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março 12, 2011

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12/03/2011 -UOL 

Novas pesquisas mostram que peixes têm consciência e podem sentir dor

El País
Günther Stockinger
  • Fotografia submarina mostra várias espécies de peixes no mar do Timor Leste

    Fotografia submarina mostra várias espécies de peixes no mar do Timor Leste

Más notícias para os entusiastas da pesca: os peixes podem ser mais do que meras máquinas de reflexo, como se pensava. Novas pesquisas mostram que, aparentemente, eles têm consciência e podem sofrer com a dor, e os pesquisadores estão pedindo que sejam tratados da mesma forma que mamíferos e aves.

Será que milhões de pescadores amadores e esportivos estão errados? Eles acreditam que ter um anzol maligno preso na boca não machuca o peixe. Os entusiastas da pesca insistem que o sistema nervoso das criaturas aquáticas é primitivo demais para que sintam dor de verdade.

Depois de fisgarem o anzol, os peixes muitas vezes lutam de forma impressionante. Mas essa luta não confirma simplesmente como é pequena a agonia que vivenciam? “Se os anzóis de pesca fossem dolorosos, então um peixe fisgado não lutaria e aceitaria o puxar da linha de voa vontade, como um touro pode ser conduzido facilmente pelo anel nas narinas”, argumenta o pescador vienense Johann Braberntz no jornal “Der Fliegenfischer”.

Até agora, aficionados da pesca raramente foram acusados de crueldade, já que os peixes são vistos como forma de vida inferior. De fato, quase ninguém acredita que eles têm sentimentos como mamíferos e aves, e a maior parte das pessoas só têm sentimentos por animais de sangue quente.

Mas agora essa imagem de criaturas robotizadas que teriam uma memória de apenas três segundos está começando a rachar. As mais recentes descobertas de biólogos, neuro-anatomistas e pesquisadores de comportamento mostram que esses vertebrados antigos na evolução são muito mais do que máquinas de reflexo.

Pesquisadores da Universidade de Queen’s, em Belfast, provaram que, quando os peixes são sujeitos a estímulos de dor, os sinais não somem pela espinha. Os cientistas descobriram áreas da pele sensíveis diretamente por trás das brânquias de peixes dourados e trutas. Com a implantação de eletrodos, eles puderam mostrar que as células nervosas ali localizadas enviam sinais diretamente para o cérebro do peixe.

Quando os pesquisadores espetavam os animais com agulhas, uma fúria de mensagens neuronais eram transmitidas ao telencéfalo –a mesma região do cérebro onde os sinais de dor também são processados por animais e mamíferos.

Não um simples reflexo

Resultados similares agora foram alcançados com o salmão atlântico, a carpa e o bacalhau. “Esses estudos demonstram que áreas superiores do cérebro estão implicadas na resposta do peixe a eventos potencialmente dolorosos e que sua resposta não é um simples reflexo”, explica Lynne Sneddon, especialista em peixes da Universidade Chester, no Reino Unido.

Uma equipe de pesquisa espanhola pôde até identificar uma área no cérebro do peixe dourado que parece servir a uma função similar à do sistema límbico, região no cérebro humano que se torna altamente ativa quando as pessoas passam medo ou dor. Como nos mamíferos, esses receptores cerebrais no peixe consistem de uma série de estruturas anatômicas: sinais chegam para a amígdala e são processados por um filtro emocional, enquanto o hipocampo é para memória, mas também tem um papel importante na orientação espacial. Os pesquisadores buscaram por muito tempo em vão essas duas regiões, aparentemente porque estavam procurando no lugar errado. Acontece que, quando o peixe amadurece de embrião para adulto, sua arquitetura cerebral vira de fora para dentro: enquanto a amígdala e o hipocampo humanos são localizados profundamente nos hemisférios do cérebro humano, as estruturas comparáveis de um peixe desenvolvido se localizam diretamente na superfície do telencéfalo.

Testes comportamentais confirmaram esses resultados: os peixes dourados cujas estruturas comparáveis ao hipocampo no telencéfalo foram cirurgicamente desabilitadas subitamente perdem seu sentido de orientação –assim como os mamíferos cujas regiões cerebrais correspondentes foram desconectadas.

