www.flickr.com
Este é um módulo do Flickr que mostra as fotos públicas de Mauricio Kanno. Faça o seu próprio módulo aqui.

Stoa :: Maurício Kanno :: Blog

Dezembro 11, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

O Natal costuma ser uma data para pensar em paz, amor, renascimento... assim como o Ano Novo. Assim, que tal dar uma olhada nos links abaixo, e refletir sobre o que você pode fazer no seu dia-a-dia para melhorar o mundo em que vivemos?

- Minha animação-documentário produzida em Flash no Japão, "Por Trás do Rebanho":

http://math-info.criced.tsukuba.ac.jp/~mauricio.kanno/

- Artigo no site Akatu da jornalista Jaqueline Ramos, "Os Impactos da Alimentação para o Meio Ambiente":

http://www.akatu.org.br/central/opiniao/2008/os-impactos-da-ali

- Entrevista para a revista Época do biólogo Sérgio Greiff, "Vegetarianismo a Favor do Meio Ambiente":

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74465-5856-421,00-V

- Relatório da FAO/ONU, "Livestock's Long Shadow": 

http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.htm

- Dossiê da Sociedade Vegetariana Brasileira, "Impactos sobre o Meio Ambiente do Uso de Animais para a Alimentação": 

http://svb.org.br/vegetarianismo/downloads/livros/index.p

===

Este post foi feito aderindo proposta do Faça a sua Parte: http://www.verbeat.org/blogs/facaasuaparte/2008/12/o-natal-do-

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 5 comentários

Dezembro 06, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

logo GEDANo dia 13 de dezembro de 2008, o Grupo de Estudos de Direitos Animais (GEDA) realiza seu 13º evento mensal de formação sobre o assunto, livre e gratuito aos interessados. Será no sábado, das 15h30 às 18h30, no restaurante Vegethus, com mediação de Cláudio Godoy.

-        Primeiro estará em debate a situação dos direitos animais no mundo, com experiências nos Estados Unidos (professor da USP Artur Matuck e nutricionista George Guimarães), Inglaterra (estudante de Direito da USP Bruna Moliga), Israel (advogado Hugo Chusyd) e Japão (jornalista graduado na USP Maurício Kanno).

-        Em seguida, o redator Dimas Gomez explicará como responder a três argumentos contrários aos animais: da Biodiversidade (animais usados não estão ameaçados de extinção), do Favor (muitos animais só existem por serem criados pelos humanos) e o Pragmático (seria impossível viver sem causar algum sofrimento aos animais). Os argumentos são os últimos analisados no livro Ética & Animais  Um Guia de Argumentação Filosófica, do filósofo Carlos Naconecy. E este é o último de nove encontros independentes em que a obra está sendo estudada.

-        Almoço comemorativo - Antes do evento em si, às 14 horas, no mesmo dia e local, acontece o almoço comemorativo de 1 ano do grupo de estudos. Se interessar, o sistema é self-service, inclui sucos e sobremesas, e tem o preço fixo de R$ 19,50.

O endereço do Vegethus – Vila Mariana é Rua Padre Machado, 51, São Paulo – SP, próximo à estação de metrô Santa Cruz. Telefone: (11) 5539-3635.

Mais informações: (11) 9564-4568 ou grupogeda@gmail.com , com Maurício.

[Arte do Logo: publicitário Rogério Carnaval]

==========================


Caso possível, por favor, imprima o pdf de divulgação e divulgue na instituição que freqüenta!

Grande abraço,

Maurício Kanno

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 comentário

Novembro 20, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Realizado em 6 e 7 de novembro, no auditório do Departamento de História da USP.

Link com todas minhas fotos: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/SeminRioDeDireitosAnimaisNaUSP#

Leia a programação do evento aqui: http://stoa.usp.br/mauriciokanno/weblog/35356.html

Seguem 4 delas: 

Laerte Fernando Levai (promotor de justiça/Ministério Público do Estado de São Paulo), um dos organizadores do seminário.

==


Mesa Redonda "Pode o direito eliminar a intolerância?" Participantes: Vânia Rall Daró (graduada em direito/USP, tradutora pública e intérprete comercial), Artur Matuck (graduado em comunicação e professor livre docente ECA/USP), Paulo Santos de Almeida (graduado em direito e professor doutor EACH/USP).

César Ades (graduado em psicologia, professor titular IP/USP). 

==

Palavras-chave: Artur Matuck, César Ades, direito, direitos animais, ética, fotos, História, intolerância, Laerte Levai, Paulo Santos de Almeida, respeito, seminário, USP, Vânia Rall Daró

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 0 comentário

Novembro 11, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Inspirado por post do blog Raul na China, da Folha, em que ele mostra um vídeo com capoeira na China, tive vontade de também divulgar alguns vídeos de capoeira que eu fiz e publiquei no YouTube. Aliás, foi depois que estive no exterior vendo o pessoal praticar nossa capoeira que decidi também praticar, quando voltei ao Brasil...

Este é o vídeo da capoeira na China:

Neste meu você pode ver ingleses jogando capoeira (parte 7 do documentário "De Passagem", que produzi na Europa):



já os vídeos seguintes eu fiz do meu grupo Capoeira Arte e Ginga, no Brasil, na USP (Sintusp):



Palavras-chave: afro, Brasil, capoeira, Capoeira Arte e Ginga, China, cultura, documentário, Folha, Inglaterra, Raul, Sintusp, USP

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 0 comentário

Outubro 27, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Agora programação definitiva e informações completas, respondendo aos que perguntaram no meu outro post, publicado há 3 semanas, sobre o evento que ocorre em 6 e 7 de novembro, realizado pelo Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI) da USP, na FFLCH/História, sobre direitos animais.

Se possível, divulgue e compareça. Mais informações, telefonar ou enviar e-mail para o contato indicado, ou ainda comente aqui mesmo, que posso orientar a quem buscar.

================================================

 

LABORATÓRIO DE ESTUDOS SOBRE A INTOLERÂNCIA

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

 

 

SEMINÁRIO

"DIREITOS DOS ANIMAIS EM DEBATE: As faces da intolerância"

 

 

06 e 07 de novembro de 2008

Auditório da Faculdade de História - FFLCH/USP

Cidade Universitária – São Paulo

Entrada franca, sem necessidade de inscrição prévia

Certificado de participação aos interessados

Mais informações: (11) 3091-2441 – lei@usp.br

 

 

PROGRAMAÇÃO

 

Quinta-feira, 06/11:

 

10:00 às 12:00: Mesa Redonda "Aspectos históricos da intolerância com os animais"

 

Zilda Marcia Grícoli Iokoi (professora livre docente história/USP e diretora LEI)

Rodrigo Medina Zagni (graduado em historia e doutorando no PROLAM/USP)

Juliana Prado da Silva (graduanda em história/USP)

 

Intervalo para almoço.

 

14:00 às 15:45:  Mesa Redonda "Pode o direito eliminar a intolerância?"

 

Paulo Santos de Almeida (graduado em direito e professor doutor EACH/USP)

Vânia Rall Daró (graduada em direito/USP, tradutora pública e intérprete comercial)

Artur Matuck (graduado em comunicação e professor livre docente ECA/USP)

 

 

15:45 às 16:00: coffe break

 

 

16:00 às 18:00: Mesa Redonda "Somos todos primatas"

 

César Ades (graduado em psicologia, professor titular IP/USP)

Heron José de Santana Gordilho (promotor de justiça/BA e professor adjunto UFBA)

 

Sexta-feira, 07/11:

 

10:00 às 12:00: Mesa Redonda "Uma visão da cultura sobre os animais"

 

Renato da Silva Queiroz (graduado em ciências sociais, professor livre docente antropologia/USP)

Valéria Barbosa de Magalhães (graduada em ciências sociais e professora doutora EACH/USP)

Laerte Fernando Levai (promotor de justiça/Ministério Público do Estado de São Paulo)


Intervalo para almoço

 

14:00 às 15:45: Mesa Redonda "Ética na ciência"

 

Thalez Tréz (graduado em biologia e professor titular da UNIFAL/MG) [alteração posterior]

Nádia Farage (graduada em ciências sociais e professora doutora do IFCH/UNICAMP)

Luiz César Marques Filho (graduado em história e professor doutor do IFCH/UNICAMP)

 

15:45 às 16:00: coffe break

 

 

16:00 às 18:00: Mesa Redonda "Considerações filosóficas sobre o uso de animais"

 

João Epifânio Regis Lima (doutor em filosofia/USP. Professor titular Universidade Metodista)

Irvênia Luiza de Santis Prada (veterinária e professora titular da FMVZ/USP)

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 2 usuários votaram. 2 votos | 6 comentários

Outubro 21, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

há 2 semanas, indiquei aqui no Stoa o http://livemocha.com , site bem interessante para aprender idiomas. outro site mto bom pra aprender línguas, que completa o que falta no outro, é este, indicado por minha colega do Jornalismo/Editoração Fernanda Campagnucci: http://www.italki.com/

nao tem as lições e o sistema de pontuação e níveis que existem no livemocha (que curto muito por dar aquela motivada, idéia de jogo, até talvez competição), mas complementa ele, porque tem outros recursos, como gramáticas, alfabetos, textos de ajuda, coisas que nao existem no primeiro. tudo produzido colaborativamente pelos participantes do site.

=

tb aproveito pra indicar dois sites mto bons pra quem estiver aprendendo japonês, indicados por minha amiga Kitaura Minami, japonesa que trabalha na recepção do meu prédio, aqui na JICA Tsukuba/Japão: 

este serve pra traduzir palavras do japones para o ingles e vice-versa, coloque em qualquer dos dois idiomas que ele vai entender e já traduzir para o outro idioma: http://www.alc.co.jp/

já este é um dicionário japonês-japonês, que ajuda quem já conhece hiragana (os caracteres fonéticos nativos japoneses) como eu, mas fica perdidaço com os trocentos kanjis (ideogramas, indicam idéias) do japonês. com eles vc pode obter a pronúncia dos kanjis (ou, como os japoneses dizem, furigana): http://dictionary.goo.ne.jp

=

já este aqui é um dicionário inglês-inglês e enciclopédia geral, que estou usando para entender melhor o significado de palavras em inglês mesmo, achei bom: http://www.answers.com/

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 3 comentários

Outubro 19, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

tô longe, mas td dia vejo a Folha Online; não pude acreditar quando li q o tal Lindenberg realmente atirou na cabeça e na virilha da ex-namorada, e matou ela mesmo. q *&$^#!!!!!!! e depois de 100 horas de terror em cima da moça!!!! eu tava acompanhando o caso meio por cima, mas sempre acreditava que tudo ia se resolver bem...

tem gente, como o colunista deste mesmo jornal Kennedy Alencar, que chama de "lambança" o que o Gate, setor da polícia que negociou com o terrorista, fez, mas putz... realmente não sei o q poderiam ter feito contra esse %*&$&#! lambança é a deste "ilustríssimo" Lindenberg.

talvez eu devesse tirar uma lição de moral, alguma conclusão para colocar aqui neste post, mas sei lá. a única que me vem em mente agora é que existem *&$^#@ no mundo - nada genial, eu sei. só tristeza, na verdade, por lembrar disso. e nunca sabemos quando podem aparecer. fazer o quê?

Palavras-chave: *&%$@#, assassinato, Eloá, lambança, tristeza

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 10 comentários

Outubro 08, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

to adorando este site: http://www.livemocha.com

é ótimo, já conversei com uma chinesa q veio me chamar para um chat e me mostrou belas praias chinesas (quem sabe encontro ela lá na praia de Sanya, ou ela me aparece em Santos um dia, como conversamos?): http://hi.baidu.com/ieunet/album/item/cff9021f07ff8a77f724e4a8.html (veja img no fim do txt)

uns outros já me convidaram para "amigo", eu na minha (nem preenchi meus dados direito, mas acho q é pq eu coloquei as línguas que eu sei, entao eles acham q eu posso ajudar, rsrs)

veja só o tanto de curso q eu to fazendo! rsrs:

hindi (da Índia), mandarim (chines), espanhol, ingles, e japones!

===================

gostei msm, por exemplo japones, tem de verdade kanjis e hiragana e katakana, entao to aprendendo bastante com a colaboracao do pessoal! funciona de verdade!

