Stoa :: USP Notícias :: Blog :: Rotina intensa e experiência são os diferenciais da residência médico-veterinária do Hovet

fevereiro 11, 2009

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Postado por USP Notícias

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Pós-Graduação
Residência em medicina veterinária dá experiência a quem acabou de sair da faculdade
 O dia-a-dia de Cléber Augusto Fontana é de trabalho árduo. Como residente, fica entre 40 e 60 horas por semana no hospital, faz plantões de madrugada e muitas vezes não tem tempo nem para almoçar. Mas ele não está se especializando em pediatria ou psiquiatria, e sim em clínica e cirurgia de pequenos animais. Cléber é um dos 26 alunos do programa de residência médico-veterinária do Hospital Veterinário (Hovet) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

O curso segue o mesmo princípio da residência médica: é uma modalidade de pós-graduação lato sensu que permite ao aluno obter o título de especialista junto ao Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). O Hovet criou seu programa de residência em 1983, e desde então formou 281 alunos. O hospital oferece quatro áreas nas quais os residentes podem se especializar: medicina veterinária preventiva, clínica e cirurgia de grandes animais, clínica e cirurgia de pequenos animais e anatomia patológica.

A residência dá ao profissional recém-formado a oportunidade de aperfeiçoar sua prática clínica realizando atendimentos sob a orientação dos professores e veterinários contratados do hospital. Trata-se de um programa essencialmente prático. “É um treinamento em serviço. Eles não fazem pesquisa, não são funcionários, nem têm vínculo empregatício”, explica Carlos Eduardo Larsson, presidente do Conselho de Residência do Hovet.

Segundo Eduardo Harry Birgel, professor aposentado da FMVZ e presidente da Comissão de Residência Médico-Veterinária do CFMV, a residência está baseada em um tripé: estrutura física, capacitação dos orientadores e a casuística - o estudo de casos particulares - que o serviço envolve. “Se o hospital atendesse dois animais por dia, não daria para ter uma residência. Não haveria possibilidade de ensino”. Apesar do primeiro programa de residência veterinária brasileiro ter sido criado na década de 70, o CFMV reconheceu e regulamentou a modalidade apenas em 2001. Desde então os cursos são avaliados periodicamente.

No programa de residência do Hovet, apenas nos primeiros meses são ministradas aulas teóricas - o chamado “nivelamento”. Depois, além da orientação recebida no dia-a-dia, os residentes participam, uma vez por semana, de reuniões clínicas e setoriais nas quais são discutidos os casos mais raros e interessantes.

Um dos grandes diferenciais da residência em relação aos demais cursos de pós-graduação é a sua extensa carga horária. Os residentes ficam de um a dois anos no hospital, cumprindo uma jornada de 40 a 60 horas semanais (o mesmo que um residente de medicina). Isso resulta num total de até 3520 horas de prática.

“Os cursos de especialização da faculdade têm ao redor de 500 horas e as práticas profissionalizantes dos departamentos duram entre 30 e 60 dias. A diferença é brutal. O residente, depois de dois anos, sai com uma bagagem excelente. Tanto é que boa parte já sai praticamente com emprego garantido”, afirma Larsson. O título também dá pontuação adicional em alguns concursos públicos e é um diferencial na hora de se candidatar a um mestrado ou um doutorado.

Recém saído da graduação e diante do mercado de trabalho cada vez mais competitivo, Cléber pensou em iniciar um mestrado, mas escolheu cursar a residência antes. “A gente sai da faculdade um pouco cru, é preciso adquirir mais praticidade no desempenho da atividade. Eu acho que a residência dá uma boa bagagem para isso”.

Todos os residentes recebem bolsa, uma exigência do CFMV. No caso do Hovet, parte dos benefícios é custeada pelo governo do estado e o restante é mantido através de doações de empresas privadas. Os residentes ainda têm direito a férias remuneradas, afastamento de até um mês por motivos de saúde e 120 dias em caso de gestação, sempre recebendo a bolsa.

O presidente do Conselho de Residência do Hovet afirma que se estuda aumentar ainda mais a carga horária do programa, permitindo que parte dos residentes curse um ou dois anos suplementares, para uma maior especialização. “O nosso programa tem uma conotação generalista. Quem faz residência aqui no nosso hospital atua em toda e qualquer área da sua opção. Ele não faz residência em dermatologia, cardiologia ou oftalmologia. Transita em toda a área de clínica médica e clínica cirúrgica. Isso é um diferencial em relação a todos os outros programas brasileiros”.

Rotina intensa
Cléber fica no hospital de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Isso quando não vai além do expediente. “Às vezes você acaba se envolvendo com um caso que quer acompanhar até o fim. Aí não dá pra dizer ‘é meio dia, vou almoçar’. Você continua até o fim.”

Imersos na atribulada rotina do Hovet, o maior hospital-escola veterinário da América Latina, os residentes se envolvem em casos complexos. Para Cléber, um caso marcante aconteceu quando participava de uma cirurgia em um dogue alemão diagnosticado com câncer no baço. Durante a operação, descobriu-se que o tumor estava em um local diferente e era bem mais grave do que se pensava. “Na verdade era um tumor de linfonodo, que estava envolvendo todo o intestino. Então uma cirurgia não traria muitos benefícios para o animal. Tivemos que conversar com os proprietários, dizer que seria possível fazer a cirurgia, mas que o animal ficaria bem debilitado. Eles optaram então pela eutanásia.”

Assim como seus colegas da medicina, os residentes do Hovet realizam plantões, mas de um jeito diferente. Como o hospital não recebe “pacientes” à noite, os residentes realizam o chamado Sistema Intensivo de Monitorização (SIM). “Eles ficam sob orientação à distância de professores, acompanhando os animais que passaram por processos cirúrgicos ou tratamento médico durante o dia”, diz Larsson.

Seleção
Podem se candidatar para o programa no Hovet veterinários formados há, no máximo, dois anos. Eles se submetem a uma prova teórica, entrevista e avaliação curricular. Para passar para o ano seguinte, os candidatos sofrem outra avaliação. “Nesses 25 anos não houve exclusão, porque a seleção é muito bem feita, com excelentes candidatos, já que o programa é muito disputado”, afirma Larsson.

Para entrar, os veterinários enfrentam uma concorrência altíssima. No último processo seletivo, inscreveram-se 83 candidatos, que disputaram 17 vagas (uma média de 4,9 candidatos por vaga). A área mais procurada foi a de anatomia patológica, que teve uma relação de 8 candidatos para cada vaga – a mesma concorrência enfrentada por um candidato à residência em endocrinologia no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP no processo seletivo deste ano.

As informações sobre o próximo processo seletivo serão divulgadas no site do hospital em outubro deste ano.

Fotos: Marcos Santos

Palavras-chave: nnpp

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