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setembro 25, 2009

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Postado por USP Notícias

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Núcleo da EESC aponta caminhos para o aumento da segurança no trânsito

Mortalidade no trânsito brasileiro assusta
A exagerada quantidade de mortes no trânsito brasileiro não chega a ser exatamente uma novidade. Os paralelos que se fazem – o trânsito mata mais que a gripe suína, que a dengue, ou até mais do que célebres guerras – são impactantes, mas talvez menos fortes do que uma ocorrência que vitime uma pessoa próxima.

Assim como grande é o número de vítimas, grande também é a gama das ações que deveriam ser feitas para resolver o problema. Seja por intermédio governamental, como a recuperação de rodovias, ou por atitudes individuais, como respeitar o incessantemente repetido “se beber não dirija”, entre outras advertências.

Tal diversidade faz com que a Academia se sinta obrigada a refletir sobre o tema e apresentar suas sugestões. Na USP, uma das ações frente ao problema é a manutenção de grupos de pesquisa como o Núcleo de Estudos em Segurança do Trânsito (Nest) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

O coordenador do Nest, professor Coca Ferraz, é enfático: “o Brasil não pode tolerar o fato de ter 50 mil mortes por ano no trânsito”. É por isso que há a necessidade de um pensamento mais elaborado sobre o tema, e uma troca de experiências que, via de regra, é enriquecedora.

Conquistas
Na gênese do Nest há um ideal de intercâmbio, como conta Ferraz. “Recebemos um apoio do governo sueco para estabelecermos contatos com pesquisadores de lá. Eles ficaram por aqui um tempo, e nós também fomos para lá. Trocamos informações, ‘figurinhas’, e a partir daí cresceram as ideias para que se criasse um grupo de estudos focado na segurança no trânsito”, explica.

A consolidação do Nest permitiu que o grupo fosse sede de uma série de atividades voltadas à segurança no trânsito – como eventos, cursos e uma biblioteca especializada, que pode ser consultada por todos os pesquisadores interessados no tema. O núcleo tem também por objetivo obter e atualizar estatísticas referentes ao trânsito nacional, se portando assim como uma espécie de "observatório" nacional do assunto.

Medidas técnicas, educacionais e legislativas devem ser implantadas, diz professor da EESC

Um dos principais projetos acadêmicos realizados pelo Nest foi o lançamento, no ano passado, de Segurança no Trânsito, escrito por Ferraz em co-autoria com os pesquisadores Archimedes Azevedo Raia Júnior e Barbara Stolte Bezerra. “É um marco na história do Nest. A partir daí, podemos pensar em outros voos, com a publicação de novos textos”, diz Ferraz.

O Nest também desenvolve ações que podem ser apreciadas no dia-a-dia dos cidadãos. O núcleo presta consultorias a municípios e também a concessionárias de rodovias, sempre orientando práticas que levam a uma diminuição no índice de acidentes. Nessa linha, o trabalho de maior destaque do núcleo se deu na cidade de Jaú, no interior paulista: iniciativa que integrou ações de engenharia, esforço policial e educação reduziram as fatalidades no trânsito da cidade em 60%. O projeto recebeu neste ano o Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito por sua excelência.

Futuro
Coca Ferraz identifica um crescimento no interesse dos alunos de graduação sobre o tema. E aponta que é necessário que tal mentalidade evolua – o Brasil tem carência de um saber efetivo relacionado à segurança no trânsito, e nada melhor do que a Universidade para promover um acréscimo nesse sentido.

Para Ferraz, falta em nosso país uma “cultura técnica de segurança”. Ou seja, uma consolidação na necessidade do pensar em todos os aspectos que podem reduzir a ocorrência de acidentes. Há questões educacionais, de legislação e, claro, as técnicas que contribuem para que o triste quadro atual se mantenha.

Mas se por um lado não é nada confortável o quadro brasileiro, por outro, iniciativas como o Nest sugerem que é possível esperar dias melhores – uma prova disso é a presença de estudantes de outros países integrando o quadro do núcleo. Sinal que um dos países que mais mata no trânsito tem também o que contribuir.

O professor Coca Ferraz pode ser contatado pelo email coca@sc.usp.br.

Palavras-chave: nnpp

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