(especialmente graças à colaboração que tive de um italiano que, em junho, postou várias dicas de pronúncia dos kanjis das frases em japonês que eu tava estudando... assim deu pra entender!!! e eu, como recompensa, claro, votei positivo nas dicas dele!)

tb eu mesmo já dei várias dicas de japonês em frases lá pra galera, com o japonês que eu já sei... mostrando a pronúncia e significado de um tanto de frases lá. e também comentei frases de uma argentina que tá aprendendo português brasileiro! acho mto bacana isso. 

==================

entra lá! e não se esqueça de me procurar pra me adicionar como "amigo", meu username é "Animao".

ah, a dica foi da minha mana, Natália Kanno, colega estudante de Medicina na USP.

(só espero que ninguém ache que isto é propaganda de empresa, então deva ser bloqueado, etc... rsrs)

 

 

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 9 comentários

Outubro 06, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Oi, turma, aqui havia uma programação provisória de evento organizado pelo grupo de direitos animais do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI) da FFLCH, em que também participa o promotor público Laerte Levai e a professora Zilda Iokoi, da História!

Como publiquei a programação definitiva, com as informações que faltavam, em um novo post, apaguei a provisória daqui, ok? Mantenho o post para preservar os comentários.

Quem puder aparecer, seria ótimo! Aliás, já fico feliz que a USP esteja organizando um evento destes, pelo 2o ano consecutivo, e desta vez hiper maior que da outra vez!

==============================

SEMINÁRIO: "DIREITO DOS ANIMAIS EM DEBATE"

Organização: Laboratório de Estudos sobre a Intolerância/USP

Local: Auditório da História, USP,  6 e 7 de novembro de 2008

(...)

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 7 comentários

Outubro 04, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Instigado por um comentario de Daniela Prado, em um post da Livia Maat, resolvi produzir este post.

Acho Cristo um gato, lindo!!! Principalmente quando é representado de cabelos castanho-claros longos e olhos azuis ou cor de mel. Tenho até algumas imagens dele em casa (que ganhei de minha mãe) para os momentos de solidão.

o problema eh que a aparencia de Jesus Cristo mesmo, de acordo com arqueologos, etnologos, historiadores, teologos, etc., nao tem nada a ver com essa carinha europeia. esta minha fala eh baseada principalmente em reportagens que li na Veja ou Superinteressante faz um tempo, mas como nao tenho aqui... 

bem, aqui esta uma lista de um monte de imagens de Jesus que foram realmente feitas para representa-lo ao longo dos tempos: http://www.religionfacts.com/jesus/image_gallery.htm

com certeza para nos, influenciados pela cultura europeia como suprema (e odeio isso, apesar de o padrao europeu de beleza tambem fazer parte de meus ideais, claro), consideramos e gostamos de considerar Jesus como um loirinho delicado, como nas imagens:

http://www.religionfacts.com/jesus/images/mormon-jesus-by-del-parson.jpg 

e http://www.espada.eti.br/p223.asp ("Cabeça de Cristo", pintada pelo artista Warner Sallman, em 1941)

mas a imagem real de Jesus Cristo tinha muito mais a ver com a seguinte:

(essa eh a imagem que me lembro de ter visto na Super ou na Veja, produzida por analises de etnologos, historiadores, etc.)

nas versoes seguintes, ainda tem algo a ver pelo menos, mas esta bem bonitao:

http://www.watchtower.org/t/200612/article_01.htm 

http://www.watchtower.org/t/20050915/article_01.htm 

============

veja alguns trechos que coletei em alguns sites:

Consideravelmente, a Bíblia parece não dar grande importância à aparência física de Jesus. Isaías nos diz: "Ele não tinha beleza, nem formosura e, olhando nós para Ele não havia boa aparência Nele, para que O desejássemos". (Isaías 53:2) 

http://www.suaescolha.com/essay/jesusverdadeiro.html

texto bem escrito de um pastor bem razoavel, baseado em trechos biblicos e em cultura judaica:

Alguns eruditos bíblicos acreditam que talvez a representação mais próxima possa ser um desenho a carvão encontrado em uma parede nas catacumbas de Roma (...) Esse desenho em particular, retrata Jesus com fisionomia judaica e cabelo preto cortado bem acima dos ombros, como era o costume entre os homens daquele tempo. Afirmar que Ele tinha cabelos longos é mostrar ignorância da tradição judaica (...)

"Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o homem ter cabelo crescido?" [1 Coríntios 11:14]

Jesus de Nazaré foi um carpinteiro (...) O trabalho manual duro (...) As mãos de Jesus deveriam ser bem calejadas e Seu físico bem musculoso devido ao esforço físico (...) Naquele tempo, a expectativa média de vida entre os homens pobres da classe trabalhadora estava na faixa dos 35-40 anos (se tanto, devido aos rigores do trabalho pesado, à má nutrição e às doenças). Por causa desses fatores, a aparência de Jesus provavelmente seria a de um homem mais velho

"Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?" [João 8:57]

 Como um homem de trinta anos, sua barba (e bigode) teriam sido muito mais cheios e menos aparados do que na representação da gravura, pois a Lei proibia os homens de apararem os cabelos da face.

"Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba." [Levítico 19:27] 

Além disso, a partir da profecia encontrada no livro de Isaías, parece provável que a aparência de nosso Senhor era a de um trabalhador comum de seu tempo.

"Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos." [Isaías 53:2; ênfase adicionada]

alem do txt anterior em http://www.espada.eti.br/p223.asp , tb ha este, mto bom:

Não tinha olhos Azuis. Ninguém ali tinha olhos azuis. E que dizer dos traços físicos de Jesus? Provavelmente eram semitas. Ele os teria herdado de sua mãe, Maria, que era judia. Os ancestrais dela também eram judeus, da linhagem dos hebreus. De modo que os traços físicos de Jesus provavelmente eram como os de um judeu comum.

Mesmo entre seus apóstolos, Jesus evidentemente não se destacava como fisicamente muito diferente, pois Judas teve de traí-lo aos seus inimigos com um beijo identificador. Portanto, Jesus podia facilmente misturar-se no meio de multidões. E ele fez isso, pois, pelo menos uma vez, viajou da Galiléia a Jerusalém sem ser reconhecido. — Marcos 14:44; João 7:10, 11. (...)

Ele tinha pele morena clara... como os judeus dali...além do mais andava muito... rsrsrsrs tomava muito sol. Era forte. Certa vez ele expulsou vendedores do templo. Será que alguem fraquinho faria isso?
Precisava ser forte para andar como ele andava. Ele quase não aparava para descansar... Tinha cabelo curto.. iguais da sua época. (...)

os artistas renascentistas retratavam um Jesus que queriam ver... iguais aos europeus.... ninguém queria Jesus moreno e de pele escura

link: http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080922113447AAX0gMn 

==================================

eh claro que a aparencia de Jesus nao eh o mais importante mesmo, mas sim a mensagem de sua vida: paz e amor (bem ao estilo hippie, rs - calma, eh uma brincadeira). humildade tambem pode muito bem ser acrescentado ai... inclusive considerando sua aparencia e vida. e ainda encaixa no modo de vida dos hippies, rs.

qto a isto incluir respeito aos animais e vegetarianismo, sua mensagem hoje, da maneira como a sociedade tem evoluido (apos 2000 anos de sua passada por aqui), pode muito bem ser assim interpretada, a ver por analises aquiaqui, e aqui, por exemplo, mas eh claro que, inserido na sociedade e cultura da epoca, tao antiga, imerso na cultura carnivora assim como nos na cultura que ama a aparencia europeia (e q tb ainda adora comer carne), pode mto bem nao ter sido.

resta-nos apenas tomar sua mensagem e analisar sob a perspectiva de hoje.

Palavras-chave: aparencia, Biblia, Cristo, deus, Deus, Etnologia, europeus, Historia, Jesus, judeus, manipulacao, moreno

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 6 comentários

Outubro 03, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno
Olá, vou moderar hoje uma mesa-redonda virtual, 20-21h (horário de Brasília), realizada pelo VotoVegano.org. 
 
Estarão presentes políticos, em geral candidatos a vereador, que assinaram a carta abolicionista, cujo princípio central é ser contra a escravidão de seres sencientes, que inclui os humanos e a ampla maioria dos demais animais. 
 
Assinaram a carta até agora 9 deles, de diferentes partidos. Seus Estados são: 4 de São Paulo, 3 do Rio Grande do Sul, 1 de Minas Gerais e 1 do Rio de Janeiro.
 
Confirmaram presença no debate até o momento 5 políticos. 
 
Saiba mais:
Políticos que assinaram a carta abolicionista (e o texto): http://www.votovegano.org/euprometo/
Convite detalhado para participar do debate: http://www.votovegano.org/debate/convite.pdf

Grande abraço.

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 0 comentário

Setembro 23, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Cláudio e eu tentamos, mas não conseguimos publicar a nova resposta dele deste debate como comentário no post anterior, mesmo salvando como HTML, logado, etc. Assim, sou obrigado a publicá-la neste novo post, a única forma que encontrei para dar certo a formatação. Segue:

"Prezado Leonardo,

Mais uma vez, obrigado pelo interesse, pela dedicação ao debate e pelas respostas. O objetivo de todo debate que se preze sempre deve ser o de questionarmos velhos paradigmas e o de examinarmos as raízes de tudo aquilo que tomamos como certo à primeira vista. E isso vale para todos os lados.

Segue a sua última postagem, devidamente comentada.

  

Isso seria verdadeiro se partíssemos do pressuposto nitidamente circular de que todo ser humano tem direitos básicos porque pertence à espécie homo sapiens. Só que geralmente nos esquecemos de explicar que característica moralmente relevante todos os membros de nossa espécie possuem para serem titulares destes direitos que nenhuma outra criatura possui. [Cláudio]

Vou reescrever sua frase do comentário anterior: "nem todos os indivíduos da espécie humana possuem senciência e mesmo assim não deixam de ter os seus direitos básicos respeitados. Conseqüentemente, ter senciência não é um pré-requisito para a posse de direitos básicos". Essa frase está correta, o que invalida a superioridade do conceito de senciência (ele é apenas mais um parâmetro). Porém você afirma depois que "seres humanos não-sencientes seriam considerados como meras vidas-sem-sujeito, passíveis de serem usadas instrumentalmente", o que quer dizer que o seu conceito de atribuição de direitos é mais primitivo do que os atuais. E imoral. Você está defendendo os animais em detrimento dos humanos... [Leonardo]

Leia novamente o meu comentário anterior, que diz que "nem todos os indivíduos da espécie humana possuem livre-arbítrio e mesmo assim não deixam de ter os seus direitos básicos respeitados. Conseqüentemente, ter livre arbítrio não é um pré-requisito para a posse de direitos básicos”. Do mesmo modo que ter raciocínio lógico, domínio da linguagem simbólica e a capacidade de compreender o conceito de justiça e de direitos também não são. Em nenhum momento escrevi que a senciência não é um pré-requisito para a posse de direitos básicos. Muito pelo contrário, a senciência é o parâmetro para a atribuição de direitos básicos a qualquer criatura. Se um indivíduo não é e nunca poderá vir a ser senciente, não há interesses subjetivos a serem considerados e protegidos por um direito. Independentemente da espécie.

Agora, se você reescreveu este trecho e propositalmente trocou “livre-arbítrio” por “senciência” para demonstrar que um critério é tão arbitrário quanto o outro, cabe a você demonstrar porque a capacidade de um organismo ter sensações é irrelevante para que ele tenha direitos básicos. Ou exatamente o contrário: por que um ser humano destituído de senciência teria os seus direitos básicos preservados fora de um contexto religioso ou emocional?

Conforme o que escrevi, a atribuição de direitos a um indivíduo pelo mero fato deste pertencer à espécie humana é que se baseia no conceito primitivo de que o homem foi criado à imagem e semelhança de um suposto criador, e, conseqüentemente, sua vida seria inviolável ainda que ele fosse incapaz de ter qualquer sensação.

Não estou defendendo animais em detrimento de seres humanos. Até porque estes últimos não deixam de ser animais. Estou defendendo seres sencientes em detrimento daqueles que não o são. Aliás, o mero fato de um organismo pertencer ao reino animal não significa que este é dotado de senciência, como é o caso dos poríferos. E se porventura for descoberta um espécie vegetal senciente, ela também será considera como sujeito de direitos básicos.

