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agosto 26, 2009

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Postado por USP Notícias

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tratamento
Cientistas descobrem nova arma contra câncer no cérebro
Pesquisa do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP dá mais um passo em direção à cura do glioma, câncer agressivo que atinge a glia — um conjunto de células que envolvem os neurônios — e que matou o senador norte-americano Ted Kennedy.  Pesquisadores descobriram que o ácido gama-linolênico (AGL), uma gordura retirada de óleos vegetais , faz com que o tumor diminua de tamanho e tenha menos microvasos sanguíneos.

O glioma cresce rapidamente, invade as áreas saudáveis do sistema nervoso central e pode causar convulsões, alterações na fala e paralisia de um dos lados do corpo. As cirurgias para retirá-lo ajudam pouco, porque ele se multiplica rápidamente pela parte normal do cérebro. O tumor não morre facilmente com quimioterapia ou radioterapia. Os pacientes morrem, em média, um ano depois do diagnóstico.

As pesquisas foram feitas pelo dentista Juliano Miyake e pelo farmacêutico Marcel Benadiba, ambos do Laboratório de Metabolismo da Célula Tumoral, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, e orientadas pela professora Alison Colquhoun. Em seu doutorado, Miyake cultivou células tumorais e as injetou em dois grupos de ratos. Benadiba analisou as proteínas envolvidas no processo.

Invasão no cérebro
Quando o tumor se desenvolveu no cérebro, um dos grupos de animais começou a receber AGL todos os dias, através de uma bomba instalada nas costas. Em seguida, o pesquisador comparou o tamanho dos tumores e o número de vasos sanguíneos do tumor. “Esses vasos levam nutrientes e oxigênio que alimentam as células do tumor”, explica Miyake . “As células tumorais também utilizam os vasos sanguíneos para invadirem o cérebro.”

Os tumores que receberam o AGL tinham, em média, 44% menos vasos sanguíneos e eram 75% menores que os dos ratos sem a droga. “O uso de AGL”, acrescenta o pesquisador, “reduziu em 32% a quantidade de uma enzima que degrada as substâncias que estão entre as células, abrindo espaços para o crescimento do tumor. Também reduziu as quantidades de proteínas que estimulam a célula a se dividir.”

Provavelmente, o tumor diminuiu porque quando o AGL entra nas células gera substâncias que as destroem, chamadas ROS, um tipo de radical-livre. As células comuns têm proteção contra essas substâncias.

”Ao contrário das células comuns, as células dos tumores conseguem evitar a apoptose, um processo na qual ‘suicidam-se’ quando há algo de errado dentro delas”, explica Myake. O AGL causa a apoptose nas células tumorais talvez porque altera o funcionamento de suas mitocôndrias, um órgão da célula, que acaba liberando proteínas envolvidas com o processo.

Potencial
”No futuro, o AGL pode ser usado para o tratamento do câncer de cérebro”, acredita o pesquisador. Os doentes poderiam receber o AGL para que o tumor diminuísse e depois fazer a cirurgia. Após a operação, eles receberiam mais do ácido. “Esse tratamento poderia ajudar o paciente a viver mais tempo depois de descobrir que tem a doença e, talvez melhor”.

Mais informações: (11) 3091-7261, email juam@usp.br

Palavras-chave: nnpp

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