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Outubro 14, 2012

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Postado por Narumi Abe

Aqui vai uma receita prontinha para criar um herói:

  • Faça os veículos de massa repetirem exaustivamente que a pessoa desejada é um herói;
  • Faça a associação do incauto com outros heróis reais ou fictícios;
  • Heróis geralmente tiveram a vida humilde e são modestos. Explore a infância e faça comentários generosos o tempo todo;
  • Coloque entrevistas de pessoas famosas elogiando o futuro herói.

 

Joaquim Barbosa é um juiz assim como tantos outros juizes. Mas recentemente ganhou notoriedade pois assumiu a relatoria do polêmico caso do mensalão. Mês que vem irá assumir o cargo de presidente do STF. 

 

 

É normal que o juiz apareça nos noticiários, pois o caso mensalão foi um grande escândalo. Mas o que não é normal, é idolatrar um homem que não está fazendo mais do que sua obrigação. TODO juiz deve fazer o que a lei manda. Apesar de existir a chance de interpretações dúbias, no geral o trabalho de juiz consiste em seguir uma receita de bolo. Portanto, nenhum juiz deveria receber atenção especial. Pra que desenterrar o passado do dito cujo? Não me importa se ele teve a infância dura ou se foi um playboy. Pouco me importa se ele conseguiu crescer por meios próprios. Ele é um juiz, não é um ator do arquivo confidencial do Faustão.

Falando nisso, até a última vez que eu vi, quem deveria decidir o que é justo ou não é a justiça. Quando foi que o papel de julgar inocência ou culpa passou para a imprensa? Então a mídia já decidiu quem são os vilões da história? Decisões não condenatórias sempre são frutos de corrupção e injustiça? É claro que o povo se revolta quando tudo termina em pizza. Mas parabenizar um juiz por uma decisão simplesmente é absurdo. Isso acaba influenciando no veredito do juiz, afinal ele é apenas um homem sujeito a falhas e a vaidade. Inocente até que se prove o contrário, lembra?

Enquanto isso, caça as bruxas e panis et circenses continuam existindo. A imprensa que sofreu com a ditadura, deveria ter o papel informativo. Infelizmente, os militares se foram, mas o papel manipulativo só trocou de dono. 

Bom faça a sua parte e não compartilhe tudo o que vê no Facebook. ;)

 

 

 

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Setembro 07, 2012

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Postado por Narumi Abe

 

Tudo começou com a banda Walk off the Earth fazendo um cover da música Somebody That I used To Know do cantor Gotye usando apenas um violão.

Aconteceu que o cover fez tanto sucesso que mereceu até uma paródia muito engraçada do Key of Awesome:

 

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Maio 06, 2012

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Postado por Narumi Abe

 

Durante a idade medieval, o povo da Inglaterra passava fome. Faltava comida em cada vilarejo. Embora houvesse batatas crescendo por toda a parte, elas não eram consumidas pois eram consideradas alimentos sujos e eram destinadas somente para alimentação dos porcos. O Rei teve uma brilhante ideia. Espalhou boatos de que a batata era consumida pela nobreza e ordenou que soldados  montassem guarda em um jardim para proteger as “batatas reais”. A ideia deu certo até demais. O povo começou a comer batatas, mas houve uma revolta. O jardim das batatas foi invado e o rei decapitado. Provavelmente essa história seja falsa. Há versões que contam essa história como sendo com Luis XVI na França ou com Frederick II da Prússia. Embora essa história seja falsa, existem outras histórias fascinantes envolvendo comida que realmente aconteceram.

- Soy muy atraente

Vocês já pararam pra imaginar o quanto a história da humanidade está ligada de algum modo com a história da comida?  A busca por comida provavelmente levou a migração dos homens pré-históricos por todos os continentes. Levou Colombo a descobrir as Américas, em busca de uma nova rota para as Índias para o simples transporte de especiarias. E quem nunca ouviu falar dos vomitódromos romanos nos quais os ricos vomitavam para continuar comendo para demonstrar riqueza? (Nos futuro descrito pelo livro dos Jogos Vorazes isso também acontece). Até cientistas da NASA investem algum esforço em técnicas de conservação da validade e do sabor dos alimentos no espaço e que mais tarde são usadas aqui na Terra.

Você consegue pensar em um prato mais italiano que o espaguete? O espaguete é um exemplo de globalização nos tempos antigos. O macarrão foi levado para a Itália da China pelo navegador Marco Polo e o tomate da América do Sul. Talvez as aulas de histórias fossem mais fáceis de lembrar e mais interessantes se os professores incluíssem causos, como os causos culinários. Aqui vai duas histórias escolhidas ao acaso.

Tempura

Quem consome comida japonesa já deve ter experimentado o tempura. O tempura é um bolinho frito, geralmente de algum vegetal. Pouca gente sabe que tanto a receita quanto o nome tem influência portuguesa. Durante a época das grandes navegações, portugueses mantinham bastante contato com o Japão. Neste período, os jesuítas faziam uma penitencia durante a quaresma (ad tempora quadragesimae) e não comiam carne e fritavam os legumes ou alguns frutos do mar. Logo o prato se popularizou entre os habitantes locais e a moda pegou.

Os pobres jesuítas eram obrigados a se penitenciar comendo isso

Uma Senhora Geladeira

Outro dia, procurando na Internet uma receita de Faloodeh (sobremesa gelada feita com vermicelli e sucos), descobri algo interessante. A iguaria existia na Pérsia há mais de 400 A.C. para refrescar a realeza nos dias quentes de verão. Mas como é que pode existir alguma sobremesa gelada no deserto a mais de dois mil anos? Os chineses tomavam algo parecido com o sorvete nos tempos remotos, mas eles tinham neve. E no deserto, como os persas (iranianos e paquistaneses mais precisamente), conseguiam tal proeza?


Yakhchal coroa é que faz comida boa

A 400 A.C. os engenheiros persas criaram a mãe de todas as geladeiras. Yakhchals são grandes estruturas que foram construídas para armazenar gelo em pleno verão desértico.

Os yakhchals são feitos de uma argamassa chamada sarooj, composta de areia, argila, clara de ovo, cal, pêlo de cabra e cinzas, e chegam a 18m de altura. Sua parede tem até 2m de espessura na base, é altamente resistente a transferência de calor e impermeável. Existe um grande espaço escavado no subsolo com capacidade de 5000m³. O gelo era trazido das montanhas geladas e armazenado. O yakhchal também servia para armazenar alimento. Alguns yakhchals eram acoplados a tuneis de vento. Os tuneis faziam o ar gelado resfriar o interior da câmara. Além disso, captava o ar durante a noite e fazia a água recongelar no frio do deserto.

Esses túneis de vento eram usados também em residências. Ele funciona em dois estágios. No primeiro momento, ele esfria o ar quente forçando a passagem através de uma avançada rede de abastecimento de água (Qanat) que contém a água do desgelo. O ar resfriado sobe e circula dentro do armazém. Durante a noite, o vento gelado entra pelas aberturas e congelam a água armazenada.

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Maio 05, 2012

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Postado por Narumi Abe

Dizem por aí que não existe pergunta tola. Mas, se eu pudesse eleger alguma, seria "Por que reinventar a roda?". Ta aí, uma expressão/pergunta que sempre soou estranha e que merece algumas respostas. Aqui vai:

1. Você jamais irá compreender uma roda, a não ser que construa uma. Não importa se você só tire dez em Rodas. Algumas dúvidas e problemas de detalhes "rodísticos" só irão surgir na hora da construção. Sabe quantos engenheiros de computação seriam capazes de construir um computador do zero após um evento pós-apocalíptico? Suspeito que poucos. Sabe quando você vai aprender a surfar assistindo uma video aula? Nunquinha.

2. O desenvolvimento tecnológico consiste em pegar coisas existentes e melhorá-las na próxima geração. O melhor modo de fazer isso é conhecendo a roda atual, esmiuçando todos os seus defeitos e vantagens para propor uma roda melhor.

3. Será que você realmente seria capaz de inventar a roda sozinho? Menosprezar algo depois de pronto é muito fácil, pois tudo é óbvio desde que você saiba a resposta.

4. Reinventar a roda é um exercício mental e de conhecimento. Acredite, você será melhor que os seus pares que não fizeram isso. Além disso, outras idéias podem surgir a partir daí.