  

Com relação ao circularismo, o argumento que você cita acima seria circular se disséssemos "pertencemos à espécie homo sapiens porque temos direitos básicos". Mas não tem relação com o meu comentário de que senciência é menos relevante do que livre-arbítrio, dignidade, etc. - dado que não explica os casos marginais. [Leonardo]

O argumento é circular se afirmarmos que todos os seres humanos têm direitos básicos por pertencerem à espécie humana sem explicarmos exatamente porque isto é relevante. Agora se afirmamos que todos os seres humanos supostamente teriam direitos básicos porque são membros da única espécie capaz de ter livre-arbítrio, temos que explicar porque os membros da espécie humana destituídos de livre-arbítrio também seriam beneficiários destes direitos mesmo não se enquadrando no critério proposto para sua posse. E ainda que todos os seres humanos possuíssem livre-arbítrio, restaria explicar a razão pela qual este critério seria relevante para um indivíduo ser paciente moral.

  

Até que estas "hipóteses" sejam empiricamente comprovadas, elas necessariamente deverão ficar à margem de qualquer argumentação racional. [Cláudio]

Quando há comprovação empírica, a argumentação é que se torna desnecessária... tirei sua frase do contexto só prá comentar que sua frase faz sentido num contexto científico, mas não filosófico onde há liberdade para se discutir ETs, zumbis, e sagüis falantes. Aqui não estamos argumentando Ciência, pois a Ciência (ciências naturais "menos" Filosofia, segundo alguns) não se ocupa da Ética ou Estética. [Leonardo]

Mesmo se a hipótese teológica fosse empiricamente confirmada, restaria explicar porque o fato dos seres humanos terem sido criados à imagem e semelhança de Deus faria com que apenas eles fossem sujeitos de direitos.

Você tem toda razão quando afirma que a ciência não se ocupa da ética. Tanto é que o melhor método para se descobrir a cura de doenças humanas e aperfeiçoar as técnicas cirúrgicas seria o da vivissecção humana. Mas isso não significa que a filosofia não possa recorrer a argumentos puramente científicos para defender uma posição de ordem moral. Ou que possa distorcê-los. No caso da extensão dos direitos básicos a todos os indivíduos capazes de ter sensações, devemos nos basear em critérios exclusivamente científicos para determinarmos se uma criatura é senciente ou não.

Fora disso, questões éticas nada têm a ver com questões científicas. Do contrário, um escravocrata poderia alegar que o fato dele possuir escravos não contraria nenhuma lei da física, da química e da biologia. E não deixaria de estar com razão.

   

O que se questiona é por que o fato de uma criatura pertencer a uma determinada espécie seria por si só suficiente para justificar um tratamento diferenciado. Se um ser humano e um sapo sentem dor, por que o nosso dever de não causar dor desnecessariamente se aplicaria apenas ao primeiro? [Cláudio]

E quem está afirmando que o dever de não causar dor desnecessariamente se aplica somente a humanos? Quanto ao seu questionamento, a espécie à qual uma criatura pertence indica as possibilidades de florescimento dessa criatura, e os direitos se baseiam no respeito à essas possibilidades. Cabe lembrar novamente que não defendo o total desrespeito às criaturas não-humanas, mas meu motivo é humano, sim: maltratar os animais nos torna menos humanos, menos dignos, menos sensíveis. Sensibilidade essa que é fundamental no trato a outros humanos. E eu defendo, acima de tudo, a diversidade (ecológica, ideológica, empreendedora, etc.). [Leonardo]

Se você reconhece que temos o dever de não causar dor desnecessária a qualquer criatura capaz de ter esta sensação, isso significa que estas criaturas teriam o direito de não serem machucadas sem necessidade, caso realmente nos importássemos com a sua sorte. Só que, para você, do mesmo modo que para Kant, esta seria uma questão de deveres indiretos, pois o que importa não é o sofrimento das vítimas não-humanas em si, mas sim os efeitos adversos que estes maus tratos poderiam ter no comportamento humano para com os seus semelhantes. Se fosse comprovado que o fato de alguém torturar um animal não-humano não tivesse nenhuma influência negativa no modo como esta pessoa trata os outros seres humanos e até mesmo fizesse com que ela não torturasse os seus semelhantes, teríamos a obrigação de estimular a tortura de outros animais.

O que não deixaria de ser mais uma flagrante violação dos princípios da generalidade e da imparcialidade. Se duas criaturas são igualmente capazes de sentir dor, ambas deveriam ter o mesmo direito, e pelas mesmas razões, de não serem machucadas desnecessariamente independentemente da espécie a qual elas pertencem. O que importa aqui é se cada indivíduo é capaz ou não de ter esta sensação. E este direito visa proteger primordialmente aquele que é diretamente afetado por uma ação, pois este tem o interesse em não sentir dor.

O respeito às possibilidades de um determinado indivíduo pertencente a uma espécie, e não as da espécie em si, é justamente aquilo que defendemos, caso ele se importe com aquilo que acontece com ele. Ao explorá-lo, ele automaticamente perde a sua liberdade, sua integridade física ou sua vida. É exatamente por esta razão que os direitos básicos devem ser estendidos a todos os indivíduos sencientes. Neste caso, por que não defender o total respeito a estes indivíduos, se podemos no mínimo parar de explorá-los totalmente? Por que salvar o mico-leão-dourado e se refestelar com um delicioso leitãozinho ao mesmo tempo, que queria viver tanto quanto o primeiro? Só por que este último foi “feito” para isso? Se criássemos seres humanos de laboratório “feitos” para servirem como cobaias e doadores de órgãos compulsórios, isso justificaria tratá-los como objetos? Além do que, se a abundância do numero de indivíduos de uma espécie for critério para justificar a sua exploração, deveríamos começar a tratar em primeiro lugar os próprios seres humanos como objetos.

     

O único problema é o de que os direitos básicos não se fundamentam em características exclusivamente humanas. [Cláudio]

Isso porque você assume que a teoria dos interesses não apenas é verdadeira e completa como pode explicar o processo histórico de conquistas dos direitos. Essa teoria tenta explicar a função dos direitos (definidos como incidentes Hohfeldianos [1]), e diz que o propósito de um direito é defender os interesses do beneficiário. Tem considerável sucesso, assim como a teoria da escolha (que eu havia traduzido como "teoria volitiva"), que diz que o objetivo de um direito é defender as escolhas do beneficiário. Elas são úteis em decidir quando e se um direito foi violado, ou para resolver conflitos de direitos, ou para determinar se uma reivindicação é de fato um direito ou "abuso" do sistema legal. Não creio que sejam úteis em "criar" direitos. [Leonardo]

Repetindo, os direitos básicos que estão em discussão (de não ser usados exclusivamente como objetos, à vida, à liberdade e à integridade física e psíquica) baseiam-se nos interesses de seus titulares, mesmo que eles não tenham ciência deles em alguns casos, conforme espero ter deixado claro em meu hipotético exemplo dos seres humanos criados artificialmente para serem escravos e que não se importam nem um pouco com a sua condição servil. Neste caso estaremos frustrando suas potencialidades. Vou dar um exemplo menos digno de ficção científica.

Vamos supor que uma organização adote bebês recém-nascidos abandonados com o intuito de usá-los futuramente como doadores de órgãos. Todos eles são criados no maior conforto possível, mas não terão nenhum contato com o mundo exterior. Desde pequenos, serão doutrinados na idéia de que, um belo dia, irão para uma espécie de Paraíso, e passam a viver em função disso. E cada um deles que parte para este suposto Paraíso é invejado pelos outros (na verdade, terão a morte induzida de modo indolor para que os seus órgãos sejam doados, longe das vistas dos outros). Mesmo que eles não tenham a menor noção do dano que lhes é infligido, seu direito à vida e à realização de suas potencialidades não estaria sendo violado? E não seria do seu interesse que isso não ocorresse, a despeito de sua ignorância sobre o que constitui os seus próprios interesses?

O mesmo valeria para o caso das mulheres que são criadas em sociedades como a dos talibãs e mesmo assim se sentem perfeitamente realizadas e orgulhosas de sua condição. Neste caso, a sua vontade estaria viciada por um longo processo de aculturação. Agora, se uma delas estivesse ciente da realidade das mulheres em outros países, tivesse lido tudo sobre o feminismo e condições para levar uma vida independente, e, mesmo assim, preferisse usar a burca e ser submissa ao marido, isto não seria da conta de mais ninguém.

É claro que cabe a nós, agentes morais, defender a aplicação destes direitos em nome da justiça, que deve se fundamentar em uma ética onde os princípios básicos da universalidade, generalidade e imparcialidade sejam observados. Neste sentido, só existem direitos porque existem indivíduos capazes de colocá-los em prática, mas o seu objetivo último sempre é o de beneficiar alguém que tenha algum interesse.    

Nós, defensores dos direitos animais (mais apropriadamente direitos dos sencientes), não somos proponentes da “criação” de uma nova categoria de direitos, mas sim da extensão dos direitos básicos que já são universalmente aceitos para todos os membros da espécie humana por todos os países que se dizem civilizados (existem discussões à respeito da sua aplicabilidade aos seres-humanos não sencientes, mas isso se deve sobretudo a interferências religiosas). Pois, se nos detivermos com mais profundidade sobre que característica seria moralmente relevante para explicar a posse destes direitos básicos por todos eles, o único critério satisfatório seria o da senciência.

 

Note que quando há um direito existente que não pode ser explicado pela teoria dos interesses (ou pela teoria da escolha), isso não demonstra uma falha no direito, e sim uma falha na teoria. Por exemplo, o direito de um policial de prender um cidadão suspeito não é sua escolha (pace teoria da escolha) e pode não ser de seu interesse (pace teoria dos interesses), e nem por isso vamos dizer que o policial não tem esse direito. Esse exemplo mostra que os interesses (e as escolhas) são mais restritos, mais locais do que os "interesses básicos" aos quais você se refere. Ele também mostra que mesmo em casos simples a teoria não funciona e portanto qualquer "revisionismo" baseado em aplicações da teoria são, no mínimo, questionáveis. Por exemplo, um argumento contra a teoria da escolha é que segundo ela animais e nascituros não teriam direitos.[Leonardo]

O direito de um policial de prender um cidadão suspeito fundamenta-se, antes de qualquer coisa, na legítima defesa dos interesses dos cidadãos supostamente por ele ameaçados (na verdade, como agente do poder estatal, ele tem o dever de prender este sujeito caso esta suspeita tenha algum fundamento). Que podem ser tanto interesses básicos, que dizem respeito ao que acontece com os seus próprios corpos, como o de não serem mortos, espancados ou seqüestrados por este indigitado delinqüente, ou o de poderem dormir sem barulho, não ter os muros de suas propriedades pichados ou seus carros furtados.

O único revisionismo que postulamos é o da extensão destes direitos básicos a todos os seres sencientes, pois qualquer critério que procure basear a posse destes direitos em características típicas de agentes morais estará fadado a excluir nascituros e pessoas com deficiência mental profunda ou alto grau de senilidade. Sem contar, é claro, os animais não-humanos dotados de senciência.

 

É oportuno lembrar também que estamos considerando direitos, sem implicações morais. Alguns direitos possuem justificação moral, e há considerações morais que não implicam em direitos. Do outro lado, há leis que não defendem nenhum direito e há direitos que não são protegidos por leis (em determinado momento e local). Quanto à causalidade, um direito justificado moralmente não determina a sua moralidade, mas é determinado por ela (a moral é a causa, e o direito é o efeito). Portanto, mesmo que a teoria dos interesses previsse direitos para os animais esses direitos não nos diriam nada sobre sua moralidade. Não se deve criar uma lei para justificar um suposto direito e usar esse direito para se justificar uma moralidade (apesar de essa tentação estar na moda)...ainda de outra forma: uma consciência moral pode levar à reivindicação de um direito, mas a criação de um direito não cria uma consciência moral (exceto nos delírios totalitaristas). [Leonardo]

Novamente, cabe lembrar aqui que os direitos que estão sendo discutidos são os que se referem à proteção da vida, da integridade física e da liberdade de um determinado paciente moral, e que não se enquadrariam nestes casos que você citou. Que dizem respeito a uma das primeiras coisas que aprendemos ao ingressar em uma faculdade de Direito: a moral é maior que o direito. Moral no sentido dos usos e costumes de uma determinada sociedade. Uma pessoa bem de vida não é legalmente obrigada a sustentar o irmão que está na miséria, mas não seria bem vista se não o fizesse. Um pai pode ser legalmente obrigado a pagar a pensão dos filhos, mas pode se recusar terminantemente a conhecê-los pessoalmente. E por aí vai.

