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fevereiro 27, 2009

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Postado por USP Notícias

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Divulgação científica
José Reis: quando a ciência encontra o jornalismo
  A biografia ativa do jornalista, cientista e administrador que dá nome ao Núcleo de Divulgação Científica alocado na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP poderia muito bem se resumir nas expressões produtividade e amor à ciência. Mas certamente merece um registro mais detalhado, ainda que sempre incompleto, diante de tão numerosas e notáveis ações em diversos campos do saber.

Nascido em 1907, Reis ingressou aos 18 anos da Faculdade de Medicina, onde realizou estudos de patologia premiados no Instituto Oswaldo Cruz. No Instituto Biológico atuou como bacteriologista, investigando problemas de saúde que atingiam a criação de frangos. Segundo o professor Osmir Nunes, autor de uma dissertação sobre José Reis, é neste período que ele começou a perceber mais fortemente a necessidade de levar a ciência às pessoas comuns. Redigiu então cartilhas e panfletos em linguagem simplificada - e em diversos idiomas, já que era também um poliglota. A partir daí foi convidado a colaborar com artigos para a revista agrícola Chácaras & quintais. “A revista tinha uma tiragem de 70 mil exemplares, o que é um número considerável para a época”, ressalta Osmir, que conta que o estilo simples e as brincadeiras de Reis ao longo dos textos lhes renderam alta popularidade.

Após um estágio no Instituto Rockfeller (Estados Unidos), colaborou na reorganização da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Mas foi em 1947, após ter escrito esporadicamente para o jornal O Estado de São Paulo, que iniciou o trabalho de divulgação científica na Folha da Manhã (hoje Folha de S. Paulo) - trabalho este que continuaria a realizar semanal e ininterruptamente por mais de 50 anos.

José Reis participou, junto com o grupo do zoólogo Paulo Sawaya, da fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a partir da qual fundou e se tornou editor da revista Ciência e Cultura. Ao se aposentar no Instituto Biológico, onde também criou uma revista científica, recebeu o título de Servidor Emérito. “Em todos os lugares em que trabalhou com divulgação procurou passar orientações sobre esta prática, confeccionado pequenos manuais de redação”, relata Osmir.

Já jornalista profissional, também fundou, com José Nabantino Ramos e Clóvis Queiroga, a Editora Instituição Brasileira de Difusão Cultural (Ibrasa), onde atuou até 1978.

Com simplicidade e humor, José Reis
conquistou público da revista

Reis foi o idealizador da campanha “Educação é Investimento”, que promovia feiras de ciências escolares e conferências no Estado de São Paulo, além da autoria de um livro de mesmo nome. “Hoje, os conceitos de defendidos por José Reis são lugares comuns, mas na época ele teve que ‘gritar’ isso por que as pessoas não aceitavam a importância suas idéias”, explica Osmir.

O cientista participou da elaboração do estatuto adotado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), modelo de fomento à ciência que já existia no exterior e que sempre defendeu, e esteve envolvido na criação Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, da qual foi o primeiro diretor.

Seu trabalho como administrador público, atuando em órgãos como o Departamento de Serviço Público de São Paulo, é mais um capítulo de uma vida profissional eclética. Além de toda sua obra em biologia, como o Tratado de Ornitopatologia, escreveu livros sobre assuntos e formatos tão diversos como agricultura, teorias de Albert Einstein, fábulas infantis e poesias.

Em 1962, assumiu o cargo de diretor de redação da Folha de S. Paulo, onde preparou editoriais, sem se desvincular do trabalho de divulgação científica. No mesmo ano recebeu o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de Jornalismo Científico. Destacam-se também a contemplação com o Prêmio John Reitemeyer de Jornalismo Científico, da Sociedade Interamericana de Imprensa e da União Panamericana de Imprensa (1964); o recebimento do Prêmio Kalinga, da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco, 1975); e a instituição, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de uma premiação com seu nome: o Prêmio José Reis de Divulgação Científica (1978).

1992 é o ano da fundação do Núcleo de Divulgação Científica da ECA que receberia, como homenagem, seu nome. Em 2001, tornou-se presidente de honra da recém-fundada Associação Brasileira de Divulgação Científica (Abradic), até falecer, no ano de 2002.

SAIBA MAIS SOBRE O NÚCLEO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA JOSÉ REIS

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