5. A maioria das pessoas que não vão pra frente não perde tempo reinventando a roda porque acha muito básico. Infelizmente, também não faz nada avançado por ser muito avançado (justamente por não ter começado pela roda). Já vi pessoas que preferem fazer um trabalho repetitivo e exaustivo ao invés de fazer um simples script. Daí quando querem programar algo complexo, também não fazem por falta de experiência. Isso também acontece com pessoas que não leem um texto em outro idioma por saberem pouco daquele idioma. E dizem que precisam aprender o outro idioma para conseguir ler o idioma. É um argumento circular que não leva a lugar nenhum (como qualquer círculo). 

Substitua a roda desse texto por qualquer coisa que você já deixou de fazer, estudar ou entender por pura preguiça ou arrogância. 

Videozinho sobre a maior invenção da história:


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Março 28, 2012

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Postado por Narumi Abe

Aqui vai uma mini-propaganda e dica para aumentar o espaço no dropbox. Não estou ganhando nada. :)

O Dropbox costuma dar 250MB adicionais para convites enviados que forem efetivados. O espaço dobra se o usuário for de alguma escola ou universidade. Na página diz que o usuário precisa de um email com domínio .edu, mas testei com meu da @usp.br e funcionou direitinho. Ah! E o espaço dobra também para convites enviados antes da validação do email.

Digite o email aqui após fazer o login na página.

https://www.dropbox.com/edu

 

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Fevereiro 18, 2012

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Postado por Narumi Abe

 

Vancouver, Canadá, dia 15 de Junho de 2011. Após a derrota do Vancouver Canucks por 4-0 para um time local, torcedores do time de hóquei enraivecidos saíram as ruas destruindo tudo pelo caminho. A cidade ficou em chamas, lojas foram depredadas, carros foram virados e queimados.

- É nóis manooo!

A polícia de choque e os bombeiros entraram em ação. Pelo menos 140 pessoas foram feridas. Para se ter uma idéia do estrago, mais de 8 mil pessoas se voluntariaram via Facebook para limpar a cidade no dia seguinte. E em um momento tão estranho, um rapaz beijava uma moça na rua, como se nada estivesse acontecendo.


- Quando é pra pegar eu pego mesmo!

 

Obviamente a foto ficou famosa. A cena era tão bizarra que alguns acharam que ela poderia ser falsa. Mais tarde, diversas montagens engraçadas foram feitas com a foto e espalhadas no mundo inteiro.

 

 

Em plena era digital não foi difícil descobrir quem era o casal. Scott Jones disse que na verdade se jogou em cima da namorada Alex Thomas para tentar protegê-la.

História interessante. Mas vamos continuar com a programação normal.

Paraíba, Brasil. Quatro semanas atrás, um comercial de uma imobiliária também ficou famoso, pelo menos em terras brasileiras. A propaganda era da Paraíba, mas também remetia ao Canadá. O comercial chamava a atenção pois o homem do comercial dava uma informação totalmente desnecessária. Se você estava em Marte nos últimos dias, a propaganda é essa aí embaixo:

O vídeo gerou milhares de comentários pela Internet. Pessoas completavam o final de cada frase com menos Luiza que está no Canadá, o cantor Lenine fez uma piada sobre isso no seu show e Luiza até mesmo foi entrevistada no Jornal Hoje. Ah, o Jornal Hoje, que também já protagonizou um meme só seu, com a apresentadora Sandra Annemberg e sua frase "que deselegante" (Procure no youtube, não preciso fazer todo o trabalho). - O que? Isso é meme?

Sim. Isso é meme. Meme não são aquelas cabecinhas que fazem Fuuuu ou Okay. Aquilo também são memes, mas memes também podem ser mais complexos e diversificados. 

- Nós somos os memes

Os memes aí de cima são os mais conhecidos. Tão conhecidos que algumas pessoas acabam achando que eles são a definição de memes. A palavra meme foi criada pelo cientista Richard Dawkins em seu livro O gene egoísta (1976). Um dos melhores livros já escritos, ele fala de um jeito fácil sobre a evolução das espécies do ponto de vista do gene e não de um indivíduo. Além disso, fala sobre o meme como um ser vivo, da sua característica viral de se espalhar e se multiplicar. Dawkins diz que o meme é para a memória, o que o gene é para a genética. Uma unidade de informação que vive de cérebro em cérebro, que evolui e se multiplica. Hoje em dia é o campo de estudos da memética.

Memes são manifestações espontâneas, que acabam tendo vida e que podem sobreviver por muito tempo ou até algo melhor surgir. Fofocas são memes que costumam ter uma duração limitada. Outras formas de memes costumam se consolidar, como os memes faces. Um meme não pode ser fabricado. Ele surge e contamina as pessoas em volta (no bom sentido), teve e tem um papel importantíssimo na evolução intelectual do homem. O jornalista pseudo-intelectual e hipócrita Carlos Nascimento acabou soltando uma frase infeliz no seu telejornal. Disse que "... já fomos mais inteligentes", reclamando da proporção tomada pelo meme, como se fosse algo intencional. Não é. Os memes têm exatamente o tamanho que devem ter e se extinguem sozinhos. Não cabe a ele ditar as regras. Mas se ele sentia a necessidade de reclamar da nossa inteligência, não precisava esperar tanto tempo e ir para um estado tão distante. Basta olhar na própria emissora que ele verá vários exemplos de baboseiras muito mais sem graça. No final, o feitiço virou contra o feiticeiro e ele próprio acabou virando meme. Ou quem sabe, seja isso que ele sempre quis. 

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Postado por Narumi Abe

Aqui vai uma listinha com alguns dos filmes mais legais que estão por vir. Somente de ficção ou fantasia evidentemente. :D

9. John Carter

John Carter é um soldado americano que acaba indo lutar em Marte e se apaixona por uma princesa. Pelo que sabemos do planeta vermelho a história parece absurda. Vale pela curiosidade, o personagem foi criado em 1912 e o visual parece uma mistura de Conan, Mad Max e Duna. O filme estréia no dia 12 de março.


8. Iron Sky

Uma história absurda intencionalmente, com ar de Bastardos Inglórios. Nazistas fugiram para o lado escuro da lua após o final da segunda guerra e voltam para invadir a Terra. O filme começou a ser produzido e ficou congelado por anos em busca de verba. Muitos efeitos especiais e uma história divertida. Estréia no dia 4 de abril.

 

7. Homens de Preto 3 (MIB 3)

Comédia da melhor qualidade. Homens de Preto conta a história de dois agentes do governo (Tommy Lee Jones e Will Smith) que lidam diariamente com alienígenas que vivem no planeta Terra. Altamente influenciado pelo Guia do Mochileiro das Galáxias. Estréia: 25 de maio.

 


6. Os Vingadores (The Avengers)

Finalmente com a estréia de Capitão América e Thor ano passado, o mundo está pronto para o filme dos Vingadores. Os mais famosos são Capitão América, Homem de Ferro, Hulk e Thor. Infelizmente o ator Edward Norton não fará o papel do Hulk esmaga. Estréia 27 de abril.

 


5. Chronicle

Três garotos do ensino médio com poderes especiais. Mas ao invés de serem super heróis, só queriam se divertir com seus poderes até que algo deu errado. Lançamento 3 de fevereiro.


4. O Espetacular Homem Aranha (The Amazing Spider-man)

Quando soube que o Homem Aranha teria um remake fiquei com o pé atrás. Porque o filme original é muito bom e nem é muito antigo. Mas olhando o trailer, parece que o filme será sensacional e mais fiel aos quadrinhos. Gwen Stacy aparece como a primeira garota, a teia de aranha é fabricada como deveria ser e o aranha fica fazendo piada enquanto luta. A câmera do ponto de vista do Aranha vai ser surpreendente em uma tela 3D. Tudo de bom!


 3. Prometheus

Ridley Scott vai voltar com tudo para o que sabe fazer de melhor: Filmes de ficção de primeira. O filme estréia 8 de junho. A história é sobre cientistas que irão viajar para os confins do universo para pesquisar a origem da vida. Prequência de Alien: o Oitavo Passageiro.



2. Batman: O Cavaleiro das Trevas Resurge (The Dark Knight Rises)

Batman. Não preciso dizer mais nada. Estréia 27 de julho.


1. O Hobbit – Uma jornada inesperada (The Hobbit – An unexpected journey)

Batman só não ficou em primeiro da lista por causa de um pequeno ser com pé peludo. O Hobbit, conta a história de como Bilbo encontra o anel do poder. O filme sofreu muitos atrasos por mudanças de diretor, mas felizmente Peter Jackson resolveu reassumir o posto. Além disso, o filme já causa polêmica pois vai trazer personagens que ainda não deveriam aparecer e não será tão fiel ao livro. Coisas de Hollywood. Infelizmente os produtores pensam que o livro do Hobbit é monótono. Estréia em dezembro de 2012 (Parte 1) e dezembro de 2013 (Parte 2).


