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outubro 23, 2009

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Postado por USP Notícias

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Pesquisa
EEFE estuda origem do fato de sermos canhotos ou destros
 Imagine ser desafiado a escrever com a mão com que não se está acostumado. Imagine, então, descobrir que se pode desenvolver a mesma habilidade da escrita com as duas mãos e ainda saber que a maioria das atividades pode ser igualmente desenvolvida pelos dois lados do corpo. A proposta faz parte da tese trabalhada pelo professor Luis Augusto Teixeira, coordenador do Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP. O Laboratório desenvolve, entre várias linhas de pesquisa, um estudo aprofundado do desenvolvimento da lateralidade humana. 


Lateralidade pode ser entendida como a capacidade de controle dos dois lados do corpo. A assimetria deriva no controle maior de um dos lados sobre o outro, e está associada ao fato de sermos canhotos ou destros. A hipótese com que o Laboratório trabalha é a reversão do que atualmente se entende como desenvolvimento da lateralidade. Hoje há a ideia da existência de uma vantagem inata, uma memória filogenética de um dos hemisférios, resultando em um maior controle motor de um dos lados do corpo. Então, por esse raciocínio, poderíamos esperar que desde o início já houvesse uma vantagem ao lado preferido. “Mas a gente observa que não é o que acontece. E isso se prova desde movimentos simples a tarefas mais complexas, como a própria escrita”, observa Teixeira.

Laboratório de Sistemas Motores Humanos
Ainda abordando sistemas motores, o Laboratório da EEFE possui diversas linhas de pesquisa, como a que trata da relação entre controle motor e envelhecimento humano. Nela é abordada a aprendizagem motora ao longo da vida e analisadas as funções motoras que são perdidas com o passar dos anos, bem como as práticas que podem conservá-las. Em outro ramo de estudos, busca-se compreender detalhes da integração sensório-motora humana. Trata-se de compreender os mecanismos que nos fazem receber estímulos visuais e associá-los à ações motoras precisas.
Num conhecido experimento, uma sequência de toque entre os dedos foi proposta a voluntários. Porém, um grupo de pessoas fariam o exercício com a mão preferida e um outro grupo utilizaria a mão que não é a preferida. “Criamos uma dissociação da preferência geral e da mão utilizada nas tarefas. As pessoas que começavam com a mão não preferida achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”. Mas a taxa de sucesso nos dois grupos foram similares. A medição feita no final do teste sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática provou ser mais determinante do que o fato de se usar o lado mais usual.

A partir de resultados como este, começou-se a elaborar a tese de que a preferência por um dos lados não seria um fator genético predeterminado, mas algo esculpido pelo processo do desenvolvimento motor. O professor explica que “talvez o entendimento do processo esteja invertido, e não porque você tenha uma vantagem a priori, que você desenvolva uma preferência; mas por você desenvolver uma preferência por um dos lados, é que você o acabe desenvolvendo mais. E assim a assimetria aparece. Que existe assimetria entre os dois hemisférios é sabido, mas o quanto essas assimetrias determinam a lateralidade é algo que estamos questionando”.

Se a hipótese for verdadeira, os dois lados do corpo têrm o mesmo potencial de desenvolvimento no controle motor. Num experimento seguinte ao de toques entre os dedos, foi testado o quanto isso poderia ser generalizado para tarefas parecidas. Após uma simples mudança no número de toques entre os dedos, os voluntários continuaram preferindo a mão com que fizeram o primeiro exercício. “Era um exercício parecido, mas que nunca havia sido praticado, e o padrão seguiu a preferência do exercício anterior. Pudemos concluir que existe a transferência de preferência de realização tarefas entre os lados e que essa tarefa não se restringe apenas às atividades previamente praticadas”.

Questão de treino
Segundo o professor, alguns poucos movimentos não podem ser facilmente transferíveis de uma mão pra outra. Entre eles estão o de se desenhar círculos consecutivos e de se fazer movimentos em alta frequência. “Fora estas atividades, o potencial de cada um dos lados na realização de um exercício é basicamente o mesmo, só dependendo da prática”.


Treinos esportivos neste sentido são feitos, por exemplo, em seleções nórdicas de handebol. Os jogadores apresentam um nível tão elevado de potência e controle que se torna difícil saber se são destros ou canhotos. “Aqui mesmo no Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), esse treinamento já foi feito, e jovens jogadores de futebol alcançaram níveis altos com a perna não preferida. O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”.

Se tal manipulação de preferência lateral pode ser manipulada em adultos, acredita-se que o mesmo processo possa ser testado com bebês que ainda estejam amadurecendo o controle motor. “Possivelmente obteríamos resultados em que todo o processo de desenvolvimento motor pudesse ser enviesado”, comenta o professor. Para dar segmento a esse trabalho desenvolvido na EEFE, o professor orienta na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estudos com bebês.

Palavras-chave: nnpp

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