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fevereiro 27, 2009

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Postado por USP Notícias

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medicina
Nova técnica elimina obstrução na bexiga com laser em fetos
Na Clinica Obstétrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), uma nova técnica de citoscopia fetal, que utiliza terapia a laser para realizar a desobstrução, vem sendo aplicada no diagnóstico e tratamento de casos graves de feto com obstrução na bexiga. O método é minimamente invasivo, evitando os riscos das cirurgias feitas com a abertura da barriga da mãe e do feto. Os instrumentos utilizados no tratamento foram desenvolvidos pelo médico obstetra Rodrigo Ruano, pesquisador no HC.

A obstrução da bexiga ocorre aproximadamente em cada 2 mil nascidos vivos.“Em casos mais graves, a obstrução acontece por não formação do canal da uretra (atresia de uretra) ou pela existência de uma membrana conhecida como válvula de uretra posterior”, afirma Ruano, que também é professor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). “Como a urina não pode sair, a função renal do feto é comprometida, ao mesmo tempo em que acontece a carência de líquido amniótico, o que prejudica o desenvolvimento dos pulmões.”
 
O objetivo do médico era criar uma técnica com função diagnóstica e terapêutica. Os casos mais graves são identificados por ultra-som convencional, no pré-natal, entre 12 e 20 semanas de gestação. Para identificar o tipo de obstrução, Ruano utilizou uma agulha de 2,2 milímetros. “Guiada por ultra-som, ela atravessa a barriga da mãe, o útero e a barriga do feto, entrando na bexiga e fazendo a identificação do problema por meio de endoscopia”, conta.
 
Quando é identificada válvula de uretra posterior, um laser é introduzido na agulha para fazer a remoção da membrana. “O procedimento é feito em casos de obstrução completa, ausência de líquido amniótico e função renal razoavelmente preservada, até a vigésima sexta semana de gestação”, descreve o obstetra. Para os casos de obstrução por não formação do canal da uretra, que representam cerca de 30% a 40% das ocorrências mais graves, não há tratamento ainda.
 
Resultados
Desde que a técnica começou a ser utilizada no HC, em meados de 2006, foram identificados dez casos graves de fetos com obstrução da bexiga com a nova técnica. Seis deles apresentavam válvula de uretra posterior, passível de tratamento, sendo que quatro sobreviveram. “São resultados promissores”, ressalta o médico. “A técnica já é adotada em alguns centros médicos dos Estados e Unidos e Inglaterra, e começa a ser introduzida no Brasil”.
 
De acordo com Ruano, os riscos para a mãe durante a citoscopia são mínimos. “Não é uma cirurgia de barriga aberta, como acontece em procedimentos semelhantes nos Estados Unidos”, explica. “A agulha é introduzida através de punção, um método minimamente invasivo para a paciente”
 
Em relação ao feto, a técnica reduz as possibilidades de sangramento da placenta, de prematuridade e de ruptura prematura das membranas ovulares. “A obstrução da bexiga é identificada com um ultra-som morfológico de rotina, durante o pré-natal da paciente”, aponta Ruano. “A citoscopia pode ser feita em centros especializados, com todos os cuidados de assepsia necessários”.
 
As agulhas utilizadas na citoscopia fetal, por onde são introduzidos o endoscópio e o laser, foram desenvolvidas pelo próprio médico. Os instrumentos tiveram sua patente registrada por meio da Agência USP de Inovação.

Mais informações: (11) 3069-7879; emails rodrigoruano@usp.br e rodrigoruano@hotmail.com

Palavras-chave: nnpp

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