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Janeiro 07, 2012

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Postado por Narumi Abe

Os jornais tem noticiado que o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos, China, Alemanha, Japão e França. Mas afinal o que significa isso? Significa que o PIB é um péssimo critério de avaliação. A China que vem aparecendo constantemente como uma grande economia emergente, junto com a Índia e o Brasil não tem comida para seus habitantes. Arranha céus ultra modernos contrastam com mendigos, prostituição e bandidos nas ruas. Os habitantes não tem acesso a informação e existe muita malandragem por todo lado. Isso lembra algum país?

Criança procura comida no lixo da 6ª maior economia do mundo

Fonte: http://blogviagemnotempo.blogspot.com/2011/12/casa-grande-tem-mais-ouro-que-o-palacio.html

Por que ficamos orgulhosos com essa notícia? Que resultados isso trouxe para você? Você sabia que em 2011 o Brasil era a sétima maior economia do mundo? E que faz mais de 15 anos que o país já estava entre as 10 maiores economias do mundo? Décima posição já era uma posição muito boa, mas  o país não, e pouca coisa mudou desde aquela época.

Nos últimos anos, o ex-presidente Lula anda repetindo aos quatro ventos que o Brasil é um país de primeiro mundo. E de tanto falar, as pessoas começaram a acreditar que isso é realmente verdade. Continuam com seus filhos semi-alfabetizados, continuam acordando de madrugada para ser atendido nos hospitais, continuam sem emprego. Mas estão orgulhosas e sabe-se lá a razão. Talvez por receberem uma bolsa assistencialista compra-voto. Mas isso não está melhorando o país, só está tornando o povo mais acomodado. O tempo de ajuda emergencial aos miseráveis precisa acabar, é preciso medidas a longo prazo que deveriam ter sido tomadas a muito tempo atrás. A previdência está falida, os pequenos empresários estão fechando as portas por não conseguirem mais sustentar o país nas costas. Os empregos informais ainda dominam o país. A imprensa continua mais manipuladora do que nunca. Corrupção correndo solta, lei da ficha limpa não pegou, juiz virou deus, cai ministro e entra outro pior. Reforma tributária, reforma agrária, reforma de qualquer coisa, cadê? Por que funcionário público que não trabalha tem direito a estabilidade? E não temos nem direito de reclamar, em cada repartição tem um papelzinho colado dizendo que podemos ser presos se reclamarmos de um funcionário público no "exercício" da profissão. É pra acabar.

Do que adianta a balança comercial favorável? As exportações trouxeram bilhões de lucro pra quem? Não foi pra você, que está todo orgulhoso apesar de continuar com medo de assalto ou de balas perdidas. Os bancos ganharam bilhões de lucro mas não pagam um salário decente para os bancários que só vivem em greve. As exportações trouxeram milhões de dólares para os grandes empresários. A Petrobrás está rindo a toa. O cidadão comum continua na mesma. O salário mínimo é reajustado com valores ridículos comparados com as taxas de juros e inflação existentes, bolsas de pesquisas estão congeladas há anos.

Gostaria de escrever algo mais otimista, mas foi o que surgiu na mente para o primeiro post do ano. Feliz ano novo! 

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Novembro 09, 2011

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Postado por Narumi Abe

Além das invasões no FFLCH e na reitoria está ocorrendo uma outra manifestação na Internet. Debates acalorados sobre qual lado está certo. De um lado, manifestantes defendendo a saída da PM. Do outro lado, uspianos com medo da falta de segurança caso a PM saia. E desse mesmo lado, muita gente desinformada que não sabe que o buraco é mais embaixo. Parte da culpa é da imprensa, que já escolheu um lado e está prestando um grande serviço de desinformação.

A imprensa também não é 100% culpada. Falta um pouco de pensamento crítico. Olha essa foto aí embaixo por exemplo:

Estou do lado de vocês, seus burros!


Essa foto foi divulgada na Folha de SP e ficou famosa em vários blogs e no Facebook. Muita gente comentou dizendo que é "lamentável" ou coisa pior. O que pouca gente percebeu é que o cara da foto está fazendo uma ironia. Ele está se manifestando contra a manifestação. Ninguém em sã consciencia faria um cartaz desse se quisesse adeptos, além do mais, os invasores estavam todos com o rosto coberto. Todos tem direito a opinião, certo? Mas pelo menos é bom saber contra o que você é contra antes de tentar revolucionar o mundo e repassar mensagens.

O que os manifestantes querem?

Ao contrário do que estão dizendo, os manifestantes não estão lutando pelo direito de fumar maconha no campus. O que eles querem é que a polícia deixe a USP pois eles tem agido de forma violenta. Recentemente uma amiga teve uma arma apontada para a cabeça, enquanto ouvia os berros de um policial perguntando sobre as drogas que ela não levava consigo. Só faltou o saco na cabeça. Exigir a retirada de policiais despreparados que tratam todos os cidadãos como criminosos me parece uma coisa sensata e não coisa de "filhinho de papai, playboy, maconheiro". A USP precisa sim de segurança. Mas ela tem autonomia e dinheiro para ter seguranças esclarecidos e que saibam que no Brasil os direitos  humanos devem ser respeitados. 

Outra exigência é a anistia dos que foram presos. O fato é que muitos não concordam que a polícia deveria estar lá. E se eles não estivessem, ninguém teria sido preso e por isso a anistia. Essa lógica parece estranha, mas é a mesma usada nos tribunais, quando um grampo não pode ser usado como prova porque foi feito sem permissão. Parece injusto? Pode ser, até porque a PM tem convênio firmado com a universidade. Mas por que eles (os estudantes) não tem direito de se manifestar? Por que tanta rapidez na ordem judicial, sem nem mesmo haver negociação? Por que foi preciso existir uma operação de guerra para retirar estudantes de uma manifestação pacífica e ordenada? Se você achou estranho o "pacífica e ordenada", a explicação está logo mais a frente. 

Meias verdades

De todos os noticiários que não tem compromisso com a verdade, talvez a VEJA seja a campeã. Em todos os textos, a revista fez questão de disseminar alguma mentira ou omitir informações cumprindo seu papel de pseudo-jornalismo. 
Veja alguns títulos das manchetes: 

"Delinquentes agridem jornalistas na USP; são iguais aos
traficantes do Rio que mataram cinegrafista."

"Os tumultos causados pelos rebeldes sem causa da USP."

Não bastasse as mentiras e falta de assunto, também criaram birra contra o passatempo dos coitados:

"Enquanto esperam interrogatório, eles riam e faziam palavras cruzadas."

<sarcasmo on>
O que?? Palavras cruzadas? Por que esses filhinhos de papai estão jogando palavras cruzadas ao invés de estudar? E ainda tiveram a petulância de dar risada! Bando de maconheiro sem vergonha.
<sarcasmo off>

Outros jornais seguem a mesma linha sensacionalista, como o G1 e alguns "jornalistas" populares.

Esses jornais fazem questão de noticiar coisas irrelevantes como "sempre havia muito álcool nas reuniões", mas não gastam nem mesmo uma linha para informar quais são as exigências e quais são os motivos dos protestos. Simplesmente manipulam a população que realmente acredita que o objetivo do protesto é a liberação da maconha e até mesmo defender o crime organizado dentro da USP.

Esses jornais dizem que os PMs e os jornalistas foram atacados, mas não contam que no confronto houve uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, bala de borracha, uso de cassetetes e escudadas. Não dizem que os policiais estão nos abordando sem identificação. Não mostram que os manifestantes não querem jornalistas porque simplesmente eles são parciais (prova disso é que nunca filmam o símbolo da globo com um X em cima, ou os cartazes dizendo "Fora Rodas").

Mas como eles precisam noticiar algo e esse algo não pode ser a verdade, eles criam falsas notícias, com estatísticas duvidosas. Um exemplo é dizer que o movimento é fraco e a maioria é contra, porque muitos alunos estavam na sala de aula. Caros jornalistas, não usem a lógica, pois esse não é o forte de vocês. Estar na sala de aula não significa que são contra ou a favor. Depois em outro texto, um outro gênio diz que existe um grande movimento contra, pois houve uma 
contra-manifestação com aproximadamente 300 pessoas, enquanto a manifestação pró-presos teve apenas 300 pessoas. 