Não poderia concordar mais com a afirmação de que um direito justificado moralmente (o que, em um mundo ideal, seria uma redundância) não determina a sua moralidade, mas é determinado por ela, conforme já havia escrito. É nesse sentido que a expressão direitos morais é utilizada, pois estes sempre estariam latentes, mesmo antes de sua própria formulação por um ordenamento jurídico. Do mesmo modo que os direitos universais da pessoa humana, os direitos animais, que nada mais são do que sua extensão lógica, baseiam-se no jusnaturalismo ao invés de no positivismo.

A moralidade de uma determinada ação ou instituição, na acepção ética do termo, sempre deve ser analisada sob o ponto de vista de todos aqueles que são afetados por elas, independentemente do contexto histórico e cultural. A raiz de toda a ética é a capacidade que nós temos de nos colocar no lugar dos outros de modo que possamos fazer a seguinte indagação: será que eu gostaria que fizessem isso comigo? Um dos princípios éticos básicos a serem observados é o da não-maleficência, ou seja, não devemos causar um mal a quem quer que seja sem que haja uma justificativa que se aplique igualmente a todas estas exceções. A escravidão sempre será absolutamente imoral, pois faz com que alguns indivíduos não sejam donos de suas próprias vidas, por mais que a senzala seja um hotel cinco estrelas. Do mesmo modo, é absolutamente errado matar, ferir ou aprisionar deliberadamente alguém para a mera satisfação de um prazer. Ou usar alguém como cobaia, mesmo que isso beneficie milhões de pessoas.

Para finalizar, uma observação sobre os tais delírios totalitaristas, já que você os mencionou. Quando muitos se deparam pela primeira vez com o conceito de veganismo, que nada mais é do que a aplicação prática do direito de todo ser senciente não ser usado como objeto, que, por sua vez, se baseia na aplicação coerente de princípios que todos nós já aceitamos, afimam que ele não passa de uma mera opção, que deve ser respeitada, mas não imposta a todos (como se o veganismo fosse o equivalente à escolha da cor de uma roupa). Afinal, não poderia haver maior delírio autoritário do que procurar impor até mesmo o que as pessoas devem comer, não é mesmo? O único problema é o de que a opção de se comer carne, por exemplo, se dá em detrimento da opção do boi de continuar vivo na fila do abatedouro (que, aliás, não deveria nem mesmo estar lá em primeiro lugar). O veganismo é um imperativo moral, do mesmo modo que a obrigação que temos de não escravizarmos outros seres humanos ou de não espancá-los.

 

O que eu quis dizer é que quando uma determinada característica individual é relevante para a posse de um determinado direito, ela deve ser levada em consideração independentemente do grupo ao qual o seu titular pertence. [Cláudio]

Isso também é discriminação: pessoas mais "inteligentes" (o que quer que seja isso) tem mais ou menos direito à educação superior? Características individuais são irrelevantes. Ponto. O que me intriga é que às vezes esse é o seu argumento: o de que espécie, por ser característica individual, é irrelevante. [Leonardo]

Não necessariamente. A todas as pessoas capazes de cursar uma universidade deve-se oferecer igualdade de oportunidades. O fato das pessoas mais inteligentes conseguirem ingressar nas universidades em maior número do que as menos dotadas não significa que estas últimas estão proibidas de freqüentá-las. Neste caso, poderíamos listar tanto características relevantes para que elas possam ingressar nelas, como ter o segundo grau completo, saber ler, ser capaz de aprender uma linguagem, quanto irrelevantes, como cor da pele, sexo ou religião.

O fato de um determinado indivíduo pertencer a uma determinada espécie por si só é irrelevante para que ele possa ser um sujeito de direitos básicos, apesar do fato dele pertencer a ela não deixar de ser uma característica individual. Como a critério para a posse destes direitos é o da senciência, sempre existe a possibilidade de alguns casos marginais em todas as espécies sencientes não terem este atributo, como é o caso dos seres humanos anencéfalos. Ou seja, não basta pertencer a uma espécie cujos membros normalmente são sencientes para se possuir estes direitos.

 

Se um animal não-humano tem o mesmo interesse em não ser ferido do que um ser humano, não podemos deixar de estender ao primeiro o direito à integridade física que o último já possui sob pena de discriminá-lo. [Cláudio]

Eu discrimino animais não-humanos com a maior naturalidade. Sou especista desde que aprendi a ver revista de sacanagem. Parte do problema é que você usa a palavra interesse de forma equivocada: o interesse do animal não é o mesmo do humano (apesar de ambos terem interesse, em sentido diverso, de não ser feridos). Se usarmos a palavra "direito" não em sentido coloquial, mas em termos específicos como determinado pela teoria dos interesses, veremos que o "direito de não ser ferido" é tão geral e básico quanto o "direito de prender o suspeito". Em outras palavras, a teoria dos interesses não diz que todos que tenham determinado interesse geral adquirem o direito (pois o interesse é específico para a situação). O que não quer dizer que não se possa tentar abstrair interesses comuns a todos os direitos, mas: 1) isso é uma abstração/extensão da teoria dos interesses, e não faz parte da teoria; 2) esse conjunto de interesses é arbitrário, não é único; 3) esses interesses devem, no mínimo, explicar os direitos atuais melhor e em maior número do que as alternativas para os humanos, antes de qualquer extrapolação. Essa arbitrariedade se manifesta na elasticidade do seu conceito de interesse (básico, consciente, senciente, hedonista, etc.). [Leonardo]

Um indivíduo branco que foi criado na Carolina do Sul em meados do século XIX também proclamaria com o mesmo orgulho o seu racismo e o defenderia com a maior naturalidade. Não porque ele fosse singularmente perverso, mas porque estava inserido em um contexto onde esta forma de discriminação era absolutamente normal. Seria até estranho se ele não fosse racista.

Isso não significa que todo o especista é um racista ou um sexista em potencial. Todas estas formas de discriminação são análogas no sentido de que privilegiam alguns indivíduos em detrimento de outros com base em características biológicas irrelevantes, mas não precisam necessariamente caminhar de mãos dadas. Afinal, um racista pode muito bem ser a favor da igualdade entre os sexos e um sexista pode ser favorável à igualdade racial.

Como o interesse de um ser humano senciente e de outro animal com o mesmo atributo não é essencialmente o mesmo se ambos sentem dor e são capazes de sofrer? Em que sentido este interesse seria diverso? Se eu desse uma palmada com a mesma intensidade em um bebê humano e em um elefante, certamente apenas o primeiro sofreria com isso, mas e se eu desse uma marretada no elefante equivalente à minha palmada no bebê? Como este interesse do elefante em não sofrer poderia ser arbitrário? Se você estivesse na sua pele, você não teria o mesmo interesse em não sentir dor? Será que é tão difícil compreender que dor é dor, independentemente de eu ser um humano, um elefante, um frango, um rato ou uma vaca? Se um conjunto de indivíduos possui essencialmente o mesmo interesse, por que é que a proteção deste último deveria variar de caso para caso? O interesse da esmagadora maioria dos seres sencientes na continuidade da sua vida (tendo consciência ou não do que é “estar no mundo”, pois o que importa é a sua capacidade de desfrutar dela) e em não sofrer está longe de ser arbitrário. Do contrário, o termo senciência não faria sentido. E digo esmagadora maioria em deferência ao seu exemplo dos louva-a-deuses e zangões, sem falar nos casos de seres humanos que se suicidam (normalmente para se verem livres de um grande sofrimento).

Quanto à comparação do direito do guarda de prender um suspeito (na verdade mais um dever) e o direito muito mais premente de um indivíduo à sua integridade física, ver o que escrevi mais acima.

Como a teoria dos interesses foi criada por especistas que só admitiam a posse de direitos para indivíduos da espécie humana, é evidente que a extensão dos direitos básicos aos outros indivíduos sencientes não constava exatamente no seu plano original. Mas como esta teoria é inteiramente satisfatória para explicar a posse de direitos básicos por todos os seres humanos por estes possuírem interesses básicos no sentido estrito em virtude de sua senciência, mesmo nos casos onde não estão plenamente conscientes de alguns de seus próprios interesses mais fundamentais (nascituros, recém-nascidos, comatosos, deficientes mentais profundos), não haveria porque negá-los aos outros indivíduos sencientes.

Para finalizar, não há muita margem para a flexibilidade destes interesses. Todos eles são pré-requisitos para que faça algum sentido falarmos em outros interesses, que não necessariamente implicam em direitos. O que examino mais detidamente em um comentário mais adiante.

 

Non sequitur é alegar que o critério relevante para alguém ter direitos básicos é o da sapiência e concedê-los de um modo tortuoso a indivíduos que não se enquadram nele, pois é no mínimo estranho estabelecer um critério para a posse de direitos e depois afirmar que ele não influencia os direitos. [Cláudio]

E isso é tu quoque: acusar outros do que é acusado como justificativa! Quanto à sua frase: 1) o critério não tem nada a ver com sapiência, dado que não existem sábios [2] (vou assumir que você quis dizer "racionalidade" ou algo do gênero); 2) "modo tortuoso" implica em subjetividade, e direitos são concedidos objetivamente (a subjetividade estaria em decidir quem recebe ou não o direito); 3) não foi "estabelecido o critério" para a posse de direitos, tanto é que eles se aplicam a todos! Eu havia comentado em resposta ao Maurício que o livre-arbítrio (ou dignidade, ou moralidade, ou racionalidade complexa) não são critérios usados para se definir os direitos, mas sim características (latentes ou expressas) que justificam a existência de direitos. Você reconhece isso ao afirmar que "é um equívoco imaginar que o conceito de direitos surgiu no vácuo e que, um belo dia, um visionário criou do nada um contrato social ao qual todos aderiram alegremente para se verem livres dos grilhões da anarquia". Esse "visionário" teria usado um critério. [Leonardo]

O termo sapiência define uma característica exclusivamente humana, que inclusive determina a nomenclatura usada para descrever a nossa própria espécie. Talvez racionalidade seja um termo mais adequado para a nossa discussão, mas sempre é bom lembrar que alguns animais também são capazes de raciocinar a seu modo. Mas, conforme o que já escrevi, espero ter deixado bem claro que o fato de alguém ser ou não racional é irrelevante para a posse de direitos básicos.

Repetindo: quando definimos um critério para a posse destes direitos, ele deverá ser aplicado objetivamente, independentemente do grupo ao qual um indivíduo pertença. Não podemos conceder direitos básicos a um ser humano destituído de racionalidade se o critério escolhido for este, ainda que esta seja uma característica única da espécie humana e possuída pela maioria de seus membros.

Você acaba de reconhecer que ainda não foi estabelecido um critério para explicar porque todos os seres humanos possuem direitos básicos. Que critério você teria a propor ao invés da senciência, de modo que todos os seres humanos ainda possuíssem estes mesmos direitos e que este critério não fosse aplicável a nenhuma outra criatura? Se bem que ainda não ficou muito claro para mim qual seria a diferença entre o estabelecimento de um critério para a posse de direitos e características que justificam a existência de direitos. Não seriam fundamentalmente a mesma coisa?

Quanto a minha metáfora do visionário, ela poderia se aplicar em parte às primeiras tentativas dos seres humanos de se criar um ordenamento jurídico formal. É claro que este conjunto de regras acabou refletindo uma série de usos e costumes arbitrários e imemoriais, mas, ao mesmo tempo, sua própria organização fez com que pela primeira vez fossem definidos alguns princípios e parâmetros para que houvesse alguma coerência neste corpo de normas.

