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setembro 09, 2009

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Postado por USP Notícias

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Educação
FE acompanha professores indígenas para melhorar o ensino nas aldeiasQuando começou a lecionar, a guarani Poty Poran Turiba Carlos encontrou um problema comum em diversas comunidades indígenas Brasil afora: as gerações mais novas - a dela, inclusive - já não falavam fluentemente a língua dos ancestrais. “Uma das responsáveis por isso era a escola. Se a gente tivesse uma educação diferenciada, voltada para a cultura e a língua guarani, isso não aconteceria”, diz Poty, que vive na aldeia Tekoa Ytu, localizada no bairro do Jaraguá, em São Paulo.

Para auxiliar educadores indígenas como Poty a mudarem a realidade do ensino nas aldeias, a Faculdade de Educação (FE) da USP promove, desde 2008, um projeto de acompanhamento dos professores de escolas indígenas do estado de São Paulo. “Eles têm, teoricamente, assessoria das diretorias de ensino. Mas é muito difícil para essas diretorias saberem das necessidades das escolas indígenas”, explica Patrícia Zuppi, uma das pedagogas envolvidas no projeto. Ela diz que as aldeias paulistas possuem realidades muito diferentes, então o trabalho dos educadores é identificar os problemas particulares do local e procurar formas de saná-los.

Em uma aldeia guarani na Ilha do Cardoso (litoral sul paulista), por exemplo, Patrícia encontrou uma situação oposta ao que acontecia em Tekoa Ytu. O professor tinha dificuldade no ensino do português, já que os alunos não sabiam praticamente nada da língua. “Como a aldeia era muito isolada, nem mesmo o professor tinha domínio pleno do português. Então ele não tinha segurança para dar aula”, explica a pedagoga. “Foi feito todo um trabalho de bilinguismo, com materiais didáticos especiais, que valorizavam o lúdico. A gente montava as aulas junto e ele ensinava comigo na retaguarda”, conta.

Cursos para educadores indígenas
A iniciativa é a continuação de um trabalho que vem sendo realizado desde 2002, quando a Secretaria da Educação do Estado realizou uma licitação para promover um curso que formaria 60 educadores indígenas em nível médio. A FE, através da Fundação da Apoio à Faculdade de Educação (Fafe), elaborou um projeto e ganhou a concorrência. Com o curso, os professores se habilitaram para lecionar na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental.

Para dar aulas para as demais séries do ensino fundamental, era necessária formação superior, conforme determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Por isso, em 2005, a faculdade sediou o primeiro curso superior para os educadores indígenas do estado, intitulado Formação Intercultural Superior do Professor Indígena (Fispi). Após três anos de aulas, os 80 participantes se formaram, obtendo formação equivalente à de um curso de pedagogia.

Maria do Carmo Santos Domite, professora da FE que coordenou os projetos, diz que até 2000 as aulas na escolas indígenas do estado eram dadas majoritariamente por professores não-indígenas. Os membros da etnia só tinham aulas no idioma nativo duas vezes por semana, em uma disciplina intitulada “língua e cultura”. Para mudar isso, os cursos foram estruturados da maneira mais intercultural possível, abordando as disciplinas a partir da realidade das aldeias. “A gente ensinava sociologia, mas não ficávamos falando dos nossos sociólogos, falávamos das relações sociais nos grupos indígenas”, exemplifica a professora. O mesmo número de horas empregadas para o ensino do português era empregado para o ensino da língua nativa das etnias.

Para Poty, um dos pontos fortes do curso foi o ensino da legislação relacionada à educação e aos povos indígenas. “Serviu para vermos como podemos lutar por nossos direitos.” Patrícia diz que a inclusão desse tópico atendeu ao principal anseio da maioria das aldeias, que é formar indivíduos com a capacidade de se fazer ouvir pela sociedade. “Todas [as aldeias] têm uma clareza de que é necessária uma educação para lidar politicamente com a sociedade, para que eles tenham condições de falar de igual para igual.”

Palavras-chave: nnpp

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