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Fevereiro 2011

Fevereiro 04, 2011

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Postado por Narumi Abe

Quem gosta de animes, mangás ou filmes do Japão deve ter notado que os estudantes sempre estão usando uniformes. Mas vocês já repararam como os uniformes masculinos são tão diferentes dos femininos? Por que as meninas parecem usar a roupa do Pato Donald? Por que será que meninos e meninas simplesmente não usam variantes do mesmo uniforme? Será que ninguém mais achou essa dúvida intrigante? Como vocês puderam viver sem saber isso até hoje? Não precisam se auto-flagelar, eu fui atrás da resposta. Espero que alguém ache a informação útil. ^^

Yusuke também achou essa dúvida muito intrigante

No Japão, o uniforme escolar é usado em quase todas as escolas e até em algumas universidades. Mais do que uma simples vestimenta, o uniforme também tenta ensinar aos alunos que o coletivo é mais importante do que um indivíduo. No começo o uniforme consistia em um simples kimono ou hakama e, durante o período Meiji (1868-1916), o Japão começou a modernizar suas velhas tradições adotando a moda ocidental. Os uniformes foram redesenhados. E a inspiração para o novo estilo de uniforme foram os trajes militares.

Para os homens, o uniforme seguiu o estilo dos uniformes utilizados pelos soldados do exército da Prússia.

As gatinhas não resistem ao meu uniforme e ao meu para-raios

O uniforme masculino se chama gakuran (gaku-: estudante, -ran: vem de Holanda, representa o ocidente). Possui uma gola em pé e os botões são enfeitados com o emblema da escola. Às vezes, a escola também possui broches, prendedores ou outro adorno para representar a escola. Muitas vezes, o segundo botão do gakuran é oferecido para a menina amada, como um sinal de confissão de amor. O segundo botão fica mais próximo ao coração e diz-se que o botão guarda todas as emoções do tempo de uso do uniforme.

 

Já as meninas ficaram com o estilo inspirado no uniforme da marinha britânica, uma potência naval na época. O uniforme das meninas é chamado de serafuku (sera-: sailor e -fuku: vestimenta). Não procure por serafuku no google images se estiver no trabalho. Você verá pouco uniforme e muito fetiche. A tara é tamanha no Japão que os uniformes são usados até pelas moças mais crescidinhas, depois de formadas. O comprimento correto da saia é abaixo do joelho, mas as moças dão um jeito de encurtá-las para nossa alegria.


Sou uma marinheira do mundo da lua

Em geral, o uniforme possui cores escuras como preto ou azul marinho durante o inverno e cores mais coloridas para celebrar a primavera. O que diferencia uma escola da outra são os lacinhos amarrados no pescoço. Cada escola possui um laço ou um lenço característico.



Além desses uniformes, algumas escolas também adotam o tradicional blazer com emblema da escola e gravata. Mas esses uniformes não são tão legais. Quase nada mudou nos uniformes criados desde a era Meiji. Mas aos poucos, os uniformes estão ganhando pequenos detalhes modernos, tais como tecidos mais leves no verão e até mesmo com transmissores GPS nos lenços e gravatas para os pais mais preocupados.

 

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Fevereiro 07, 2011

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Postado por Narumi Abe

Se tem uma coisa muito legal é história. Não aquela história que a gente aprende na escola, que também tem sua importância, mas as histórias da matemática e das ciências em geral. Algumas histórias são engenhosas como o Newton e a maçã ou o problema de Arquimedes e a coroa de ouro. Alguns chamam de sorte, mas a serendipidade sempre acaba favorecendo os mais preparados. Outras histórias contam como a curiosidade era maior do que o medo, nos tempos em que a igreja considerava tudo bruxaria. Galileu teve que negar o heliocentrismo, Torricelli foi acusado de bruxaria ao prever a chuva fazendo uma boneca afundar devido a pressão atmosférica, e até mesmo Darwin tinha problemas com o padre.

Na engenharia, onde a maioria dos professores tem formação em ciências exatas, é comum ouvir uma ou outra dessas maravilhosas histórias. É uma dessas histórias que eu vou contar.

Torricelli: - Eu não sou uma bruxa!

