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Março 2010

Março 01, 2010

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GAMETICA 
Por: Joao Carlos Holland de Barcellos Nov/2000

 A Etica como um jogo



Como introducao a este artigo desejo citar dois trechos do livro do Richard Dawkins - "O Gene Egoísta" que me passaram:

"Os homens e os babuínos evoluíram por selecção natural. Se examinarmos a forma como a selecção natural opera, parece sugerir que qualquer coisa que tenha evoluído por selecção natural deve ser egoísta. Se a nossa expectativa não se confirmar, se notarmos que o comportamento humano é verdadeiramente altruísta, estaremos diante de qualquer coisa intrigante, algo que necessita de uma explicação..."

"...Mesmo no grupo de altruístas haverá, quase certamente, uma minoria divergente que se recusará a fazer qualquer sacrifício. Se existir apenas um rebelde egoísta, preparado para explorar o altruísmo dos restantes, ele, por definição, terá maior probabilidade do que eles de sobreviver e procriar. Cada um dos seus filhos terá a tendência a herdar os seus traços egoístas. Após várias gerações desta selecção natural, o grupo de altruístas será dominado pelos indivíduos egoístas e será indistinguível do grupo egoísta. Mesmo admitindo o improvável acaso da existência inicial de grupos altruístas puros, sem qualquer rebelde, é muito difícil ver o que
impedirá a migração de indivíduos egoístas, provindos de grupos egoístas vizinhos e, por casamento cruzado, a contaminação da pureza dos grupos altruístas."

Eh clara a constatacao de que qualquer grupo de replicantes, que evoluam por selecao natural, devam possuir uma dose egoismo intrinseco.

Em especies que vivem em grupos sociais organizados, onde os membros da especie sejam, em geral, ferteis, este egoismo nato deve ser interpretado na sua forma ampla:

Um conjunto de capacidades de sentimentos anti-altruistas entre os quais : o ódio , inveja, ciumes, desdém, desprezo, nojo, avareza, vinganca entre outros.

Tais sentimentos egoistas, que eu costumo chamar de sentimentos "malevolos", sao patrocinados pelo que eu chamei de "genes-malevolos". Tais genes malevolos, permitiram que os individuos que os portavam tivessem uma vantagem evolutiva em relacao aos nao portadores e, atraves de muitas geracoes, estes genes acabaram por se fixar na populacao de modo que devemos esperar que nestas sociedades todos, em maior ou menor grau, sejam portadores.

Na especie humana, que vive em sociedade, com o advento da linguagem, e da cultura (memes), estabeleceu-se uma moral que permitiu uma reducao do conflito de interesses e, com isso, que a sociedade se mantivesse num nivel organizacional relativamente estavel.

Mas seguir uma etica implica, muitas vezes, em reprimir os instintos anti-sociais. Existe todo um espectro ou variabilidade de individuos cada qual com uma maior ou menor capacidade de reprimir tais instintos cobrindo toda a gama possivel da adaptabilidade social.

A capacidade de seguir a etica depende nao somente da constituicao fenotipica do caracter do individuo como tambem do meio, ou seja, da pressao em que o individuo eh submetido.

O fator de adaptabilidade social e capacidade de resistir as pressoes do ambiente e reprimir os instintos tambem deve ser geneticamente influenciado

Nao podemos supor que a humanidade sempre teve a mesma capacidade de seguir uma moral. Tal capacidade nao se fez sem que houvesse uma pressao social para que fosse seguida. A pressao social eh feita na forma de punicao aos que desrespeitassem as regras de conduta.

Sem uma penalidade imposta pelo grupo social ao infrator nenhuma etica poderia existir. A etica sem punicao eh inocua.

Individuos que transgridem a etica social e sao descobertos tem sua penalidade de alguma forma proporcional a sua infracao. Uma penalidade sempre diminui o poder perpetuativo do infrator, isto eh, tende a diminuir a possibilidade do infrator de perpetuar seus genes em relacao ao individuo que nao sofre a punicao.

Assim, podemos perceber dois focos de pressao seletiva atuando sobre o pool genetico em relacao aas emocoes:

1- A pressao seletiva no sentido de se respeitar as normas morais vigentes sob pena de ser excluido/discriminado ou mesmo punido pela sociedade.>

Esta pressao selecionou o que eu costumo chamar de "genes sociais", que conferem ao individuo uma maior ou menor adequacao aas normas sociais e a capacidade de respeitar outros individuos do grupo reduzindo desta forma os conflitos. Como exemplo , do lado oposto, encontramos os chamados "animais selvagens" que, por nao viverem num ambiente social, dificilmente sao domesticados e por isso, quase sempre, sao mantidos enjaulados : dificilmente conseguem ser domesticados ou seguirem algum tipo de regra de boas maneiras.

