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dezembro 18, 2008

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Postado por USP Notícias

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medicina
Projeto da FMRP agiliza atendimento a paciente asmático
Um projeto elaborado por professores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que prevê melhorar e agilizar o fluxo do atendimento de pacientes com asma dentro da rede pública de saúde de Ribeirão Preto, a partir de 2009, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Asma Brasil. O prêmio, criado este ano e promovido pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, foi entregue na reunião anual da Sociedade que aconteceu em novembro.

Segundo a professora Luisa Karla de Paula Arruda, do Departamento de Clínica Médica da FMRP, especialista em alergia e uma das coordenadoras do projeto, a idéia é atuar em várias etapas, começando pelo treinamento dos profissionais da rede pública de saúde para atingir, principalmente, pessoas com asma de difícil controle e estabelecer o vínculo delas com o sistema de saúde. “Nossa proposta é fazer com que o atendimento que já existe fique mais efetivo e rápido, com uma abordagem individual, ambiental, educacional e comunitária da doença. Pretendemos convidar médicos gerais, clínicos, pediatras, profissionais da área da saúde da família que atendem ou tenham contato com pacientes com crise aguda de asma, para rever toda a questão do diagnóstico, do tratamento, do uso das medicações, que em geral exigem um bom conhecimento e estão disponíveis na rede pública, além de ser muito eficazes”, explica.

De acordo com o projeto, o que se pretende é estabelecer um fluxo de encaminhamento desses pacientes para especialistas em asma, na própria rede pública, que pode ser o alergista ou o pneumologista. Esse fluxo entre os clínicos gerais, pediatras e médicos de família, por exemplo, não deve ser superior a um mês. Outro objetivo é agilizar em um período de 30 dias o encaminhamento dos pacientes com maior gravidade, com suspeita de asma de difícil controle, para o atendimento em hospital terciário, como o HC, por exemplo. No hospital terciário será feita toda a avaliação para definir se a asma grave é de difícil controle. “É muito comum alguns casos de asma serem considerados graves e de difícil controle, mas geralmente podem estar associados a outras doenças, como refluxo, sinusite, e até ao uso de anti-hipertensivos. Quando você cuida dessas intercorrências melhora a asma”, garante.

A professora lembra ainda que o tabagismo é um grande agravante para a asma, mesmo que seja um sujeito passivo, que convive com fumantes. “Em 2005 fizemos um estudo em Ribeirão com crianças com crise de asma que davam entrada na urgência de dois hospitais da cidade. Constatamos que em 62% dos casos, pelo menos, um dos pais fumava”.

Equipamentos
Karla adianta que o grupo pretende trabalhar também a questão da orientação de pacientes e, ainda, prover a rede pública de espirômetros, aparelho para medir a função pulmonar, essencial para o diagnóstico da asma. Eles constataram que a rede pública também não tem material para a realização de testes cutâneos para diagnósticos de alergia. “Além de aparelhos e materiais para exames um dos grandes problemas do tratamento é a aderência. O paciente precisa entender que o seu tratamento tem quer ser diário e, ainda, como deve usar a medicação. Vamos reforçar todos esses conceitos junto ao enfermeiro e o visitador domiciliar. No tratamento dos pacientes com asma de difícil controle, o projeto prevê que agentes comunitários façam visitas domiciliares para coleta de amostras de poeira para medidas de alérgenos de ácaros, baratas, gato e cachorro, a cada três meses”, revela.

Outro aspecto importante, segundo a professora Karla, é a divulgação para a comunidade sobre o que é asma e o seu tratamento, lembrando sempre que ele está disponível na rede pública. “Esse tratamento pode levar a uma melhora muito grande na qualidade de vida dessas pessoas, por isso elas precisam estar informadas e saber onde procurar ajuda.”

O professor Elcio dos Santos Oliveira Vianna, também da Clínica Médica da FMRP e especialista em pneumologista, espera que no início do próximo ano o projeto já esteja em andamento. “Contamos que os médicos da rede já tenham, no início de 2009, mais informações e com isso possam oferecer uma melhor avaliação aos pacientes, acelerando os encaminhamentos necessários. Mas isso ainda vai depender de ações integradas que vão levar mais tempo para chegar à sua plenitude.”

O professor alerta aos pacientes atendidos em prontos socorros, em função de crise de asma, que eles devem procurar atendimento especializado para saber se a doença se mantém, ou seja, se os brônquios estão obstruídos. “Se isso acontecer ele precisa de tratamento constante para evitar uma próxima crise e principalmente para viver bem.”

Participam, ainda, do projeto os professores Virginia Paes Leme Ferriani e Pérsio Roxo Júnior, do departamento de Puericultura e Pediatria da FMRP, e Ana Carla Sousa de Araújo, da Faculdade de Medicina da Unaerp e médica da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.

Fonte: Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus Administrativo de Ribeirão Preto

Mais informações: (16) 3602-3279, email karla@fmrp.usp.br, com a professora Karla, ou (16) 3602-2706, email evianna@uol.com.br, com o professor Vianna

Palavras-chave: nnpp

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