Além disso, quando os pesquisadores colocam as seções comparáveis à amígdala do telencéfalo fora de ação, os peixes deixam de aprender com os choques elétricos.

Isso prova que esses animais aquáticos supostamente insensíveis têm a estrutura necessária em suas cabeças para sentir medo e dor. “Apesar da estrutura e função do equivalente nos peixes ser muito mais que nosso sistema límbico, o fato que os cientistas descobriram a presença de estruturas similares é impressionante”, explica Victoria Braithwaite, zoóloga da Universidade Estadual da Pensilvânia.

Alguns anos atrás, Braithwaite causou comoção com outra descoberta que fez sobre a fisiologia dos peixes. Ela encontrou mais de 20 receptores de dor em torno da boca e da cabeça da truta –ironicamente localizados precisamente onde os anzóis penetram na carne do peixe.

Esses receptores frontais do sistema nervoso reagem não apenas aos espinhos, mas também ao calor e agentes químicos. Combinados com as fibras nervosas especializadas que transmitem impulsos de dor, os receptores funcionam como os de outros vertebrados.

Consciência da dor

Mas os peixes são capazes de converter sua percepção desses sinais complexos em uma consciência da dor? Uma série de testes comportamentais sugere que sim.

Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos.

A truta que foi sujeitada a agentes químicos nocivos não deu atenção a uma torre de Lego colorida introduzida em seu tanque, apesar de normalmente evitar novos objetos, sugerindo que sua atenção estava dominada pela dor. Contudo, os peixes que receberam anestésicos simultaneamente demonstraram o grau usual de cautela em relação aos objetos estranhos –porque a morfina aparentemente eliminara a dor.

Uma equipe de 20 especialistas trabalhando para a Comissão da UE em Bruxelas recentemente avaliou os experimentos feitos sobre o tema. Como todas as descobertas atuais sobre a capacidade dos peixes sentirem dor se baseiam em um número limitado de espécies, inclusive trutas, carpas, peixe zebra e peixe dourado, o grupo concluiu que não é possível, por enquanto, fazer maiores generalizações. Ainda assim, os especialistas reconheceram as seguintes conclusões sobre a vida emocional dos peixes: “Com estudos de sistemas setoriais, estrutura cerebral e funcionalidade, dor, medo e estresse, há evidências para componentes neurais da sensibilidade em algumas espécies de peixe.”

Os especialistas não apenas acreditam que os peixes são capazes de ter medo e dor, mas também sensações de prazer. Por exemplo, a oxitocina –chamada frequentemente de “hormônio do amor”- também foi documentada nos peixes.

Os defensores da pesca esportiva negam essas declarações como antropomorfismos inadmissíveis. Eles dizem que os atributos humanos foram inocentemente atribuídos aos animais.

Apesar dos defensores da pesca não poderem mais negar que os peixes têm um sistema para detectar sensações de dor, eles ainda sustentam que apenas um córtex cerebral altamente desenvolvido como encontrado em mamíferos pode produzir uma consciência dos estímulos de dor registrados. “Não há uma criatura humana escondida em um cérebro de peixe”, argumenta o pesquisador norte-americano James Rose, especialista muitas vezes citado pela indústria da pesca.

“A dor e o sofrimento do peixe não foram provados”, concorda Robert Arlinghaus, especialista em peixe do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca em Berlim. “Simplesmente não sabemos se os peixes têm tais sentimentos”.

Fluido cerebral

Para muitos especialistas, porém, a falta de córtex cerebral não parece mais ser uma razão suficiente para eliminar a possibilidade de consciência da dor. Casos médicos notáveis lançaram dúvida sobre essa velha escola de pensamento: neurologistas ocasionalmente relatam casos de pessoas que só têm metade do cérebro. Enquanto outros têm sinapses, esses indivíduos têm apenas fluido cerebral –e ainda assim muitas vezes são altamente inteligentes e bem adaptados socialmente.

Outros pesquisadores estão indo além. Eles sustentam que descobriram que mesmo invertebrados têm certa consciência de dor. Robert Elwood, especialista em comportamento animal da Universidade do Queens, em Belfast, aplicou acido acético à antena sensível dos camarões. Os crustáceos subsequentemente esfregaram as áreas afligidas por até cinco minutos. De acordo com Elwood, essa reação é reminiscente de como mamíferos reagem à dor.