Outro ponto polêmico é a depredação do prédio e os coquetéis molotov. Testemunhas (mães preocupadas) inspecionaram o local antes da invasão e não viram nada depredado, apenas paredes pichadas. Os manifestantes afirmam que a depredação ocorreu no momento da invasão pela própria PM e os coquetéis foram implantados por eles. Verdade ou não, esse fato não foi noticiado. Somente são mostradas cadeiras quebradas e muita bagunça, tudo atribuído aos alunos.


Positivo e operante, fui colocado aqui pelos meliantes


Em plena era digital é impossível silenciar determinadas notícias. As notícias reais que eu vi foram recebidas de pessoas próximas, em jornais menores e no jornal do campus (JC). Apesar de serem meios com pouco impacto é bom saber que nem toda notícia é manipulada. Tentar enganar as pessoas dizendo que o movimento possuia meia dúzia de maconheiros
foi um tiro que saiu pela culatra na votação da greve de hoje (9). É claro que existem os favoráveis e os contra, como em qualquer movimento, mas o protesto já tomou dimensões que serão difíceis de ser contidas pela imprensa mentirosa. O campus da USP da capital é enorme, cheio de ruas escuras e precisa de segurança. A presença da PM trazia uma sensação de segurança. Agora com o apoio popular, tudo o que a polícia faz é trazer medo do abuso de poder.

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Outubro 31, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

Certa vez, meu pai me disse que os jornalistas do Japão estavam zombando de uma princesa japonesa. A princesa, estava voltando para o país depois de ter completado seus estudos nos EUA. Ao voltar, a princesa disse que quase já havia esquecido o próprio idioma e esse foi o motivo da zombaria. Usaram uma expressão que traduzindo significa "somente urinou lá", referindo-se ao pouco tempo de estadia, insuficiente para que ela esquecesse a própria lingua.

Existe um tipo de pessoa que deveria ser castrada e ter a língua cortada: São alguns brasileiros recém-voltados do exterior (ou até mesmo quem já voltou faz tempo) que ficam deslumbrados demais. Passam meses sendo menosprezados por serem latinos, tratados como prole inferior. Mas quando voltam para o Brasil, automaticamente esquecem tudo que passaram e acham que voltaram da Terra da Magia.

Pior emprego

Tô por cima da carne seca

 

Começam a se achar os deuses na Terra, ou pior, estadunidenses, criticando tudo e todos, dizendo que brasileiro não sabe de nada, que aqui nada presta, nada funciona. Como se eles tivessem sido parte da história e do desenvolvimento dos EUA.

E é impressionante como tudo é razão pra convergir pra esse assunto. Desde a fila do supermercado, trânsito até a porcaria da programação na TV. O chato sempre vai tentar falar da sua estadia em terras gringas. Tá bom, se você gosta tanto de lá, fique por lá mesmo. Ou será que tá dificíl achar um coyote dessa vez? Ou negaram o green card pro o resto da sua família? Ah, vai importunar outra pessoa!

Mas estou sendo injusto, esse fenômeno não acontece só com quem saiu para trabalhar. Muitos estudantes são financiados com dinheiro de órgãos de fomento brasileiros para estudar fora, mas se esquecem disso. Agências como a CAPES e o CNPq investem em bolsas para que esses estudantes aprendam, tragam novas tecnologias e experiências que deram certo lá fora para que sejam copiadas neste país. Mas, infelizmente, esses burros pensam que deixaram o Brasil com o objetivo de se gabar em festas ao voltar e pra dizer que o país não valoriza a pesquisa. Com certeza não ficaram o tempo suficiente para conhecer o salário de pesquisadores profissionais gringos. 

O pior de tudo são aqueles que chegam ao cúmulo de desprezar a própria cultura. Chegam em um nível tão grande de idiotice que começam a usar palavras em inglês no meio de metade das frases, dizendo que esqueceu como se diz a palavra em português, é pra dar risada mesmo. Tem também a síndrome do europeu, que é igualzinha a americana, mas o sujeito se torna hipster lá fora, e começa a cuspir poesia, vira ciclista e vira especialista em cinema só em pisar em terras além-mar. 

hipster

Essa sua conversa down é tão mainstream

 

Claro que é importante sair do país e conhecer coisas novas. Também é errado dizer que aqui é o melhor lugar do mundo, como o Lula quer que a gente acredite. Não estou com invejinha, conheço mais lugares do que a maioria desse povo que eu reclamei, mas sem esquecer de onde eu vim e sem ter vergonha disso. O que eu não suporto é ver gente que foi urinar fora do país e perde totalmente a identidade e até o caráter. Que tal tentar mudar o que está ruim ao invés de reclamar pra pessoa errada? :)

 

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Outubro 16, 2011

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Postado por Narumi Abe

Kiwi é um pássaro da Nova Zelândia que não pode voar. Mas ele tinha um sonho. O video é controverso, pois alguns comentam que é triste, outros, que é feliz. Só assistindo pra entender.

O vídeo é o resultado de um trabalho final de mestrado em animação criado em Maya e já rendeu mais de 30 milhões de visitas no youtube desde junho de 2006.

 

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Fevereiro 20, 2011

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Postado por Narumi Abe

Acabei de reler O Sinal dos Quatro, um dos meus livros favoritos de quando eu era pequenino (devo ter lido umas vinte vezes). A diferença é que desta vez eu li a versão sem cortes que mostrou um Sherlock Holmes viciado em cocaína. O livro me fez lembrar do House MD, meu personagem favorito da TV. Procurando por aí, vi que o seriado do médico sarcástico foi bastante inspirado no detetive mais famoso do mundo. Veja algumas referências: 

- Os dois são viciados. Holmes em cocaína (e ópio e morfina) e House em Vicodin.

- Holmes e House começam com a letra H. Assim como as iniciais dos seus respectivos melhores amigos: Dr. John Watson e Dr. James Wilson.

Eu nunca disse "Elementar, meu caro Watson"

- Tanto House como Holmes são muito arrogantes, além de frios e antisociais, exceto com os amigos. 

- Ambos tem um grande poder de observação. Podem deduzir várias coisas apenas observando pessoas e cenários.

- Holmes morava em Baker Street 221b. Em um dos episódios, a câmera mostra a porta da casa do House. Também 221b.

- House foi inspirado em Sherlock. E Sherlock foi inspirado em um médico. 

- A primeira paciente de House chama-se Rebecca Adler. Um dos personagens do primeiro curta de Sherlock chamava-se Irene Adler.

- No episódio final da segunda temporada, House é baleado por um homem chamado Moriarty. Professor Moriarty é o maior inimigo de Sherlock.

Todo mundo mente

- Na quarta temporada, no episódio "It's a wonderful lie", House ganha a Segunda Edição Conan Doyle de presente de natal.

- No episódio "The Itch" da quinta temporada, House pega as chaves e o Vicodin de cima do livro As memórias de Sherlock Holmes.

- Em outro episódio da quinta temporada ("Joy to the world"), House usa um livro que ganhou de Wilson para enganar a equipe. O livro foi escrito por Joseph Bell, médico que inspirou Conan Doyle a criar o personagem Sherlock Holmes. Wilson diz a equipe que o livro foi um presente dado por uma suposta paciente chamada Irene Adler.

David Shore, criador de House, disse que é um grande fã de Sherlock. É legal ver easter-eggs escondidos dentro dos episódios. :D

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Fevereiro 14, 2011

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Postado por Narumi Abe

Li esse texto genial a um tempão atrás, mas nunca achei o autor original. Alguns dizem que foi Niels Bohr. Outros dizem que foi Alexander Calandra. Vale a pena ler, o texto é tão legal que existem traduções em vários idiomas.

 

* * * * *

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma "conspiração do sistema" contra ele.

Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova que dizia: 

Mostre como se pode determinar a altura de um edifício bem alto com o auxílio de um barômetro.

A resposta do estudante foi a seguinte:

"Leve o barômetro no alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício".

Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão.



Tenho mil e uma utilidades!


Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante aceitou encarar aquilo que, eu imaginava, seria um bom desafio para ele. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder a questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos ele não havia escrito nada. Apenas olhava pensativamente para o forro da sala.

Perguntei então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida e não tinha tempo a perder. Fiquei ainda mais surpreso quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade, tinha muitas respostas e estava justamente escolhendo a melhor.

