Stoa :: USP Notícias :: Blog :: Segundo Prêmio de Fotografia do CPC procura registros do “Bixiga de ontem e de hoje”

agosto 05, 2009

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Postado por USP Notícias

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Preservação Cultural
Mudanças na paisagem do Bixiga são tema de concurso fotográfico do CPC
 
 Casa de Dona Yayá em montagem feita a partir de foto tirada na década de 70 por Benedito Lima de Toledo, professor da FAU

O bairro do Bixiga, um dos mais tradicionais de São Paulo, tem o aspecto típico das áreas centrais da cidade: em suas ruas convivem casas centenárias, cortiços caindo aos pedaços, prédios históricos descaracterizados e modernos prédios espelhados. As transformações sofridas pelo bairro ao longo do tempo, que lhe deram essas características, são o tema do segundo concurso fotográfico promovido pelo Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP, que recebe trabalhos até 21 de setembro.

A primeira edição do prêmio foi realizada no ano passado. José Hermes Martins Pereira, historiador do CPC e um dos organizadores do evento, diz que o concurso foi criado com a finalidade de buscar visões pessoais sobre o bairro, no qual está localizada a Casa de Dona Yayá, um dos edifícios mais antigos da região e sede do CPC.

Ele conta que a escolha do tema “O Bixiga de ontem e de hoje” foi motivada pela falta de documentação existente sobre as transformações que o desenvolvimento da cidade causou na região, principalmente após a construção do viaduto Jaceguai, que corta o bairro ao meio. “Como era essa área antes da Ligação Leste-Oeste? É uma estrutura pesada de concreto, que com certeza influencia na paisagem. E a gente sabe muito pouco sobre isso.”

Para conhecer melhor essas mudanças, este ano o prêmio contará com uma nova categoria, intitulada “Memória Fotográfica”, que tem o objetivo de tirar do baú os registros do Bixiga de ontem. Os participantes poderão apresentar ensaios que comparem imagens recentes com fotografias antigas do bairro, sejam elas extraídas de acervos pessoais, jornais, revistas ou de outras fontes. O concurso possui mais duas categorias: “Adulto” e “Infanto-juvenil”, para participantes com menos de 17 anos.

 
 Doralice Rodrigues registrou a escadaria do Bixiga na foto (In)concreto (acima)
O Bixiga delas
Os trabalhos inscritos no primeiro prêmio deram origem à exposição O Meu Bixiga, que esteve em cartaz na Casa de Dona Yayá no começo desse ano. Segundo José Hermes, as imagens foram escolhidas com o intuito de ressaltar o “contraste entre as várias maneiras de se ver o bairro”, mostrando tanto as belezas e os pontos turísticos quanto os imóveis degradados e as desigualdades sociais.

A fotografia que a farmacêutica Lúcia Teixeira de Carvalho tirou da Igreja de Nossa Senhora da Achiropita foi premiada com o primeiro lugar nesse concurso, na categoria “Adulto”. Ela, que é goiana e mora em São Paulo há nove anos, diz que quando conheceu a cidade ficou deslumbrada com seus edifícios históricos, e por isso começou a fotografar diversos bairros da capital paulista, por hobby. “Goiânia é uma cidade nova, tem 55 anos. Quando cheguei em São Paulo vi essa diversidade de cultura, esses bairros que têm história. Então eu fiquei fascinada.”

Lúcia diz que se entristece ao ver os muitos edifícios mal conservados que o Bixiga abriga. “Tá muito destruído, né? Uma judiação. Precisava de alguma ação da prefeitura de São Paulo, do governo.” Outra participante do primeiro concurso que se preocupa com o estado do bairro é a bióloga Maria Aurineide Rodrigues, que concorreu com uma fotografia que ressalta o contraste entre uma casa antiga e um edifício espelhado. Ela teme que os futuros transeuntes do Bexiga não possam mais “andar pelo bairro e sentir a história”. Por isso, queria retratar as pressões que o patrimônio histórico vem sofrendo com o avanço do comércio, dos arranha-céus e da especulação imobiliária. “Os prédios estão largados, estão entregues às moscas esperando redes grandes comprarem, se apoderarem deles.”

A estudante Doralice Rodrigues, de 16 anos, foi a segunda colocada na categoria “Infanto-juvenil”. Ficou sabendo do concurso pela escola técnica onde estuda Produções de Multimídia, quando um professor aconselhou os alunos a participarem da iniciativa para colocarem em prática o que aprendiam na aula.

 
 Lúcia Teixeira de Carvalho foi primeiro lugar na categoria "Adulto" com o trabalho Igreja do Bixiga (à esquerda)

Ela, que nunca tinha pisado no Bexiga, resolveu abraçar o desafio. “Como eu não conhecia, procurei na internet os lugares que as pessoas mais conheciam daqui, aí eu vi a escadaria do Bixiga, vi a Vila Itororó.” Doralice conta que sentiu a mesma preocupação de Lúcia e Maria Aurineide logo em seu primeiro contato com o bairro. “Pelo que eu ouvia falarem, achava que era um lugar muito chique. Aí a primeira coisa que eu vi foi um prédio caindo aos pedaços. Foi uma coisa que me deixou meio triste, porque eram construções muito bonitas que as pessoas não cuidam.”

Para José Hermes, essa percepção do contraste entre os tesouros e os problemas do Bixiga é um dos benefícios que a mostra traz ao bairro. “A intenção é essa também: que as pessoas, vendo as fotos expostas, se sensibilizem e pensem: ‘Olha, isso aqui também precisa de cuidado’.”

Serviço
As inscrições para o segundo Prêmio de Fotografia do CPC são gratuitas e ficarão abertas até 21 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 10 às 16h30. Os interessados devem comparecer na sede do centro, que fica na Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, São Paulo, munidos das fotos e dos documentos pessoais. O resultado do concurso será divulgado no dia 1º de outubro, data de aniversário do Bixiga.

Mais informações estão disponíveis no site do CPC.

Fotos: Marcos santos

Palavras-chave: nnpp

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