   

Ao equipararmos os casos marginais à maioria dos membros de sua espécie que são dotados de sapiência, estaremos necessariamente tratando casos diferentes de modo igual, mesmo que isso os acabe beneficiando. O que contraria o princípio básico da generalidade no qual todo sistema ético baseado na racionalidade deveria se fundamentar. [Cláudio]

Vejamos o que diz o princípio da generalidade (num contexto político, mas a idéia é a mesma)[3]:

The proper principle for politics is that of generalization or generality. This standard is met when political actions apply to all persons independently of membership in a dominant coalition or an effective interest group. The generality principle is violated to the extent that political action is overtly discriminatory in the sense that the effects, positive or negative, depend on personalized identification. (fonte original: Buchanan, J. M., and Congleton, R. D. (1998) Politics by Principle, Not Interest: Towards Nondiscriminatory Democracy. Cambridge University Press)

(O artigo e suas referências, principalmente Hayek, mostram porque as ditaduras da maioria são um desastre). Assim, mantenho minha dúvida anterior se não é você o discriminador, ao vê-los como casos diferentes (identificação personalizada). Em tempo: obviamente não poderia concordar mais com o princípio. [Leonardo]

Parafraseando esta sua citação, eu poderia dizer que tudo aquilo que postulamos é a extensão de direitos básicos a todos os indivíduos sencientes, independentemente de serem membros ou não da espécie mais poderosa do planeta e dos inúmeros privilégios injustos que os membros desta última vierem a perder com isso. O princípio da generalidade é violado na medida em que a posse destes direitos é atribuída de modo flagrantemente arbitrário ao mero fato de alguém pertencer a esta espécie dominante, ao invés de se basear na capacidade de cada indivíduo de ter sensações e de, conseqüentemente, se importar com aquilo que acontece com ele.

Ao estabelecermos um determinado critério, necessariamente estaremos discriminando uns em detrimento de outros. O que, por si mesmo, não implica em uma violação do princípio da generalidade, desde que esta discriminação se justifique racionalmente.

 

E que não invalida as minhas duas analogias, que se baseiam exatamente na mesma premissa de tratar as exceções como se estas fizessem parte da regra, só que em prejuízo destas. [Cláudio]

Non sequitur é a falácia onde a conclusão é correta, mas para uma premissa diferente da que foi proposta. No seu caso, a sua conclusão é correta, mas a premissa (de "tratar as exceções como se essas fizessem parte da regra") em que a conclusão se aplica não é a do princípio de normalidade da espécie (respeitar direitos básicos das exceções). [Leonardo]

Só que a premissa do princípio da normalidade da espécie de respeitar os direitos básicos das exceções se baseia justamente em tratar estas exceções como se fizessem parte da regra.

 

No caso de interesses básicos, sim (ter um interesse implica em ter direito). Ter um direito implica em alguém ter um interesse no sentido estrito para que este possa ser protegido. (...) Não é por acaso que colocamos o termo interesse entre aspas nestes casos.[Cláudio]

Como comentei acima, há direitos que não implicam em interesses. E há interesses "básicos" que não implicam em direitos: e o interesse "básico" de enriquecer, ser poligâmico, ter filhos geniais, ser superior aos pares? Quando você coloca o termo entre aspas, isso quer dizer que a teoria dos interesses não pode ser usada da mesma forma, sem explicação (ou seja, a priori, ela não se aplica). Você assente que o significado é diverso. [Leonardo]

Sem dúvida, o que inclusive foi já apontado por mim. Do contrário, a única solução satisfatória para equacionar o conflito decorrente desta miríade de interesses seria a da lei do mais forte. Do mesmo modo que o critério da senciência não é levado em conta ao escrevermos “interesses” entre aspas, ao colocarmos o adjetivo “básico” entre aspas, acabaremos desvirtuando aquilo que queremos dizer com interesses básicos, que nada mais são do que os interesses mais prementes de todo ser senciente. Antes de termos o interesse “básico” em enriquecer, vencer um debate, ganhar sem trabalhar, escravizar os outros ou matar para satisfazer o nosso palato, temos o interesse básico em continuarmos vivos, em nossa integridade física e psíquica e em nossa liberdade. Não faz o menor sentido você ter o interesse em enriquecer e não ter o interesse em continuar a viver, a não ser para os seus herdeiros...

Quando eu coloquei o termo “interesse” entre aspas, quis me referir a todos os seres não-sencientes. Neste caso, a teoria dos interesses realmente não se aplicaria, pois não havendo um interesse concreto a ser protegido, não haveria porque existir um direito.

 

Como os direitos animais se baseiam na senciência ao invés de na sacralidade da vida humana, não haveria problema ético algum em doar os órgãos de um ser humano em estado vegetativo irreversível, ou seja, em usá-lo exclusivamente como um meio de satisfazer os fins alheios.[Cláudio]

(...)

O uso de seres humanos como meros objetos, como o deste exemplo do doador de órgãos compulsório, merece o repúdio de qualquer defensor dos direitos humanos que se preze. [Cláudio]

Obrigado. I rest my case. [Leonardo]

Cuidado com a diferença entre os dois contextos. Na segunda citação, estava me referindo ao exemplo em que questiono a legitimidade de se usar ser humano órfão com deficiência mental profunda como doador de órgãos compulsório para salvar a vida de dois cientistas brilhantes e muito queridos pelas suas famílias. Deficiência mental profunda e ausência de senciência não são sinônimos. Ao basearmos a posse de direitos básicos exclusivamente na senciência, não excluímos de nossa esfera de considerabilidade moral os indivíduos com deficiência mental profunda, em estado de consciência mínima e os comatosos. Somente aqueles em estado vegetativo irreversível, com morte cerebral e os anencéfalos.

  

É verdade que, em um determinado momento de sua vida, como você tão bem apontou, os interesses individuais conscientes de algumas criaturas acabam instintivamente sucumbindo aos "interesses" maiores da espécie. [Cláudio]

Eu não apontei nada disso! Muito pelo contrário - para eles, a espécie que se dane. Seu instinto é um só: espalhe seus genes, espalhe seus genes! Nos exemplos que eu dei, os machos pagam com a vida pela copulação (o que eu diria "perder a cabeça por causa de um bom rabo" - louva-a-divinamente falando...). [Leonardo]

Repare que eu usei o advérbio “instintivamente”. Seria realmente um absurdo imaginar que estes animais pudessem estar conscientes de que estão fazendo algo para o bem maior de sua espécie. Mas o que é que determina estes instintos suicidas? Não é a espécie a qual eles pertencem? O que eu quis dizer é que, em alguns casos pontuais, o instinto de autopreservação dos indivíduos é superado por um outro instinto que

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 0 comentário

Setembro 15, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Como a nova resposta de Cláudio ao também muito bem escrito texto de Leo ficou grande e está começando a ficar difícil de acompanhar e formatar nos comentários no post anterior de Ramon, crio este novo post para publicá-la e formatá-la melhor, pois creio que esta discussão está mais para uma troca de artigos que de comentários de blogs.

Agradeço a contribuição de Cláudio no debate por sua experiência no assunto. Além disso, meu tempo aqui está difícil por me dedicar a finalizar um projeto de animação para enviar esta semana ao Sacma (Semana de Arte, Cultura e Meio Ambiente) da USP (link Stoa).

Agradeço também o apoio de Dimas Gomez (link Stoa) para a formatação do texto, que busquei aperfeiçoar usando recursos de citação do Stoa. E como há citações e auto-citações, diferencio usando "C:" (para Cláudio, sem itálico) e "L:" (para Leo, com itálico), por dica do Dimas [jornalistas trabalhando]. Segue.

===============

"Prezado Leo Martins,

Por Cláudio Godoy.

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer o seu interesse em discutir seriamente esta questão dos direitos animais, que costuma ser tão mal-compreendida e dá margem a uma quantidade praticamente inesgotável de distorções e ridicularizações. Em parte, isso se deve a atitude equivocada e muitas vezes desastrada de seus próprios defensores, que agem na base da mais pura emoção e não se dão conta de que o confronto puro e simples é o pior meio de se persuadir alguém a rever conceitos profundamente arraigados. Que independem do grau de instrução de quem os considera apriorísticos e cujo questionamento implicaria em mudanças drásticas, que vão desde o abandono de prazeres que nos são muito caros até a perda de vantagens efetivas que poderiam beneficiar muitos membros de nossa espécie às custas da violação dos interesses de indivíduos de outras espécies.

Seguem os meus comentários relativos às suas oportunas observações.

Leo (L): Assim como a senciência, dado que mesmo os casos marginais (seres humanos privados de senciência, mesmo que “por construção”, ou seja, idealizados) teriam esses direitos básicos. Seu argumento, apesar de interessante, apenas desloca o problema de quem são os beneficiários de direitos - que passaria de todos os humanos para todos os animais, incluídos os casos marginais. Ou seja, mesmo usando a senciência como parâmetro devemos admitir que os casos marginais não invalidam a regra “normal”. Ou os casos marginais, humanos ou não, não seriam beneficiários de direitos?

Isso seria verdadeiro se partíssemos do pressuposto nitidamente circular de que todo ser humano tem direitos básicos porque pertence à espécie homo sapiens. Só que geralmente nos esquecemos de explicar que característica moralmente relevante todos os membros de nossa espécie possuem para serem titulares destes direitos que nenhuma outra criatura possui. A base deste pressuposto da sacralidade da vida humana pode ser religiosa e se fundamentar na alegação de que todos os seres humanos merecem respeito por terem alma e terem sido criados à imagem e semelhança do Criador, sem contar que este mesmo Criador legitima o uso de todas as outras criaturas para benefício humano. Até que estas “hipóteses” sejam empiricamente comprovadas, elas necessariamente deverão ficar à margem de qualquer argumentação racional. Ou secular, cujo fundamento é o de que só o homem pode possuir direitos por ser a única espécie a possuir agência moral.

O argumento dos casos marginais costuma se referir apenas aos seres humanos que não são dotados de sapiência, mas é verdade que um ser humano que teve o azar de nascer sem senciência também não deixa de ser um caso marginal. Um exemplo concreto seria o dos bebês anencéfalos, caso se comprove sem sombra de dúvida a ausência de qualquer grau de consciência. Como a teoria de direitos animais se baseia na capacidade de alguém ter interesses concretos para ser titular de direitos básicos (ou na sua potencialidade de vir a tê-los no futuro), seres humanos não-sencientes seriam considerados como meras vidas-sem-sujeito, passíveis de serem usadas instrumentalmente em benefício de outros (questões de ordem emocional e religiosa à parte, é claro). E o mesmo se aplicaria a todas as espécies sencientes.

L: A "falha" do argumento é a tentação de não fazer distinção entre humanos e não-humanos, tentação que quando concretizada invalida o argumento pois se torna uma petição de princípio [1]. Não estou dizendo que o argumento seja falacioso (até onde eu entendi ele é cogente), mas ele assume que não somos capazes de definir o que nos torna humanos (pois qualquer definição ou englobaria animais ou excluiria humanos "marginalizados" pela definição). Mais do que sabermos diferenciar, instintivamente, humanos de não-humanos, ser humano é o categórico que traz consigo as definições. Ou seja, seres humanos são bípedes mesmo que haja exceções à regra. Exceções essas que são percebidas com pesar, pois representam um potencial não realizado. Em outras palavras, um ser humano em particular que seja incapaz de usar o livre-arbítrio causa espanto, enquanto um sapo em particular incapaz de usar o livre-arbítrio não causa. Já um sapo com livre-arbítrio não é um sapo.

Evidentemente, existem inúmeras características anatômicas e cognitivas que são exclusivamente humanas, do mesmo modo que existem várias características encontradas apenas em uma determinada espécie de sapo, só para ficar no seu exemplo. Estas características seriam suficientes para definir o que torna um humano um humano e uma determinada espécie de sapo uma determinada espécie de sapo. Do contrário, não seriam espécies distintas. No entanto, por mutação, má-formação ou por algum acidente de percurso, nem todos os indivíduos destas espécies apresentam suas características típicas. Um sapo incapaz de coaxar do mesmo modo que os outros membros de sua espécie deveria causar tanto espanto quanto um ser humano destituído de livre-arbítrio. E assim como um sapo com livre-arbítrio não é um sapo, um homem capaz de coaxar também não seria um homem. O que se questiona é por que o fato de uma criatura pertencer a uma determinada espécie seria por si só suficiente para justificar um tratamento diferenciado. Se um ser humano e um sapo sentem dor, por que o nosso dever de não causar dor desnecessariamente se aplicaria apenas ao primeiro?

É exatamente na linha de raciocínio deste seu parágrafo que o argumento da normalidade da espécie procura se basear. O que importa são as características típicas e ao mesmo tempo únicas da espécie a qual uma determinada criatura pertence ao invés das características individuais de cada um dos seus membros. Um ser humano sem livre-arbítrio não deixa de ser um ser humano, e como o livre-arbítrio é uma característica que apenas os seres humanos possuem e que faz com que todos eles sejam titulares de direitos básicos, estes direitos também deveriam ser concedidos a este indivíduo, pois ele poderia ter nascido normal e o seu caso nada mais seria do que o de uma potencialidade frustrada (no entanto, já que estamos no domínio das possibilidades, ele não poderia ter nascido como um membro de outra espécie?). O único problema é o de que os direitos básicos não se fundamentam em características exclusivamente humanas.

