Stoa :: USP Notícias :: Blog :: Núcleo aposta na interdisciplinaridade para discutir as questões do negro no país

outubro 21, 2009

default user icon
Postado por USP Notícias

http://www4.usp.br:80/index.php/sociedade/17678-nucleo-aposta

afirmação
Núcleo reflete sobre papel do negro no Brasil e na Universidade
 Discutir o papel do negro no Brasil e na Universidade é o objetivo do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb). "Nossa preocupação é pensar por que no Brasil e na sociedade brasileira, com uma formação pluriétnica, expressa no multiculturalismo, formam-se mentes discriminatórias", resume Eunice Prudente, diretora científica do Neinb e professora do Departamento de Direito do Estado da Faculdade de Direito (FD) da USP. "Como explicar que enfrentamos a discriminação, especialmente racial, contra afrodescendentes?", questiona. 


A escolha da abordagem interdisciplinar se baseia na percepção de que a solução deste problema básico no país passa por questões transversais. Criado em 1996, é um dos Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs) da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP. Apenas neste ano o grupo passou a contar com uma sede em um dos prédios da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Para fomentar o diálogo entre pesquisadores e docentes da USP e de outras instituições em questões relacionadas ao negro da sociedade brasileira, o Neinb congrega pesquisadores de diferentes áreas, como Direito, Comunicações e Artes, História, Psicologia, entre outras. Pesquisadores de diferentes campos na graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado recebem orientação.

Uma das principais ações do núcleo está relacionada à formação de professores. A ênfase se intensificou depois de terem sido aprovadas as leis 10.639 e 11.645, que exigem que conteúdos de história e cultura afrobrasileira e indígena sejam incluídos no currículo dos ensinos fundamental e médio de todo o país.

Com apoio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC), o núcleo organizou a coleção Percepções da Diferença: Negros e brancos na escola, destinada a professores da educação infantil e fundamental. Um curso de formação para 30 mil educadores da cidade de São Bernardo do Campo está programado para os próximos meses.

 

As obras organizadas discutem formas de tratar questões de história e da cultura africanas, bem como meios para lidar com manifestações de racismo e discriminação no convívio entre as crianças. O conteúdo dos dez livros que compõem a coleção está disponível para download gratuitamente.

Além de se preocupar com os atuais educadores, o Neinb defende que as universidades, e em especial os cursos de licenciatura, onde são formados os professores, também tenham cursos para esses temas. "Mesmo na USP, não temos isso", conta Dilma de Melo Silva, docente associada do Departamento de Comunicações e Artes da ECA e pesquisadora do Neinb. "Há algumas disciplinas optativas dispersas pelos departamentos", relata.

Os membros do conselho científico do núcleo acreditam que o ele pode funcionar para alavancar departamentos da Universidade e outras instituições a incluírem a cultura e a história afrobrasileiras nos cursos.

Outra ação de destaque destaque é um evento previsto para o dia 9 de dezembro. O Seminário Sobre Percepções da Diferença terá a presença dos autores dos livros, além de outros intelectuais. Acontece das 9 às 19 horas na FD (Lgo. São Francisco, 95, Centro, São Paulo).

Dentro da USP
A questão étnica se desdobra de diversas formas, inclusive na presença do negro na própria Universidade. "Nossa avaliação é de que a USP e outras universidades públicas devem instituir e praticar políticas de ação afirmativa variadas, como as cotas", avalia Eunice.

Para a professora de Direito do Estado, as cotas tiveram resultados bons onde foram aplicadas, além de permitirem outras transformações. "Os alunos se enriqueceriam seguramente ao entrar em uma universidade pública como a USP, mas a Universidade ela mesma teria muito a receber de um quinhão de conhecimentos que está na sociedade, e não na USP", explica.

A necessidade de se discutir mais o tema encontra dificuldades, segundo Eunice, pela formação e até pela origem de classe social da maioria dos pesquisadores e professores.

Dennis de Oliveira, professor do Departamento de Jornalismo e Editorção (CJE) da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP e também membro do Núcleo, acredita que boa parte dos críticos às políticas de ação afirmativa dentro da Universidade aceitam pensar o negro apenas como objeto de pesquisa, não como sujeito. "Defendemos o protagonismo do negro, porque o fato de existir o Neinb não quer dizer que a Universidade seja tolerante à questão. Falar em cotas na USP ainda é dizer palavrão", compara.

Palavras-chave: nnpp

Postado por USP Notícias

Você deve entrar no sistema para escrever um comentário.

Termo de Responsabilidade

Todo o conteúdo desta página é de inteira responsabilidade do usuário. O Stoa, assim como a Universidade de São Paulo, não necessariamente corroboram as opiniões aqui contidas.