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maio 06, 2012

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Postado por Narumi Abe

 

Durante a idade medieval, o povo da Inglaterra passava fome. Faltava comida em cada vilarejo. Embora houvesse batatas crescendo por toda a parte, elas não eram consumidas pois eram consideradas alimentos sujos e eram destinadas somente para alimentação dos porcos. O Rei teve uma brilhante ideia. Espalhou boatos de que a batata era consumida pela nobreza e ordenou que soldados  montassem guarda em um jardim para proteger as “batatas reais”. A ideia deu certo até demais. O povo começou a comer batatas, mas houve uma revolta. O jardim das batatas foi invado e o rei decapitado. Provavelmente essa história seja falsa. Há versões que contam essa história como sendo com Luis XVI na França ou com Frederick II da Prússia. Embora essa história seja falsa, existem outras histórias fascinantes envolvendo comida que realmente aconteceram.

- Soy muy atraente

Vocês já pararam pra imaginar o quanto a história da humanidade está ligada de algum modo com a história da comida?  A busca por comida provavelmente levou a migração dos homens pré-históricos por todos os continentes. Levou Colombo a descobrir as Américas, em busca de uma nova rota para as Índias para o simples transporte de especiarias. E quem nunca ouviu falar dos vomitódromos romanos nos quais os ricos vomitavam para continuar comendo para demonstrar riqueza? (Nos futuro descrito pelo livro dos Jogos Vorazes isso também acontece). Até cientistas da NASA investem algum esforço em técnicas de conservação da validade e do sabor dos alimentos no espaço e que mais tarde são usadas aqui na Terra.

Você consegue pensar em um prato mais italiano que o espaguete? O espaguete é um exemplo de globalização nos tempos antigos. O macarrão foi levado para a Itália da China pelo navegador Marco Polo e o tomate da América do Sul. Talvez as aulas de histórias fossem mais fáceis de lembrar e mais interessantes se os professores incluíssem causos, como os causos culinários. Aqui vai duas histórias escolhidas ao acaso.

Tempura

Quem consome comida japonesa já deve ter experimentado o tempura. O tempura é um bolinho frito, geralmente de algum vegetal. Pouca gente sabe que tanto a receita quanto o nome tem influência portuguesa. Durante a época das grandes navegações, portugueses mantinham bastante contato com o Japão. Neste período, os jesuítas faziam uma penitencia durante a quaresma (ad tempora quadragesimae) e não comiam carne e fritavam os legumes ou alguns frutos do mar. Logo o prato se popularizou entre os habitantes locais e a moda pegou.

Os pobres jesuítas eram obrigados a se penitenciar comendo isso

Uma Senhora Geladeira

Outro dia, procurando na Internet uma receita de Faloodeh (sobremesa gelada feita com vermicelli e sucos), descobri algo interessante. A iguaria existia na Pérsia há mais de 400 A.C. para refrescar a realeza nos dias quentes de verão. Mas como é que pode existir alguma sobremesa gelada no deserto a mais de dois mil anos? Os chineses tomavam algo parecido com o sorvete nos tempos remotos, mas eles tinham neve. E no deserto, como os persas (iranianos e paquistaneses mais precisamente), conseguiam tal proeza?


Yakhchal coroa é que faz comida boa

A 400 A.C. os engenheiros persas criaram a mãe de todas as geladeiras. Yakhchals são grandes estruturas que foram construídas para armazenar gelo em pleno verão desértico.

Os yakhchals são feitos de uma argamassa chamada sarooj, composta de areia, argila, clara de ovo, cal, pêlo de cabra e cinzas, e chegam a 18m de altura. Sua parede tem até 2m de espessura na base, é altamente resistente a transferência de calor e impermeável. Existe um grande espaço escavado no subsolo com capacidade de 5000m³. O gelo era trazido das montanhas geladas e armazenado. O yakhchal também servia para armazenar alimento. Alguns yakhchals eram acoplados a tuneis de vento. Os tuneis faziam o ar gelado resfriar o interior da câmara. Além disso, captava o ar durante a noite e fazia a água recongelar no frio do deserto.

Esses túneis de vento eram usados também em residências. Ele funciona em dois estágios. No primeiro momento, ele esfria o ar quente forçando a passagem através de uma avançada rede de abastecimento de água (Qanat) que contém a água do desgelo. O ar resfriado sobe e circula dentro do armazém. Durante a noite, o vento gelado entra pelas aberturas e congelam a água armazenada.

Postado por Narumi Abe

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