L: Sim, tão famoso que fui ver do que se tratava, e sem espanto descobri que a pergunta do Maurício é muito utilizada justamente porque não importa a resposta: o argumento dos casos marginais vira um super-trunfo. Porém devo dizer que esses estratagemas são usados quando se busca a vitória em detrimento da verdade [2]. E no caso da formulação dessa pergunta em particular, eu já havia percebido a questão complexa [3], mas caí nela mesmo assim por não identificar (erro meu) a premissa com que eu concordava passivamente. O correto seria eu apontar a falácia - está implícita na pergunta a premissa de que há alguma característica relevante eticamente que todos os humanos tem, quando se quer mostrar sua falsidade - e me recusar a responder.

Confesso que quando fazemos uso deste argumento, o nosso objetivo é exatamente o de jogar uma casca de banana no caminho do nosso interlocutor. Não porque queremos “vencer” as discussões a todo custo, mas sim fazer com que o que era antes tido como axiomático passe a ser questionado. Conforme eu escrevi na minha mensagem anterior, este argumento é irrelevante e só é útil para apontar as contradições inerentes a um sistema ético que procura basear a posse de direitos básicos em características exclusivas da espécie humana como sapiência, raciocínio lógico, domínio de linguagem simbólica ou livre-arbítrio. Que não têm absolutamente nada a ver com as razões pelas quais alguém deveria ter estes direitos, mas sim com as razões pelas quais alguém deveria respeitar estes direitos.

 

Cláudio (C): No entanto, o argumento da normalidade da espécie nada mais é do que um nome pomposo para a discriminação, pois trata os indivíduos de acordo com o grupo ao qual eles pertencem ao invés de tratá-los de acordo com as suas características individuais.

L: Não seria o oposto? Pelo que você descreveu, esse argumento justamente impede a discriminação: não importa sua característica particular (etnia, religião,etc.), seus direitos são os mesmos de todos os outros.

O que eu quis dizer é que quando uma determinada característica individual é relevante para a posse de um determinado direito, ela deve ser levada em consideração independentemente do grupo ao qual o seu titular pertence. Se um animal não-humano tem o mesmo interesse em não ser ferido do que um ser humano, não podemos deixar de estender ao primeiro o direito à integridade física que o último já possui sob pena de discriminá-lo.

E não podemos nos esquecer de que os racistas costumavam alegar que o mero fato de alguém ser negro deveria impedir alguém de ingressar em uma universidade, independentemente do seu grau de inteligência, pois a maioria deles seria supostamente incapaz de aprender algo que não fosse manual. Tampouco poderíamos alegar que todos os seres humanos têm o direito a freqüentar uma universidade, pois alguns são incapazes de aprender o que quer que seja.

 

C: E podemos aplicar este mesmo argumento tanto para o bem como para o mal. (...) Instalações para deficientes físicos em locais públicos (...), de acordo com o argumento da normalidade da espécie,
(...) deveriam ser abolidas(...). (...) De acordo com o princípio da normalidade da espécie, eles (doentes mentais) deveriam ser julgados como se tivessem plena posse da razão, pois normalmente os seres humanos são capazes de se responsabilizar pelos seus atos.

L: Isso é non sequitur: você assume que a isonomia de direitos básicos implica em desrespeito às diferenças. Esse argumento reconhece as diferenças, só diz que elas não influenciam os direitos.

Non sequitur é alegar que o critério relevante para alguém ter direitos básicos é o da sapiência e concedê-los de um modo tortuoso a indivíduos que não se enquadram nele, pois é no mínimo estranho estabelecer um critério para a posse de direitos e depois afirmar que ele não influencia os direitos. Ao equipararmos os casos marginais à maioria dos membros de sua espécie que são dotados de sapiência, estaremos necessariamente tratando casos diferentes de modo igual, mesmo que isso os acabe beneficiando. O que contraria o princípio básico da generalidade no qual todo sistema ético baseado na racionalidade deveria se fundamentar. E que não invalida as minhas duas analogias, que se baseiam exatamente na mesma premissa de tratar as exceções como se estas fizessem parte da regra, só que em prejuízo destas.

 

L: Então ter um interesse implica em ter direito? (em respeito às considerações do Maurício vou assumir que estamos discutindo apenas direitos negativos: "direito de não sofrer isso", "direito de não ser violado naquilo", ou seja, direitos de não-interferência...)

No caso de interesses básicos, sim. Ter um direito implica em alguém ter um interesse no sentido estrito para que este possa ser protegido. Ou seja, este alguém deseja que o seu interesse seja respeitado. É claro que todos os outros seres vivos não-sencientes também têm “interesse” em continuar vivos e em deixar descendentes. Só que não são conscientes de nada. Não é por acaso que colocamos o termo interesse entre aspas nestes casos.

C: (o que não significa que não devemos respeitar os direitos básicos de seres humanos em coma ou em estado vegetativo, pois sempre pode haver a possibilidade do seu quadro se reverter).

L: Os direitos são garantidos mesmo para os quadros irreversíveis, não?

Depende do grau de interferência da religião na legislação e na sociedade de cada país. Não foi à toa que o caso Terry Schiavo causou tanta polêmica. Como os direitos animais se baseiam na senciência ao invés de na sacralidade da vida humana, não haveria problema ético algum em doar os órgãos de um ser humano em estado vegetativo irreversível, ou seja, em usá-lo exclusivamente como um meio de satisfazer os fins alheios.

C: A senciência é condição necessária para que um indivíduo seja capaz de ter interesses no sentido concreto, como o de continuar a viver, de não se ferido e de não ser aprisionado.

L: Mesmo que seja necessária (não creio que seja, dado que vegetais também tem "interesse" em continuar a viver) pode não ser suficiente. Além disso, seres vivos em geral e zangões, louva-a-deuses e viúvas negras em especial discordam desse interesse em continuar a viver. Se é que você me entende...

Interesse consciente seria um termo mais apropriado. É verdade que, em um determinado momento de sua vida, como você tão bem apontou, os interesses individuais conscientes de algumas criaturas acabam instintivamente sucumbindo aos “interesses” maiores da espécie. A existência da própria morte de cada indivíduo por causas endógenas se dá em benefício da sobrevivência das espécies sexuadas. Mas, na maior parte do tempo, os seres sencientes indubitavelmente lutam pela preservação de sua vida e da integridade de seus corpos e pela sua liberdade, seja por meio da fuga ou do enfrentamento. Grosso modo, ser senciente é aquele que se importa com aquilo que acontece com ele [2].

 

L: Apesar de não conhecer nada da literatura, acho incrível que as conquistas dos direitos sejam todas fruto de interesses (mesmo podendo ser explicadas a posteriori como tal). E a soberania individual? Eu até concederia que interesses - cuja definição ainda não me foi apresentada, mas nem me importo mais - podem levar a responsabilidades morais, mas direitos implicam em controle por parte do beneficiário (ou de seu agente) sobre essa responsabilidade. Será divertido definir os agentes (guardiões) dos animais de forma a que seus direitos não sejam violados - por outros animais, por exemplo...

Muitos indivíduos capazes de possuir interesses no sentido estrito jamais poderiam reivindicar e conquistar os seus direitos por não serem nem mesmo capazes de conceber conceitos abstratos como o de direito (mas não deixam de espernear e de protestar a seu modo quando alguns destes interesses estão sendo violados). A extensão dos direitos básicos a estes pacientes morais se dá única e exclusivamente por iniciativa dos agentes morais, capazes de compreender racionalmente a arbitrariedade da não aplicação do princípio da igualdade de consideração de interesses, mesmo que isso implique na perda de inúmeros privilégios.

Sem contar que a existência de normas para a proteção de interesses não é um monopólio do homem, pois todos os animais sociais dispõem de regras e hierarquia. O quanto isso seria instintivo ou fruto de aprendizado poderia ser discutido, mas é inegável que existe uma espécie de direito embrionário regendo as suas relações. Um filósofo, Steven Sapontzis, chega a atribuir diversos graus de agência moral a alguns animais não-humanos, como seria o caso dos grandes símios e cetáceos. Evidentemente, isso não significa que aqueles animais que comem a própria ninhada, só fazem sexo mediante estupro e não toleram seus semelhantes não sejam pacientes morais, pois o único critério para um indivíduo ser titular de direitos básicos é o fato de ele ser um paciente moral, que deseja continuar a viver, não ser ferido e não ser aprisionado. É um equívoco imaginar que o conceito de direitos surgiu no vácuo e que, um belo dia, um visionário criou do nada um contrato social ao qual todos aderiram alegremente para se verem livres dos grilhões da anarquia.

Todos os agentes morais deveriam não só ter obrigações negativas para com todos os seres sencientes (não matá-los e não feri-los na medida do possível e não explorá-los em absoluto, justamente por isso ser plenamente possível), mas também a obrigação positiva de, no mínimo, cuidar dos que foram trazidos à existência unicamente para serem explorados e que, para isso, foram vítimas de um processo de seleção artificial que acabou os tornando dependentes de nós para sobreviverem. Digo no mínimo, porque, se fosse humanamente possível, teríamos sim a obrigação de policiar a natureza. Do mesmo modo que temos o dever de assistir seres humanos em perigo justamente porque estes têm o interesse de terem sua vida, integridade física e liberdade preservadas, não há porque não agir da mesma maneira em relação às outras criaturas que têm exatamente os mesmos interesses. Só que seria complicadíssimo administrar uma quantidade astronômica de conflitos de interesses. Se salvássemos as presas, os seus predadores morreriam de fome e as primeiras acabariam se reproduzindo descontroladamente na ausência destes últimos, o que as também condenaria a passar fome. Infelizmente, a natureza é utilitarista, ou seja, mantém o seu equilíbrio às custas das vidas individuais. Isso não significa que a ética deve se pautar naquilo que é natural (a conhecida falácia naturalística), pois o conceito de direito baseia-se naquilo que deve ser e não naquilo que simplesmente é. O máximo que podemos fazer são intervenções pontuais [1], como separar uma briga de pitbulls, salvar baleias encalhadas e aves sujas de óleo ou alimentar os animais carnívoros que se encontram sob a nossa tutela com rações veganas.

 

Mas uma coisa deve ficar bem clara: o fato de não podermos policiar a natureza nem reduzir a zero os danos colaterais resultantes de nossas atividades não nos isenta de, no mínimo, não utilizarmos seres sencientes como objetos. Não só pelos interesses no sentido estrito que eles possuem, mas também pelo que esta exploração implica em termos de potencialidades perdidas.

 

C: De acordo com o princípio da igualdade de consideração de interesses, direitos básicos não poderiam ser negados a nenhum ser humano e a nenhuma outra criatura capaz de ter os mesmos interesses, exceto em um contexto de legítima defesa ou de conflito de interesses básicos. Caso este princípio não seja observado, estaremos, analogamente aos racistas e aos machistas, discriminando indivíduos com base em características biológicas completamente irrelevantes em um determinado contexto para defender privilégios inaceitáveis.

L: Faz sentido. Mas ao definir os interesses concretos eu não estou discriminando os beneficiários? Ou seja, ao traduzir os direitos em interesses (detectar os interesses que explicam todos os direitos concedidos aos humanos) eu posso classificá-los de forma a incluir os grupos que eu quiser (no caso, animais não-humanos). Na verdade eu questiono a relação "a cada direito corresponde um ou mais interesses, sendo que os interesses não são exclusivos de cada direito", que define os "interesses no sentido concreto" como sendo a união dos conjuntos de interesses. A solução é única? O que me garante que esses "interesses no sentido concreto" não tenham sido escolhidos a dedo, de forma a incluir os sencientes? Da forma como está, a teoria de que "senciência implica em interesses, e esses interesses implicam em direitos" não passa de "just so story" [4]...

