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outubro 14, 2009

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Postado por USP Notícias

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inovação
Grupo da FO aplica conceitos da biomecânica à odontologia

  Os conceitos de biomecânica são largamente utilizados em praticamente todos os braços das ciências biológicas. Em poucas palavras, a biomecânica nada mais é do que a aplicação dos saberes da mecânica para a compreensão do movimento humano. Usa-se biomecânica, por exemplo, para se estudar jeitos para melhorar o desempenho de atletas ou de reabilitar a capacidade mastigatória de um paciente. 


Um grupo de pesquisadores do Departamento de Materiais Dentários da Faculdade de Odontologia (FO) da USP tem sido pioneiro na tentativa de aplicar a biomecânica também à realidade de pesquisa odontológica. Um dos professores que tem se dedicado ao tema, Rafael Yagüe Ballester, destaca que ainda há poucos grupos de pesquisa, em todo o planeta, sobre o assunto – e que, na sua avaliação, o campo é dos mais promissores. A professora Josete Meira, também do departamento, está fazendo pós-doutoramento no EUA relacionado ao assunto.

Otimização
Uma das respostas que a biomecânica pode dar à odontologia se refere à otimização de processos. Na odontologia, a realização de cirurgias e implantes é rotineira. Tais ações demandam uma série de procedimentos que devem ser seguidos à risca para que o trabalho seja bem-sucedido. Encontrar protocolos mais ágeis e mais seguros é uma busca constante dos pesquisadores, e a biomecânica tem dado boas contribuições nesse sentido.

Pesquisa desenvolvida pelo mestrando Higor Landgraf é um exemplo. O dentista avaliou duas técnicas diferentes para a fixação da mandíbula após uma cirurgia. Usando mandíbulas de carneiro, Landgraf comparou a fixação com parafusos colocados a 90 graus com a realizada com inclinação a 60 graus. O primeiro método é convencionalmente visto como mais seguro; mas sua aplicação é mais trabalhosa e, por ser feita de maneira extra-oral, ocasiona uma perfuração na pele e consequente cicatriz no rosto do paciente.

Com os conceitos da biomecânica, Landrgraf chegou à conclusão que as vantagens que se acreditava ter com a perfuração a 90 graus são, na prática, desprezíveis; e que portanto os cirurgiões podem trabalhar com a inclinação de 60 graus, o que traz ganhos estéticos ao paciente.

Outra aplicação prática da biomecânica é destacada pelo professor Ballester: a verificação da qualidade de protetores, necessários, por exemplo, para atletas que passaram por algum trauma e têm necessidade de resguardar sua área craniana – e sem parar de desempenhar suas atividades esportivas.

Há outro ganho, este de cunho mais acadêmico, e que se verifica em situações como a pesquisa de Higor Landgraf. Com a biomecânica, é possível que se valide alguns procedimentos realizados em laboratório. Ou seja: ações realizadas em determinadas pesquisas ganham uma espécie de "certificado" para serem reproduzidas em outros estudos.

Engenharia
O professor Rafael Ballester explica que o cotidiano do pesquisador em biomecânica – ainda que em uma área tipicamente das ciências biológicas, como a odontologia – é repleto de conceitos mais comumente associados à engenharia.

Ballester faz um paralelo: “quando estudamos o processo de colocação de um pino em um dente, para a retenção de uma coroa, por exemplo, estudamos ali conceitos de resistência dos materiais e técnicas de reforço, estabilização, adesão e outras idênticas às da engenharia”.

Por consequência, os pesquisadores da FO ligados à biomecânica têm contato direto com os de outras unidades da USP, como o Instituto de Química (IQ) e a Escola Politécnica (Poli). “Tudo isso acaba por gerar um intercâmbio extremamente benéfico para os dois lados”, conclui.

Palavras-chave: nnpp

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