O polvo, o mais inteligente de todos cefalópodes, talvez tenha uma vida emocional ainda mais diversa. Esses animais, que são famosos por suas contorções impressionantes, nunca param de surpreender os pesquisadores: conseguem abrir um frasco de remédios à prova de crianças se souberem que há delícias escondidas ali dentro e fazem fugas noturnas de tanques famosos por sua segurança são comuns. “Há muitas razões por que as pessoas não querem pensar sobre a dor entre invertebrados”, diz Elwood.

Os pescadores por hobby ou esportivos estão com medo que novas leis possam ser introduzidas que limitem seu prazer em pescar.

As leis atuais na Alemanha já estipulam que os pescadores só podem sair com sua vara e pescar se estiverem em busca de comida ou reduzindo os estoques para manter as populações de peixe saudáveis. Torneios onde o pescado é devolvido à água após ter sido pesado foram proibidos –além de uso de peixes como isca viva.

Os biólogos, contudo, não suspeitam primariamente dos pescadores solitários em rios e lagos de cometerem atos de crueldade sem sentido. Sua atenção é dirigida principalmente para as fazendas de peixes e para a pesca de alto mar industrial.

De acordo com Braithwaite, zoóloga da Pensilvânia, daqui a 20 anos, quase metade de todos os peixes que comemos serão criados em enormes fazendas em torno do mundo. “Se nos preocupamos em proteger porcos e frangos na indústria de alimentos, não devemos excluir os peixes”, argumenta.

Ela também diz que mais atenção deve ser dada para as enormes frotas de barcos de pesca que navegam pelos oceanos do mundo, de forma a garantir que as criaturas “sejam mortas de forma rápida e limpa”. “A maior parte das pessoas certamente não se sente confortável com as enormes quantidades de peixe que sufocam lentamente nos conveses dos navios”, acrescentou.

As instalações de pesquisa também estão passando por fiscalização crescente, pois os peixes estão cada vez mais substituindo os camundongos e ratos em laboratórios. Sneddon, especialista em Chester, acha que seria apropriado no futuro aplicar “diretrizes humanas” para essas criaturas mudas nos experimentos. Assim como com mamíferos, diz ela, “os pesquisadores devem administrar analgesia se não interferir com os resultados dos estudos”.

Tradução: Deborah Weinberg

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2011/03/12/nocas

Palavras-chave: cérebro, consciência, dor, ética, Peixes, pesca, sentir

Postado por João Carlos Holland de Barcellos em Meta-Ética-Científica | 2 usuários votaram. 2 votos

Comentários

  1. Dario Nobuyoshi Fukuzawa escreveu:

    minha mãe conversa com os peixes do aquário. Realmente devem ter alguma consciência mesmo...

    Dario Nobuyoshi FukuzawaDario Nobuyoshi Fukuzawa ‒ sábado, 12 março 2011, 18:07 -03 # Link |

  2. Magnus Ake Gidlund escreveu:

     "Trutas cujos lábios foram injetados com veneno de cobra ou acido acético ventilam vigorosamente com suas brânquias por quase três horas e meia, param de se alimentar, se agitam para trás e para frente no assoalho do tanque ou esfregam os lábios nas paredes de vidro. Elas demonstram muito mais do que reações de três segundos"

    This is a completely worthless experiment that without doubt is borderline to proper scientific conduct. Nota Bene I did not write ethical! A proper Scientifc conduct combine ethical considerations with experimental design to be able to answer/validate the proposed question/hypotheis. To inject poisson or acid in the lips...Nossa signora, it is like dropping acids in their eyes to if these are used.

    Cartao Vermelho....

    Magnus Ake GidlundMagnus Ake Gidlund ‒ segunda, 14 março 2011, 14:36 -03 # Link |

  3. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    A consciencia minima se da na forma de SENTIR.

    Veja este trecho:
    "...

    A Consciência

    Isto deveria ser assim porque se houver várias sensações diferentes, em processos mentais distintos, haverá necessidade de algo que, de algum modo as perceba. Este algo seria a consciência.
     
    Um dos antigos e grandes problemas filosóficos existentes é sobre a natureza da consciência. E agora o problema do sentir dependia de sua solução. Mas a constatação de que o sentir e a consciência estivessem ambos, de algum modo, correlacionados não deixava de ser também um avanço. Mas que forma de relacionamento deveria ser este?

