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fevereiro 05, 2009

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Postado por USP Notícias

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CRISE econômica
Em 2009, menos verba vai para ciência e tecnologia; comunidade acadêmica se mobiliza

 Para um país funcionar e se destacar mundialmente, a receita é priorizar os investimentos em educação, ciência e tecnologia. Essa é a posição da geneticista Mayana Zatz, atual pró-reitora de pesquisa da USP. A fórmula, no entanto, não foi compartilhada pelo Congresso Nacional na elaboração do Orçamento da União para 2009. Foi aprovado, para este ano, um corte de 18% na verba que seria destinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), o que vem causando furor na comunidade acadêmica. 

“Muitos deputados e senadores veem ciência e tecnologia como uma coisa lá para o futuro, sem muita importância”, diz a geneticista do Instituto de Biociências (IB) da USP. A preocupação dos acadêmicos em relação ao corte, que representa o valor aproximado de R$ 1,2 bilhões, é expressa em um manifesto na internet. “Um retrocesso nesse momento resultará em conseqüências negativas em médio e longo prazo”, diz o documento.

Organizado por coordenadores de diversos institutos de ciência e tecnologia da USP, o manifesto busca o maior número de adesões possível na esperança de que o documento possa mobilizar o Congresso e evitar novos cortes no futuro. “O Congresso achou que ninguém ia falar nada”, diz Mayana. O documento, segundo ela, mostra que a comunidade científica “está alerta” à questão.

A pró-reitora critica o fato de o Brasil estar na contramão de países como EUA e Reino Unido, que, mesmo com a crise econômica, não cortaram verbas no setor. “Acho que tem muita ‘gordura’ para cortar, mas não vou te falar porque todo mundo sabe”, provoca. A geneticista reforça a grande importância que o setor de ciência e tecnologia tem ao lado da educação ao afirmar que são “até mais importantes" que o de saúde. A explicação é a de que muitos problemas na área da saúde decorrem de deficiência naqueles setores.

Governo x Congresso

O governo federal tem se mobilizado para, pelo menos, amenizar o quadro colocado pelo Congresso. “O governo está tentando ver como tirar de outras áreas para reverter, para repor o que foi tirado indevidamente”, diz Mayana. Segundo a assessoria do MCT, o corte foi “rechaçado” e o Governo tem discutido meios para a reposição.

Em nota, o Ministério diz que “o Governo Federal já se comprometeu em adicionar ao orçamento deste ministério [MCT] os recursos de R$ 180 milhões, destinados ao pagamento das bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)”.

“A discussão é equivocada”, afirma o relator-geral do orçamento, senador Delcídio Amaral. Para ele, “todo mundo sofreu com os cortes”. Amaral afirma que, como não há uma cultura de cortes no Congresso, poderiam ocorrer equívocos na elaboração do orçamento. Por isso, foi criada a Reserva de Estabilização Fiscal, que contém recursos destinados a ajustes no orçamento. Da reserva, Amaral diz terem sido encaminhados R$ 2,5 bilhões para as pasta de Educação e de Ciência e Tecnologia, “[Com a quantia] dá tranquilo para ajustar alguns desvios, projetos e programas”, diz. “A área não tem que se preocupar.”

Fotos: Arquivo

Palavras-chave: nnpp

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