Tudo começou quando o professor estava reclamando da letra de uns dos meus colegas, dizendo que era difícil de entender e que o número 7 deveria ter um corte no meio, pois é o modo correto. Pra provar o seu ponto de vista, o professor desenhou três símbolos parecidos com o da figura aí embaixo:

Observe que os três símbolos são feitos usando apenas segmentos de retas e lembram um pouco os algarismos 1, 2 e 3 em formato ordinal. Ele começou dizendo que os indianos (hindus) eram um povo muito culto na matemática (vide nomes como o Bhaskara) e juntamente com os árabes, inventaram o que hoje conhecemos como numerais hindu-árabicos. Foi aí que o professor disse algo surpreendente. Disse para contarmos os vértices do encontro dos segmentos de retas de cada figura. Isso mesmo, cada símbolo que forma um numeral era nada mais do que a quantidade de ângulos do número que se desejava expressar! O zero era arredondado pois não poderia apresentar ângulo algum. Incrível! E como seria então o 4? E o 5? E o 6? Ta! Tá! Já entendi! Bom, a numerada completa seria assim:

Veja como o 7 possuía o risco no meio e também um pézinho que algumas pessoas colocam. Só tem um probleminha. Essa história é fajuta. Furada. Apesar de ser bem elaborada, não tem fundamento nenhum. Tão bem elaborada que a história ficou famosa e foi até publicada em livros, como por exemplo no Notations Mathematics, Volume I (Cajori, Florian. 1928) e recontada pra todo mundo. A história real é que os símbolos numéricos são ancestrais dos antigos numerais Brahmi. Os números foram se adaptando ao longo do tempo, entre uma transcrição e outra, iam se modificando, pela falta de precisão ou simplesmente pela dificuldade em desenhar os primeiros números, passando pela Índia, Pérsia até chegar a Europa. Abaixo, uma figura que mostra a evolução dos números com o passar dos anos, retirado da wikipedia.

 

Importante notar que a versão em inglês do wikipedia desmente a história da origem dos números baseados em ângulos. Já a versão em português do texto ainda apresenta a história como sendo real. Algumas histórias são tão legais que a gente gostaria que fosse real. Infelizmente essa história era apenas um mito, mas mesmo assim é uma bonita história. E a história de como essa história se propagou também é divertida e também é histórica. Mas enfim, o sete nunca teve o cortinho no meio. =D

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Fevereiro 08, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

 

Esse texto é em resposta ao post de um blog aqui mesmo do stoa: “Ciência não é contra religião”. Preferi responder aqui em vez de escrever nos comentários, pois assim consigo manter melhor meus arquivos, adicionar ilustrações e essas coisas. O post é uma série de banners de uma campanha originalmente lançados pelos sites quebrandooateismo.com.br e teísmo.net.

A idéia do post dos teístas é afirmar que a religião foi importante na história da ciência. Para provar essa afirmação, eles citam diversos cientistas religiosos que fizeram algo importante. Bem, antes de mais nada, para a discussão seguir de forma correta, é preciso definir de que religião eles estão falando. Existem milhares de religiões. Cada um acredita em um ou mais deuses. Como nos banners só havia católicos ou cristãos, assumirei que religião, para os fins desta argumentação, significa “qualquer religião que acredita no deus da bíblia”. Caso contrário, fica muito fácil argumentar dando exemplos de pajelança, sacrifícios humanos, rituais de fertilidade e outras feitiçarias totalmente não científicos. Dito isso, vamos ao texto.

Será mesmo que ciência e religião são compatíveis? Acho muito difícil, pois existe uma diferença de interesse básica no que as duas coisas procuram. A ciência quer respostas. E a igreja sempre ofereceu as respostas. Mas as respostas que a ciência encontra não correspondem às respostas que a igreja fornece. Por exemplo, a religião dizia que a Terra era plana e que era o centro do universo. A ciência mostrou que não. Mostrou que a Terra é redonda e que o universo é muito, muito grande. Que somos um grão de areia no meio de um deserto imenso. Diziam que somos os únicos seres do universo. Hoje o Papa admite a possibilidade de existir vida alienígena. A religião dizia que o demônio era o causador de todas as doenças. Os estudos mostram que existem vírus, bactérias, fungos, protozoários, doenças congênitas. Esquizofrênicos e pessoas com epilepsia eram mortos, pois os religiosos achavam que estavam possuídos. Hoje são tratados e podem ter uma vida normal. Não, a religião não ajudou a ciência. Ela só atrasou a humanidade na era das trevas e continua fazendo isso até hoje. Impedindo transfusões de sangue em crianças inocentes, transplantes de medula óssea, atrasando pesquisas com células-tronco.