    A consciência, em sua forma mais conhecida, é uma entidade, ou processo, que percebe a própria existência, que se relaciona ao livre-arbítrio ou à capacidade de escolha. No nosso caso isso não é necessário, a percepção da própria existência, ou a capacidade de escolha, não são características necessárias para que haja o sentir. Entretanto, a própria percepção da existência, a percepção em si, é também uma forma de sentir. Podemos assim constatar que a consciência, em sua forma mínima, a mais simples, deve ser apenas um processo de captação de sentimentos ou sensações....

    "

    Extraido de : http://www.genismo.com/metatexto43.htm

    Ou seja , se algo sente dor , esta dor sentida ja eh uma forma de consciencia da dor. E o importante eh que o animal esta sofrendo, nao que o animal tenha consciencia de sua propria existencia. Entendeu? 

     

     

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ segunda, 14 março 2011, 15:07 -03 # Link |

  4. Dario Nobuyoshi Fukuzawa escreveu:

    entendi sim.  é por isso que gosto dos animais. se bem que gosto de comer peixes, a fome fala mais alto.   


    Dario Nobuyoshi FukuzawaDario Nobuyoshi Fukuzawa ‒ terça, 15 março 2011, 00:34 -03 # Link |

  5. Magnus Ake Gidlund escreveu:

    Dear João

    I agree partly. However the first event is perception. Fishes have this. They see (eyes) and they sense via external or internal  sensors. To feel this information has to be procesed and this is done with the brain. In the case of the fish, the brain has to contain information that take care of the daily life of the fish: swim, eat, make little fishes (!) and last but not the least evade predators. To avoid being a lunch  is not a small task and is from an evolutionary point of view equal or more important than make little fishes. The question that arises is what is the value feel pain for instance. In the life of the fish, pain has no "survivel" value i.e. a half-eaten  painstrucken fish that has survived and by this earned an evolutionary, gene-transferrable , trait is scarce...Either you are alive or dead.

    What it comes down to is the size and function of the brain. In the case of the fish is the brain sufficient?

    Does this arguments sound good?

    Magnus

     

     

    Magnus Ake GidlundMagnus Ake Gidlund ‒ quinta, 17 março 2011, 11:27 -03 # Link |

  6. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    Magnus , seu argumento nao eh muito bom.
    Deixa eu te explicar:
     
     Primeiro vc disse:

     "..and last but not the least
    evade predators. To avoid being a lunch  is not a small task and is from an
    evolutionary point of view equal or more important than make little fishes.
    "

    Aqui tem um erro:
    fazer litle fishes eh BEMMM mais importante do ponto de vista evolutivo do que
    simplesmente evitar predadores e se manter vivo. Claro que para se fazer "litle fishes"
    vc deve se manter vivo algum tempo , mas isto nao eh o mais importante NAO.
    Por esta razao os louva-deuzes se deixam virar almoco para ter um monte de babyzinhos numa copula bem sucedida
    enquanto a femea devora-lhe a cabeca, e muitas aranhas tambem preferem morrer e ter seus filhotes a
    se manterem vivas e sem babys.

    Depois vc diz:

    "..The question that arises is what is the value feel pain for instance. In the
    life of the fish, pain has no "survivel" value .
    ."

    Vc estaria certo SE a dor realmente nao service para nada.
    Por exemplo : nao adianta ferir a planta pq ela nao pode responder a estes ferimentos fugindo ou agredindo
    entao isso eh uma evidencia de que plantas nao podem sentir dor : A dor nao teria valor ou serventia para a planta  ppois ela nao poderia reagir a estes estimulos.
    Entao , neste caso seria valido dizer que a dor nao deve sentir muito  quando o machado corta-lhe o caule.

    Mas os peixes nao: Se ele for mordiscado ou ferido por outro peixe e se nao sentisse dor , ele nao fugiria , e continuaria a ser mordido ateh ser comido vivo concorda?
    Nem reagiria de forma a agredir quem o mordeu. Mas se ele sentir DOR ele vai reagir.

    Ou seja: A dor tem uma funcao nao apenas de defesa mas de aprendizagem: Se algo fere ele pode aprender a nao repetir a experiencia e ser ferido de novo.