Pedi desculpas pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta:

"Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt², calcule a altura do edifício".

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala, lembrei que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei a ele quais eram essas respostas.

"Ah!, sim," - disse ele - "há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro". Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

"Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício".
"Um outro método básico de medida, aliás, bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas".
"Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g's e a altura do edifício pode, a principio, ser calculada com base nessa diferença".
"Finalmente se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater a porta do síndico. Quando ele aparecer; diz-se: - Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente".

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta "esperada" para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

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Fevereiro 08, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

 

Esse texto é em resposta ao post de um blog aqui mesmo do stoa: “Ciência não é contra religião”. Preferi responder aqui em vez de escrever nos comentários, pois assim consigo manter melhor meus arquivos, adicionar ilustrações e essas coisas. O post é uma série de banners de uma campanha originalmente lançados pelos sites quebrandooateismo.com.br e teísmo.net.

A idéia do post dos teístas é afirmar que a religião foi importante na história da ciência. Para provar essa afirmação, eles citam diversos cientistas religiosos que fizeram algo importante. Bem, antes de mais nada, para a discussão seguir de forma correta, é preciso definir de que religião eles estão falando. Existem milhares de religiões. Cada um acredita em um ou mais deuses. Como nos banners só havia católicos ou cristãos, assumirei que religião, para os fins desta argumentação, significa “qualquer religião que acredita no deus da bíblia”. Caso contrário, fica muito fácil argumentar dando exemplos de pajelança, sacrifícios humanos, rituais de fertilidade e outras feitiçarias totalmente não científicos. Dito isso, vamos ao texto.

Será mesmo que ciência e religião são compatíveis? Acho muito difícil, pois existe uma diferença de interesse básica no que as duas coisas procuram. A ciência quer respostas. E a igreja sempre ofereceu as respostas. Mas as respostas que a ciência encontra não correspondem às respostas que a igreja fornece. Por exemplo, a religião dizia que a Terra era plana e que era o centro do universo. A ciência mostrou que não. Mostrou que a Terra é redonda e que o universo é muito, muito grande. Que somos um grão de areia no meio de um deserto imenso. Diziam que somos os únicos seres do universo. Hoje o Papa admite a possibilidade de existir vida alienígena. A religião dizia que o demônio era o causador de todas as doenças. Os estudos mostram que existem vírus, bactérias, fungos, protozoários, doenças congênitas. Esquizofrênicos e pessoas com epilepsia eram mortos, pois os religiosos achavam que estavam possuídos. Hoje são tratados e podem ter uma vida normal. Não, a religião não ajudou a ciência. Ela só atrasou a humanidade na era das trevas e continua fazendo isso até hoje. Impedindo transfusões de sangue em crianças inocentes, transplantes de medula óssea, atrasando pesquisas com células-tronco.

Eu poderia ter conhecido o Spock :(


A ciência não é inimiga da religião, pois ela sabe que não tem todas as respostas. A ciência não se julga dona da verdade. Ela admite erros e vai se corrigindo com o tempo, só assim pode progredir. Pode inclusive admitir a existência de deus, desde que alguém dê uma prova convincente. A palavra-chave aqui é “prova”. Imagine que você tenha um amigo doente. O método da religião consiste em rezar por  acreditar que um deus (ou santo) irá interceder em favor do amigo. A palavra-chave aqui é “acreditar”. O religioso tem fé que o amigo será curado. É disso que a fé se trata. Acreditar por confiança. Já o método científico vai tentar uma solução mais terrena, experimentando e observando. Fazendo experimentos, a pessoa pode melhorar ou piorar. Se piorar, ela vai tentar outra coisa. Se melhorar, continuar naquele caminho. Até a pessoa melhorar ou morrer. E um novo aprendizado será tirado, independente do resultado. Veja bem, não estou dizendo qual método é melhor que outro, só estou comparando as duas coisas porque essa explicação será importante daqui a pouco.

Bom, vimos então a diferença básica entre a religião e ciência. Existem muitos cientistas que acreditam em algum deus, provavelmente a maioria. Mas (e é um “mas” muito importante), eles separam a fé da ciência quando estão trabalhando. Quando dois cientistas de religiões diferentes estão estudando algo, eles não ficam discutindo qual dos deuses realizou o milagre. Eles irão buscar uma explicação científica. E é o ponto que eu queria chegar nos banners.

Foi o matemático/engenheiro/Doutor em física pelo MIT/professor de Astronomia Georges Lemaître que teorizou o Big Bang, não o Padre Georges Lemaître. Georges Lemaître também era militar. Então seguindo essa lógica ilógica, os militares são importantíssimos para a ciência. O mais surpreendente é os religiosos usarem a teoria do Big Bang dizendo que foi uma descoberta importante para a humanidade. Justo o Big Bang, odiado pela religião, pois afirma que o universo tem bilhões de anos, ao invés de alguns mil anos. O Big Bang, odiado mortalmente por criacionistas que querem obrigar os museus dos EUA a colocarem bonecos de Adão e Eva junto com os dinossauros e incluir o assunto nos livros didáticos. O mesmo Big Bang criticado mortalmente por quem não entende o funcionamento do decaimento dos radio-isótopos. O Big Bang realmente foi muito importante, mas ao admitir a importância da teoria, a religião se contradiz.

Outro homem citado no banner foi o monge Gregor Mendel. Realmente ele recebe o merecido título de pai da genética.  Mas sabe como ele fez isso? Como fez os experimentos que permitiram que ele criasse as famosas leis? Plantando e polinizando ervilhas. Mendel ia cruzando ervilhas de características diferentes (cor, tamanho, forma, …) e viu que podia manter características genéticas nas gerações seguintes. Na época, o estudo não parecia ameaçar a religião. A igreja estava mais interessada em mandar para a fogueira estudiosos de pesquisas que pareciam mais chocantes como a química, física ou astronomia. O estudo da cor das ervilhas parecia inocente, mais ou menos como mostrar que o filho tem os olhos dos pais, uma maravilha divina, diriam. E assim, a genética cresceu. A genética que é tão importante hoje em dia e que tanto desafia a igreja. Que mostra que homens e mulheres são idênticos, e que as fêmeas não são inferiores, feitas a partir de uma costela. A genética que mostrou que os índios americanos não podem ser descendentes dos hebreus, como acreditam os mórmons. A genética que mostra que nossos genes estão longe de serem perfeitos, criados a imagem de um ser superior, pois estão cheio de erros grosseiros e códigos redundantes, resultado de milhares de anos de cruzamentos, mutações, tentativas e erros, nunca por meio de um design inteligente. Se o santo padre soubesse que estudar a cor das ervilhas servisse para provar a teoria da evolução no futuro, ele nunca teria permitido. Mas, da mesma forma que a teoria do Big Bang, ver um religioso dizer que a genética tem importância é uma surpresa.

Humm... ervilhas com azeite


Lemaître e Mendel eram, digamos, profissionais da religião. Já as outras três pessoas dos banners eram apenas pessoas com alguma religião (Fisher, Pascal e Francis Collins). Não há nada de anormal nisso. Aliás, considerando que grande parte da população mundial tem alguma crença, é natural encontrar cientistas religiosos. Posso até ajudar citando outros: Einstein, Darwin no começo de carreira, Maxwell. O que não significa que eles misturavam a religião em seus estudos (ou misturaram e o resultado não foi bom).

Concluindo, a ciência foi muito prejudicada pela religião conforme foi mostrado em muitos exemplos. A afirmação de que a religião ajudou a ciência mostrou-se falaciosa pois as ilustrações mostraram basicamente cientistas que fizeram descobertas utilizando rigorosos métodos científicos e não religiosos, mostrando que a religião dos cientistas foi meramente casual e irrelevante para a ciência.

 

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Fevereiro 07, 2011

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Postado por Narumi Abe

Se tem uma coisa muito legal é história. Não aquela história que a gente aprende na escola, que também tem sua importância, mas as histórias da matemática e das ciências em geral. Algumas histórias são engenhosas como o Newton e a maçã ou o problema de Arquimedes e a coroa de ouro. Alguns chamam de sorte, mas a serendipidade sempre acaba favorecendo os mais preparados. Outras histórias contam como a curiosidade era maior do que o medo, nos tempos em que a igreja considerava tudo bruxaria. Galileu teve que negar o heliocentrismo, Torricelli foi acusado de bruxaria ao prever a chuva fazendo uma boneca afundar devido a pressão atmosférica, e até mesmo Darwin tinha problemas com o padre.

