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outubro 07, 2009

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Postado por USP Notícias

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homenagem
Professores eméritos contam suas histórias de dedicação ao conhecimento
  Gratidão. É esse o sentimento que Kokei Uehara expressa constantemente enquanto relembra os professores que passaram por sua vida. Aos 81 anos, o professor aposentado da Escola Politécnica (Poli) da USP ainda sabe de cor o nome daqueles que o educaram na infância. Docente da Poli há mais de 50 anos, Uehara também inspirou a gratidão de seus colegas, que concederam a ele o título de professor emérito da unidade. 


Exclusivo de aposentados, o título de emérito formaliza o reconhecimento da academia aos professores que atingiram a excelência em seu ramo de atividade. O estatuto da USP determina que o título seja concedido “a seus professores aposentados que se hajam distinguido por atividades didáticas e de pesquisa ou contribuído, de modo notável, para o progresso da Universidade”.

A trajetória de Uehara mais que justifica esse reconhecimento: sua entrada na Poli já é uma história de superação. Ele nasceu na província de Okinawa, no Japão, e chegou ao Brasil com nove anos de idade, em dezembro de 1936. O futuro engenheiro veio encontrar os irmãos, que já estavam no país, para ajudá-los na lavoura. Trabalhava na roça de manhã e depois pegava uma jardineira para percorrer os 11 quilômetros que separavam sua casa da escola – exceto nos dias de chuva, quando o veículo não passava e ele tinha que fazer o trajeto a pé. “A professora, Dona Maria Aparecida Cardoso, ela punha a mão aqui no meu coraçãozinho e falava assim: ‘Olha Kokei, seu coração vai pular pra fora. Por isso, quando chover, não precisa vir. Eu sei que você está estudando.’ Aí é que eu ia correndo mesmo!”


Kokei Uehara ajudou a projetar barragem de Itaipu
A dura jornada de estudar e trabalhar ao mesmo tempo não impediu Uehara de cursar engenharia hidráulica e tornar-se o maior especialista do país em construção de barragens, tendo ajudado a projetar algumas das maiores usinas hidrelétricas brasileiras, como Ilha Solteira e Itaipu. A maior hidrelétrica do mundo é o xodó do professor. “Eu tive a honra de fazer todo o estudo hidráulico e hidrológico para Itaipu. Tenho muito orgulho disso.” Uehara aposentou-se compulsoriamente em 1997, quando completou 70 anos, e tornou-se emérito em 2000, por decisão da congregação da Poli.

O título de emérito pode ser concedido pelas congregações das unidades ou pelo Conselho Universitário (Co), a mais alta instância de decisão da USP. Desde a criação da Universidade, o Co deu o título a apenas 15 professores. O último deles foi Ruy Laurenti, condecorado em 2002 pelo Conselho, que não concedia o título a ninguém desde 1988, quando o fez para Mozart Camargo Guarnieri.

  Laurenti começou a lecionar na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP ainda na década de 1960. Sua área é a epidemiologia, mais especificamente os estudos de mortalidade, tendo ele coordenado a criação do Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, em 1975. 


O professor foi vice-reitor da USP entre 1990 e 1993, chegando a assumir o comando da Universidade por alguns meses devido à renúncia do então reitor Roberto Leal Lobo e Silva Filho. Se “aposentou” apenas em 2001 - entre aspas, porque continua em plena atividade aos 78 anos, pesquisando e viajando para participar de congressos. “Eu não sei parar”, confessa Laurenti. “Muitos se aposentam e têm um hobby qualquer. Eu não tenho. Meu hobby, eu acho, é trabalhar.” A aposentadoria, em sua visão, trouxe tranquilidade para realizar suas atividades. “Sabe o que é bom? Que não tenho mais reunião de congregação, de conselho de departamento, não participo mais das comissões da Universidade. Então sobra até mais tempo para o trabalho que eu gosto.”

Aposentadoria ativa
Assim como Laurenti, Uehara e grande parte dos eméritos da USP não se afastaram das atividades que realizavam na instituição. Os dois até abraçaram novos projetos. Laurenti concilia sua atuação no Centro Brasileiro de Classificação de Doenças, na FSP, com o exercício do cargo de ouvidor da Universidade, que ocupa desde 2001. Já Uehara foi presidente da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa, ocorrida no ano passado.

E nenhum deles pretende parar de trabalhar. “Lógico, um dia eu vou ficar muito mais velhinho, aí vou ter que ficar parado. Mas eu gostaria de continuar trabalhando para alguma coisa, ser útil a alguém. Eu queria devolver um pouquinho do muito que sempre recebi”, afirma Uehara. “Eu não não vou tomar a decisão de parar. Eu vou parar por alguma coisa que não foi decisão minha”, diz Laurenti.

Palavras-chave: nnpp

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