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agosto 24, 2009

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Postado por USP Notícias

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teatro
Laboratório da ECA aprofunda e investiga técnicas dramáticas para mexer com a plateia
Um espectador que sai do teatro diferente do que era ou estava antes do espetáculo. Um espectador que, durante e depois da peça, de alguma forma se movimente – sendo considerado movimento desde a reflexão e a sensibilização até o riso e a lágrima. Em poucas palavras, isso é o que busca o Laboratório do ator – Laboratório de Investigação do Corpo em Expressão (Lince), do Departamento de Artes Cênicas (CAC) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Segundo o atual coordenador do Lince, professor Eduardo Coutinho, os trabalhos do laboratório tratam mais da linguagem do ator e menos da do espetáculo. A título de exemplo: para provocar o movimento do  espectador, o ator precisa saber desenvolver um nível de energia em cena diferente do nível cotidiano. Atingida essa diferenciação, o ator é capaz de propor um caminho à plateia e conduzi-la até o objetivo final do espetáculo: justamente o movimento do público. A esse processo, Coutinho chama de “qualidade da comunicação”.

Em busca dessa diferenciação de energia, o ator precisa ter consciência de tudo o que faz em cena, dos pequenos gestos ao jeito de se locomover. Ele deve partir de uma intenção (o que se deseja expressar) para buscar movimentos adequados – uma espécie de codificação, como define Coutinho: “como o ator pode expressar através de seu corpo, dentro da estética teatral, o resultado da interação permanente entre ator e diretor no processo de treinamento e criação?”.

O resultado final deve ser uma plateia que, dividindo a energia coletiva intrínseca ao teatro, deixe o espetáculo com movimentos ou sensações individuais – ou seja, “como se cada espectador tivesse assistido a uma peça diferente”, nas palavras do professor da ECA. Essas são, basicamente, as diretrizes de pesquisa do Lince.

Conforme explica Coutinho, para se desenvolver a qualidade de comunicação, existem dois caminhos possíveis por meio da improvisação: o ex-coordenador do Lince, professor Antônio Januzelli, também da ECA, aprofunda a sua pesquisa no exercício da improvisação dramática, em que o ator consegue se despir de seus condicionamentos expressivos, atingindo uma frequência energética mais sutil, que sempre refletirá na sua presença cênica. O outro caminho é a própria codificação, aprofundada pelo professor Coutinho e baseada na consciência das ações obtidas em exaustivas improvisações. "A consciência nestes dois caminhos resulta em uma partitura cênica", afirma Coutinho.

 
 Professor Eduardo Coutinho, da ECA
Muita prática
O trabalho do Lince é essencialmente prático, pois "tem-se que estar em cena”, segundo Coutinho. “O único jeito de testar o que pesquisamos é no palco; não em ensaios, mas em espetáculos com público presente”.  Afinal, como conta o professor, é a isso que nos remete a palavra  “teatro” – do grego, “lugar de onde se vê”.

Para desenvolver e treinar as capacidades de atuação, o laboratório conta com a participação de vários atores – de graduandos e pós-graduandos do CAC a profissionais “visitantes”, inclusive atores estrangeiros. Gradualmente, o que é desenvolvido no laboratório vai sendo introduzido nas disciplinas do Departamento de Artes Cênicas.

As pesquisas são tão práticas que as próprias peças teatrais servem como experimentos. Espetáculos nascem a partir de pesquisas já realizadas, ao mesmo tempo em que abrem novas possibilidades de estudo. “Velho do Bosque”, “Eros, Falos e Mimos”, “Fala Ou não Fala?”, “Milongas Argentinas”, “O Porco”, “A Vontade”, “Se Eu Fosse Eu” e “Caminhos do Coração” são as peças relacionadas ao Lince, apresentadas dentro e fora da USP.

Outro projeto atual do Lince é a publicação da série Práticas do Ator - Relatos de Mestres, composta por quatro títulos. Os livros são resultado do projeto “Metodologias das práticas do ator em São Paulo: primeiras investigações”, coordenado pelo professor Januzelli e pela atriz e professora Juliana Jardim, em parceria com o ator Renato Ferracini, do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais (Lume) da Unicamp.

Mais informações sobre a atuação e trabalho do Laboratório do Ator - Laboratório de Investigação do Corpo em Expressão (Lince) da ECA podem ser obtidas pelos telefones (11) 3091-4388 / 4127.

Foto: Marcos Santos

Palavras-chave: nnpp

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