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ quinta, 17 março 2011, 11:45 -03 # Link |

  7. Magnus Ake Gidlund escreveu:

    Excellent!

    I am now driving three hypotheis´s

    1) The main driving force in evolution is reproduction. In this part is included the balance between generation of new fishes vs ellimination.There exist other factors but their contribution will not affect the final outcome. Only in the case that there is borderline species, i.e. on the verge of extinction.

    2) Pain is a rational feeling requiring a neural cortex. I can not see any difference between pain and restrain for learning. This means that injecting venom (sic!) in the lips of a fish will not cause pain, but restrain the ability for the fish "recognize" food by the lips. Exactly what ahppens when we fish: the fishes get hooked and try to escape the restraint. The fact that you can catch the fish repeatedly would argue aginst a pain/restrain learning process. Could it be so that pain is a brain response to restrain.

    3) The learning process requires storage as well ability to evaluate: Big fish-run, small fish-no problem unless poisoness or -eat, female fish of the same species:Make small fishes to tantle the big fishes. My arguement is that the fish has neither brain nor CNS to fulfill such a process.

     

    João, could it be so that we interpret the fish behaviour from our own?

     

    In the case of plant it is possible to find responses induced by provocation!

     

    Magnus

    Magnus Ake GidlundMagnus Ake Gidlund ‒ sexta, 18 março 2011, 10:46 -03 # Link |

  8. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    Thank You !

    Vc disse:
    "...1) The main driving force in evolution is reproduction. In this part is included the balance between generation of new fishes vs ellimination...."

    Ainda NAO!
    O força que dirige a evolução é a "PERPETUAÇÂO GENÉTICA" ou seja  os organismos sao evolutivamente talhados para perpetuarem seus genes.
    Os genes são a força motriz da evolção.  Lesta este texto explicando um pouco sobre isso em relação à homossexualidade:
    http://www.genismo.com/genismotexto33.htm

    Vc disse: "..2) Pain is a rational feeling requiring a neural cortex..."

    Nao necessariamente. veja por exemplo um hiper-computador que simula um planeta vivo ( ou um universo ) onde nao existe
    uma unica molécula de agua ( tudo é virtual ) mesmo assim a dor existe . Quero dizer que o neurocortex é "SUFICIENTE" mas
    NAO ABSOLUTAMENTE necessario para que haja o SENTIR. Mas, para fins PRATICOS, podemos supor que sim.

    Vc disse :"...I can not see any difference between pain and restrain for learning. This means that injecting venom (sic!) in the lips of a fish will not cause pain, but restrain the ability for the fish "recognize" food by the lips. .."

    Isso SERIA verdade se os peixes pudessem ABOCANHAR QUALQUER COISA SEM PERIGO . Mas nao eh o que ocorre no mundo deles.
    Existem coisas que tem espinhos e causam ferimento e por isso devem causar dor.

    Outros objetos possuem venenos que tambem sao nocivos ao peixes e por isso devem causar dor evitando-se ataca-los.
    Eh facil vc achar videos que peixes temden a virar um ouriço de ponta-cabeça para comer-lhes a barriga pois
    suas costas possuem espinhos !!  Isso prova que sentem dor !


     Outra coisa que vc deve considerar é que seria mais simples para o organismo criar terminacoes nervosas em toda extensao do organismo do que selecionar quais as partes que irão receber terminações nervosas,
     assim, muitas terminações nervosas susceptíveis à dor são decorrencia do processo de proteção em regiões que precisam ser importantes.

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ sexta, 18 março 2011, 16:24 -03 # Link |

  9. Magnus Ake Gidlund escreveu:

    João,

    maybe I was unclear. When I say reproduction I do not distinguish between DNA, Gene,Cell,organism,species etc. I remember vividly when the book " the Selfish gene" came ou in the 70s. When I get depressed and ask myswelf what is the meaning of life death and everything ( like in  Hitchhikers guide to the Galaxy, Adams, Douglas 1960s) I conlude that we are like mushrooms for virus. The mushroom divide its life between sexual and assexual reproduction. The assexual goes on in the underground in the mycelium that spreads out in the soil all over the planet. Exceedingly well adapted in any kind of surrounding. A good life , but every now and then a sexual reproduction occurs. The reason for this is unknown but might have to do with changing some of the genetic material in the mushroom.What they do is forming fruitbody. In Japan Shiitake, in Italy Porcini, Truffel (!!!) , in France Trompette des Mortes and in Sweden Trattkantareller, Stolt Fjällskivling, Sillkremla . All very good to eat , but the main purpose is to produce spores to spread  to begin a new mycelium society. In eukaryots it is the  virus that is the mycelium and we are the fruitbodies....In this world homosexuality has little importance