Na engenharia, onde a maioria dos professores tem formação em ciências exatas, é comum ouvir uma ou outra dessas maravilhosas histórias. É uma dessas histórias que eu vou contar.

Torricelli: - Eu não sou uma bruxa!

Tudo começou quando o professor estava reclamando da letra de uns dos meus colegas, dizendo que era difícil de entender e que o número 7 deveria ter um corte no meio, pois é o modo correto. Pra provar o seu ponto de vista, o professor desenhou três símbolos parecidos com o da figura aí embaixo:

Observe que os três símbolos são feitos usando apenas segmentos de retas e lembram um pouco os algarismos 1, 2 e 3 em formato ordinal. Ele começou dizendo que os indianos (hindus) eram um povo muito culto na matemática (vide nomes como o Bhaskara) e juntamente com os árabes, inventaram o que hoje conhecemos como numerais hindu-árabicos. Foi aí que o professor disse algo surpreendente. Disse para contarmos os vértices do encontro dos segmentos de retas de cada figura. Isso mesmo, cada símbolo que forma um numeral era nada mais do que a quantidade de ângulos do número que se desejava expressar! O zero era arredondado pois não poderia apresentar ângulo algum. Incrível! E como seria então o 4? E o 5? E o 6? Ta! Tá! Já entendi! Bom, a numerada completa seria assim:

Veja como o 7 possuía o risco no meio e também um pézinho que algumas pessoas colocam. Só tem um probleminha. Essa história é fajuta. Furada. Apesar de ser bem elaborada, não tem fundamento nenhum. Tão bem elaborada que a história ficou famosa e foi até publicada em livros, como por exemplo no Notations Mathematics, Volume I (Cajori, Florian. 1928) e recontada pra todo mundo. A história real é que os símbolos numéricos são ancestrais dos antigos numerais Brahmi. Os números foram se adaptando ao longo do tempo, entre uma transcrição e outra, iam se modificando, pela falta de precisão ou simplesmente pela dificuldade em desenhar os primeiros números, passando pela Índia, Pérsia até chegar a Europa. Abaixo, uma figura que mostra a evolução dos números com o passar dos anos, retirado da wikipedia.

 

Importante notar que a versão em inglês do wikipedia desmente a história da origem dos números baseados em ângulos. Já a versão em português do texto ainda apresenta a história como sendo real. Algumas histórias são tão legais que a gente gostaria que fosse real. Infelizmente essa história era apenas um mito, mas mesmo assim é uma bonita história. E a história de como essa história se propagou também é divertida e também é histórica. Mas enfim, o sete nunca teve o cortinho no meio. =D

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Fevereiro 04, 2011

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Postado por Narumi Abe

Quem gosta de animes, mangás ou filmes do Japão deve ter notado que os estudantes sempre estão usando uniformes. Mas vocês já repararam como os uniformes masculinos são tão diferentes dos femininos? Por que as meninas parecem usar a roupa do Pato Donald? Por que será que meninos e meninas simplesmente não usam variantes do mesmo uniforme? Será que ninguém mais achou essa dúvida intrigante? Como vocês puderam viver sem saber isso até hoje? Não precisam se auto-flagelar, eu fui atrás da resposta. Espero que alguém ache a informação útil. ^^

Yusuke também achou essa dúvida muito intrigante

No Japão, o uniforme escolar é usado em quase todas as escolas e até em algumas universidades. Mais do que uma simples vestimenta, o uniforme também tenta ensinar aos alunos que o coletivo é mais importante do que um indivíduo. No começo o uniforme consistia em um simples kimono ou hakama e, durante o período Meiji (1868-1916), o Japão começou a modernizar suas velhas tradições adotando a moda ocidental. Os uniformes foram redesenhados. E a inspiração para o novo estilo de uniforme foram os trajes militares.

Para os homens, o uniforme seguiu o estilo dos uniformes utilizados pelos soldados do exército da Prússia.

As gatinhas não resistem ao meu uniforme e ao meu para-raios

O uniforme masculino se chama gakuran (gaku-: estudante, -ran: vem de Holanda, representa o ocidente). Possui uma gola em pé e os botões são enfeitados com o emblema da escola. Às vezes, a escola também possui broches, prendedores ou outro adorno para representar a escola. Muitas vezes, o segundo botão do gakuran é oferecido para a menina amada, como um sinal de confissão de amor. O segundo botão fica mais próximo ao coração e diz-se que o botão guarda todas as emoções do tempo de uso do uniforme.

 

Já as meninas ficaram com o estilo inspirado no uniforme da marinha britânica, uma potência naval na época. O uniforme das meninas é chamado de serafuku (sera-: sailor e -fuku: vestimenta). Não procure por serafuku no google images se estiver no trabalho. Você verá pouco uniforme e muito fetiche. A tara é tamanha no Japão que os uniformes são usados até pelas moças mais crescidinhas, depois de formadas. O comprimento correto da saia é abaixo do joelho, mas as moças dão um jeito de encurtá-las para nossa alegria.


Sou uma marinheira do mundo da lua

Em geral, o uniforme possui cores escuras como preto ou azul marinho durante o inverno e cores mais coloridas para celebrar a primavera. O que diferencia uma escola da outra são os lacinhos amarrados no pescoço. Cada escola possui um laço ou um lenço característico.



Além desses uniformes, algumas escolas também adotam o tradicional blazer com emblema da escola e gravata. Mas esses uniformes não são tão legais. Quase nada mudou nos uniformes criados desde a era Meiji. Mas aos poucos, os uniformes estão ganhando pequenos detalhes modernos, tais como tecidos mais leves no verão e até mesmo com transmissores GPS nos lenços e gravatas para os pais mais preocupados.

 

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Janeiro 29, 2011

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Postado por Narumi Abe

Estava sem idéias para escrever e como o meu primo é o calouro mais fresco, pensei em escrever esse post de utilidade pública. Nada muito técnico, porque ninguém vai lembrar das explicações, o importante é lembrar das dicas. E também porque eu não sou médico. =D Enquanto ia fazendo a minha pesquisa acabei achando muitos mitos no meio. Então aproveito pra desmentir alguns, diluídos no texto. Claro que ele não vai seguir nada disso, mas pelo menos eu vou poder jogar um "te avisei" na cara dele depois.

Por que você não escreveu isso antes?

Por que ficamos bêbados?

Todo mundo tem uma tolerancia diferente para a marvada. Isso depende do tamanho, do peso, da idade e do sexo do sujeito ou sujeita. Pessoas com porte maior aguentam mais, mulheres em geral aguentam menos. Outro fator que determina o quanto o sujeito aguenta beber ou não,  é o costume. Quem está nessa vida amargurada a mais tempo já está mais adaptado. Eu mesmo conheço uma menina baixinha e magrinha que bebe mais que aquele opalão 6 cilindros.

O álcool que ingerimos é o etanol. Apesar da gente gostar tanto do álcool, o corpo não gosta do dito cujo e quer eliminá-lo. Quem faz o papel de Chuck Norris do corpo humano é o fígado. O nosso amigão fígado faz isso transformando (metabolizando) o néctar dos deuses em gás carbônico e água. Mas o fígado não faz isso de uma vez só. Ele é lerdinho, coitado. O álcool fica no estômago até parar no sangue e fica dando voltas na sua corrente sanguinea passando pelo fígado várias vezes. Digamos que, em uma hora, o fígado consiga fazer uma lata de cerveja dessa transformada em água e gás carbônico. É por isso que as legislações de alguns países permitem o equivalente a isso de álcool para o motorista. Bom, vimos que o fígado é o Chuck Norris destruidor, mas ele também tem ajudantes. Um pouco é eliminado pela respiração e urina. E pra urinar o corpo tem que liberar água, que é importante pra... bom só é importante pra tudo, e você irá muitas vezes no banheiro depois da primeira ida. E um tantinho também pelo suor. Tantinho suficiente pra sua namorada perceber, seu cachaceiro. Ah! Mas se você tomar só uma cervejinha saiba que vai estar se hidratando e não desidratando. Isso porque a cerveja tem um percentual baixo de álcool (4 a 5 se não forem as deliciosas belgas) e muita água e os sais minerais.

