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dezembro 15, 2008

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Postado por USP Notícias

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crianças e adolescentes
Núcleo de extensão da EE mostra que saúde vai além da cura de doenças
 
"É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, (...) à convivência familiar e comunitária."
Artigo 4° do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

A criação do Estatuto da Criança e do Adolescente representa um avanço na mentalidade brasileira em relação à importância dos direitos dos jovens. Mas tais garantias não podem ficar apenas no papel. Foi pensando assim que o Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão Universitária: Assistência de Enfermagem em Saúde Coletiva (NACE: AENSC) começou, em 1998, o projeto Estratégias para a Promoção da Saúde da Criança. O núcleo - que faz parte da Escola de Enfermagem (EE) da USP - atua buscando melhorias na promoção da saúde infantil na cidade de São Paulo.

Dividido em subprojetos, o Estratégias mostra que tão importante quanto o foco na cura das doenças é a valorização do ambiente familiar, já que é nele que se dará a prevenção e o cuidado com as crianças. Por isso o NACE: AENSC se preocupa com a formação de profissionais capacitados para analisar não apenas as patologias, mas todo o contexto de vida das crianças.

Mais que um projeto de governo
Como forma de unir saúde e ambiente familiar, o NACE: AENSC criou o subprojeto "Nossas crianças, janelas de oportunidades". Nele, formou-se o que posteriormente ficou conhecido como "Saúde da Família", projeto utilizado pela Prefeitura do Município de São Paulo no governo de Marta Suplicy. A idéia é que agentes comunitários levem cartilhas educativas para famílias com gestantes ou crianças até 6 anos, como forma de abrir um diálogo sobre o desenvolvimento da criança.

Além disso, os agentes também abrem uma ficha de acompanhamento de cuidados domiciliares, com um prontuário da criança, utilizado por médicos e enfermeiros nas consultas de rotina. "Isso amplia o enfoque na questão da estrutura familiar de cuidado", conta Anna Maria Chiesa, uma das professoras responsáveis pelo projeto.

Para capacitar os profissionais da rede, foi feito um curso com um manual. "Graças a ele", explica Anna Maria, "existem profissionais que usam o projeto e o prontuário até hoje, mesmo não sendo mais uma estratégia de governo. Cada prefeito quer deixar a sua marca, mas mesmo o Mãe Paulistana tem muita coisa que foi proposta pelo Nossas Crianças, do NACE: AENSC".

A importância da graduação
Além de capacitação de profissionais da área, Anna Maria citou que a graduação também deve ser um espaço para formação de um profissional mais humano, e não apenas aquele que cuida da doença em si. "Lutamos pela inclusão do protocolo do projeto na graduação, porque percebemos que os enfermeiros que estão preparados para a utilização do protocolo têm uma maior resolutividade quando chega uma criança com queixa, reduzindo assim a mortalidade por doenças prevalentes".

A equipe da professora conseguiu mais do que isso: constituiu-se uma rede latino-americana de enfermeiros trabalhando pela inclusão do sistema nas universidades. Universidades de toda a América, como a do Alabama (EUA), fizeram intercâmbios sobre saúde da criança, enriquecendo cada vez mais o projeto, que começou a ser utilizado em outros países. O NACE: AENSC, em parceria com essa rede, criou um manual para ser utilizado nas universidades da América Latina. Hoje, a importância da formação de um profissional crítico na relação saúde-família é percebida por grande parte da comunidade acadêmica da área.

Fotos: Arquivo

Palavras-chave: nnpp

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