Eu poderia ter conhecido o Spock :(


A ciência não é inimiga da religião, pois ela sabe que não tem todas as respostas. A ciência não se julga dona da verdade. Ela admite erros e vai se corrigindo com o tempo, só assim pode progredir. Pode inclusive admitir a existência de deus, desde que alguém dê uma prova convincente. A palavra-chave aqui é “prova”. Imagine que você tenha um amigo doente. O método da religião consiste em rezar por  acreditar que um deus (ou santo) irá interceder em favor do amigo. A palavra-chave aqui é “acreditar”. O religioso tem fé que o amigo será curado. É disso que a fé se trata. Acreditar por confiança. Já o método científico vai tentar uma solução mais terrena, experimentando e observando. Fazendo experimentos, a pessoa pode melhorar ou piorar. Se piorar, ela vai tentar outra coisa. Se melhorar, continuar naquele caminho. Até a pessoa melhorar ou morrer. E um novo aprendizado será tirado, independente do resultado. Veja bem, não estou dizendo qual método é melhor que outro, só estou comparando as duas coisas porque essa explicação será importante daqui a pouco.

Bom, vimos então a diferença básica entre a religião e ciência. Existem muitos cientistas que acreditam em algum deus, provavelmente a maioria. Mas (e é um “mas” muito importante), eles separam a fé da ciência quando estão trabalhando. Quando dois cientistas de religiões diferentes estão estudando algo, eles não ficam discutindo qual dos deuses realizou o milagre. Eles irão buscar uma explicação científica. E é o ponto que eu queria chegar nos banners.

Foi o matemático/engenheiro/Doutor em física pelo MIT/professor de Astronomia Georges Lemaître que teorizou o Big Bang, não o Padre Georges Lemaître. Georges Lemaître também era militar. Então seguindo essa lógica ilógica, os militares são importantíssimos para a ciência. O mais surpreendente é os religiosos usarem a teoria do Big Bang dizendo que foi uma descoberta importante para a humanidade. Justo o Big Bang, odiado pela religião, pois afirma que o universo tem bilhões de anos, ao invés de alguns mil anos. O Big Bang, odiado mortalmente por criacionistas que querem obrigar os museus dos EUA a colocarem bonecos de Adão e Eva junto com os dinossauros e incluir o assunto nos livros didáticos. O mesmo Big Bang criticado mortalmente por quem não entende o funcionamento do decaimento dos radio-isótopos. O Big Bang realmente foi muito importante, mas ao admitir a importância da teoria, a religião se contradiz.

Outro homem citado no banner foi o monge Gregor Mendel. Realmente ele recebe o merecido título de pai da genética.  Mas sabe como ele fez isso? Como fez os experimentos que permitiram que ele criasse as famosas leis? Plantando e polinizando ervilhas. Mendel ia cruzando ervilhas de características diferentes (cor, tamanho, forma, …) e viu que podia manter características genéticas nas gerações seguintes. Na época, o estudo não parecia ameaçar a religião. A igreja estava mais interessada em mandar para a fogueira estudiosos de pesquisas que pareciam mais chocantes como a química, física ou astronomia. O estudo da cor das ervilhas parecia inocente, mais ou menos como mostrar que o filho tem os olhos dos pais, uma maravilha divina, diriam. E assim, a genética cresceu. A genética que é tão importante hoje em dia e que tanto desafia a igreja. Que mostra que homens e mulheres são idênticos, e que as fêmeas não são inferiores, feitas a partir de uma costela. A genética que mostrou que os índios americanos não podem ser descendentes dos hebreus, como acreditam os mórmons. A genética que mostra que nossos genes estão longe de serem perfeitos, criados a imagem de um ser superior, pois estão cheio de erros grosseiros e códigos redundantes, resultado de milhares de anos de cruzamentos, mutações, tentativas e erros, nunca por meio de um design inteligente. Se o santo padre soubesse que estudar a cor das ervilhas servisse para provar a teoria da evolução no futuro, ele nunca teria permitido. Mas, da mesma forma que a teoria do Big Bang, ver um religioso dizer que a genética tem importância é uma surpresa.