Um dos sub-produtos desta pressao seletiva para adequacao social podem vir na forma de sentimentos ou emocoes como o remorso, a vergonha , o pudor etc..

2- A pressao seletiva no sentido de *nao* se respeitar as normas no intuito de se auferir vantagens evolutivas. O individuo que consegue burlar a o sistema vigilante social no sentido de auferir vantagens ou recursos as custas dos outros, sem ser punido, tem naturalmente uma vantagem evolutiva sobre os demais. Portanto existe uma pressao seletiva no sentido de nao se respeitar a etica se as vantagens auferidas forem suficientemente grandes para compensar o risco da punicao.

Individuos que tem a capacidade de auferir vantagens evolutivas mentindo e usando todo tipo de estratagema para nao serem descobertoe e nao serem punidos tendem portanto a se tornarem mais bem sucedidos do que os que seguem as normas rigorosamente. Existe uma forca, portanto, aos individuos se tornarem perfidos e falsos.

Um dos sub-produtos desta pressao seletiva para a *nao* adequacao social podem vir na forma de sentimentos ou emocoes como a cobiça, a ganancia, a preguiça etc...

Eh importante notar que muito do que fazemos, no sentido de respeitar ou nao a etica, esta em nossa capacidade de refrear ou nao nossos impulsos.

Assim, todos os elementos do grupo social serao eternamente pressionados por forcas antagonicas que por sua vez provocarao conflitos e sofrimentos em seus elementos.

Haveria um modo de virar o jogo ?

Poderiamos de alguma maneira manter a coesao etica do grupo e, ao mesmo tempo, tornar a vida menos repressora e mais feliz?

Existiria uma maneira de que nao sentissemos o peso da responsabilidade moral e, *principalmente*, que nao fizesse da **perfidia e da falsidade caracteristicas evolutivamente vantajosas** ?

A reposta, felizmente, eh positiva desde que a sociedade possua meios tecnologicos suficientes para tal empreitada.

A solucao para a retirada da pressao evolutiva que mantem e etimula a falsidade a mentira e todos os sentimentos malevolos que conferem vantagem evolutiva a seus possuidores seria uma nova etica que eu batizei de GAMETICA.

A gametica eh a etica vista como um jogo e nao como um dever moral.

Eh algo totalmente revolucionario e eu nao sei se um dia a sociedade estara pronta para coloca-la em pratica.

Atualmente, em nossa sociedade, de niveis tecnologicos embrionarios, esta etica eh claramente impossivel de ser implantada. Mas no futuro podera nao ser assim. A gametica propoe que a moral nao mais exista mas a etica sim. Existiria as regras de conduta mas nao o dever moral de pratica-las. O infrator nao seria visto como um ente malevolo mas sim como um perdedor, que arriscou e perdeu.

Nao existiria o dever moral de seguir a etica mas sim a necessidade de segui-la para nao ser punido.

A pessoa infratora nao seria vista como uma pessoa mah e sim como uma pessoa que arriscou e perdeu e, como foi descoberta, deveria ser punida. Como em um jogo. Claro que um ambiente deste tipo soh seria possivel onde os niveis de vigilancia fossem grandes pois haveria inicialmente uma tendencia maior das pessoas cometerem o ilicito ja que nao haveria mais pressao moral para que agissem corretamente. A unica pressao a ser considerada seria o peso da punicao que deveria ser rigorosa o suficiente para desencorajar o ato anti-etico.

Com esta etica nao haveria a pressao seletiva para a falsidade e perfidia pois todos seriam vistos como "jogadores" que poderiam ou nao se arriscar.

A ideia desta etica eh seria fazer com que a pressao seletiva que fortalece e mantem os genes que patrocinam os sentimentos anti-sociais seja extinta colocando todos os individuos no mesmo nivel de igualdade na competicao da vida. Desta maneira o "falso" nao levaria vantagem sobre o "honesto" pois nao haveria razao de o honesto agir honestamente permitindo que o desonesto sempre levasse vantagem.

