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setembro 11, 2009

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Postado por USP Notícias

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diversidade
Simpósio da Cátedra em Multiculturalismo aproxima pesquisadores da área

Nos próximos dias 22 e 23, no USP Oficina e no Museu Afro Brasil, professores e pesquisadores estarão reunidos em um simpósio para a exposição de ideias e construção de projetos para integrarem a recém-criada Cátedra em Multiculturalismo – um convênio firmado entre USP, Universidade Federal de São Carlos, York University (Canadá) e University of Pittsburgh (EUA).

O objetivo do evento é aproximar os estudiosos que já aderiram à proposta da Cátedra, mas que ainda não se conhecem. "Queremos que os professores e pesquisadores dos grupos e núcleos de pesquisa tragam novos projetos ou manifestem seu interesse em participar dos já existentes", explica a professora Gislene Aparecida dos Santos, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e coordenadora da Cátedra na Universidade.

Idealizada em 2008, a Cátedra tem como propósito a produção de pesquisas, material bibliográfico e eventos conjuntos entre as universidades participantes, estimulando um intercâmbio de especialistas e conhecimento a respeito do tema. “Desejamos produzir novos saberes sobre as diversidades de povos e culturas, compreendendo-as como pontos de partida para a edificação de sociedades democráticas pautadas no ideal da solidariedade. Por isso, também nos interessa aprofundar a discussão sobre o impacto dos fatores como etnia, cor, religião, cultura e sexo na proposição de políticas públicas”,

Para a professora, muitas das ações governamentais - ou a falta delas - nas sociedades multiculturais contemporâneas (como são quase todas) desconsideram o peso do fator diversidade, e isso pode resultar em sérios problemas. Um exemplo recente são os conflitos que têm ocorrido nos últimos anos em subúrbios franceses, pela abordagem inadequada da questão dos imigrantes naquele país.

Já no Brasil, como explica Gislene, a posição dos estrangeiros é bastante peculiar - a professora lembra, por exemplo, a lei que anistiou recentemente muitos imigrantes em situação irregular. "Isso nos leva a crer que o Brasil adota uma política mais favorável em relação ao imigrante, comparativamente a outros países. Mas somente poderemos fazer esta afirmação de forma precisa após investigações sobre o modo como vivem aqui os imigrantes recentes", salienta.

Por isso, é muito importante que governo e sociedade continuem pensando essa questão, considerando o crescente afluxo de imigrantes hispânicos e africanos. Estes se veem em situação totalmente diversa à dos que vieram em outras épocas, como  europeus e japoneses, por exemplo, que já estão bem integrados ao país. "Há ainda que considerar os fenômenos de migração interna e a questão dos povos ciganos, que somente nos últimos tempos foram objeto de políticas públicas específicas".

Uma das metas da Cátedra, inclusive, é “trabalhar em parceria com agências governamentais e secretarias de governo, fornecendo informações para avaliação e implementação de novas políticas e realizando estudos e pesquisas que estes órgãos, por si sós, não teriam condições de realizar”, afirma a professora.

Projetos
Um exemplo que ilustra o tipo de trabalho que pode ser realizado sob o “guarda-chuva” da Cátedra é a pesquisa de Gislene em parceria com a pesquisadora Brigitte Cairus (York University), As políticas públicas de reconhecimento e a garantia dos direitos dos imigrantes africanos, hispânicos e ciganos. O projeto analisa legislações e políticas públicas destinadas a imigrantes para verificar como contribuem para o seu reconhecimento, acomodação e suporte, de modo a estarem de acordo com as recomendações dos tratados sobre direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. Três são os grupos focalizados: provenientes de países da América Latina para o Brasil; provenientes de países africanos para o Brasil; e os ciganos (ou romanies), provindos da Península Ibérica e de países do leste europeu.

Ainda tematizando o continente africano, está sendo pensado o projeto Conexões Brasil – África, que pretende promover o intercâmbio de pesquisadores e estudantes brasileiros para países africanos de língua portuguesa - lembrando que estudantes africanos já são presença constante nas universidades brasileiras. A ideia é que, no retorno, tais pesquisadores e estudantes realizem uma oficina com professores da rede pública de ensino para a apresentação dos resultados da visita – o que vai ao encontro da demanda da lei federal que, em 2008, tornou obrigatório o estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena nos ensinos fundamental e médio.

 Parcerias que atualmente compõem a Cátedra em Multiculturalismo
  • Center for Latin American Studies – University of Pittsburgh
  • Department of Equity Studies – York University
  • Grupo de Pesquisa Relações Étnicas e Raciais no Brasil Contemporâneo – UFSCar
  • Associação Nacional de Direitos Humanos (ANDHEP) – Pesquisa e Pós-graduação
  • Grupo de Pesquisa Midialogia Científica e Especializada – Unesp e USP
  • Grupo de Estudos e Pesquisas das Políticas Públicas para a Inclusão Social (Geppis) - USP
  • Núcleo de Apoio à Pesquisa em Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro (Neinb) – USP
  • Grupo de Pesquisa em Psicologia Política, Políticas Públicas e Multiculturalismo (GPSIPOLIM)– USP
  • Sociedade Científica de Estudo da Artes (Cesa)
  • Grupo de Pesquisa em Etnopsicologia – USP
  • Centro de Estudos Latino Americanos de Cultura e Comunicação (Celacc) – USP
  • Centro de Estudos das Literaturas e Culturas de Língua Portuguesa (Celp) – USP

Serviço
O simpósio Cátedra em Multiculturalismo – Encontro para Exposição de Idéias e Construção de Projetos acontece no dia 22, a partir das 12h30, no USP Oficina (Av. Prof. Lucio Martins Rodrigues, 314, Cidade Universitária, São Paulo), e no dia 23, a partir das 13 horas, no Museu Afro Brasil (Rua Pedro Álvares Cabral, s/nºPavilhão Manoel da Nóbrega, Parque do Ibirapuera, portão 10, São Paulo).

As vagas para o evento, gratuito, já estão esgotadas, mas quem desejar pode enviar o nome para uma lista de espera - para o caso de haver desistências - através do email multicultural@usp.br.

Mais informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-1008, com Elisabete Aparecida dos Santos, ou pelo email betoca@usp.br. A programação completa está no folder do simpósio.

Palavras-chave: nnpp

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