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setembro 28, 2009

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Postado por USP Notícias

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medicina
Projeto da FMUSP vai analisar morte por demência vascular
A partir da análise do tecido cerebral de 214 pessoas, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) constataram que a demência vascular cerebral pode ser muito mais comum do que se imagina. E mais: muitas vezes ela acaba sendo confundida com a doença de Alzheimer.

Os cientistas querem agora comprovar que o número de casos de demência vascular pode até superar os de Alzheimer. Para isso pretendem ampliar os estudos e analisar cerca de 800 cérebros. O projeto, coordenado pela médica Lea Tenenholz Grinberg, foi um dos vencedores do Programa L’Oréal/Unesco Para Mulheres na Ciência.

“A demência vascular cerebral é muito mais comum do que se pensa e pode ser evitada. Essa pesquisa tem relevância porque há estudos que indicam que, em 10 anos, os casos de demência irão dobrar”, aponta a médica, que atua do Projeto Envelhecimento Cerebral da FMUSP como coordenadora do Banco de Cérebros. “A prevenção da demência vascular pode ser feita por meio de procedimentos simples como controle de pressão arterial e dos níveis de colesterol no sangue, evitar frituras, excesso de sal, etc”, destaca.

A médica explica que o Alzheimer é uma doença degenerativa, na qual o acúmulo de substâncias estranhas ao cérebro leva à morte dos neurônios. Já a demência vascular é uma doença dos vasos do cérebro que, quando afetados, não conseguem suprir este órgão de oxigênio e nutrientes e, assim, as conexões entre os neurônios se degeneram.

“Na demência vascular não há acúmulo de substâncias estranhas e as alterações são vistas principalmente na parte branca, área do cérebro onde ficam as fibras de comunicação do órgão. Os sintomas clássicos são discretamente diferentes, pois a doença de Alzheimer apresenta perda de memória progressiva e a demência vascular, perda de memória em ‘degraus’. Mas as doenças se sobrepõem e é difícil diferenciar pelo quadro clínico”, esclarece.

Demência x Alzheimer
Lea conta que o objetivo da pesquisa era descobrir qual era a demência mais comum no Brasil. Foram analisados, por meio de autópsia, 214 cérebros oriundos do Serviço de Verificação de Óbitos da Capital (SVOC). A idade dos participantes variava entre 50 e 100 anos, com uma média de 75 anos de idade.

Os dados clínicos referentes a esses doadores foram obtidos por meio de entrevistas com os familiares destas pessoas. De acordo com a médica, enfermeiros treinados aplicaram uma série de perguntas a fim de descobrir qual era o tipo de demência que a pessoa apresentava. “Era uma entrevista bastante longa, com duração de 40 minutos. Com ela era possível identificar, com precisão, qual era o estado mental da pessoa antes de morrer”, explica.

Os pesquisadores compararam os dados obtidos nas autópsias com as informações coletadas nas entrevistas. Os resultados apontaram que, dos 214 cérebros analisados, 30% apresentou demência vascular; 14% demência vascular + Alzheimer; e 25% apenas Alzheimer. Esses números incentivaram os cientistas a ampliar a pesquisa e analisar 800 cérebros.

São resultados que mostram que a incidência de demência vascular é muito mais comum do que se imagina.

SVOC
Ela lembra que o Serviço de Verificação de Óbitos da Capital está vinculado à FMUSP. O serviço realiza a autópsia de cerca de 13 mil pessoas ao ano. “É um dado que não podemos deixar de lado, pois se trata de um serviço único no mundo ligado a nossa universidade. Os dados obtidos irão fornecer uma boa representação da população da Capital paulista”, afirma a pesquisadora.

De acordo com informações do site do SVOC, o Serviço tem por finalidade esclarecer a causa mortis em casos de óbito por moléstia mal definida ou sem assistência médica ocorridos na cidade de São Paulo. Os casos de morte natural sem que haja definição de causa de óbito são encaminhados ao SVOC para realização de autópsia.

O Programa L’Oréal/Unesco Para Mulheres na Ciência é uma iniciativa da Academia Brasileira de Ciências (ABC) em parceria com a L’Oréal e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). São premiadas pesquisadoras que acabaram de desenvolver o doutorado e estão envolvidas em projetos científicos a serem desenvolvidos durante doze meses em instituições nacionais. O prêmio de US$ 20 mil foi entregue na última quarta-feira (23), em cerimônia realizada no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

O Grupo de estudos em Envelhecimento Cerebral da FMUSP é multidisciplinar e multidepartamental. Existem 10 pesquisadores responsáveis e a equipe completa, incluindo alunos, soma cerca de 40 pessoas.

Mais informações: (11) 3061-8249 ou email lea@grinberg.com.br, com a médica Lea Tenenholz Grinberg. Site www.fm.usp.br/pec

Palavras-chave: nnpp

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