Mas esta etica soh seria possivel numa sociedade altamente informatizada e vigilante onde qqr comportamento anti-social pudesse ser detectado. Todos seriam "suspeitos" ateh prova em contrario. Todos seriam "jogadores" e saberiam as regras da nova etica social. Arriscar quebra-las seria um simples risco ( e alto ) de ser punido e nao um dever moral.

Nao sei se tal etica poderia algum dia ser implantada de qualquer modo fica sendo mais um texto teorico sobre uma nova etica : A Gametica.

http://www.genismo.com/metatexto2.htm


Palavras-chave: direito, Ética, evolução, felicidade, Gamética, Moral

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Meta-Ética-Científica | 0 comentário

Março 08, 2010

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Empathism: Happiness through the Other

By Jocax, April 2007
translated by Debora Policastro

The Empathism is a doctrine that promotes happiness mainly through EMPATHY.

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Empathy
From em+Gr. Páthos, state of soul
Noun. the ability to share someone else's feelings or experiences by imagining what it would be like to be in their situation
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Empathy is a felling that makes us feel what the others feel: if he/she suffers, I suffer. If he/she is happy, I am happy too.

The “others” are all the other beings that are related to us.

Therefore, empatism wants us to be happy not through selfishness or simple sensorial pleasures, but through our fellow creature’s happiness.

It is a way of promoting the altruism and goodness through the sensation this goodness causes in another person.

We all have basically the same mental apparatus which forms consciousness, thus, it is not very different if others feel pleasure or us. Pleasure is contributing to happiness and we must nourish it in everyone that can feel it.

 

 

Palavras-chave: doctrine, Empathism, happiness, philosophy

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Meta-Ética-Científica | 0 comentário

Março 09, 2010

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Revolution in Law
Joao Carlos Holland de Barcellos
translated by Debora Policastro

The Scientific Meta-Ethics advocates that the fairest lawsuits, or ethically correct and fair, are the ones that provide the greatest happiness in the maximum period of time in which this happiness could be evaluated.

Likewise, we know that the role of law institutions, that is, the goal of the people who work with law, like lawyers, prosecutors and judges, in short, the judiciary, is to make justice: all the facts must be investigated in order to make the judgment as fair as possible. If by any chance facts and evidence cannot be analyzed and judged, justice can make a mistake.

However, it is necessary to expose the truth in order to investigate the facts with strictness. The truth would be composed of a set of facts and evidence that are relevant in the case to be judged.

Nevertheless, we know that the lawyers are not formally or legally committed to showing each evidence they might have when they contact their clients, especially if this evidence is against his client’s objectives. Nowadays, there is no formal commitment to Justice that obliges lawyers to show facts and evidence they know of, or that might come to their knowledge and incriminate their clients, even if these facts and evidence are crucial for the verdict. No lawyer will take criminal responsibility if he/she omits evidence that could incriminate his/her client. Such possibility exists and is supported by law: no lawyer can be incriminated for defending a respondent.

This ethical and judiciary mistake, as a flaw in Justice, must be corrected. Besides preventing justice from obtaining all possible data for a fair judgment, it promotes criminality, since it enhances the possibility for a criminal to be acquitted by lack of evidence (or evidence consciously omitted).
In case there was a change in Law that obliged lawyers to expose all data and evidence they acknowledge, even if they are against their clients, as long as they are relevant to the case, so they could be appreciated by the judge and jury, there would be a more transparent, ethical and fairer lawsuit. In this principle it is necessary that everyone, especially the defenders, exposes the truth even if it can eventually go against the clients. This alteration in justice would also prevent lawyers from working against their nature of justice, for they would not be obliged to defend at any cost, even with moral and emotional harm, their criminal clients. That way lawyers, not being obliged to eventually become “semi-accomplice” of their criminal clients, would be at peace with their consciousness. They would know that their main duty is with justice and, only after that, with their clients.

Obviously, the prosecutor, the state department and the police would also have the legal obligation of showing evidence that might pronounce the respondent not guilty, in case they knew any. The prosecutors’ function of incriminating the respondent is not a reason for the other parts to omit evidence that could pronounce the respondent not guilty. This is not a game where the target is to win or to lose: the objective is to make justice, and everyone should be engaged in this, including justice itself, by altering laws that are necessary to reach this goal.

This is a proposal so truth and justice can prevail again.

Portuguese Version:  http://www.genismo.com/metatexto53.htm

Palavras-chave: Justice, Law, MEC, revolution

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