Alguns filósofos chegam a traçar o limite de considerabilidade moral na própria existência da vida, pois todos os seres vivos, sejam eles sencientes ou não, procuram (ou “procuram”) o seu próprio bem ao seu modo, mesmo no caso dos louva-a-deuses que se “suicidam” pelo bem de sua espécie. Sem contar que todo ser não-senciente poderia dar origem a espécies sencintes por meio da evolução. Se eu voltasse um bilhão de anos no tempo e matasse toda a vida exclusivamente bacteriana da Terra, nenhum de nós estaria aqui hoje para contar a história. Para que este critério da mera existência da vida funcionasse na prática, deveria necessariamente haver outros critérios que atribuíssem maior valor a determinados organismos em detrimento de outros, como o da senciência, para que, no mínimo não morrêssemos de fome. Cada ser vivo teria um valor intrínseco que poderia ser maior ou menor dependendo de suas potencialidades.

Já os direitos animais baseiam-se no valor inerente de cada ser senciente como indivíduo, que é categórico por não admitir esta gradação de valor. E o uso da senciência como critério de considerabilidade moral é, na verdade, o contrário do que você afirma, pois discrimina os beneficiários dos direitos ao definir primeiramente quais são os interesses concretos que um determinado ser deve ter para merecer esta proteção. Nem todos os seres humanos com vida são titulares de direitos básicos, pois sempre pode haver a possibilidade de existir um ser humano irreversivelmente não-senciente. E mesmo se a espécie humana nunca chegasse a existir e, ao invés dela, a única espécie capaz de formular uma ética baseada na racionalidade fosse um outro animal, o critério da senciência não deixaria de ser perfeitamente aplicável.

Sobre a compatibilidade dos direitos com os interesses que deveriam proteger, veja o comentário seguinte.

 

L: Não tenho tempo nem conhecimento agora para responder a contento, mas sei que a teoria dos interesses tem problemas, e tem poder explanatório equivalente à teoria volitiva (a tradução deve estar errada, o termo é "theory of will") em descrever/racionalizar os direitos conquistados. Ou seja, nem a teoria dos interesses em si pode ser usada como prova cabal. E não creio que essa ou outra teoria atual possam ser usadas para deduzir uma ética, alheia à população. Ou os fatos devem se adaptar à teoria?

Tanto a teoria dos interesses quanto a teoria da vontade são insuficientes para descrever a natureza de todos os direitos. É claro que nem todo interesse pode ou deve ser protegido por um direito. Já imaginou se todos os nossos interesses se transformassem automaticamente em direitos? Por outro lado, existe a possibilidade dos próprios indivíduos afetados por uma injustiça não terem a mínima idéia de que seus interesses estão sendo violados. Só que toda esta nossa discussão se restringe aos direitos básicos e à sua aplicação coerente com os princípios da generalidade e da imparcialidade. Se um indivíduo não tem interesse pela sua própria vida nem pela sua própria integridade, não faz o menor sentido discutir qualquer outro interesse (a não ser que este desinteresse tenha sido deliberadamente manipulado, como seria o caso da criação artificial de humanos em estado vegetativo permanente para serem doadores de órgãos).

Sem contar que estas teorias dizem respeito a direitos legais e que a nossa discussão diz respeito a direitos morais. E estes últimos devem transcender quaisquer relativismos culturais. O fato de que, em um dado momento histórico, 99,9% da população apoiar uma determinada prática ou instituição não nos diz nada sobre a moralidade destas. E o objetivo da ética é o de transformar a realidade, ou seja, fazer com que aquilo que deve ser se sobreponha na medida do possível a aquilo que é.

L: Mas gostei de ver inclusa a cláusula de "conflito de interesses básicos", dado que um direito inalienável do ser humano é o direito à propriedade, que conflita com o direito de "não ser propriedade" de outros seres. Já vi uma argumentação muito interessante sobre como resolver problemas ecológicos justamente impondo o direito à propriedade, baseada na "tragédia do bens comuns" [5].

O exemplo clássico do conflito de interesses básicos é o dos dois náufragos apoiados em uma tábua que só suporta o peso de um. Se nenhum dos dois se sacrificar espontaneamente, um dos dois terá que ser morto para que haja a chance de alguém sobreviver. No dia a dia, esta situação se reproduziria no caso das pragas que atacam as nossas plantações. Do mesmo modo que cultivamos alimentos para a nossa sobrevivência, estes animais também estão em busca de sua própria subsistência. Como eles não podem ser persuadidos a não atacar a nossa fonte de alimentos, podemos tomar as medidas que forem necessárias para que isso não aconteça.

O direito à propriedade jamais deve se sobrepor ao direito de qualquer indivíduo de não ser tratado exclusivamente como um objeto. Do contrário, não haveria problema algum com a escravidão humana.

C: Alguns exemplos práticos. Torturar um determinado indivíduo seria eticamente condenável porque ele é capaz de sofrer ou porque ele é capaz de tomar decisões morais? Matar um indivíduo seria condenável por ele ter consciência abstrata da morte ou porque estaríamos privando-o para sempre de suas experiências futuras? Seria justo usar um ser humano órfão com deficiência mental profunda como doador de órgãos compulsório para salvar a vida de dois cientistas brilhantes e muito queridos pelos seus familiares?

L: Tortura e assassinato são condenáveis por vários motivos, em vários níveis. Cuidado com as falsas dicotomias. O caso do doador compulsório é um exemplo de dilema moral: ainda não há teoria capaz de responder irrefutavelmente à questão, e não há nem mesmo consenso entre os humanos - que geralmente é usado para "testar" o poder explanatório da teoria. E olha que conseguimos ter uma diversidade formidável de opiniões morais [6]!

Existem situações agravantes no caso da tortura e do assassinato, mas o dano é basicamente o mesmo em cada um deles. Estes exemplos foram usados para ilustrar que alguém não tem direito à vida ou à integridade física por ser capaz de tomar decisões morais ou por ter consciência abstrata da morte, mas sim porque tem, respectivamente, o interesse de não sofrer nem de ser privado para sempre de suas experiências futuras, mesmo que não esteja ciente deste último.

O uso de seres humanos como meros objetos, como o deste exemplo do doador de órgãos compulsório, merece o repúdio de qualquer defensor dos direitos humanos que se preze. Em última análise, até mesmo a pena de morte não passa de um uso instrumental de um ser humano, seja para aplacar a ira dos familiares da vítima do executado, seja para servir como elemento dissuasório para a sociedade em geral.

Podemos ter uma diversidade formidável de opiniões morais sobre uma série de questões, desde o modo como a sociedade deveria ser organizada até a liberação do uso das drogas, mas somos absolutistas morais no que se refere a qualquer uso de seres humano como coisas. O que acontece no caso da escravidão, do estupro, do uso de pessoas como cobaias sem o seu devido consentimento e da doação de órgãos compulsória.

Quando tiver tempo, prometo ler mais detidamente todos os links que você generosamente indicou. Por ora, fico muito feliz que o cerne da questão esteja sendo discutido, ao invés de aspectos tangenciais, como costuma ser a maioria dos casos.

Um grande abraço,

Cláudio Godoy

 

[1] http://www.cahiers-antispecistes.org/spip.php?article102

[2] http://jillium.nfshost.com/library/pain.htm

"

Palavras-chave: argumentação, Cláudio Godoy, critérios, direitos animais, direitos humanos, Ética, Filosofia, interesses, Leo Martins, senciência, sujeitos de direito

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 11 comentários

Agosto 31, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Algumas das pessoas que conheci na JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão): 

Colegas asiaticos na JICA Tsukuba, onde moro no Japao: Mustalah e Milu, das ilhas Maldivas; Chawarda, do Sri Lanka; eu, brasileiro com cara de japones; e o grande amigo Aminul, de Bangladesh! (Sempre da esquerda para a direita.)

====

Colegas latino-americanos na JICA Tsukuba, onde moro no Japao: Daniel, da Guatemala; Daira Vandon, da Nicaragua; o irreverente professor Jorge Ramero, do Equador; e os festeiros bailantes Andre Sanchez, da Costa Rica e Guillermo, do Paraguai!

====

Colegas asiaticos na JICA Tsukuba: o vietnamita Hien; a chinesa Kami; e os tambem vietnamitas Thinh (adora agitar uma paquera) e Tuyen (que sempre ri). Eu sou o penúltimo de vermelho.

====

Amigo africano de Guiné-Bissau, Rui Mateus (oba, falante de portugues!).

====

Mais fotos da turma aqui (incluindo comida do refeitório do prédio): http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/JICATsukuba

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 comentário

Agosto 30, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

"Escalada no verão revela outra face do monte Fuji

MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha de S.Paulo, no Japão

Símbolo do Japão, o monte Fuji aparece sempre cheio de neve e rodeado de nuvens, tanto nas ilustrações tradicionais como nas camisetas e nos chaveiros contemporâneos --mas, para alguns, ele encerra o desafio de uma escalada reveladora.

Quem aceita encarar a subida dos seus 3.776 m, dificilmente avista o branco nival tão comum na representação da iconografia. Vê, sim, um caminho de pedra e areia, cinza, marrom e vermelho, com folhagens esparsas, até chegar à borda da cratera --o monte é, na verdade, um vulcão. E, se olhar em volta, verá um tapete de nuvens, cada vez mais abaixo.

Não só o Fuji-san (como é chamado em japonês) cheio de neve mas também o Japão sempre frio, são imagens particularmente equivocadas.

(...)"

Leia mais:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u439214.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/noticias/ult338u439215.shtml

Ou ainda leia e veja todas as fotos na reportagem inteira na Folha de S. Paulo desta quinta-feira, 28 de agosto de 2008, da pagina F1-F9! (Ou confira os textos na integra quem for assinante UOL ou Folha... infelizmente nao posso publica-los aqui no blog, por razoes obvias.)

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 2 usuários votaram. 2 votos | 1 comentário

Agosto 29, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Enfim, volto a publicar fotografias relevantes aqui.

Conheça a Universidade de Tsukuba, na província de Ibaraki, Japão, onde faço um treinamento irreverente sobre web-sites, focado em Adobe Flash / Action Script. Veja:

Acima: Na sala em que estudo (ou tento estudar) todo dia, o orientador irreverente japonês Yahara-san, eu, e a minha colega de curso Yukie Hori.

Exemplar de comidinha vegana que seleciono quase todo dia em um dos meus refeitórios favoritos da universidade. Bem estilão japonês.

Veja mais 60 fotos na Universidade de Tsukuba, legendadas, aqui:

http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/UniversidadeDeTsukuba

==============================================

Conheça também um pouco de Yokohama, onde morei na minha primeira semana aqui no Japão este ano:

Não poderiam faltar típicas estudantes de colegial japonesas, poderiam?

Isso eram botões do vaso sanitário do meu quarto no prédio da JICA Yokohama. Que medo de apertar algum botão e eu sair voando bem na hora H... 

Veja e leia mais sobre Yokohama em: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/YokohamaFinal

Se você perdeu o post principal sobre Yokohama, acesse aqui:

http://mauricio-kanno.blogspot.com/2008/07/fotos-de-viagem-para-yokohama-japo.html

Palavras-chave: banheiro, colegiais japonesas, comida, estudantes, fotos, Japão, JICA, Tsukuba, universidade, Universidade de Tsukuba, viagem, Yokohama

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 usuário votou. 1 voto | 6 comentários

Agosto 21, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Sim, este post é extremamente egocêntrico. Só eu, eu, eu e mais eu. Não vai encontrar muito de útil aqui, a não ser quem sabe pelos cenários ao fundo. Puro turista aparecido. Isto é só para os amigos curiosos em saber como eu estou aqui no Japão, visualmente. Para os que esperam algo mais sério, aguardem os próximos posts.

No alto do Monte Fuji (3.776 m de altitude; 11 horas para subir, 5 horas para descer):

 

 

Veja mais fotos aqui: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/KannoNoMonteFuji

=======

Pedalando 100 km pelo Lago Kasumigaura (12 horas), segundo maior lago do Japão: 

 

 

Veja mais fotos aqui: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/KannoNoKasumigauraLake

========

Retratos com cabelo novo e chapéu:

Veja mais aqui: http://picasaweb.google.com.br/mpkjor/EuNoNihon

Palavras-chave: diário de adolescente, egocentrismo, futilidade, Japão, Kanno, Kasumigaura, Maurício, Monte Fuji, Oriente, pessoal, turista, vaidade

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 comentário

Agosto 18, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Enfim, ela autorizou a publicação, após uns 2 anos! Oba! Lá vai! Seu segredo enfim revelado! Valeu, mana!

