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outubro 14, 2009

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Postado por USP Notícias

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Experiência
Estágio possibilita contato direto com a agropecuária

Um programa de estágio desenvolvido no campus da USP em Pirassununga e a Fazenda Sítio do Cedro, localizada em Carmo do Paraíba, MG, vem possibilitando a alunos das Faculdades de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) e de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP aliarem conceitos teóricos à prática profissional.

De acordo com o professor Augusto Hauber Gameiro, do Departamento de Nutrição e Produção Animal da FMVZ, trata-se de uma excelente oportunidade para os alunos de graduação terem uma vivência prática em uma propriedade de ponta e também com orientação do proprietário, o empresário Mario Porto. “Os alunos podem ficar até dois meses no sítio e aprendem muito lá. E também não deixa de ser uma experiência científica, porque eles desenvolvem metodologias e procuram gerar trabalhos escritos, ainda que modestamente”, explica o professor.

A Fazenda Sítio do Cedro tem, desde 2007, o título de “A primeira fazenda ouro do Brasil”, por meio do Programa Boas Práticas na Fazenda, uma iniciativa da Dairy Partners Americas (DPA) — joint venture entre Nestlé e o grupo Fonterra — em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O principal objetivo do programa é a produção totalmente segura de leite. A produção da fazenda, que tem 8 funcionários, gira em torno de 4 mil litros ao dia, que é totalmente vendida para o grupo DPA Nestlé. São 280 animais, sendo 150 vacas lactantes.

De acordo com Gameiro, o programa de estágios existe há cerca de 5 anos e, sob a sua supervisão, já foram enviados 5 alunos de graduação da FZEA e FMVZ para o sítio. “Basicamente eles começaram a fazer auditorias no processo produtivo. Pesquisaram, desenvolveram, implementaram e acompanharam diversos indicadores, tanto zootécnicos como adminstrativos”, explica.

O professor destaca que o relacionamento com os empregados é um dos desafios. “Conseguir mobilizar e instruir os recursos humanos para eles fazerem tudo como manda o figurino é sempre um desafio, principalmente em se tratando de pessoas que não tem tanta instrução. E ainda mais em pecuária de leite, na qual a questão da contaminação do leite e de cuidados com os animais são muito importantes. Então criar a cultura de fazer tudo certo para diminuir a contagem de células somáticas [um indicador de qualidade do leite] e o manejo adequado dos animais para melhorar os indicadores zootécnicos, sempre foi o maior desafio”, aponta.

Segundo o professor, os primeiros trabalhos de estagiários enfocaram mais a parte zootécnica. O último, realizado neste ano pela aluna Beatriz Sartori, do 8º semestre de Zootecnia, enfocou a gestão de custos.

Gestão de custos
Beatriz conta que o primeiro contato com o sítio foi em julho de 2008. Nesta primeira etapa, o estágio teve duração de 3 semanas. “O trabalho era para fazer um levantamento de todos os bens e estoques do sítio, fazer um inventário da farmácia, acompanhar o arraçoamento [formulação e alimentação das vacas] e também fiscalizar os sistemas Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) e Boas Práticas Agrícolas (BPA)”, lembra. Nesta primeira etapa participaram do trabalho os estudantes Isabela Salles Martins, da Univiçosa (MG), e Michel Arnessem dos Santos, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Bambuí (MG). A partir desse levantamento, foram produzidos relatórios e gráficos que, posteriormente, foram repassados aos funcionários do sítio, em outubro de 2008, numa espécie de treinamento profissional.

A segunda etapa do estágio aconteceu em janeiro deste ano e teve duração de duas semanas. Além de Beatriz e Isabela, também houve a participação da aluna Mariana Masiero, da FZEA. Beatriz ficou responsável por desenvolver um sistema eletrônico que fornecesse, ao final de cada mês, o preço do litro de leite; a Isabela, por desenvolver um sistema que fornecesse  o preço de produção mensal de  um quilo de silagem, de cana de açúcar, de sorgo, etc. Mariana ficou encarregada de criar um sistema que desse a determinaçao exata do custo de criação de uma bezerra até que ela virasse vaca.

No total, foram produzidas oito planilhas: alimentação, material de higiene, medicamentos, rebanho, insumos, inventário de ativos, inventário de benfeitorias e produção de leite (que é a planilha central). “Fizemos também um manual explicativo para a gerência saber como trabalhar com as planilhas”, afirma. “No final de cada mês o gerente tem de fazer o levantamento dos itens da fazenda e inserir os dados em planilhas, para que ela indique o quanto foi consumido. Pelo consumo ela dá o gasto de cada item naquele mês”, conta Beatriz.

No último mês de agosto, Beatriz e Isabela retornaram ao sítio, para a terceira e última etapa do estágio, que teve duração de uma semana. Além de acompanharem o uso das planilhas e de fazerem alguns ajustes, as estagiárias desenvolveram um roteiro para um vídeo técnico sobre a importância do manejo numa propriedade leiteira.

Aprendizado
“Acredito que essa experiência foi de grande aprendizado, pois é muito importante para a formação dos profissionais do setor agropecuário o contato na prática com as criações a fim de conhecer a realidade dos produtores. Em cada etapa do programa de estágio nós éramos desafiados e recorríamos ao conhecimento acadêmico, juntamente com muita pesquisa e ajuda dos funcionários. Eles depositam muita confiança no trabalho dos estagiários e é gratificante ser reconhecida e poder contribuir de alguma forma para melhorar a propriedade”, destaca a estudante.

Para o empresário Mario Porto, é fundamental que as empresas consigam decodificar as inúmeras variáveis que influenciam o setor agrícola e o estágio possibilita isso.  “O contato com a Universidade é muito importante, pois recebemos informações sobre o “estado da arte” das técnicas e tecnologias envolvendo o setor “, aponta. “Procuramos levar o estagiário para a vida real do trabalho, onde exigimos que ele desenvolva várias habilidades e que conviva com valores como disciplina, honestidade e trabalho em equipe”, destaca.

Mais informações: (19) 3565-4224 ou email gameiro@usp.br, com o professor Augusto Hauber Gameiro; email beatriz.sartori@usp.br, com Beatriz Sartori; email marioporto@sitiodocedro.com.br, com o empresário Mario Porto. Site www.sitiodocedro.com.br/conteudo/ver/id/22/sobre-o-sitio

Palavras-chave: nnpp

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