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setembro 22, 2009

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Postado por USP Notícias

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iag
Laboratório de astrobiologia do IAG simulará ambientes extraterrestres

 
Modelo de câmara de simulação de ambientes extraterrestres, no "Space Life Sciences Lab",
da Nasa, nos EUA
Bastante difundida no meio acadêmico e científico internacional, a astrobiologia – ciência que estuda a vida no cosmos, sob o viés de várias áreas do conhecimento – está prestes a consolidar seu espaço no Brasil. Em Valinhos, interior de São Paulo, o Observatório Abrahão de Moraes, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, vai ganhar uma câmara de simulação de ambientes extraterrestres – a primeira do tipo no Hemisfério Sul –, que já está em construção e deve entrar em funcionamento a partir de 2010.

Trata-se de um dispositivo que permite a regulação de parâmetros como radiação, pressão, composição atmosférica e temperatura, de forma a simular as condições de outros ambientes cósmicos, como meteoritos e planetas, e também da Terra primitiva. Atualmente, o grupo de astrobiologia do IAG, coordenado pelo professor Eduardo Janot Pacheco, realiza experimentos no Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas.  

Douglas Galante, pós-doutorando em astrobiologia no IAG e um dos primeiros doutores brasileiros na área, explica que, com a nova câmara em Valinhos, será possível explorar de maneira mais complexa e precisa a origem, o desenvolvimento e a manutenção da vida. Para isso, serão submetidos aos ambientes simulados micro-organismos capazes de sobreviver em situações extremas – os extremófilos -, coletados em regiões como o deserto de Atacama, no Chile, a Antártica e os Andes.

A câmara será aberta a toda a comunidade científica que submeta projetos de pesquisa. Futuramente, servirá também ao curso de graduação em astronomia do IAG, por meio de oficinas nas quais os alunos poderão realizar experimentos ao longo de uma semana. E, como o observatório de Valinhos recebe visitas da comunidade não-científica, a idéia é que a câmara possa também ser aberta à visitação, como forma de divulgação científica e expansão da astrobiologia. “Queremos transformar o Observatório de Valinhos em um polo de pesquisa e ensino na USP, com um grande potencial a ser explorado”, afirma Galante.

Interdisciplinaridade e parcerias
Junto à câmara, será construído também um laboratório de química e biologia, para a manipulação adequada dos extremófilos, já  que as amostras são altamente sensíveis a contaminações. Isso reforça a inter e multidisciplinaridade que caracteriza a astrobiologia, que inclui também conhecimentos da física e da geologia.

O projeto da câmara teve origem a partir dos estudos do grupo de astrobiologia do IAG, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para a construção da câmara, o grupo conta com o apoio da Escola Politécnica (Poli) da USP, responsável pelo projeto mecânico e eletrônico. Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a câmara terá custos de um milhão de reais.


Douglas Galante (sentado) e o grupo de pesquisadores envolvidos na implementação do laboratório
de astrobiologia em Valinhos.

Em seus estudos, o grupo do IAG também tem parcerias com o Instituto Oceanográfico (IO) da USP, a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a Nasa, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Universidade Mauá. Com a Nasa, o grupo mantém um projeto de lançar extremófilos em balões. Já com a Universidade Mauá, os planos são de construir um satélite para experimentos biológicos.

Atualmente, o grupo está envolvido em projetos que estudam a origem da vida e a bioquímica em gelos cometários, a resposta biológica de micro-organismos em ambiente espacial e marciano, e também em ciência aplicada, para o desenvolvimento de materiais de uso espacial. Uma das principais teorias trabalhadas pelo grupo é a da panspermia, que colocam os meteoros e cometas como o “meio de transporte” pelo qual formas de vida bastante simples teriam chegado à Terra, há bilhões de anos.

Interessados em saber mais sobre as pesquisas em astrobiologia do IAG podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-2815 ou pelo email douglas@astro.iag.usp.br.

Palavras-chave: nnpp

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