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dezembro 09, 2008

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Postado por USP Notícias

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Odonto
"Fadinha dos dentes" pode ajudar na manutenção do Banco de Dentes da FO
 A "Fadinha dos dentes", personagem do folclore mundial, terá que ajudar nas pesquisas da Faculdade de Odontologia (FO) da USP. Isso porque o Banco de Dentes Humanos (BDH) da FO está precisando de dentes para fornecer aos estudantes de graduação e pesquisadores. Segundo o professor José Carlos Pettorossi Imparato, "o Banco de Dentes está numa situação crítica", e  por isso está sendo preparada uma campanha para estimular as doações do público infantil.

Imparato defende que as mães estimulem as crianças a doarem seus dentes: "as mães podem falar para as crianças que a fadinha leva os dentes dela para o Banco de Dentes". O professor afirma que estimular a doação de dentes é uma maneira de incentivar também a doação de órgãos. "Podemos formar assim uma geração de doadores", aponta. Pensando nisso, o Banco de Dentes da FO está elaborando um gibi que conscientizará as crianças sobre a importância das doações.

dente
O professor Imparato foi um dos idealizadores do Banco de Dentes da FO, criado em 1996. A organização do arquivo foi o resultado de sua tese de doutorado, e esse foi o primeiro banco do tipo no Brasil, sendo ainda hoje referência para outros no país. No início os dentes eram usados tanto para o ensino e pesquisa quanto para tratamentos. Porém, com o surgimento de técnicas mais avançadas de tratamento, o banco deixou de ser utilizado para esse fim.


Antes do advento dos bancos, os estudantes eram obrigados a comprar dentes no 'mercado negro', conta o professor. "O professor pedia para os alunos trazerem dentes para a aula, mas muitas vezes os alunos tinham que comprar esses dentes em cemitérios, o que é totalmente ilegal. O dente é um órgão, e comprar dentes é tráfico de órgãos. Pedir para um estudante de odontologia trazer um dente para a aula era o mesmo que pedir para um estudante de medicina levar um crânio", explica.

O caminho de um dente
Os dentes que chegam ao banco são extraídos na própria FO ou são doados por outros dentistas e até por crianças que perdem seus dentes-de-leite. O banco tem duas divisões, a Decídua, que armazena os dentes-de-leite, e a de Permanentes. Após chegar ao banco, eles são limpos, classificados e armazenados em um refrigerador. O banco aceita qualquer dente humano - até mesmo dentes danificados.

dentista
A maioria dos dentes é reservada para os alunos de graduação, que têm preferência para utilizá-los em aula. Os que sobram são fornecidos para pesquisas feitas na FO. "Antigamente nós emprestávamos dentes para outras faculdades, mas como hoje não temos tantos não podemos fazer isso. Já tivemos inclusive que recusar dentes para pesquisadores da FO", conta Imparato.

O professor defende que cada faculdade tenha seu banco de dentes. Imparato inclusive preparou um documento que será mandado ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério da Saúde pedindo que os cursos que não tiverem bancos de dentes não sejam certificados. "É inadmissível que um curso de odontologia não tenha um banco de dentes. Se a faculdade não tem banco, como o aluno consegue dentes para as aulas? O MEC precisa estar atento a isso e fiscalizar as faculdades de odontologia", afirma.

Ele também defende a criação de um cadastro nacional de bancos de dentes humanos, para que bancos de dentes mais completos possam ajudar outros com problemas.

Tentando solucionar o problema da falta de dentes em seu banco a FO estabeleceu um convênio com a prefeitura de Barueri para a doação de dentes extraídos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. "Essa parceria ajuda o banco, mas ainda são necessárias mais doações", afirma o professor.

Para fazer uma doação basta levar o dente ao Banco de Dentes Humanos da FO (Av. Prof. Lineu Prestes, 2227, Cidade Universitária, São Paulo) e assinar um termo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3091-7835.

Palavras-chave: nnpp

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