 

Bem, vimos que o fígado faz alguma coisa muito louca com o álcool. Mas como ele não é mágico, é basicamente químico, ele tem que fazer isso em algumas etapas. Nas últimas etapas antes de ser convertido em água, você estará com ácido acético percorrendo no sangue. Legal né? O ácido acético é vinagre pra quem faltou a aula. E antes de ser vinagre, o fígado transforma o etanol em um negócio muito forte. Um álcool dos bons. Marvada pura. Veneno mesmo. Sério, é muito pior que o etanol. O etanal. Ué, só mudou uma letra? Tá, o outro nome disso é acetaldeído (doído mesmo, muhuahua que trocadilho idiota). E por que o corpo transforma o álcool gente boa num álcool mais venenoso? Porque ele é mais simples de ser quebrado. Bom, pra transformar o acetaldeído no vinagrete, o fígado libera 2 troços (do grego enzimas): álcool-desidrogenase e aldeído-desidrogenase; e a glutationa, que tem um amor platônico pelo acetaldeído. É claro que o estoque disso é limitado. Com o tempo o corpo não tem mais a glutationa e por isso o veneninho tem que ficar percorrendo seu corpo até que mais seja produzido. A propósito, as mulheres têm menos aldeído-desidrogenase e glutationa, por isso ficam alegrinhas mais rápido.

 

Um fígado simpático, não é para foie gras

Tá, entendido! Então a finalidade do fígado é só eliminar o álcool? É claro que não! Quando o fígado não está ocupado demais com isso, ele tem coisas mais importantes pra fazer como manter você vivo. Você pode viver sem um coração, sem os rins, mas não pode viver sem um fígado. Bom, mas pra efeitos desse texto, o fígado armazena e libera a glicose, substância responsável por manter você de pé, consciente e vivo. Falando em glicose, o mesmo povo que deveria estar gerando elas, está ocupado processando o etanol, e o seu cérebro não irá gostar nada disso. Fraqueza e mal estar pra você. Enquanto isso, seu estômago também não está nada satisfeito com o aumento de ácido clorídrico, e logo você vai ficar enjoado. O que é uma coisa boa, porque gorfar é feio pra sua interação social, mas bom para o coitado do estômago que está aguentando tanto ácido. Não é bom para o exôfago logicamente. Ou pra traquéia. Meh, pros dentes também não é bom.

Como beber?

A primeira dica parece óbvia, mas o mundo está cheio de gente idiota. A primeira dica é: a bebida deve ser ingerida pela boca. Não faça como uns idiotas que estão enfiando no olho. Você não vai sentir nada, só o dedo do pé na quina da mesa e o crânio fraturado depois que você ficar cego.

Bem, depois da ultra mega explicação, sabemos que o álcool fica no estômago e vai pro sangue. Então uma coisa boa é deixar o álcool lá (no estômago) o maior tempo possível. Então se for beber, vá de barriga cheia. Tá, essa dica aí até minha avó sabia.

 

Diluir o álcool tomando água junto com a cerveja. Essa também é muito manjada. Bom, como o post é pro meu primo, acho que ele não vai seguir essa. Quem não aguenta bebe leite. Mas como o corpo irá desidratar, pelo menos tome água antes de sair.

 

Não vire a bebida. Bom, isso também vai fazer parte da nova vida do meu primo. Então vire as que tiver que virar, e beba devagar as demais. O legal é aproveitar a festa e não virar um bêbado chato ou se arrepender de algo constrangedor depois. Lembre-se que o bêbado perde o direito à propriedade de certas partes do corpo que não deveria, hehehe.

 

Pode continuar que eu to te ouvindo

Pode misturar bebidas. Ao contrário do que dizem, misturar bebida não faz diferença nenhuma. Se você tomar uma caixa de cerveja, dois shots de tequila, um copo de whisky e 5 vodkas com suco e disser que foi por causa da mistura é porque você é muito burro.

 

Cerveja deixa mais bêbado que chopp? Mito. É a mesma coisa. O teor alcoolico é igual. A única diferença entre o chopp e a cerveja é que o chopp não é pausterizado. Mas a espuma do chopp faz ela ficar mais leve e quem não entende nada acha que quanto mais amargo mais álcool. O amargo nem vem do álcool, vem do lúpulo. Aquela água com laxante chamada Skol que é comercializada como cerveja possui a mesma quantidade de álcool que as cervejas de verdade. Outro exemplo são as cervejas sem álcool que são amargas do mesmo jeito. Se bem que cerveja sem álcool nem é sem álcool, mas isso é outra história.  Voltando pra história do chopp, como ele não é pausterizado (esquentado e depois esfriado super rápido pra conservar), ele se contamina e estraga muito rápido. Dura no máximo 2 dias depois que o barril é aberto. Chopp bom dura 24 horas. Por que você acha que existe o happy hour? Pra vender o chopp velho da noite anterior. Então só beba chopp se tiver muito movimento na chopperia, caso contrário vá de heineken de litrão. :D

 

Tomar bebida com energético pode? Bom, de novo, como o post é pro meu primo calouro, pode, não exageradamente. Ele é novinho e não tem problemas cardíacos, não que eu saiba, hehe. Mas álcool com outras drogas é melhor não tomar. Junto com pílula pra dormir, nem pensar!

 

Como curar a ressaca?

 

Todo mundo tem uma receita. A maioria é inofensiva ou pode ajudar um pouco, outras são perigosas e não têm o menor cabimento. Mas as dicas que realmente funcionam não estão em lugar nenhum, pelo menos até agora. :)

 

Você abusou e vai ter que sofrer as consequencias. Mesmo seguindo essas maravilhosas dicas, isso vai fazer você ficar melhor um pouco mais rápido, mas ainda vai ficar agonizando durante uma manhã ou o dia todo. Com base na explicação da ressaca, dá pra ter idéia do que funciona e do que não funciona. Por exemplo, ir malhar ou nadar no outro dia de manhã é estupidez.

 

Continuar bebendo funciona? Por incrível que pareça pode funcionar sim. Pelo menos por pouco tempo, antes de você entrar em coma alcoolico e morrer. Isso porque após você parar de beber, o fígado vai começar a produção de glutamina e não vai produzir a quantidade normal, vai produzir muito mais do que precisa pra compensar o tempo perdido. Recomeçando a bebedeira, vai fazer a produção de glutamina parar novamente.

 

Dizem que é bom água de coco ou suco de tomate. Até é, porque ajudam na hidratação. Mas não pode ser considerado uma receita mágica porque não vai ser diferente de tomar água. E acredite, a evolução por necessidade existe. Você vai sentir muita sede. O isotônico é absorvido mais rápido. No caso da ressaca é melhor.

 

Comer só coisas leves como frutas e verduras e evitar gorduras? Muito pelo contrário! Coma um sanduiche de bacon, provavelmente é uma das poucas coisas que realmente vai ajudar na ressaca e é a melhor dica. O pão é rico em carboidratos e o bacon é proteína que se quebram em aminoácidos que o corpo está precisando desesperadamente. Exagerar no álcool também esgota neurotransmissores (a trindade tão boa: serotonina, a dopamina e o GABA), e o bacon milagroso possui os aminoácidos que vão te fazer sentir melhor é o que afirma um estudo de Elin Roberts, of Newcastle University's Centre for Life. 

 

Café ajuda? Sim, a velha receita está certa! No passado, bem no passado diga-se de passagem, acreditava-se que a dor de cabeça da ressaca vinha da desidratação e não por causa do ataque aos neurotransmissores. Recentemente, Michael Oshinsky, da Universidade Thomas Jefferson mostrou que a cafeína e anti-inflamatórios curava dor de cabeça em ratos.

 

Comer doce ajuda? Um grande problema da humanidade é não estudar química decentemente. Tá, você quer glicose, e glicose é um açúcar. Então comendo doce que tem açúcar, estou comendo glicose. Não! O seu doce tem outros açúcares tais como sacarose, lactose, talvez frutose. Todos eles mais complexos, mais difíceis de serem quebrados e transformados em glicose do que o pedaço de pão do sanduiche de bacon da dica aí de cima. Comer qualquer coisa ajuda, até mesmo o doce, mas vai demorar mais. Ah! Esqueci de comentar: Vegans, quando eu digo proteína e blablabla aminoácidos, estou me referindo a proteína certa, seu abacate e tofu não contam, ok?

 

E aqueles medicamentos pra ressaca? Tem vários deles. Vamos ver um por um.

 

Estomazil: bicarbonato de sódio (antiácido, leia-se base), carbonato de sódio (antiácido). Bom se você estiver com acidez.

Engov: ácido acetilsalicílico (bom pra dor de cabeça), hidróxido de alumínio (antiácido), mepiramina (reduz enjoo) e cafeína (estimulante). É um dos melhores remédios. Tomar antes e depois da cachaça.