Palavras-chave: efeitos, eletricidade, heroína, mana, Natália, Premiére, raio, super, super-poder, supers

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 comentário

Agosto 06, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Fiquei em duvida (por nao saber o idioma), mas nao teve jeito: fui hoje assistir em um cinema na cidade com dois amigos japoneses Ponyo, animacao do consagrado cineasta de animacao japonesa Hayao Miyazaki! Eu queria muito ir a um cinema japones, e assistir a uma animacao japonesa, pronto! Agora consegui cumprir estes objetivos, eheh! O filme foi em japones, entao nao deu pra entender muito dos dialogos, mas ta valendo... Pelas entonacoes, pelas imagens (belissimas), etc., deu pra pegar bem a historia... E talvez seja ate interessante saborear um filme (especialmente animacao) por este lado mais sensivel...

E assisti esta animacao antes de todo mundo nos outros paises, pois parece que so vai estrear em outros paises so beem depois mesmo... Quando vai chegar ao Brasil? Nao sei, mas pelo que li no site IMDB, especializado em cinema, na Italia so vai chegar em setembro deste ano (Festival de Venice) e no Reino Unido/Inglaterra so em abril de 2009... Ou seja, acho que vai dar tempo de eu chegar ao Brasil e assistir em portugues ainda, huahuahua.

O nome do filme original e "Gaku no ue no Ponyo", o que significa algo como Ponyo no alto do penhasco... Basicamente eh uma peixa que conhece um menino e tenta virar uma menina para ficar com ele. Mas o mais bacana em si e toda a magia que envolve a historia, cheia de ondas e peixes gigantescos, tsunamis, a coragem da mae durona do garoto, e outros encantos de um anime belo do seu Miyazaki. Este autor, diretor do Studio Gibli, tambem produziu Viagem de Chihiro e O Castelo Animado, conhecidos no Brasil.

Ah, claro, a tematica deste filme pega bem personagens animais... Um de meus temas preferidos. Mas o que dizer de uma peixa que quer virar humana? Que mensagem isso passa? Superioridade dos humanos sobre os outros animais? Nao sei... De fato, e problematica a relacao do garoto que quer "ter" o peixe para si... Mas a relacao eh de amizade, e a peixa e toda poderosa, a historia tem muita magia... Acho que o enredo consegue passar por tudo isso. O contato entre os mundos humano e aquatico se da com bastante tumulto e encanto, amizade e desespero. Como se diz? Transcendente e dubio...

Violencia e propriedade do humano sobre o animal? Nao, nao diria que isso aparece no filme... como e a realidade. Ha toda uma comunicacao e relacao tumultuada, isso sim...

Links?

http://www.ghibli.jp/ponyo/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hayao_Miyazaki
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gake_no_ue_no_Ponyo
http://en.wikipedia.org/wiki/Ponyo_on_the_Cliff_by_the_Sea
http://en.wikipedia.org/wiki/Hayao_Miyazaki
http://www.imdb.com/title/tt0876563/releaseinfo

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 1 usuário votou. 1 voto | 0 comentário

Agosto 03, 2008

default user icon
Postado por Maurício Kanno

Oficialmente, so em setembro, mas la vai descricao e um video parcial:

Eheh, pois eh, to bem longe, mas nao deixo de ficar ansioso pelo retorno desta fantastica serie! Cujo personagem mais engracado e interessante eh... um japones, claro! Soh que ainda nao encontrei ninguem aqui no Japao que assista e curta tambem... rs

Bem, la vai: texto escrito por "Sam", na comunidade Heroes Brasil, no Orkut: (cuidado, spoilers!)

"Conforme esperávamos, ontem [ha uma semana] na Comic-Con, foi exibido o primeiro episódio da terceira temporada de Heroes: Villains. Não há vídeos por enquanto, mas há a descrição do episódio.
Confira-a abaixo:

- O episódio começa 4 anos no futuro. Claire apontando a arma pro Peter. Ele implora a ela para deixá-lo voltar ao dia em que "todos descobriram". Ela ATIRA, mas ele para o tempo e sai da frente.

- Agora vemos o presente. Peter do Futuro coloca um casacão preto e entra na sala do final da última temporada. Ele atira no Nathan. O Matt e uns policiais tentam caçar o Peter do Futuro.

- Aparece a casa da Claire, onde ela vê tudo o que acontece. Ela liga pro Peter do presente e pergunta se eles precisam do sangue dela para salvar o Nathan.

- Corta para o hospital. Médicos tentam reanimar o Nathan.

- O Peter do Presente está do lado do irmão o tempo todo. Então um médico chega pra ele e diz "Eu sinto muito". Nathan pereceu.

- Peter então vai até o irmão, que está morto numa mesa de cirurgia. Ele o toca, fazendo com que o Nathan acorde de sopetão. Aparece o logo de Heroes.

- Vemos então o Hiro no escritório de seu pai. Ele está zoando com os ponteiros de um relógio quando Ando chega. Hiro não sabe mais o que fazer, e está entediado nas Empresas Yamagato. Ele então vê um DVD que seu pai deixou pra ele com o título "Sobre seu destino".

- Vemos então a casa da Claire, e ela está brincando com o Mr Muggles. A campainha toca e ela vai atender. Quando ela abre a porta... SYLAR!!! Ele diz "Eu quero o que você tem!" Ela acerta ele com um troféu e tenta fugir, mas Sylar consegue trancar todas as portas e janelas na base da telecinese. Ela pega uma faca de cozinha e tenta se proteger dele. Eles estão sozinhos na cozinha. Ele aparece indo na direção dela. E então...

- Vemos o apartamento do Mohinder. A Maya está lá, assustada, segurando algo pesado enquanto alguém tenta entrar pela porta. O Mohinder entra e ela erra a porrada. Ela vê que é ele e então eles começam a conversar sobre os poderes da galera e como eles estão ligados a adrenalina. Aparentemente, quando a galera está com a adrenalina alta, seus poderes são afetados.

- Vemos o Hiro assistindo o dvd deixado pelo seu pai. Nele, Kaito diz que ele tem uma missão sagrada. Ele fala que está dentro do seu cofre particular. Nas mãos erradas, aquilo pode destruir o mundo. Agora é o dever do Hiro de NUNCA ABRIR O COFRE! É claro que Hiro vai e abre o cofre. Dentro do cofre tem um envelope, com um outro dvd com os dizeres "PRESS PLAY". Hiro vai faceiro e é mais uma mensagem de seu pai. "EU DISSE PRA VOCÊ NÃO ABRIR O COFRE! O único que pode proteger os Heróis é aquele de sangue puro". Dentro do envelope, além do dvd tem um gráfico, com vários elementos quimícos, dna,etc. Então um jato de vento passa por ele e o gráfico some. Hiro para o tempo pra saber o que diabos aconteceu. Então ele vê uma trilha deixada pela Speedster Daphne. Ela dá um encontrão no Hiro e some.

- Vemos então o Peter na sala de provas da polícia. O Matt chega com a arma do crime, que tem as digitais do Peter. Ele tenta ler a mente do Peter, mas não consegue nada. Então o Peter do passado se tranforma. Era o Peter do Futuro, que joga o Matt longe, pegando a arma e saindo tranquilamente.

- Peter do Futuro vai até o hospital pra matar o Nathan. Quando ele chega no quarto dele, o Nathan sumiu.

- Nathan chega até uma igreja e diz "Eu vi Deus hoje. Eu estava morto e Ele me deu mais uma chance. E agora eu sei porque estou aqui. Para fazer coisas grandiosas. Para fazer o Seu trabalho." Nisso o Peter do futuro chega pra matar o irmão.

- Então ele vê o irmão e ouve ele falar sobre como todos estão ligados, sobre destino e tal. Então ele se comove e deixa quieto.

- Vemos novamente o Mohinder e a Maya. O Mohinder coletou o sangue dela e fez uma fórmula que pode dar poderes a qualquer pessoa.

- Vemos então o Sylar com a Claire. Ela se escondeu num armário e ele não consegue pegá-la. Então ele encontra uns arquivos sobre os vilões do Level 5. Quando ele está distraído, a Claire mete a faca no peito dele, mas não adianta e ele joga ela na parede. Ele então começa a abrir a cabeça dela e apavorar com o cérebro dela. Ela consegue falar com ele. "O que você está fazendo?" ela pergunta. Ele responde "Estou procurando por respostas antes que eu sangre até a morte" "Você vai comer meu cérebro?" E então a resposta que todos aguardávamos chegou.
"Claire, isso é nojento". Então ele encontra o segredo dos poderes dela. Ela aparentemente morre quando ele encontra a habilidade dela. Ele retira a faca do peito e começa a andar tranquilo. Então ele volta, e coloca a tampa da cabeça dela de volta, e então Claire acorda.
Claire: "Você não vai me matar?"
Sylar: "Você é diferente, você é especial. Eu não poderia matar você nem que eu quisesse. Você nunca poderá morrer. E agora, aparentemente nem eu."

- Vemos a Maya querendo que o Mohinder destrua o frasco com a fórmula que dá poderes, mas ele não está nem aí.

- Vemos o Nathan de volta. O Peter do Futuro leva ele para o seu quarto no hospital, ouvindo as surtadas do irmão. "Nós poderíamos ser Anjos à serviço de Deus."
Peter: "Eu não espero que você entenda o que eu fiz com você, mas eu espero que um dia você me perdoe.". E então ele vai embora.

- Quando ele sai do quarto, Linderman diz "A vida realmente é uma coisa estranha, não é Nathan ?"

- Vemos uma cena de Niki falando com o governador sobre o Nathan.

- Vemos então o Matt no meio do deserto, preso.

- Aparecem o Hiro e o Ando. O Ando quer que o Hiro vá ao passado para entender o porque da Daphne roubar os gráficos. O Hiro resolve que tem que ver o futuro.
Ele então vê o Hiro e o Ando do futuro discutindo. Então, o Ando do futuro manda uma rajada de um raio vermelho e desacorda o Hiro do futuro. ANDO TERÁ PODERES!
Hiro se esconde num canto e vê uma visã Hiro se esconde num canto e vê uma visão apocalíptica: Tóquio sendo destruída!

- Vemos o Mohinder e o pior acontece. Ele usa a fórmula ao invés de destruí-la.

- Angela Petrelli aparece para o Nathan. É revelado que o poder dela são "Sonhos". Aquilo que o Peter sonhava saía da cabeça dela.

- Ela então conversa com o Peter do Futuro.
"O que você fez com o meu filho?" pergunta ela em relação ao Peter do passado.
"Ele está num lugar seguro".
Então os dois vão até o Level 5. Vários presos gritam "EU SOU PETER PETRELLI!!!"

- Bennet também se encontra no Level 5.

- Vemos o Matt no deserto, e ele vê uma pintura em uma pedra. O mundo explodindo.

- Vemos várias cenas. O Linderman com o Nathan, a Niki tramando algo, e o Mohinder largado no chão. Bandidos resolvem que vão roubar ele, então ele acorda e torce o braço do cara de uma maneira absurda. Ele então olha para suas mãos, assustado, quando a câmera vai subindo e vemos a mesma pintura do mundo explodindo, pintada na parede de um prédio. E então "Continua..."


OBS: Depois da exibição do episódio, o elenco e os produtores ficaram abertos para perguntas. Foram poucas e não revelaram nada demais. Porém, podemos destacar que foi perguntado ao elenco qual seria a definição da nova temporada. Eles responderam assim:

• Jack Coleman: Fantástica.
• Hayden Pannetiere: Incrível.
• Milo Ventimiglia: Vai derreter suas cabeças.
• Masi Oka: Falou algo em Japonês. =D
• Greg Grunberg: Sexy!
• Dania Ramirez: Perturbada!
• Zachary Quinto: Eu sempre gostei da palavra Brouhaha (essa nem eu entendi)
• Ali Larter: Maravilhosa
• Sendhil Ramamurthy: Realmente sombria."

Fontes:"Judão", transmitido por "Sam", na comunidade de Heroes Brasil no orkut:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=11634635&tid=5227626466820003885&na=1&nst=1

Mais aqui: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=11634635&tid=2588023518081288610&na=4&nst=1&nid=11634635-2588023518081288610-2588212505231147235

Palavras-chave: 3a temporada, Heroes, série de tv

Esta mensagem está sob a licença CreativeCommons Atribuição.

Postado por Maurício Kanno | 0 comentário

<< Anterior Próxima >>