ao flúor. Segundo Janaína, apesar do flúor estar presente em todas as amostras analisadas, em nenhuma delas estava dentro dos exigidos pela legislação estadual que estabelece o estreito limite entre 0,6 mgL-¹ e 0,8 mgL -¹ Segundo a pesquisadora, o flúor ingerido em concentrações acima do recomendado pela legislação, pode trazer problemas para a criança durante o período de formação dentária. “Altas concentrações podem afetar a estética do esmalte dos dentes, sob a forma de manchas conhecidas como fluorose dental. Nos casos mais graves os dentes ficam na cor castanha” diz Janaína. Já as subdosagens, segundo a literatura médica, não trazem grandes problemas. “Além do mais, as conseqüências disso em Ribeirão são minimizadas porque a cidade tem temperaturas elevadas quase o ano todo, o que demanda um consumo maior de água, além disso, as pessoas recebem flúor por outras fontes como alimentos e balas.”

A pesquisa revelou, ainda, que o pH verificado nas coletas variaram nas duas fases realizadas e de escola para escola. Em algumas delas apresentavam-se abaixo dos limites recomendados. “Esses valores inferiores podem danificar o sistema de abastecimento de água nas escolas” diz.

Os parâmetros para turbidez e nitrato nas amostras analisadas estavam de acordo com a legislação, a mesma portaria do MS para cloro. Já as análises para determinação de coliformes totais e fecais, que indicam a contaminação por esgotos ou falta de higiene de reservatórios e caixas d água, também não apresentaram indicadores de existência. “Nesta pesquisa não foi encontrada a presença desses contaminantes em nenhuma das escolas estudadas” afirma. “É importante que todas as caixas d´água em uso nas instituições ou em qualquer lugar como fábricas, residências, por exemplo, sejam limpas a cada seis meses para garantir a manutenção da qualidade da água a ser consumida”, alerta a orientadora.

Para a bióloga, todos os valores estudados na pesquisa “Qualidade da água utilizada para consumo em escolas públicas municipais de ensino infantil de Ribeirão Preto”, e que estavam fora dos índices exigidos pela legislação, são preocupantes. “Nós profissionais e pesquisadores da saúde, ficamos preocupados, pois os resultados tornam o abastecimento de água vulnerável”, conclui.

Para a professora Ângela, que também é responsável pelo Laboratório de Saúde Ambiental do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da EERP, todo tipo de serviço prestado à comunidade tem que ter controle. No caso, segundo ela, a água é de fundamental importância para a sobrevivência humana. “Essa pesquisa vem colaborar para processos de avaliação da qualidade da água servida a estudantes com até cinco anos de idade, faixa etária mais vulnerável porque está em formação”, conclui.

Mais informações: (16) 3602-3950

Palavras-chave: nnpp

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