Humm... ervilhas com azeite


Lemaître e Mendel eram, digamos, profissionais da religião. Já as outras três pessoas dos banners eram apenas pessoas com alguma religião (Fisher, Pascal e Francis Collins). Não há nada de anormal nisso. Aliás, considerando que grande parte da população mundial tem alguma crença, é natural encontrar cientistas religiosos. Posso até ajudar citando outros: Einstein, Darwin no começo de carreira, Maxwell. O que não significa que eles misturavam a religião em seus estudos (ou misturaram e o resultado não foi bom).

Concluindo, a ciência foi muito prejudicada pela religião conforme foi mostrado em muitos exemplos. A afirmação de que a religião ajudou a ciência mostrou-se falaciosa pois as ilustrações mostraram basicamente cientistas que fizeram descobertas utilizando rigorosos métodos científicos e não religiosos, mostrando que a religião dos cientistas foi meramente casual e irrelevante para a ciência.

 

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Fevereiro 14, 2011

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Postado por Narumi Abe

Li esse texto genial a um tempão atrás, mas nunca achei o autor original. Alguns dizem que foi Niels Bohr. Outros dizem que foi Alexander Calandra. Vale a pena ler, o texto é tão legal que existem traduções em vários idiomas.

 

* * * * *

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele.

Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova que dizia: 

Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro.

A resposta do estudante foi a seguinte:

"Leve o barômetro no alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício".

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão.



Tenho mil e uma utilidades!


Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante aceitou encarar aquilo que, eu imaginava, seria um bom desafio para ele. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos ele não havia escrito nada. Apenas olhava pensativamente para o forro da sala.

Perguntei então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Fiquei ainda mais surpreso quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade, tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor.

Pedi desculpas pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

"Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt², calcule a altura do edifício".

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala, lembrei que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei a ele quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro". Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício".
"Um outro método básico de medida, aliás, bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's e a altura do edifício pode, a principio, ser calculada com base nessa diferença".
"Finalmente se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater a porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se: - Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente".

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta "esperada" para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

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Fevereiro 20, 2011

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Postado por Narumi Abe

Acabei de reler O Sinal dos Quatro, um dos meus livros favoritos de quando eu era pequenino (devo ter lido umas vinte vezes). A diferença é que desta vez eu li a versão sem cortes que mostrou um Sherlock Holmes viciado em cocaína. O livro me fez lembrar do House MD, meu personagem favorito da TV. Procurando por aí, vi que o seriado do médico sarcástico foi bastante inspirado no detetive mais famoso do mundo. Veja algumas referências: 

- Os dois são viciados. Holmes em cocaína (e ópio e morfina) e House em Vicodin.

- Holmes e House começam com a letra H. Assim como as iniciais dos seus respectivos melhores amigos: Dr. John Watson e Dr. James Wilson.

Eu nunca disse "Elementar, meu caro Watson"

- Tanto House como Holmes são muito arrogantes, além de frios e antisociais, exceto com os amigos. 

- Ambos tem um grande poder de observação. Podem deduzir várias coisas apenas observando pessoas e cenários.

- Holmes morava em Baker Street 221b. Em um dos episódios, a câmera mostra a porta da casa do House. Também 221b.

- House foi inspirado em Sherlock. E Sherlock foi inspirado em um médico. 

- A primeira paciente de House chama-se Rebecca Adler. Um dos personagens do primeiro curta de Sherlock chamava-se Irene Adler.

- No episódio final da segunda temporada, House é baleado por um homem chamado Moriarty. Professor Moriarty é o maior inimigo de Sherlock.

Todo mundo mente

- Na quarta temporada, no episódio "It's a wonderful lie", House ganha a Segunda Edição Conan Doyle de presente de natal.

- No episódio "The Itch" da quinta temporada, House pega as chaves e o Vicodin de cima do livro As memórias de Sherlock Holmes.

- Em outro episódio da quinta temporada ("Joy to the world"), House usa um livro que ganhou de Wilson para enganar a equipe. O livro foi escrito por Joseph Bell, médico que inspirou Conan Doyle a criar o personagem Sherlock Holmes. Wilson diz a equipe que o livro foi um presente dado por uma suposta paciente chamada Irene Adler.

David Shore, criador de House, disse que é um grande fã de Sherlock. É legal ver easter-eggs escondidos dentro dos episódios. :D

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