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fevereiro 19, 2009

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Postado por USP Notícias

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Geografia
Na FFLCH, laboratório aprofunda o estudo da questão agrária
 
No Brasil, muita terra fica nas mãos de poucos, e muita gente fica sem terra. E é aí que começam os maiores problemas envolvidos na questão agrária. “É uma grande discussão política, e nós, do ponto de vista da Universidade, tentamos participar com os instrumentos que temos para contribuir para o debate”, diz a professora Marta Inez de Medeiros, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A professora coordena o Laboratório de Geografia Agrária da USP, conhecido como Agrária.

Alunos de graduação, pós-graduação e docentes fazem parte do Agrária, que agrega interessados em discutir e aprofundar a temática do campo, algo que dificilmente fariam fora do Laboratório. “O tempo do curso da graduação é regulado pelo calendário escolar, com começo, meio e fim bem definidos”, diz. Marta “Esses grupos de estudo, em geral, têm anos de existência continuada. Às vezes, a gente até se encontra em recesso, férias, dependendo da disponibilidade de cada um.”

A docente diz que, apesar de a questão agrária ser profundamente política, é necessário que a discussão seja “bastante fundamentada”. “Nosso objetivo é formar estudantes como pesquisadores e pessoas com uma concepção de academia que vai muito além do frequentar sala de aula e, ao mesmo o tempo, contribuir diretamente para o amadurecimento de discussões e de ações na área do campo no Brasil".

Pontos críticos
A grande concentração fundiária e a presença de latifúndios que nada produzem são os maiores pontos da questão agrária, razão de ser do Laboratório. E o problema tende a se agravar. “A problemática agrária no Brasil é profunda, complexa, e, nos últimos anos, com avanço do agronegócio, tem se tornado ainda mais complicada, pois os interesses na manutenção da concentração de terras hoje são ainda mais amplos.” A presença de empresas internacionais de agrobusiness no Brasil é muito grande e preocupa a docente.

Segundo a docente, o Brasil tem liderança em torno da discussão do tema. “Temos hoje um movimento social bastante combativo e organizado em torno dessa questão, o que nos dá destaque no cenário internacional”, justifica a professora, referindo-se aos “cerca de 40” movimentos pela terra no Brasil, principalmente o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que completa 25 anos em 2009. Para a professora, o MST é um dos “movimentos mais ativos do mundo”.

Outras atividades

Além de grupos de estudo, o Laboratório realiza atividades de extensão, com o intuito de dar mais visibilidade à questão agrária no país. Uma destas atividades é a Prosa na Quinta, que acontece periodicamente (as datas do evento são divulgadas no site do Laboratório), com discussões entre algum convidado envolvido com a temática – não necessariamente acadêmico – e o público em geral.


O Agrária tem também uma revista online, onde são publicados artigos não só de integrantes do Laboratório, mas também de acadêmicos de fora da USP. A professora Maria Inez acredita que as iniciativas de extensão criam “um diálogo positivo” entre diferentes grupos de acadêmicos e a sociedade.

Eventos também são promovidos pelo Laboratório. Entre 2 e 7 de fevereiro, aconteceu a 19ª edição do Encontro Nacional de Geografia Agrária, que agregou pesquisadores, docentes e estudantes da área do Brasil inteiro. A divulgação dos eventos é feita no site, o qual, segundo a professora, existe para “criar um canal com a comunidade”. “Como a USP é pública, a pessoa pode vir, entrar na sala, e assistir, do mesmo modo que um aluno regular”, diz.

Tudo isso, na opinião a docente, pode contribuir principalmente para transformações na conjuntura problemática no campo brasileiro. Ela se diz esperançosa. “Acho que todo pesquisador na área de ciências sociais que trabalha numa perspectiva crítica, ou seja, que quer entender a sociedade de forma mais radical e profunda, nas suas contradições, faz isso porque acredita que é possível contribuir para melhorar, para a mudança. Se nós não acreditarmos nisso, fica difícil trabalhar”.

Fotos: Marcos Santos

Palavras-chave: nnpp

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