    Maybe a little hash...but how can we counterargue

     

    I am now going to Natal, I will if the wheather allow I will  try to fish in the Ocean. Are fishes the fruitbodies of fishviruses?

     

    Magnus Ake GidlundMagnus Ake Gidlund ‒ segunda, 21 março 2011, 16:52 -03 # Link |

  10. João Carlos Holland de Barcellos escreveu:

    Magnus,
    Existe uma diferenca de "comportamento" quando o organismo eh um DNA ou um CORPO que encerra o DNA.
    Um corpo , EM GERAL, tem um comportamento que privilegia a sobrevivencia do seu DNA e nao do seu corpo
    como ja exemplifiquei no caso extremo do louva-Deus e de algumas especies de aranhas.
    Ou seja, a evolucao do comportamento do CORPO se desenvolve para preservar as moleculas replicantes (DFNA e seus genes ).

    Ja do ponto de vista do DNA a reproducao é , digamos assim, mais egoista, pois o q importa seria o proprio DNA e nao o corpo que o carrega.
    Eh interessante notar que o "comportamento" egoista do DNA IMPLICA , muitas vezes , o comportamento ALTRUISTA do corpo que o mantem!!

    veja este trecho:
    "....
    Conflitos que favoreceriam os genes em detrimento do organismo

    1-A Mãe Altruísta: A Mãe que arrisca a sua vida para defender sua prole.
    Isso acontece na natureza quando a mãe, instintivamente, estima que arriscando sua vida, poderia fazer sobreviver sua prole. Esse instinto pode favorecer seus genes mesmo que o risco à sua vida individual seja alto, desde que a probabilidade de salvar a cria seja igualmente alta.

    2-Suicídio sexual: Em algumas espécies, como a do louva-deus, e a de algumas aranhas, os machos deixam-se ser devorados pela fêmea em troca de uma cópula bem sucedida.
    A fecundação pode resultar em centenas de filhotes, e assim ser vantajosa para os genes, mesmo à custa da vida do organismo-pai.
    ..."

    http://stoa.usp.br/jocax/files/-1/6867/geneticatexto39.htm

    Com relacao a EXPLICACAO PARA A ORIGEM DA SEXUALIDADE eu acho q a teoria do filho premiado explica-a bem:
    ".....
    A Teoria do Filho Premiado

    Uma resposta, que pode ser a chave para estas questões, seria o que eu chamei de a “Teoria do Filho Premiado”: A reprodução sexuada permite unir duas ou mais mutações benéficas, de dois organismos distintos, num único organismo, produzindo um “super-organismo” de alto “fitness”, sem que haja necessidade de se esperar um enorme tempo, como no caso da reprodução assexuada.

    10.7.1- Na Reprodução Sexuada

    A reprodução assexuada não permite uma dupla mutação benéfica num mesmo organismo sem uma boa dose de tempo ou de sorte!  Vejamos, por exemplo, como é difícil às bactérias, conseguirem sobreviver a dois tipos de antibióticos, administrados simultaneamente, por não possuírem reprodução sexuada:

    "...Comparado a outras bactérias, o H. pylori é um microrganismo hiper-mutável. Sua frequência de mutação é dependente do marcador considerado e varia muito entre as diversas linhagens bacterianas. Com referência à rifampicina, por exemplo, encontraram-se taxas de mutação elevadíssimas em algumas estirpes, 3x10-5, e em outras, taxas muito mais baixas, 4x10-8. Por outra parte, em relação à eritromicina a freqüência de mutação é menor, oscilando entre 1x10-7 e 5x10-9. Quanto maior for a população bacteriana no local da infecção, maior é a chance de ocorrerem mutações de resistência, eventualmente selecionáveis durante a antibioticoterapia. Considerando a média das taxas de mutação do exemplo acima, para que fossem encontradas bactérias resistentes a duas drogas seria necessária uma densidade populacional em torno de 1x1014; o que é impossível. Isso evidencia a importância das associações antibióticas..." [20]

    Se estas bactérias possuíssem reprodução sexuada, uma bactéria resistente ao primeiro antibiótico poderia cruzar com outra, resistente ao segundo antibiótico, produzindo uma superbactéria resistente a ambos, que então se proliferaria.
     