Epocler: conjunto de aminoácidos, é antioxidante (metionina) e protege o fígado. Repõe os aminoácidos que o fígado usou.

 

E por último, uma boa notícia pro meu primo. O álcool não mata os neurônios. Como vocês já leram em algumas partes do texto, o álcool não é nada bom com certos neurotrasmissores específicos e acaba afetando os dentritos (final das conexões nervosas). Como a célula em si não é afetada, o dano é reversível. Mesmo para os alcoolatras inveterados. A não ser que eles desenvolvam uma desordem neurológica chamada Síndrome de Wernicke-Korsakoff. Mas a desordem não é causada pelo álcool em si. É o resultado da deficiência de tiamina e vitamina B.

 

 

Num mexe com meus dentrito!

 

Então é isso! Se beber não dirija, se beber me chame. Nada como uma boa ressaca pra você se concentrar mais na sua dor física que nos arrependimentos da noite passada. E se for vomitar vai no vaso e não na pia da rep. =D

 

http://www.telegraph.co.uk/science/science-news/5118283/Bacon-sand

http://www.telegraph.co.uk/health/healthnews/8264521/Coffee-and-an

http://www.bulas.med.br/

 

Postado por Narumi Abe | 7 comentários

Janeiro 25, 2011

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Postado por Narumi Abe

 

O meu tempo é muito, muito importante. Eu posso usá-lo pra dormir, assistir tv ou pensar em algum plano pra dominar o mundo. Então se você quer me pedir algum tipo de ajuda, simplesmente peça! Simples assim. Não fique me perguntando sobre como eu estou, sobre os meus estudos ou qualquer outra coisa que você não tinha o menor interesse até precisar de mim. Se você não for meu inimigo mortal provavelmente eu vou ajudar, ou em alguns casos, até mesmo se você for o meu inimigo mortal. "Nice guys finish last", como dizem os americanos.

dog

Vai direto ao assunto!

A minha boa vontade é proporcional ao nível do desafio proposto e ao meu tempo disponível. A amizade é um fator que conta, mas você não será o meu melhor amigo só porque conversou comigo por dois minutos.

Não venha me elogiar, pois mesmo que seja sincero, vai soar falso, muito falso. E olha que eu nem costumo notar essas coisas. Não se preocupe, não irei pensar mal de você porque você foi direto ao assunto, pelo contrário, vou te agradecer por poupar meu tempo. Também não vou negar auxílio só porque nunca trocamos mais do que meia duzia de palavras.

Não fique bocejando enquanto eu tento resolver seu problema. Saiba responder as perguntas que eu fizer sobre o SEU tema, porque eu não vou descobrir as respostas pra você (eu posso, mas não vou).

Se combinarmos um encontro em um horário, chegue no horário! Se foi combinado é porque você concordou com a hora.

Não comece o pedido dizendo que é coisa simples ou coisa rápida. Se você me pediu ajuda é porque não sabe fazer, então não é simples, pelo menos pra você. Não venha me oferecendo dinheiro porque não sou mercenário. Vou ajudar se estiver a fim, e não vou ajudar por nenhum dinheiro do mundo se eu não quiser. Simples assim. :)

 

Postado por Narumi Abe | 0 comentário

Janeiro 16, 2011

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Postado por Narumi Abe

Zeitgeist é uma expressão alemã que significa fantasma ou espírito de uma época. Podemos ver que durante toda a história da humanidade, muitas vezes o coletivo comporta-se como um único organismo vivo criando movimentos culturais, religiosos, políticos ou de qualquer outra natureza. Às vezes, esses movimentos duram uma década, outras vezes pode ser uma histeria coletiva de um dia ou alguns minutos. Podem se referir a muitas pessoas no planeta ou estar restrito a uma cidade ou ao colégio.

A algum tempo atrás, os mangas japoneses eram exclusivos de nerds do sexo masculino. Hoje em dia, são idolatrados por crianças e adolescentes com a popularização dos animes. Até mesmo o conceito de nerd mudou. O que antes era um ícone de chacota máxima está na moda. Nos anos 80, o rock e o punk eram a música da juventude. Jovens com jaqueta preta, cabelo comprido e atitude de bad boy. O rock ficou sensível no ano 2000. As músicas falavam de sentimentos, de dor e sofrimento. Até que se renovou novamente, ainda falando de sentimentos, mas de forma colorida. É claro, há quem diga que o movimento dos emos coloridos não é rock, e eles não deveriam estar no Rock in Rio. O movimento veio pra ficar. Não será pra sempre, pois os jovens não querem se repetir na geração seguinte. Talvez inventem algo ainda mais chocante, ou apenas reinventem o velho rock 'n roll. 

Socorro Hendrix, eles são roqueiros!

 

No filme Entrevista com Vampiro (1994), o vampiro Lestat (Tom Cruise) explica que o que mata o vampiro é a falta de conhecimento, e torna Louis (Brad Pitt) um vampiro. Louis alimentava-se de pombos e ratos, pois recusava-se a ferir um ser humano. Mais tarde, Lestat explica que o comportamento de Louis é o pensamento da época. Apesar de vampiro, ainda possuia consciência e muita tristeza e era esse o ensinamento que o chefe dos vampiros queria. Em seguida, Lestat é quase morto e vive recluso em um casarão até os dias presentes. Lestat não se atualizou ao novo espírito da época, e tinha medo até mesmo das luzes artificiais, temendo-as como se fosse o próprio sol. E falando em Zeitgeist de vampiros atuais... não, melhor nem falar... Boca Fechada

Lestat e Louis chocados com o vampiro que cintila no sol


Lestat não sofreria tanto se soubesse da existência do Google Zeitgeist. O Google Zeitgeist é um site que agrupa as palavras mais buscadas pelo google, por períodos de tempo. É o próprio espírito da época na Internet. No link abaixo, você pode ver os termos mais buscados de 2010 no Brasil. 

http://www.google.com/intl/en/press/zeitgeist2010/regions/br.html

Acha que foi a Copa do Mundo? Não foi. Pelo menos não diretamente. E também não foram as eleições. O termo mais buscado foi a paraguaia fanática Larissa Riquelme, seguida pelo site de perguntas Formspring e pelo cantor Justin Bieber.

Larissinha surpresa com a notícia

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Janeiro 11, 2011

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Postado por Narumi Abe

Chega um triste momento da vida em que os anos passam, a faculdade termina e os seus amigos voltam para suas cidades de origem. Você insiste em manter os laços de amizade com os poucos que sobraram, mas vai percebendo que pouco a pouco as recusas para as festas e baladas começam a se tornar frequentes, cada um tem sua própria vida agora. Começam a se preocupar com o trabalho, namorar sério ou casar, e, em alguns casos, começam a cuidar de seus pequenos filhos até que no final eles se tornam adultos responsáveis. Fica até mesmo difícil reconhecer aquele maluco que vivia caindo de tão bêbado, agora de terno e gravata, ou aquela menina festeira, andando toda recatada e séria.

Essa música fala exatamente sobre esse período de transição. Acho que o melhor é aproveitar enquanto dá, e se possível, depois da graduação, continuar na pós, na pós da pós e adiar o inevitável enquanto for possível. :P

A Última Partida de Bilhar
Velhas Virgens

Depois de tantos anos na balada, conclui que aquilo tudo só podia dar em nada
Resolveu mudar seu rumo
Organizou então a despedida , convidou as moças da avenida
E foi pro bar, para jogar

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Bebeu mais do que podia, misturou cachaça com sinuca
Adoçou seus beijos com bituca
E chorou ao nascer do dia
Sentou no meio fio, junto dos companheiros de taberna
Misturados a damas no cio
Com uma garota em cada perna

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Sentiria falta, das discussões encaloradas
E dos beijos roubados sem compromisso
Polêmicas que iam dar em nada
Fechar os bares, e tomar mais uma saideira
Inventando desculpas pra não ir embora
Às dez da manhã de uma terça feira

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Passa os dias atrás de uma mesa
Os olhos vidrados num computador
Pensando em como drenar aquela represa
Que o afogava, causando tanta dor

Dali pra diante, era tudo seriedade
Da casa, pro trabalho e pra academia
Do almoço, pro jantar e a asfixia
Olhava pra lua, de dentro do seu quarto
Sonhava com os dias de alegria
Lá se foram as noites de boêmia

Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida de bilhar
Aaaaaahhhh! A última partida...

Postado por Narumi Abe | 0 comentário

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