    A idéia que está por trás da “Teoria do Filho Premiado” é que não importa tanto aos genes a quantidade de sobreviventes na próxima geração quanto importa sua capacidade de sobrevivência no longo prazo. Deve valer à pena aos genes sacrificar a facilidade da reprodução assexuada, pela sexuada, mais complexa e difícil, se isso resultar numa maior capacidade de perpetuação aos genes. G. Miller retrata bem esse ponto de vista, em seu livro “A Mente Seletiva”, quando se refere à sexualidade como forma de descartar mutações, no caso, as mutações prejudiciais:

    “...Para evitar que as mutações acumulem-se ao longo do tempo, a reprodução sexual assume alguns riscos. ... A maioria dos filhos herdará quase o mesmo número de mutações dos pais. Contudo, alguns podem ter sorte: Eles podem herdar um número abaixo da média de mutações do pais e um número abaixo da média também da mãe. Eles terão genes muito melhores que a média, e devem sobreviver e se reproduzir muito bem. Seus genes livres de mutações serão difundidos pelas gerações futuras. Outros filhos podem ter muito azar: eles podem herdar uma carga de mutações acima da média de mutações de ambos os pais e podem não se desenvolver absolutamente, ou podem morrer na infância. Quando morrem, levam um grande número de mutações consigo, para o esquecimento evolutivo. Este efeito é extremamente importante. Dotando a próxima geração com número desiguais de mutações, a reprodução sexual garante que pelo menos alguns dos filhos terão genes muito bons.....Como a evolução a longo prazo é uma competição em que o vencedor leva tudo, é mais importante produzir alguns filhos que terão uma chance de se saírem bem do que um número maior de filhos medíocres...” [21]
     
    A minha crítica sobre a sexualidade existir para eliminar mutações malévolas também se aplica aqui: Mutações malévolas são eliminadas pela própria natureza. Não há necessidade da sexualidade para isso. Da mesma forma que existem bactérias sem mutações malévolas, também pode existir filhos de organismos de reprodução sexuada sem elas. Da mesma forma que as mutações malévolas prejudicam as bactérias que as portam, também podem prejudicar os organismos de reprodução sexuada que os portam reduzindo seu “fitness” e dificultando a sobrevivência do gene mutante no longo prazo.

    A função dos machos, na reprodução sexuada, seria a de possibilitar que mutações benéficas sejam disseminadas pela população num ritmo muito maior do que na reprodução assexuada.

    Qual seria o mecanismo que possibilitaria a reprodução sexuada?

    Para respondermos a isso, vamos supor que exista, numa mesma espécie, um alelo, um gene, que induza à reprodução sexual, por exemplo, jogando gametas no seu ambiente aquático que, ao se juntarem formariam novos organismos. E existe também o alelo assexuado, que induz à reprodução assexuada. Temos então dois alelos (sexuado e assexuado), competindo na mesma espécie para sobreviver. Existem mutações que acontecem nos dois subgrupos. Um filho mutante assexuado tem as mesmas chances de receber uma mutação que a de um filho sexuado. Se a mutação é boa, ou má, isso vai beneficiar, ou prejudicar, a ambos da mesma forma. Mas suponha que este filho mutante gere gametas que irão encontrar outro gameta mutante com outra mutação benéfica.

    Temos então um super organismo, um mutante com uma dupla mutação benéfica, um ser de altíssimo “fitness”, que faria com que este alelo sexual tivesse muito mais probabilidade de sobrevivência e reprodução que seu competidor assexuado. Tal fato poderia, no longo prazo, fazê-lo se fixar na espécie.

    ....."

    http://stoa.usp.br/jocax/files/-1/6867/geneticatexto39.htm

    João Carlos Holland de BarcellosJoão Carlos Holland de Barcellos ‒ terça, 22 março 2011, 09:03 -03 # Link |

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